Informativo Sindileite 224 22.09.2026

Ano 1 | nº 224 | 22 de setembro 2026

NOTÍCIAS

PREÇO DO LEITE SPOT CAI E A DISTÂNCIA ENTRE OS ESTADOS SEGUE ENORME

Entre o litro mais caro e o mais barato do mercado spot há uma distância que muda a conversa de quem compra e de quem vende leite. A queda chegou a todos os estados acompanhados, mas não empurrou ninguém para o mesmo lugar.

O preço do leite spot fechou a segunda quinzena de setembro em R$ 2,790 por litro na média nacional, R$ 0,138 abaixo da quinzena anterior. Mas essa média divide os estados acompanhados ao meio: São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina ficaram acima dela, e Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, abaixo. No topo da escada está São Paulo, com R$ 3,045 por litro depois de um recuo de R$ 0,126. Minas Gerais vem em seguida, com R$ 2,924 (queda de R$ 0,196), e Santa Catarina completa o grupo acima da média, com R$ 2,826. Santa Catarina teve o ajuste mais leve entre os seis: R$ 0,030. Do lado de baixo, Goiás fechou a quinzena em R$ 2,742 e o Paraná em R$ 2,740, uma diferença de dois milésimos de real entre os dois. No degrau mais baixo está o Rio Grande do Sul, com R$ 2,606 por litro, depois de perder R$ 0,116. A distância entre o primeiro e o último da escada é de R$ 0,439 por litro, entre São Paulo e Rio Grande do Sul. Como os dois estados recuaram valores parecidos (R$ 0,126 e R$ 0,116), essa diferença encolheu apenas R$ 0,010 na quinzena. A queda foi generalizada, mas não aproximou os mercados. Os dados divulgados não explicam o que motivou o recuo. Para a indústria e o comércio de laticínios, preços menores no spot podem significar alívio no custo de aquisição de matéria-prima. Já produtores rurais e pequenas cooperativas podem sentir a redução na receita, com reflexo no fluxo de caixa e na capacidade de investimento, principalmente quando os contratos estão atrelados ao mercado de curto prazo. Na região noroeste paulista, onde a atividade leiteira é relevante, a variação negativa pode influenciar as negociações entre produtores locais e laticínios. Os efeitos específicos para a região não foram detalhados. Se a tendência de queda continuar, ela poderá chegar aos preços ao consumidor final no médio prazo.

EDAIRY NEWS

EMPRESAS

Sooro Renner terá capacidade para 12 mil ton. de whey protein por ano

Cinco milhões de litros de soro de leite por dia, com funcionamento ininterrupto, 24 horas. Esse é o número que resume a dimensão da nova fábrica que a Sooro Renner está construindo em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná

O empreendimento reúne investimento de mais de R$ 680 milhões e uma área de 340 mil metros quadrados. Faz parte do plano de expansão da companhia, empresa brasileira especializada no processamento de soro de leite, e a previsão é que entre em operação em 2027. Quando estiver funcionando, o complexo ampliará a capacidade produtiva da empresa nesse segmento. O que sai dessa estrutura é o que chama a atenção. A capacidade nominal anual prevista é de cerca de 12 mil toneladas de whey protein, 40 mil toneladas de lactose e 6 mil toneladas de manteiga. Ou seja, a planta foi pensada para entregar mais de um produto. A manteiga, segundo a fonte, está relacionada à incorporação da Concen Lácteos pela Sooro Renner. Entre os itens da lista, há um que a empresa destaca de forma especial: a Lactose Infant Formula Grade, ingrediente utilizado na fabricação de fórmulas infantis. De acordo com a Sooro Renner, a nova operação contará com tecnologia para esse tipo de processamento e, com isso, a companhia será a única brasileira com tecnologia avançada para produzir o ingrediente. A afirmação é da própria empresa. O objetivo comercial também está declarado. Segundo a companhia, a unidade permitirá ampliar o atendimento aos mercados de nutrição esportiva e de nutrição infantil. São os dois destinos que aparecem ligados ao whey protein, de um lado, e à lactose para fórmulas infantis, de outro. A escolha do município, por sua vez, tem lógica geográfica. A Sooro Renner já mantém unidades em Marechal Cândido Rondon (PR) e em Estação (RS), e Francisco Beltrão está em posição estratégica entre as duas. Segundo a empresa, a decisão levou em conta a proximidade com fornecedores de matéria-prima, e a localização foi apontada como um fator para otimizar a operação logística. Na frente do emprego, a expectativa é de 250 vagas diretas e cerca de 1.200 indiretas, segundo informações da empresa e da Prefeitura de Francisco Beltrão. Com obra em andamento e início de operação previsto para 2027, a Sooro Renner desenha uma planta de escala industrial no Sul do país, com um portfólio que vai do whey protein à manteiga e uma localização pensada para conectar suas operações no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Tribuna do Paraná.

INTERNACIONAL

Argentina e Uruguai ampliam espaço e já concentram 4,3% do comércio mundial de lácteos

O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos.

O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos. Juntos, os dois passaram de representar cerca de 3% do mercado mundial de lácteos em 2017 para 4,3% em 2025, segundo o World Dairy Map 2026, elaborado pelo RaboResearch. O avanço ocorreu dentro de um mercado que também se expandiu. O comércio internacional passou de 91,1 milhões de toneladas equivalentes de leite líquido em 2017 para 101,2 milhões em 2025, um crescimento acumulado de 11%. Por trás dessa expansão, porém, também houve uma redistribuição entre os principais exportadores. Enquanto Estados Unidos, Argentina e Uruguai ganharam espaço, a União Europeia reduziu sua participação. Ao mesmo tempo, a China perdeu parte do protagonismo que havia alcançado como grande impulsionadora da demanda mundial. O crescimento sul-americano é especialmente significativo porque ocorreu enquanto alguns dos grandes participantes tradicionais encontraram maiores limitações para expandir sua produção. A União Europeia continua sendo o principal bloco exportador, com 27,5 milhões de toneladas equivalentes de leite comercializadas em 2025, excluindo o comércio entre os próprios países-membros. Sua participação mundial, no entanto, caiu de 30% em 2017 para 27% em 2025. A Nova Zelândia continua sendo o maior exportador quando considerados países individualmente, respondendo por cerca de 22% do comércio global. Os Estados Unidos também avançaram de forma significativa: sua participação aumentou de 11,3% para 13,5%. Atrás desses gigantes aparece o crescimento dos exportadores do Mercosul. Argentina e Uruguai elevaram conjuntamente sua participação em 1,3 ponto percentual em oito anos. Nem todos os produtos lácteos tiveram o mesmo desempenho nesse período. O grande destaque foi o queijo, cujo comércio mundial aumentou aproximadamente 40% desde 2017, alcançando 8,96 milhões de toneladas em 2025. A Argentina aparece novamente entre os países que mais avançaram. Segundo o RaboResearch, Argentina e Estados Unidos duplicaram suas exportações de queijo desde 2017. A tendência também revela uma transformação nas estratégias da indústria. A União Europeia, por exemplo, aumentou sua produção de leite em apenas 5% desde 2017, mas ampliou em 9% a fabricação de queijo e em 12% as exportações do produto. O movimento reflete uma orientação crescente para produtos de maior valor agregado, em comparação com categorias mais tradicionais, como os leites em pó. No merca de leite em pó integral, o comportamento foi diferente. A Nova Zelândia mantém uma posição dominante, com aproximadamente 53% do mercado mundial. A Europa, por outro lado, reduziu suas exportações do produto em mais de 50% desde 2017, passando de cerca de 387 mil para 172 mil toneladas. Parte do leite europeu foi direcionada para a fabricação de queijo, manteiga e outros produtos, enquanto Argentina e Reino Unido ocuparam parte do espaço deixado pela redução das exportações europeias. No leite em pó desnatado, o crescimento mundial foi bem mais moderado, com avanço de apenas 0,5% em 2025. Outra grande transformação está acontecendo do lado da demanda. A China continua sendo a maior importadora mundial de produtos lácteos, mas suas compras se afastaram dos níveis máximos registrados em 2021. O RaboResearch associa parte dessa redução ao crescimento da produção doméstica chinesa, que diminuiu a necessidade de importação de determinadas categorias de lácteos. Essa mudança está levando os grandes exportadores a diversificar seus mercados. Oriente Médio e Sudeste Asiático aparecem entre as regiões que ganham importância, enquanto o Brasil também aumentou significativamente suas compras. As importações brasileiras passaram de 1,3 milhão para 2,3 milhões de toneladas equivalentes de leite desde 2022, impulsionadas principalmente por queijos e leites em pó. Para Argentina e Uruguai, a evolução das compras brasileiras é especialmente relevante devido à proximidade geográfica e à importância histórica do Brasil como destino das exportações da região. Um dos pontos de destaque do World Dairy Map 2026 está nas perspectivas para a oferta mundial. O RaboResearch considera que Estados Unidos e Argentina estão entre os países mais bem posicionados para ampliar a produção destinada ao mercado internacional nos próximos anos.

DIÁRIO LECHERO

ECONOMIA

Dólar cai a R$5,1080 sob influência do exterior

O dólar fechou a segunda-feira em baixa e novamente na faixa dos R$5,10, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries e da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.

No Brasil, uma nova pesquisa eleitoral reforçou o cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto, com Lula mantendo levemente a frente. O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,72%, a R$5,1080. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,94%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente 3o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,79% na B3, aos R$5,1170. Pesquisa BTG/Nexus divulgada pela manhã mostrou Lula com 46% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão em empate técnico. No levantamento anterior, Lula tinha 47% e Flávio somava 45%. O recuo do dólar na segunda-feira, porém, esteve ligado principalmente à baixa das cotações também no exterior, com investidores se apegando à possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã nesta semana, quando haverá reunião da ONU em Nova York. Ainda que permaneça em níveis elevados, o petróleo Brent cedeu para a faixa dos US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries caíram, enquanto os principais índices de ações em Nova York avançaram. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na baixa do dólar ante divisas como o real, o peso chileno, o won coreano e o rand sul-africano, entre outras. “(Temos) queda dos rendimentos dos Treasuries, queda do petróleo, bolsas na Europa fechando majoritariamente em alta e Nova York também indo bem”, citou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “Então, a queda (do dólar ante o real) reflete o exterior. Estamos absolutamente alinhados com a performance do dólar lá fora”, acrescentou. Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,1381 (-0,14%) às 9h01, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1028 (-0,82%) às 13h09. No restante da tarde, manteve-se pouco acima dos R$5,10.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com aval externo

O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, ultrapassando os 187 mil pontos no melhor momento, em meio a um ambiente favorável a risco no mercado internacional, com alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e queda dos preços do petróleo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,82%, a 186.752,93 pontos, de acordo com dados preliminares, com investidores também repercutindo nova pesquisa eleitoral. Na máxima do dia, chegou a 187.434,25 pontos. Na mínima, marcou 185.246,81 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$24,78 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Mercado eleva projeção do IPCA de 2026 e reduz estimativas para Selic e PIB, aponta Focus

Para 2027, a mediana das expectativas para a inflação foi mantida em 4,30% pelos economistas e analistas que participam da pesquisa do Banco Central, e para a alta do PIB, reduzida de 1,45% para 1,43%

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (21) com estimativas coletadas até a sexta-feira (18). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se manteve em 4,30%, e, para 2028, continuou em 3,80%. O IPCA 12 meses suavizado caiu de 4,65% para 4,62%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas recuou de 13,75% para 13,50% em 2026. Para 2027, permaneceu em 12% pela 14ª semana, e, para 2028, seguiu em 10,50%, pela 12ª semana. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 recuou de 1,89% para 1,88%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) cedeu de 1,45% para 1,43% e, para 2028, se manteve em 1,87%. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,20, segundo o relatório Focus. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana continuou em R$ 5,28, e, para 2028, seguiu em R$ 5,30.

VALOR ECONÔMICO

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