Informativo Sindileite 223 21.09.2026

Ano 1 | nº 223 | 21 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Quantos litros de leite uma vaca produz por dia? Entenda o que influencia o volume

Média nacional ainda é considerada pequena, mas animais podem alcançar números bem maiores. Condições de bem-estar animal, raça, alimentação, entre outros, podem garantir maior produtividade

A embalagem de leite presente na mesa do consumidor brasileiro carrega uma história que começa antes de chegar às prateleiras do supermercado. O início do processo está na ordenha, etapa em que o alimento é retirado da vaca, seguida pelo armazenamento, processamento e distribuição. Uma das curiosidades que envolvem o leite é a quantidade produzida por uma vaca diariamente. De acordo com Bruno Carvalho e Rui da Silva Verneque, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Gado de Leite), a média no país é de 6,47 quilos. O número é considerado “bastante baixo” e não representa a realidade de todos os produtores porque o resultado da ordenha varia conforme uma série de fatores, como raça, genética, alimentação, manejo e saúde, completam os especialistas. “O Brasil contempla diferentes tipos de sistemas, ambientes de produção e rebanhos de diferentes tamanhos, incluindo pequenas criações voltadas para o autoconsumo de leite, com venda de excedentes com importante função social e econômica para famílias de baixa renda. No entanto, nos últimos anos, a produtividade mais que triplicou em propriedades que utilizam mais tecnologia”. Qual raça produz mais leite? As vacas de origem europeia estão entre as mais produtivas, segundo a Embrapa. A raça Holandesa, por exemplo, lidera a produção nacional e é reconhecida pela alta produtividade no mundo. Quando criada em condições adequadas, pode alcançar a média de até 40 quilos por dia. No caso da Jersey, são 25 quilos. “Já as raças zebuínas, de origem indiana, são as mais adaptadas às condições de manejo. Elas são mais rústicas, tolerantes ao clima quente, doenças e parasitas. Dentre os zebuínos, destacamos a Gir Leiteiro, com trabalho de seleção conduzido tecnicamente pela Embrapa desde 1985. Hoje, é a zebuína com maior produção de leite no Brasil, com média diária superior a 17 quilos e alguns animais produzindo até 70 quilos”. Outra raça em destaque é a Girolando, resultado do cruzamento entre a Holandesa e o Gir Leiteiro. No programa de melhoramento genético da Embrapa, os dados mostram que os rebanhos participantes superam até 25 quilos de leite por dia. Embora a média brasileira seja de 6,47 quilos ao dia, o número em propriedades especializadas com animais selecionados para alta produtividade pode alcançar quantidades muito superiores e que são celebradas em concursos agropecuários. Na Expointer 2026, em Esteio (RS), por exemplo, a vaca Santa Clara C. Valandro 38423 Flashback, da raça holandesa, vem céu a categoria jovem com a produção de 93,10 quilos de leite em três ordenhas. Na categoria adulta, o título ficou com Festleite P. Ferraboli 407 Supersire, com 85,27 quilos. Outro exemplo brasileiro – e que, inclusive, ganhou repercussão internacional –, é a vaca da raça Girolando Marília FIV Teatro de Naylo. Ela entrou para o Guioness World Records como a maior produtora de leite do mundo: foram 127,570 quilos obtidos em três ordenhas mecânicas no 34° Torneio Leiteiro de Areias (SP), em agosto de 2019. O que interfere na produção de leite? Além de fatores como alimentação, raça, genética, manejo e saúde, o bem-estar também tem influência direta na produção. Um dos cuidados considerados essenciais é a oferta de água de boa qualidade, apontam Bruno Carvalho e Rui da Silva Verneque. “O consumo de uma vaca em lactação pode chegar a 200 litros por dia, dependendo do tamanho, da produção de leite, do clima etc. Note que o leite tem de 86% a 88% de água”. A temperatura do ambiente é outro detalhe levado em consideração pelo produtor rural. Tanto o frio intenso quanto o calor excessivo afetam o desempenho dos animais e reduzem a produção de leite. “A vaca irá produzir adequadamente se estiver em conforto térmico. Ambiente muito frio irá demandar maior consumo de energia para manter a temperatura corporal. Por outro lado, o ambiente muito quente provocará a redução de consumo e o aumento da transpiração para a perda de calor, o que ocasiona gasto de energia”. Até quando uma vaca produz leite? A idade do animal interfere na ordenha, mas não é possível estabelecer uma idade exata para o fim ou para o pico da produção, já que o período depende da raça, genética, manejo e histórico produtivo. De modo geral, a produção aumenta nas primeiras lactações e atinge o pico entre quatro e seis anos de idade. Depois, tende a sofrer alterações.

GLOBO RURAL

Com gestão rigorosa e investimento sem dívida, família do PR vira referência na pecuária leiteira

Na região dos Campos Gerais, no Paraná, propriedade da família Wacherski integra a Rota do Leite, que apresenta modelos eficientes de negócio no segmento. Os investimentos da família Wacherski na fazenda são apenas com capital próprio, sem recorrer a financiamentos

A foto na parede mostra o barracão onde a história do produtor Vitalino Wacherski começou, há mais de 40 anos. Ele relembra com orgulho dos percalços e da determinação que fizeram da Chácara Ressaca uma das referências na produção de leite em Castrolanda, bairro da área rural de Castro (PR) reconhecido como uma das principais bacias leiteiras do país. Sua história já esteve nas páginas da Globo Rural, em junho de 1989. A reportagem “Os olhos azuis dos Campos Gerais” mostrou os imigrantes holandeses que se instalaram na região. E destacou o desenvolvimento tecnológico e a produtividade da bacia leiteira local. Na época, Wacherski tinha 32 vacas da raça holandesa em lactação, produzindo 200 litros de leite por dia. Hoje, são 175, com média diária de 6.900 litros. “Eu sou muito apaixonado pelo que faço e pelo rebanho que temos”, diz o produtor. Crescer e aumentar a eficiência do negócio exigiu dedicação e controle financeiro para investir em melhorias e tecnologia. Da primeira vaca, Julha (que viveu 19 anos e tem seu retrato em destaque no escritório da fazenda) às atuais, tudo sempre foi cuidadosamente planejado. A gestão une modernidade e tradição. Wacherski se informatizou sem deixar de lado as anotações no papel, com dados de custos e produção. E tem uma regra importante: evitar dívidas. “Faço os investimentos na propriedade com recursos próprios. Nunca fiz financiamento, porque tenho medo de dívida”, afirma. A exceção foram as placas de energia solar, parceladas diretamente com o fornecedor. O bom desempenho desse modelo de negócio é validado pelos números. A contagem de células somáticas (CCS) é de 90.000/mL, e a contagem padrão em placas (CPP), abaixo de 1.000 UFC/mL. Os dois indicadores mostram que o rebanho está saudável e a ordenha tem padrão de excelência. Avaliados pela indústria, rendem bonificação para o produtor. Hoje, Wacherski administra a fazenda junto com os três filhos. É o responsável pela parte financeira. Desde quando iniciou a sucessão familiar, cada avanço é avaliado em conjunto. “Pesquisamos o custo, avaliamos o poder aquisitivo que temos naquele momento e programamos a compra. Primeiramente, fazemos o alicerce financeiro.” Lariane, uma das filhas, responsável pela sanidade e pela genética dos animais, credita os bons resultados a uma série de fatores: manejo do gado, conforto animal, nutrição adequada, cuidado criterioso na ordenha e busca de touros com alto valor genético para reprodução, visando aumentar a produção de leite e a resistência a doenças, como a mastite.Ela afirma que cada vaca produz em torno de 40 litros de leite por dia, em média. O volume supera o índice nacional. A Embrapa Gado de Leite calcula entre 30 e 35 litros por vaca ao dia em propriedades com sistemas mais intensivos em capital e animais confinados. Larissa Wacherski responde pela higiene e pela limpeza. A ordenha, mecanizada, é feita duas vezes por dia. As vacas em produção ficam no sistema free stall, com robô empurrador de alimentos. Esse investimento elevou a produção em 1,5 litro a mais por animal. Junto com a irmã, ela também conduz as inseminações. Marçal, o irmão delas, é responsável pela produção da alimentação do rebanho. Ele conta que 40 hectares da propriedade têm lavouras de milho e azevém para silagem e pré-secado. “Conseguimos economizar na compra do fubá e da ração.” Ainda assim, a nutrição representa 71,84% do custo de produção na propriedade. Para manter o padrão, a família investiu, recentemente, na ampliação da sala de ordenha, em um barracão para armazenar produtos de nutrição, um silo de ração e novos espaços para escritório e sala de medicamentos, seguindo as normas de boas práticas. O próximo projeto, conta Lariane, é ampliar o sistema free stall para novilhas, vacas prenhas e aquelas destinadas à inseminação. A forma de gerenciar o negócio e seus resultados tornaram a Chácara Ressaca um modelo. Ela integra a Rota do Leite, que abre as portas das propriedades mais eficientes da região para os visitantes. A iniciativa faz parte da programação oficial da Agroleite, feira realizada anualmente pela Cooperativa Castrolanda.

GLOBO RURAL

NACIONAl

Conseleite do Mato Grosso divulga valor base a ser pago em setembro com ajuste de +0,2%

O Conseleite do Mato Grosso divulgou o valor base a ser pago em setembro com um ajuste de +0,2% em relação ao mês anterior.

 A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de Julho de 2026 a ser pago em Agosto de 2026 e para o leite entregue no Agosto de 2026 a ser pago em Setembro de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil
células
somática
s/ml
mil
ufc/ml
Maior Valor de Referência1.0004,003,50150100
Valor Médio de Referência3003,603,30300250
Valor Base de Referência253,303,20400300
Menor Valor de Referência253,002,90750750
MATÉRIA-PRIMAJULHO/2026AGOSTO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em
JUL/26 a ser pago em
AGO/26 (R$/l)
Leite entregue em
AGO/26 a ser pago em
SET/26 (R$/l)
R$/litro%
Maior Valor de Referência3,23693,24470,00780,2%
Valor Médio de Referência2,72542,73200,00660,2%
Valor Base de Referência2,48992,49590,00600,2%
Menor Valor de Referência2,32702,33260,00560,2%

OBS: (1) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural. Empresas/Cooperativas participantes do Conseleite-MT: Campileite; Cooperbomja; Coopnoroeste; Coopernova; Cooperprata; Comajul; Comov; Lat. Lactvit; Lat. Rovigo; Lat. Casterleite; Lat. Vila Rica; Lat. Serrano; Lat. Vital Alimentos.

Conseleite MT

EMPRESAS

De 80 litros a 2 milhões de litros de leite por dia: a cidade catarinense onde nasceu uma gigante do setor lácteo

Muitas indústrias do agro nasceram de uma necessidade local e cresceram até ganhar o país. Em Treze Tílias, no Meio-Oeste de Santa Catarina, famílias vindas do Tirol austríaco transformaram o costume de ordenhar vacas em uma fábrica que hoje abastece mercados de norte a sul e ainda guarda na cidade o ofício de esculpir madeira trazido na bagagem.

O leite chegou junto com os primeiros moradores. Segundo a Lactcínios Tirol, os imigrantes do Tirol, que deixaram a Europa durante a crise econômica do período entreguerras, também se tornaram produtores de leite no novo território, e a agroindústria leiteira passou a ser o forte do município. A virada industrial começou em 1974, por iniciativa do padre austríaco Johann Otto Küng, que tinha experiência na produção de leite e percebeu semelhanças entre as terras catarinenses e as deixadas para trás. Em 2005, a empresa inaugurou em Treze Tílias uma nova unidade com equipamentos importados da Suécia e da Alemanha, e a primeira linha a funcionar foi a de leite em pó. A empresa começou com cerca de 80 litros de leite por dia e passou de 2 milhões de litros diários, de acordo com a própria Tirol. É uma multiplicação de mais de 25 mil vezes, suficiente para colocar a marca nascida em uma cidade pequena entre os grandes nomes do setor lácteo nacional. A expansão saiu das fronteiras do município. A Tirol mantém três unidades produtivas, em Treze Tílias, Pinhalzinho e Ipiranga, no Paraná, além de 21 pontos de captação distribuídos por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Conforme a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a empresa constrói em Pinhalzinho uma nova fábrica de leite em pó e proteína do leite, com investimento de aproximadamente R$ 200 milhões.

Canal Rural

ECONOMIA

Dólar fecha sessão sem gatilhos perto da estabilidade

O dólar fechou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, em paralelo à perda de força da moeda norte-americana ante outras divisas durante a tarde, em uma sessão sem gatilhos fortes para as cotações.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,11%, a R$5,1451. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,39% e, no ano, baixa de 6,27%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1585. Na sexta-feira os investidores digeriram nova pesquisa do Datafolha mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os percentuais são os mesmos da pesquisa da semana anterior e indicam empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No meio da manhã, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para 2 de abril de 2027. Com a operação, o BC deu liquidez ao mercado à vista em um momento de fluxo de saída de dólares do país, antes das eleições de outubro. Os dados mais recentes do BC mostram que em setembro até o dia 11 já saíram do Brasil US$5,987 bilhões líquidos, sendo que cerca de 90% foram pelo canal financeiro — que reflete operações em carteira e remessas de lucros, entre outras. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o BC vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 1º de outubro. No exterior o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas durante a manhã, mas ao longo da tarde a moeda perdeu força, em movimento percebido também no Brasil. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,06%, a 100,190.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda e acumula primeira perda semanal desde agosto

O Ibovespa fechou com queda modesta na sexta-feira, acumulando a primeira perda semanal desde meados de agosto, com investidores ajustando apostas. No setor de proteínas, MINERVA ON avançou 4,46%, em sessão de recuperação após quatro quedas seguidas, período em que acumulou declínio de 7,75%. No setor, MBRF ON subiu 1,08%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,41%, a 185.229,17 pontos, na sessão, acumulando um declínio de 1,06% na semana. No dia, alcançou 185.991,47 pontos na máxima. Na mínima, marcou 184.460,91. O volume financeiro somou R$38,37 bilhões, influenciado ainda pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. Com o cenário eleitoral seguindo sob os holofotes, investidores também voltaram as atenções para eventos como o primeiro aumento de juros nos Estados Unidos desde 2023 e o corte na taxa Selic no Brasil nos últimos dias. Na visão do economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, o investidor está recalibrando preços diante de fatores como mais incerteza eleitoral, preocupação fiscal, juros globais menos favoráveis. Na cena política, nova pesquisa publicada na noite de quinta-feira reforçou o quadro disputado na corrida presidencial no país. De acordo com o Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 44%. Os percentuais são os mesmos da semana passada e mantêm os candidatos em empate técnico, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, mostrou a pesquisa divulgada na noite de quinta-feira. Nessa semana, também trouxe desconforto quanto às perspectivas fiscais o anúncio do reajuste do Bolsa Família na véspera. No exterior, último pregão da semana registrou alta nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, o que corroborou a fraqueza na bolsa paulista, enquanto o S&P 500 subiu 0,17%. Dados da B3 mostraram saída líquida de estrangeiros das ações brasileiras no último dia 16, reduzindo o saldo positivo acumulado em setembro para R$6,287 bilhões, de R$7,251 bilhões até o dia 15.

REUTERS

Segunda prévia sinaliza IGP-M de setembro próximo a 1,5%, diz André Braz, da FGV

Após cair 0,36% na segunda prévia de agosto, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,47% na segunda prévia de setembro, informou na sexta-feira (18) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa desde abril (2,64%).

O desempenho foi impulsionado por aumentos de preços no atacado e no varejo, disse André Braz, economista da fundação. Para o técnico, a segunda prévia sinaliza um resultado próximo a 1,5% para o indicador completo do mês. Em agosto, o IGP-M caiu 0,22%. A variação de preços no atacado, 60% do indicador, foi o “carro-chefe” da edição de setembro do índice, comandando o aumento de preços, completou. Da segunda prévia de agosto para igual medição em setembro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o setor atacadista, saiu de uma queda de 0,50% para um avanço de 1,95%. Contribuíram para tal movimento os aumentos de preços nas principais commodities usadas para cálculo do indicador. É o caso de soja em grão (6,80%), minério de ferro (3,09%), carne bovina (4,92%), farelo de soja (10,08%) e milho em grão (4,37%). “Produtos agrícolas e industriais igualmente avançaram [de preço]”, resumiu ele. “O IP está com pressão [inflacionária] bem espalhada”, notou. Outro segmento que impulsionou a segunda prévia de setembro foi o varejo, 30% do indicador. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) saiu de uma queda de 0,49% para uma alta de 0,47% entre a segunda prévia de agosto e igual prévia em setembro. Isso porque não se tem mais efeito de energia elétrica mais barata, fenômeno observado em agosto causado pelo “bônus de Itaipu”, comentou. Esse é um desconto automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Assim, a tarifa de energia elétrica residencial saiu de uma queda de 8% para uma alta de 8,68% da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. Também contribuíram para o IPC maior altas de preços em condomínio residencial (1,70%), tomate (13,22%) e cigarros (7,80%), acrescentou. Como as influências que estão empurrando para cima a segunda prévia não devem sumir até o fim do mês, o especialista não descartou continuidade de aumentos de preços no período – contribuindo, assim, com a elevação do IGP-M de setembro. “Daqui até o fechamento, a taxa não deve mudar muito. O IGP deve fechar em torno de 1,5% como antecipa a segunda prévia”, afirmou.

VALOR ECONÔMICO

Governo vê dívida pública perto de 90% do PIB em 2029 e acima disso se perseguir piso da meta

Estimativas foram enviadas como informação complementar à proposta de Orçamento de 2027. Governo atribui piora ao cenário de juros mais altos e diz manter compromisso com busca de superávit

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisou suas projeções de dívida pública e agora vê o indicador perto dos 90% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2029, ou até acima desse patamar caso o resultado das contas fique no piso inferior da meta fiscal nos próximos anos. As novas estimativas constam nas informações complementares do PLOA (Projeto de lei Orçamentária Anual) de 2027, encaminhadas ao Congresso na sexta-feira (18). O documento reúne demonstrativos, planilhas e dados que dão suporte à peça orçamentária. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, o próximo mandato de presidente da República também será marcado pela alta no endividamento, ainda que menos intensa do que o observado na atual gestão. Segundo as projeções, a DBGG (dívida bruta do governo geral), um dos principais indicadores de solvência de um país, deve subir seis pontos percentuais nos próximos quatro anos, chegando a 89,7% do PIB em 2030. Um ano antes, o endividamento já encosta nos 90% do PIB, com uma estimativa de 89,6% do PIB. O atual mandato de Lula deve se encerrar com uma expansão de 12 pontos percentuais na dívida bruta, que fechará o ano em 83,7% do PIB, segundo as novas previsões. A equipe econômica atribui a piora dos últimos anos à regularização de despesas represadas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como as sentenças judiciais (precatórios), e à alta na taxa básica de juros, a Selic, que afeta diretamente a remuneração de metade dos títulos de dívida emitidos pelo governo. O cenário projetado pelo Tesouro é mais desfavorável que o traçado pelo órgão no fim de junho, no RPF (O Relatórios de Projeções Fiscais). Naquela ocasião, a previsão era que a DBGG alcançasse o pico de 87,9% do PIB em 2029. Procurado, o Ministério da Fazenda disse que a revisão se deve à incorporação de taxas de juros mais altas ao cenário para os próximos anos. “Não houve alteração relevante nas hipóteses fiscais. Em particular, a mudança não decorre de aumento das despesas primárias nem de qualquer flexibilização do compromisso fiscal do governo federal”, afirmou.

FOLHA DE SP

Agroindústria teve recuo de 2,9% em julho

Indicador da FGV Agro mostra retração na maioria dos segmentos em relação a 2025. Indústria de alimentos de origem vegetal teve queda de 3,8% no período

A produção da agroindústria registrou contração de 2,9% em julho de 2026, em relação ao mesmo mês do ano passado, acompanhando a queda da atividade da indústria brasileira como um todo. O dado é do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro). O número é decorrência dos juros altos e do esgotamento do modelo de crescimento puxado pelo consumo das famílias, segundo o FGV Agro. A retração foi generalizada entre os diferentes segmentos agroindustriais, com poucas exceções. O pior desempenho foi registrado no ramo de produtos não alimentícios, que apresentaram uma queda conjunta de 4,5%. O segmento que puxou essa queda foi o de insumos agropecuários, cuja atividade registrou recuo de 20,8%. É uma indústria que vem sofrendo tanto com a restrição de crédito e de liquidez por parte dos produtores rurais como por dificuldades na obtenção e custos de insumos. Na comparação anual, os destaques foram as quedas na produção de insumos intermediários para fe4rtilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos e tratores e máquinas agrícolas. Outra agroindústria que registrou retração foi a de produtos têxteis, cuja produção caiu 6,7% no mês. Nesse ramo, houve queda na produção de fibras, na tecelagem, na fabricação de tecidos de malha, de artefatos têxteis, de vestuário, de artigos de malha, de curtimento de couro e de calçados. Houve ainda queda de 0,1% entre as indústrias de produtos florestais, com menor fabricação de produtos de madeira e embalagens, ofuscando a alta do setor de papel e celulose. O desempenho do segmento de não alimentícios só não foi pior devido às performances das produções de biocombustíveis e de fumo, que cresceram 6,1% e 23,6%, respectivamente. As indústrias de biocombustíveis estão com produção aquecida com a maior safra de cana-de-açúcar e novas usinas de etanol de milho. O segmento de produtos alimentícios e bebidas, por sua vez, registrou uma queda agregada de 1,6% em julho, puxada pela menor produção de alimentos em geral (baixa de 2,6%), enquanto a produção de bebidas teve um aumento de 5%. A indústria de alimentos de origem vegetal foi a que teve o pior desempenho nesse setor, com queda de 3,8%, puxada pela redução na moagem de trigo e pela menor fabricação de açúcar refinado, já que a safra de cana-de-açúcar está mais voltada para a produção de etanol. Já a produção de alimentos como conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café registraram expansão. As indústrias de alimento de origem animal tiveram retração de 1,7%, resultado da queda na produção de carne bovina e de pescados. Segundo o FGV Agro, o setor de carne bovina já deve ter começado a sentir em julho os impactos do preenchimento da cota chinesa de importação de 1,106 milhão de toneladas, que entraram no país sem a tarifa adicional de 55%. A China é o principal destino de exportação da carne brasileira. Já no segmento de bebidas, houve alta na produção tanto de bebidas alcoólicas com não alcoólicas, de 6,8% e 3,3% respectivamente. A despeito da retração generalizada na comparação anual, o FGV Agro observou que o desempenho da agroindústria em julho foi melhor do que no mês anterior. Mesmo considerando os ajustes sazonais, a atividade do setor cresceu 0,4% na comparação mensal. Mas, no acumulado do ano, a agroindústria já recuou 0,8%.

VALOR ECONÔMICO

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