Informativo Sindileite 123 29.04.2026

Ano 1 | nº 123 | 29 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Castro: cidade paranaense é a “Capital Nacional do Leite” no Brasil e produz mais de 400 milhões de litros por ano

Reconhecida por lei federal como Capital Nacional do Leite, Castro combina tecnologia, genética de ponta e cooperativismo para liderar a produção no Brasil.

Localizada a cerca de duas horas de Curitiba, a cidade de Castro, nos Campos Gerais, é um daqueles casos raros em que o interior esconde um protagonismo nacional — e até internacional. Com pouco mais de 73 mil habitantes, o município consolidou-se como a capital do leite do Brasil, superando a marca de 400 milhões de litros produzidos por ano e se tornando símbolo de eficiência, organização e tecnologia no campo. O reconhecimento não é apenas técnico — ele também está na legislação. Em 26 de dezembro de 2017, foi sancionada a Lei Federal nº 13.584, que concedeu oficialmente à cidade o título de Capital Nacional do Leite. A medida foi baseada em dados do IBGE, que já apontavam Castro como líder absoluta na produção leiteira do país. O protagonismo de Castro não está isolado. Ao lado da vizinha Carambeí, o município forma um dos maiores polos leiteiros da América Latina. Juntas, as cidades somam cerca de 800 milhões de litros de leite por ano, com um Valor Bruto de Produção que ultrapassa bilhões de reais, consolidando o Paraná como um dos principais estados da atividade. Dados mais recentes mostram que Castro segue no topo do ranking nacional, com volumes próximos de 480 milhões de litros anuais, mantendo liderança consolidada. Isso coloca a cidade em um patamar estratégico dentro da cadeia produtiva brasileira. Se há um fator que explica o sucesso de Castro, ele atende por um nome claro: tecnologia aplicada à pecuária leiteira. O município possui um rebanho altamente especializado e produtivo, com milhares de vacas leiteiras e sistemas de ordenha automatizados. Em muitas propriedades, a produção é controlada por softwares e sensores, permitindo gestão individual dos animais. O resultado impressiona: Produtividade média superior a 7 mil litros por vaca/ano, muito acima da média nacional. Em alguns casos, índices chegam a mais de 8 mil litros por animal, comparáveis a países como Estados Unidos e nações europeias Além disso, a qualidade do leite também é destaque. Os níveis de contagem de células somáticas — indicador sanitário essencial — ficam abaixo de padrões internacionais, reforçando a excelência do produto. Outro pilar fundamental é a organização produtiva. O desenvolvimento da cadeia leiteira na região é sustentado pela atuação conjunta de grandes cooperativas, com destaque para: Castrolanda, Frísia e Capal Essas instituições atuam em regime de intercooperação, integrando produção, industrialização e comercialização. Essa união resultou na criação da marca Unium e em investimentos robustos na indústria, ampliando a capacidade de processamento e agregação de valor ao leite. A própria Castrolanda, fundada por imigrantes holandeses na década de 1950, tornou-se uma das maiores cooperativas do Sul do Brasil, com atuação diversificada e forte presença no setor leiteiro. Todos os anos, Castro recebe o Agroleite, considerado o maior evento técnico da cadeia do leite na América Latina. Organizado pela Castrolanda, o encontro reúne produtores, empresas, pesquisadores e investidores. O evento vai muito além de uma feira: Exposição de animais das raças Holandesa e Jersey Torneios leiteiros Demonstrações tecnológicas Negócios que movimentam centenas de milhões de reais Mais do que números, o Agroleite simboliza o papel de Castro como centro de inovação da pecuária leiteira brasileira. A história por trás desse sucesso começa ainda no século XIX, com a chegada de imigrantes europeus — especialmente alemães, poloneses e, mais tarde, holandeses. Os holandeses tiveram papel decisivo. Em 1911, fundaram a colônia de Carambeí. Já entre 1951 e 1954, novas famílias criaram a Colônia Castrolanda, trazendo conhecimento técnico, disciplina produtiva e cultura cooperativista. Esse legado permanece vivo até hoje e pode ser visto em espaços como o Museu do Imigrante Holandês e o Centro Cultural Castrolanda, que preservam a identidade da região. Apesar do tamanho modesto, Castro se tornou um verdadeiro laboratório de eficiência produtiva. O município reúne: Alta tecnologia no campo Genética avançada Gestão profissional Integração cooperativa O resultado é um modelo replicado por produtores de todo o Brasil e observado internacionalmente. Mais do que produzir leite, Castro construiu um sistema. Um sistema que transformou uma cidade do interior do Paraná em referência global em produtividade, qualidade e organização na pecuária leiteira.

COMPRE RURAL

Conseleite aponta reação no mercado e projeta leite a R$ 2,53 em abril no RS

Alta de mais de 10% no valor de referência indica recuperação do setor, mas cenário ainda exige atenção com produção e importações.

A previsão, divulgada na terça-feira (28/04) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa alta de 10,47% em relação ao projetado para o mês de março, que foi de R$ 2,2932. O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva na sede da Federação da Agricultura do RS (Farsul), integrando produtores, indústrias e lideranças das entidades do setor. O Conseleite/RS também divulgou o valor consolidado do litro em março de 2026 em R$ 2,3721, 11,67% acima do dado final de fevereiro (R$ 2,1243). Os indicadores divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês. Os dados indicam recuperação real do mercado do leite no Rio Grande do Sul depois de um período longo de queda e de dificuldades de remuneração no campo e na indústria. A sinalização de alta veio nos primeiros meses do ano de forma mais tímida e se consolida com os dados apresentados nesta terça-feira. Otimista, o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes (Fetag), pontuou a força e a legitimidade do Conseleite para apaziguar as relações no segmento. “Quando o mercado está em baixa, se bate na metodologia e nos cálculos. Este momento é ideal para reforçar a importância desse colegiado e sua legitimidade. Temos a prova real dessa metodologia que são os demais Conseleites do Brasil. Estamos realmente captando a tendência do mercado”, garantiu Prestes. Posição compartilhada pelo vice coordenador do Conseleite, Darlan Palharini (Sindilat). “Estamos em um bom momento. Precisamos trabalhar agora para manter esses preços por mais tempo, e isso passa por garantir o escoamento do leite brasileiro para diferentes mercados. Apesar de o poder de compra do brasileiro ser baixo e do alto endividamento das famílias, o ano eleitoral deve ajudar a injeção de recursos na economia com a antecipação dos 13º salários dos aposentados e liberação de recursos do FGTS”, salientou. Contudo, Palharini alertou que a produção no campo deve se recuperar nos próximos meses no mercado doméstico. Sugeriu ainda que as entidades participantes do Conseleite fiquem atentas para coibir o aumento das importações de leite da Argentina, tendo em vista a alta produção daquele país. Durante a reunião, o Conseleite também deliberou pelo envio de ofício aos Ministérios da Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar como forma de alerta ao governo federal sobre a crise decorrente do excesso de importações de leite pelo Brasil. Prestes frisou que é essencial manter o tema na pauta dos ministros para garantir o enfrentamento constante da situação.

CONSELEITE RS

NACIONAL

Nestlé encerra captação direta de leite de produtores na região de Araçatuba/SP em junho de 2026

A Nestlé comunicou a produtores rurais que deixará de realizar a captação direta de leite na região de Araçatuba (SP) a partir de 1º de junho de 2026. Segundo a empresa, a decisão faz parte de uma estratégia de reorganização da malha de fornecimento.

Em comunicado enviado aos fornecedores, a companhia informou que a mudança foi antecipada para que os produtores possam se reorganizar e buscar novos parceiros comerciais. A empresa também afirmou que a equipe local ficará disponível nos próximos dias para esclarecer dúvidas, prestar suporte durante a transição e conduzir o processo de encerramento de forma responsável.

MILKPOINT

INTERNACIONAL

Uruguai: produção e envio de leite crescem e março bate recorde histórico

Durante março, a produção de leite e seu envio para os complexos industriais no Uruguai atingiram um volume superior ao do mesmo mês do ano anterior, com base na análise estatística mensal realizada pelo Instituto Nacional do Leite (Inale).

Houve crescimento no volume mensal e, além disso, também aumentaram os números acumulados em 2026 e o total de leite enviado ao longo dos últimos 12 meses. O aumento registrado em março foi o oitavo consecutivo, já que esse indicador vem melhorando desde agosto. Trata-se também do melhor resultado da história para esse mês. Em março de 2026, a entrada dessa matéria-prima (incluindo leite de produtores e leite próprio das indústrias) nas plantas industriais cresceu 11,3% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando 154,3 milhões de litros. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, houve um aumento de 8,4%, com um total de 470 milhões de litros. Considerando o período de abril de 2025 a março de 2026 (últimos 12 meses), o volume enviado à indústria cresceu 9,9%, alcançando 2,248 bilhões de litros em relação ao período anterior. Um dado relevante é que março de 2026 registrou o maior volume já observado para esse mês, superando o recorde anterior de 2021, que havia sido de 143,3 milhões de litros. Quando a análise considera não apenas o volume, mas a quantidade de sólidos (gordura e proteína), o desempenho também é positivo. Em março de 2026, houve crescimento de 13,6% em relação ao mesmo mês de 2025, atingindo 12,5 milhões de quilos de sólidos. No acumulado de janeiro a março, o aumento foi de 10,4%, totalizando 37,2 milhões de quilos. Já no período dos últimos 12 meses, foram registrados 175,2 milhões de quilos de sólidos, um avanço de 11,3% em relação ao ciclo anterior. Desde 2002, o maior volume mensal já registrado ocorreu em outubro de 2025, com 222 milhões de litros, enquanto o menor foi em maio de 2003, com 68,7 milhões de litros. Em relação à composição do leite, o teor de gordura atingiu 4,21% em março de 2026, acima dos 4,08% registrados em março de 2025, e superior à média de 2025, que foi de 3,96%. Já o teor de proteína ficou em 3,68% em março de 2026, frente a 3,64% no mesmo mês do ano anterior, superando também a média de 2025, de 3,58%. O histórico recente mostra uma trajetória majoritariamente positiva. Em 2025, o Uruguai enviou 2,212 bilhões de litros à indústria, crescimento de 8,4% sobre 2024. Em 2024, havia sido registrada queda de 3,5% em relação a 2023, quando o volume foi de 2,114 bilhões de litros. Nos anos anteriores, houve variações menores, com crescimento em 2021 e 2020, queda em 2019, recuperação em 2018 e 2017, e forte retração em 2016. O melhor resultado anual deste século foi registrado em 2025, enquanto o pior ocorreu em 2002, com 1,109 bilhão de litros.

EL OBSERVADOR

O futuro da produção de leite: relatório McKinsey revela quais devem ser as prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda.

Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus. Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso. Para os executivos, essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto investem seletivamente em temas de crescimento duradouros — mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas. No quarto trimestre de 2025, a McKinsey & Company, a International Dairy Foods Association e a European Dairy Association realizaram uma pesquisa conjunta com 204 executivos do setor de laticínios — 116 nos Estados Unidos e 88 na Europa — e conduziram entrevistas aprofundadas com outros 41 executivos, sendo 28 nos Estados Unidos e 13 na Europa. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda dos líderes dos EUA, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos. Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens.  proximadamente 65% dos entrevistados nos EUA classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades — em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%) — refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante. Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos EUA, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. “Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram nossas margens, forçando-nos a buscar eficiências em outras áreas do negócio.”, apontou um executivo de laticínios da América do Norte. Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta. O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína. Este é um ponto de grande divergência. Nos EUA, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas. Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos EUA. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia). “As pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso”, disse um executivo europeu de laticínio.  Nos EUA, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Já na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável. O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão mais bem posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor.

McKinsey & Company/MilkPoint

ECONOMIA

Dólar fecha estável ante o real com impasse no Oriente Médio e expectativa por decisões de juros

O dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade no Brasil, em meio à falta de uma definição sobre o conflito no Oriente Médio e a cautela antes das decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve.

O dólar à vista fechou estável, aos R$4,9828. Às 17h25, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,1% na B3, aos R$4,9825. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã seguiu ditando o humor dos mercados, depois que uma autoridade norte-americana disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, está insatisfeito com a última proposta iraniana para resolver a guerra de dois meses. Mais cedo, na terça, Trump disse que o Irã afirmou estar em estado de colapso e quer que os Estados Unidos abram o Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Diante da ausência de uma resolução para o conflito e sem a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo subiram mais uma vez, com o contrato do Brent fechando o dia em alta de 2,8%, a US$111,26 por barril. Nesse ambiente, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,639. No Brasil, a falta de uma definição sobre o conflito no Oriente Médio inspirou cautela, depois da cotação do dólar ter chegado aos R$5 na abertura. “O mercado ainda está evitando algum posicionamento mais contundente”, disse o diretor da FB Capital, Fernando Bergallo. A cautela também refletia a expectativa pelas decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, que serão anunciadas na quarta-feira. A maioria do mercado aposta em uma redução da Selic para 14,50% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual. Para o Fed, a previsão é de manutenção da taxa do Fed na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. Os bancos centrais da zona do euro, do Reino Unido e do Canadá também anunciarão suas decisões sobre as taxas esta semana. No campo doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pela manhã que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,89% em abril, depois de subir 0,44% em março. Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%).

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale e exterior desfavorável

O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, com Vale entre as principais pressões negativas em dia de declínio dos preços do minério de ferro na China, enquanto a situação no Oriente Médio continua impondo cautela aos negócios.

Investidores também estão na expectativa dos desfechos das reuniões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil, que serão conhecidos na quarta-feira. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,47%, a 188.684,16 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 187.236,79 pontos na mínima do dia. Na máxima, marcou 189.578,50 pontos. O volume financeiro somava R$21,72 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Arrecadação federal cresce 4,99% em março e bate recorde para o mês

A arrecadação do governo federal teve alta real de 4,99% em março sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$229,249 bilhões, informou a Receita Federal na terça-feira, apontando impulso de uma atividade econômica resiliente, da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do bom desempenho das importações.

O resultado é o melhor para meses de março da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. No acumulado de janeiro a março, a arrecadação cresceu 4,58% acima da inflação em comparação com o primeiro trimestre de 2025, a R$777,117 bilhões, patamar também recorde para o período. No mês de março, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 5,56% em termos reais frente a um ano antes, a R$223,531 bilhões. Essa elevação foi mais que suficiente para compensar o desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo e caiu 13,52% no mês passado, a R$5,718 bilhões. Teve papel importante no dado do mês uma alta de R$2,785 bilhões, equivalente a 50,1% na comparação com março de 2025, nos ganhos com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve alíquotas elevadas pelo governo no ano passado. A Receita também destacou o desempenho do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado, que cresceram 30,7% em razão de um volume maior das importações e de elevação nas alíquotas médias. O fisco também apontou alta real de 4,95% na arrecadação das contribuições previdenciárias por conta de um aumento real da massa salarial no país e da redução promovida pelo governo na desoneração da folha de setores da economia. Em outra frente, a receita de Pis/Cofins cresceu 4,35% no mês, movimento que reflete em parte a extinção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) no ano passado, o que levou empresas a contribuírem mais sobre suas atividades. Os dados do mês também mostraram efeitos iniciais da reforma do Imposto de Renda, que entrou em vigor neste ano. O coordenador de Previsão e Análise da Receita, Marcelo Gomide, disse que foram arrecadados em março R$308 milhões com a nova retenção na fonte de IR, com alíquota de 10%, para recebimentos mensais de dividendos acima de R$50 mil. No trimestre, a receita total foi de R$464 milhões. A arrecadação estimada pelo governo para todo o ano com essa taxação é de R$23,8 bilhões. Por outro lado, segundo ele, a retenção na fonte de IR sobre rendimentos do trabalho caiu 5,6% no mês, ou R$1,250 bilhão, sob influência da nova faixa de isenção do tributo, que neste ano foi ampliada para rendimentos mensais de até R$5 mil. No trimestre, a queda foi de R$402 milhões na arrecadação (-0,59%).

REUTERS

IPCA-15 sobe 0,89% em abril, abaixo das previsões

Nos últimos 12 meses, índice de preços registrou alta de 4,37%

Prévia da inflação oficial no país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu para 0,89% em abril, após alta de 0,44% em março, informou na terça-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril de 2025, houve aumento de 0,43%. A taxa é a maior para meses de abril desde 2022 (1,73%). O resultado de abril ficou abaixo da mediana das 25 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que estimavam alta de 0,97% em abril. O intervalo das estimativas era de 0,70% a 1,11% de elevação. A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em abril, com variação de 6,23% e impacto de 0,32 ponto percentual (p.p.) no resultado do indicador para o mês. Em março, a gasolina teve queda de 0,08%. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 4,37% em abril, ante 3,9% até março. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do Valor Data, que era de 4,45%, com intervalo entre 4,17% e 4,60%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para baixo ou para cima. Das nove classes de despesas avaliadas, sete tiveram aceleração na passagem entre março e abril: alimentação e bebidas (de 0,88% para 1,46%), habitação (de 0,24% para 0,42%), artigos de residência (de 0,37% para 0,48%), vestuário (de 0,47% para 0,76%), transportes (0,21% para 1,34%), saúde e cuidados pessoais (de 0,36% para 0,93%) e comunicação (de 0,03% para 0,48%). Por outro lado, houve desaceleração em despesas pessoais (de 0,82% para 0,32%) no mesmo período. Já educação manteve variação de preços (de 0,05%). A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA-15 em abril. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 63,2% em março para 67% um mês depois, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador foi de 60% em março para 68,3% em abril. A média dos cinco principais núcleos do IPCA-15 monitorados pelo BC avançou para 0,47% em abril, após marcar 0,35% em março, segundo cálculos da 4intelligence. Em 12 meses, a média dos cinco núcleos permaneceu em 4,33%.

VALOR ECONÔMICO

Mercosul vive impasse sobre divisão de cotas em acordo com União Europeia

Brasil quer partilha que leve em conta tamanho e histórico exportador do país, enquanto sócios menores falam em divisão paritária. Países negociam norma de transição para que exportadores possam usar cotas já em 2026. O principal impasse está na carne bovina —pelo acordo, esse setor terá uma cota de 99 mil toneladas que poderá entrar na UE com uma tarifa reduzida de 7,5%

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um impasse com os sócios do Mercosul sobre a divisão das cotas abertas pelo acordo comercial firmado com a União Europeia. As divisões internas envolvem o cálculo para definir quanto cada país tem direito a receber e até mesmo o momento em que a partilha deve ser feita. Pelos termos do acordo comercial, que entra em vigor provisoriamente em 1º de maio, há tanto produtos que terão o imposto de importação reduzido quanto itens agrícolas que contarão com cotas para entrar na União Europeia com tarifas menores. O Mercosul, no entanto, está há meses negociando internamente como as cotas devem ser repartidas entre seus membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo pessoas que acompanham o assunto, o Paraguai é o país com a posição mais dura contra o entendimento do governo Lula. O país vizinho opina que as fatias deveriam ser igualitárias (25% para cada sócio), enquanto o Brasil sustenta um cálculo que leve em conta o seu histórico exportador para o mundo —o que lhe daria uma fatia significativamente maior do que a dos demais membros. A posição do governo paraguaio foi registrada em ata de reunião do Grelex (Grupo de Relacionamento Externo) do Mercosul, realizada em janeiro: “Sujeito às discussões no âmbito pertinente, a delegação do Paraguai indicou que, a seu critério, a distribuição de cotas deveria ser em percentuais iguais”. Ainda Segundo pessoas com conhecimento das tratativas, o Uruguai —liderado pelo presidente Yamandú Orsi— também considera que a proposta do Brasil, de levar em conta o histórico exportador de cada país, é inaceitável e prejudica os sócios menores. O governo Lula rejeita uma divisão paritária. Na avaliação de técnicos, a repartição deve levar em conta o tamanho do país e de seu setor exportador. O Brasil representa, sozinho, mais de 70% da população do bloco. Segundo especialistas brasileiros, o Paraguai não tem capacidade de preencher uma cota igualitária de 25 mil toneladas. A avaliação é que Assunção parte de uma postura maximalista para obter melhores termos na negociação final —algo que o país vizinho nega. Em documento publicado após reunião de um comitê sobre agricultura da UE no dia 20 de abril, o bloco europeu registrou que os integrantes do Mercosul ainda não informaram como pretendem partilhar as cotas. Segundo a UE, isso impede a redistribuição das quantidades atribuídas a cada país do Mercosul caso um membro não consiga preencher sua parcela. “Como o ITA (acordo comercial interino) deverá ser aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026, e os Estados do Mercosul ainda não notificaram a União Europeia sobre qualquer distribuição entre si, nem essa distribuição, nem qualquer redistribuição serão possíveis em 2026”, diz a normativa europeia. Segundo membros do governo Lula, as cotas europeias deverão ser preenchidas segundo o princípio de ordem de chegada (“first come, first served”) até que haja um acordo entre os países do Mercosul. Eles dizem ainda que não há tempo hábil para dividir as partilhas até 1º de maio, como defendem Paraguai e Uruguai. Se prevalecer esse entendimento, as cotas de 2026 serão alocadas sem divisão por país. O preenchimento ocorrerá conforme a capacidade dos exportadores privados de assinar contratos com mais agilidade do que seus concorrentes. Isso pode criar uma corrida entre as empresas para fechar contratos em condições mais benéficas —Paraguai e Uruguai dizem que seriam prejudicados nessa lógica.

FOLHA DE SP

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *