Informativo Sindileite 157 18.06.2026

Ano 1 | nº 157 | 18 de junho de 2026

NOTÍCIAS

A captação de leite sobe no país

Dados da terça-feira (16) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a produção do primeiro trimestre deste ano aumentou para 6,8 bilhões de litros, um patamar recorde para esse período do ano.

No Nordeste, com o avanço da tecnologia, expansão do setor produtivo e melhor genética, a produção aumentou 14,1% no ano passado, segundo o Banco do Nordeste. Apesar desse aumento de oferta, houve um déficit de 11% na região. No ritmo dessa demanda maior, o laticínio Natville, com sede em Sergipe, está investindo R$ 700 milhões em duas novas unidades, em Alagoas e na Bahia. Essas unidades deverão entrar em funcionamento nos próximos meses. Apesar do aumento de produção, o Brasil registrou o maior déficit na balança comercial do setor de janeiro a maio. Dados da quarta-feira (17) da Embrapa indicam que o déficit entre importações e exportações é de 994 milhões de litros equivalentes leite no período.

FOLHA DE SP

Paraná lidera queda no preço do leite e projeção aponta recuo de 6,7% ao produtor

Conseleites de quatro estados projetam desvalorização para o leite entregue em maio e pago em junho.

A recuperação do preço do leite ao produtor perdeu força em maio e deu lugar a um movimento de retração nos principais estados produtores do país. As projeções divulgadas pelos Conseleites apontam queda nos valores de referência em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o maior recuo previsto justamente no Estado paranaense. Segundo o Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o Paraná deve registrar desvalorização de 6,7% no preço de referência do leite entregue em maio e pago aos produtores em junho. O percentual supera as quedas projetadas para Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e Minas Gerais (-2,9%). A mudança de direção ocorre após meses de recuperação dos preços pagos ao produtor e sugere um período de maior pressão sobre a renda no campo. “O movimento indica pausa na recuperação de preços ao produtor, com projeções de quedas, ao contrário do mês anterior, em que houve valorização”, destaca o boletim. Entre os estados analisados, o Paraná aparece como o mais afetado pelo novo cenário. Dados do Conseleite Paraná mostram que o valor de referência do leite padrão projetado para maio caiu de R$ 2,6863 para R$ 2,5076 por litro, redução de 6,65%, percentual arredondado para 6,7% no boletim nacional. A retração acompanha a piora no desempenho dos principais derivados comercializados pelas indústrias participantes do Conseleite. O leite UHT apresentou queda de 8,73% e a muçarela recuou 5,74% nas projeções para maio, influenciando diretamente a remuneração do produtor. O comportamento dos Conseleites reforça o cenário já observado em outros indicadores do mercado lácteo. Em maio, o leite spot, referência das negociações entre indústrias, registrou forte retração, enquanto os preços do leite UHT no atacado também recuaram, interrompendo o movimento de recuperação observado no início do ano. No Rio Grande do Sul, a projeção do Conseleite indica valor de referência de R$ 2,4478 por litro em maio, 3,38% abaixo do mês anterior. Trata-se da primeira redução após uma sequência de altas, segundo o colegiado gaúcho. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, afirmou o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes. A desaceleração dos preços ocorre em um ambiente de maior competição no mercado interno. Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das importações de lácteos, especialmente de Argentina e Uruguai, além do crescimento da oferta doméstica em algumas regiões produtoras. A própria Embrapa já havia alertado, no início do ano, para um cenário de preços mais pressionados em função da elevada disponibilidade de produtos lácteos e da concorrência dos importados. O comportamento dos Conseleites sugere que a recuperação observada no primeiro quadrimestre perdeu intensidade e que os próximos meses serão decisivos para definir se a retração será pontual ou marcará um novo período de preços mais baixos ao produtor.

O Presente Rural

Leite spot aquece na 2ª quinzena de junho com alta generalizada

Na segunda quinzena de junho de 2026, o mercado de leite spot apresentou um aquecimento significativo no Brasil.

O aumento da procura pelo produto, somado à valorização nos preços dos derivados lácteos, garantiu a sustentação e o avanço das cotações em relação à quinzena anterior. Como resultado dessa dinâmica, a média nacional (BR) fechou o período cotada a R$ 3,059, registrando um avanço de R$ 0,170. As cotações mínimas e máximas nacionais também subiram, atingindo R$ 2,780 (+R$ 0,130) e R$ 3,450 (+R$ 0,200), respectivamente. O movimento de alta foi sentido em todos os estados monitorados, com destaque para Minas Gerais e São Paulo: São Paulo (SP): registrou a maior média do período, a R$ 3,275 (alta de R$ 0,120). Apesar disso, foi a única praça a registrar uma leve queda no seu valor máximo, que fechou em R$ 3,320 (-R$ 0,050). Minas Gerais (MG): apresentou o maior ganho absoluto na média, com alta de R$ 0,262, fechando em R$ 3,205. Juntamente com a média nacional, registrou o maior valor máximo do período (R$ 3,450). Goiás (GO): também teve forte valorização, com a média subindo R$ 0,247 e fechando em R$ 3,023. O estado teve o maior salto na cotação máxima, subindo R$ 0,538 (R$ 3,350). Rio Grande do Sul (RS): manteve a menor média entre os estados (R$ 2,880), mas ainda assim apresentou recuperação (+R$ 0,135). A intensificação dos preços reflete um movimento em cadeia. A valorização dos derivados no varejo e no atacado dá fôlego às indústrias, que repassam essa sustentação para as negociações no mercado spot diante da necessidade de garantir o abastecimento frente à maior demanda.

MILKPOINT

EMPRESAS

Cooperativa Selita aposta em novo complexo industrial no ES

Com mais de 80 anos de atuação no Espírito Santo, a cooperativa Selita manteve a liderança na categoria “Leite e Derivados” da pesquisa Marcas Ícones 2026 e inaugurou um novo parque industrial em Cachoeiro de Itapemirim.

Com mais de 80 anos de história no Espírito Santo, a cooperativa Selita alcançou novamente o topo da categoria “Leite e Derivados” na pesquisa Marcas Ícones 2026. O levantamento destaca o índice de lembrança espontânea (top of mind) dos consumidores locais, identificando as marcas que surgem prioritariamente na mente do público sem o auxílio de listas ou estímulos visuais.Para sustentar essa posição de mercado e acompanhar as transformações no perfil dos consumidores, a cooperativa direcionou seus esforços recentes para a modernização de sua estrutura. A principal iniciativa foi a inauguração de um novo complexo industrial no município de Cachoeiro de Itapemirim, projetado com tecnologia avançada para ampliar a capacidade produtiva, otimizar a eficiência operacional e abrir caminho para a expansão do portfólio de produtos. De acordo com o presidente da Selita, Leonardo Monteiro, o reconhecimento contínuo na pesquisa é reflexo de um trabalho diário de fortalecimento de marca. “Ao longo dos anos, a Selita se consolidou como uma marca que entrega qualidade, segurança alimentar e tradição. Quando o consumidor pensa na marca, acreditamos que ele associa nossos produtos à confiança, sabor, procedência e à certeza de estar levando para casa um alimento de qualidade”, afirma o executivo, ressaltando que a empresa monitora constantemente as demandas do mercado para evoluir junto com o público. Manter-se na liderança isolada por anos consecutivos traz também desafios de reputação e operação. Monteiro pontua que o resultado indica uma relação de fidelidade construída com sucessivas gerações de consumidores capixabas. A estratégia para manter esse vínculo ativo envolve investimentos robustos em infraestrutura. A nova unidade industrial em Cachoeiro de Itapemirim surge como o principal marco dessa transição, permitindo à empresa elevar seus padrões de entrega. O presidente explica que a estrutura moderna e o maquinário de ponta criaram as condições necessárias para aprimorar os processos internos e viabilizar o desenvolvimento de novas linhas de produtos, preparando a Selita para demandas futuras de volume e eficiência. O investimento responde diretamente a um novo perfil de consumo identificado no Espírito Santo. O mercado atual demonstra maior exigência e busca por informações sobre a origem dos produtos. Tendências como praticidade, transparência na cadeia de suprimentos, inovação e alinhamento com diferentes estilos de vida têm orientado o planejamento estratégico e as decisões de pesquisa e desenvolvimento da cooperativa. Para o período entre 2026 e 2027, o foco da gestão estará centrado na consolidação dos investimentos realizados no novo parque industrial e no fortalecimento da capacidade de inovação da marca. O planejamento prevê a expansão do mix de mercadorias e aportes contínuos em tecnologia para tornar os processos ainda mais eficientes, trazendo novidades em praticidade e sabor para as famílias capixabas. Olhando para o futuro em um horizonte de 15 anos, a liderança da Selita projeta um equilíbrio entre a necessidade de modernização e a preservação de seus valores fundamentais. Para continuar relevante em um setor de alimentos em constante transformação, a cooperativa planeja manter ciclos ativos de evolução em tecnologia e sustentabilidade. No entanto, o presidente assegura que os pilares institucionais da empresa não sofrerão alterações. “Existe algo que não pode mudar sob hipótese alguma: o compromisso com a qualidade, a confiança dos consumidores e os valores cooperativistas que fazem parte da essência da Selita há mais de oito décadas. É essa combinação entre tradição e inovação que nos permitirá continuar presentes na vida dos capixabas”, conclui Monteiro.

FOLHA VITÓRIA/MILKPOINT

GOVERNO

Mapa institui campanha nacional de vacinação contra a brucelose

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, no Diário Oficial da União desta terça-feira (16), a Portaria nº 1.633 que institui a Campanha Nacional de Vacinação de Bezerras Bovinas e Bubalinas entre três e oito meses de idade contra a brucelose.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, no Diário Oficial da União desta terça-feira (16), a Portaria nº 1.633 que institui a Campanha Nacional de Vacinação de Bezerras Bovinas e Bubalinas entre três e oito meses de idade contra a brucelose. A campanha nacional será realizada em dois períodos anuais. No primeiro semestre, a vacinação ocorrerá de janeiro a junho, com prazo para comprovação junto ao Serviço Veterinário Estadual até 10 de julho do mesmo ano. No segundo semestre, a vacinação será realizada de julho a dezembro, com prazo para comprovação até 10 de janeiro do ano seguinte à aplicação da vacina. As unidades da Federação que possuam campanhas estaduais de vacinação contra a brucelose, estabelecidas por atos normativos publicados antes da entrada em vigor da portaria, poderão manter os prazos de comprovação da vacinação já previstos em suas regulamentações. A Campanha é regida pela instrução Normativa 10/2017, que estabelece o Regulamento Técnico do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT). Instituído em 2001, o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) consolidou-se como um dos principais instrumentos da defesa agropecuária brasileira. O programa estrutura ações de prevenção, vigilância e controle dessas enfermidades em todo o país. Ao longo dos anos, o PNCEBT contribuiu para a redução da ocorrência da brucelose, fortalecendo a sanidade dos rebanhos e ampliando a competitividade da pecuária brasileira no mercado nacional e internacional.

Mapa

INTERNACIONAL

Como a China usa automação de ponta para ordenhar 5 mil vacas por dia

A unidade opera com dois carrosséis automáticos de 80 posições cada e já atende um rebanho de mais de 5.000 vacas diariamente.

A pecuária leiteira moderna está cada vez mais distante da imagem tradicional de poucas vacas entrando lentamente em uma sala de ordenha. Na China, uma instalação transformou esse processo em uma operação altamente automatizada, contínua e em escala gigantesca. A unidade opera com dois carrosséis automáticos de 80 posições cada e já atende um rebanho de mais de 5.000 vacas, sendo descrita pela própria empresa como sua maior instalação automática de ordenha em funcionamento no mundo. Em vez de uma ordenha baseada principalmente em equipes humanas executando etapas repetitivas, o sistema funciona como uma estrutura automatizada em que as vacas entram na plataforma giratória, são identificadas, preparadas e ordenhadas em sequência, com o processo acontecendo de forma praticamente contínua. A estrutura pode operar com produtividade entre 120 e 400 vacas por hora, dependendo do arranjo adotado. O coração da instalação chinesa está justamente nos dois carrosséis automáticos de 80 pontos, número que ajuda a explicar por que o projeto se tornou um dos exemplos mais extremos da automação leiteira atual. Esse modelo aproxima a ordenha de uma linha de produção circular. Em vez de parar entre um lote e outro, o sistema foi pensado para manter fluxo contínuo, com rotinas automatizadas em cada baia e acompanhamento digital permanente. É exatamente esse desenho que permite escalar a operação para um rebanho superior a 5.000 vacas, algo muito acima da realidade da maioria das propriedades leiteiras no mundo. O número de animais envolvidos é parte essencial da notícia. O produtor chinês já ordenha mais de 5.000 vacas e ainda tem planos de expansão. Esse porte coloca a unidade em um nível muito acima do encontrado na maior parte das fazendas leiteiras convencionais e ajuda a mostrar até onde a automação pode levar a produção de leite em sistemas intensivos. A escala impressiona não apenas pelo rebanho, mas pela necessidade de manter regularidade operacional. Em uma fazenda desse tamanho, pequenas perdas de eficiência, atrasos ou falhas na ordenha têm impacto direto sobre custo, produtividade e gestão do bem-estar animal. Na prática, o caso chinês mostra como a pecuária leiteira de alta escala está se aproximando de um modelo industrial. A operação deixa de ser vista apenas como rotina rural e passa a depender fortemente de sensores, softwares, automação e gestão de fluxo em tempo real. O sistema usa tecnologias como câmeras 3D, monitoramento individual por quarto do úbere e recursos voltados ao acompanhamento da qualidade do leite e da saúde do animal. Esse ponto é central para entender o valor do equipamento. O sistema foi pensado para combinar alta produtividade, qualidade constante e ambiente de trabalho mais eficiente, especialmente em propriedades que precisam manter ordenha intensiva com equipes reduzidas em comparação ao tamanho do rebanho.

CLICK PETRÓLEO E GÁS

ECONOMIA

BC corta a Selic pela terceira vez e juros vão a 14,25%ao ano Com a queda, a taxa iguala o menor nível registrado desde maio de 2025. Decisão foi unânime

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (17), cortar a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. Foi a terceira reunião seguida em que o colegiado do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a queda, a taxa iguala o menor nível registrado desde maio de 2025. A decisão foi unânime. O Comitê disse, em comunicado, que o grau de restrição acumulado na política monetária “permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta”. “O Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, diz o documento, que detalha a decisão de baixar os juros de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. Para o comitê, nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. “Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual”, afirma o comunicado. “Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.” O Copom disse que julgou “apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária”, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25%. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária.” O colegiado informou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou. Um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã para liberação do Estreito de Ormuz deve ser assinado nesta semana. A Agência Internacional de Energia (AIE) informou, porém, que o choque na oferta de petróleo no Golfo deve arrastar a demanda global pela commodity fortemente para baixo antes que os fluxos se normalizem gradualmente.

VALOR ECONÔMICO

Dólar fecha em alta no Brasil após Fed indicar possível alta de juros em 2026

O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, após o Federal Reserve não alterar sua taxa de juros, mas indicar que um aumento pode ocorrer ainda em 2026.

O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,41%, aos R$5,1104. No acumulado do ano, a divisa passou a acumular queda de 6,90% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1245. Até a decisão do Fed, anunciada às 15h00, o dólar exibiu perdas ante o real e outras divisas da América Latina, como o peso chileno, o sol peruano e o peso mexicano. O ambiente mudou após o Fed manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado, mas indicar que espera por um aumento ainda este ano. A perspectiva de juros mais altos nos EUA deu força aos rendimentos dos Treasuries e ao dólar ante todas as demais divisas, incluindo o real. “Na primeira reunião sob a gestão de Kevin Warsh, o Fed não trouxe surpresas: manteve os juros inalterados, em um patamar que ainda pressiona a atividade econômica, mas reflete a cautela do novo presidente diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio”, destacou Edson Mendes, sócio fundador da Private Investimentos, em referência ao fato de esta decisão ser a primeira com Warsh como chair do Fed. “No curto prazo, a decisão tende a reforçar o dólar frente às moedas emergentes e pode continuar reduzindo o fluxo de capitais para esses mercados”, acrescentou.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda após Fed sinalizar alta de juros neste ano

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, perdendo fôlego após projeções de autoridades do banco central norte-americano apontarem uma alta na taxa de juros da maior economia do mundo ainda neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,7%, a 168.453,93 pontos, renovando mínima de fechamento desde janeiro. Durante a sessão, chegou a 167.915,71 pontos na mínima, após avançar a 171.878,23 pontos na máxima. O volume financeiro somou R$68,79 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice. O Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75%, mas a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de redução neste ano foi removida do comunicado que acompanhou a decisão e novas projeções trimestrais mostraram que nove de 19 autoridades do Fed acreditam agora que será necessário aumentar até o fim de 2026. Pouco antes do anúncio da decisão, bem como da divulgação das previsões, o Ibovespa subia cerca de 1%. Na visão do sócio da Nexgen Capital Felipe Izac, o Fed adotou um tom mais “hawkish”. Ele pontuou que, embora a chance de o BC dos EUA não reduzir mais os juros ou mesmo elevar a taxa neste ano já estivesse no radar, o posicionamento dos nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) “trouxe um ar de preocupação”. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em baixa de 1,21%. 

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$4,130 bilhões em junho até dia 12, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$4,130 bilhões em junho até dia 12, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.

Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$865 milhões em junho até dia 12. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho até dia 12 foi positivo em US$4,995 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 8 a 12 de junho, entraram no país US$1,542 bilhão. No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$18,004 bilhões.

REUTERS

Índice de atividade econômica do BC tem alta de 0,5% em abril

A economia brasileira retomou o ritmo de crescimento em abril, mas iniciou o segundo trimestre com desempenho abaixo do esperado, em meio a uma esperada desaceleração depois de ter começado o ano com força, mostraram dados do Banco Central na quarta-feira.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,5% em abril na comparação com março, quando houve recuo de 0,2%, de acordo com dados dessazonalizados. A leitura de abril ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,6%. O BC revisou o dado de março depois de ter divulgado inicialmente queda de 0,7% no mês. “A economia não está parando, mas está perdendo velocidade. A indústria e os serviços seguem carregando o piano, enquanto o aperto monetário e o desequilíbrio fiscal começam a impor um crescimento mais moderado nos próximos meses”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). A economia do Brasil acelerou no primeiro trimestre deste ano com expansão de 1,1% frente aos três últimos meses de 2025, segundo dados do IBGE, mas a expectativa é de desaceleração da atividade à frente com uma esperada perda de força do consumo. Os dados do BC mostram que em abril indústria e serviços tiveram desempenhos positivos, com ganhos de 0,4% e 0,3% sobre março respectivamente. Já a agropecuária ficou estagnada. “Os dados de atividade de abril reforçam nossa leitura de que a economia segue resiliente neste início de segundo trimestre. O desempenho continua sustentado pelo avanço da renda das famílias, pelo mercado de trabalho aquecido e pelas medidas de estímulo implementadas pelo governo nos últimos meses”, avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research, ressaltando, no entanto, que os efeitos defasados da política monetária restritiva devem ser sentidos com mais intensidade ao longo do segundo semestre. Dados anteriores do IBGE mostraram que, no mês, o setor de varejo foi o único com resultado negativo, com as vendas recuando 1,5% na comparação com março, queda mais intensa em quase quatro anos. Por outro lado, a produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril, quarto mês consecutivo de alta, enquanto o volume de serviços teve no mês a maior alta desde o final de 2024, de 1,2%, segundo o IBGE. Na comparação com abril do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,6%, segundo números não dessazonalizados.

REUTERS

Receitas da agropecuária caem em 2026, após sete anos em alta

Com a retração dos preços, Valor Bruto de Produção diminui para R$ 1,42 trilhão. Lavouras, com previsão de queda de 6%, terão redução maior do que a da pecuária

O VBP (Valor Bruto da Produção) agropecuária brasileira, depois de sete anos em alta, terá a primeira queda nesta safra 2025/26. Apesar do recorde que será atingido em volume, os preços médios de negociação perderam força neste ano, conforme estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O Ministério da Agricultura estima um VBP de R$ 1,42 trilhão para este ano, 4,6% a menos do que em 2025. Até mesmo a soja, que teve uma safra recorde de 180 milhões de toneladas, perde 1% nas receitas obtidas dentro da porteira. A queda de receita ocorre tanto na lavoura como na pecuária. Na agricultura, o valor de produção cai para R$ 909 bilhões, 6% a menos do que no período anterior; na pecuária, recua para R$ 510 bilhões, 2,2% a menos. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), entidade ligada à Esalq, e que acompanha os preços no campo, aponta as principais quedas no setor. Importante nessa conta, o arroz, apesar de uma safra menor neste ano, voltou a ter uma tendência de queda nos preços. Essa queda é ajudada pelo varejo, que diminui as compras, uma vez que encontra dificuldades na venda do cereal. O VBP do arroz retrocede para R$ 15,1 bilhões neste ano, 30% a menos do que o de 2025. O café, em vista da maior oferta mundial e das perspectivas de safra recorde no Brasil, tem forte queda de preços, e o VBP do setor recua para R$ 110 bilhões, 8% a menos. As recentes chuvas em parte das áreas da produção nacional colocam em dúvidas o volume a ser produzido, o que pode mudar os preços médios. A cana-de-açúcar, terceiro principal produto em receitas, também rende menos neste ano. A maior oferta internacional de açúcar derruba os preços internacionais, afetando o mercado interno. As receitas com a cana devem ficar em R$ 111 bilhões, 9% a menos. O milho vem com preços baixos desde o ano passado, e a previsão de uma boa safrinha, que já está sendo colhida, segura ainda mais os valores de negociações do cereal. Nos cálculos do Ministério da Agricultura, o VBP do milho retrocede para R$ 162 bilhões, 6% a menos. Na pecuária, o ritmo de produção continua acelerado neste ano, mas a forte demanda pelo mercado externo dá suporte aos preços. A produção de carne bovina atingiu o maior patamar em um primeiro trimestre neste ano, o mesmo ocorrendo com as de frango e de suínos. O mercado externo, no entanto, dá suporte aos preços. As receitas previstas para a pecuária bovina são de R$ 249 bilhões neste ano, 9% acima das de 2025. Já os segmentos de frango e de carne suína terão recuos de 10% e 20%, respectivamente. A exportação de carne bovina aumentou 15% de janeiro a maio; a de frango, 8,7%, e a suína, 5%. O VBP acompanha 17 produtos na área agrícola e cinco na de pecuária. As estimativas de receitas são com base no volume de produção e perspectivas de preços obtidos pelos produtores dentro da porteira.

FOLHA DE SP

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