Informativo Sindileite 111 10.04.2026

Ano 1 | nº 111 | 10 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Produção de leite de búfala supera 20 milhões de litros e avança no Sul e Sudeste

Rebanho bubalino cresceu cerca de 20% na última década, com maior presença da atividade nas cadeias de derivados lácteos.

 A produção de leite de búfala no Brasil já supera 20 milhões de litros por ano, com concentração nas regiões Sul e Sudeste. O avanço acompanha o crescimento do rebanho bubalino, que aumentou cerca de 20% na última década, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). O aumento da oferta ocorre em paralelo à maior demanda por derivados lácteos, como muçarela, burrata e iogurtes. Para os criadores, o movimento tem ampliado o espaço do leite de búfala no mercado e estimulado a entrada de novos produtores, principalmente em propriedades de menor escala. De acordo com a presidente da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu) e vice-presidente da ABCB, Desireé Möller, a atividade ainda apresenta margem de crescimento no Rio Grande do Sul. “No Estado, a produção ainda é concentrada. Atualmente, o Laticínio Kronhardt, localizado em Glorinha, é o principal responsável pela fabricação de queijos de búfala, operando sob o Selo de Pureza, certificação da ABCB que garante produtos elaborados exclusivamente com leite bubalino”, afirma.

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Nacional

RS: temperaturas elevadas trouxeram estresse térmico a rebanhos de leite durante verão 2025/2026

As temperaturas do ar médias elevadas do verão apresentaram um desafio para o manejo dos rebanhos bovinos de leite no Rio Grande do Sul, especialmente durante o mês de fevereiro.

As temperaturas do ar médias elevadas do verão apresentaram um desafio para o manejo dos rebanhos bovinos de leite no Rio Grande do Sul, especialmente durante o mês de fevereiro.  Estes são os resultados das análises de dados publicadas no Comunicado Agrometereológioco 101, editado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi). O Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas no período, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a publicação documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico calórico às quais os animais foram submetidos, estimando os efeitos na produção de leite. Em dezembro de 2025, 52,6% dos municípios gaúchos apresentaram ITU médio indicativo de estresse térmico leve a moderado, com valores máximos absolutos superiores a 80 em mais da metade dos locais. Em média, os bovinos foram expostos a estresse térmico em 53,3% das horas avaliadas. O mês de janeiro de 2026 registrou ITU médio semelhante ao de dezembro, com aumento do percentual de horas em estresse severo e crítico, atingindo valores máximos absolutos de até 88,1 em Porto Vera Cruz. O estresse térmico ocorreu em 51% das horas avaliadas. Já fevereiro apresentou o ambiente mais desafiador no manejo dos rebanhos, com 57% das horas permanecendo em estresse térmico e ITU médio de 72,2. “Onze municípios atingiram estresse crítico em algumas horas, com percentuais de períodos em estresse severo e crítico superiores aos meses anteriores, especialmente no Vale do Uruguai e Região Missioneira”, detalha a pesquisadora Ivonete Tazzo, uma das autoras do comunicado. Vacas de maior produção de leite são mais vulneráveis ao estresse térmico calórico. “As estimativas de declínio de produção diário de leite devido ao estresse térmico no verão 2025/2026 variaram de 16,25% a 34%, dependendo da região do estado”, complementa a pesquisadora. Para reduzir os impactos negativos do clima na produção leiteira, é preciso adotar estratégias de manejo nos períodos mais críticos de estresse térmico. “Algumas das estratégias adotadas são: disponibilizar áreas com sombreamento natural ou artificial para evitar exposição direta ao sol; garantir acesso livre e contínuo a água de boa qualidade; promover circulação de ar e resfriamento evaporativo, com ventiladores, aspersores, painéis evaporativos; ajustar dietas para reduzir o aporte calórico; e selecionar animais mais adaptados a ambientes quentes”, enumera.

Secretaria da Agricultura e Pecuária RS

EMPRESAS

Unium se mantém entre as três maiores indústrias de lácteos do Brasil e reforça estratégia de crescimento sustentável

A Unium reafirma sua posição de destaque no setor lácteo brasileiro ao conquistar, mais uma vez, o 3º lugar no Ranking ABRALEITE 2025, que reúne as maiores indústrias de laticínios do país com base no volume de captação de leite

O resultado consolida a presença da intercooperação entre as líderes nacionais e evidencia a consistência de um modelo que alia crescimento produtivo por parte dos associados produtores de leite e investimento no ambiente industrial por parte da Unium. De acordo com o levantamento da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (ABRALEITE), as empresas que compõem o ranking concentram 59% de todo o leite captado no Brasil, reforçando o papel estratégico dessas indústrias para o avanço do setor. Nesse cenário, a Unium se mantém entre os principais players, sustentada por uma base produtiva em expansão e por decisões estratégicas que ampliam sua competitividade. Para o coordenador Comercial Lácteos Unium, Rogério Marcus Wolf, o desempenho está diretamente ligado à solidez do modelo cooperativista. “O negócio se consolida uma vez que ele se retroalimenta. À medida que há aumento da produção de matéria prima leite por parte dos associados, as indústrias, buscando eficiência comercial, também se tornam mais estratégicas comercialmente e se consolidam em sua visão de negócio, que é o B2B. Gerando retorno e suporte financeiro para que o produtor continue crescendo em produção de leite”, afirma. Nos últimos anos, a Unium tem ampliado sua capacidade industrial como forma de acompanhar o aumento da produção de leite de seus associados. Entre os investimentos, destacam-se a implantação de uma torre de secagem com capacidade para 600 mil litros de leite por dia e a construção de uma queijaria com capacidade para processar 800 mil litros diários. Além disso, já está em andamento a aprovação de uma nova torre de secagem, ampliando ainda mais o potencial de processamento. Segundo Wolf, essa estrutura industrial permite maior flexibilidade diante das oscilações de mercado. “Ao diversificar o parque industrial, abrimos um leque de oportunidades. Se um determinado produto apresenta melhor desempenho, direcionamos esforços para esse segmento. Caso outro produto ganha competitividade, conseguimos ajustar rapidamente a produção”, explica. Essa capacidade de adaptação tem sido um diferencial importante, especialmente em um cenário desafiador para o setor. Enquanto o mercado de queijos apresentou maior estabilidade nos últimos anos, o leite em pó registrou maior volatilidade, o que reforça a importância de uma operação versátil e preparada para diferentes contextos. No campo, o crescimento segue a mesma lógica de equilíbrio. De acordo com o Rogério, os produtores evoluem de forma estruturada, combinando aumento de volume, mantendo os padrões de qualidade exigidos, bem-estar animal e eficiência produtiva. “Quando o produtor cresce, ele olha o todo. Não é apenas volume, é qualidade, nutrição, genética, sanidade e conforto animal. É um crescimento sustentável, que garante produtividade e evita perdas”, destaca. O ingresso de novos produtores no sistema também segue critérios definidos pelas cooperativas, garantindo alinhamento com os padrões técnicos e organizacionais. Esse modelo fortalece a base produtiva e contribui para a manutenção da qualidade do leite captado. Com uma estratégia baseada na intercooperação, investimentos contínuos e foco em eficiência, a Unium segue consolidando sua atuação entre as maiores indústrias lácteas do Brasil, reforçando seu papel no desenvolvimento do setor e na geração de valor para milhares de produtores.

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EVENTO

Inovação e sustentabilidade da cadeia láctea foram foco da reunião do Programa Leite Seguro

Evento reuniu lideranças para debater avanços e sustentabilidade do leite

Promovido pela Embrapa Clima Temperado, em parceria com o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Sul (LFDA-RS) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o encontro reuniu representantes da Associação Brasileira das Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios (G100) para discutir os avanços e desafios da cadeia produtiva do leite no Brasil. A Reunião Técnica do Programa Leite Seguro – realizada sob demanda do G100 – aconteceu na sede da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), de 07 a 09 de abril. O principal objetivo do encontro foi o de divulgar as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, apresentar as ações do Programa Leite Seguro, e abordar temas relevantes como o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) e o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC). Além disso, o evento promoveu um intercâmbio de conhecimento ao prospectar novas parcerias para o desenvolvimento do setor.  A cerimônia de abertura contou com a presença de Clenio Pillon, diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa; Leonardo Dutra, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado; Waldyr Stumpf Jr., pesquisador da Embrapa Clima Temperado e facilitador do evento; Wilson Massote, diretor do G100; e Roberto Lucena, representante da Superintendência do Mapa no Rio Grande do Sul. Segundo Pillon, não basta mais ofertar o leite sem garantir o processo de salubridade, com certificação, percebida como um diferencial para um consumidor que busca cada vez mais saúde, longevidade e qualidade de vida. Para o diretor, a sustentabilidade aplicada à cadeia produtiva de leite também ganha relevância e os setores que não olharem para os balanços ambientais favoráveis, vão ter cada vez mais dificuldade de ocupar mercados. “Nós temos cerca de 607 pesquisadores na Embrapa que atuam direta e indiretamente na cadeia produtiva do leite, mais de 20 centros e cerca de 126 projetos de pesquisa dedicados à cadeia do leite, desde o melhoramento genético vegetal e animal até o trabalho de desenvolvimento de tecnologias para o sistema de produção e gestão da qualidade do leite”, explica Pillon. No primeiro painel da manhã, Wilson Massote, diretor do G100, apontou as preocupações da Associação com o alongamento de dívidas de produtores, financiamento, transação tributária de máquinas e equipamentos, e a definição de crédito presumido. Foram apresentadas soluções para barreiras não tarifárias à exportação e questões tributárias, com a proposição do Programa Emergencial Mais Leite Sustentável, de apoio aos produtores. A apresentação institucional da Embrapa Clima Temperado, conduzida pelo chefe-geral Leonardo Dutra, ofereceu um panorama abrangente da Unidade e a elaboração de projetos voltados para a produção leiteira. Segundo Dutra, o Programa Leite Seguro investiu 10 milhões de reais para a qualificação da Unidade no desenvolvimento de pesquisa e inovação para a cadeia láctea. O investimento resultou em novas acomodações e equipamentos do Laboratório de Qualidade do Leite, novas instalações, máquinas e equipamentos de campo para a implementação do Sistema de Pesquisa e Desenvolvimento em Pecuária Leiteira (Sispel), reforma do Free Stall. No encerramento da primeira manhã do encontro, Maira Zanela, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, apresentou um panorama das perspectivas e resultados que orientam a atuação da Unidade em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à cadeia produtiva do leite. Entre os destaques, Maira ressaltou o papel do Sispel, que há mais de 30 anos gera soluções integradas, abrangendo toda a cadeia, do produtor ao consumidor. Outra atuação evidenciada foi a do Laboratório de Qualidade do Leite (LabLeite), que hoje é referência no suporte à qualificação da produção. Segundo a pesquisadora, a Embrapa se consolida como uma importante facilitadora na relação entre produção e consumo ao promover entregas que impactam diretamente ambos os segmentos. Essas soluções se organizam em diferentes frentes, que vão desde ações mais simples, como as boas práticas e o manejo, até as mais complexas, como a análise da qualidade do leite, a reprodução e nutrição animal, a qualificação genética, entre outras. Dentre as tecnologias e parcerias, Zanela destacou as ações desenvolvidas junto à Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária, através do plano Recupera Rural RS, que estão voltadas à retomada da produção leiteira em áreas afetadas pelos fenômenos climáticos recentes no Rio Grande do Sul.

AGROLINK

ECONOMIA

Dólar cai ao menor valor desde abril de 2024 com cessar-fogo entre EUA e Irã

O dólar fechou a quinta-feira em baixa ante o real, no menor valor desde abril de 2024, novamente impactado pelo acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, com a moeda norte-americana também registrando queda ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,80%, aos R$5,0626, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,77%. Às 17h05, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,71% na B3, aos R$5,0860. Na quarta-feira, o dólar já havia exibido quedas firmes ante o real, em meio à euforia dos investidores com o acordo entre EUA e Irã. Nesta quinta-feira, porém, as dúvidas sobre a aplicação do cessar-fogo e a normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz contiveram o otimismo. O tráfego por Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal, enquanto Teerã reafirmou seu controle sobre a área, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais. Já Israel lançou novos ataques contra alvos no Líbano, enquanto em outra frente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu instruções para que o país inicie negociações de paz que incluiriam o desarmamento do Hezbollah. Mesmo em um ambiente de incerteza geopolítica e petróleo elevado (próximo de US$100), que em tese sustentariam o dólar, o mercado operou na direção oposta, refletindo desmonte de posições defensivas”, comentou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “No Brasil, o movimento foi amplificado por fluxo estrangeiro consistente, direcionado à renda fixa e à bolsa, sustentado pelo elevado diferencial de juros mesmo diante da possibilidade de corte (da Selic) pelo Copom”, acrescentou. Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, houve uma “coerência interna” no movimento do câmbio na quinta-feira no Brasil, “com bolsa subindo e dólar caindo”. No exterior, às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,24%, a 98,829.

REUTERS

Ibovespa fecha acima de 195 mil pontos pela 1ª vez com trégua em aversão a risco global

O Ibovespa avançou 1,5% na quinta-feira, fechando acima dos 195 mil pontos pela primeira vez na sua história, endossado pela relativa trégua na aversão a risco no cenário internacional, mesmo com a visão de um cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,52%, a 195.129,25 pontos, após marcar 195.513,91 na máxima e 192.206,22 na mínima. O volume financeiro no pregão somou R$37,2 bilhões. No mercado externo, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 1,23%, a US$95,92, arrefecendo ante as máximas do dia, após tombo de mais de 13% na véspera. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,62%. “Há ainda muita tensão envolvendo a situação no Oriente Médio, mas hoje o mundo está um pouco mais calmo”, afirmou o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, acrescentando que o cenário mais negativo sinalizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não se confirmou. Além disso, destacou, segue o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras. A bolsa paulista tem apresentado uma certa resiliência desde o começo da guerra no final de fevereiro. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril, com saldo positivo de R$1,6 bilhão até o dia 6. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o anúncio sobre o cessar-fogo abriu espaço para uma recuperação nos mercados, bem como um alívio de volatilidade, mesmo que ainda existam alguns riscos, com recursos militares de prontidão no Oriente Médio. Mas, acrescentou, a perspectiva de um fim para a guerra “trouxe a calmaria que o Ibovespa precisava para continuar batendo máximas históricas”.

REUTERS

Poupança registra saída de R$ 11,118 bilhões em março

No primeiro trimestre, houve saída líquida de R$ 41,246 bilhões

Os saques em caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 11,118 bilhões em março, como divulgado na quinta-feira pelo Banco Central (BC). Em fevereiro, a captação líquida – diferença entre entradas e saídas – foi negativa em R$ 6,616 bilhões. No terceiro mês de 2026, os brasileiros depositaram R$ 369,594 bilhões e sacaram R$ 380,712 bilhões da poupança. O rendimento no período foi de R$ 6,263 bilhões e o saldo da caderneta ficou em R$ 999,787 bilhões. Em março de 2025, a modalidade teve saída líquida de R$ 11,459 bilhões. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou saída líquida em março de R$ 9,089 bilhões enquanto a poupança rural teve saída de R$ 2,029 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, a poupança registrou saída líquida de R$ 41,246 bilhões. No mesmo período do ano anterior, a saída havia sido de R$ 45,692 bilhões. Em 2025 como um todo, a saída líquida foi de R$ 85,568 bilhões.

VALOR ECONÔMICO

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