Informativo Sindileite 217 11.09.2026

Ano 1 | nº 217 | 11 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Preço do whey dispara em todo o mundo, e especialistas sugerem alternativas de proteína

Escassez de insumo se deve à alta demanda, e popularização de canetas emagrecedoras ajuda a explicar cenário. Suplementos como caseína e albumina são opções, bem como alimentação rica em carnes, ovos e laticínios

O preço do whey protein, a proteína do soro do leite, disparou diante do aumento do consumo em todo o mundo. O suplemento deixou de ser usado apenas em shakes em pó ou barrinhas e virou ingrediente de bebidas, incluindo cerveja. Também chegou a biscoitos, pães e outros alimentos. De acordo com levantamento da consultoria Scanntech, as vendas de whey protein subiram 124% em volume no varejo brasileiro entre janeiro e outubro de 2025. Para especialistas, a demanda levou à escassez da matéria-prima. O consumo também foi impulsionado pelo uso das canetas emagrecedoras, pois usuários desses medicamentos são orientados a ingerir mais proteína. “Os suplementos proteicos, principalmente o whey, passaram a ser indicados para indivíduos que usam canetas emagrecedoras em todo o mundo, com o objetivo de minimizar a perda muscular”, diz o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). A indústria, no entanto, enfrenta obstáculos para ampliar a oferta de whey. Feito a partir do soro do leite, o suplemento é principalmente um subproduto da fabricação de queijo, que passa por processos de filtração, concentração e secagem. Mas o consumo de queijo não acompanhou a alta da demanda por whey, apontam especialistas. “Outro gargalo dessa cadeia é a capacidade das fábricas de filtragem e secagem, que não estão conseguindo atender a toda essa demanda”, afirma Diego Freitas, CEO da Growth, uma das maiores marcas de suplementos do país. Para produzir o suplemento em larga escala, as empresas precisam importar a maior parte da matéria-prima. Nos Estados Unidos, um dos principais fabricantes, o preço do whey com 80% de teor proteico quase triplicou em 2025, segundo dados da consultoria Vesper. Não há previsão de queda dos preços. Para quem já sente pesar no bolso e busca uma alternativa de suplemento, Werutsky sugere como alternativa a caseína (extraída diretamente do leite), a albumina (extraída da clara de ovo desidratada) e a proteína isolada de soja, que segundo ele têm quantidade de proteína praticamente semelhante ao whey. Os especialistas também alertam que a alta do preço do whey pode favorecer o comércio de proteína adulterada, por isso o ideal é comprar apenas de lojas e marcas com boa reputação e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. A proteína também pode ser obtida da alimentação. Frango, carne bovina, peixes, ovos e laticínios estão entre as principais fontes. O diretor da Abran lembra que os alimentos também fornecem uma combinação de nutrientes, como carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, além de proteína. Os peixes, por exemplo, são ricos em ômega 3. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda um consumo diário de no mínimo 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal para suprir as necessidades fisiológicas —100 g de peito de frango têm cerca de 30 g de proteína, por exemplo. Muitos nutricionistas, contudo, indicam de 1 g a 2 g de proteína por quilo ao dia, dependendo das características de cada pessoa. Os veganos, afirma Werutsky, precisam combinar diferentes fontes para melhorar a qualidade da proteína ingerida. “Uma possibilidade é combinar cereais e leguminosas, como arroz e feijão. Também podem consumir suplementos de proteína vegetal, como a soja isolada.” Esse cuidado com o consumo diário de proteínas é fundamental para o bom funcionamento do corpo, diz o especialista. “Nosso organismo renova continuamente suas proteínas, por isso é importante consumir esse nutriente. Esse processo é fundamental para os músculos e outras estruturas do corpo”, diz Werutsky.

FOLHA DE SÃO PAULO

EMPRESAS


LACTALIS, NESTLÉ E MAIS SEIS LATICÍNIOS AVANÇAM NO MAIS LEITE SAUDÁVEL

Um despacho da Receita Federal definiu o destino fiscal de projetos de investimento em laticínios espalhados pelo Brasil. Entre gigantes e empresas regionais, oito nomes do setor lácteo receberam um sinal verde do governo federal.

O Programa Mais Leite Saudável ganhou oito novas empresas com habilitação definitiva, segundo ato publicado pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil em 10 de setembro de 2026. A lista reúne nomes de peso e companhias regionais: Lactalis do Brasil, Nestlé Nordeste Alimentos e Bebidas, AM Laticínios, Sibele Alimentos, Indústria e Comércio de Laticínios Vale dos Buritis, Lasaroli Alimentos Indústria e Comércio, Aga Indústria e Comércio e Comércio e Indústria Emes. Segundo o ato, os projetos de investimento habilitados são de titularidade das próprias empresas e passaram pelo crivo do Ministério da Agricultura e Pecuária antes de chegar à Receita Federal. A aprovação do MAPA funcionou como etapa prévia à habilitação definitiva concedida agora pelo órgão fazendário. A presença simultânea de uma multinacional como a Lactalis, de uma unidade regional da Nestlé e de empresas de menor porte como Aga, Emes e Lasaroli mostra que o programa não está restrito a um único perfil de companhia. Tanto players consolidados quanto operações mais localizadas conseguiram avançar até a etapa final de habilitação no mesmo ciclo. Para o setor lácteo, o dado que fica é a confirmação oficial: oito empresas romperam a barreira burocrática entre projeto aprovado pelo MAPA e habilitação definitiva junto à Receita Federal, um passo que formaliza o avanço de seus investimentos dentro do Programa Mais Leite Saudável.

ATLAS PÚBLICO/EDAIRYNEWS

Parmesão de 6 ou 12 meses: o que muda com o tempo de maturação?

Período de maturação modifica sabor, aroma e textura e ajuda a definir o perfil do queijo.

Seis meses ou um ano podem parecer apenas uma diferença de tempo, mas, no queijo parmesão, esse intervalo é suficiente para provocar mudanças perceptíveis. À medida que a maturação avança, o queijo passa por transformações que interferem diretamente em seu sabor, aroma e textura. É nesse processo que um parmesão mais jovem e outro mais maturado começam a se distinguir. De maneira geral, quanto maior o período de maturação, mais intensas tendem a ser as características sensoriais do queijo. Um parmesão maturado por seis meses apresenta perfil mais moderado e textura quebradiça, enquanto, aos 12 meses, tende a desenvolver sabor e aroma mais marcantes, além de uma textura mais quebradiça. A diferença está relacionada às transformações que ocorrem no queijo ao longo do tempo. Enzimas e culturas lácteas atuam sobre componentes como proteínas e carboidratos, modificando a estrutura e contribuindo para a formação dos compostos responsáveis por parte do sabor e do aroma característicos do parmesão. Uma das características que podem chamar a atenção em queijos mais maturados são os pequenos cristais percebidos durante a mastigação. Entre eles estão os cristais de tirosina, associados à degradação das proteínas ao longo da maturação. Na boca, eles podem produzir uma sensação levemente crocante, que faz parte da experiência de degustação de queijos de maturação mais longa. “O tempo de maturação tem influência tanto nas características sensoriais quanto em alguns aspectos da composição do queijo. Conforme esse período aumenta, o parmesão passa por transformações que contribuem para o desenvolvimento do sabor e da textura”, explica Rebeca Couto, gerente da Escola de Queijo (TEQ) da Tirolez. A maturação também interfere na lactose. De acordo com Couto, a lactose naturalmente presente no leite é consumida pelas culturas lácteas durante o processo de maturação. As diferenças entre os estágios de maturação também ajudam a explicar por que o parmesão pode ocupar espaços diferentes na alimentação. Um queijo de perfil mais moderado pode ser incorporado com facilidade a preparações como massas, molhos e gratinados. Já um parmesão mais intenso pode ser consumido sozinho, em tábuas ou em combinações que valorizem seu sabor. É possível, por exemplo, experimentar o contraste entre o salgado e o adocicado em combinações com damasco, geleias de frutas vermelhas ou chocolate ao leite. Além das características sensoriais, o parmesão apresenta elevada concentração de proteínas. Dependendo da maturação, o produto pode fornecer entre 33 e 38 g de proteína a cada 100 g, segundo informações da Tirolez. Na versão ralada da marca, a porção de 10 g fornece 3,8 g de proteína. Assim, a diferença entre um parmesão de seis e outro de 12 meses vai muito além da indicação na embalagem. O tempo transforma o queijo — e, com ele, mudam a intensidade, a textura e a própria forma de apreciá-lo.

Assessoria de Imprensa Tirolez

ECONOMIA

Dólar fecha em baixa, na contramão do exterior

O dólar fechou a quinta-feira em baixa após uma nova pesquisa eleitoral mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Planalto, ainda que em empate técnico.

O recuo do dólar ante o real ocorreu na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana subiu ante a maior parte das demais divisas. O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,20%, a R$5,1013. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,06%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,04% na B3, aos R$5,1260. O dólar chegou a subir ante o real mais cedo, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, mas no fim da manhã a divisa perdeu força em meio a especulações no mercado de que uma nova pesquisa mostraria o avanço de Flávio na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Às 14h30 a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi finalmente divulgada e mostrou Flávio com 46,4% das intenções de voto em um segundo turno, contra 46,2% de Lula. No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio também passou a superar Lula, com 53% das apostas de vitória neste fim de tarde, contra 44% do petista. No exterior, a moeda norte-americana avançou ante a maior parte das demais divisas, em um dia marcado pela disparada dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$107 o barril. Na quinta-feira, os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto iemenita de Mohcha, o que representa uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho. Já o tráfego no Estreito de Ormuz permaneceu restrito, devido à intensificação dos ataques a petroleiros na região nos últimos dias. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,31%, a 99,084. No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

REUTERS

Ibovespa descola do exterior e fecha em alta com petróleo

O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, voltando a superar os 188 mil pontos, sustentado principalmente pelas ações de bancos.

Os papéis da Petrobras também forneceram um apoio relevante, com o barril do petróleo disparando mais de 6% no mercado internacional, na esteira da escalada de ataques a petroleiros no Oriente Médio. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,42%, a 188.258,29 pontos, de acordo com dados preliminares, mas chegou a 188.538,85 na máxima. Na mínima, no começo do dia, recuou a 184.601,20 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$28,6 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Setor de serviços do Brasil decepciona e fica estável em julho

O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho na comparação com junho e iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado, em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica.

Em julho, o volume de serviços teve ainda avanço de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 1,1% na base anual. Com isso, o setor de serviços está 0,2% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025. “O que dá para dizer é que há uma lateralidade do setor de serviços, ele vai andando de lado desde o começo do ano. Isso está claro, mas não tem tendência de alta e baixa”, disse Luiz Carlos Almeida, analista da pesquisa no IBGE. Dados do PIB divulgados no início do mês mostraram que o setor de serviços — que responde por cerca de 70% da economia do país — teve avanço de apenas 0,2% no segundo trimestre, após alta de 0,4% no primeiro, enquanto o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%. O mercado de trabalho aquecido e medidas do governo estimulam o consumo, mas a política monetária ainda restritiva vem pesando sobre a atividade. A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14,0%. “Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. O segundo semestre ainda deverá ser marcado pelas incertezas em relação às eleições presidenciais, em outubro. Os dados do IBGE mostram que, no mês de julho, a atividade de informação e comunicação foi a única a registrar recuo sobre o mês anterior, de 2,5%, devolvendo parte do crescimento acumulado entre abril e junho (3,3%). Almeida disse que a queda desse segmento, que ganhou peso na economia desde a pandemia, foi determinante para a estabilidade de serviços no mês. O setor representa quase um quarto da pesquisa mensal de serviços, segundo o IBGE. “Essa queda não parece ser uma tendência, parece mais uma acomodação do setor de comunicação e informação”, afirmou. Por outro lado, apresentaram avanços as atividades de transportes (0,4%), profissionais, administrativos e complementares (0,6%), outros serviços (0,7%) e serviços prestados às famílias (0,5%). O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 2,7% em julho frente ao mês anterior, recuperando parte da perda de 4,0% observada entre maio e junho. O índice está 3,8% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

REUTERS

Faturamento da indústria cai 2% em julho, diz CNI

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a queda é de 0,5%

O faturamento da indústria de transformação recuou 2% em julho ante junho, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a queda é de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025. O percentual de horas trabalhadas na produção subiu 0,2% frente a junho, enquanto a Utilização de Capacidade Instalada subiu 0,1 ponto percentual, para 77,4% no mês. Já no acumulado de janeiro a julho, houve baixa de 1% nas horas trabalhadas e de 0,8 ponto percentual no uso do parque fabril, ante igual período de 2025. “O destaque nesse mês fica com o faturamento: houve uma queda de 2% na comparação com junho. O quadro geral não muda muito em relação ao mês anterior, até porque a maior parte dos indicadores teve uma variação muito pequena”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo. O emprego industrial cresceu 0,2% em julho na comparação com junho. No acumulado de janeiro a julho, contudo, registrou queda de 0,6% ante igual período de 2025. A massa salarial também avançou 0,2% no mês e acumulou alta de 0,6% no ano. O rendimento médio permaneceu estável em relação a junho, o que resulta num avanço acumulado de 1,2% de janeiro a julho de 2026 comparado ao mesmo período de 2025. Com esse cenário, o quadro de desaquecimento da atividade industrial permanece. “A elevação da taxa de juros e o endividamento das famílias vêm diminuindo a demanda por bens industriais de uma forma geral”, disse Azevedo.

VALOR ECONÔMICO

Inadimplência atinge 29,9% das famílias e deve piorar

A inadimplência das famílias brasileiras voltou a subir em agosto, em meio à manutenção de patamar recorde de endividamento, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As famílias de menor poder aquisitivo lideraram avanço nas parcelas de inadimplentes na pesquisa, acrescentou ainda a organização.  A CNC não descartou continuidade de expansão da inadimplência nos próximos meses. No estudo, a parcela de endividados entre julho e agosto ficou em 82%, a maior proporção na série da pesquisa, iniciada em 2010. Em agosto de 2025, a fatia de endividados era de 78,8%. A fatia de endividados que admitiram inadimplência subiu 29,8% em julho para 29,9% em agosto. Porém, foi inferior à fatia de agosto de 2025 (30,4%). Também avançou a parcela dos que estão inadimplentes e sem condição de quitar dívida, de 12,3% em julho para 12,5% em agosto. Mesmo com avanço, a proporção foi menor do que a de agosto do ano passado (12,8%). A fatia dos que se consideram muito endividados também subiu, de 17,1% para 17,4%, de julho para agosto. Em contrapartida, no mesmo período, houve menor parcela dos que se categorizam como pouco endividados, de 35% para 34,9%, de julho para agosto. Na análise por faixas de renda, a CNC informou ainda que houve aumento de endividamento nos dois “extremos”: o mais baixo e o mais elevado em ganhos mensais. Em famílias com renda mensal até três salários-mínimos, a fatia de endividados subiu de 84,9% para 85,1% de julho para agosto. No mesmo período, entre endividados com renda acima de dez salários-mínimos, a parcela avançou de 72% para 72,3%. No entanto, chamou atenção, no estudo, o comportamento de inadimplentes de baixa renda, de julho a agosto. A fatia dos inadimplentes com ganhos até três salários-mínimos mensais foi a única que avançou, no período, entre quatro analisadas, a subir de 38,5% para 38,8%. Em contrapartida, nas fatias de endividados que admitiram inadimplência foram observadas diminuições, de julho a agosto, nas proporções dos devedores com ganhos mensais de três a cinco salários-mínimos, de 28,1% para 28%; entre os com renda mensal entre cinco e dez salários-mínimos, de 21,4% para 20,3%; e nos com ganhos mensais acima de dez salários-mínimos, de 15,1% para 14,9%. Em comunicado, a confederação ponderou que os resultados comprovam que famílias tiveram menor controle de contas, mesmo com prazo maior de pagamento para dívidas. A organização não descartou continuidade de inadimplência no próximo trimestre. “Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência”, afirmou, em comunicado, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “Lamentamos o cenário de juros elevados que reforça esse ciclo desde meados de 2025”, disse. O juro alto torna o crédito, bem como a dívida, mais caro. Tadros mostrou-se, no entanto, otimista em relação às vendas do varejo no curto prazo, mesmo com o atual contexto, de endividamento e inadimplência. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, ponderou que o cenário atual tem muito a ver com dependência do crédito, do brasileiro, para compor consumo básico. Isso mantêm endividamento em patamar recorde, disse.

VALOR ECONÔMICO

Prévia do IGP-M acelera, sob impacto de commodities

Inflação do varejo também ajuda a pressionar indicador em agosto, aponta FGV

A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou de agosto a setembro, de 0,26% para 0,93%, informou na quinta-feira (10) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa para primeira prévia desde abril desse ano (0,95%). Commodities mais caras no atacado, tanto agropecuárias quanto industriais, explicam taxa maior, informou André Braz, economista da FGV. O especialista não descartou que o IGP-M completo fique acima de 1%, em setembro – em agosto, o indicador caiu 0,22%. Braz explicou que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), 60% do IGP-M e que representa o atacado, saltou de 0,28% para 1,26% da primeira prévia de agosto para igual prévia em setembro. No período, a variação de preços de produtos agropecuários avançou de 1,83% para 2,40%. Produtos industriais, por sua vez, saíram de queda de 0,24% para alta de 0,86%. “Tivemos minério de ferro com alta, carne bovina com alta, farelo de soja em alta, milho em alta”, citou. Esses produtos tiveram aumentos, respectivamente, de 2,85%, de 4,42%, de 6,07% e de 3,10%, na prévia de setembro, no atacado. Outro efeito que ajudou a acelerar primeira prévia do IGP-M foi inflação do varejo, acrescentou. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 30% do IGP-M, saiu de queda de 0,09% para alta de 0,09%, entre primeira prévia de agosto e igual prévia em setembro. O indicador não conta mais em setembro com o efeito do bônus de Itaipu, que ajudou a derrubar indicador varejista em agosto. O bônus é um desconto automático aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros o gerado por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Na primeira prévia de agosto, a tarifa de eletricidade residencial caiu 0,31%. A tarifa representa, sozinha, quase 5% do total do IPC. “E no varejo temos vários itens com influência relevante no IPC [na primeira prévia de setembro]”, completou Braz. Houve aumentos expressivos de preço em cigarro (7,80%), móveis para residência (2,66%) e plano e seguro de saúde (0,46%), disse. Braz não acredita que até fim do mês ocorra enfraquecimento expressivo de alta de preços que aceleraram a primeira prévia do IGPM de agosto a setembro. Outro ponto comentado por ele é que também é possível ocorrer menor ritmo de oferta de agrícolas no mês, devido a problemas climáticos. “Já conseguimos ver o efeito do El Niño no Sudeste”, alertou, citando o fenômeno que provoca clima mais errático, com impacto em safras e lavouras. “Estamos vendo três semanas de chuva consecutivas em alto volume”, disse. “Essas coisas não passam despercebidas e começam a influenciar a economia”, notou. Assim, todos esses fatores reunidos levam o técnico a acreditar que o indicador do mês “tem potencial” para ser acima de 1%. “Vamos acompanhar os desdobramentos. Mas já sabemos que o IGP-M de setembro vai vir mais ‘forte’ [do que o de agosto].” Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), 10% do IGP-M, foi o único componente a desacelerar, da primeira prévia de agosto para igual prévia em setembro: de 0,75% para 0,35%. A FGV informou ainda que o IGP-M acumula altas de 2,79% no ano e de 2,68% em 12 meses, até primeira prévia de setembro.

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