Informativo Sindilleite 116 17.04.2026

Ano 1 | nº 116 | 17 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Tirolez apresenta proposta para comprar marca de laticínio em MG

Empresa quer unidade do grupo Barbosa & Marques em Governador Valadares e a marca de queijos Regina

A Tirolez anunciou na quinta-feira (16/4) que assinou e submeteu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta para a compra de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) do grupo Barbosa & Marques, em recuperação judicial desde março de 2023. A operação não teve o valor divulgado e envolve tanto a planta industrial localizada em Governador Valadares (MG) quanto a marca de queijos Regina. Fundado há 111 anos, o grupo atua no setor de laticínios desde 1934. A marca Regina, criada em 1946, construiu presença relevante em mercados como o Rio de Janeiro e o Nordeste, com um portfólio de mais de 40 produtos, incluindo queijos, manteiga, cremes e requeijões. A unidade industrial de Governador Valadares, segundo a Tirolez, será inicialmente arrendada pela companhia até a conclusão da aquisição. A planta está situada em uma importante bacia leiteira de Minas Gerais e, além de produzir os itens da marca Regina, conta com estrutura para secagem e beneficiamento de soro de leite em pó. Segundo o CEO da Tirolez, Marcel de Barros, a proposta tem como objetivos ampliar a capacidade produtiva de queijos especiais, incorporar a marca Regina ao portfólio da companhia e viabilizar a entrada da empresa no segmento de soro de leite em pó. A conclusão da operação depende da aprovação do CADE e da 5ª Vara Cível da Comarca de Governador Valadares, onde tramita o processo de recuperação judicial do grupo Barbosa & Marques.

VALOR ECONÔMICO

Paraná lidera valorização do preço pago aos produtores de leite

Estado apresenta o maior índice de recuperação entre os principais produtores do país; recuo no preço do farelo de soja no território paranaense favorece margem do produtor

O produtor de leite paranaense encerra o mês de março de 2026 com o cenário mais otimista do Brasil. Segundo dados dos Conseleites estaduais, o Paraná registrou a valorização mais forte do país no preço de referência do leite, com uma alta projetada de 10,5% para o produto entregue em março e pago em abril. O desempenho paranaense supera significativamente o de outros estados vizinhos e grandes produtores, como Rio Grande do Sul (8,0%), Santa Catarina (7,6%) e Minas Gerais (5,5%). Esse movimento é impulsionado por uma combinação de menor oferta de leite cru e o avanço do período de entressafra, que força a indústria a elevar os repasses para garantir o abastecimento. As informações, reunidas pelo Centro de Inteligência do Leite, são da Assessoria de Imprensa Embrapa. Enquanto o preço do leite sobe, um dos principais insumos da pecuária leiteira apresentou queda no estado. O farelo de soja no Paraná registrou um recuo de 3,7% em relação a fevereiro de 2026. No comparativo anual, a queda é ainda mais expressiva: o preço da tonelada do farelo em março de 2026 está 21,1% mais barato do que o registrado no mesmo mês de 2025. Esse cenário favorável, onde o preço do produto sobe e o custo de alimentação cai, oferece um fôlego importante para a rentabilidade das propriedades paranaenses. Apesar do otimismo local, o setor mantém o alerta para fatores externos. O volume de importações de leite segue elevado em nível nacional e o cenário de conflito entre EUA e Irã traz incertezas para as commodities. Contudo, para o Paraná, a firmeza no mercado atacadista, com altas no UHT e na muçarela, sustenta a tendência de continuidade na recuperação dos preços no campo nos próximos meses.

JORNAL DA MANHÃ

Conseleite/MT projeta valor de referência do leite a ser pago em abril/26

O Conseleite do Mato Grosso divulgou um aumento de 13,7% nas projeções dos valores de referência do leite em entregue em março e pago em abril de 2026.

A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de Fevereiro de 2026 a ser pago em Março de 2026 e para o leite entregue no Março de 2026 a ser pago em Abril de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil células somáticas/mlmil ufc/ml
Maior Valor de Referência1.0004,003,50150100
Valor Médio de Referência3003,603,30300250
Valor Base de Referência253,303,20400300
Menor Valor de Referência253,002,90750750
MATÉRIA-PRIMAFEVEREIRO/2026MARÇO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em FEV/26 a ser pago em MAR/26 (R$/l)Leite entregue em MAR/26 a ser pago em ABR/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência2,49282,83540,342613,7%
Valor Médio de Referência2,09902,38740,288413,7%
Valor Base de Referência1,91762,18110,263513,7%
Menor Valor de Referência1,79212,03840,246313,7%

CONSELEITE/MT

EVENTOS

Fenasul Expoleite e Fenovinos são lançadas com expectativa de mais de 3 mil animais

Eventos ocorrem em maio, em Esteio (RS), reunindo pecuária leiteira, ovinos e outras cadeias produtivas

O lançamento da 19ª Fenasul e da 46ª Expoleite ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Durante o ato, também foi anunciada a 38ª edição da Fenovinos, que ocorrerá nas mesmas datas e no mesmo local: 13 a 17 de maio, no parque Assis Brasil. A cerimônia contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Considerada uma das principais vitrines do agronegócio e da produção leiteira no Rio Grande do Sul, a Fenasul Expoleite 2026 contará com shows culturais, rodeio artístico e exposição de produtos da indústria, comércio, serviços e artesanato. Uma das novidades desta edição é a inclusão da Fenovinos na programação, com a participação de 800 ovinos, ampliando o espaço dedicado às diferentes espécies. Ao todo, o evento deve reunir mais de dois mil animais, entre bovinos, ovinos, búfalos, equinos, caprinos, aves, coelhos, chinchilas e abelhas, evidenciando a diversidade da produção agropecuária gaúcha. O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) e da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, destacou a força coletiva das entidades envolvidas na Fenasul Expoleite e os desafios enfrentados pelo setor leiteiro no Rio Grande do Sul. O dirigente chamou atenção para a situação delicada do setor leiteiro. Ele criticou o impacto das importações e a falta de medidas efetivas de proteção ao produtor nacional. “O produtor precisa trabalhar e pagar suas contas com o próprio produto, sem depender constantemente de crédito bancário”, destacou. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, presente no ato, destacou a importância da feira no calendário do setor e a expectativa de grande público. Madalena também ressaltou a força da exposição de animais, com número de ovinos praticamente equivalente ao da Expointer, além da expectativa de novos recordes nesta edição. Ele lembrou que a feira não pôde ser lançada nos últimos dois anos em razão de eventos climáticos, o que reforça a relevância desta edição O evento conta com a realização da Gadolando e correalização da Febrac, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Prefeitura de Esteio.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha estável, abaixo de R$5,00, com mercado à espera de desfecho para a guerra

Em mais um dia de espera pelo desfecho das conversas entre EUA e Irã, o dólar encerrou a quinta-feira estável ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes. 

O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de apenas 0,01%, aos R$4,9934. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 9,03% ante o real. Às 17h19, o dólar futuro para maio DOLc1 — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,08% na B3, aos R$5,0085. Ao longo do dia, investidores ao redor do mundo reagiram ao noticiário sobre a guerra e seus ruídos. Fontes iranianas disseram à Reuters que os negociadores de EUA e Irã reduziram suas ambições em relação a um acordo de paz abrangente, após as conversas do último fim de semana, em Islamabad, não terem avançado. Os dois países estariam agora buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito no curto prazo. No exterior, o dólar subia no fim da tarde ante o peso chileno e o rand sul-africano, mas caía ante o peso colombiano e a rupia indiana, em um sinal de que o noticiário sobre a guerra não trouxe gatilhos fortes para definir uma tendência única. No Brasil, profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que, ao ceder abaixo dos R$5,00, o dólar ficou com menos espaço para continuar a trajetória de queda. “O investidor estrangeiro olha muito menos para o mercado interno. Ele está menos sensível às eleições e ao rombo fiscal, na comparação com o investidor local. Isso acaba fortalecendo o fluxo estrangeiro”, comentou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, ao avaliar os recuos recentes da moeda norte-americana. Pela manhã, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters de alta de 0,47%. Na renda fixa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram leves ganhos após o IBC-Br acima do esperado, com investidores consolidando apostas de que o BC cortará a taxa básica Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.

REUTERS

Ibovespa recua em novo pregão de ajustes, mas Petrobras atenua perda

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, em mais um pregão de ajustes após renovar recordes no começo da semana, mas o movimento foi atenuado pelo desempenho robusto de Petrobras, em meio ao avanço do petróleo e assembleia de acionistas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,46%, a 196.818,59 pontos, tendo marcado 198.586,57 pontos na máxima e 196.353,98 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$30,6 bilhões. Foi a segunda queda seguida, após o Ibovespa renovar suas máximas na terça-feira, quando ultrapassou pela primeira vez o patamar dos 199 mil pontos no melhor momento do pregão. Em Wall Street, o S&P 500 fechou com acréscimo de 0,26%, renovando sua máxima histórica, em meio a apostas de que o pior do conflito no Oriente Médio pode ter ficado para trás. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que o Líbano e Israel concordaram com um cessar-fogo de 10 dias e disse que a próxima reunião entre os EUA e o Irã pode ocorrer no fim de semana, referendando expectativas de que a guerra com o Irã pode estar perto do fim. No noticiário brasileiro, um dos holofotes voltou-se para o IBC-Br, considerado um sinalizador do PIB, que registrou alta de 0,6% em fevereiro ante janeiro, acima da expectativa em pesquisa da Reuters de acréscimo de 0,47%. 

REUTERS

Atividade econômica no Brasil cresce 0,6% em fevereiro e fica acima do esperado, diz BC

País tem quinto mês seguido de alta no IBC-Br, mas houve desaceleração em relação a janeiro. Indústria impulsiona resultado que é uma prévia do PIB brasileiro

A atividade econômica brasileira cresceu mais do que o esperado em fevereiro com impulso de indústria, embora tenha mostrado desaceleração antes do início da guerra no Oriente Médio, mostraram dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (16). O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), teve alta de 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, segundo dado dessazonalizado. A expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,47%. A leitura de fevereiro marcou o quinto resultado positivo seguido, mas mostrou desaceleração em relação à alta de 0,86% em janeiro, em dado revisado pelo BC de avanço de 0,8% informado antes. O resultado do IBC-Br refere-se ainda ao período anterior ao início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O conflito vem elevando os preços do petróleo e provocando preocupações com a inflação, sem sinais de uma reabertura rápida do estreito de Hormuz para aliviar a maior interrupção já registrada no abastecimento de energia. Os dados de março do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já mostraram impacto da guerra nos preços, com o índice de inflação avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano, sob pressão principalmente de transportes e alimentos. No mês passado, o BC deu início a um ciclo de corte de juros ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, defendendo cautela para passos futuros devido ao “forte aumento da incerteza” em meio aos conflitos no Oriente Médio. A abertura dos dados do BC mostra que em fevereiro o destaque foi a indústria, com o índice do setor avançando 1,2% na comparação com janeiro. O IBGE informou no início deste mês que a produção industrial brasileira cresceu 0,9% em fevereiro, acima do esperado.

REUTERS

Tesouro aponta participação de 69%de investidores da Europa em captação de 5 bi de euros

Para órgão, a emissão reforça o papel “importante” da dívida externa no alongamento do prazo média de dívida, na diversificação, ampliação da base de investidores e diversificação cambial

O Tesouro Nacional informou que a operação de emissão de títulos no mercado europeu teve participação “expressiva” de investidores não residentes. Entre os participantes da oferta, 69% dos investidores eram da Europa e 9% da Ásia. A América Latina, incluindo o Brasil, representou cerca de 13%. Para o Tesouro, a emissão reforça o papel “importante” da dívida externa no alongamento do prazo média de dívida, na diversificação, ampliação da base de investidores e diversificação cambial. A emissão atingiu volume final de captação de 5 bilhões de euros. Segundo o Tesouro, seria a maior emissão de títulos internacionais da história do Brasil. Em nota, o Tesouro Nacional disse que a emissão atraiu “interesse significativo” de investidores com ápice de 700 ordens no livro de ofertas. A demanda superou em “mais de três vezes” o volume emitido com livro acima de 16 bilhões de euros em seu pico. “Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, marcando o retorno do Brasil ao mercado Europeu, refletindo a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país”, apontou o Tesouro. A emissão foi colocada em três vencimentos: 2030, 2033 e 2036. No caso de 2030, foram emitidos 2 bilhões de euros com vencimento em 23 de abril e taxa de retorno do investidor de 4,240% ao ano, um spread de 145 pontos-base acima do mid-swap, que é referência no mercado europeu. Já na emissão de 2033, o montante foi de 1,5 bilhão de euros com cupom de juros de 4,875% ao ano e vencimento também em 23 de abril. A taxa de retorno foi de 5,031% ao ano, um spread de 210 pontos-base acima do mid-swap. No caso da emissão de 2036, o montante também foi de € 1,5 bilhão de euros e o cupom de juros foi de 5,500% ao ano. O spread de 255 pontos-base em uma taxa de retorno de 5,627% ao ano

VALOR ECONÔMICO

CNI revisa para cima projeção de crescimento do PIB em 2026, de 1,8% para 2%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aumentou de 1,8% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e de 1,1% para 1,6% a expectativa de alta da indústria em 2026.

As previsões constam do Informe Conjuntural do 1º Trimestre, divulgado na sexta-feira (17). Os serviços e a agropecuária também tiveram as estimativas revistas para cima em relação às projeções feitas em dezembro do ano passado: de 1,9% para 2,1% e de 0% para 1,1%, respectivamente. “Os ajustes das projeções de crescimento da economia se devem especificamente a três fatores. O primeiro é o desempenho melhor do que o esperado para a indústria extrativa nos primeiros meses do ano, puxado pela produção de petróleo e de minério de ferro, dinâmica que deve se repetir nos próximos meses. O segundo é a contínua revisão da previsão para a safra, para a qual se previa queda, e o último fator é um melhor desempenho do setor de serviços, que deve ser sensibilizado pela expansão fiscal”, explica o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles. O desempenho acima do esperado da atividade econômica nos primeiros meses de 2026 também contribuiu para a melhora das expectativas e, consequentemente, das projeções. Por outro lado, a qualidade do crescimento econômico, marcado por um desequilíbrio entre consumo e investimento, persiste e preocupa, aponta o Informe. “É o tipo de crescimento que não se sustenta. Se nós não tivermos aumento dos investimentos que gere uma oferta maior no futuro e supra o maior nível de consumo, o ritmo de expansão da economia será comprometido”, explica Telles. Segundo a análise da CNI, o consumo das famílias deve subir 2% em 2026, uma alta de 0,7 ponto percentual frente ao ritmo de crescimento do ano passado. O impulso fiscal, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o crescimento da massa salarial devem impulsionar esse avanço. Já os investimentos devem subir 0,6%, ante alta de 2,9% em 2025, refletindo o impacto dos juros elevados e o endividamento das empresas. Impulso da indústria extrativa A exemplo do que ocorreu no ano passado, a indústria extrativa deve puxar o crescimento do setor industrial em 2026. Menos sensível aos juros elevados, o setor continua exibindo aumento da produção, impulso que deve se ampliar com a elevação do preço do barril de petróleo devido à guerra no Oriente Médio. Por isso, a CNI reviu de 1,1% para 7,8% a projeção de alta do segmento. Por outro lado, o cenário deve continuar adverso para a indústria de transformação, projeta o documento. Internamente, os custos financeiros causados pelos juros se somam à queda da demanda por bens industriais, à alta das importações, ao encarecimento da mão de obra e ao aumento da carga tributária. No cenário externo, a instabilidade no preço do petróleo pode trazer impacto ao setor de transportes e energia. Com isso, a indústria de transformação deve crescer 0,3% e não mais 0,5% este ano. O recorde no lançamento e venda de unidades residenciais no fim do ano passado e o anúncio de políticas de estímulo ao setor, como a concessão de crédito para reformas de moradias de famílias de baixa renda, devem impulsionar a indústria da construção em 2026. O setor, no entanto, seguirá penalizado pelas elevadas taxas de juros e, por isso, teve a projeção de crescimento diminuída de 2,5% para 1,3%. Perspectivas positivas para serviços e agro A melhora das expectativas para o desempenho do setor de serviços passa, principalmente, por três fatores: o avanço do rendimento dos trabalhadores, a expansão dos gastos do governo e o aumento da renda disponível decorrente da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O endividamento das famílias, por outro lado, deve atuar como freio ao crescimento do setor. Já a revisão para cima do crescimento da agropecuária se deve à melhora das projeções para a safra e à continuidade do bom desempenho da pecuária. Mesmo com a perda de ritmo da economia, o mercado de trabalho seguirá aquecido, ainda que em menor intensidade do que no ano passado, estima a CNI. Projeta-se alta de 1% da população ocupada, o que levaria a taxa de desemprego a 5,2% no fim de 2026. A baixa desocupação, por sua vez, continuará sustentando ganhos reais de rendimento aos trabalhadores. Por isso, a expectativa é que a massa de rendimento real suba 4,7%. Apesar dos sinais de moderação da atividade econômica e enfraquecimento do crédito, os núcleos de inflação — que excluem os preços mais voláteis — seguem acima do IPCA “cheio”, há resistência nos preços relacionados aos serviços e piora das expectativas de inflação para 2026 e 2027. Além disso, a deterioração do ambiente externo e riscos geopolíticos podem impactar os preços no Brasil. Nesse cenário, a taxa Selic deve encerrar o ano em 12,75% e não em 12%, como a estimativa anterior. Consequentemente, as concessões de crédito devem crescer 2,2%, alta inferior à de 2025 (3,2%).

VALOR ECONÔMICO

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