Ano 1 | nº 101 | 26 de março de 2026
NOTÍCIAS
Paraná debate fortalecimento da cadeia do leite
Produtores, autoridades e parlamentares discutem políticas públicas, competitividade e fiscalização da lei sobre leite em pó importado.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), participou, no dia 14 de março, do encontro Leite com Dignidade, realizado durante a Expobel, em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. O evento reuniu produtores, lideranças do setor, parlamentares e representantes do poder público para discutir os principais desafios da cadeia produtiva do leite, como questões sobre competitividade, importações de produtos lácteos e políticas públicas para o setor. Na ocasião, um dos temas debatidos foi a aplicação da Lei Estadual 22.765/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado destinado ao consumo humano no Paraná. A fiscalização da norma envolve órgãos de controle sanitário e de defesa agropecuária, entre eles a Adapar, que fica responsável por atuar no acompanhamento e na verificação do cumprimento da legislação no Estado. A programação também incluiu discussões sobre os impactos das importações na cadeia produtiva do leite e a necessidade de fortalecimento da organização institucional dos produtores no Estado. Entre os temas apresentados esteve ainda o projeto de criação do Instituto Nacional do Leite. A proposta busca a estruturação de uma instância nacional voltada ao desenvolvimento de políticas públicas para o setor. Lideranças do setor apresentaram iniciativas de mobilização dos produtores, incluindo um documento que reúne demandas e propostas para o fortalecimento da cadeia produtiva do leite no país. A cadeia leiteira tem um papel relevante na agropecuária paranaense. Anualmente são produzidos aproximadamente 4,6 bilhões de litros de leite no Paraná. A atividade possui forte presença da agricultura familiar e contribui para a geração de renda no campo, além de movimentar cooperativas e agroindústrias em diversas regiões do Estado. Na região Sudoeste, considerada um dos principais polos leiteiros do Paraná, a produção se aproxima de 1 bilhão de litros por ano. A regional de Francisco Beltrão concentra cerca de 600 milhões de litros anuais, consolidando-se como uma das áreas de maior destaque na produção estadual. Na região dos Campos Gerais está localizado o município com maior produção de leite do país, Castro, responsável pela produção anual de mais de 480 milhões de litros de leite. A 2ª edição do Prêmio de Queijos Coloniais foi mais uma das atrações da Expobel. O concurso reuniu 49 produtores de queijo do Paraná, que disputaram nas categorias de queijo colonial tradicional e queijo colonial diferenciado. Ao todo, seis produtos foram premiados. O concurso foi realizado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Paraná (IDR-PR), com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e com a prefeitura de Francisco Beltrão.
Assessoria Adapar
Entressafra impulsiona leite e preços avançam 20% em março
Scot Consultoria indica que movimento no mercado spot reflete a redução da oferta e alta nos derivados, reforçando o cenário de recuperação dos preços
Os preços do leite negociado no mercado spot, que registra as transações entre indústrias, registraram alta na primeira quinzena de março. Levantamento da Scot Consultoria aponta que, na média dos principais Estados produtores, o valor do leite spot subiu 20% em relação à quinzena anterior (de fevereiro), com avanço de R$ 0,49 por litro. Com isso, o produto passou a ser negociado, em média, a R$ 2,92 por litro. O acompanhamento considera os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Em todos eles houve valorização no período. O cenário intensifica o movimento de recuperação das cotações observado nas semanas anteriores. “O aumento ocorreu em todos os Estados acompanhados, sendo a maior alta registrada no Rio Grande do Sul, de 24,8%. Com a menor oferta no mercado, cenário típico do período de entressafra, aumentou a disputa pelos laticínios, o que contribuiu para o quadro”, destaca a zootecnista e analista de mercado Juliana Pila.
Agro Estadão
EMPRESAS
Após crise, gigante do agro do sul liquida 52% das dívidas e recontrata centenas de demitidos no Brasil
A Cooperativa Languiru, uma das tradicionais do setor agropecuário no Sul do país, já renegociou 52% de sua dívida em meio a um processo de reestruturação iniciado após uma grave crise financeira. Além disso, a empresa, sediada no Rio Grande do Sul, voltou a contratar e ampliou seu quadro de funcionários para cerca de 1,2 mil pessoas, revertendo parte das demissões realizadas no auge da crise.
Em liquidação extrajudicial desde 2023, a Languiru tem adotado medidas como venda de unidades, redução de custos e reorganização operacional para recuperar sua saúde financeira. Segundo o superintendente Administrativo e Financeiro, Gustavo Marques, em entrevista à Rádio Gaúcha, os resultados mais recentes indicam avanço no plano de recuperação, embora o cenário ainda exija cautela. A dívida total da cooperativa chegou a R$ 1,17 bilhão em 2023. Desse montante, cerca de R$ 900 milhões estão no processo de liquidação, e mais da metade já foi renegociada com credores, que passaram a receber pagamentos em rodadas trimestrais. Parte do passivo, no entanto, possui garantias reais e não integra esse processo. “Os números sugerem que estamos efetivos no que propusemos. Precisamos de tempo, mas já enfrentamos o problema com o resultado do nosso próprio negócio”, afirmou Marques. Mesmo com a crise, a Languiru manteve operações estratégicas. A cooperativa segue atuando na produção de aves – com produtos congelados e resfriados – e presta serviços à JBS. No setor de leite, mantém a produção de UHT e derivados em parceria com a Lactalis. Já no segmento de grãos e ração, continua tendo papel relevante no apoio aos produtores, incluindo a secagem e comercialização de milho. Essas atividades sustentaram um faturamento de R$ 542,9 milhões em 2025, valor considerado compatível com o atual porte da cooperativa após o redimensionamento. A estratégia agora, segundo Marques, é fortalecer a produção primária, com foco na ampliação da criação de aves de corte, tanto para ajudar no pagamento das dívidas quanto para impulsionar o crescimento. Um dos indicadores mais sensíveis da crise foi o corte drástico no quadro de pessoal. No final de 2022, a Languiru contava com 3,4 mil colaboradores, número que chegou a cair para apenas 700 durante o período mais crítico. Atualmente, o cenário mudou: quadro atual: 1,2 mil funcionários (500 novas contratações em relação ao piso da crise). Base produtiva: 1,6 mil associados ativos entregando produção. I
ECONOMIA
Dólar cai ante o real com expectativa de acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou a quarta-feira em baixa no Brasil, com os investidores se apegando à esperança de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz no Oriente Médio, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos no fim da tarde.
O dólar à vista fechou com queda de 0,65%, aos R$5,2209. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,88%. Às 17h07, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,35% na B3, aos R$5,2240. Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, falou em progresso nas negociações com o Irã, que incluiria uma importante concessão de Teerã. Uma fonte em Washington também confirmou que os EUA enviaram ao Irã uma proposta de acordo com 15 pontos, confirmando reportagem do New York Times sobre o assunto. Nesta quarta-feira, uma autoridade citada pela iraniana Press TV informou que o Irã analisou o plano dos EUA para encerrar a guerra, mas considerou suas condições excessivas. Conforme a autoridade, Teerã encerrará a guerra somente quando escolher fazer isso e se suas condições forem atendidas. Durante a tarde, foi a vez de a Casa Branca afirmar que Trump vai atacar o Irã com mais força se Teerã não aceitar que foi “derrotado militarmente”. Neste cenário, o dólar recuou ante o real durante todo o dia, em sintonia com algumas outras moedas de países emergentes. “Tivemos uma valorização mais significativa do dólar ante o real ontem, mas a sinalização sobre a possibilidade de paz no Oriente Médio reduz os prêmios de risco hoje”, comentou à tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos. “Há uma elevada sensibilidade ao noticiário geopolítico, e a possibilidade de trégua traz um alívio pontual.” Pela manhã, sem efeitos maiores nas cotações, uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro. Já o petista segue na liderança nos cenários de primeiro turno. Nas quatro simulações de primeiro turno em que Lula e Flávio aparecem como candidatos, o petista soma 46% das intenções de voto em todas elas, ao passo que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem entre 36% e 42%. Na simulação de segundo turno, Flávio tem 47,6% e Lula soma 46,6%. A margem de erro é de 1 ponto-percentual. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,724 bilhões em março até o dia 20 — período que coincide com as três primeiras semanas da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com investidor atento a negociações para fim de guerra no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, superando os 186 mil pontos no melhor momento, com noticiário sobre negociações buscando o fim da guerra no Oriente Médio novamente sob os holofotes, embora permaneçam dúvidas sobre um desfecho de fato.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,6%, a 185.424,28 pontos, após alcançar 186.401,24 na máxima e 182.524,09 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$27,6 bilhões. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a destacar na véspera avanço nos esforços do país para negociar o fim da guerra, enquanto o noticiário na quarta-feira destacou proposta de acordo enviada por Washington ao Irã por meio do Paquistão. Publicamente, autoridades iranianas têm negado as negociações, como o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que afirmou que a troca de mensagens por meio de mediadores “não significa negociações com os Estados Unidos”. Uma autoridade iraniana citada pela Press TV do Irã disse que o país analisou um plano dos EUA para encerrar a guerra, mas considera suas condições excessivas. À Reuters, uma autoridade iraniana sênior disse que o Irã ainda está avaliando a proposta. Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, o grande tema global ainda é a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que já avança pela quarta semana. Pedroso citou que o mercado tenta comprar a tese de um possível cessar-fogo no conflito. “Mas o ambiente segue pesado”, ponderou, acrescentando que não está claro se o Irã aceitará os termos propostos nas negociações. Os EUA também emitiram uma severa advertência ao Irã nesta quarta-feira, dizendo que Trump vai atacar o país com mais força se Teerã não aceitar que foi “derrotado militarmente”. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,54%. No Brasil, agentes financeiros também repercutiam pesquisa mostrando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um possível segundo turno da disputa presidencial de outubro. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quarta-feira, porém, apontou que o petista segue na liderança nos cenários de primeiro turno. O governo brasileiro também editou na quarta-feira MP com R$15 bilhões em linhas de crédito sob gestão do BNDES para empresas exportadoras e relevantes para a balança comercial por “razões geopolíticas e de instabilidade internacional”.
REUTERS
Brasil registrou saída de US$4,724 bi em março até dia 20, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,724 bilhões em março até o dia 20, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$9,890 bilhões no período. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de março até o dia 20 foi positivo em US$5,166 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Somente na semana passada, de 16 a 20 de março, saíram no país US$119 milhões. No acumulado do ano até 20 de março, apesar das saídas recentes de dólares, o Brasil ainda registra fluxo cambial total positivo de US$5,733 bilhões.
Reuters
Confiança do consumidor no Brasil tem alta em março após dois meses de queda, diz FGV
A confiança do consumidor no Brasil interrompeu uma sequência de duas quedas seguidas e registrou alta de 2 pontos em março, para 88,1 pontos, maior nível desde dezembro de 2025 quando o indicador alcançou 89,1 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
Segundo Anna Carolina Gouveia, economista do FGV Ibre, a alta do indicador foi motivada pela melhora nas expectativas para os próximos meses. “Entre os quesitos, o indicador que mede a percepção financeira futura das famílias foi o que mais contribuiu para o resultado agregado, num movimento de redução do pessimismo das finanças pessoais”, disse ela. “Fatores como a manutenção do emprego e da renda, controle da inflação e redução recente das taxas de juros, parecem ter influenciado positivamente a percepção sobre o horizonte futuro dos consumidores”, acrescentou. O Índice de Expectativas (IE) registrou alta de 3,4 pontos em março, para 92,1 pontos, impulsionando o indicador geral. Entre os quesitos do IE, o indicador de situação financeira futura da família subiu 6,5 pontos, para 89,4 pontos, seguido pelo indicador de situação econômica local futura que avançou 1,8 ponto, para 105,5 pontos. Ambos registraram o maior nível desde dezembro de 2025, quando atingiram 92,4 e 108,0 pontos, respectivamente. Por outro lado, o Indicador de Situação Atual (ISA) registrou recuo de 0,3 ponto, para 83,2 pontos. Entre os quesitos que compõem o ISA, o indicador de situação econômica local atual recuou 1,4 ponto, para 94,7 pontos, enquanto o indicador de situação financeira atual da família subiu 0,8 ponto, para 72,1 pontos, disse a FGV.
Reuters
Agroindústria nacional teve expansão de 0,5% no primeiro mês do ano
Resultado foi impulsionado pelas indústrias de produtos alimentícios e bebidas. Na indústria de bebidas, o crescimento foi garantido pela alta de 3,5% na produção de bebidas não alcoólicas
A produção da agroindústria brasileira teve um crescimento de 0,5% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro). O resultado do primeiro mês do ano “escapou” das turbulências geopolíticas dos meses seguintes, e ainda não refletiu a guerra no Oriente Médio nem a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump. O comportamento do setor destoou da indústria de transformação do país, que enfrentou uma contração de 1,9% em janeiro. O resultado foi impulsionado pelas indústrias de produtos alimentícios e bebidas, que tiveram um crescimento conjunto de 1,9%, sendo uma alta de 2% na produção de alimentos e de 1,3% na fabricação de bebidas em geral. O segmento que mais cresceu em janeiro foi o de alimentos de origem vegetal, que registrou uma expansão de 5,1%. Houve aumento da fabricação de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, trigo e de refino de açúcar. Também houve alta de 0,5% na produção de alimentos de origem animal, mas em um ritmo menor do que nos meses anteriores. O segmento tem sido impulsionado pela produção de carnes, laticínios e pescados. Na indústria de bebidas, o crescimento foi garantido pela alta de 3,5% na produção de bebidas não alcoólicas, enquanto a produção de alcoólicas manteve sua trajetória de declínio, com baixa de 0,8%. A indústria de bebidas alcoólicas tem sido afetada pela redução do consumo entre o público jovem. Já as agroindústrias não alimentícias tiveram um desempenho negativo no primeiro mês do ano, puxadas pela queda na produção de insumos agropecuários (-0,5%), produtos têxteis (-7,6%) e produtos florestais (-2,3%). Na contramão, houve alta na produção de biocombustíveis (27,6%) e fumo (12,1%). Os dois segmentos têm pesos menores na formação do índice das agroindústrias não alimentícias, e suas altas não compensaram a queda dos demais segmentos.
VALOR ECONÔMICO
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