Informativo Sindileite 121 27.04.2026

Ano 1 | nº 121 | 27 de abril de 2026

NOTÍCIAS

CMN aprova linha de crédito para capital de giro a cooperativas de leite via Pronaf

Medida permite empréstimos de até R$ 40 milhões por organização, mediante comprovação de dificuldades financeiras. Condições para participação incluem prazo total de até seis anos, com carência de até um ano para o pagamento

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, na quinta-feira (23/4), a inclusão de cooperativas de produção e processamento de leite em dificuldades financeiras na modalidade de agroindústria do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Com isso, cooperativas da agricultura familiar desse segmento poderão acessar, de forma temporária, linhas de crédito para capital de giro até 30 de junho. A medida é voltada à manutenção das atividades e despesas do dia a dia, como a compra de leite dos produtores, o processamento dos produtos e o funcionamento operacional das entidades. De acordo com o Ministério da Fazenda, a decisão busca apoiar cooperativas que enfrentam dificuldades financeiras no curto prazo, garantindo a continuidade das operações e evitando atrasos no pagamento aos produtores, redução da produção e perda de empregos locais. As cooperativas desempenham papel essencial ao adquirir a produção de pequenos agricultores, processar leite e derivados e assegurar renda às famílias do meio rural. Para ter acesso ao crédito, as cooperativas devem participar do Pronaf Agroindústria e comprovar dificuldades para honrar dívidas de curto prazo em 2026. Também é necessário estar inscrito em programas governamentais voltados à gestão e ao fortalecimento da agricultura familiar, como iniciativas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Os financiamentos poderão ser contratados em um ou mais bancos. As condições incluem prazo total de até seis anos, com carência de até um ano para o pagamento do principal. A taxa de juros é de 8% ao ano, com limite de até R$ 40 milhões por cooperativa e de até R$ 90 mil por cooperado. Com a medida, o governo espera garantir a continuidade da compra da produção dos agricultores, evitar interrupções nas atividades das cooperativas, preservar empregos no interior e manter o abastecimento de alimentos, além de sustentar a renda das famílias rurais.

GLOBO RURAL

GOVERNO

Governo anuncia pacote de investimentos para produção de leite

Nova linha de crédito rural para cooperativas de leite da agricultura familiar será anunciada nesta segunda-feira (27/4), em São Paulo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciará, nesta segunda-feira (27/4), um pacote de investimentos voltado à cadeia leiteira do país, com foco na produção da agricultura familiar. Entre as ações previstas está a implementação de 300 mil embriões para o melhoramento genético dos rebanhos bovinos. A iniciativa será executada ao longo de dois anos, no âmbito do Programa Nacional de Transferência de Embriões (Pronaf Mais Leite). Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Pronaf Mais Leite tem como objetivo “democratizar o acesso ao melhoramento genético dos rebanhos”, por meio da disseminação da tecnologia de transferência de embriões. A proposta é aumentar a produtividade por animal e fortalecer a organização produtiva, com apoio de assistência técnica. Também será anunciada uma nova linha de crédito rural para cooperativas de leite da agricultura familiar. Na última quinta-feira (23/4), o Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovou a inclusão de cooperativas de produção e processamento de leite em dificuldades financeiras na modalidade de agroindústria do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Com as mudanças, essas cooperativas poderão contratar empréstimos para capital de giro até 30 de junho. Os recursos poderão ser usados para manter as atividades operacionais, como a compra de leite dos produtores, o processamento de produtos e a manutenção das operações. A medida estabelece condições específicas para os empréstimos, incluindo prazo total de até seis anos para pagamento, carência de até um ano para início da quitação do principal e taxa de juros de 8% ao ano. O limite de crédito será de até R$ 40 milhões por cooperativa e de até R$ 90 mil por cooperado. A linha é destinada a cooperativas participantes do Pronaf Agroindústria que comprovem dificuldades para pagar dívidas de curto prazo em 2026. Além disso, elas deverão estar inscritas nos programas governamentais voltados à gestão e ao fortalecimento da agricultura familiar — Mais Gestão e Coopera Mais Brasil. De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida busca apoiar associações em dificuldades financeiras no curto prazo, garantindo a continuidade de suas operações. Os anúncios serão feitos pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, em Andradina, município no noroeste de São Paulo. O presidente Lula, que se recupera de dois procedimentos médicos realizados na sexta-feira (24/4), participa de forma remota da cerimônia. Segundo o governo federal, o evento também incluirá anúncios relacionados ao Programa Terra da Gente, voltado à reforma agrária.

METRÓPOLES

NACIONAL

Conseleite/MG divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em maio/26

O Conseleite/MG divulgou a projeção do valor de referência do leite entregue em abril a ser pago em maio.

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 24 de abril de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em março/2026 a ser pago em abril/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em abril/2026 a ser pago em maio/2026.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil células somáticas/mlmil ufc/ml
Maior valor de referência8.0004,203,8020020
Valor médio de referência5003,703,2540080
Valor base de referência1603,303,10400100
Menor valor de referência1603,002,90500300

Valores da matéria prima posto propriedade em fevereiro/26 e março/26:

MATÉRIA-PRIMAFEVEREIRO/2026MARÇO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em fevereiro/26 a ser pago em março/26 (R$/l)Leite entregue em março/26 a ser pago em abril/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência2,83123,07010,23898,4%
Valor Médio de Referência2,40692,60990,20318,4%
Valor Base de Referência2,24702,43660,18968,4%
Menor Valor de Referência2,08062,25610,17558,4%

Valores da matéria prima posto propriedade em Mar/26 e projetados para Abr/26:

MATÉRIA-PRIMAMARÇO/2026ABRIL/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em março/26 a ser pago em abril/26 (R$/l)Leite entregue em abril/26 a ser pago em maio/26 (R$/l)R$/litro%
Maior valor de referência3,07013,35550,28549,3%
Valor médio de referência2,60992,85260,24269,3%
Valor base de referência2,43662,66310,22659,3%
Menor valor de referência2,25612,46580,20979,3%

Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite MG:

ProdutosFev/26 p/ Mar/26Mar/26 p/ Parc. Abr/26
Leite em pó4,6%6,6%
Leite UHT17,7%17,3%
Muçarela11,0%12,3%
Leite condensado3,7%3,5%
Demais produtos5,9%5,4%
Valor de referência8,4%9,3%

Períodos de apuração:

Mês de fevereiro/2026: de 01/02/2026 a 28/02/2026. Mês de março/2026: de 01/03/2026 a 31/03/2026. Parcial de abril/2026: de 01/04/2026 a 20/04/2026. Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CONSELEITE/MG

Mudança no ICMS beneficia indústria de laticínios em Mato Grosso

A nova norma altera o Regulamento do ICMS ao retirar os derivados do leite do regime de Substituição Tributária (ST) do ICMS a partir de 1º de maio de 2026. Na prática, deve reduzir distorções que vinham impactando o fluxo de caixa das empresas.

Foi publicado o Decreto nº 1.972/2026 que retira todos os derivados do leite da Substituição Tributária do ICMS em Mato Grosso, simplificando a tributação e permitindo a recuperação de créditos sobre estoques. A iniciativa foi articulada pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e o Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso (Sindilat), e atende a uma demanda histórica das indústrias locais. Na avaliação do presidente da Fiemt, Silvio Rangel, a eficácia do decreto está diretamente ligada à desburocratização. Com o fim da ST para esses produtos, as empresas passam a operar conforme o regime tributário em que já estão enquadradas, eliminando a necessidade de antecipação do imposto e tornando a gestão fiscal mais previsível. Outro ponto considerado positivo é a criação de um mecanismo claro para recuperação de créditos de ICMs acumulados. O decreto permite que os contribuintes recuperem valores pagos anteriormente sobre estoques, com regras específicas para cada regime: empresas do regime normal poderão parcelar em até 24 vezes, enquanto optantes pelo Simples Nacional terão a restituição em seis parcelas via PGDAS. Essa medida é vista como essencial para recompor o capital de giro das indústrias. Apesar dos benefícios, o texto também exige atenção das empresas no curto prazo. Até 30 de abril de 2026, será necessário realizar inventário detalhado dos produtos, segregando corretamente as mercadorias conforme o tratamento tributário, além de declarar as informações na Escrituração Fiscal Digital (EFD). Especialistas apontam que esse processo é técnico, mas fundamental para garantir o acesso aos créditos.

Cenário MT/MilkPoint

Canto de Minas aposta em requeijão com baixo teor de sódio para gerar valor e giro no varejo

Linha com 60% menos sódio chega como estratégia para diferenciar categoria e aumentar ticket médio no varejo

Em um cenário onde a diferenciação se torna cada vez mais necessária no ponto de venda, a Canto de Minas aposta em inovação para impulsionar a categoria de requeijões. A empresa lançou uma linha com o menor teor de sódio do Brasil, trazendo um novo argumento de valor para o varejo. Disponível em três versões (tradicional, light e zero lactose) e duas gramaturas (180g e 360g), a linha foi desenvolvida para ampliar o sortimento e atender um consumidor mais atento a composição dos produtos. O grande diferencial está na redução de 60% no teor de sódio em comparação às principais marcas do mercado. “O varejo enfrenta o desafio de renovar categorias que muitas vezes são percebidas como iguais. Produtos com diferenciais claros ajudam a gerar valor e estimular experimentação”, afirma Marcelo Nascimento, Gerente de Marketing e Trade. A empresa também prepara ações de visibilidade no ponto de venda para impulsionar o giro e incentivar a experimentação, conectando o lançamento a uma tendência crescente de consumo mais consciente. Com isso, a Canto de Minas busca não apenas ampliar sua presença nas gôndolas, mas também contribuir para a evolução da categoria, trazendo inovação com impacto direto na decisão de compra.

Canto de Minas

Conheça as 10 maiores fazendas de leite do Brasil

Elas estão definindo um novo padrão para a pecuária leiteira. Produção acima de 100 mil litros por dia, uso intensivo de tecnologia e gestão profissional colocam as maiores fazendas de leite do Brasil no centro da transformação da pecuária leiteira operando com níveis tecnológicos comparáveis aos principais polos leiteiros do mundo

O mais recente levantamento Top 100 2026, realizado pelo MilkPoint em parceria com a ABRALEITE, revela números impressionantes: as 100 maiores fazendas de leite do Brasil comercializaram cerca de 1,29 bilhão de litros em 2025, com crescimento superior a 8% em relação ao ano anterior. Mais do que volume, os dados evidenciam uma mudança estrutural — essas propriedades cresceram 443% desde 2001, enquanto a produção nacional avançou pouco mais de 100% no mesmo período. No topo dessa transformação está um grupo seleto que simboliza a nova era do leite no Brasil. As 10 maiores fazendas do país operam hoje em um nível de escala, tecnologia e eficiência que rompe com os padrões tradicionais da atividade, consolidando um modelo altamente profissionalizado e intensivo. Mais do que grandes produtoras, essas propriedades funcionam como verdadeiros centros de excelência, combinando genética avançada, nutrição de precisão, automação e gestão estratégica para alcançar volumes diários que ultrapassam — pela primeira vez na história — a marca dos 100 mil /7 litros. É nesse contexto que se destacam as três líderes do ranking, responsáveis por puxar esse novo patamar produtivo no país. Fazenda São José (SP) Localizada em Tapiratiba (SP), a Fazenda São José assumiu a liderança do ranking em 2026 após anos entre as primeiras posições, consolidando-se como a maior produtora de leite do Brasil. A propriedade superou a marca histórica de 102 mil litros por dia, resultado de um modelo altamente intensivo, com forte investimento em genética de alto desempenho, nutrição de precisão e gestão profissionalizada. O sistema produtivo é baseado em confinamento, com elevado controle sobre bem-estar animal e eficiência produtiva. O avanço da fazenda reflete um movimento claro de expansão estruturada, que permitiu ultrapassar concorrentes tradicionais e assumir o topo após mais de uma década de domínio de outras operações. Fazenda Colorado (SP) Situada em Araras (SP), a Fazenda Colorado é uma das propriedades mais conhecidas e tecnificadas da pecuária leiteira brasileira. Com produção média próxima de 101 mil litros diários, a fazenda se destaca não apenas pelo volume, mas pelo modelo consolidado de integração entre produção, industrialização e marca própria, sendo referência em qualidade e rastreabilidade. Por anos líder do ranking, a Colorado mantém posição entre as maiores do país com um sistema altamente automatizado, forte uso de tecnologia e foco em padronização do leite e eficiência operacional, além de atuar de forma estratégica no mercado consumidor, agregando valor ao produto.  Agrindus / Milkland (PR) Com operação localizada em Carambeí (PR), um dos principais polos leiteiros do Brasil, a Agrindus figura entre as maiores produtoras com cerca de 92 mil litros por dia. A propriedade faz parte de um ambiente altamente competitivo e tecnificado nos Campos Gerais, região marcada pela presença de cooperativas fortes e acesso facilitado a tecnologia. O sistema produtivo é intensivo, com alto nível de especialização em manejo, nutrição e melhoramento genético, o que garante elevada produtividade por animal. A Agrindus se destaca também pela consistência de produção e pela eficiência operacional, sendo uma das referências do Sul do país em produção leiteira em larga escala. As 10 maiores fazendas de leite do Brasil O ranking mostra um grupo altamente concentrado e tecnificado, com produção diária que ultrapassa — em alguns casos — a marca de 100 mil litros: Fazenda São José (SP) – mais de 102 mil litros/dia: Fazenda Colorado (SP) – cerca de 101 mil litros/dia: Agrindus / Milkland (PR) – aproximadamente 92 mil litros/dia:  Sekita Agronegócios (MG) – quase 90 mil litros/dia: João Henrique Pereira (MG) – mais de 73 mil litros/dia: Condomínio Rural Monte Alegre (MG) – cerca de 72 mil litros/dia:  Albertus Frederik Wolters (PR) – cerca de 68 mil litros/dia:  Fazendas Reunidas AG (MG) – cerca de 67 mil litros/dia: Marcos EPP (PR) – cerca de 67 mil litros/dia: Agrindus (SP) – cerca de 66 mil litros/dia.

COMPRE RURAL

ECONOMIA

Dólar tem variação discreta, mas fecha abaixo dos R$5,00

O dólar fechou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, com uma leve variação negativa, mas suficiente para encerrar a semana abaixo dos R$5,00, em meio a esperanças renovadas de que Irã e Estados Unidos possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,10%, aos R$4,9995. Na semana, a divisa dos EUA acumulou alta de 0,32% e, no ano, queda de 8,92%. Às 17h07, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,67% na B3, aos R$5,0050. No início do dia, o Banco Central ofertou US$1 bilhão à vista e, simultaneamente, 20.000 contratos de swap cambial reverso, no mesmo valor, em dois leilões simultâneos — operação conhecida no mercado como “casadão”. Porém, a instituição não aceitou nenhuma proposta dos dealers de câmbio para nenhum dos leilões. Operações como essa geralmente são realizadas para injetar liquidez no mercado à vista, equilibrando o sistema. Como o BC não aceitou propostas, as cotações do dólar ganharam um pouco de força no mercado à vista, mas depois retornaram para perto da estabilidade. A expectativa de um desfecho para a guerra fez os rendimentos dos Treasuries se firmarem em baixa durante a tarde, enquanto o petróleo Brent reduziu os ganhos vistos mais cedo, ainda que seguisse acima dos US$105 o barril. Nos mercados globais de moedas, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, mas no Brasil a moeda norte-americana pouco se afastou da estabilidade até o fechamento. “Sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos Treasuries enfraqueceu o DXY (índice do dólar)”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, com o cenário de incerteza no Oriente Médio endossando mais uma semana de correção na bolsa paulista, após recordes renovados em meados de abril.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,33%, a 190.745,02 pontos, acumulando um declínio de 2,55% na semana. Na máxima do dia, marcou 191.390,33 pontos. Na mínima, chegou a 189.962,93 pontos. O volume financeiro somou R$25,38 bilhões. Tal desempenho distancia um pouco mais o Ibovespa da marca inédita dos 200 mil pontos, que chegou a avistar em meados do mês, quando superou pela primeira vez os 199 mil pontos na máxima do dia 14. A fraqueza recente na bolsa paulista é acompanhada por alguma saída de capital externo, embora o saldo no mês permaneça positivo, em R$11 bilhões, considerando dados até o dia 22. Até o dia 15, porém, a B3 registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões em abril. Investidores permanecem atentos à guerra no Oriente Médio, com o barril do petróleo chegando ao patamar de US$107 nesta sexta-feira antes de reduzir o fôlego e fechar com acréscimo de 0,25%, a US$105,33, no caso do barril sob o contrato Brent. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para reiniciar as negociações de paz com os Estados Unidos, mas fontes paquistanesas disseram que ele não deveria se encontrar com os negociadores norte-americanos no local. Na expectativa de algum avanço, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,8%, apoiado principalmente por ações de empresas de tecnologia. De acordo com o advisor e sócio da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, além dos eventos no cenário externo, há também uma certa cautela para a decisão de política monetária do Banco Central no Brasil na próxima semana, com a maioria no mercado prevendo uma queda de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75%.

REUTERS

Governo Lula propõe renegociar R$ 82 bi em dívidas de produtores

Pela proposta, agricultores de todo o país podem ser beneficiados pela repactuação

O Ministério da Fazenda propôs a renegociação de R$ 81,7 bilhões em dívidas de produtores rurais em texto alternativo para o atual projeto sobre o tema, que tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi entregue ao senador Renan Calheiros (MDBAL) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na quinta-feira (23). Um projeto de lei ou uma medida provisória (MP) poderá ser editada, caso os senadores concordem com o texto. Depois, as linhas serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A proposta do Executivo, à qual o Valor teve acesso, estima que mais de 100 mil operações serão impactadas pela matéria e que R$ 81,7 bilhões em dívidas de produtores rurais de todo o país poderão ser renegociadas. Um montante de R$ 37,46 bilhões seria dirigido a operações em situação de adimplência e prorrogadas e outros R$ 44,23 bilhões para operações em situação de inadimplência. Serão oferecidas duas linhas de crédito. Uma com recursos controlados, com taxa de juros variados de 6% ao ano a produtores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de 8% ao ano a produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e 12% ao ano para os demais casos. Essa linha prevê que o produtor deverá dar uma entrada de 10% no caso das operações prorrogadas adimplentes e de 20% no caso das inadimplentes. Poderão ser enquadradas nessa modalidade dívidas prorrogadas adimplentes de até 30 de abril, ou as contratadas até 31 de dezembro de 2025 e que estejam inadimplentes entre 1º de julho de 2024 e 30 de abril deste ano. Uma segunda linha de crédito, com recursos e taxa de juros livres, será oferecida aos demais produtores que não se encaixarem na primeira modalidade, com juros controlados. No caso das operações com recursos dos Fundos Constitucionais e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), a proposta da Fazenda prevê que as taxas serão as vigentes em cada Plano Safra contratado. A linha de renegociação proposta também não se acumula com as repactuações autorizadas recentemente, sobretudo as que utilizam recursos do Fundo Social. Segundo Renan, a proposta da Fazenda não inclui o uso de recursos – estimados em R$ 30 bilhões – do Fundo Social. Essa é uma das fontes de recursos indicadas em um projeto que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados no ano passado e está em tramitação no Senado. O Ministério da Fazenda é contra o texto, porque quer preservar os recursos do Fundo Social para outros projetos como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo pessoas a par das negociações, o governo também sinalizou que pode lançar esse programa de renegociação de dívidas rurais por meio de medida provisória, o que aceleraria o início da vigência da renegociação das dívidas de crédito rural. Se essa alternativa for a escolhida pelo Palácio do Planalto, ela não prejudicaria o avanço do projeto de lei no Legislativo, uma vez que ele tornaria permanentes o que for lançado pelo governo. Contudo, o conteúdo do projeto teria que ser mudado para refletir o texto MP. A sugestão da Fazenda corresponde a quase metade do valor das dívidas que parlamentares representantes do setor querem renegociar, R$ 170 bilhões, com margem para negociação. De acordo com fontes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o setor deve insistir no uso de recursos do Fundo Social para viabilizar a medida. Agora, o gabinete de Renan analisará a proposta do ministério à luz daquilo que tem sido demandado pela FPA e voltará com um diagnóstico a Durigan na próxima terça-feira (28). Somente depois disso, provavelmente na primeira semana de maio, o projeto deve ser pautado para ser discutido na CAE, colegiado presidido pelo senador alagoano. Em 2025, uma MP já destinou R$ 12 bilhões para uma nova linha de crédito operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a repactuação de dívidas.

VALOR ECONÔMICO

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *