Ano 1 | nº 174 | 13 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Muçarela e spot seguem fortalecidos por demanda, GDT segue pressionado na 1ª quinzena de julho
Preços internacionais: o 407º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou queda de 4,9% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.793/tonelada. O resultado foi marcado por reajustes mais acentuados em diversas categorias e reforça um ambiente internacional mais pressionado para os preços dos lácteos no curto prazo. Devido à entrada da safra de leite da Nova Zelândia e a ampliação da disponibilidade de produtos no mercado internacional, o volume negociado totalizou 26.316 toneladas, aumento de 103,7% em relação ao leilão anterior.
Leite spot: o mercado de leite spot registrou uma nova valorização na primeira quinzena de julho com a média Brasil a R$ 3,229, um aumento de R$ 0,170. Esse ajuste positivo nas cotações foi impulsionado pelo giro das vendas de derivados em patamares confortáveis e pelos preços mais elevados, o que resultou em maior demanda por leite fresco. Esse aumento, alinhado à oferta mais restrita de leite no campo, contribuiu para a alta generalizada do leite spot. Muçarela: a muçarela voltou a apresentar alta nas cotações, refletindo o movimento do leite UHT. O cenário de estoques reduzidos e menor disponibilidade de leite seguiu dando suporte aos preços no período. A variação dos preços esteve entre R$ 33,7 (RS) e R$ 37,1 (RJ), com variações positivas em todos os estados avaliados: Santa Catarina (+R$0,9), Minas Gerais (+R$0,8), Goiás (+R$0,6), Paraná e Rio Grande do Sul (+R$0,5), Rio de Janeiro (+R$0,4) e São Paulo (+R$0,3). Leite em pó: o mercado de leite em pó apresentou comportamento variado entre os segmentos. O leite em pó integral seguiu com negociações mais fracas e menor movimentação, registrando queda de R$0,3 em São Paulo e totalizando R$24,9. Por outro lado, o leite em pó desnatado encontrou sustentação em estoques mais baixos, registrando ajuste negativo de R$0,1 e totalizando R$22,4 em São Paulo. No leite em pó fracionado, houve a manutenção de estabilidade com variações positivas em São Paulo (R$29,9, alta de R$0,1) e no Nordeste (R$29,4, alta de R$0,2). Oferta: a produção de leite segue limitada pelas condições típicas da entressafra, mantendo a disponibilidade de matéria-prima em níveis mais baixos. No Sul, porém, o início da recuperação sazonal da produção começa a trazer sinais de aumento da oferta. Demanda: a procura por derivados segue em crescimento, acompanhada pelo aumento do volume de vendas nos supermercados. Esse movimento tem contribuído para sustentar a valorização dos preços no mercado.
MILKPOINT
Produtores avaliam mercado futuro de leite
Ferramenta busca reduzir a volatilidade dos preços e dar mais previsibilidade à renda dos produtores, mas ainda desperta dúvidas no campo. No Paraná, cooperativa busca orientar sobre uso da ferramenta
A exemplo de commodities como soja, milho e boi gordo, a possibilidade de negociar contratos futuros para lácteos vem sendo incentivada por especialistas e avaliada entre os produtores. A opção do mercado futuro é fundamentada em levar ao campo mais previsibilidade sobre o valor que será recebido pela produção. “Estamos atuando de forma educacional, ainda com cautela, mas acreditamos que em momentos com grandes oscilações de preço do leite esse perfil de ferramenta pode representar um seguro para a propriedade, para possibilitar investimentos”, avalia Dinarte Garrett, coordenador de Pecuária Bovinos da Capal. A cooperativa comercializa 12 milhões de litros de leite por mês de produtores do Paraná e de São Paulo. A produção é destinada às unidades de beneficiamento do grupo Unium (mantido pela Frísia, Castrolanda e Capal), localizadas nos municípios paranaenses de Castro e Carambeí, e no parque industrial de Itapetininga (SP). No mercado futuro, os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data adiante com preços já definidos. O instrumento financeiro de proteção (“hedge”), que visa minimizar os riscos das oscilações do preço do leite, está em funcionamento no país desde 13 de maio. A ferramenta foi lançada pela consultoria StoneX Leite Brasil, com apoio do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A novidade ainda desperta desconfiança de produtores. “Já ouvi falar, mas não sei se vai funcionar, não tenho informações corretas ainda”, diz o produtor Wilko Laurens Verburg, de Arapoti. Em sua propriedade, a produção é de 19 mil litros de leite por dia, com 460 vacas em ordenha mecanizada. “Hoje, a gente precisa ter eficiência na gestão para uma produção de qualidade. Por outro lado, quanto aos preços, não estou otimista. A partir de setembro deve ter nova queda”, acredita. A produtora Ellen Biersteker, também de Arapoti, considera o mercado futuro para o leite um tema complexo. “Não cheguei a me aprofundar, mas se for para melhorar a rentabilidade, pode ser válido. Com o leite, a gente produz o mês inteiro e não sabe quanto vai receber. Tem projeções, mas que só se confirmam na entrega do produto”. Ela ainda destaca que, diferentemente de outras atividades do agro, o leite é perecível e tem um curto prazo para ser comercializado. Com 380 vacas em lactação, a produção diária na propriedade dela é de aproximadamente 11,4 mil litros. De acordo com Dinarte Garrett, da Capal, o objetivo das ações educativas é levar informações para que o produtor possa atuar de maneira segura no mercado futuro. “É algo novo no Brasil, estamos avaliando o cenário para ver as melhores oportunidades com grupo de produtores ou situações individuais”. Garrett comenta que ainda não há cooperados utilizando a ferramenta, mas há muitos interessados. O preço do leite pago ao produtor associado está girando em torno de R$ 2,75 a R$ 3, variável conforme tabela de qualidade do produto, segundo o coordenador. Ele destaca que entre as características dos produtores de leite da região está o investimento em genética e ambiência dos rebanhos, e que a Capal atua para levar diretrizes que possam aprimorar os indicadores e otimizar custos. Segundo Marianne Tufani, consultora em gestão de riscos da StoneX que foi palestrante na Expoleite, a proposta da empresa é desmistificar o mercado futuro como modelo de negócio. O instrumento vem sendo apresentado para produtores de todo o país e para laticínios e cooperativas. “Os produtores têm muitas dúvidas, mas estão demonstrando bastante interesse”, afirma. De acordo com ela, a opção está obtendo uma boa aderência, e os primeiros contratos devem ser fechados nas próximas semanas. Marianne diz que a ferramenta já é consolidada fora do país, principalmente na Europa, além de Estados Unidos e Nova Zelândia, os maiores exportadores de leite, assim como na Ásia. “A opção foi lançada há 30 anos lá fora pela StoneX, que foi a pioneira, e levou em torno de quatro anos até que os produtores entendessem o objetivo”, explica. A operação ocorre no mercado Mercado OTC (“Over-The-Counter”) ou mercado de balcão, ambiente de negociação descentralizado fora das bolsas de valores tradicionais. A corretora StoneX utiliza os indicadores do Cepea para a liquidação dos contratos: Leite UHT Sudeste (R$/litro) e Queijo Muçarela Sudeste (R$/kg), ambos de divulgação diária; e Leite em Pó Industrial 25 quilos São Paulo (R$/kg), de periodicidade semanal. O lote mínimo é de 40 mil litros de leite ao produtor, mas é possível fechar contratos via laticínios e cooperativas, o que pode beneficiar produtores com volume de produção menor. “É uma solução muito demandada pelo mercado, devido ao aumento de volatilidade e da falta de previsibilidade do setor. A principal vantagem é que o produtor consegue se antecipar, planejar investimentos, aumentar escala e ter saúde financeira de longo prazo”, detalha. Aberta a produtores e indústrias, esse modelo de negócio não altera a comercialização física do produto. Para acessar a ferramenta, é necessário ter uma conta na corretora.
GLOBO RURAL
WPC 2026: o que a crise global do soro de leite pode significar para os laticínios no Brasil
O preço do concentrado proteico de soro de leite, o WPC, subiu mais de 100% em doze meses na Europa e já é descrito por relatórios internacionais como o ingrediente mais disputado da indústria global de alimentos.
O WPC nasce como subproduto da fabricação de queijo. O soro de leite, que antes era tratado quase como descarte ou, na melhor das hipóteses, ração animal, passa por um processo de ultrafiltração que concentra a proteína e separa o material em diferentes faixas de pureza, do WPC 34% ao WPC 80%, sendo este último o de maior valor comercial. Durante décadas, esse insumo viveu na sombra do queijo e da manteiga, tratado como item de balanço secundário dentro das grandes cooperativas e indústrias lácteas do mundo. Esse cenário mudou de forma estrutural nos últimos anos, e mudou rápido. Os dados internacionais recentes deixam claro que essa não é uma alta pontual. Na União Europeia, o WPC com 80% de proteína acumulou alta de 105% em doze meses, atingindo 22 mil euros por tonelada, o equivalente a cerca de 128 mil reais, segundo levantamento da StoneX divulgado em maio. Um relatório global publicado em junho descreve o cenário como uma crise estrutural de oferta, com o preço spot do WPI batendo onze dólares por libra nos Estados Unidos, nível nunca registrado pelo USDA. Outro levantamento de mercado europeu mostra o whey padrão subindo mais de 50% desde janeiro, com os produtos concentrados como o WPC se aproximando de 20 mil euros por tonelada. Dados semanais do USDA confirmam que esse não é um pico isolado. Em meados de junho, o WPC 80% segue estável em torno de treze dólares por libra, com o WPI levemente acima disso. Em abril, o WPC 34% já negociava entre 9,75 e 11 dólares por libra, com estoques apertados e tom de mercado firme. Ou seja, o mercado não está apenas reagindo a um susto temporário, está operando num platô de preço elevado e sustentado. A disseminação global dos medicamentos da classe GLP-1, usados para perda de peso, reduz o apetite de quem os utiliza. Para preservar massa magra durante esse processo, médicos e nutricionistas passaram a recomendar maior consumo de proteína, e o whey protein, por ser prático e de fácil absorção, se tornou parte central dessa recomendação. Do lado da oferta, boa parte do volume americano já está contratado a termo até o fim de 2026, o que está forçando compradores globais a migrar para a Europa e, na sequência, para alternativas regionais à medida que a disponibilidade se reduz em todos os mercados. O ponto que mais importa para quem opera no setor lácteo brasileiro. Diferente do que ocorre com preço de leite, queijo ou manteiga, não existe hoje uma referência consolidada de preço de WPC para o Brasil, justamente porque o país tem poucos fabricantes desse insumo em escala. Isso cria duas situações opostas dentro da própria indústria nacional. Para quem compra WPC como insumo, seja para suplementação, food service ou fortificação de alimentos, a pressão global de preço chega como custo, muitas vezes sem um parâmetro nacional claro para negociar ou planejar compra futura. Para quem produz soro de leite e tem capacidade de concentração ou parceria de processamento, a alta internacional abre uma janela de margem que, sem dado de mercado estruturado, é difícil de identificar e explorar no momento certo. Em ambos os casos, a ausência de referência de preço não é um detalhe estatístico, é uma desvantagem competitiva direta para quem decide no escuro enquanto o resto do mundo já opera com dado consolidado. Nos Estados Unidos, produtores de leite já anunciaram 11 bilhões de dólares em capacidade nova ou ampliada de processamento em dezenove estados, e a expectativa do setor é que a produção americana de leite cresça em quinze bilhões de libras até 2030 justamente para atender essa demanda crescente por proteína. Esse movimento também tem um efeito colateral pouco discutido, o aumento de produção voltado a proteína eleva a oferta de gordura do leite como subproduto, pressionando o preço da manteiga em paralelo, o que mostra como uma mudança de foco em um derivado lácteo se propaga para outros. O mercado que se forma agora não vai se acomodar rapidamente. A combinação entre demanda estrutural ligada à saúde e ao emagrecimento, capacidade produtiva que não foi desenhada para crescer nesse ritmo, e ausência de dado consolidado no Brasil, sugere que esse tema vai continuar relevante muito além do próximo trimestre. Porque é nesse nível, e não apenas no número isolado da tonelada na Europa, que o impacto real chega para quem compra, vende ou negocia derivados lácteos no Brasil.
MILK POINT
NACIONAL
Paraíba terá primeira fábrica de processamento de leite de cabra em pó do Nordeste
Empreendimento tem investimento de R$ 5 milhões e deve entrar em operação no mês de setembro. Paraíba lidera a produção nacional de leite de cabra
A Paraíba terá a primeira fábrica de beneficiamento de cabra em pó do Nordeste. A planta, que será instalada em Casserengue, interior do Estado, terá capacidade para processar 45 mil litros por dia. Serão investidos R$ 5 milhões, e o início das operações está previsto para setembro deste ano. A fábrica que será pioneira no Nordeste é um projeto da Cooperativa de Produção e Comercialização do Curimataú Paraibano (Coopac), que já atua comercializando leite de cabra e derivados como iogurte e queijo de coalho por meio da marca própria, a Nutrilê. A cooperativa comercializa 50 mil litros de leite por mês e está investindo R$ 1,5 milhão na instalação da fábrica e mais R$ 580 mil na infraestrutura da construção do prédio. Planta será instalada em Casserengue, interior do Estado. Nico Vilar, secretário de Estado da Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido (Seafds), disse que o projeto vai otimizar a operação da Coopac. “A cooperativa já produz leite e iogurte de qualidade e agora vai produzir leite em pó de cabra, o que vai evitar o desperdício. O produtor rural não terá limite de cota e isso é importante para desenvolver ainda mais a economia das famílias e de toda a região”, avaliou. Segundo o representante comercial da Coopac, Augusto Belarmino, inicialmente, a nova fábrica atenderá 500 produtores rurais, com expectativa de chegar a 1,8 mil nos próximos anos. A Paraíba lidera a produção nacional de leite de cabra, com 5,6 milhões de litros anuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
GLOBO RURAL
PESQUISA
Estudo revela o verdadeiro custo dos parasitas na produção de leite
Revisão científica global mostra que infecções subclínicas, sem sintomas visíveis, reduzem a produtividade e desempenho reprodutivo. Infestação de carrapatos em bovinos pode chegar a 600 parasitas por dia, a depender da raça do animal
Uma revisão científica internacional revelou que o maior prejuízo causado por parasitas na pecuária de leite não está nas doenças visíveis, mas nas perdas silenciosas de desempenho animal. Segundo o estudo, encomendado pela MSD Saúde Animal e publicado na revista Parasites & Vectors, mais de 80% do impacto econômico total dessas infecções está ligado à queda na produtividade — como menor produção de leite, crescimento mais lento e pior desempenho reprodutivo. O estudo analisou dados econômicos e zootécnicos de diferentes regiões com foco em Estados Unidos, Brasil e Europa para estimar o peso dos parasitas na produção leiteira global. Os autores compilaram dados de prevalência, impacto produtivo e custos associados a diferentes grupos de parasitas, como nematoides gastrointestinais, carrapatos e trematódeos, com base em literatura científica e bases regionais consolidadas. Os resultados mostraram que o parasitismo subclínico, quando não há sinais evidentes de doença, é o principal responsável pelas perdas. Essas infecções afetam continuamente o metabolismo e a eficiência produtiva dos animais. Nos EUA, as infecções por nematoides gastrointestinais, por exemplo, geram perdas estimadas em mais de US$ 3 bilhões anuais, segundo o estudo. No Brasil, as infecções por carrapatos, mais comuns, podem reduzir a produção em até 90 litros por vaca ao dia, de acordo com a revisão científica. “Parasitas são um problema global escondido à vista de todos. Eles frequentemente são invisíveis na gestão diária da fazenda, mas seu impacto negativo na produção de leite, fertilidade e saúde animal é enorme”, afirma o médico veterinário Robert P. Lavan, autor do estudo. A partir dos resultados, o estudo sugere que estratégias tradicionais, como a desparasitação em calendário fixo, são insuficientes e podem acelerar a resistência aos medicamentos, recomendando uma abordagem baseada em diagnóstico e avaliação de risco. “Na pecuária leiteira, não existe uma receita exata. O protocolo de controle parasitário que funciona perfeitamente em uma bacia leiteira não pode ser simplesmente replicado em outra”, afirma Rafael Silva, gerente de mercado de Gado de Leite da MSD Saúde Animal. Entre as principais recomendações estão o uso de exames como contagem de ovos fecais, tratamento direcionado a animais mais vulneráveis e manejo estratégico de pastagens. “Para proteger o potencial produtivo e a saúde do rebanho, as estratégias precisam ser personalizadas, levando em conta o clima da região, o modelo de produção e o desafio específico daquela propriedade”, completa Silva.
GLOBO RURAL
BIOATIVOS: QUANTOS INGREDIENTES AINDA ESTÃO ESCONDIDOS EM UMA GOTA DE LEITE
O próximo ciclo de inovação da indústria láctea pode nascer da separação de componentes capazes de atender aplicações cada vez mais direcionadas. Mais do que novos ingredientes, a tendência é descobrir funções diferentes para componentes que sempre estiveram presentes no leite.
Nos últimos anos, o whey protein mostrou que um componente do leite poderia deixar de ser apenas uma matéria-prima para se transformar em um ingrediente de alto valor agregado. Agora, uma nova tendência começa a ganhar forma. Em vez de procurar novos ingredientes, a pesquisa volta sua atenção para componentes que sempre estiveram presentes no leite, mas que passam a ser estudados individualmente por suas características e possíveis aplicações. A mudança é sutil, mas significativa. O interesse deixa de estar concentrado em um único ingrediente e passa a explorar frações específicas do leite e do soro, buscando compreender o papel que cada uma delas pode desempenhar. A lógica deixa de ser produzir mais proteína e passa a entender melhor as proteínas e outros componentes que o leite já oferece naturalmente. As pesquisas reunidas na mais recente edição do Ingredients Research Quarterly refletem exatamente esse movimento. Embora abordem áreas diferentes, todas seguem a mesma direção: investigar componentes específicos em vez de analisar o leite ou o soro como um conjunto homogêneo. Entre esses ingredientes está a alfa-lactoalbumina, estudada em aplicações voltadas à nutrição infantil. Outra linha acompanha o potencial das proteínas do soro como estratégia nutricional para o envelhecimento saudável. Já os fosfolipídios derivados do soro aparecem como uma plataforma emergente de pesquisa relacionada à função cognitiva, ainda em estágio pré-clínico. Mais do que os resultados individuais de cada trabalho, o que chama atenção é o caminho que eles apontam. O leite passa a ser observado como um conjunto de moléculas com características próprias, capazes de atender necessidades diferentes conforme são isoladas, compreendidas e aplicadas. Essa mudança também amplia a forma de enxergar a inovação na indústria láctea. Em vez de concentrar esforços apenas no desenvolvimento de novos produtos, cresce o interesse em compreender melhor o potencial dos componentes naturais do leite e transformá-los em ingredientes cada vez mais especializados. Os estudos apresentados ainda pertencem a diferentes estágios de pesquisa e não apontam para uma única aplicação. Ainda assim, todos convergem para a mesma ideia: o futuro da inovação pode depender menos da descoberta de novas matérias-primas e mais da capacidade de revelar o valor que já existe dentro do leite. Se o whey representou um dos maiores avanços na valorização do soro, a próxima etapa talvez comece com uma pergunta simples, e ao mesmo tempo estratégica para toda a cadeia: quantos ingredientes ainda estão escondidos em uma única gota de leite?
Ingredients Research Quarterly
ECONOMIA
IPCA desacelera mais que o esperado em junho com queda de alimentos e tem menor nível em 8 meses
A inflação no Brasil desacelerou mais do que o esperado em junho, com queda nos preços dos alimentos e custos mais baixos da energia elétrica residencial, chegando ao menor nível em oito meses, em meio aos esforços do Banco Central para levar a alta dos preços à meta.
Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16%, após alta de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. Essa é a leitura mensal mais baixa desde outubro, quando o IPCA apresentou avanço de 0,09%. O resultado levou a taxa em 12 meses a 4,64%, de 4,72% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,31% na comparação mensal e de 4,80% em 12 meses. Em junho, o grupo Alimentos e Bebidas teve queda de 0,24% e registrou o maior impacto negativo sobre o índice do mês, após alta de 1,33% em maio. Os custos da alimentação no domicílio caíram 0,39%, depois de subirem 1,65% no mês anterior. Apresentaram quedas café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%), enquanto feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) avançaram. Por outro lado, o grupo Habitação registrou a maior variação e o maior impacto, com alta de 0,63% no mês. Ainda assim, mostrou desaceleração depois de ter subido 1,22% em maio. Isso porque o aumento nos preços da energia elétrica residencial diminuiu a 1,53% em junho, de 3,67% no mês anterior, ainda que tenha exercido o maior impacto individual no resultado do IPCA. No mês de junho, as contas de luz seguiram com bandeira amarela, o mesmo que em maio, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Já os Transportes saíram de uma queda de 0,46% em maio para alta de 0,17% em junho, refletindo a alta de 7,12% das passagens aéreas, mas recuo de 0,48% nos combustíveis — etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%). A inflação de serviços mostrou um leve alívio em junho com taxa de 0,34%, de 0,40% em maio, acumulando em 12 meses avanço de 5,90%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, recuou para 54%, de 65% no mês anterior. Além das repercussões da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e de outros produtos, estão no radar ainda questões climáticas, como o El Niño. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a possível decisão do governo de eliminar a subvenção à gasolina, que seria tomada nesta semana, ficará para a semana que vem diante dos novos atritos entre Estados Unidos e Irã. O Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual no mês passado, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto, indicando que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,30% em 2026, indo a 4,18% em 2027.
REUTERS
Dólar acompanha exterior e cai para a faixa dos R$5,10
O dólar fechou a sexta-feira em baixa no Brasil e novamente na faixa dos R$5,10, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, onde o conflito no Oriente Médio seguiu no foco das atenções.
O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,31%, aos R$5,1078, a menor cotação de fechamento desde 16 de junho, quando atingiu R$5,0894. Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,18% e, no ano, recuo de 6,94%. s 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,17% na B3, aos R$5,1340. No exterior, o dólar sustentou perdas ante o iene após a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmar que o governo quer incentivar fundos de pensão a aumentarem suas participações em ativos financeiros nacionais. Além disso, a moeda norte-americana recuou ante divisas de países emergentes como o peso colombiano, o peso chileno e o peso mexicano, ainda que o cenário da guerra no Oriente Médio seguisse nebuloso. Dados de rastreamento mostraram que navios-tanque de gás natural liquefeito passaram pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, enquanto 22 embarcações ligadas ao Japão deixaram o Golfo Pérsico desde terça-feira, mas o tráfego diário geral diminuiu à medida que as tensões entre EUA e Irã se intensificaram. Durante a manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país concordou em negociar com o Irã, depois que Teerã pediu a continuação das discussões, mas acrescentou que o cessar-fogo entre as duas nações “acabou”. O mercado no Brasil se alinhou à tendência externa e o dólar cedeu ante o real. Após marcar a máxima de R$5,1278 (+0,08%) às 11h33, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0985 (-0,49%) às 13h28. Da máxima para a mínima a divisa oscilou apenas 0,57%, uma indicação de que as margens foram estreitas. No início do dia o destaque no Brasil foi a divulgação do IPCA, o índice oficial de inflação, referente a junho, que subiu 0,16%, ficando abaixo da taxa de 0,58% de maio e da projeção de 0,31% dos analistas ouvidos pela Reuters. Nos 12 meses até junho, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação ficou em 4,64%, abaixo dos 4,80% projetados. O resultado abaixo do esperado fortaleceu no mercado a perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central possa promover mais um corte de 25 pontos-base da Selic no início de agosto — algo que já vem sendo precificado no mercado. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano.
REUTERS
Ibovespa salta quase 3% e orbita 178 mil pontos, após inflação reforçar aposta de queda da Selic em agosto
O Ibovespa fechou em alta de quase 3% na sexta-feira, orbitando os 178 mil pontos, patamar que não alcança desde maio, após dados de inflação endossarem apostas de queda da taxa Selic em agosto.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,97%, a 177.866,37 pontos, terminando na máxima do dia, com praticamente todas as ações no azul. A última vez que o Ibovespa superou 178 mil pontos foi em 21 de maio, durante o pregão. Na mínima desta sexta-feira, marcou 172.760,66 pontos. O volume financeiro somou R$25,17 bilhões. Com tal desempenho, o Ibovespa acumulou um ganho de 2,18% na semana, a terceira com sinal positivo. Em julho, acumula até o momento alta de 3,40%. O IPCA subiu 0,16% em junho, após aumento de 0,58% em maio, informou o IBGE, na leitura mensal mais baixa desde outubro (+0,09%). Expectativas em pesquisa da Reuters apontavam alta de 0,31% na comparação mensal. De acordo com o chefe de economia no Brasil e de estratégia para América Latina no Bank of America, David Beker, resultado de junho trouxe um índice cheio e uma composição mais favoráveis do que o esperado. “Apesar de alguns itens específicos terem exercido forte pressão baixista sobre o resultado, a desinflação também ficou evidente em indicadores mais amplos e relevantes, como o índice de difusão e as medidas de núcleo”, avaliou, em relatório a clientes. Após a divulgação do IPCA, citando também o cenário externo mais favorável, com o barril do petróleo abaixo de US$80 e dados de emprego dos EUA mais fracos na semana passada, Beker passou a ver corte de 0,25 ponto percentual na Selic próxima reunião do Copom, de manutenção anteriormente. O próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) está previsto para 4 e 5 de agosto. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Para a reunião seguinte, que acontece nos dias 14 e 15 de setembro, Beker afirmou que o cenário-base continua sendo de manutenção dos juros, “mas há risco” de um novo corte de 0,25 ponto, dependendo da evolução dos preços do petróleo. Na sexta-feira, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou com declínio de 0,38%, a US$76,01, enquanto, em Wall Street, o último pregão da semana foi marcado por variações modestas, com o S&P 500 fechando em alta de 0,42%, em uma sessão de relativa calma no cenário geopolítico.
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Agro tem recorde de exportação em junho e no semestre
Setor respondeu por 45,7% do total exportado pelo país no mês passado. Vendas externas ficaram em US$ 16,6 bilhões em junho
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16,6 bilhões em junho, o que representa um recorde para o mês. Houve incremento de 14% sobre junho do ano passado, ou US$ 2 bilhões, informa o Ministério da Agricultura. O setor respondeu por 45,7% do valor total exportado pelo país no mês passado. No semestre, o desempenho também foi recorde: US$ 87,1 bilhões, aumento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025. Em junho, o principal destaque da balança comercial do agro foi a soja em grãos, com US$ 6,3 bilhões em vendas, incremento de 17,3% sobre junho de 2025. Em volume, as vendas ficaram em 14,5 milhões de toneladas, 8% a mais do que no ano passado. O mercado chinês foi o principal comprador da oleaginosa brasileira, com US$ 4,4 bilhões e participação de 71,1%, diz o Ministério da Agricultura. Outro destaque das vendas em junho foi a carne bovina in natura, com US$ 1,8 bilhão, crescimento de 39,2%. A cotação média de exportação da proteína animal subiu de US$ 5.448 por tonelada em junho de 2025 para US$ 6.538 por tonelada em junho de 2026 (+20,0%). No mês passado, a China foi o principal destino das vendas externas do agro, somando US$ 6,5 bilhões, aumento de 11,1% e que representa 39,1% do valor total. Por outro lado, as exportações aos Estados Unidos sofreram redução de 13%, somando US$ 911,8 milhões. A celulose foi o principal item da pauta, com US$ 143,8 milhões (-9,0%). Outro item importante, o café verde, diminuiu -13,6%, devido principalmente à queda de preços. Já a carne bovina in natura registrou crescimento em valor de 89,3 % e totalizou US$ 142,6 milhões. A seguir, os principais recordes para meses de junho registrados em 2026: Soja em grãos – recorde em quantidade (14,5 milhões de toneladas; +8,0%); Carne bovina in natura – recorde em valor (US$ 1,8 bilhão; +39,2%) e quantidade (279,7 mil toneladas; +16,0%); Farelo de soja – recorde em quantidade (2,5 milhões de toneladas; +36,2%); Café Verde – recorde em valor (US$ 935,6 milhões; +0,2%); Algodão não cardado nem penteado – recorde em valor (US$ 350,6 milhões; +64,1%) e quantidade (217,0 mil toneladas; +63,4%); Bovinos vivos – recorde em valor (US$ 191,4 milhões; +216,0%) e quantidade (58,6 mil toneladas; +134,1%); Café Solúvel – recorde em valor (US$ 93,7 milhões; +25,4%) e quantidade (8,1 mil toneladas; +49,9%); Miudezas de Frango – recorde em valor (US$ 68,9 milhões; +272,0%) e quantidade (42,1 mil toneladas; +73,0%); Miudezas de Carne Bovina – recorde em quantidade (23,0 mil toneladas; +17,8%). As importações de produtos do agro também cresceram no mês passado: US$ 1,7 bilhão, 11,6% acima de junho de 2025.
GLOBO RURAL
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