Ano 1 | nº 206 | 26 de agosto 2026
NOTÍCIAS
Captação de leite diminui frente ao primeiro trimestre
Os estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária adquiriram 6,61 bilhões de litros de leite cru no segundo trimestre. O volume foi 1% superior ao observado um ano antes, mas apresentou redução de 2,5% na comparação trimestral.
IBGE
Preço do leite ao produtor sobe pelo sexto mês seguido e acumula alta de 33,1% em 2026
Boletim do Leite do Cepea mostra valorização da matéria-prima em junho, recuperação do leite UHT, avanço do comércio exterior de lácteos e estabilidade nos custos da pecuária leiteira
O mercado brasileiro de leite encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização consistente no campo. Segundo o Boletim do Leite de agosto, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço pago ao produtor avançou pelo sexto mês consecutivo em junho e acumulou alta real de 33,1% desde janeiro. A edição também destaca a recuperação do leite UHT no atacado paulista, o crescimento das importações e exportações de lácteos em julho e a estabilidade dos custos de produção pelo segundo mês seguido. O preço do leite captado em junho aumentou 3,02% em relação a maio, considerando valores corrigidos pela inflação. Com o avanço, a chamada “Média Brasil” calculada pelo Cepea alcançou R$ 2,7464 por litro. Apesar da sequência de valorização ao longo de 2026, o preço ficou 0,86% abaixo do registrado em junho do ano anterior. No acumulado desde janeiro, entretanto, a alta real chegou a 33,1%, refletindo a recuperação das cotações no campo durante o primeiro semestre. A média real entre janeiro e junho foi de R$ 2,4659 por litro. Esse valor permaneceu 14% inferior ao observado no mesmo intervalo de 2025. Os preços foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. O mercado de derivados lácteos apresentou comportamentos distintos em julho, conforme levantamento realizado pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Em meio à valorização do leite cru, o leite UHT ganhou força no atacado paulista. O produto registrou alta mensal de 7,35%, com preço médio de R$ 4,88 por litro. De acordo com a pesquisa, tanto as variações semanais quanto o resultado consolidado do mês confirmaram a recuperação do UHT, indicando maior firmeza nas negociações entre vendedores e compradores. O leite em pó, por outro lado, continuou pressionado, evidenciando um cenário de preços desiguais entre os principais derivados acompanhados pelo levantamento. O comércio exterior brasileiro de lácteos também ganhou ritmo em julho, impulsionado principalmente pelas operações envolvendo queijos e leite em pó. As importações cresceram 9,01% no mês e totalizaram 236,3 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL). Na comparação com julho de 2025, as compras externas aumentaram 33,49%. As exportações apresentaram crescimento mensal ainda mais expressivo, de 17,43%, alcançando 5,27 milhões de litros em Equivalente-Leite. Apesar da alta frente ao mês anterior, os embarques ficaram 5,55% abaixo do volume registrado em julho do ano passado. Os números mostram que o Brasil continua comprando do exterior um volume de lácteos significativamente superior ao exportado, mesmo diante do avanço mensal dos embarques. Os custos de produção da pecuária leiteira ficaram praticamente estáveis pelo segundo mês consecutivo. Entre junho e julho, o Custo Operacional Efetivo (COE) apresentou leve redução de 0,31% na “Média Brasil”. Entre as regiões acompanhadas pelo Cepea, Minas Gerais registrou a queda mais acentuada no período. No estado, o custo operacional efetivo recuou 1,1%. A combinação entre valorização do leite recebido pelo produtor e estabilidade dos custos pode favorecer as margens da atividade no curto prazo. No entanto, o setor ainda acompanha fatores como oferta de matéria-prima, demanda por derivados e avanço das importações, que podem influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses.
PORTAL DO AGRONEGÓCIO/CEPEA
PREÇO DO LEITE SOBE EM TODO O BRASIL
Julho trouxe alívio no bolso em várias frentes, menos em uma. Levantamento mostra onde a alta foi mais forte — e onde foi quase imperceptível. O preço do leite foi na contramão de boa parte da cesta de alimentos dos brasileiros em julho.
Enquanto legumes, ovos, óleo e café ficaram mais baratos no país, o leite UHT subiu 4,1% no mês, segundo levantamento da Neogrid, empresa que monitora mais de 40 milhões de notas fiscais por mês no Brasil, com dados sobre preços, produtos, marcas, volume de vendas e presença nos pontos de venda. O contraste chama atenção porque não se trata de um recuo isolado em algumas praças. O leite UHT registrou aumento em todas as regiões pesquisadas, sem exceção. A alta mais expressiva foi no Centro-Oeste, de 5,1%, seguida pelo Sudeste, com 4,7%. No Nordeste, o avanço foi de 2,8%, no Norte, de 1,3%, e no Sul, de 0,2% — a região com a variação mais discreta, mas ainda assim positiva. O movimento se repete em outros itens da mesma categoria de produtos processados: as massas alimentícias secas subiram 2,5% no mês, e a massa de tomate avançou 2,4%. Do outro lado da balança, os legumes caíram 9,8% na média nacional em julho, na comparação com junho. Os ovos recuaram 5,3%. Óleo e café também tiveram baixa, de 1,3% e 0,8%, respectivamente. Assim como o leite subiu de forma uniforme em todas as regiões, os legumes caíram em todas elas — mas com intensidades bem diferentes. O maior recuo foi no Nordeste, de 13,9%, seguido pelo Centro-Oeste, com 12,9%, Sudeste, com 11,9%, Sul, com 9,2%, e Norte, com a queda mais modesta, de 2,3%. Já os ovos mostraram um comportamento ainda mais irregular pelo país. Caíram 19,1% no Centro-Oeste, 13,2% no Nordeste e 5,9% no Sul. No Norte, o recuo foi de 2,1%. No Sudeste, no entanto, o produto teve alta de 1,6%, na contramão da média nacional de queda de 5,3%. O cenário de preços mais comportados em parte da cesta básica também aparece nos números da inflação oficial. O IPCA desacelerou de uma alta de 0,16% em junho para 0,07% em julho. Já o item alimentação no domicílio teve recuo de 1,14% no mês, puxado principalmente pela queda nos preços de tomate, batata e cenoura. Apesar da queda média em vários itens, a Neogrid pondera que a baixa no varejo não permite concluir, isoladamente, que houve uma redução equivalente na remuneração recebida pelo produtor rural — um alerta relevante para quem está na ponta da produção e não necessariamente sente o mesmo alívio observado nas prateleiras. Para os próximos meses, a leitura da empresa é de um mercado de alimentos menos pressionado em algumas categorias, mas ainda sujeito a oscilações importantes. Segundo a Neogrid, o comportamento dos preços deve continuar condicionado às características específicas de cada categoria de produto e de cada região do país — o que sugere que o movimento de alta do leite, presente em todo o território nacional, não deve ser tratado como um fenômeno passageiro ou isolado.
PORTAL SGC
EMPRESAS
VENDA DA MATILAT MARCA VIRADA ESTRATÉGICA NA brqFOODS
Três fábricas, uma sede em São Paulo e um negócio fechado que muda o rumo de uma das operações do setor. Por trás de uma marca que mudou de mãos, uma reestruturação silenciosa ganha forma no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
A BRQfoods está no centro de um movimento de reposicionamento que vem sendo desenhado pelo Grupo BRQ nos últimos anos e que agora ganha contornos mais definidos. O plano concentra investimentos, ampliação de capacidade produtiva e desenvolvimento tecnológico em três unidades industriais da companhia — duas localizadas no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina —, todas dedicadas à produção de queijos semiduros, manteiga e insumos lácteos destinados à cadeia industrial de alimentos. Um dos capítulos centrais dessa reorganização foi a negociação da marca Matilat. A operação funcionou como ponto de virada: permitiu redirecionar investimentos, recursos e capacidades para dentro da própria estrutura industrial da BRQfoods, com foco em eficiência, produtividade, tecnologia e crescimento sustentável. Além de contribuir para a evolução dos resultados da companhia, o movimento garantiu a continuidade das parcerias comerciais já existentes e abriu espaço para ampliar a capacidade produtiva das unidades fabris. Enquanto a produção se concentra no Sul do país, a condução estratégica da companhia permanece em São Paulo, onde está a sede administrativa responsável pela governança corporativa e pela gestão integrada das operações. É esse arranjo — produção regionalizada e comando centralizado — que sustenta o modelo de negócio que a BRQfoods vem consolidando desde 2012, quando a empresa passou a atuar no mercado B2B desenvolvendo soluções industriais para o setor de alimentos. Esse modelo é o de full outsourcing industrial especializado no mercado lácteo, com atuação concentrada em derivados de leite: queijos semiduros, manteiga, soro de leite e queijo desidratado. Na prática, a companhia produz para outras marcas por meio de esquemas de co-packing e private label, oferecendo escala, padronização e eficiência operacional a clientes que preferem terceirizar essa etapa da cadeia. É esse formato que permite à BRQfoods atender grandes marcas da indústria alimentícia brasileira, combinando capacidade produtiva com uma operação estruturada para garantir segurança alimentar, estabilidade de fornecimento e consistência de qualidade — os três pilares que a empresa usa para se apresentar como parceira estratégica, e não apenas como fornecedora. O slogan da companhia resume o espírito por trás dessa trajetória: “a gente rala para alcançar o mais alto nível em queijos”. Uma frase simples, mas que sintetiza o caminho que a BRQfoods diz ter percorrido desde a sua fundação — de operação B2B pouco conhecida a agroindústria especializada, com um posicionamento cada vez mais definido dentro do setor lácteo brasileiro. Com a reorganização em curso, a companhia sinaliza que seu próximo passo é seguir na mesma direção: mais investimento em tecnologia, mais capacidade instalada e um papel cada vez mais consolidado como parceira industrial de marcas que buscam terceirizar produção sem renunciar a qualidade e regularidade de fornecimento.
CIÊNCIA DO LEITE
VBP Agropecuária do PR bate recorde e chega a R$ 213 bilhões em 2025
O resultado representa crescimento nominal de 13% em relação a 2024. A cadeia leiteira registrou R$ 12,8 bilhões em VBP, com produção de 5,8 bilhões de litros.
O VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) do Paraná atingiu o montante histórico de R$ 213 bilhões em 2025, o maior valor já registrado pelo estado. Os dados constam em análise divulgada nesta segunda-feira (24) pela Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento) e consolidada pelo Deral (Departamento de Economia Rural), com base no levantamento de cerca de 350 itens diversificados, mapeados em todos os municípios paranaenses. O resultado representa crescimento nominal de 13% em relação a 2024, quando o VBP fechou em R$ 188,3 bilhões. Descontada a inflação do período, o avanço real foi de 9% – ou seja, o estado não apenas faturou mais por causa dos preços, mas efetivamente produziu e gerou mais riqueza no campo. Pelo quarto ano consecutivo, a Pecuária liderou o faturamento do estado, com R$ 112,1 bilhões e 53% de participação no VBP total. A Agricultura (grãos, flores, frutas e hortaliças) vem logo atrás, com R$ 91,2 bilhões (43% do total). O restante do montante corresponde às atividades florestais. A distância entre os dois blocos, no entanto, vem encolhendo, puxada pela forte retomada dos grãos, como mostram os números da soja e do milho a seguir. Principal produto do agronegócio paranaense, a soja movimentou R$ 42,3 bilhões em 2025 (20% de participação no VBP), ante R$ 36,9 bilhões em 2024. É um crescimento de cerca de 15% em valor, sustentado por uma colheita 14% maior, que passou de 18,8 milhões para 21,4 milhões de toneladas. O dado reforça que o avanço da oleaginosa não veio apenas do mercado, mas da produtividade real no campo. A avicultura de corte segue como a segunda maior força do agronegócio estadual, com faturamento de R$ 35,5 bilhões (17% de participação) em 2025, ante R$ 31,8 bilhões em 2024 – alta de cerca de 12%. O abate chegou a 2,38 bilhões de cabeças de frango, patamar recorde e em linha com a série histórica do setor (2,35 a 2,4 bilhões/ano), o que indica que o crescimento em valor veio puxado sobretudo pelos preços e pela eficiência da cadeia, e não por um salto isolado de volume. Olhando para a cadeia de aves como um todo (frango de corte, recria e ovos) o segmento somou R$ 52,5 bilhões, reforçando o peso da avicultura paranaense no cenário nacional. Depois de um 2024 marcado por quebra de safra (16 milhões de toneladas, -12% no volume, e VBP de R$ 14,2 bilhões, recuo real de 2%), o milho foi o destaque de recuperação em 2025: o volume colhido saltou para 21 milhões de toneladas e o VBP avançou para R$ 19,1 bilhões: crescimento de cerca de 35% em valor na comparação com o ano anterior. É o retrato mais claro de como um ano climaticamente mais favorável se converte diretamente em resultado econômico para o produtor. A cadeia leiteira registrou R$ 12,8 bilhões em VBP, com produção de 5,8 bilhões de litros. Já a suinocultura de corte somou R$ 9,6 bilhões em 2025, ante R$ 8,82 bilhões em 2024 (alta de cerca de 9%) após o abate de 12,2 milhões de animais no ciclo. A criação de bovinos (corte e recria/engorda) também contribuiu de forma expressiva, injetando R$ 19,4 bilhões na economia estadual. “Os números mostram uma característica muito importante do agronegócio paranaense: a nossa força está na diversidade e na integração das cadeias produtivas. Temos uma produção diversificada, que gera valor tanto no campo quanto na indústria e movimenta a economia de diferentes regiões do Estado”, destaca o secretário. De soja recorde a milho em recuperação, de avicultura consolidada a suinocultura em alta, o balanço de 2025 confirma o padrão que sustenta o VBP paranaense: crescimento distribuído entre várias cadeias, e não dependente de um único produto, o que dá ao estado uma economia rural resiliente a oscilações de mercado ou de clima em um setor isolado.
Folha de londrina
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,15 após oscilar em margens estreitas
Em uma sessão de agenda relativamente esvaziada de indicadores econômicos, o dólar oscilou em margens estreitas e encerrou a terça-feira com leve baixa ante o real, com os investidores atentos ao noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,23%, aos R$5,1414. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,33%. Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,33% na B3, aos R$5,1490. Os investidores globais mantiveram nesta terça-feira o Oriente Médio no radar, após os EUA ampliarem as sanções econômicas ao Irã, ameaçando excluir do sistema financeiro baseado em dólar os países que continuarem a negociar com Teerã. Em reação, o Irã classificou como “flagrante ilegalidade” a aplicação de sanções pelos EUA e afirmou ter discutido com Omã uma proposta para um “corredor de navegação temporário conjunto” pelo Estreito de Ormuz, além de um plano para remover as minas do local. Cerca de 20% do petróleo e do gás comercializado no mundo circulam pelo estreito. Neste cenário, o dólar cedeu ante divisas como o rand sul-africano e a rupia indiana, mas se manteve próximo da estabilidade ante o real e o peso mexicano durante a maior parte do dia. “O que está influenciando os preços é a tentativa de acerto diplomático para reabrir o Estreito de Ormuz. Isso deu um impulso leve para as moedas ligadas a commodities, em um ambiente um pouco mais para o risco”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Mas o mercado está curto, sem muitos negócios, aguardando as decisões sobre o conflito no Irã”, acrescentou. À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que o governo brasileiro terá uma reunião na próxima segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A reunião foi agendada após conversa na sexta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro contato entre ambos desde que os EUA adotaram novas tarifas contra produtos brasileiros. No exterior, às 17h08 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,09%, a 98,872.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com apoio de bancos e Vale
O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, ampliando a sequência positiva, em movimento sustentado principalmente por ações de bancos e da Vale.
A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano favoreceu o fluxo comprador na bolsa paulista, com dados recentes também mostrando algum retorno do fluxo estrangeiro para as ações brasileiras. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,61%, a 174.667,94 pontos, no quinto pregão seguido com sinal positivo, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 174.784,92 pontos. Na mínima, 171.178,87. O volume financeiro no pregão somava R$25,05 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Arrecadação federal de tributos soma R$ 289,3 bi em julho
A arrecadação federal de impostos alcançou R$ 289,346 bilhões em julho de 2026 e registrou alta real (corrigida pela inflação) de 8,97%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os dados foram divulgados pela Receita Federal. No acumulado do ano até julho, a arrecadação atingiu, por sua vez, R$ 1,876 trilhão, aumento real de 6,98%. Sem correção inflacionária, a arrecadação mostrou elevação de 13,82% em julho. Considerando somente as receitas administradas pela Receita, houve alta real de 7,71% em julho, somando R$ 268,859 bilhões. No ano, as administradas somaram R$ 1,791 trilhão, alta real de 6,96%. Já a receita própria de outros órgãos federais (onde estão os dados de royalties de petróleo, por exemplo) foi de R$ 20,486 bilhões em julho, alta real de 28,87% ante o mesmo mês no ano passado. No ano, a arrecadação de outros órgãos alcançou R$ 85,312 bilhões, alta real de 7,33%. Inicialmente, a divulgação da arrecadação federal de julho de 2026, prevista para esta terça-feira (25), havia sido adiada pela Receita Federal devido a um conflito de agenda na sala onde seria realizada a entrevista coletiva. Segundo a assessoria do órgão, a alteração ocorreu “em função de uma demanda externa”. Os dados, porém, foram publicados no fim da manhã no site da Receita.
VALOR ECONÔMICO
Confiança do consumidor em agosto teve pior queda em20 meses, aponta FGV
Economista da fundação, Anna Carolina Gouveia não descarta novos recuos no ICC, já que os fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos, quarta queda consecutiva, informou, na terça-feira, (25), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Além de levar o índice ao menor patamar desde novembro de 2022 (83,5 pontos), a queda foi a mais forte desde janeiro de 2025 (-4,4 pontos), disse Anna Carolina Gouveia, economista da fundação. A especialista não descartou novos recuos no ICC. Isso porque fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano, disse. A queda no ICC foi causada tanto por respostas relacionadas ao presente quanto ao futuro, pontuou ela. Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois componentes do ICC, caiu 0,6 ponto, para 83,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE), por sua vez, recuou 5,4 pontos, para 86,1 pontos. “O que tivemos esse mês foi uma queda forte, uma queda relevante e espalhada por quase que todos os indicadores e faixas de renda”, resumiu Gouveia. Sobre faixas de renda, a técnica se refere à evolução do ICC por quatro categorias de ganhos mensais, também mapeadas pela fundação. Em agosto, entre consumidores com renda até R$ 2.100,00 mensais, o ICC caiu 1,4 ponto; nos com ganhos entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, a queda foi de 4,2 pontos. Por sua vez, na faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, o recuo foi de 5,3 pontos e, nos com ganhos acima de R$ 9.600,01, a retração foi de 0,9 ponto. Uma série de fatores, no contexto macroeconômico, conduziu ao desempenho, reiterou ela. Dois deles são os elevados patamares de endividamento e de inadimplência das famílias. A técnica pontuou que esses indicadores continuam em patamares historicamente elevados e desafiam o orçamento familiar, especialmente ente faixas de renda mais baixas. Outro aspecto a ser considerado, disse a técnica, é o ritmo do emprego. Os mais recentes resultados do mercado de trabalho mostraram leve desaceleração, lembrou Gouveia, o que traz impacto ao humor do consumidor, disse. Além disso, o consumidor está cauteloso quanto à inflação. Isso se notou no tópico “expectativas de inflação dos consumidores para próximos 12 meses” que consta na Sondagem do Consumidor – pesquisa do qual o ICC é indicador-síntese. De julho a agosto, a expectativa subiu de 5,8% para 6,2%. “Não temos inflação ‘explodindo’. Mas temos, pontualmente, uma inflação, principalmente em alimentos”, observou. “E tem previsão de piora [em inflação de alimentos] por conta, principalmente, do El Niño”, disse se referindo ao fenômeno climático que pode afetar a oferta de produtos agrícolas. Assim como a especialista não visualiza mudanças, em curto e médio prazos, nesses aspectos macroeconômicos, ela não descartou novos recuos no ICC. “O desenho que se tem feito até o momento [da trajetória do ICC] é de desaceleração”, reconheceu.
VALOR ECONÔMICO
Ministro da Fazenda prevê mínimo de R$ 1.741 em 2027 e indexação de benefícios do INSS
Governo projeta alta das despesas obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do Orçamento no próximo ano, diz ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira (24) que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será enviado ao Congresso Nacional com uma previsão de salário-mínimo de R$ 1.741, o que representa uma alta de R$ 120 em relação ao valor praticado neste ano. Ele também disse que o valor será usado para corrigir os benefícios previdenciários atrelados ao piso salarial e demais políticas vinculadas ao piso, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. “O salário-mínimo, com os reajustes previstos em lei, chega a R$ 1.741 no ano que vem. E, necessariamente cumprindo a legislação, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai [indexar também] a Previdência, para os benefícios sociais que têm indexação do salário-mínimo”, disse Durigan. O valor do salário-mínimo que constará no PLOA de 2027 será uma previsão. O montante exato será definido apenas no fim do ano, para considerar a inflação medida pelo INPC acumulada em 12 meses até novembro mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. O ministro também antecipou que o governo projeta um aumento das despesas obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do Orçamento no próximo ano. “Portanto, as medidas todas que nós fomos adotando, elas têm esse condão de dar racionalidade, de modo que a regra com o ganho real do arcabouço fiscal já vai ter um crescimento maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, explicou. Ele ressaltou que a proposta orçamentária a ser encaminhada ao Congresso para 2027 será bem diferente da deixada pelo então governo Bolsonaro para 2023, que previa cortes em políticas sociais. “O Orçamento está muito bem encaminhado, com o salário-mínimo definido e muito diferente do que outros ministros já defenderam. Lembrando que o ex-ministro Paulo Guedes defendeu a desvinculação do mínimo da Previdência”, disse Durigan. O ministro acrescentou que a peça orçamentária será encaminhada “sem armadilhas”. “A gente tem uma peça orçamentária que prevê um resultado positivo, com todos os benefícios sociais, com todo o cumprimento da legislação.” A proposta orçamentária foi discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma reunião no Palácio do Planalto. O PLOA será encaminhado ao Congresso até segunda (31). Como mostrou o Valor, integrantes do atual governo começaram a discutir internamente uma proposta de diferenciação entre a política de valorização do salário-mínimo para os trabalhadores da ativa e o reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso. Técnicos fizeram simulações de cenários que preservariam ganhos acima da inflação para os dois grupos, mas em ritmos distintos, mantendo para os trabalhadores da ativa a regra atual, que prevê reajuste real de até 2,5%, e estabelecendo um percentual menor para os inativos. Durigan informou, ainda, que o PLOA de 2027 será enviado com a previsão de receita dos novos tributos da reforma tributária do consumo, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. Conforme mostrou o Valor, havia uma indefinição se a peça seria encaminhada ao Congresso com os tributos atuais que incidem sobre o consumo ou com os novos tributos. A CBS e o Seletivo entram em vigor em 2027, mas suas alíquotas ainda não foram definidas. A equipe econômica decidiu na semana passada que seria importante enviar o PLOA já com a CBS e o Seletivo, mas faltava o aval de Lula, o que aconteceu hoje. “Isso, foi batido o martelo”, disse Durigan. Conforme mostrou o Valor, a Receita Federal enviou na última quarta-feira (19) aos órgãos técnicos as projeções atualizadas de receita do PLOA 2027 considerando a CBS e o Seletivo. Isso exigiu que as áreas técnicas usassem os últimos dias para recalcular as projeções de arrecadação de suas respectivas áreas, considerando os novos tributos. O PLOA de 2027 trará, portanto, a estimativa de arrecadação global para a CBS e o Seletivo, em substituição aos atuais impostos federais que incidem sobre o consumo. Não haverá divulgação das alíquotas na proposta, como já era esperado, por não haver essa necessidade. No caso da CBS, a divulgação oficial da alíquota acontecerá somente no fim de outubro, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) enviará ao Senado Federal o projeto de resolução com a alíquota. No caso do Seletivo, o Ministério da Fazenda trabalhava para que a medida provisória (MP) que trará as alíquotas fosse apresentada junto com o PLOA ou no começo de setembro. A tendência agora é que a apresentação da MP fique para setembro.
VALOR ECONÔMICO
Balança comercial registra superávit de US$ 5,11 bilhões na terceira semana de agosto
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou, na segunda-feira (24/08), os dados da balança comercial da 3ª semana de agosto de 2026. Até a 3ª semana de agosto/2026, comparado a agosto/2025, as exportações cresceram 14,3% e somaram US$ 24,14 bilhões.
As importações cresceram 13,0% e totalizaram US$ 19,03 bilhões. Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 5,11 bilhões, com crescimento de 19,7%, e a corrente de comércio aumentou 13,7%, alcançando US$ 43,18 bilhões. No acumulado laneiro até 3ª Semana de agosto/2026, em comparação a janeiro/agosto 2025, as exportações cresceram 10,7% e somaram US$ 242,69 bilhões. As importações cresceram 6,2% e totalizaram US$ 188,55 bilhões. Como consequência destes resultados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 54,15 bilhões, com crescimento de 30,2%, e a corrente de comércio registrou aumento de 8,7%, atingindo US$ 431,24 bilhões. Até a 3ª semana de agosto/2026, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 9,8% em Agropecuária, que somou US$ 5,20 bilhões; crescimento de 34,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 6,87 bilhões e, por fim, crescimento de 6,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 11,87 bilhões. A combinação destes resultados levou o aumento do total das exportações. A expansão das exportações foi puxada, principalmente, pelo crescimento nas vendas dos seguintes produtos: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (141,9%), Café não torrado ( 26,0%) e Soja ( 11,4%) na Agropecuária; Minérios de cobre e seus concentrados (309,1%), Outros minérios e concentrados dos metais de base (129,6%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (46,9%) na Indústria Extrativa ; Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (44,1%), Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais ( 38,9%) e Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (49,9%) na Indústria de Transformação. Por sua vez, ainda que o resultado das exportações tenha sido de crescimento, os seguintes produtos registraram diminuição nas vendas: Milho não moído, exceto milho doce (-23,0%), Mel natural (-21,1%) e Sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras (-51,8%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados (-15,8%), Minérios de níquel e seus concentrados ( -100,0%) e Minérios de alumínio e seus concentrados (-60,0%) na Indústria Extrativa ; Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (-18,6%), Açúcares e melaços (-45,4%) e Bombas, centrífugas, compressores de ar, ventiladores, exaustores, aparelhos de filtrar ou depurar e suas partes (-63,4%) na Indústria de Transformação. Até a 3ª semana de agosto/2026, o desempenho das importações por setor de atividade econômica foi o seguinte: crescimento de 3,9% em Agropecuária, que somou US$ 0,32 bilhões; queda de -29,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 0,88 bilhões e, por fim, crescimento de 16,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,72 bilhões. A combinação destes resultados motivou o aumento das importações. O movimento de crescimento nas importações foi influenciado pela ampliação das compras dos seguintes produtos: Pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado (54,4%), Trigo e centeio, não moídos ( 12,2%) e Produtos hortícolas, frescos ou refrigerados ( 70,7%) na Agropecuária; Outros minerais em bruto ( 9,5%), Minério de ferro e seus concentrados (4.611.293,6%) e Outros minérios e concentrados dos metais de base ( 15,7%) na Indústria Extrativa ; Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (110,8%), Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários ( 58,5%) e Válvulas e tubos termiônicas, de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos, transistores (69,9%) na Indústria de Transformação.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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