Ano 1 | nº 103 | 30 de março de 2026
NOTÍCIAS
CMN reduz juros para financiamentos de cooperativas voltados à bovinocultura
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, na quinta-feira (26/3), a redução da taxa de juros de 8% para 3% ao ano para financiamentos feitos por cooperativas da agricultura familiar no âmbito do Pronaf Mais Alimentos em operações destinadas à aquisição de sêmen e óvulos para melhoramento genético da pecuária bovina e embriões para melhoramento genético da pecuária de leite.
A taxa de juros de 3% ao ano já é aplicada aos financiamentos desses itens quando contratados diretamente pelos pequenos pecuaristas. Agora, a medida foi estendida para suas cooperativas. O CMN aprovou ainda o financiamento para aquisição de sêmen, óvulos e embriões para melhoramento genético, bem como os respectivos serviços associados de inseminação artificial e transferência de embriões, de forma isolada, no âmbito do RenovAgro. Atualmente, o financiamento desses itens pelo programa está limitado a 30% do valor do crédito de investimento.
GLOBO RURAL
FAEP: Cadeia do leite acompanha debate sobre propostas de redução da jornada de trabalho
As discussões sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista, incluindo a redução da jornada semanal, têm mobilizado diferentes setores da economia, entre eles a cadeia produtiva do leite.
Em março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária com considerações sobre propostas que envolvem alterações na escala de trabalho atualmente praticada. A entidade integra o Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), vinculado ao ministério. No documento, a CSLEI apresenta estimativas sobre possíveis impactos da redução da jornada de 44 para 36 horas semanais. Entre os pontos destacados, estão a necessidade de ampliação da força de trabalho e os efeitos nos custos operacionais, caso as mudanças sejam implementadas. A pecuária leiteira, segundo a entidade, possui características específicas de funcionamento, com atividades contínuas ao longo de todo o ano. A produção exige rotinas diárias, incluindo ordenhas realizadas em diferentes turnos, o que demanda organização constante da mão de obra. O setor também ressalta a importância de análises técnicas para avaliar os impactos das propostas em atividades com operações ininterruptas e produtos perecíveis, como o leite. Entidades representativas do agro, como o Sistema Faep, também têm acompanhado o tema e defendem a ampliação do debate com participação de diferentes segmentos produtivos. Estudos elaborados pela instituição indicam possíveis efeitos sobre custos e estrutura de trabalho no setor agropecuário. De acordo com levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, eventuais mudanças na jornada poderiam gerar impactos econômicos na Agropecuária paranaense, considerando a atual base de empregos e a massa salarial do setor. O tema segue em discussão em âmbito nacional e envolve diferentes perspectivas, incluindo aspectos trabalhistas, econômicos e produtivos. A expectativa das entidades é que o debate avance com base em estudos técnicos e diálogo entre os diversos agentes envolvidos.
Sistema Faep
Como o Paraná pretende multiplicar a renda no campo com queijos finos?
Estrutura do laboratório de queijos finos do Biopark integra capacitação técnica e inovação aplicadas à cadeia leiteira do Paraná
O governo do Paraná e o Biopark anunciaram um investimento de R$ 3,8 milhões para expandir a produção de queijos finos no estado. A iniciativa visa transformar a cadeia leiteira, trocando a venda de leite comum por produtos premiados que podem elevar o faturamento rural em até 380%. O objetivo é agregar valor à produção de leite. Em vez de vender o leite cru (in natura), que tem preço instável como qualquer outra mercadoria básica, o produtor passa a fabricar queijos maturados e gourmet. Isso permite transformar um volume de leite que renderia R$ 40 em um queijo que pode ser vendido por até R$ 400 o quilo, dependendo da qualidade e das premiações recebidas. O projeto é gratuito para o produtor e oferece suporte técnico completo. O Biopark, que é um parque tecnológico em Toledo, fornece os protocolos de fabricação e capacitação técnica, enquanto o Estado auxilia na orientação regulatória e no acesso ao crédito. Após o início da produção, o retorno financeiro costuma aparecer em um período que varia entre seis e 18 meses. O investimento na propriedade rural varia conforme a tecnologia e a escala desejada, ficando geralmente entre R$ 30 mil e R$ 150 mil. Esse dinheiro é usado principalmente para adequar as instalações e adquirir equipamentos específicos, como câmaras de maturação, que são essenciais para dar o sabor e a textura diferenciados aos queijos finos. As principais barreiras são a regularização sanitária, o investimento em equipamentos e a comercialização. Além de aprender a técnica de fabricação, o produtor precisa entender de gestão e marketing, criando uma marca própria e embalagens atraentes para conquistar um consumidor que busca produtos artesanais e de origem garantida.
GAZETA DO POVO
Paraná investe em queijos finos de até R$ 400 o quilo
Estrutura do laboratório de queijos finos do Biopark integra capacitação técnica e inovação aplicadas à cadeia leiteira do Paraná.
Em parceria com o parque tecnológico Biopark, localizado em Toledo (PR), o estado anunciou o investimento de R$ 3,8 milhões para expandir o Projeto Queijos Finos a quatro novas regiões, com a meta de consolidar o Paraná como referência nesse segmento. A lógica é simples: substituir a venda de leite in natura, sujeita à volatilidade das commodities, pela produção de queijos finos maturados, capazes de multiplicar o valor obtido por litro processado. Segundo o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark, Tiago Mendes, o impacto econômico tem potencial expressivo. “O mesmo volume de leite que gera um queijo tradicional vendido entre R$ 30 e R$ 40 o quilo pode ser transformado em queijos finos comercializados entre R$ 120 e R$ 150. Em casos premiados, já ultrapassamos R$ 400 por quilo. O potencial de aumento de receita pode chegar a até 380%”, afirma ele. A expansão representa a transição de um modelo baseado em volume para outro focado em qualidade, diferenciação e posicionamento de mercado. Mendes explica que os produtores podem multiplicar de três a cinco vezes o valor agregado por litro de leite, dependendo do portfólio e da estratégia de comercialização. “O retorno financeiro pode começar entre seis e 18 meses após o início da produção. Queijos de maturação curta aceleram o fluxo de caixa, enquanto os de maturação longa ampliam margem”, detalha. O investimento na propriedade varia entre R$ 30 mil e R$ 150 mil, conforme escala e tecnologia adotada. O projeto é gratuito e oferece suporte técnico, protocolos validados e orientação regulatória, além de auxiliar na busca por crédito. A expansão prevê capacitação técnica, transferência de tecnologia, suporte regulatório e construção das bases para certificações como Indicação Geográfica. Além da renda direta nas propriedades, a cadeia dos queijos finos pode impulsionar empregos em processamento, maturação, logística, comercialização e turismo rural. Empórios especializados, rotas gastronômicas e restaurantes passam a integrar esse ecossistema. A assessora estadual de Agroindústria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Karolline Marques da Silva, aponta que o perfil do pequeno produtor paranaense é compatível com o segmento de queijos finos. “Não é hipótese, é experiência. A produção tem mais a ver com qualidade do que com volume. O desafio é qualificação técnica e posicionamento de mercado”, afirma. Ela destaca três principais barreiras: regularização, finanças e comercialização. “Hoje a regularização é mais simples do que no passado, mas ainda há exigências sanitárias e custos de controle de qualidade. Também é preciso investir em câmaras de maturação e equipamentos. E o produtor precisa saber vender, ter marca e embalagem adequadas”. Apesar dos desafios, os resultados já observados são animadores. Segundo Karolline, há casos de aumento de renda entre 20% e 200% quando comparados à produção de queijo fresco. “A única maneira de viabilizar pequenas propriedades é com a agroindustrialização”, diz. O acompanhamento técnico envolve desde o manejo do rebanho até a regularização sanitária e acesso às capacitações do Biopark. “Cada instituição foca no que tem mais expertise. O produtor é quem sai ganhando”, resume. “A renda do queijo pode ser o divisor de águas entre abandonar ou permanecer na atividade. Quando o produtor percebe que consegue transformar o próprio leite em um produto valorizado, reconhecido e com mercado, ele não está apenas vendendo queijos finos — ele está garantindo futuro para a propriedade e para a próxima geração”, conclui.
GAZETA DO POVO
NACIONAL
Produtores de leite enfrentam queda no preço e aumento de custos no interior de SP
Neste ano, o valor por litro caiu mais de R$ 0,90 em comparação ao mesmo período em 2025, o que tem pressionado a renda no campo
Em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, a produção de leite sustenta a família do produtor Alex Menezes. Ele tem 27 vacas da raça Girolândia, sendo 17 em lactação que produzem, diariamente, 170 litros de leite. A produtividade só é possível por causa do investimento em um sistema de piquetes irrigados, que mantém o pasto em boas condições e garante alimentação de qualidade ao gado. Para continuar produzindo, no entanto, é preciso seguir investindo — e esse tem sido o principal desafio. Com os custos mais altos e o preço mais baixo, a saída encontrada por Alex tem sido vender alguns animais para não interromper os investimentos. Segundo ele, o custo de produção é de R$ 1,63 por litro, enquanto a venda é feita a R$ 1,80, diferença considerada insuficiente para manter melhorias na propriedade. Mesmo com o cenário desfavorável, a produção não parou. De acordo com o engenheiro agrônomo José Wanderley Quintero, que presta assistência técnica por meio do Senar, há pelo menos três anos os produtores enfrentam dificuldades para equilibrar custos e ganhos. Em 2026, a situação está ainda mais instável, influenciada também pelo aumento da importação de leite em pó. A produtora rural Cristina Hattori, de Ameliópolis, afirma que nunca viu preços tão baixos em 16 anos de trabalho. No ano passado, ela vendeu três animais para comprar insumos e manter os piquetes irrigados. Segundo especialistas, a venda de animais, como fizeram Cristina e Alex, é uma estratégia possível, mas exige atenção ao momento certo para não comprometer a produção.
G1 – SP
Dependência do leite amplia perdas da pecuária mineira em 2026
Projeções apontam queda de 21,9% no valor bruto de produção, num momento de maior concentração da atividade
A tendência de baixa nos preços do leite e um avanço mais moderado da produção esperada para 2026 devem impor perdas em torno de R$ 5 bilhões para o Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária como um todo em Minas Gerais, significando uma redução de 9,2% em relação ao ano passado. Na estimativa ainda preliminar do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a atividade deverá reduzir o valor de sua produção de R$ 55 bilhões no ano passado, o mais elevado da série, em termos reais, para R$ 50 bilhões ainda assim, o terceiro maior desde que o ministério iniciou o levantamento. Líder na produção de leite, respondendo por praticamente um quarto de todo o volume captado no país, o Estado deverá registrar queda de 21,9% no VBP da pecuária leiteira na passagem de 2025 para 2026, encolhendo de R$ 18,1 bilhões para algo ao redor de R$ 14,1 bilhões, quase R$ 3,9 bilhões a menos, correspondendo a 78% de toda a perda esperada para a pecuária em seu conjunto. Na contramão do setor pecuário, os criadores de bovinos deverão acumular uma receita bruta na faixa de R$ 19 bilhões neste ano, crescendo 5% em relação a 2025 e marcando o terceiro ano de resultados positivos. Os dados mais recentes do IBGE para o leite mostram elevação de 4,3% nos volumes industrializados nos primeiros nove meses de 2025, alcançando perto de 4,8 bilhões de litros, o que se compara com a alta de 11,06% registrada em todo o país. O setor leiteiro começou o ano assustado com o que aconteceu em 2025, comenta Natália Salaro Grigol, pesquisadora da área de leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Os preços desabaram 25,79% entre dezembro do ano passado e igual mês do ano anterior, deprimindo as margens. “Foi um ano ruim, mas não foi um dos piores. O problema foi que ninguém esperava o que aconteceu. A expectativa era de continuidade da rentabilidade positiva observada em 2024”, acrescenta ela. Até o fim de março do ano passado, os preços pagos ao produtor subiam quase 21% em relação ao mesmo período de 2024. Na sequência, no entanto, o mercado desmoronou, com os preços recebidos pelos produtores despencando quase 31% em Minas Gerais entre março e dezembro. “A produção cresceu, as importações não recuaram como se esperava e a demanda não absorveu todo o aumento da oferta”, resume Grigol. Um dado mais estrutural reforçou a tendência de baixa, mostrando, além disso, que o país teria perdido sua autossuficiência no abastecimento de leite. Na média dos dez anos encerrados em 2022, os volumes importados de produtos lácteos correspondiam a 5% da produção formal, relação que dobrou para 10% desde 2023, registra ainda a especialista. Nos últimos cinco anos, prossegue Grigol, registrou-se uma evolução mais intensa do pacote tecnológico aplicado à pecuária de leite, associada a um processo de reestruturação da base produtiva, “movimento bastante nítido em Minas Gerais, reforçando a heterogeneidade no setor leiteiro”. O estreitamento das margens tem provocado a saída de pequenos e mesmo de médios produtores da atividade, numa tendência que tem sido acompanhada por maior concentração e aumento da escala diária de produção, até como forma de reduzir custos unitários, com adoção de mais tecnologia, melhora na qualidade da nutrição e no manejo reprodutivo. Ela lembra que, mesmo com a queda de preços, a venda de sêmen para o setor de leite avançou no ano passado, com alta próxima de dois dígitos. Num acompanhamento realizado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), em parceria com o Cepea, as vendas de material genético para a pecuária leiteira haviam crescido 9,4% entre os primeiros nove meses de 2025 e idêntico período de 2024, atingindo 4,93 milhões de doses.
VALOR ECONÔMICO
Piá Cooperativa aprova processo de liquidação
Associados da Piá Cooperativa, do Rio Grande do Sul, aprovaram, nesta última quinta-feira (26/3), a liquidação da instituição, com a continuidade dos negócios. A decisão foi unânime, em Assembleia Geral Extraordinária.
Associados da Piá Cooperativa, do Rio Grande do Sul, aprovaram, nesta última quinta-feira (26/3), a liquidação da instituição, com a continuidade dos negócios. A decisão foi unânime, em Assembleia Geral Extraordinária. “Essa é uma medida legal e necessária para reorganizar a cooperativa em um momento desafiador. Conseguiremos criar condições mais seguras para renegociar dívidas, obtendo ampliação nos prazos, redução nas taxas de juros, descontos para poder reequilibrar a operação”, diz, em nota, Jorge Dinnebier, que presidia a cooperativa e foi nomeado seu liquidante. Com a decisão, o conselho de administração foi dissolvido, dando lugar a um Conselho Fiscal, que trabalhará em conjunto com o liquidante, que deve prestar contas aos associados a cada dois meses. E a expressão “em liquidação” passa a integrar a razão social da Piá. A cooperativa tem 20.066 associados e uma planta com capacidade para processar um milhão de litros por dia. Nas atuais condições, está bem abaixo desse volume. Em dificuldades financeiras, a cooperativa tem entre 35% e 40% das dívidas com o Banrisul, Sicredi e com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Outros 20% são taxas e impostos e o restante com demais credores. A liquidação tem um efeito semelhante ao de uma recuperação extrajudicial em empresas que não integram o sistema cooperativista. Prevista em lei, permite suspender ações judiciais, dando fôlego para se buscar a recuperação da cooperativa, mantendo suas operações em funcionamento. Jorge Dinnebier destacou que a intenção, posteriormente, é encontrar um parceiro que aporte capital na cooperativa, permitindo que a Piá se recupere não só financeiramente, como também volte a aumentar a produção. Ele revelou ainda já ter dez propostas na mesa. E que as ofertas têm diferentes modelos de negócio para avaliação. O pressuposto comum, explica, é que todos devem considerar uma movimentação mínima de 200 mil litros de leite por dia.
Globo Rural
ECONOMIA
Dólar tem leve baixa em meio a fluxo para o Brasil e esperança de acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou a sexta-feira com leve queda, abaixo da marca de R$5,25, em meio a relatos de fluxo de entrada de recursos no Brasil e à esperança de um acordo entre EUA e Irã sobre a guerra.
O dólar à vista fechou em queda de 0,35%, aos R$5,2392. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,38% e, no ano, recuo de 4,55%. Às 17h04, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,04% na B3, aos R$5,2420. A guerra que coloca EUA e Israel contra o Irã foi novamente o condutor dos negócios nos mercados globais. Pela manhã, os mercados reagiam à pausa de dez dias dos ataques dos Estados Unidos às usinas do Irã, anunciada na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O intervalo durará até 6 de abril. Apesar da pausa, o dólar sustentava ganhos ante boa parte das demais moedas, incluindo o real. Às 9h08, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,2805 (+0,44%). Entre o fim da manhã e o início da tarde, no entanto, os ativos brasileiros demonstraram alguma reação, com o Ibovespa virando para o positivo e o dólar para o negativo ante o real. Fonte ouvida pela Reuters afirmou que a resposta do Irã a uma proposta de paz dos EUA, destinada a pôr fim à guerra, era esperada ainda nesta sexta-feira, o que trouxe certo alívio para as moedas de países emergentes. No Brasil, conforme três profissionais ouvidos pela Reuters, a virada ocorreu em meio ao fluxo de entrada de recursos no país, inclusive para a bolsa de valores. “A combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No início do dia, o Banco Central informou que o país teve déficit em transações correntes de US$5,614 bilhões em fevereiro, acima do déficit de US$5,4 bilhões projetado por economistas consultados pela Reuters. Na outra ponta, o Brasil recebeu US$6,754 bilhões em investimentos diretos no país em fevereiro, abaixo dos US$7,6 bilhões projetados na pesquisa.
REUTERS
Ibovespa fecha em baixa, mas acumula ganho semanal
O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, mas acumulou ganho na semana, enquanto o mercado monitora os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que segue sem perspectiva de desfecho.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,82%, a 181.227,86 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 180.976,16 na mínima e 183.350,70 na máxima do dia. O volume financeiro somava R$22,9 bilhões antes dos ajustes finais. Na semana, o índice acumulou ganho de 2,84%.
REUTERS
Desemprego sobe para 5,8%no trimestre até fevereiro, mostra IBGE
No período, o país tinha 6,2 milhões de desempregados. Em fevereiro de 2025 estava em 6,8%
A taxa de desemprego no país subiu para 5,8% no trimestre móvel encerrado em fevereiro. O resultado ficou acima do verificado no trimestre anterior, encerrado em novembro (5,2%), e abaixo do resultado de igual período de 2025 (6,8%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de 5,8%, contudo, é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro de toda a série histórica. No trimestre até janeiro, a taxa foi de 5,4%. O menor nível de desemprego da série histórica da pesquisa foi registrado no quarto trimestre de 2025, de 5,1%. O resultado ficou acima da mediana das expectativas de 20 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma taxa de 5,7% no trimestre móvel encerrado em fevereiro. O intervalo das projeções ia de 5,5% a 5,8%. O início do ano é um período tradicionalmente mais difícil para o mercado de trabalho porque costuma ocorrer dispensa de trabalhadores contratados no fim do ano por causa das festas da época. No trimestre encerrado em fevereiro, o país tinha 6,2 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, mas não conseguiram encontrar. O número aponta aumento de 10,6% frente ao trimestre anterior, encerrado em novembro (mais 599 mil pessoas) e queda de 14,8% frente a igual período de 2025 (menos 1,085 milhão de pessoas). O resultado do trimestre encerrado em fevereiro engloba os meses de dezembro de 2025, janeiro e fevereiro de 2026. Nesse período, a população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) era de 102,1 milhões de pessoas. Isso representa um recuo de 0,84% em relação ao trimestre anterior (menos 874 mil pessoas ocupadas). Frente a igual trimestre de 2025, subiu 1,45% (1,5 milhão de pessoas). Já a força de trabalho – que soma pessoas ocupadas ou em busca de empregos com 14 anos ou mais de idade – estava em 108,4 milhões no trimestre móvel encerrado em fevereiro, 0,25% a menos do que no trimestre móvel anterior, encerrado em novembro (menos 280 mil pessoas), e 0,34% acima de igual período de 2025 (mais 370 mil pessoas).
VALOR ECONÔMICO
Confiança da indústria do Brasil tem leve alta em março, diz FGV
Setor está mais otimista e índice sobe, mas em menor proporção que nos três meses anteriores. Pesquisa da FGV mostrou subida de 96,7 pontos para 96,8 pontos
A confiança da indústria no Brasil apresentou ligeira alta em março diante da queda nas avaliações sobre o momento atual e perda de força nas expectativas para os próximos meses, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas) na sexta-feira (27). O ICI (Índice de Confiança da Indústria) teve avanço de 0,1 ponto na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados da FGV, chegando a 96,8 pontos, depois de três meses de altas mais intensas. “A estabilidade da confiança acende um alerta para os próximos meses diante de um cenário macroeconômico internacional de alta no preço do petróleo e um possível desarranjo na cadeia produtiva. Adicionalmente, o aumento da incerteza e a política monetária restritiva corroboram para o sentimento de cautela dos empresários nos próximos meses”, afirmou Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre. A guerra de EUA e Israel contra o Irã, prestes a completar um mês, fechou o estreito de Hormuz e elevou os preços do petróleo, provocando preocupações com a inflação e com as taxas de juros globais. O ISA (Índice de Situação Atual) do ICI, que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, recuou 0,2 ponto, a 97,2 pontos, segundo a FGV. “Nas avaliações sobre o momento atual dos negócios, observa-se alguma melhora na demanda interna, apesar dos ajustes nos estoques”, comentou Pacini. O IE (Índice de Expectativas), indicador da percepção sobre os próximos meses, teve ganho de 0,4 ponto, a 96,4 pontos. “Desde outubro passado, as expectativas para os próximos meses vêm se recuperando, mas apesar da alta, nota-se perda de força na evolução do índice”, completou Pacini.
FOLHA DE SP
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 99697 8868 (WhatsApp)