Ano 1 | nº 104 | 31 de março de 2026
NOTÍCIAS
Nova fábrica de whey protein de R$ 800 milhões fica pronta em 2026, no Paraná
O Paraná está prestes a receber um dos maiores investimentos privados da indústria de nutrição do país: cerca de R$ 800 milhões. A nova fábrica de whey protein da Sooro Renner Nutrição, que está sendo construída em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado, deve começar a operar em 2026 com capacidade para transformar milhões de litros de soro de leite em ingredientes de alto valor agregado.
O empreendimento prevê um investimento de quase R$ 1 bilhão e promete impulsionar a economia regional, com geração estimada de 1.850 empregos. Desse total, 250 vagas serão diretas e cerca de 1.600 indiretas, envolvendo transporte, produção leiteira e serviços ligados à cadeia do agronegócio. Megaestrutura para processar milhões de litros de soro de leite Batizada de Projeto P3, a nova unidade industrial começou a sair do papel em março de 2025. A expectativa é de que a construção seja concluída no decorrer de 2026, quando a planta entrará em operação plena. Quando estiver funcionando, a fábrica terá capacidade para processar até 5 milhões de litros de soro de leite por dia, matéria-prima fundamental para a produção de suplementos proteicos e ingredientes utilizados pela indústria alimentícia. O complexo industrial ocupará uma área total de 203 mil metros quadrados, sendo 34 mil metros quadrados de área construída. Além disso, o projeto inclui 42 mil metros quadrados destinados à Estação de Tratamento de Efluentes e outros 39 mil metros quadrados de pavimentação interna. A operação será contínua, funcionando 24 horas por dia. A nova planta industrial terá como foco a produção de ingredientes de alto valor nutricional e tecnológico. Entre os principais produtos estão whey protein, lactose e insumos utilizados na fabricação de fórmulas infantis. Parte relevante dessa produção deve ser direcionada ao mercado internacional, ampliando a presença do Brasil no comércio global de derivados lácteos e fortalecendo o papel do Paraná como polo agroindustrial. O projeto também envolve uma ampla rede de fornecedores. Dezenas de laticínios parceiros e centenas de produtores de leite da região Sul participarão da cadeia produtiva, o que deve ampliar a demanda por matéria-prima e gerar impacto direto na renda do campo. Além da estrutura industrial, a unidade contará com sistema energético próprio, incluindo uma subestação dedicada. A geração de energia utilizará biomassa proveniente de cavaco de eucalipto, uma alternativa considerada mais sustentável para abastecer a operação. O planejamento do complexo também prevê áreas reservadas para futuras ampliações, permitindo que a fábrica aumente sua capacidade produtiva conforme o crescimento da demanda por ingredientes proteicos e suplementos alimentares.
GMC ON LINE
NACIONAL
Custos da produção de leite caem no RS
Ainda assim, a redução não foi suficiente para equilibrar as contas dos produtores. O custo de produção do leite no Rio Grande do Sul apresentou queda em fevereiro, refletindo um movimento de alívio nos principais insumos utilizados nas propriedades. Apesar disso, a redução não foi suficiente para equilibrar as contas dos produtores, diante da retração mais intensa nos preços pagos pelo produto.
Segundo dados divulgados pela Farsul, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC) registrou deflação de 2,7% no mês. O resultado foi influenciado principalmente pela redução nos preços de commodities estratégicas para a atividade. Entre os principais componentes do custo de produção, soja e milho tiveram recuos de 4,2% e 2,4%, respectivamente, impactando diretamente despesas com alimentação animal, como silagem e ração concentrada. Outros itens também contribuíram para o movimento de queda, como fertilizantes (-1,72%), combustíveis (-0,37%) e energia elétrica, que caiu 6,7% em função da sazonalidade típica do início do ano. No acumulado de 2024, o índice já apresenta retração de 4,49%, em linha com indicadores macroeconômicos como o IGP-DI, da FGV, sinalizando um processo mais amplo de descompressão inflacionária nos custos do agro. Apesar do cenário de custos mais baixos, a rentabilidade da atividade leiteira permanece comprometida. Isso porque os preços pagos ao produtor vêm recuando em ritmo mais acelerado do que os custos. Nos últimos 12 meses, enquanto o custo de produção caiu 7,7%, o valor recebido pelo produtor teve uma queda muito mais expressiva, de aproximadamente 20%. Esse descompasso tem reduzido as margens e aumentado a preocupação no setor.
AGROLINK
Conseleite/SC projeta valor de referência do leite a ser pago em abril/26
A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 27 de Março de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Fevereiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Março de 2026.
VALORES DE REFERÊNCIA DA MATÉRIA-PRIMA (LEITE)
| Matéria-prima | Valores finais Janeiro/26 | Valores finais Fevereiro/26 | Variação (Fevereiro – Janeiro) |
| (Leite entregue em Janeiro/26 a ser pago em Fevereiro/26) | (Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26) | R$/litro | |
| I – Leite acima do padrão – Maior valor de referência | 2,5332 | 2,6577 | 0,1245 |
| II – Leite Padrão – Preço de referência | 2,0595 | 2,1607 | 0,1012 |
| III – Leite abaixo do padrão – Menor valor de referência | 1,9069 | 2,0006 | 0,0937 |
| Matéria-prima | Valores finais Fevereiro/26 | Valores projetados Março/26 | Variação (Março – Fevereiro) |
| (Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26) | (Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26) | R$/litro | |
| I – Leite acima do padrão – Maior valor de referência | 2,6577 | 2,8598 | 0,2021 |
| II – Leite Padrão – Preço de referência | 2,1607 | 2,3250 | 0,1643 |
| III – Leite abaixo do padrão – Menor valor de referência | 2,0006 | 2,1528 | 0,1522 |
Períodos de apuração: Parcial Janeiro/2026: De 02/02/2026 a 01/03/2026. Parcial Março/2026: De 02/03/2026 a 22/03/2026. O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.
SISTEMA FAESC
EMPRESAS
YoPRO: da tendência à prateleira – a construção da marca pela Danone
Antes de se tornarem onipresentes em prateleiras e conversas sobre nutrição e bem-estar, produtos ricos em proteína já sinalizavam o alto potencial de impactar o comportamento do consumidor. Foi a leitura antecipada desses indícios que permitiu à Danone estruturar uma das iniciativas mais bem-sucedidas da categoria nos últimos anos: a construção da marca YoPRO
Antes de se tornarem onipresentes em prateleiras e conversas sobre nutrição e bem-estar, produtos ricos em proteína já sinalizavam o alto potencial de impactar o comportamento do consumidor. Foi a leitura antecipada desses indícios que permitiu à Danone estruturar uma das iniciativas mais bem-sucedidas da categoria nos últimos anos: a construção da marca YoPRO. Partindo de um trabalho estruturado de foresight (abordagem estratégica e sistemática para explorar, antecipar e moldar futuros possíveis), a companhia identificou, na primeira metade da década passada, mudanças relevantes na relação das pessoas com alimentação, performance física e saúde. O aumento da prática esportiva, a maior atenção aos macronutrientes e a busca contínua por evolução pessoal formaram a base de uma tendência que, à época, ainda estava concentrada em nichos. Esse diagnóstico levou a empresa a uma decisão estratégica central: em vez de adaptar rapidamente seu portfólio existente, era necessário criar uma marca com linguagem, proposta e experiência próprias, capazes de dialogar com uma nova cultura emergente. “Começamos a enxergar sinais fracos que depois virariam tendências e oportunidades de negócio”, explica Marcelo Bronze, vice-presidente de Marketing da Danone no Brasil, durante o CMO Summit 2026. No caso do YoPRO, a identificação precoce de um mercado em ascensão levou a empresa a uma decisão estratégica central: em vez de adaptar rapidamente o portfólio existente, era necessário criar uma nova marca, com linguagem, proposta e experiência próprias, capazes de dialogar com a cultura emergente, criando um asset expressivo (bens, direitos ou recursos tangíveis e intangíveis com valor monetário pertencentes a uma pessoa ou organização, capazes de gerar benefícios econômicos futuros, como dinheiro, imóveis, investimentos, marcas e estoques) o suficiente para ocupar um território simbólico em formação. Três vetores foram determinantes. O primeiro foi a explosão do universo fitness, com o Brasil se consolidando como um dos maiores mercados globais em número de academias. O segundo foi a mudança na percepção sobre alimentação, que deixou de ser vista apenas como fonte de energia e passou a ser entendida como ferramenta de saúde. O terceiro elemento foi comportamental: a busca constante por superação individual, que ampliou a relevância de nutrientes associados à performance. Ao contrário da lógica tradicional de bens de consumo, a estratégia inicial não foi de alcance massivo. A marca nasceu dentro de uma comunidade específica: praticantes de crossfit, considerados o núcleo mais engajado da tendência. Durante os primeiros anos, o trabalho foi focado em imersão, escuta ativa e cocriação com esse público. Esse processo incluiu desde testes diretos de produto até ajustes finos de portfólio baseados em hábitos reais de consumo. Um dos exemplos mais emblemáticos foi o desenvolvimento de sabores inspirados na rotina alimentar desses praticantes, evidenciando o nível de proximidade construído com a comunidade. A decisão de priorizar a relevância antes de escala se mostrou determinante. Ao conquistar credibilidade em um grupo altamente exigente, a marca criou um efeito de validação que facilitou sua expansão para públicos mais amplos. “Comunidade cria muita relevância antes de você escalar seu negócio”, destaca Bronze. A construção cultural foi tão essencial quanto a entrega funcional dos produtos. A Danone identificou fragilidades nos produtos existentes, especialmente em termos de conveniência e experiência de consumo. “Havia produtos eficientes do ponto de vista nutricional, mas com fricções claras na experiência de uso, desde transporte até preparo, o que abriu espaço para uma proposta mais simples e integrada à rotina”. A resposta foi desenvolver soluções que combinassem valor nutricional, praticidade e apelo sensorial. O resultado mais relevante dessa leitura foi a predominância do formato líquido no portfólio. Embora a expectativa inicial estivesse centrada em iogurtes, o mercado rapidamente sinalizou preferência por shakes prontos para consumo, mais alinhados à rotina dinâmica dos consumidores. Hoje, essa categoria representa a maior parte das vendas da marca. A estratégia foi complementada por uma abordagem agressiva de distribuição, com presença ampliada em diferentes pontos de contato. A lógica se baseou em ampliar a disponibilidade, não apenas garantindo a presença nos pontos de vendas, mas integrando a oferta à jornada do consumidor de forma quase inevitável, reforçando o caráter de produto de impulso. Além dos pilares estruturais, a consolidação de YoPRO também passou por uma construção narrativa contínua. Desde suas primeiras campanhas até ativações recentes, a marca manteve consistência na linguagem, no posicionamento e na proposta de valor. Essa coerência foi fundamental para transformar um comportamento — o consumo de proteína — em um elemento cultural associado à ideia de progresso pessoal. “Consistência constrói marca. Surfar hype dá fôlego de um dia. Construir consistência dá fôlego de décadas”, crava Bronze.
Mundo do Marketing/ MilkPoint
Piracanjuba Health & Nutrition lança Plura e amplia soluções para os primeiros anos de vida
A marca amplia sua atuação no segmento infantil com o lançamento de Plura, fórmula indicada para crianças de 1 a 3 anos, desenvolvida para complementar a alimentação na primeira infância quando a amamentação exclusiva não é possível.
Com o objetivo de fornecer soluções nutricionais tecnológicas que ofereçam segurança e responsabilidade, a Piracanjuba Health & Nutrition amplia sua atuação no segmento infantil com o lançamento de Plura, fórmula indicada para crianças de 1 a 3 anos, desenvolvida para complementar a alimentação na primeira infância quando a amamentação exclusiva não é possível. A iniciativa reforça a estratégia da Piracanjuba Health & Nutrition de atuar em um mercado em expansão, contribuindo para a qualificação e crescimento do segmento por meio de produtos formulados com base científica, alinhados às recomendações de saúde e às normas regulatórias vigentes. A novidade foi pensada para acompanhar as transformações nutricionais que ocorrem nos primeiros anos de vida, período marcado por mudanças intensas no desenvolvimento físico e cognitivo. A infância é uma fase de descobertas, aprendizados e necessidades muito específicas. Nosso objetivo é oferecer uma opção que acompanhe esse desenvolvimento com confiança e cuidado, sempre respeitando o papel fundamental do aleitamento materno e as orientações dos profissionais de saúde”, afirma a diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, Lisiane Campos. Indicada para crianças de 1 a 3 anos, Plura foi formulada para complementar a alimentação em uma fase caracterizada por intensa atividade, aprendizado e socialização. Sua composição reúne prebióticos, ômegas 3 e 6, além de vitaminas e minerais importantes para uma rotina alimentar equilibrada, acompanhando o ritmo acelerado típico desse período.
ABRAMARK/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar à vista encerra sessão em leve alta com cenário global no radar
Operadores entenderam que a menor percepção global de risco, apesar das incertezas, e os ajustes de fim de mês podem ter evitado uma piora mais forte do câmbio nesta sessão
O dólar à vista operou boa parte da sessão perto da estabilidade, encerrando o dia em leve alta, com o temor sobre embates geopolíticos no Oriente Médio ainda presente. Operadores entenderam que, apesar da incerteza externa e dos preços do petróleo mais elevados, não houve uma piora brusca na percepção de risco. Isso, ao lado de ajustes de fim de mês, pode ter protegido o câmbio de uma depreciação mais intensa. Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,2477, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,2240 e encostado na máxima de R$ 5,2668. Já o euro comercial recuou 0,39%, a R$ 6,0130. Perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,31%, aos 100,506 pontos. A moeda americana também avançava ante divisas emergentes, em alta de 0,10% ante o rand sul-africano e 0,29% contra o florim húngaro. Ao longo da segunda-feira, o dólar à vista oscilou entre leves altas e leves quedas, em um ambiente de incerteza global. Gestores e brokers ouvidos pela reportagem disseram que, mesmo com o ambiente dos conflitos indefinidos, a não indicação de uma escalada nas tensões pode ter evitado uma piora dos mercados. “Mas também estamos no fim de mês, então começa aquela disputa pela cotação entre comprados e vendidos em dólar”, diz um profissional de uma corretora. Houve menção ao fato de que a taxa do dólar casado, que vinha pressionada nos últimos dias, começou a aliviar, já na indicação da virada de mês. No fechamento, com o dólar casado negociado a 1,80 ponto, a taxa estava rodando 8,50%, abaixo dos 13% que alcançou na sexta-feira. O banco americano J.P.Morgan, em relatório sobre moedas feito por estrategistas, diz que a alta dos preços do petróleo é um fator positivo para as contas fiscais e para a conta corrente do Brasil, a menos que haja uma forte deterioração do crescimento global. “O alto carry e a posição do Brasil como exportador de petróleo mantiveram o real resiliente durante o aumento da aversão ao risco, mantendo o prêmio de risco eleitoral bastante baixo no momento”, diz o banco.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa fecha em alta com WEG em destaque
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, após duas quedas seguidas, com as ações da WEG entre os principais suportes, endossadas por “upgrade” do Morgan Stanley, assim como papéis de petrolíferas, em mais um dia de avanço do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,56%, a 182.569,92 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 184.414,18 pontos na máxima e marcando 181.559,49 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somava R$22,9 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Mercado eleva projeções de altas do IPCA de 2026 para 4,31% e de 2027 para 3,84%, aponta Focus
Mediana das projeções dos economistas e analistas para o crescimento do PIB neste ano foi ajustada de 1,84% para 1,85%
A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 4,17% para 4,31%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (30) com estimativas coletadas até a sexta-feira (27). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 3,80% para 3,84% e, para 2028, subiu de 3,52% para 3,57%. O IPCA 12 meses suavizado subiu de 4,07% para 4,10%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 12,50% em 2026, seguiu em 10,50% em 2027 pela 59ª semana e, para 2028, se manteve em 10% pela 10ª semana seguida. A mediana das projeções dos economistas do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 subiu de 1,84% para 1,85%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,80% pela 13ª semana, e, para 2028, seguiu em 2% pela 107ª semana seguida. A mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,40, segundo o relatório Focus. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana seguiu em R$ 5,45, e, para 2028, permaneceu em R$ 5,50 pela sétima semana seguida.
VALOR ECONÔMICO
Déficit primário do governo central recua 8,4% em fevereiro, para R$30 bilhões
O governo central registrou um déficit primário de R$30,046 bilhões em fevereiro, informou o Tesouro Nacional na segunda-feira, resultado ligeiramente melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao rombo do mesmo mês de 2025.
Esse foi o menor déficit primário para um mês de fevereiro desde 2022, quando o rombo foi de R$24,510 bilhões, conforme a série histórica do Tesouro. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$157,681 bilhões, um aumento real de 5,6% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$187,727 bilhões, alta de 3,1%. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$31,312 bilhões no mês. O crescimento real (descontada a inflação) da receita em fevereiro foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 4,1% nas receitas administradas pela Receita Federal (+R$5,5 bilhões) — com impacto de um aumento de 35,6% na arrecadação do IOF e de 8,1% na da Cofins — e pela alta de 5,6% na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social (+R$3,1 bilhões). No caso das despesas, o avanço real no mês passado deveu-se principalmente aos aumentos das despesas discricionárias (+R$5,4 bilhões), dos gastos com pessoal e encargos sociais (+R$2,2 bilhões) e dos benefícios previdenciários (+R$1,7 bilhão). No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o governo central registrou um superávit primário de R$56,854 bilhões, graças ao resultado positivo de janeiro. O saldo representa uma alta real de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Os déficits primários pressionam a dívida bruta brasileira, atualmente em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e que também sofre o impacto dos juros altos. Durante entrevista para apresentação dos dados do governo central, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, foi questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano, não ser tão grande quanto se esperava — o que afetaria negativamente a trajetória da dívida. Segundo ele, porém, em todos os cenários traçados pelo Tesouro a dívida “continua sustentável”. No boletim Focus divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim deste ano está em 12,50% — acima dos 12,00% de um mês atrás, antes da guerra.
Reuters
IGP-M sobe 0,52% em março com sinais de impacto da guerra contra o Irã no petróleo, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 0,52% em março depois de ter recuado 0,73% no mês anterior, com sinais de impacto da alta do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira.
O dado veio em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters e o índice passou a acumular em 12 meses deflação de 1,83%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, avançou 0,61% em março, depois de ter recuado 1,18% no mês anterior. “O IPA mantém-se sob forte influência da agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho, que ajudaram a impulsionar a aceleração do índice”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE. “O subgrupo Produtos Derivados do Petróleo no IPA-M apresentou inflexão relevante na margem, ao passar de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março … Esse movimento está associado à elevação da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, diante da intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, o que tem pressionado as cotações”, completou. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, avançou 0,30% em março, repetindo a taxa do mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir no período 0,36%, de uma alta de 0,34% em fevereiro.
Reuters
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