Ano 1 | nº 105 | 01 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite ao produtor sobe mais de 5% em fevereiro
O preço, contudo, ainda está 25,45% abaixo do registrado em fevereiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/26).
O preço do leite pago ao produtor registrou a segunda alta consecutiva em fevereiro/26. A pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que a “Média Brasil” do leite ao produtor subiu 5,43% no mês e fechou a R$ 2,1464/litro. O preço, contudo, ainda está 25,45% abaixo do registrado em fevereiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/26). O movimento de alta ganhou força devido ao aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, num contexto de diminuição de oferta. De janeiro para fevereiro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,6% na Média Brasil, influenciado pelos resultados no Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Essa diminuição na captação é explicada pela combinação de dois fatores: de um lado, pela sazonalidade – já que o clima nesta época do ano tende a influenciar negativamente a oferta de pastagem e elevar o custo com a nutrição animal; e, de outro, pela maior cautela de investimentos na atividade – resultado das consecutivas quedas no preço do leite ao longo de 2025 e do estreitamento da margem dos produtores. Vale ressaltar que a pesquisa do Cepea aponta que, em fevereiro/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,32% na “Média Brasil”. Por outro lado, com a queda no preço do milho e a recente valorização do leite, a relação de troca ficou mais vantajosa para o produtor neste início de ano. Se em janeiro, o mercado de derivados ainda não conseguia reagir, em fevereiro, o cenário mudou. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que a redução da oferta de matéria-prima e o fortalecimento da demanda possibilitaram uma reação nos preços do leite UHT e do queijo muçarela, ambos negociados no atacado paulista. A tendência é de que esse movimento de recuperação se intensifique ao longo de março – reforçando a perspectiva de que a valorização do leite cru persista no campo.
CEPEA/ESALQ
RABOBANK: Mercado de leite deve se recuperar em 2026 com melhora da demanda e ajuste na oferta
Relatório aponta alta nos preços ao produtor no primeiro semestre de 2026, com oferta mais ajustada e retomada gradual da demanda
O Rabobank divulgou a nova edição do relatório trimestral AgroInfo Q1 2026, trazendo uma análise abrangente sobre o cenário do agronegócio. Entre os destaques, o banco apresenta uma perspectiva mais positiva para o mercado de leite no Brasil ao longo do primeiro semestre deste ano. Segundo o relatório, os preços do leite pagos ao produtor, assim como os derivados, devem manter uma trajetória de recuperação nos próximos meses. Esse movimento é sustentado principalmente pela desaceleração da oferta e por uma retomada gradual da demanda. Após um período de maior disponibilidade de produto no mercado, a redução no ritmo de produção contribui para um cenário de maior equilíbrio, favorecendo a sustentação dos preços no campo. O estudo indica que o ajuste entre oferta e demanda será determinante para o comportamento do mercado lácteo em 2026. Com a produção mais controlada e o consumo apresentando sinais de recuperação, o setor tende a operar em um ambiente mais favorável ao produtor. Ainda assim, o ritmo dessa recuperação dependerá da consistência da demanda interna ao longo do ano. O relatório aponta que, até o momento, os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o setor de leite permanecem limitados, especialmente quando comparados a outras cadeias do agronegócio mais dependentes de insumos importados e energia. Apesar da perspectiva de recuperação, o Rabobank ressalta que o mercado deve seguir atento a fatores que podem influenciar o desempenho ao longo de 2026, como: Custos de produção, especialmente relacionados a insumos e energia; Evolução da demanda interna; Impactos indiretos do cenário macroeconômico e geopolítico. De forma geral, o setor lácteo inicia 2026 com uma visão mais otimista em relação ao ano anterior. No entanto, o ambiente ainda exige cautela, diante das incertezas globais e dos desafios internos. A continuidade da recuperação dependerá da manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda, além da estabilidade dos custos ao longo do ano.
Portal do Agronegócio
No Paraná, Mapa realiza reunião para alinhar ações de fortalecimento da cadeia do leite no estado
Foram discutidos temas estratégicos como a execução do programa Mais Leite Saudável, a realização de um evento conjunto para destacar a importância da iniciativa, além de aspectos relacionados a uma visita do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) à uma cooperativa local.
A Superintendência de Agricultura e Pecuária no Paraná realizou, na última quinta-feira, 26 de março, uma reunião com representantes da Cativa Cooperativa Agroindustrial de Londrina, voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite no estado. O encontro foi conduzido pelo superintendente Almir Antonio Gnoatto. Durante o encontro, foram discutidos temas estratégicos, como a execução do programa Mais Leite Saudável, a realização de um evento conjunto para destacar a importância da iniciativa, além de aspectos relacionados a uma visita do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) à cooperativa. Também estiveram na pauta a situação sanitária das propriedades rurais e a formação e capacitação dos cooperados, com possibilidade de apoio técnico do Mapa. Na avaliação do superintendente, a aproximação entre o setor público e as cooperativas é fundamental para o avanço da atividade leiteira. “A atuação conjunta entre o Mapa e os produtores, por meio das cooperativas, fortalece toda a cadeia produtiva do leite. A Superintendência está à disposição para apoiar iniciativas que promovam a qualidade, a sanidade e a competitividade da produção. O Paraná ocupa posição de destaque, sendo o segundo maior produtor de leite do Brasil, e esse diálogo permanente é essencial para manter e ampliar esse protagonismo”, destacou. A reunião também demonstra o alinhamento entre as instituições para o fortalecimento da cadeia leiteira no Paraná, com ênfase na qualificação da produção, no cumprimento dos requisitos sanitários e no apoio ao setor.
MAPA
Produção das 100 maiores fazendas de leite avança e sinaliza concentração
Em 2025, elas comercializaram 1,29 bilhão de litros, 8% de alta, mostra o levantamento Top 100; volume representa quase 5% do total captado formalmente. Média de produção diária de cada uma dessas 100 fazendas, as maiores de leite no Brasil, foi de 35.392 litros em 2025
Num universo estimado de mais de 200 mil produtores de leite no Brasil existem 100 que produzem diariamente cerca de 3,5 milhões de litros, quase 5% de todo o leite captado formalmente por dia no país. A média de produção diária de cada uma dessas 100 fazendas, as maiores de leite no Brasil, foi de 35.392 litros em 2025, uma alta de 8,72% sobre o ano anterior. Esses achados fazem parte do Levantamento Top 100, do Milkpoint em parceria com a Abraleite. A pesquisa é feita desde 2001. Naquele ano, a produção média das propriedades do Top 100 era de 6.544 litros por dia, ou seja, nesse intervalo houve um aumento de 443% na produção. Em 2001, os Top 100 representavam 1,81% da produção formal no Brasil. No total, esses 100 maiores produtores do país comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite no ano passado, 8% mais que no levantamento anterior, num ano em que a produção brasileira formal alcançou 27,5 bilhões de litros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que sustenta o crescimento da produção dessas gigantes do leite é o investimento em tecnologias para ampliar a produção, as melhorias na gestão das operações e o conhecimento da atividade. “Esses produtores aprenderam a produzir leite com escala, e o confinamento ajudou muito nesse processo. Eles contam com um pacote tecnológico disponível robusto, com análise de dados, software de gerenciamento de rebanho, o que permitiu ganhos de gestão. Tudo isso faz parte da agenda desses produtores”, diz Marcelo Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures. O pagamento, pelos laticínios, de bônus por volume de leite entregue pelos produtores também estimula o investimento em escala, acrescenta o especialista. Carvalho destaca que a produção cresce ano após ano entre as 100 maiores independentemente da situação de mercado. A explicação é que a pecuária de leite nesse grupo seleto é um projeto de longo prazo. “Leite, nesse nível [de produção], é atividade que envolve investimento elevado. O produtor não vai deixar de investir porque o preço está em queda”, afirma. Outro fator que tem garantido a melhora no desempenho dessas fazendas de leite, segundo Carvalho, é a adoção de práticas sustentáveis na produção. “Todo ano, as fazendas têm incorporado mais práticas. Isso tem ligação muito clara com o resultado do negócio porque essas práticas melhoram ou reduzem custos ou melhoram a produtividade agrícola”, observa. Entre essas práticas ele cita o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de esterco dos animais para fertilização. Além disso, várias fazendas têm produzido biogás a partir de resíduos. Pela primeira vez, fazendas que fazem parte do levantamento tiveram produção média diária acima de 100 mil litros de leite. A Fazenda São José, de Tapiratiba (SP) que estava na terceira posição no levantamento anterior e voltou ao topo do ranking, produziu uma média de 102,5 mil litros de leite por dia em 2025. A Colorado, de Araras (SP), que era a primeira e ficou em segundo lugar na última edição do Top 100, produziu 101,9 mil litros. O levantamento Top 100 mostrou que Minas Gerais, tradicional na produção de leite, permanece como o Estado com maior número de propriedades no ranking (39). Na sequência aparecem Paraná (23), e São Paulo, (12). Nos sistemas de produção das 100 maiores do ranking predominam modelos de confinamento, segundo a pesquisa. Das 100 listadas no ranking, 85 mantêm seus rebanhos em sistemas confinados, principalmente Free Stall e Compost Barn. No primeiro, as vacas ficam soltas em galpões e têm camas individuais. No Compost Barn, os animais ficam em espaço coberto para descanso, revestido com serragem e esterco compostado. A pesquisa também mostrou que a raça holandesa está presente em 82% das propriedades do levantamento. Em seguida aparecem Girolando (14%), Jersolanda/Kiwicross (3%) e Jersey (1%). O avanço da produção entre as maiores do setor é um dos indícios do processo de concentração na pecuária de leite do Brasil. E o desempenho de fazendas abaixo dessas 100 reforça esse quadro. “O Brasil é ainda muito heterogêneo. Estimamos que existam entre 200 mil e 240 mil produtores, a maioria de pequeno porte. Ano após ano, há queda no número de produtores”, afirma Marcelo Carvalho, do Milkpoint. Citando dados do levantamento “Quem produz o leite brasileiro”, da Milkpoint Ventures, ele observa que há entre 1.200 e 1.500 fazendas com produção superior a 5.000 litros/dia no Brasil. Essas fazendas, que representem uma fração pequena do total de criadores, já são responsáveis por cerca de um quarto do leite formal produzido no país, diz.
GLOBO RURAL
Conforto dos animais gera ganhos na pecuária leiteira
Pecuaristas investiram em melhorias nas instalações para os animais e investem no conforto dos animais e ao aumento do número de vacas produzindo
No último levantamento Top 100, a fazenda São José, de Tapiratiba (MG), voltou ao primeiro lugar no ranking. A propriedade, dona da marca Bela Vista, produziu 102,5 mil litros de leite por dia, em média, em 2025. Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor geral da fazenda, atribui o desempenho aos investimentos em instalações para melhorar o conforto dos animais e ao aumento do número de vacas produzindo. Com isso, a fazenda conseguiu elevar em 3 litros por animal/dia a média anual de produção. “São várias coisas feitas ao mesmo tempo que permitiram esse desempenho”, afirmaram ao Valor. Segundo ele, no ano passado, no pico do período de produção, a fazenda tinha 2.750 animais em lactação, com uma média de 40,5 litros por cabeça. Para este ano, a previsão é ter 2.850 vacas produzindo em setembro, e alcançar, na média anual, uma produção de 106 mil litros de leite por dia. Medidas como o aumento do número de banhos dos animais são citadas pelo pecuarista como as que melhoraram o conforto, evitando estresse térmico e permitindo maior produtividade. “Normalmente, os animais tomam três banhos, um a cada ordenha. Fizemos salas de banho acessórias, em que o animal toma ainda um banho pós ordenha e depois um banho entre uma ordenha e outra durante o período do dia”, contou. O pecuarista Paulo Cau ainda está distante da Fazenda São José no levantamento Top 100, mas se destacou por subir 35 posições no ranking, alcançando o 61° lugar. Ele adquiriu sua fazenda em São José da Barra (MG), em 2022, atraído pela genética “excelente” dos animais de raça Holandesa PO. O primeiro passo foi ampliar esse rebanho, de 380 vacas, para 410 em 2023, chegando a 650 em 2025. A meta para 2026 é chegar a 800 vacas com produção média entre 36 mil e 38 mil litros por dia. No ano passado, a produção média ficou em 25,4 mil litros por dia. Com ajuda da filha engenheira agrônoma, Júlia de Paula Cau, em dois anos, ele dobrou a produção da fazenda com o investimento principalmente na alimentação e no bem-estar dos animais. “Nós saímos de 22 litros por vaca em 2022, fechamos 2023 com 30,7 litros por cabeça e fechamos a 2024 com 35,4 litro por cabeça e 2025 com 39,1 litros”, afirmou. Outro investimento que permitiu a melhora no desempenho foi na estrutura de confinamento dos animais, com um galpão maior e sistema de ventilação cruzada que garante temperaturas entre 18ºC e 26ºC numa região onde a média é de 34ºC no verão. Entre as 10 maiores do ranking, um dos destaques foi a fazenda Cobiça, de Três Corações (MG), que subiu três posições para o quinto lugar. A propriedade já vinha numa trajetória ascendente na produção de leite, mas as boas condições do mercado no último ano e a queda nos custos, sobretudo grãos, contribuíram para catalisar esse processo, segundo Marcelo Branquinho Pereira, sócio-diretor da Cobiça. Há cinco anos investindo na propriedade, ele revela ter investido R$ 15 milhões só em 2025. “Estamos construindo uma ordenha nova e investindo também na agricultura, que é para produzir o alimento para os animais”, disse. A nova sala de ordenha terá capacidade de receber três mil animais comparada a uma capacidade atual de até 1,6 mil vacas. De olho no novo potencial, ele também tem aumentado seu rebanho. A meta é chegar à ordenha de 3,5 mil vacas este ano, com um crescimento de 15% na sua produção.
VALOR ECONÔMICO
NACIONAL
Ceará registra maior crescimento na produção de leite do Brasil em 10 anos
A produção de leite no Ceará registrou crescimento de 147,3% entre 2015 e 2024, saindo de 489,2 milhões de litros para 1,2 bilhão de litros no período. De acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, essa foi a maior variação percentual do Brasil no setor ao longo desses anos.
Segundo representantes da cadeia produtiva, o avanço é atribuído principalmente ao melhoramento genético do rebanho leiteiro cearense. A técnica tem contribuído para elevar de forma significativa a produtividade dos animais, tornando a atividade mais eficiente e competitiva no Estado. De acordo com o presidente do Sindlacticínios, José Antunes Mota, uma vaca com genética melhorada pode chegar a produzir até 50 litros de leite por dia, enquanto a média de um animal comum varia entre seis e oito litros diários. Ele afirma ainda que o Ceará já é referência nacional em produtividade leiteira, com média de 2 milhões de litros por dia. As regiões do Baixo e Médio Jaguaribe, além do Sertão Central, aparecem entre as principais produtoras de leite no Ceará. Entre os destaques está o município de Milhã, reconhecido oficialmente desde 2021 como a “Terra do Leite” do Estado, título instituído por lei aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo então governador Camilo Santana.
MAIS FM IGUATU
INTERNACIONAL
Como a proteína de soro de leite está redefinindo a economia global de laticínios
O que antes era considerado apenas um subproduto da fabricação de queijos, agora se tornou o motor central da rentabilidade na indústria de laticínios. Em 2026, o boom do whey protein está virando a economia do setor de cabeça para baixo, forçando processadores a priorizar o soro em detrimento do próprio queijo em suas estratégias de investimento.
Esse fenômeno é impulsionado por uma demanda sem precedentes, vinda não apenas de entusiastas do fitness, mas também de usuários de medicamentos GLP-1 (as famosas canetas emagrecedoras) que buscam aumentar a ingestão de proteínas. Os preços do soro de leite de alta qualidade atingiram níveis recordes, chegando a cerca de onze dólares por libra, um salto significativo em relação aos valores inferiores a quatro dólares registrados em 2023. Essa valorização contrasta com a volatilidade e os baixos preços enfrentados por outros produtos lácteos, como manteiga e queijo, cujos mercados sofreram com o excesso de produção global. Como resultado direto dessa mudança, muitas fábricas de queijo estão agora lucrando mais com o processamento do soro do que com o próprio queijo. Esse novo cenário econômico está gerando uma onda de investimentos globais bilionários em infraestrutura. Grandes empresas como Fonterra, FrieslandCampina e Tirlán anunciaram expansões significativas em suas capacidades de processamento de soro. Na Índia, a Amul está dobrando sua capacidade de produção de proteína, enquanto nos Estados Unidos estima-se que onze bilhões de dólares tenham sido destinados à construção ou ampliação de mais de cinquenta fábricas de laticínios até 2028. Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos potenciais decorrentes dessa expansão acelerada. Um dos principais desafios é a possibilidade de um excesso de oferta de queijo no mercado mundial, já que o aumento da produção de soro implica obrigatoriamente em uma maior fabricação de queijo. Além disso, surge a preocupação sobre a disponibilidade de leite cru para abastecer todas essas novas instalações, o que pode acirrar a concorrência entre os processadores e elevar os custos de matéria-prima. Paralelamente, outras inovações estão ajudando a sustentar a viabilidade das fazendas leiteiras, como a técnica de cruzamento de gado de corte com gado leiteiro, que gera bezerros mais valiosos para a indústria de carne. Essa diversificação de receitas, somada à alta do soro de leite, está criando uma transformação histórica na indústria de laticínios, movendo o setor de um período de margens apertadas para uma fase de rentabilidade potencial sustentada para produtores e processadores.
DAIRY REPORTER/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,20 com expectativa de desescalada da guerra
O dólar fechou a terça-feira em queda firme ante o real e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à expectativa de que a guerra no Oriente Médio possa desescalar.
O dólar à vista fechou em queda de 1,28%, aos R$5,1791. No acumulado de março — que coincide com o primeiro mês da guerra de EUA e Israel contra o Irã — o dólar subiu 0,87%. No primeiro trimestre do ano, a divisa dos EUA acumulou baixa de 5,65%. Às 17h22, o dólar futuro para maio — que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,46% na B3, aos R$5,2140. Na primeira metade do dia, os investidores operaram no Brasil em meio à disputa pela formação da Ptax do fim de março. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). No início da tarde, a Ptax fechou em R$5,2194 na venda. No exterior, os mercados foram novamente conduzidos pelo noticiário sobre a guerra. Na noite de segunda-feira, o Wall Street Journal havia informado que Trump disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado. Na terça-feira, relatos na imprensa indicaram que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, teria dito que o país estava pronto para encerrar a guerra. Embora o Irã tenha atacado durante o dia um petroleiro perto de Dubai e Trump tenha voltado a ameaçar o país, os investidores se apegaram à possibilidade de desescalada da guerra, o que se traduziu na venda do dólar em todo o mundo, incluindo no Brasil.
Reuters
Ibovespa fecha em alta, mas aversão a risco quebra série de ganhos mensais
O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% na terça-feira, superando os 187 mil pontos, mas ainda assim registrou o primeiro mês negativo desde meados do ano passado, contaminado pela aversão a risco global com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que ultrapassa quatro semanas
A performance positiva no pregão paulista no dia apoiou-se em noticiário sobre possível alívio no conflito no Oriente Médio, enquanto a cena corporativa brasileira destacou acordo para a Advent comprar participação na Natura, o que fez a ação da fabricante de cosméticos disparar. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,71%, a 187.461,84 pontos, tendo marcado 187.507,77 na máxima e 182.515,40 na mínima do dia. No mês, acumulou perda de 0,70%, mas ainda assegurou alta de 16,35% no primeiro trimestre. O volume financeiro no pregão desta terça-feira somava R$37,9 bilhões. No exterior, Wall Street também fechou com sinal positivo, com agentes financeiros ponderando reportagem do Wall Street Journal, de que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz ficasse praticamente fechado. Também repercutiram reportagens, incluindo da Bloomberg, de que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país estava pronto para encerrar a guerra, mas quer garantias. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, esses sinais de potencial arrefecimento no conflito animaram a bolsa, embora ainda exista muita cautela em relação ao cenário geopolítico. A sessão também foi marcada por novo ataque a um petroleiro no Oriente Médio e alerta do secretário de Defesa dos EUA sobre dias decisivos no conflito, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã também disse que atingirá empresas dos EUA na região a partir de 1º de abril, em retaliação a ataques contra o Irã. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, avançou 2,91%, mas o barril do petróleo sob o contrato Brent para maio também subiu — US$5,57, a US$118,35. Já o barril para junho caiu US$3,42, para US$103,97. “A guerra entre EUA, Israel e Irã transformou o conflito no Golfo em variável central do cenário global”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes, acrescentando que o conflito continua sendo fonte importante de incerteza e que as próximas semanas serão decisivas. Apesar da queda do Ibovespa e do clima de incertezas no mundo com a guerra, a bolsa paulista registrava saldo positivo de capital externo em março até o último dia 26 de quase R$7,9 bilhões, totalizando uma entrada líquida de estrangeiros R$49,6 bilhões no mercado secundário de ações brasileiro em 2026.
REUTERS
Dívida pública do Brasil sobe a 79,2% do PIB em fevereiro, maior patamar em mais de 4 anos
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB aumentou 0,5 ponto percentual em fevereiro, para 79,2%, maior patamar desde outubro de 2021, mostraram números do Banco Central na terça-feira.
No mês, o setor público registrou um resultado primário negativo de R$16,388 bilhões, abaixo do déficit de R$25 bilhões previsto por economistas em pesquisa da Reuters, e inferior ao déficit de R$18,973 bilhões registrado em fevereiro de 2025. A alta da dívida no mês refletiu a apropriação de juros, no valor de R$84,2 bilhões. No mês, o resultado nominal do governo, que inclui as despesas com juros, foi deficitário em R$100,589 bilhões. No acumulado em 12 meses até fevereiro, o saldo primário foi negativo em R$52,843 bilhões, o equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto.
REUTERS
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