Informativo Sindileite 106 02.04.2026

Ano 1 | nº 106 | 02 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Paraná: preço do leite sobe no varejo em março

Leite sobe e reduz variação anual

O preço do leite registrou alta no varejo em março, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural do Paraná, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. De acordo com o levantamento, “a pesquisa de preços no varejo, elaborada mensalmente pelo Deral, evidenciou forte alta no preço médio do leite em março, em especial do leite longa vida (+17%) e do leite em pó (+8,8%), diminuindo consideravelmente a variação entre os últimos 12 meses”. Segundo o boletim, o leite foi comercializado a R$ 4,52 no período analisado, valor que representa aumento de R$ 0,66 em relação ao registrado em fevereiro. O relatório aponta que “comercializado a R$ 4,52, com aumento de R$ 0,66 ante o registrado em fevereiro, o produto sofre com os custos crescentes na indústria, demanda estável e oferta reduzida”. Apesar da elevação observada no varejo, o repasse ao produtor ainda não acompanha o mesmo ritmo. Conforme o boletim, “ainda que o preço pago ao produtor não acompanhe a alta observada nas gôndolas dos supermercados (devido principalmente ao prazo de pagamento adotado pelas indústrias), é possível que no mês que se inicia esse cenário mude”. O documento também indica que uma eventual mudança nesse comportamento pode trazer algum alívio ao produtor rural. Segundo o Deral, isso poderia gerar impacto positivo ao pecuarista, que “em 2025 passou alguns períodos contando moedas”.

AGROLINK

Fábrica de laticínios é a nova exposição do Museu Parque Histórico de Carambeí/PR

O Museu Parque Histórico de Carambeí/PR abre ao público a exposição Fábrica de Laticínios, na Casa do Leite que fica no espaço expositivo da ala museológica Vila Histórica. A mostra retrata as inovações que transformaram a produção de leite.

O Museu Parque Histórico de Carambeí abre ao público a exposição Fábrica de Laticínios, na Casa do Leite que fica no espaço expositivo da ala museológica Vila Histórica. A mostra retrata as inovações que transformaram a produção de leite. Entre os avanços destacados estão a pasteurização e a refrigeração, técnicas que revolucionaram a indústria ao garantir maior segurança alimentar e prolongar a durabilidade dos produtos lácteos. Esses processos foram fundamentais para impulsionar o desenvolvimento e promover a integração da cadeia produtiva no país. O espaço expositivo apresenta a primeira fábrica de queijo e manteiga da região, contextualizando a transição da produção artesanal para a industrialização. O objetivo é oferecer ao visitante uma experiência educativa e histórica, mostrando como a chegada da tecnologia modificou práticas tradicionais e consolidou a indústria de laticínios no Brasil. O Museu Parque Histórico de Carambeí abre para visitas de terça a domingo, das 10h às 17h. Os grupos são atendidos após agendamento prévio por meio do WhatsApp, número (42) 9.8433-4639.

MINUTO RURAL

Cenário atual projeta aumento na remuneração do leite no Paraná, aponta Deral

Preço pago ao produtor ainda não acompanha a alta observada nas gôndolas dos supermercados, mas a perspectiva já é positiva. O Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela um cenário de ajustes no campo.

O destaque do período foi o setor leiteiro, que apresentou uma elevação de preços ao produto. No varejo, o leite longa vida subiu 17% e o leite em pó 8,8%, com o produto comercializado a uma média de R$ 4,52. Segundo o médico veterinário e analista do Deral Thiago De Marchi, o preço pago ao produtor ainda não acompanha a alta observada nas gôndolas dos supermercados, mas a perspectiva já é positiva. “O impacto não é imediato ao produtor por conta de prazos de pagamentos que seguem seus ritos nas indústrias. Mas a tendência é de que seja pago um valor maior pelo litro do leite entregue”, explica.

SEAB-PR/DERAL

EMPRESAS

Natville investe mais de R$700 milhões em fábricas no Nordeste

Em 2026, principal indústria de lácteos do Nordeste expande operações na região; faturamento da empresa em 2025 foi de R$ 1,3 bilhão.

A Natville, pertencente ao Laticínios Santa Maria Ltda, anunciou um plano de expansão industrial no Nordeste com investimentos superiores a R$ 700 milhões ao longo de 2026. A estratégia inclui a abertura de novas unidades em Alagoas e Bahia, com foco no aumento da capacidade de processamento e no fortalecimento da cadeia leiteira regional. Com sede em Nossa Senhora da Glória, no semiárido sergipano, a empresa encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,3 bilhão e projeta crescimento para cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026. Atualmente, a operação envolve mais de mil funcionários diretos e uma rede de aproximadamente 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos, considerando atividades nas propriedades rurais, comércio e serviços associados. A empresa mantém atuação concentrada no semiárido de Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco — regiões onde a pecuária leiteira representa uma das principais fontes de renda. A captação atual é de cerca de 1,1 milhão de litros de leite por dia, provenientes de mais de duas mil propriedades rurais. A expansão prevê: Entrada em operação de uma unidade em Jeremoabo (BA), adquirida em 2025 e atualmente em fase de adequação. Conclusão de uma nova planta em Batalha (AL). Ampliação da presença industrial nos estados já atendidos. Além da unidade principal em Nossa Senhora da Glória, a empresa já opera fábricas em Canindé de São Francisco (SE) e União dos Palmares (AL), incorporadas ao longo da última década. A meta da companhia é elevar o processamento para mais de 1,5 milhão de litros de leite por dia em até três anos, ampliando também a base de fornecedores para cerca de 2,5 mil produtores. Como parte da estratégia de verticalização, a empresa investe na construção de uma fábrica de ração em Nossa Senhora da Glória, com capacidade inicial de 500 toneladas por dia. A unidade deve utilizar milho produzido na própria região, reduzindo a dependência de insumos vindos de outras áreas do país. A iniciativa busca mitigar um dos principais gargalos da produção leiteira no semiárido: o custo e a disponibilidade de alimentação animal, especialmente em períodos de estiagem prolongada, quando a oferta de pastagem natural é reduzida. Atualmente, a empresa também opera uma rede com mais de dois mil tanques de resfriamento distribuídos nas propriedades fornecedoras, parte deles obtidos por meio de parcerias com programas públicos. Esses equipamentos são utilizados para conservação e padronização da qualidade do leite cru até o processamento industrial. Portfólio e posicionamento de mercado. A indústria processa o leite captado em uma linha diversificada de produtos, incluindo leite UHT, leite em pó, bebidas lácteas, manteiga, queijos, requeijão, creme de leite e derivados do soro. De acordo com levantamento da SuperVarejo, divulgado em 2025, a marca apresentou destaque no varejo nordestino em categorias como leite UHT, requeijão cremoso e manteiga, além de posicionamento relevante no ranking nacional desta última categoria. Fundada em 1996, a empresa iniciou suas atividades com processamento diário de aproximadamente 1,2 mil litros de leite. Desde então, expandiu sua operação industrial e rede de fornecedores, consolidando presença em diferentes estados do Nordeste.

Imprensa Natville

ECONOMIA

Dólar cai ao nível pré-guerra com expectativa de acordo entre EUA e Irã

O dólar fechou a quarta-feira em baixa no Brasil, voltando a ser cotado em nível visto antes do início da guerra no Oriente Médio, em meio ao otimismo dos investidores de que Estados Unidos e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.

O dólar à vista fechou em queda de 0,39%, aos R$5,1588, em patamar equivalente ao registrado na última semana de fevereiro, antes da guerra, quando variou entre R$5,1247 e R$5,1693. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,02%. Às 17h19, o dólar futuro para maio — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,47% na B3, aos R$5,1850. Na quarta-feira, Trump afirmou à Reuters que o país encerrará a guerra contra o Irã em breve e que poderá retornar para “ataques pontuais”, se necessário. Em uma publicação na sua rede Truth Social, ele também afirmou que o novo líder do Irã pediu um cessar-fogo. Os comentários de Trump, que na noite desta quarta-feira fará um pronunciamento à nação sobre a guerra, animaram investidores ao redor do mundo, ainda que o Irã tenha voltado a rebater o norte-americano, afirmando que é falsa e sem fundamento a alegação de que Teerã solicitou um cessar-fogo. Ainda que o cenário siga nebuloso, investidores se apegaram à possibilidade de fim da guerra e, em especial, de reabertura do Estreito de Ormuz ao transporte, o que fez o barril do petróleo tipo Brent ceder para perto dos US$101. Nos mercados de moedas, o otimismo se traduziu na queda do dólar ante as divisas de países emergentes, incluindo o real, o peso chileno e o peso mexicano. “Dólar e juros futuros caem aqui muito por conta de fatores externos, principalmente, ligados à busca de Donald Trump por um acordo de que dê fim ao conflito com o Irã, aumentando o apetite ao risco e um movimento de saída de ativos de proteção”, resumiu à tarde o economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, Bruno Perri, em comentário escrito. No exterior, o dólar seguia enfraquecido neste fim de tarde. Às 17h16, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,13%, a 99,598.

REUTERS

Ibovespa encerra com leve alta com guerra no Irã no radar Índice chegou a superar os 189 mil pontos pela manhã, alcançando o patamar pré-conflito, mas perdeu força ao longo da sessão

Depois de tocar os 189 mil pontos pela manhã, na máxima do dia, se aproximando do patamar visto antes do período pré-guerra, o Ibovespa se afastou das máximas durante o pregão e encerrou em alta de 0,26%, aos 187.953 pontos, em uma sessão em que a queda das ações da também ajudou a limitar os ganhos do índice. O dia começou com a bolsa local refletindo o forte alívio visto no exterior, em virtude da declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o conflito no Oriente Médio pode terminar em duas a três semanas, mesmo sem um acordo com Teerã. A fala ocorreu um dia antes do pronunciamento do republicano, que será feito hoje às 22h (de Brasília) com o objetivo de atualizar o cenário do embate. Durante a tarde, porém, os ativos de risco perderam fôlego em meio a relatos sobre o conteúdo do discurso de Trump e à carta apresentada pelo governo iraniano à população americana. No documento, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o povo iraniano não nutre inimizade com os Estados Unidos, Europa e os países vizinhos, e que o país “não é ameaça”. As notícias, no entanto, ajudaram a elevar a volatilidade de ações mais líquidas, que acabaram devolvendo parte dos ganhos perto do fim da sessão. Ainda que o Ibovespa tenha mostrado resiliência em março e se aproximado dos níveis pré-guerra na sessão de hoje, a visão de que o Brasil se provou um bom refúgio em um momento de maior aversão a risco precisa ser analisada com cautela, segundo o gestor de renda variável da AZ Quest, Welliam Wang. “Quando você olha para o Ibovespa, parece que o Brasil foi um refúgio, mas é perigoso dizer isso quando olhamos para empresas domésticas. O índice de small caps fechou bem negativo”, diz. “É uma história de duas partes: por um lado, empresas de petróleo se beneficiaram do aumento do preço da commodity; por outro, empresas domésticas tiveram desempenho bem negativo”, acrescenta. A título de comparação, no acumulado de março, o Ibovespa cedeu apenas 0,70%, enquanto o índice de small caps da B3 recuou 5,77%. Wang justifica que ações cíclicas domésticas tendem a sofrer mais com o aumento das pressões inflacionárias, o que leva a juros mais altos e a um menor crescimento. Nos cálculos da casa, o desempenho do Ibovespa em março foi beneficiado pelo setor de óleo e gás: segundo a gestora, as ações preferenciais e ordinárias da contribuíram com uma alta de 2,66% para o Ibovespa no mês passado. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 26,9 bilhões e de R$ 37,4 bilhões na B3.

VALOR ECONÔMICO

Indústria do Brasil sente impacto da guerra com alta nos insumos, mostra PMI

A atividade da indústria do Brasil sentiu em março o impacto da guerra no Oriente Médio, com a inflação dos custos dos insumos atingindo o nível mais alto em 18 meses, embora a recuperação das exportações tenha ajudado a atenuar o ritmo de contração, de acordo com uma pesquisa do setor privado divulgada na quarta-feira (1°).

O PMI (índice de gerentes de compras) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 49 em março, contra 47,3 em fevereiro. Esse foi o 11º mês seguido em que o setor registrou contração, com o índice abaixo da marca de 50, mas o ritmo da queda foi o menor desde maio do ano passado. A intensificação das pressões sobre os custos no mês foi associada pelos participantes da pesquisa à guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro, e à alta dos preços internacionais do petróleo. “Justamente quando o Banco Central reduziu as taxas de juros pela primeira vez em quase dois anos, a alta nos preços internacionais do petróleo e a guerra em curso no Oriente Médio elevaram significativamente as pressões sobre os custos ao seu nível mais alto desde setembro de 2024”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. A produção do setor industrial brasileiro diminuiu em março, mas foi a queda menos acentuada desde outubro passado. Alguns participantes da pesquisa indicaram que os esforços de reposição de estoques impulsionaram o crescimento em suas unidades. Os novos pedidos diminuíram no mês, enquanto os empregos em fábricas aumentaram pelo segundo mês consecutivo.

Reuters

Preços terão alta de 6,2% em média com redução da jornada de trabalho para 40h, diz CNI

Entidade simulou impactos na economia em cenário em que redução das horas trabalhadas seria compensada pela contratação de novos empregados. Governo defende projeto de lei e redução da jornada para 40h, enquanto Câmara se debruça sobre PEC que acaba com 6×1 e reduz jornada para 36h semanais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou na quarta-feira, 1º, que os preços aos consumidores podem ter alta de 6,2% em média caso a jornada de trabalho seja reduzida de 44 para 40 horas semanais. As compras em supermercados poderiam ficar 5,7% mais caras, segundo a CNI, com os preços de produtos agropecuários subindo em torno de 4% e os de produtos industrializados podendo registrar alta de 6% em média. No caso de roupas e calçados, por exemplo, a alta de preços pode alcançar 6,6%. No setor de serviços, o reajuste pode alcançar 6,5%, afetando, por exemplo, preços de manicure, cabeleireiro e pintura residencial. A conta de internet poderia apresentar elevação ainda mais expressiva, de até 7,2%. A CNI fez uma simulação dos impactos na economia em um cenário em que a redução das horas trabalhadas com o limite semanal seria compensada pela contratação de novos empregados. “A projeção estima que as horas trabalhadas não serão integralmente recompostas, ao mesmo tempo em que o custo da hora trabalhada aumentará, gerando elevação de preços ao longo de toda a cadeia produtiva”, explica a entidade. Para a indústria, é esse o setor que será o mais atingido com uma redução de jornada e trabalho para 40 horas, com uma possível queda de 4,34% das horas trabalhadas. Na sequência, aparecem o comércio, com redução de 4,03%; serviços (-2,44%). “A consequência da elevação do custo do trabalho será o aumento generalizado dos preços da economia e afetará a vida de todos os brasileiros. As empresas não enfrentarão apenas o aumento do custo direto com mão de obra, mas os insumos também deverão ter seus preços reajustados”, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade defende que o debate no Legislativo precisa ser feito “de forma mais aprofundada”, só depois das eleições para evitar interferências eleitorais na análise. “A discussão da escala 6×1 é legítima e necessária, mas qualquer decisão dessa dimensão deve levar em conta a avaliação de impacto e seus efeitos econômicos. A produtividade no Brasil ainda está muito aquém de países semelhantes e há escassez de mão de obra. Por isso, ainda não é hora de reduzir a escala”, diz o presidente da CNI.

O ESTADO DE SÃO PAULO

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