Informativo Sindileite 102 27.03.2026

Ano 1 | nº 102 | 27 de março de 2026

NOTÍCIAS

Conseleite/PR divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em abril/26

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 25 de março de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu regulamento, aprovou e divulgou os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em fevereiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de março de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de março de 2026 é de R$ 3,8313/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/

Conseleite/PR

Conseleite/RS indica leite projetado a R$ 2,2932 em março de 2026 no RS

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS) divulgou projeção de R$ 2,2932 para o valor de referência do leite em março de 2026 no Rio Grande do Sul, aumento de 9,38% em relação ao projetado de fevereiro (R$ 2,0966). Os números foram divulgados na manhã de quinta-feira (26/03), em reunião que ocorreu em formato virtual.

O Conseleite/RS também anunciou o valor consolidado em fevereiro de 2026 em R$ 2,1243, 4,22% acima do consolidado em janeiro de 2026 (R$ 2,0382). O cálculo é elaborado mensalmente pela UPF com dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês, e leva em conta parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do colegiado em 2023. O coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, apontou a melhoria do mercado e comemorou os dados divulgados. “A partir do indicador divulgado pelo Conseleite, o mercado aponta uma recuperação dos preços do setor lácteo. A projeção para março de 2026 representa um avanço importante em relação aos meses anteriores e sinaliza um movimento positivo para toda a cadeia produtiva. Esse resultado reflete não apenas uma melhora nas condições de mercado, mas também o trabalho técnico e transparente realizado pelo Conseleite, que busca traduzir, com base em dados concretos, a realidade do setor.” Segundo o vice coordenador, Darlan Palharini, o comportamento do mercado nos próximos meses será determinante para a consolidação dessa tendência. “É fundamental acompanharmos de perto a evolução do consumo e das exportações, além da própria oferta de leite. O equilíbrio entre esses fatores é o que vai sustentar preços mais firmes ao longo do tempo”, explicou.

Conseleite RS

Conseleite/MG divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em abril/26

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de março de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026. b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil células somáticas/mlmil ufc/ml
Maior Valor de Referência8.0004,203,8020020
Valor Médio de Referência5003,703,2540080
Valor Base de Referência1603,303,10400100
Menor Valor de Referência1603,002,90500300

VALORES DA MATÉRIA PRIMA POSTO PROPRIEDADE EM JANEIRO/26 E FEVEREIRO/26

MATÉRIA-PRIMAJANEIRO/2026FEVEREIRO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em Janeiro/26 a ser pago em Fevereiro/26 (R$/l)Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência2,75442,83120,07682,8%
Valor Médio de Referência2,34162,40690,06532,8%
Valor Base de Referência2,18612,24700,06102,8%
Menor Valor de Referência2,02412,08060,05652,8%

VALORES DA MATÉRIA PRIMA POSTO PROPRIEDADE EM FEV/26 E PROJETADOS PARA MAR/26

MATÉRIA-PRIMAFEVEREIRO/2026MARÇO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26 (R$/l)Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência2,83122,98600,15485,5%
Valor Médio de Referência2,40692,53840,13165,5%
Valor Base de Referência2,24702,36990,12285,5%
Menor Valor de Referência2,08062,19430,11375,5%

Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite MG

ProdutosJan/26 p/ Fev/26Fev/26 p/ Mar/26
Leite em Pó0,9%1,9%
Leite UHT6,5%12,5%
Mussarela3,4%8,6%
Leite Condensado0,5%3,0%
Demais Produtos2,5%4,8%
Valor de Referência2,8%5,5%

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são postos propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CONSELEITE/MG

EMPRESAS

Castrolanda aprova investimento de R$ 150 milhões em duas novas fábricas

Recursos serão aplicados na construção de uma planta de tortilhas e da Unidade de Dietas Bovinas, reivindicação dos produtores de leite. O investimento faz parte do pacote de R$ 500 milhões em 2026 anunciado pela Castrolanda em fevereiro

A cooperativa paranaense Castrolanda aprovou um investimento de R$ 150 milhões para a instalação de duas novas unidades industriais: a implantação de uma fábrica de tortilhas e a construção da Unidade de Dietas Bovinas (UDB). O aporte foi aprovado por unanimidade em Assembleia Geral Extraordinária realizada na quinta-feira (26/3). Segundo a cooperativa, o investimento é mais um passo na estratégia de crescimento e diversificação dos negócios. “As iniciativas reforçam o movimento da cooperativa em avançar na industrialização de forma a gerar valor para os seus cooperados e reforçar a saúde financeira da cooperativa. A decisão integra o planejamento estratégico da Castrolanda, que vem priorizando investimentos para crescer de forma sustentável”, informou em nota. Para o presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, a industrialização amplia a solidez da cooperativa e gera benefícios indiretos aos associados. “Não podemos depender apenas da produção primária. Precisamos agregar valor aos produtos, trazendo mais resultados para a cooperativa e, consequentemente, para o cooperado”, afirmou o executivo, em nota enviada à reportagem. A fábrica de tortilhas e a Unidade de Dietas Bovinas serão instaladas em uma área adquirida pela cooperativa em Castro (PR), próxima à unidade da Cargill, em uma região com acesso facilitado pela rodovia PR-090 na Estrada do Cerne – Contorno Norte. De acordo com a cooperativa, o local foi planejado para abrigar um novo complexo industrial da Castrolanda, com potencial para receber diferentes unidades produtivas no futuro. A escolha da área levou em conta fatores logísticos e o apoio do poder público municipal, que sinalizou incentivos à implantação do projeto. A Castrolanda informou, na nota, que os projetos estão em fase avançada de planejamento, com estudos de terraplanagem em andamento. Com a aprovação da assembleia, a expectativa é acelerar o cronograma e iniciar as obras ainda no primeiro semestre. A fábrica de tortilhas terá investimento de R$ 100 milhões. A decisão de apostar nesse segmento surgiu após análise de mercado que identificou oportunidades comerciais no ramo. Diferentemente de categorias já consolidadas, como a batata frita, o mercado de snacks à base de milho ainda é concentrado em poucos players, explicou o gerente executivo dos Negócios Batata, Cassiano de Oliveira Carrano. A construção da Unidade de Dietas Bovinas (UDB) terá aporte estimado de R$ 49,5 milhões e previsão de início de operação em 2027. “A iniciativa surge como resposta a uma demanda histórica dos pecuaristas de leite, que buscam maior eficiência e praticidade na alimentação do rebanho”, afirmou a cooperativa, na nota. Na unidade serão produzidas dietas balanceadas, formuladas com diferentes combinações de ingredientes e prontas para uso nas propriedades. Diego Van Helvoort Alves da Cruz, especialista de Estratégia e Projetos, disse que a proposta é simplificar o manejo nutricional e elevar a eficiência produtiva. “Com a UDB, teremos uma estrutura inovadora e adequada para utilizar maior número de ingredientes disponíveis no mercado e formular dietas específicas ampliando as possibilidades técnicas e produtivas”, explicou, em nota. O modelo é considerado inovador no mercado e permitirá maior aproveitamento das matérias-primas disponíveis, ampliando as possibilidades técnicas na formulação das dietas. “O sistema proporcionará maior uniformidade na dosagem dos ingredientes e, principalmente, mais precisão, resultando em menor desperdício. A UDB possibilitará dietas mais ricas, com maior diversidade de insumos e melhor aproveitamento pelos animais. Isso se reflete em aumento da produção de leite, redução da necessidade de mão de obra, economia de diesel e menor desgaste de máquinas. Além disso, há ganhos em agilidade no preparo das dietas, facilidade de armazenamento e aprimoramento no monitoramento e controle dos ingredientes”, destacou, no comunicado, o consultor de Negócios Leite da Castrolanda, Huibert Pieter Janssen. O diretor executivo da Castrolanda, Seung Lee, disse que os avanços na industrialização garantem maior estabilidade financeira, especialmente diante da volatilidade dos mercados agrícolas. “A indústria permite retornos mais consistentes e contribui para um crescimento mais sustentável. A evolução para modelos de negócios mais integrados e diversificados, capazes de gerar valor sustentável mesmo em cenários de instabilidade no setor agropecuário”, concluiu.

VALOR ECONÔMICO

Piracanjuba inaugurou no Paraná uma das maiores fábricas de queijo do Brasil

Nova unidade em São Jorge do Oeste fortalece a industrialização do leite, reforça o Paraná entre os líderes da produção nacional de lácteos. A fábrica, inaugurada na quinta-feira, 26 de março de 2026, nasce como uma das maiores do Brasil no segmento de queijos

A nova planta começa a operar com capacidade de processar 1,2 milhão de litros de leite por dia com foco na produção de queijos e manteiga, mas já tem previsão de expansão para itens de maior valor agregado, como lactose e concentrados proteicos. Esses insumos são usados em alimentos especiais, fórmulas infantis e na indústria farmacêutica. De acordo com o diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Piracanjuba, Marcelo Costa Martins, a fábrica é totalmente automatizada e equipada com tecnologia de ponta. Ele afirmou que a escolha do Sudoeste do Paraná levou em conta fatores estratégicos, como a força da bacia leiteira regional e a localização próxima aos principais mercados consumidores do Sul e Sudeste. Para a empresa, a expectativa é ampliar a geração de emprego e renda na região, além de reforçar o abastecimento de alimentos no mercado brasileiro.

Agência Estadual de Notícias (AEN)

Letti lança leite A2 com versão zero lactose no Brasil

Um novo produto da marca Letti começa a chegar ao mercado brasileiro combinando duas propostas voltadas ao conforto digestivo: o leite com proteína A2 e a versão sem lactose.

Produzido integralmente na fazenda, o leite A2 se diferencia por conter apenas a beta-caseína A2, em vez da A1, presente na maior parte dos leites convencionais. Estudos e relatos de consumidores indicam que essa característica pode estar associada a uma melhor digestibilidade em parte da população. Agora, o produto passa a contar também com a versão zero lactose, ampliando o público que busca alternativas ao leite tradicional — seja por sensibilidade à lactose ou por desconfortos associados à proteína A1. Segundo a Letti, o leite mantém ainda certificações de qualidade e rastreabilidade, reforçando a proposta de um produto com controle integral desde a origem. A novidade reflete uma tendência crescente no setor lácteo de diversificação e segmentação, com foco em atender diferentes perfis de consumo.

MILK POINT

ECONOMIA

Dólar supera R$5,25 impulsionado por preocupações com a guerra

As preocupações com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio voltaram a impulsionar o dólar ao redor do mundo na quinta-feira, com a moeda terminando a sessão no Brasil acima dos R$5,25, mesmo após o Banco Central ter injetado US$1 bilhão no mercado.

O dólar à vista fechou com alta de 0,70%, aos R$5,2574. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,22%. Às 17h06, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro – subia 0,57% na B3, aos R$5,2625. Os rendimentos dos Treasuries e o petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira no exterior, em função da continuidade dos conflitos no Oriente Médio.

Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os negociadores iranianos estavam “implorando” por um acordo, o Irã disse que o plano norte-americano de cessar-fogo está sob análise, mas que não há negociações. Mais tarde, Trump afirmou que o Irã havia permitido que dez petroleiros passassem pelo Estreito de Ormuz. Neste cenário, a moeda norte-americana sustentava ganhos ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. No início da tarde, o Banco Central do Brasil realizou dois leilões extraordinários de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), com venda total de US$1 bilhão. Entre profissionais ouvidos pela Reuters, a percepção é de que o BC atuou no mercado à vista para melhorar a liquidez, em meio à demanda pela moeda para remessas ao exterior. “Está faltando dólar no mercado à vista. E na falta de liquidez, o BC faz o leilão”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Durante entrevista coletiva em Brasília, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que as intervenções da instituição no mercado de câmbio estão seguindo a “orientação de sempre”. Desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou, no fim de fevereiro, o BC tem promovido algumas operações para minimizar os efeitos do conflito no mercado de câmbio. O BC fez em diferentes datas o “casadão” (venda de dólares à vista simultaneamente à negociação de contratos de swap reverso) e leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com dúvidas sobre desfecho no Oriente Médio

O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista na quinta-feira, com a aversão a risco global desencadeada por incertezas envolvendo um desfecho para o conflito no Oriente Médio voltando a derrubar o Ibovespa após três altas seguidas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,48%, a 182.681,98 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 182.570,44 pontos na mínima e marcando 185.423,77 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somava R$23,85 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Prévia da inflação de março fica em 0,44%, pressionada por alimentos

Em 12 meses, IPCA-15 acumula 3,9%, dentro da meta do governo

A prévia da inflação oficial do mês de março ficou em 0,44%, pressionada para cima pelo preço dos alimentos. O resultado mostra perda de força em relação ao 0,84% apurado em fevereiro. A prévia fica abaixo também do índice medido em março de 225 (0,64%). Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano. Os dados foram divulgados na quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. O destaque de alta foram os alimentos e bebidas, com elevação média dos preços de 0,88%, o que representou impacto de 0,19 ponto percentual (p.p.) no IPCA-15. Alimentação e bebidas: 0,88% (impacto de 0,19 p.p.). Habitação: 0,24% (0,04 p.p.). Artigos de residência: 0,37% (0,01 p.p.). Vestuário: 0,47% (0,02 p.p.). Transportes: 0,21% (0,04 p.p.). Saúde e cuidados pessoais: 0,36% (0,05 p.p.). Despesas pessoais: 0,82% (0,09 p.p.). Educação: 0,05% (0,00 p.p.). Comunicação: 0,03% (0,00 p.p.). Dentro do grupo alimentação e bebidas, o conjunto de preços da chamada alimentação no domicílio ficou 1,10% mais caro. Em fevereiro havia sido 0,09 p.p. Contribuíram para esse resultado as altas do açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). O IBGE destaca que, em termos de peso na inflação mensal, as carnes representaram impacto de 0,04 p.p.; já o leite, 0,03 p.p. Com os aumentos de dois dígitos, o feijão e o açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p. do índice em março. A alimentação fora do domicílio subiu 0,35% em março, superando a expansão observada em fevereiro (0,46%). De todos os 377 subitens (produtos e serviços) pesquisados pelo IBGE, o que exerceu maior pressão de alta individual no IPCA-15 foram as passagens aéreas, que subiram 5,94% no mês (impacto de 0,05 p.p.). Na prévia de março, os combustíveis apresentaram deflação de 0,03%, ou seja, na média, houve redução de preço. O IBGE apontou os seguintes comportamentos: gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). Já o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%. O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de março será divulgado em 10 de abril.

AGÊNCIA BRASIL

Galípolo cita “gordura” para BC analisar efeitos da guerra e diz que mercado entendeu “calibragem” da Selic

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na quinta-feira que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia “gordura” para poder analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio, acrescentando que o mercado entendeu corretamente a questão da “calibragem” da Selic, esclarecendo que o termo usado em suas últimas comunicações sobre a política monetária se refere a corte dos juros.

Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo avaliou que o momento atual é de “tempo para entender” os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo ele, vem ganhando força a interpretação de que o choque gerado pela guerra afeta não apenas a logística, mas também a capacidade produtiva de petróleo. Galípolo disse ainda que a inflação pode ser impulsionada pelo conflito. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano, mas destacou o aumento da incerteza com a guerra. O BC afirmou que estava dando início a ciclo de “calibração” da política monetária, termo que já constava no comunicado anterior do Copom, de janeiro, quando sinalizou um corte para março. De acordo com Galípolo, o mercado entendeu corretamente que a calibragem citada pelo BC diz respeito ao processo de corte de juros.

Reuters

BC vê alta de 1,6% no PIB em 2026 e inflação mais pressionada, mas cita incerteza com guerra no Irã

O Banco Central projetou na quinta-feira que o crescimento econômico do país em 2026 será de 1,6%, mesmo patamar estimado em dezembro, apontando incerteza mais elevada no cálculo diante da guerra no Irã.

Em seu Relatório de Política Monetária, a autarquia previu que a inflação passará a subir a partir do primeiro trimestre deste ano sob pressão da alta do preço do petróleo. Depois, segundo o BC, o índice de preços passaria a cair, ainda se mantendo acima do centro da meta contínua de 3%. A projeção mais distante disponível aponta para uma inflação de 3,1% no terceiro trimestre de 2028. “Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, destacam-se a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato”, disse o BC, citando como fatores de baixa a valorização do real e queda marginal nas expectativas de mercado para os preços. No documento, o BC apontou um hiato do produto ligeiramente mais positivo do que o estimado em dezembro, o que indica uma atividade mais aquecida em relação à sua capacidade e pode gerar pressões inflacionárias. A autarquia afirmou que o crescimento da atividade econômica continua em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. “A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio”, disse no documento. O Ministério da Fazenda previu em novembro uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,84% neste ano.

Reuters

BC eleva estimativa de expansão do crédito em 2026 para 9,0%, ante 8,6%

O Banco Central prevê um crescimento do crédito no país de 9,0% este ano, ante estimativa de 8,6% feita em dezembro, conforme dados do seu Relatório de Política Monetária divulgado na quinta-feira.

Agora, a expectativa é que o crédito às famílias suba 9,5% em 2026, contra expectativa anterior de 9,0%. Para as empresas, a alta foi calculada em 8,2%, contra 7,9% previstos em dezembro. Para o estoque de crédito livre, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, o BC projeta agora uma expansão de 8,1% em 2026 (+7,8% antes). Para o crédito direcionado, que atende a parâmetros estabelecidos pelo governo, a perspectiva é de alta de 10,2% (+9,7% antes).

Reuters

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