Ano 1 | nº 233 | 05 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Leite spot perde força com maior oferta e queda nos derivados
Maior oferta de leite e queda nos preços dos derivados pressionam o mercado spot, que registra retrações em todos os estados.
O mercado de leite spot iniciou o mês de outubro com retração nas cotações em âmbito nacional, com variações negativas observadas em todos os estados acompanhados. Em um cenário de maior oferta de leite, combinado à queda nos preços dos derivados, principalmente do leite UHT e da muçarela, o mercado spot registrou pressão de baixa generalizada. A média nacional (BR) recuou para R$ 2,645, com uma retração de -R$ 0,145 em relação à quinzena anterior. A maior retração foi observada em Minas Gerais, onde a média atingiu R$ 2,709, com recuo de -R$ 0,215. Em seguida, Goiás registrou baixa de -R$ 0,212, com a cotação média fixada em R$ 2,530. Em São Paulo, o preço médio encerrou a quinzena em R$ 2,904, após um ajuste negativo de -R$ 0,141. Na região Sul, o Rio Grande do Sul apresentou o maior ajuste negativo, com queda de -R$ 0,149 e média de R$ 2,457. Em Santa Catarina, a média recuou -R$ 0,077, alcançando R$ 2,749. Por fim, o Paraná assinalou uma redução de -R$ 0,054, fechando com média de R$ 2,686.
MILKPOINT
EMPRESAS
Piracanjuba lança novo comercial para apresentar sua linha de leite em pó
A Piracanjuba estreia um novo comercial em campanha nacional para apresentar a linha de leite em pó, composta pelas versões integral, integral instantâneo, desnatado, A2 e o composto zero lactose.
A Piracanjuba estreia um novo comercial em campanha nacional para apresentar a linha de leite em pó, composta pelas versões integral, integral instantâneo, desnatado, A2 e o composto zero lactose. O filme dá continuidade à linguagem que vem aproximando a marca de situações presentes no cotidiano dos brasileiros e consolidando um dos seus principais ativos de comunicação: o soletrar Pi-ra-can-ju-ba. Desta vez, a marca leva essa linguagem para o ambiente de trabalho. Durante o tradicional cafezinho, um chefe prepara a bebida com leite em pó Piracanjuba e destaca a cremosidade. A partir de uma conversa cotidiana, as palavras passam a ser pronunciadas de forma silabada, criando uma conexão direta com a maneira como os consumidores já reconhecem e falam o nome da marca. Mais do que um recurso criativo, a pronúncia silabada tornou-se parte da identidade. Pi-ra-can-ju-ba é uma forma de citar a marca que já faz parte do repertório dos brasileiros e que, nesta campanha, ganha novas aplicações ao ser incorporada naturalmente a diferentes situações do dia a dia. Com a nova comunicação, a Piracanjuba também reforça a evolução de seu portfólio de leite em pó. A linha reúne diferentes opções para acompanhar preferências e necessidades de consumo, mantendo atributos associados à marca, como qualidade, confiança e praticidade. “Estamos apresentando nossa linha de leite em pó a partir de uma linguagem que já é muito reconhecida pelos consumidores. A forma de falar Piracanjuba se tornou um ativo da nossa marca e estamos explorando esse território de maneira cada vez mais natural, conectando-o a momentos que fazem parte da rotina das pessoas”, afirma Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba. O filme integra o planejamento de marketing da companhia para 2026, que contempla o rejuvenescimento da marca, e a regionalização. A estratégia segue explorando diferentes ocasiões de consumo para apresentar categorias e produtos do portfólio, fortalecendo a presença da Piracanjuba na vida dos brasileiros. Atualmente, a marca está presente em nove de cada dez lares brasileiros, reforçando sua relevância e proximidade com os consumidores. A nova campanha parte justamente desse reconhecimento para transformar uma característica tão própria, a forma como ela é pronunciada, em uma linguagem capaz de acompanhar diferentes momentos do cotidiano. A estreia será em outubro com veiculação em TV aberta, plataformas digitais e redes sociais, com ações de alcance nacional e regional.
Grandes Nomes da Propaganda/MilkPoint
EVENTOS
15º SBSBL debate os novos rumos da produção de leite no Brasil
Evento acontece entre os dias 06 e 08 de outubro, em Chapecó (SC), com 15 palestras, quatro painéis técnicos e participação de pesquisadores nacionais e do exterior.
Chapecó (SC) recebe, de 06 a 08 de outubro, a 15ª edição do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), com uma programação voltada a temas que interferem diretamente no desempenho técnico e econômico das propriedades. Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o evento terá 15 palestras, quatro painéis técnicos, apresentação de 92 trabalhos científicos, mesas-redondas, a Milk Fair e o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte. A programação percorre diferentes etapas da produção, da formação das pastagens e conservação de forragens à nutrição, sanidade, reprodução, qualidade do leite, ordenha e gestão dos sistemas. O evento também integra novas tecnologias de alimentação e ferramentas de precisão ao debate sobre produtividade e custos. A edição recebeu 108 resumos científicos distribuídos em 11 áreas. Depois da avaliação de 45 especialistas, 92 trabalhos foram aprovados para apresentação. Os estudos são de pesquisadores e estudantes vinculados a instituições como Udesc, Epagri, Instituto Federal Catarinense, UFSM, USP, Unicentro, Uniarp, Unipampa, Unoesc, Furb, URI, Unisul, UnoChapecó e UniCruz, entre outras. Um dos eixos da programação é a relação entre alimentação, produtividade e custo de produção. No primeiro dia, o pesquisador Gabriel Menegazzi, professor da Universidad de la República, no Uruguai, discutirá o papel do pastejo em sistemas leiteiros modernos. O tema ganha relevância em um país que exporta cerca de 70% do leite produzido e mantém as pastagens como componente importante da alimentação dos rebanhos. A palestra relacionará manejo de forragem, suplementação, produtividade por hectare, custos, emissões e retorno econômico. Na quinta-feira (08), o debate avançará para ferramentas de nutrição. O zootecnista Bruno Ieda Cappellozza, mestre e doutor pela Oregon State University e gerente técnico global de produtos para ruminantes na Novonesis, abordará a utilização de probióticos desde a fase de criação das bezerras até o período de transição e a lactação. Também no dia 08, o professor titular da USP Francisco Palma Rennó discutirá novas abordagens para alimentação de vacas leiteiras no Brasil. Entre os temas estão qualidade das forragens, fibra indigestível, relação entre fibra e amido. Antes do início do SBSBL, a programação de 6 de outubro terá o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte. A discussão passará pela integração entre agricultura e pecuária, pelo futuro da produção de carne brasileira e pelo aproveitamento de rebanhos leiteiros para produção de carne. Um dos destaques será o pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), Guilherme Cunha Malafaia, que apresentará a palestra “O Futuro da Carne Bovina Brasileira: Visão 2040”. A análise parte de mudanças já observadas no sistema produtivo. De acordo com dados apresentados pelo pesquisador, a área de pastagens no Brasil caiu cerca de 11% nas últimas duas décadas, enquanto a produtividade quase dobrou e se aproxima de cinco arrobas por hectare ao ano. O cenário projetado para 2040 considera uma produção superior a 13 milhões de toneladas de carne bovina, com maior participação de sistemas intensivos e maior peso de produtividade, rastreabilidade, sanidade, tecnologia e agregação de valor.
O PRESENTE RURAL
MEIO AMBIENTE
Agrofloresta eleva a renda de produtores de leite em Minas Gerais
Iniciativa também reduz custos nas propriedades, permite diversificação de cultivos e contribui para o bem-estar dos animais
Já faz dois anos que as duas nascentes existentes no sítio Pontal do Araras deixaram de secar no período da estiagem. Com 25 hectares, a propriedade sempre foi um ponto de encontro e lazer da família Soares em Piumhi, mas sem uso econômico. Havia gado, criado a pasto extensivo, sem retorno financeiro. “Apenas para o meu pai passar raiva”, brinca Vinícius Soares. Engenheiro agrônomo de profissão, em 2019 ele decidiu abandonar o trabalho na indústria de lácteos para dar início à sua própria produção em sistema agroflorestal, aliando pastagens com reflorestamento. A decisão selou um novo destino para o imóvel, hoje uma referência na produção de queijo canastra, com títulos conquistados em premiações nacionais e internacionais. “Desde o princípio do projeto eu já pensei em técnicas de produção voltadas para agroecologia e pecuária regenerativa com foco também na produção orgânica, mas pensando além do que ditava a regulamentação”, afirma ele. Ao todo, são 15 quilos diários de queijo fabricados a partir de leite de vacas girolando criadas em pasto agroflorestal, um sistema pouco difundido no país, mas que contribuiu para reduzir custos e agregar valor à produção de Soares. “Estamos entregando muito mais que queijo, estamos produzindo e regenerando e, no futuro, produziremos queijo debaixo da floresta. É essa nossa intenção”. Para iniciar a mudança, ele buscou referências na Colômbia, onde se inspirou em sistemas silvipastoris intensivos. O objetivo, conta, era conciliar a recuperação de áreas degradadas com a produção de leite e de alimentos para consumo da família. Além do pasto e leguminosas, há banana, mamão, baru, amora, ingá e aroeira. Na área de pastagens, plantas como leucena e margaridão garantem uma alimentação diversa ao gado, que também tem acesso a frutos e sombra de árvores. O ciclo se fecha com a criação de porco caipira da raça piau, que consome o soro de leite gerado na produção do queijo. Os animais são mantidos soltos na mesma área onde depois é plantado milho crioulo vermelho, num processo que ele denomina de “resgate agroecológico e histórico das tradições locais”. “A ideia é o porco funcionar como um trator conforme ele chafurda e pasteja para fazermos o plantio direto do milho depois sem ter que arar ou gradear a área”, detalha o produtor. O sucesso do modelo chamou a atenção de outros produtores e fez de Soares uma referência na produção de leite agroflorestal em Minas Gerais. Na Terra Indígena Krenak, em Resplendor, onde a produção chegou a ser abandonada no passado por baixa produtividade, é ele quem tem orientado as lideranças locais a conciliar reflorestamento com produção de leite. De acordo com Tim Krenak, que mantém 30 vacas em lactação em 16 hectares, a adoção do sistema agroflorestal ajudou a melhorar as condições locais. “Tivemos uma melhoria não só do leite, mas conseguimos ter também árvores, frutas, flores numa composição que não exija buscar muita coisa fora da propriedade”, descreve a liderança indígena. Além do gado, o sistema implementado inclui a produção de mel, garantindo diversificação produtiva e renda. A previsão, afirma, é que a área total do sistema chegue a 45 hectares, quando outras famílias também adotarem a criação de gado em agrofloresta. “O sistema agroflorestal tem um ganho grande porque o gado não sente essa quentura que está tendo hoje em dia. Então tem muito pouco estresse, nós gastamos o mínimo com remédio, apenas com as vacinas necessárias”, afirma. Em Guaranésia, na região sul do Estado, o pecuarista e vice-presidente da comissão técnica de pecuária leiteira da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Caio Rivetti, dedica-se à criação de gado em sistema silvipastoril desde 2019, inicialmente numa área de três hectares de pasto degradado. Hoje com nove hectares, ele avançou para o modelo agroflorestal. “Ainda é um pouco experimental, estamos aprendendo com essa construção, mas não temos dúvida de que é um caminho exitoso. Um animal que come pasto e que come diferentes tipos de grãos acaba tendo um leite com teor de gordura e proteína maior do que os outros animais”, detalha Rivetti. Com uma produtividade de 15 mil litros por hectare, a experiência dele, afirma, é de uma geração de caixa mais estável quando comparado a modelos em que os animais são mantidos confinados. Com custo de produção inferior a R$ 2 por litro de leite comparado a uma média acima de R$ 2,60 no Estado, ele destaca a resiliência do sistema agroflorestal ao não depender de insumos externos e diante dos serviços ecossistêmicos das árvores junto ao pasto. A ciclagem de nutrientes, por exemplo, lhe permite economizar com fertilizantes químicos. Na Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora, o modelo agroflorestal está sendo estudado desde o ano passado visando a integração da produção de leite com mel, tal qual os Krenak fazem. Segundo a pesquisadora responsável, Fernanda Samarini, o objetivo do projeto é mensurar e monitorar os serviços ecossistêmicos prestados pelo modelo agroflorestal no longo prazo e, assim, “traduzir para a sociedade a importância de uma produção de leite de base ecológica”. “A nossa hipótese é de que os animais manejados nesses sistemas agroflorestais vão ter diversos benefícios relacionados ao bem-estar animal, vários deles já comprovados por outros sistemas integrados”, explica. Segundo Samarini, a previsão é de que três unidades de aprendizagem sejam instaladas em assentamentos rurais de Minas Gerais ainda neste ano, o que permitirá escalonar a adoção desses sistemas num contexto em que cada vez mais produtores abandonam a atividade no país e, em especial, no Estado.
GLOBO RURAL
GOVERNO
Mapa disponibiliza 14,5 milhões de doses de vacinas contra clostridioses em setembro
Do total, 9,76 milhões de doses foram importadas e 4,82 milhões produzidas no país
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que, durante o mês de setembro de 2026, foram disponibilizadas 14.578.612 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional. Do total disponibilizado no período, 9.757.872 doses (66,93%) correspondem a vacinas importadas e 4.820.740 doses (33,07%) são de fabricação nacional. O Mapa mantém atuação permanente junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de vacinas, contribuindo para o abastecimento do mercado nacional.
MAPA
Lula e Flávio Bolsonaro vão ao segundo turno. O que eles prometem ao agro
Votação da segunda fase será no dia 25 de outubro em todo o Brasil
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições de 2026. Com 99,45% de urnas apuradas, o candidato do PL contabiliza 47,14% dos votos válidos, com pouco mais de 55,9 milhões de eleitores manifestando sua preferência por ele. Lula tem 45,03% dos votos, reunindo a preferência de 53,4 milhões de pessoas. O segundo turno será no dia 25 de outubro. Responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e com uma bancada bastante representativa no Congresso Nacional, o agro é parte integrante dos planos de governo. Saiba o que os dois concorrentes à Presidência da República prometem para o setor. As informações são dos documentos protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidenciável do PL fala na ampliação da política de seguro rural. Promete colocar também ferramentas de securitização e de reorganização de dívidas de produtores rurais. O plano de governo do candidato tem também a promessa de ampliar a capacidade de armazenagem das safras, com a finalidade de garantir melhores preços para o produtor rural. Além de apoiar a produção nacional de fertilizantes, com o uso de reservar minerais do país. Bolsonaro promete ainda aumento da segurança jurídica no campo, sem o que ele chama de relativização do direito de propriedade. Além de retomar a política de titulação de terras e regularização de propriedades rurais, especialmente dos pequenos agricultores. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro promete ainda ampliar a área irrigada no país, implantar as metas de adoção de combustíveis sustentáveis de aviação, incluir incentivos à produção de biomassa no Plano Safra e consolidar o Cadastro Ambiental Rural e o pagamento por serviços ambientais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Entre as propostas da candidatura à reeleição de Lula, estão a expansão do Plano Safra da Agricultura Familiar, “com juros compatíveis ao perfil do agricultor e ao tipo de produto”. O programa de governo fala também em reforço no crédito para agroecologia, produção orgânica e sociobiodiversidade. Lula promete ainda avanço na reforma agrária, na política de regularização fundiária e na demarcação de territórios indígenas e remanescente de quilombos no Brasil. Além de promover o acesso à estrutura nesses locais, como água, saneamento e energia. Ao agronegócio voltado à exportação, o candidato à reeleição defende agregar valor à pauta de comércio exterior e políticas que integrem a ciência e a capacidade produtiva. Promete também ampliar os recursos do Plano Safra com juros compatíveis e diversificar as fontes de financiamento. Lula também promete fortalecer a política de seguro rural, que tem sido alvo de críticas durante boa parte do atual mandado. A ideia é integrar a política de seguro a outros instrumentos de comercialização e de proteção financeira para o setor.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha com queda modesta, aos R$5,2173, antes do primeiro turno eleitoral
O dólar fechou a sexta-feira com variação modesta ante o real, influenciado por um lado pela queda da moeda norte-americana no exterior, após dados fracos do mercado de trabalho norte-americano, e por outro pela cautela que antecede o primeiro turno eleitoral no Brasil.
Investidores reagiram, na última sessão antes das eleições de domingo, à nova pesquisa do Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, e ao cancelamento do debate presidencial da TV Globo. O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,13%, a R$5,2173. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,65% e, no ano, queda de 4,95%. Às 17h05, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,34% na B3, aos R$5,2425. Pela manhã, os EUA informaram que foram criados 29 mil postos de trabalho no país em setembro, bem menos que os 90 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Já a taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%. Logo após os números, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, e os rendimentos dos Treasuries despencaram, em meio à percepção de que o resultado do relatório payroll reforça a possibilidade de manutenção de juros pelo Federal Reserve neste mês. Na maior cotação do dia, às 12h08, o dólar à vista marcou R$5,2404 (+0,32%). No restante da tarde, as cotações se movimentaram mais próximas da estabilidade, com os investidores à espera da votação no fim de semana. No exterior, o dólar seguia em baixa ante boa parte das demais divisas. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 101,900.
REUTERS
Ibovespa acelera no final do pregão e fecha acima de 190 mil pontos
A bolsa de valores de São Paulo encerrou a sexta-feira em forte alta, avançando além dos 190 mil pontos, com os investidores ajustando posições antes do primeiro turno das eleições presidenciais no fim de semana.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,63%, a 192.114,55 pontos, após marcar 186.144,24 na mínima e 192.118,70 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da sexta-feira somou R$43,7 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 5,81%. Os ganhos do índice se deram após uma sessão volátil, marcada por ganhos expressivos pela manhã na abertura e desempenho negativo no início da tarde, enquanto os agentes digeriam o noticiário eleitoral doméstico e os últimos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. “Estamos vendo um reposicionamento dos investidores para segunda-feira. Estamos vendo montagem de posição, com investidores comprando opções para se posicionar para um boom do mercado na semana que vem, apostando na alta do Ibovespa”, disse o especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, Felipe Sant’Anna. Uma pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno da disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marcava 45%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca os dois candidatos em empate técnico. Enquanto isso, no exterior, as bolsas de Nova York fecharam em alta depois que dados sobre o mercado de trabalho dos EUA abaixo do esperado diminuíram as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve na reunião deste mês. O número de empregos não agrícolas aumentou em 29 mil no mês passado, ficando bem abaixo da estimativa de 90 mil feita por economistas consultados pela Reuters. O S&P 500 fechou em alta de 0,73%.
REUTERS
Produção industrial no Brasil frustra expectativa e volta a cair em agosto
A produção industrial no Brasil voltou a registrar contração em agosto após mostrar algum fôlego no mês anterior, frustrando a expectativa de ganho com o resultado mais fraco para o mês em quatro anos e dando continuidade a uma perda de tração.
Em agosto, a indústria registrou queda de 0,6% na produção em comparação com o mês anterior, marcando ainda recuo de 1,2% ante o mesmo mês de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. O resultado mensal, o mais fraco para meses de agosto desde 2022 (-1,4%), eliminou o ganho de 0,1% registrado em julho, em dado revisado para baixo de 0,2% informado anteriormente. A queda de agosto foi a terceira no ano, depois de perdas em maio e junho. Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de altas de 0,1% no mês e de 0,4% na base anual. A política monetária restritiva, com a taxa básica de juros Selic atualmente em 13,75%, vem afetando o desempenho da indústria brasileira, em meio a uma desaceleração da economia, ainda que o mercado de trabalho resiliente amenize o cenário. “Claro que há uma perda de intensidade da indústria brasileira, e como pano de fundo você tem a restrição da política monetária”, destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. “Os juros altos afetam o nível de endividamento de empresas, famílias, poder de compra, e isso faz com que as companhias adiem seus investimentos”, completou Macedo, destacando ainda fatores externos como o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis, adubos e fertilizantes; as tarifas dos Estados Unidos e cotas para produtos como carnes. Em agosto, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção, sendo que as influências negativas mais importantes vieram de produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%). Entre as atividades que tiveram avanço na produção a principal influência positiva foi exercida por produtos alimentícios (1,0%). Entre as grandes categorias econômicas, todas apresentaram perdas em agosto em relação a julho — bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%), bens de consumo duráveis (-1,0%), bens de capital (-0,6%) e bens intermediários (-0,2%). De acordo com Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, os dados corroboraram sua expectativa de continuidade do processo de arrefecimento da economia no terceiro trimestre do ano, com crescimento de 0,1% sobre os três meses anteriores. “Contudo, avaliamos que os números de hoje impõem um certo viés baixista para tal projeção e contribuem para que o Banco Central possa dar continuidade ao atual ciclo de calibração, promovendo um novo ajuste na reunião de novembro”, afirmou.
REUTERS
Índice de preços de alimentos da FAO sobe 5,8%em um ano Interrupções na logística de transporte, como no Estreito de Ormuz e preocupações com o clima que restringiram a oferta explicam a alta de 1,5% em setembro
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,5% em setembro, para 136 pontos, 2 pontos acima de agosto, impulsionado por interrupções na logística de transporte, preocupações com o clima que restringiram a oferta de produtos e cotações mais altas de commodities agrícolas. O dado foi divulgado pela Agência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na sexta-feira (2). Na comparação com setembro de 2025, o indicador teve alta de 5,8%. “Estamos observando uma alta persistente e cada vez mais generalizada nos preços globais das commodities, à medida que perturbações no Estreito de Ormuz e no Mar Negro se somam a choques climáticos, pressionando os setores de energia e transporte e commodities alimentares essenciais’, afirmou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em comunicado com os dados. “Se persistirem, essas pressões logo serão repassadas aos preços dos alimentos ao consumidor (…),” acrescentou. O índice de preços dos cereais subiu 5,1% em setembro e ficou 17,2% acima do indicador registrado um ano antes. O trigo avançou 6,3%, com restrições logísticas no Mar Negro e seca em partes da América do Norte antes do plantio. Já o milho teve alta de 5,6%, influenciado por preocupações com a produtividade nos Estados Unidos, menor disponibilidade para exportação no Brasil e interrupções no comércio no Mar Negro. A incerteza sobre a navegação pelo Estreito de Ormuz também sustentou as matérias-primas para biocombustíveis, como o milho. O arroz teve alta de 1,4%, decorrente de preocupações com o clima e com uma menor oferta sazonal. Os óleos vegetais subiram 0,9%, reflexo da alta do óleo de palma, sustentada pela forte demanda global. O índice de preços das carnes caiu 1,1%, com a queda dos preços da carne suína e de aves, em razão da ampla oferta. No sentido contrário, a carne bovina brasileira ficou mais cara, impulsionada pela maior importação dos Estados Unidos. Os preços da carne ovina ficaram praticamente estáveis. O indicador para os lácteos caiu 0,1%, com o recuo nas cotações do queijo compensando parcialmente a alta do leite em pó. No caso do açúcar, o índice de preços subiu 6,1% em setembro, diante das expectativas de menor oferta global na safra 2026/27, em parte por causa do El Niño.
VALOR ECONÔMICO
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 999368886 (WhatsApp)