Informativo Sindileite 218 14.09.2026

Ano 1 | nº 218 | 14 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite UHT sobe 1,78% em agosto, na contramão da queda dos alimentos

Enquanto batata, cenoura, cebola e tomate registraram quedas expressivas em agosto, o leite longa vida seguiu na contramão e ficou 1,78% mais caro no mês.

Enquanto batata, cenoura, cebola e tomate registraram quedas expressivas em agosto, o leite longa vida seguiu na contramão e ficou 1,78% mais caro no mês. O dado faz parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No geral, os preços da alimentação e bebidas recuaram 0,34% em agosto, influenciados principalmente pela alimentação no domicílio, que ficou 0,61% mais barata. Entre os produtos pesquisados, a batata-inglesa teve a maior queda, de 19,89%, seguida por cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%). Na outra ponta, o leite longa vida aparece entre os alimentos que mais encareceram no mês. A alta de 1,78% veio acompanhada por aumentos nos preços das frutas (0,84%) e das carnes (0,61%). O movimento também chama atenção quando comparado a outros produtos da cesta láctea e de alimentos básicos: enquanto o leite longa vida avançou, o ovo de galinha caiu 4,15% e o café moído recuou 1,86%. Fora do domicílio, a alimentação continuou registrando alta, mas em ritmo menor. O avanço passou de 0,55% em julho para 0,36% em agosto, com desaceleração tanto nos preços dos lanches quanto das refeições. Assim, o comportamento do leite longa vida se destaca em um mês marcado por uma queda nos preços da alimentação consumida em casa, mostrando que a redução observada no grupo não foi uniforme entre os produtos.

IBGE

EMPRESAS

Tirol aposta em doce de leite sem açúcar e sem lactose

Um dos produtos mais tradicionais do portfólio da Tirol ganha uma nova versão para atender a diferentes escolhas alimentares.

Um dos produtos mais tradicionais do portfólio da Tirol ganha uma nova versão para atender a diferentes escolhas alimentares. A marca lança o doce de leite zero açúcar e zero lactose, que combina o sabor e a cremosidade característicos do tradicional doce de leite com uma formulação sem adição de açúcar e sem lactose. Disponível em embalagem de 250g, o produto chega ao mercado como uma alternativa para quem quer manter o prazer de consumir um clássico da categoria, mas busca uma opção adequada a novas necessidades alimentares. O lançamento aposta justamente no equilíbrio entre indulgência e novas necessidades alimentares. Com textura cremosa e sabor marcante, o doce de leite zero açúcar e zero lactose mantém a experiência esperada de um doce de leite, mas amplia as possibilidades para quem não consome açúcar ou precisa evitar a lactose. A novidade também acompanha um movimento de mercado em que produtos com atributos de saudabilidade deixam de atender apenas públicos específicos e passam a conquistar consumidores que buscam fazer escolhas mais conscientes no dia a dia. “Queremos oferecer uma opção que preserve aquilo que o consumidor valoriza no doce de leite, como sabor, qualidade e cremosidade, mas que também responda às novas demandas de consumo. O produto une essas duas propostas em um produto que tem a qualidade e a tradição da Tirol”, afirma o gerente de marketing da Tirol, Rodnei Guariza.


Assessoria de Imprensa da Tirol

BNDES APROVA R$ 1,3 BI PARA COOPERATIVAS DO PARANÁ NO SEMESTRE

Uma cooperativa ligada ao leite entrou na lista de grandes beneficiadas por um pacote bilionário. O crédito do banco de desenvolvimento disparou no Paraná e colocou as cooperativas no centro das atenções.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 1,3 bilhão em crédito para cooperativas de produção do Paraná no primeiro semestre de 2026. O montante integra um movimento mais amplo de expansão do crédito do banco no Estado, que somou R$ 13,2 bilhões em aprovações para todos os setores da economia paranaense — alta de 93% em relação aos R$ 6,84 bilhões do mesmo período de 2025. Entre os projetos financiados está o da Cooperativa Central Aurora Alimentos, que receberá R$ 50 milhões para adquirir uma nova central de refrigeração e construir um túnel de congelamento contínuo em Castro (PR). O investimento total da obra é de R$ 74,52 milhões e deve ampliar a capacidade da cooperativa de comercializar produtos de maior valor agregado. Outras cooperativas do setor de grãos e proteína animal também entraram na lista de financiamentos do banco. Os números foram apresentados em um encontro na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba, com a participação do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que recebeu de representantes do cooperativismo paranaense um documento com demandas do setor. Na ocasião, Mercadante defendeu o modelo cooperativista como caminho de crescimento para produtores de menor porte: “A cooperativa é um modelo de produção muito avançado. Porque o cooperativado é sócio e aporta capital. Ele corre riscos, ele acompanha o resultado. O produtor fiscaliza, pois quer ver qual é a sobra (lucro). […] Principalmente para os pequenos, muitas vezes a única forma de avançar é através da cooperativa.”  O crédito às cooperativas é parte de um cenário de forte expansão do BNDES no Paraná como um todo. As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) paranaenses responderam por R$ 8,3 bilhões do total aprovado, um salto de 130% frente aos R$ 3,6 bilhões do mesmo período de 2025. Já os grandes projetos de infraestrutura concentraram parte relevante dos recursos: a EPR Iguaçu receberá R$ 9,2 bilhões para intervenções em 662 quilômetros de rodovias nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado, enquanto a EPR Litoral Pioneiro terá R$ 6,3 bilhões para obras em uma rodovia usada por cerca de 42 milhões de passageiros por ano — projeto que deve gerar aproximadamente 550 empregos diretos e 1 mil indiretos. O movimento não se restringe ao Paraná. Na Região Sul como um todo, as aprovações do BNDES somaram R$ 36,67 bilhões no primeiro semestre, alta de 90,2% sobre os R$ 19,28 bilhões do mesmo período de 2025. A infraestrutura liderou com R$ 14,33 bilhões, seguida pela agropecuária, com R$ 12,57 bilhões, indústria (R$ 5,63 bilhões) e comércio e serviços (R$ 4,13 bilhões). As MPMEs da região concentraram R$ 26,79 bilhões das aprovações — avanço de 119% ante R$ 12,23 bilhões um ano antes —, enquanto os desembolsos efetivos do banco na Região Sul chegaram a R$ 24,43 bilhões, contra R$ 19,77 bilhões no primeiro semestre de 2025.

O PRESENTE RURAL

Para não vender vacas, produtora rural cria queijaria premiada que emprega toda a família

Rosane Borosky, produtora rural em Marechal Cândido Rondon: queijaria conta com 24 produtos, entre versões do Queijo da Motta, queijos meia-cura e maturados, além de leite, nata, manteiga e iogurte 

Em agosto de 2023, Rosane Borosky e o marido, Genilson, enfrentavam dificuldades para manter as contas da propriedade rural da família em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. O casal tinha 48 vacas produzindo cerca de 1,3 mil litros de leite por dia, mas os custos da atividade haviam aumentado e a renda já não era suficiente para cobrir as despesas. A produtora não queria renunciar ao rebanho. Sem saber como manter a atividade, recorreu a uma oração. “Me ajoelhei e pedi a Deus para me ajudar, porque eu não queria vender as vacas. Veio uma voz na minha cabeça falando: ‘Rosane, faça queijo’”, conta. Ela logo separou quatro litros de leite e fez a primeira peça, batizada de “Queijo da Motta”, em homenagem à sua avó. Depois, entregou a uma conhecida para avaliar. Com a aprovação inicial, o produto começou a ser oferecido a familiares e amigos. Hoje, a Queijaria Meu Propósito produz entre 250 e 380 quilos de queijo por mês, conforme a demanda, e a agroindústria se tornou uma das principais fontes de renda da família. Neta e filha de agricultores, Rosane vive na propriedade da família, em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, desde que nasceu. O interesse em manter as atividades da família surgiu ao procurar maneiras de lidar com o luto, após a perda de um filho. Nessa busca, a convite da irmã, participou de um treinamento para pecuaristas em Castro, nos Campos Gerais. A experiência ajudou a retomar os planos para a propriedade. “Lá eu consegui colocar minha cabeça no lugar e voltei ao que eu era. Cheguei em casa decidida a continuar com o gado de leite que meus pais tinham”, afirma. O marido trabalhava fora, e os dois passaram a assumir juntos o rebanho. Mas o resultado não se sustentou: um problema na formulação da alimentação das vacas acabou comprometendo o rebanho. A família precisou vender alguns animais e passou a ter dificuldades para pagar as contas. Foi nesse momento que Rosane decidiu tentar transformar o leite em queijo. Sem recursos para construir uma agroindústria do zero, a família aproveitou uma construção que já existia na propriedade. A produtora buscou ainda capacitação específica em um curso de derivados de leite pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e em um projeto de queijos finos em Toledo (PR). As primeiras vendas foram feitas entre amigos, familiares e consumidores em eventos locais. No início de 2024, após ser impedida de participar de uma feira de produtores por não ter produtos classificados como coloniais, Rosane recebeu um novo convite e passou a utilizar o evento como uma das principais portas de entrada para os consumidores. O que começou com quatro litros de leite passou para dez litros e, atualmente, em períodos de maior demanda, Rosane chega a fazer três batidas de 200 litros em um único dia de produção. Um passo importante veio em fevereiro de 2025, quando a agroindústria recebeu o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal (SIMPOA), licença sanitária municipal para derivados de leite. A regularização deu segurança para ampliar a comercialização e permitiu que a queijaria avançasse para competições estaduais. O primeiro reconhecimento veio em 2025. O “Queijo da Motta”, produzido com leite de vacas Jersey, recebeu nota 98,45 no Prêmio Queijos do Paraná e conquistou o Super Ouro, principal distinção da competição. No dia seguinte à premiação, o estoque do queijo acabou na feira. “Foi uma virada de chave. A gente recebeu uma procura muito maior do que imaginava. As vendas aumentaram e a confiança também”, conta. Ainda em 2025, a família decidiu subir um degrau e participar de uma competição nacional: o Prêmio Queijo Brasil. Dos cinco produtos enviados, quatro receberam medalhas: prata para o Queijo da Motta e bronze para três produtos maturados. Rosane também recebeu o prêmio de produtor destaque do município de Marechal Cândido Rondon. A queijaria voltou à competição nacional na edição de 2026 com uma participação maior. Foram 14 produtos enviados, dos quais 11 receberam medalhas: três de ouro, quatro de prata e quatro de bronze. As premiações ampliaram a procura, mas também expuseram um limite para o negócio: a capacidade de produção. “Tem uma fila de novos pontos esperando os produtos. A gente vai ter que aumentar a quantidade de produção para atender a todos”, afirma a produtora. Agora, um chalé está em fase final de construção em frente à agroindústria para receber consumidores e ampliar a venda. O desafio é aumentar a capacidade para acompanhar o crescimento da demanda. O crescimento também exigiu mudanças na rotina da família. Cada integrante passou a ter uma função específica na atividade, desde o manejo das pastagens até a fabricação dos queijos. “Para quem chegou a dizer que nunca faria queijo na vida, hoje eu não me vejo um dia sem estar dentro da agroindústria. É meu lugar de paz, mas também é onde eu mais me desafio”, conta Rosane.

GAZETA DO POVO

ECONOMIA

IPCA cai 0,32% em agosto, mais que o esperado

A queda de agosto foi mais intensa que a mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de 0,28% de recuo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, IPCA cai 0,32% em agosto, mais que o esperado segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é a maior deflação mensal em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,36%). Quando se considera apenas os meses de agosto, o ano de 2022 também é o marco de menor taxa. A maior influência para a queda no oitavo mês de 2026 foi da retração de 7,63% do preço da energia elétrica, o que representou -0,33 ponto percentual. Pelas contas do gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, o IPCA teria subido 0,01% em agosto se fosse retirada a influência da energia elétrica e o peso do produto fosse redistribuído para os demais. A queda de agosto foi mais intensa que a mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de recuo de 0,28%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que eram de baixa entre 0,38% e 0,22%. No acumulado do ano, até agosto, o IPCA subiu 3,11%. Nos 12 meses até agosto, o IPCA aumentou 4,22%, abaixo dos 4,44% até julho. Pela mediana das projeções do Valor Data a taxa esperada era de 4,26%. As estimativas variavam entre 4,16% e 4,33%. O resultado dos 12 meses até agosto ficou abaixo do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Pelos novos parâmetros, da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas. Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, alimentação e bebidas reduziram o ritmo de baixa (de -0,67% para -0,34%) enquanto subiram mais artigos de residência (de 0,07% para 0,64%) e despesas pessoais (de 0,22% para 1,30%). Houve mudança de rumo em vestuário (de -0,66% para 0,12%) e educação (de -0,03% para 0,47%), assim como em habitação (de 0,99% para -1,87%), transportes (de 0,05% para -0,86%) e comunicação (de 0,04% para -0,09%). Saúde e cuidados pessoais avançaram menos (de 0,40% para 0,23%). Os preços de habitação, transportes e alimentação tiveram um impacto de 0,53 ponto percentual negativo na taxa do IPCA de agosto. Por outro lado, o cigarro foi a principal pressão para cima, com alta de 19,59% e impacto de 0,11 ponto percentual. Os três grupos registraram deflação em agosto. Os preços de habitação caíram 1,87%, com influência de 0,29 ponto percentual negativo. O movimento reflete a queda de 7,63% da energia elétrica, a maior intensa para um mês de agosto desde o Plano Real. O item respondeu, individualmente, por 0,33 ponto percentual negativo do IPCA geral. Isso é reflexo da incorporação do bônus de Itaipu, que é uma espécie de crédito que considera a conta de comercialização de energia da usina hidrelétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a distribuição de R$ 872 milhões a título de bônus de Itaipu para reduzir a conta de luz de consumidores residenciais. Os descontos foram aplicados nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto. Em transportes, o recuo de 0,86% reflete as quedas de 13,17% nas passagens aéreas e 0,91% nos combustíveis, com baixa no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Em alimentação e bebidas, foi o terceiro mês seguido de deflação em alimentos. As principais quedas em agosto vieram de batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o clima favorável de agosto ajudou a produção de alimentos, com aumento de oferta e preços mais baixos para o consumidor. “O resultado geral do IPCA em agosto é uma composição. Houve queda de energia elétrica, recuo de alimentos importantes na cesta famílias e passagens aéreas e combustíveis vieram negativos [com recuo de preços]. Pelo outro lado, tivemos a alta do cigarro”, disse. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 49,6% em julho para 54,4% em agosto, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador passou de 51,7% em julho para 56% no mês passado.

VALOR ECONÔMICO

Dólar sobe com mercado em busca de proteção antes de novas revelações do caso Master

O dólar ganhou força ante o real durante a tarde e fechou a sexta-feira em alta, após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.

O receio de que isso traga a público mais informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, atingindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deu força ao dólar, com investidores fazendo “compras de proteção” antes do fim de semana. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, a R$5,1252. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,09% e, no ano, queda de 6,63%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1460. Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos dos inquéritos do caso Master, deixando de fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar as investigações. No mercado, a percepção era de que o fim do sigilo pode atingir a popularidade de Flávio, hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto. Anteriormente, um áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia causado estragos na candidatura do senador. O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Na noite da sexta-feira, também será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. “Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar a busca por dólar antes do fim de semana. Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram que a possibilidade de Flávio ser impactado pela quebra de sigilo, além da expectativa antes da nova pesquisa eleitoral, trouxe cautela para os negócios. No exterior, o dia foi marcado pela divulgação dos números de inflação nos EUA e pelo recuo do petróleo Brent, ainda que o preço do barril seguisse próximo dos US$105.

REUTERS

Ibovespa recua na sessão com inflação nos EUA e caso Master no radar

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, enfraquecido por dados de inflação nos Estados Unidos e notícias sobre as investigações envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,56%, a 187.206,89 pontos, após marcar 188.586,47 na máxima e 186.207,69 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25,06 bilhões. Na semana, encurtada pelo feriado na segunda-feira, o Ibovespa acumulou uma alta de 1,11%, apoiado em fluxo de estrangeiros e pesquisas que mostraram uma disputa acirrada para a eleição presidencial em outubro. Dados mostrando aceleração da inflação nos Estados Unidos ampliaram as apostas de um aumento de juros na maior economia do mundo neste mês, o que referendou ajustes na B3 nesta sexta-feira. Excluindo alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor norte-americano avançou 0,3%, ante acréscimo de 0,2% em julho e expectativa de elevação de 0,2%. Em contrapartida, no Brasil, o IBGE mostrou que o IPCA recuou 0,32% em agosto, a primeira deflação mensal em um ano, o que alimentou expectativas de que o Banco Central deve reduzir a taxa Selic para 13,75% na próxima semana. Brasília permaneceu no radar, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar os sigilos de parte dos inquéritos sobre o Banco Master, após um pedido neste sentido do presidente do Supremo, Edson Fachin. Os documentos mostraram que Mendonça abriu inquérito para investigar Flávio, candidato do PL à Presidência, em julho por supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso dos repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, a cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. À tarde, Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e deu 24 horas para que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações sobre o caso Master. E ressalvou que só devem ficar de fora da quebra de sigilo informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar investigações. Na visão do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, as novas notícias envolvendo o Banco Master adicionaram um tom de cautela ao pregão. “O nome de Flávio estar conectado a estas investigações pode prejudicá-lo nas próximas pesquisas eleitorais, nas quais ele já vinha crescendo bem”, avaliou. “Já vimos neste ano em outros momentos que a população está sensível com estes temas e, conforme as notícias saem, impactam bastante como o eleitor irá votar ao fim do primeiro turno e no segundo turno.” O pregão fechou com agentes financeiros na expectativa de pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral no país. Dados disponibilizados pela B3 ao longo da semana também reforçaram a percepção de retorno do capital externo para as ações brasileiras, com o saldo em setembro positivo em R$6,19 bilhões até o dia 9, com entrada líquida em todas as sessões do mês. No começo da semana, estrategistas elevaram a classificação do Brasil em seu portfólio de ações da América Latina para “overweight” ante “marketweight”, avaliando que a desaceleração da atividade econômica e os menores riscos inflacionários podem abrir espaço para um ciclo de afrouxamento monetário mais intenso. “O impacto de uma política monetária mais branda deve levar os valuations das ações a níveis menos pressionados, superando os riscos de revisões negativas nos lucros, da desaceleração da demanda e, em certa medida, até mesmo das incertezas eleitorais”, afirmaram em relatório a clientes, calculando a Selic em 11,25% no final de 2027, ante a previsão anterior de 12,75%. Na terça-feira, o Ibovespa chegou a superar os 189 mil pontos no melhor momento do dia pela primeira vez desde abril, mês marcado por recordes na bolsa paulista, quando o Ibovespa ensaiou atingir a marca inédita de 200 mil pontos.

REUTERS

IPCA: Inflação de serviços registra em agosto menor taxa desde janeiro de 2024

A inflação de serviços ficou em 0,03% em agosto, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa mensal desde janeiro de 2024 (0,02%).

Nos 12 meses até agosto, a inflação de serviços se situou em 5,47%, acima dos 4,22% do IPCA geral em igual período. No resultado de agosto, os principais impactos para baixo vieram de passagem aérea (-13,17%) e transporte por aplicativo (-4,57%). No caso do transporte por aplicativo, o resultado de agosto incorpora a variação tanto do mês quanto de julho. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, um erro no sistema do IBGE fez com que as variações regionais dos preços de julho repetissem as de junho. O problema só foi percebido após a divulgação do IPCA de julho. Posteriormente, portanto, o erro foi corrigido e os números desse item de agosto refletem o resultado acumulado de julho e agosto. “Não há revisão do índice de preços, mas os dados de agosto refletem o acumulado dos dois meses”, explicou. Por outro lado, os preços monitorados cederam 1,26% em agosto, após alta de 0,27% em julho. Nesse caso, a maior pressão para baixo veio de energia elétrica, com recuo de 7,63%. Também contribuíram para a deflação de monitorados em agosto a queda dos preços de gasolina (-0,59%) e de óleo diesel (-0,80%). Nos 12 meses até agosto, os preços monitorados acumulam alta de 4,42%. Os itens monitorados ou administrados são aqueles cujos preços são regulados por contratos ou por órgãos públicos e respondem menos à dinâmica de oferta e demanda da economia.

VALOR ECONÔMICO

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