Informativo Sindileite 113 14.04.2026

Ano 1 | nº 113 | 14 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Leite longa vida sobe 17% no varejo no Paraná

Boletim do Deral aponta leite a R$ 4,52

O Boletim Conjuntural divulgado no início de abril pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela um cenário de ajustes no campo. O destaque do período foi o setor leiteiro, que apresentou uma elevação de preços ao produto. No varejo, o leite longa vida subiu 17% e o leite em pó 8,8%, com o produto comercializado a uma média de R$ 4,52. Segundo o médico-veterinário e analista do Deral Thiago De Marchi, o preço pago ao produtor ainda não acompanha a alta observada nas gôndolas dos supermercados, mas a perspectiva já é positiva. “O impacto não é imediato ao produtor por conta de prazos de pagamentos que seguem seus ritos nas indústrias. Mas a tendência é de que seja pago um valor maior pelo litro do leite entregue”, explica.

SEAB-PR/DERAL

Mercado do leite: atualização quinzenal de preços 13/04

Leite spot – Na primeira quinzena de abril, o leite spot intensificou a alta iniciada no fim de março, alcançando média Brasil de R$ 3,533/litro, em um cenário de oferta restrita. O avanço foi generalizado entre os estados, com maior pressão típica da entressafra. Ao mesmo tempo, a valorização da muçarela aumentou a competição pela matéria-prima, sustentando os preços.

Preços internacionais – O 401º leilão da Global Dairy Trade marcou uma reversão nos preços internacionais, com queda de 3,4% (USD 4.228/t) após estabilidade no evento anterior. O recuo foi generalizado, liderado pela gordura anidra (-7,1%), enquanto leites em pó caíram de forma mais moderada e queijos como muçarela (-6,2%) e cheddar (-3,1%) também recuaram. O resultado sinaliza uma inflexão após a sequência de altas no mercado global. Leite UHT – Na segunda semana de abril, o leite UHT manteve estabilidade nos preços, em um cenário de mercado mais heterogêneo: enquanto parte dos informantes relata uma demanda mais aquecida, outros ainda apontam vendas mais travadas, resultando em negociações com comportamentos distintos. Em São Paulo o preço se manteve em R$ 5,10/litro. Muçarela – A muçarela intensificou o movimento de alta, com o kg atingindo R$ 35,7 no Estado de São Paulo, (+R$ 1,20/kg) em um cenário de maior aquecimento do mercado. A valorização segue sustentada pela menor disponibilidade de leite, que limita a produção, e por uma demanda mais ativa, reforçando a pressão altista sobre os preços. Leite em pó – O segmento de leites em pó registrou novos repasses positivos nesta semana, consolidando uma trajetória gradual de alta. O escoamento dos estoques, combinado a uma retomada progressiva na demanda, atua como vetor de sustentação para a valorização dos derivados. O leite em pó fracionado (LPF) atingiu R$ 31,4/kg (+R$ 0,30), enquanto o leite em pó integral (LPI) também avançou R$ 0,30, fechando em R$ 26,8/kg e o leite em pó desnatado em R$ 24,7/kg, reforçando o cenário de valorização dos produtos. Oferta – A disponibilidade de leite matéria-prima vem apresentando recuos, em linha com a sazonalidade típica do período. Esse movimento já começa a se refletir em estoques mais ajustados de alguns derivados, reforçando o cenário de menor oferta nos próximos meses. Demanda – A demanda segue firme para parte dos produtos, sem grandes variações ao longo das últimas semanas. Além disso, segundo o MilkPoint Mercado, os preços no varejo ainda não incorporaram totalmente as altas observadas no atacado, o que contribui para sustentar o consumo no curto prazo.

MILKPOINT

Projeto proíbe uso de termos como ‘leite’ e ‘carne’ para produtos vegetais

Câmara aprova proposta que restringe nomes de origem animal a itens de ordenha ou abate; texto segue para o Senado e gera debate no setor

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe o uso de denominações de produtos de origem animal como “leite”, “carne” e “queijo”, em alimentos feitos à base de vegetais. A proposta, que agora segue para análise do Senado, estabelece que termos tradicionais da pecuária sejam exclusivos para produtos provenientes de ordenha ou abate animal. A medida impacta diretamente o mercado de produtos plant-based (alimentos feitos 100% de plantas que mimetizam proteína animal). Caso a lei seja sancionada, itens hoje vendidos como “leite de aveia”, “hambúrguer vegetal” ou “carne de soja” precisarão adotar novas nomenclaturas em suas embalagens. O objetivo central da proposta é aumentar a transparência para o consumidor e evitar que o comprador seja induzido ao erro. Representantes do setor leiteiro defendem que a palavra “leite” deve ser restrita ao produto de glândulas mamárias de animais, como vacas e cabras. Para os defensores da lei, o uso destes termos em produtos vegetais pode confundir o público sobre a natureza e o valor nutricional do alimento. Eles argumentam que produtos de origem vegetal e animal possuem composições químicas e nutricionais completamente distintas. Além disso, o setor pecuário ressalta a importância de separar produtos naturais de itens ultraprocessados. Muitos substitutos vegetais utilizam misturas de aditivos, aromatizantes e amidos para alcançar textura e sabor semelhantes aos originais, o que, na visão de parlamentares, justifica uma regulação mais rígida. No jargão do agronegócio, o leite é definido como o produto da ordenha completa e ininterrupta de fêmeas leiteiras sadias. Já os chamados “compostos lácteos”, que muitas vezes geram dúvida no mercado, são misturas que contêm leite, mas também soro, óleos vegetais e açúcares. Com a nova regra, a distinção ficaria ainda mais clara: Origem Animal: Únicos autorizados a usar termos como leite, queijo, manteiga, iogurte, bife e hambúrguer. Origem Vegetal: Devem utilizar termos como “bebida de coco”, “extrato de aveia” ou “disco vegetal”, evitando referências diretas aos cortes ou derivados animais. Por outro lado, a Sociedade Vegetariana Brasileira e representantes da indústria de proteínas alternativas criticam a medida. Eles argumentam que o consumidor já está habituado às terminologias e que não há evidências de confusão no momento da compra. Estatísticas citadas por entidades do setor mostram que quem busca o “leite vegetal” ou a “carne de soja” faz uma escolha consciente por questões de saúde, como intolerância à lactose, ou por princípios ideológicos e dietéticos. O setor ressalta ainda que o Brasil possui empresas com mais de um século de história utilizando o termo “carne de soja”, e que a proibição brusca pode gerar prejuízos econômicos e custos logísticos para a mudança de rótulos já consolidados no mercado nacional e internacional. Caso o Senado aprove o texto sem alterações, ele seguirá para a sanção da Presidência da República.

AGROBAND

INTERNACIONAL

Exportações de lácteos do Uruguai caem 6% no 1º tri; Argélia lidera e cenário melhora

O início de 2026 foi marcado por um recuo nos embarques externos de lácteos do Uruguai em relação ao ano passado. A queda foi puxada principalmente pelo leite em pó e pelos queijos. Ainda assim, a recente reação do mercado internacional, somada ao maior fluxo de leite, começa a sinalizar perspectivas mais positivas para os próximos meses.

No acumulado até março, as exportações somaram US$ 209 milhões, uma retração de 6% frente ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Nacional do Leite (Inale). O desempenho do primeiro trimestre reflete um cenário de menor dinamismo nos principais produtos exportados, após um fim de 2025 marcado pela queda nos preços internacionais. Esse movimento, porém, começou a se reverter no início deste ano, o que deve se traduzir, gradualmente, em uma recuperação dos valores médios de exportação. Entre os produtos, as quedas foram praticamente generalizadas. O leite em pó desnatado registrou a maior retração, com recuo de 30% (US$ 9 milhões). Os queijos caíram 8% (US$ 22 milhões) e o leite em pó integral teve redução de 5% em valor (US$ 140 milhões). A exceção ficou por conta da manteiga, que avançou 15%, embora ainda represente uma fatia menor do total exportado, com US$ 19 milhões. Em volume, o comportamento foi semelhante. O leite em pó desnatado caiu 31% (2.994 toneladas) e os queijos recuaram 10% (4.527 toneladas). Já o leite em pó integral apresentou leve alta de 3% (38.606 toneladas), enquanto a manteiga cresceu 25% (3.312 toneladas). No acumulado do ano, os preços mostraram comportamento misto. Houve leve alta no leite em pó desnatado (+1%) e nos queijos (+2%), enquanto a manteiga (-9%) e o leite em pó integral (-7%) ainda operam abaixo dos níveis do ano passado. Por outro lado, na comparação mais recente, o leite em pó integral já mostra sinais claros de reação, com alta de 18% frente a dezembro, alcançando US$ 3.560 por tonelada — um indicativo de mudança na tendência dos preços internacionais. No recorte por mercados, a Argélia segue como principal destino dos lácteos uruguaios, respondendo por 35% das exportações nos últimos 12 meses. O Brasil aparece na sequência com 27%, seguido por Mauritânia e Arábia Saudita, ambos com 3%. Por produto, o Brasil mantém papel estratégico nas compras de queijos (28%) e leite em pó desnatado (82%), enquanto a Argélia lidera com folga as aquisições de leite em pó integral, com 49%. As projeções da Uruguay XXI indicam que as exportações de lácteos do país podem alcançar US$ 956 milhões em 2026, um avanço de 3% em relação ao ano anterior. Esse crescimento, no entanto, deve ser sustentado principalmente pelo aumento dos volumes, e não por preços mais elevados. A produção já dá sinais de forte dinamismo no início do ano, com níveis historicamente altos de remessa e crescimento próximo de 7% nos dois primeiros meses. Ainda assim, esse maior volume entra em um mercado internacional que segue fragilizado, onde a recuperação de preços ainda é gradual e demora a se refletir plenamente nos valores de exportação.
Tardáguila Agromercados

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$5,00 pela primeira vez em dois anos

O dólar fechou abaixo dos R$5,00 pela primeira vez em dois anos nesta segunda-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã quer chegar a um acordo sobre a guerra.

Após superar os R$5,04 pela manhã, o dólar à vista fechou em baixa de 0,25%, aos R$4,9980, o menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$4,9805. Desde essa data o dólar não terminava uma sessão abaixo dos R$5,00. Foi a quarta sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana no Brasil. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,95%. Às 17h04, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,36% na B3, aos R$5,0150. No início do dia o dólar avançou ante o real, acompanhando a alta da moeda norte-americana no exterior, depois de EUA e Irã não chegarem a um acordo de paz nas negociações do fim de semana, em Islamabad. No início da tarde da segunda-feira, porém, o cenário mudou em todo o mundo, após Trump dizer que o Irã havia “ligado esta manhã” e que “eles gostariam de fechar um acordo”. Ao mesmo tempo, o norte-americano afirmou que não aceitará nenhum acordo que permita que Teerã tenha uma arma nuclear. Os investidores se apegaram à esperança de um acordo, o que fez os ativos brasileiros ganharem força, incluindo o real em relação ao dólar. “A despeito… do começo de dia ruim, bolsa para baixo e dólar para cima, o mercado deu uma bela virada em linha com Trump”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. No exterior, a moeda norte-americana também exibia perdas ante boa parte das demais divisas de países emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano. Na esteira da fala de Trump, o dólar caía no fim da tarde ante o euro, a libra e o franco suíço. No Brasil, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu no fim da manhã 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.

Reuters

Ibovespa avança e supera 198 mil pontos pela 1ª vez puxado por Vale e Petrobras

O Ibovespa renovou recordes nesta segunda-feira, superando os 198 mil pontos pela primeira vez, em movimento sustentado principalmente pelo avanço das blue chips Vale e Petrobras, endossadas pela alta de commodities como o minério de ferro e o petróleo no exterior. 

O fracasso nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã no fim de semana, que buscavam colocar fim ao conflito que começou no final de fevereiro, teve um efeito negativo tímido na bolsa paulista, que segue amparada pelo fluxo de recursos estrangeiros. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,41%, a 198.132,23 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 198.173,39 pontos. Na mínima, recuou a 196.222,86 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$29,7 bilhões antes dos ajustes finais.

Reuters

Mercado eleva projeção de alta do IPCA de 2026 de 4,36% para 4,71%, mostra Focus

Medianas das projeções para o dólar foram reduzidas de R$ 5,40 para R$ 5,37 para o fim de 2026 e de R$ 5,45 para R$ 5,40 para o fim de 2027

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu pela quinta semana seguida, saltando de 4,36% para 4,71%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (13) com estimativas coletadas até a última sexta-feira (10). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 3,85% para 3,91% e, para 2028, se manteve em 3,60%. O IPCA 12 meses suavizado caiu de 4,09% para 4,05%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 12,50% em 2026, pela terceira semana seguida, seguiu em 10,50% em 2027 pela 61ª semana e, para 2028, se manteve em 10% pela 12ª semana seguida. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,85%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,80% pela 15ª semana, e, para 2028, seguiu em 2% pela 109ª semana seguida. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana recuou de R$ 5,45 para R$ 5,40, e, para 2028, cedeu de R$ 5,50 para R$ 5,46.

VALOR ECONÔMICO

Conflito no Oriente Médio derruba exportações brasileiras para países do Golfo em março

Apesar do recuo no mês, o desempenho no trimestre ainda é positivo, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

As vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — que formam o bloco econômico conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — caíram 31,47% em março na comparação anual, para US$ 537,11 milhões, segundo dados da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Apesar do recuo no mês, o desempenho no trimestre ainda é positivo. De janeiro a março, as exportações para o CCG cresceram 8,14%, somando US$ 2,41 bilhões. Considerando todos os 22 países acompanhados pela entidade, incluindo as nações árabes do Levante e as africanas, a alta foi de 3,90%, para US$ 5,13 bilhões. Segundo a Câmara Árabe, o fechamento do Estreito de Ormuz, que restringiu o acesso a portos estratégicos do Golfo, interrompeu uma trajetória de alta nas vendas brasileiras. O impacto ainda não compromete o resultado agregado, mas pode se intensificar ao longo do ano, dependendo da evolução do conflito. “As vendas para o CCG, que concentra os maiores mercados árabes e responde por 47% das exportações para o bloco de países, vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, segundo melhor ano da série histórica”, afirma, em nota, o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad. “O recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos”. No agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas, as exportações para o CCG recuaram 25,38% em março, mas acumulam alta de 6,8% no trimestre, de US$ 1,44 bilhão, graças a ganhos em produtos importantes, contrabalançados por perdas em outros itens. Principal item da pauta agropecuária, o frango recuou 13,80% no mês, para US$ 185,50 milhões, mas só 2,32% no acumulado, para US$ 619,12 milhões. O açúcar, segundo principal produto, recuou 43,37% em março, para US$ 54,07 milhões, mas avançou 26,41% no ano, para US$ 363,11 milhões. A carne bovina destoou, com alta de 23,87% no mês mais intenso do conflito, para US$ 47,75 milhões, além de avanço de 65,29% no trimestre, para US$ 194,56 milhões. O milho praticamente deixou de ser embarcado ao CCG em março, com queda de 99,96%, para US$ 0,03 milhão, embora o recuo no acumulado ainda seja limitado a 5,8%, no total de US$ 61,22 milhões. Já o café registrou alta de 34,24% no mês de março, para US$ 9,97 milhões, e de 64,3% no trimestre, para US$ 49,58 milhões. Outro ponto de atenção é o recuo nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes do CCG, que caíram 51,35% no primeiro trimestre. A região responde por cerca de 10% do fertilizante adquirido pelo agronegócio brasileiro no exterior. “Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes”, pontua Mourad. “É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”, finaliza.

Ascom CCBA

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *