Informativo Sindileite 122 28.04.2026

Ano 1 | nº 122 | 28 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Importações de leite atingem 235 milhões de litros em março

Cenário ainda é marcado por custos elevados e recomposição parcial de preços no Brasil, segundo a Embrapa.

O mercado lácteo iniciou 2026 sob um ambiente de incertezas no cenário internacional e ajustes de preços no Brasil. Fatores como tensões geopolíticas, variação nos custos de insumos e volatilidade cambial seguem influenciando a dinâmica do setor, de acordo com levantamento da Embrapa Gado de Leite, com base em dados da Serasa. No mercado global, a produção de leite continua em expansão, porém em ritmo mais moderado. Os preços internacionais seguem em patamares inferiores aos observados no início de 2025, com o índice GDT acumulando queda de 10,35% entre janeiro e abril de 2026. No Brasil, o setor iniciou o ano com pressão sobre margens, após um período de baixa rentabilidade ao longo de 2025. Esse movimento levou a reajustes ao longo da cadeia produtiva, refletindo tentativas de recomposição econômica em diferentes elos do setor. O leite UHT no atacado de São Paulo, por exemplo, encerrou o período em cerca de R$ 3,27 por litro em janeiro, com avanço para pouco acima de R$ 5,00 no início de abril. No mercado spot, os valores chegaram a aproximadamente R$ 3,60 por litro no mesmo período. O leite pago ao produtor também apresentou reajuste, passando de cerca de R$ 2,00 por litro em janeiro para R$ 2,39 em março. Segundo a análise, a recomposição de preços ocorre após um período de forte compressão de margens, com impactos diretos sobre o fluxo de caixa das propriedades e o planejamento da atividade leiteira. Apesar da melhora recente, o cenário ainda é considerado sensível, diante de custos elevados e incertezas sobre a demanda. No ambiente externo, o aumento das taxas de juros e a valorização do câmbio no Brasil têm influenciado a competitividade das exportações, ao mesmo tempo em que encarecem insumos importados. O volume de leite importado em março alcançou cerca de 235 milhões de litros em equivalente leite, mantendo patamar elevado. Internamente, o consumo segue pressionado por fatores econômicos. O alto endividamento das famílias e o crescimento econômico mais moderado limitam a recuperação da demanda, mesmo com alguma estabilização recente da produção. A análise também aponta que o custo de produção deve seguir sensível a variações em insumos como fertilizantes, energia e óleo diesel, além de fatores climáticos que impactam a produção de forragem e silagem. Nesse contexto, o setor segue em ambiente de cautela, com expectativa de ajustes graduais ao longo de 2026.

O Presente Rural

Conseleite/SC projeta valor de referência do leite a ser pago em maio/26

A diretoria do Conseleite – SC, aprova e divulga os valores de referência para o leite entregue no mês de abril de 2026 a ser pago em maio de 2026.

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 24 de abril de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de abril de 2026. 

Valores de referência da matéria-prima (leite):

Matéria-primaValores finais
Fevereiro/26
(Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26)
Valores finais
Março/26
(Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26)
Variação
(Março – Fevereiro)
R$/litro
I – Leite acima do padrão
– Maior valor de referência
2,65772,92900,2713
II – Leite Padrão
– Preço de referência
2,16072,38130,2206
III – Leite abaixo do padrão
– Menor valor de referência
2,00062,20490,2043
Matéria-primaValores finais
Março/26
(Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26)
Valores projetados
Abril/26
(Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26)
Variação
(Abril – Março)
R$/litro
I – Leite acima do padrão
– Maior valor de referência
2,92903,21600,2870
II – Leite Padrão
– Preço de referência
2,38132,61460,2333
III – Leite abaixo do padrão
– Menor valor de referência
2,20492,42090,2160

Períodos de apuração: Parcial março/2026: De 02/03/2026 a 29/03/2026

Parcial abril/2026: De 30/03/2026 a 19/04/2026

SISTEMA FAESC

Governo anuncia quase R$ 1 bi em investimentos para produção de leite e reforma agrária

O anúncio ocorreu durante cerimônia realizada em Andradina, no interior de São Paulo. Cadeia do leite está concentrada em pequenas propriedades e assentamentos da reforma agrária

Sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal anunciou ontem mais de R$ 909 milhões em investimentos na cadeia produtiva do leite da agricultura familiar e em ações de reforma agrária. O anúncio ocorreu durante cerimônia realizada em Andradina, no interior de São Paulo. A participação remota do presidente era esperada, mas não ocorreu conforme previsto na agenda pública. Na sexta-feira (24), ele foi submetido a um procedimento para retirada de queratose no couro cabeludo, um tumor benigno de pele. Por recomendação médica, Lula segue despachando do Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Representaram a gestão federal no evento o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli. Alckmin ressaltou o papel da agroindústria e do cooperativismo e mencionou a ausência do presidente, afirmando que Lula manifestou interesse em participar e enviou cumprimentos aos presentes. Machiaveli, por sua vez, destacou que as medidas devem beneficiar a agricultura familiar, responsável pela maior parte da produção leiteira no país. Segundo a ministra, a cadeia do leite está concentrada em pequenas propriedades e assentamentos da reforma agrária. Também presente no evento, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou defender um Brasil “sem interferência externa”. Sem citar diretamente o contexto, disse: “[Presidente norte-americano] Trump vai administrar os Estados Unidos, porque aqui o Lula e Alckmin vão administrar também”. Entre as medidas está a criação de uma nova linha de crédito no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com R$ 150 milhões para beneficiamento, industrialização e comercialização de leite por cooperativas do segmento. A linha terá taxa de juros de 8% ao ano, prazo de até seis anos para pagamento e carência de até 12 meses. Do montante total de investimentos, R$ 450 milhões serão destinados ao Pronaf Mais Leite, com a previsão de viabilizar a implantação de até 300 mil embriões para o melhoramento genético de rebanhos, beneficiando cerca de 40 mil produtores. Outra medida anunciada foi a destinação de R$ 100 milhões para a compra de leite em pó, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo o governo, a medida visa “absorver a oferta de leite no mercado e garantir segurança alimentar”. Ao todo, foram adquiridas quase 2 mil toneladas de leite em pó de 41 cooperativas e associações da agricultura familiar. Os produtos serão destinados a cozinhas solidárias, bancos de alimentos e entidades da sociedade civil.

GLOBO RURAL

EMPRESAS

RS: fábrica da antiga Cosulati será reativada em até um ano e meio

A OZ Earth Participações, empresa que arrematou a planta industrial da antiga Cosulati, afirma que pretende retomar as atividades em Capão do Leão num prazo de 12 a 18 meses. Durante a fase de testes dos equipamentos e ajustes, é estimada uma equipe de 120 pessoas com recebimento de 100 a 200 mil litros de leite por dia.

A OZ Earth Participações, empresa que arrematou a planta industrial da antiga Cosulati, afirma que pretende retomar as atividades em Capão do Leão num prazo de 12 a 18 meses. Durante a fase de testes dos equipamentos e ajustes, é estimada uma equipe de 120 pessoas com recebimento de 100 a 200 mil litros de leite por dia. Em nota divulgada à imprensa, a OZ Earth afirma que, inicialmente, deve começar a produção de leite em pó, manteiga, doce de leite, nata, leite condensado e soro em pó. Na segunda fase, é prevista uma ampliação chegando a 250 a 300 mil litros de leite por dia, com equipe de 160 a 180 trabalhadores. A última fase, estimada para o terceiro ano de operação, prevê o processamento de 450 a 550 mil litros de leite por dia com até 250 trabalhadores. Com uma produção média de 500 mil litros por dia, “pretende-se ter a planta em pleno funcionamento, ofertando a gama e variedades de produtos lácteos a qual foi projetada”. A empresa OZ Earthy Participações arrematou o parque fabril por R$ 49,1 milhões em 2024. O valor será destinado ao pagamento de mais de 300 ações trabalhistas. Atualmente, a empresa prepara equipe para iniciar a recuperação da planta e dos equipamentos. A empresa estima um investimento de R$ 120 milhões em reformas e melhorias. Segundo a OZ Earth, já foi solicitada a ligação da rede elétrica e já foram contratadas empresas para projetos de engenharia civil, adequações e licenças ambientais. Inicialmente, a unidade terá 30 trabalhadores envolvidos no processo de recuperação. A partir do sexto mês, a OZ Earth projeta ampliação da equipe para organização dos postos de trabalho e da produção da indústria. Além disso, a empresa afirma que já está encaminhando os registros junto a órgãos como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Uma outra fase, de maior investimento, é a reestruturação da parte central da fábrica, composta pelas unidades de pasteurização do leite, as duas torres de secagem, a unidade de produção de manteiga, de fracionamento do leite em pó e envase do leite de caixinha e do leite condensando”, diz a nota divulgada pela empresa.

GRUPO ZERO HORA

INTERNACIONAL

Recorde na produção de leite pressiona Europa e acende alerta para colapso nos preços

O aumento acelerado da produção de leite na Europa e no mundo está levando o setor a um novo ponto de tensão, com risco real de colapso nos preços pagos ao produtor. O alerta foi feito pela European Milk Board (EMB), que vê o cenário atual como mais grave do que oscilações normais de mercado.

De acordo com a entidade, os volumes globais de leite cresceram de forma significativa nos últimos meses e seguem em alta. Dados recentes reforçam essa tendência: um relatório da Ornua aponta que a captação global aumentou cerca de 4% em janeiro. Na União Europeia, o avanço foi ainda mais expressivo, com alta de aproximadamente 5,6% em dezembro e 4,5% em janeiro. Para o presidente da EMB, Kjartan Poulsen, a magnitude desse crescimento foge completamente do padrão histórico. “Estamos testemunhando desenvolvimentos que nunca vimos dessa forma. Os sinais são claros: se nenhuma ação for tomada agora, estamos caminhando diretamente para uma queda acentuada nos preços do leite”, afirmou. Diante desse cenário, a EMB reforça o pedido para que a European Commission implemente imediatamente um programa de redução voluntária de produção. Segundo a entidade, esse mecanismo é o principal instrumento disponível no curto prazo para equilibrar a oferta e evitar uma nova crise no setor. A proposta não é nova, mas enfrenta resistência política dentro do bloco. De acordo com o vice-presidente da EMB, Boris Gondouin, alguns dos principais países produtores ainda bloqueiam avanços concretos. A entidade fez um apelo direto à Alemanha, França e Dinamarca, pedindo que assumam responsabilidade e apoiem a ativação do programa. “Aqueles que continuam hesitando estão, conscientemente, aceitando outro colapso de preços e a perda massiva de propriedades rurais”, afirmou Gondouin. O EMB alerta que, sem uma redução imediata na produção, a tendência é de agravamento da crise, com impactos diretos sobre a viabilidade econômica das fazendas leiteiras em toda a Europa. A preocupação vai além do curto prazo. “Se levamos a segurança alimentar da Europa a sério, precisamos agir agora para garantir preços estáveis ao produtor. Isso significa, acima de tudo, reduzir os volumes”, destacou Poulsen. Segundo ele, o número de produtores que abandonam a atividade já está crescendo, com impacto ainda mais forte entre os mais jovens, que enfrentam um cenário de incerteza e falta de perspectivas. O atual aumento na produção ocorre em um momento em que a demanda não acompanha o mesmo ritmo, ampliando o risco de desequilíbrio estrutural no mercado. Para o EMB, o crescimento dos volumes já ultrapassa o que poderia ser considerado uma flutuação normal, configurando um movimento de excesso de oferta com potencial de pressionar fortemente os preços. Diante disso, a entidade reforça que o tempo para medidas preventivas está se esgotando.

European Milk Board/Agriland/MilkPoint

ECONOMIA

Dólar fecha em queda no Brasil em linha com fraqueza da moeda no exterior

O dólar fechou a segunda-feira em queda no Brasil, após uma sessão de fraqueza da moeda americana e avanço do petróleo no exterior, enquanto os investidores aguardam decisões de política monetária e monitoram os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,34%, aos R$4,9827. Às 17h03, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,19% na B3, aos R$4,9860. O início da semana foi marcado por perdas na divisa americana ante diversas moedas diante da falta de avanço nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã e a consequente manutenção do bloqueio do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,15%, a 98,495. Esse cenário fez os preços do petróleo operarem em alta, com os contratos futuros do Brent fechando com avanço de 2,75%, a US$108,23 por barril. “O petróleo subiu hoje, o que é benéfico para países exportadores, como o Brasil, já que leva a um fluxo maior de moeda para esses países. Vimos o DXY perdendo valor frente aos pares hoje por conta disso”, disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. As perdas do dólar no Brasil, contudo, foram limitadas, com agentes mantendo a cautela antes da agenda econômica da semana, que trará dados do IPCA-15 na terça-feira e decisões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e do Federal Reserve na quarta-feira. Pesquisa Focus mostrou que analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a perspectiva de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião desta semana, em linha com pesquisa da Reuters. Já para o Fed, a expectativa majoritária do mercado é de manutenção nos níveis atuais dos juros, entre 3,50% e 3,75% ao ano. Também divulgam decisões de juros nesta semana o Banco Central Europeu, Banco do Japão e Banco da Inglaterra, que também devem manter suas taxas inalteradas.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com ações de construtoras na ponta negativa

O Ibovespa fechou em queda pelo quarto pregão seguido na quarta-feira, com ações de construtoras na ponta negativa, em meio a receios sobre os reflexos no setor do potencial uso de recursos do FGTS por trabalhadores para abater dívidas, enquanto os papéis do Assaí figuraram entre as maiores altas antes da divulgação do balanço.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,58%, a 189.640,50 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima do dia, chegou a 189.585,58 pontos. Na máxima, marcou 191.339,93 pontos. O volume financeiro somava R$18,4 bilhões antes dos ajustes finais, de uma média de R$39,5 bilhões no mês.

REUTERS

Analistas elevam projeção para inflação em 2026 no Focus e seguem vendo corte de 0,25 p.p. na Selic esta semana

Analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a perspectiva de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião desta semana, ao mesmo tempo em que voltaram a elevar a perspectiva para a inflação neste ano.

A pesquisa Focus divulgada na segunda-feira mostrou que a expectativa é de que a Selic seja reduzida dos atuais 14,75% para 14,5% ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, em linha com pesquisa da Reuters. Não houve alterações nas projeções para a taxa básica de juros ao final deste ano e do próximo, a 13,00% e 11,00% respectivamente. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 aumentou pela sétima semana seguida, a 4,86%, de 4,80% antes. Para 2027 a conta foi ajustada para cima a 4,00%, de 3,99%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativas de crescimento este ano foi reduzida em 0,01 ponto percentual, a 1,85%, e para o próximo seguiu em 1,80%. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que o dólar deve encerrar 2026 a 5,25 reais, de 5,30 reais na semana anterior. Em 2027, a moeda deve ficar em 5,35 reais, sem alterações.

REUTERS

Dívida pública federal cai 2,34% em março

A dívida pública federal do Brasil caiu 2,34% em março em relação ao mês anterior, a R$8,633 trilhões, informou na segunda-feira o Tesouro Nacional, que pisou no freio nas emissões diante das incertezas com a guerra no Irã, promoveu no período a maior intervenção no mercado de títulos de sua história e registrou vencimentos elevados em papéis.

No período, a dívida pública mobiliária interna teve baixa de 2,46%, a R$8,302 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa avançou 0,61% e atingiu R$331,6 bilhões. Houve no mês uma emissão total de R$93,3 bilhões, com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Dias, afirmando que o Tesouro tende a reduzir a colocação de títulos em momentos de volatilidade, como a gerada pelo conflito no Oriente Médio. Por outro lado, o resgate total do mês foi de R$395,6 bilhões diante de uma expressiva torre de vencimento de títulos, mas também por conta de uma recompra recorde de títulos feita pelo Tesouro em meio à forte pressão gerada pela guerra no Irã, retirando cerca de R$49 bilhões de títulos do mercado. Associados, os dois movimentos geraram um resgate líquido de títulos no valor de R$302,3 bilhões, valor apenas parcialmente neutralizado por uma incorporação de juros no valor de R$93,0 bilhões na dívida interna, o que contribuiu para a redução da dívida pública no mês passado. Com o movimento forte de resgates, a reserva de liquidez –colchão de recursos para gestão da dívida pública– passou de R$1,192 trilhão em fevereiro para R$885 bilhões em março, uma queda nominal de 25,7%. O valor é suficiente para quitar 5,69 meses de vencimentos de títulos, contra 6,41 registrados um mês antes. De acordo com Dias, a queda da reserva é fruto do grande volume de vencimentos de títulos, algo normal do calendário do Tesouro. Segundo ele, o governo “emitiu bastante” em abril, o que fará o colchão recuperar volume significativamente. “A gente está num nível bastante confortável, está próximo de seis meses agora, e vai passar para oito meses”, disse, ressaltando que o patamar considerado prudencial recomenda que o colchão tenha recursos para quitar três meses de vencimentos. O Tesouro apontou ainda que a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio em março elevou a aversão ao risco nos mercados, enquanto a alta do petróleo “reforçou expectativa de manutenção de juros elevados nas principais economias”, com os juros futuros apresentando elevação no Brasil. De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 11,90% ao ano em fevereiro para 12,20% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,76% ao ano em fevereiro para 13,92% no mês passado. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,00 anos em fevereiro para 4,10 anos em março. Em relação a abril, o Tesouro afirmou que perspectivas de um acordo entre Estados Unidos e Irã reduziram a aversão ao risco, com recuperação de mercados emergentes e queda na curva de juros brasileira, apesar de um cenário de volatilidade elevada. De acordo com Dias, o governo também conseguiu melhorar em abril a composição das emissões. Normalmente mais demandados por investidores em períodos de volatilidade, os títulos atrelados à Selic responderam por 52% das vendas feitas até o momento no mês, uma significativa melhora em relação aos 88% observados em março.

REUTERS

Concessões de crédito caem1,5%em março; estoque sobe 0,9%

O volume de novos empréstimos e financiamentos caiu 1,5% em março, na série dessazonalizada, que retira peculiaridades de um determinado período, como número de dias úteis a mais ou a menos. A comparação é com o mês anterior.

O volume passou de R$ 703,4 bilhões em fevereiro para R$ 692,7 bilhões em março deste ano, conforme divulgado na segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC). Para as pessoas físicas, houve alta de 0,2% na mesma base de comparação, passando para R$ 384,7 bilhões, enquanto para as pessoas jurídicas foi registrada queda de 2,1%, para R$ 313,5 bilhões. No crédito livre total, as concessões com ajuste sazonal recuaram 1,7%, para R$ 619,8 bilhões em março. No crédito direcionado, caíram 1,2%, para R$ 73 bilhões. As concessões totais, sem a dessazonalização, subiram 20,3% no mês e somaram R$ 732,9 bilhões. Para clientes corporativos os novos empréstimos subiram 25,8% contra o mês anterior, totalizando R$ 342,4 bilhões. Para as famílias, o sistema financeiro concedeu R$ 390,5 bilhões em novos empréstimos e financiamentos, alta de 15,8% em relação a fevereiro. As concessões com recursos livres, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e clientes, avançaram 19,4%, para R$ 663,3 bilhões. Já as operações com recursos direcionados, que são regulamentadas pelo governo ou vinculadas a recursos orçamentários, avançaram 29,3% para R$ 69,7 bilhões. As concessões de crédito imobiliário para as pessoas físicas com recursos direcionados subiram 24,5%, para R$ 22,6 bilhões no mês, acumulando queda de 0,3% em 12 meses. A taxa anual de juros, por sua vez, subiu 0,9 pontos ao ano entre fevereiro e março, para 11,6% ao ano. As concessões de crédito para a compra de veículos por pessoas físicas subiram 23,32% no mês, para R$ 22,7 bilhões. A taxa de juros média caiu 0,7 ponto, para 26,6% ao ano de fevereiro para março. Olhando as concessões do BNDES, houve alta de 56,6% no mês, para R$ 8,9 bilhões. Em fevereiro, o valor de concessões havia sido de R$ 5,7 bilhões. Em 12 meses, a alta é de 39,2%. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro cresceu 0,9% em março, para R$ 7,215 trilhões. Em 12 meses, o saldo cresceu 9,66%. O saldo total do crédito livre subiu 1,1% em março, chegando a R$ 4,107 trilhões, com crescimento de 7,73% em 12 meses. Já o crédito direcionado avançou 0,74%, para R$ 3,108 trilhões, uma alta de 12,32% em 12 meses. O saldo total de crédito para as famílias aumentou 0,83% no mês, chegando a R$ 4,530 trilhões, com elevação de 10,92% em 12 meses. Para as empresas, houve alta de 1,13% no mês e 7,60% em 12 meses, para R$ 2,685 trilhões. As projeções mais recentes do BC para o crescimento nominal do estoque de crédito em 2026 são: 9% para o total; 8,1% para o livre; 10,2% para o direcionado; 9,5% para pessoas físicas; 8,2% para pessoas jurídicas. O estoque total de crédito imobiliário para as pessoas físicas com recursos direcionados subiu 1% em março na comparação com fevereiro, somando R$ 1,339 trilhão. Em 12 meses, a alta foi de 11,6%. O saldo de operações para a compra de veículos por pessoas físicas teve alta de 0,79% em março, para R$ 411,6 bilhões. Em 12 meses, a alta é de 15,96%. A carteira de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas encerrou março com alta de 1% sobre fevereiro, para R$ 485,1 bilhões. O crédito ampliado ao setor não financeiro recuou 0,3% em março, na comparação com fevereiro, alcançando R$ 20,996 trilhões. Em 12 meses, o avanço é de 11,2%. Essa é considerada pela autoridade monetária a medida mais abrangente do crédito, já que inclui não apenas empréstimos e financiamentos, mas também o mercado de capitais e empréstimos externos.

VALOR ECONÔMICO

PIB do agronegócio brasileiro cresceu 12,20% em 2025

No entanto, no último trimestre do ano, houve queda em comparação com o período anterior. Segundo a pesquisa, o resultado foi impulsionado pela elevação dos preços reais ao longo do período

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro aumentou 12,20% em 2025, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços. Os dados foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões no ano passado, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre. Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024. Segundo a CNA, apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, o resultado foi impulsionado, sobretudo, pela elevação dos preços reais ao longo do período. “Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024”, destaca a entidade. Dentre os segmentos, no acumulado de 2025, o PIB dos insumos cresceu 5,37%, impulsionado pelos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, defensivos e máquinas, enquanto os insumos de base pecuária recuaram, influenciados pela queda no valor da produção da indústria de rações. No segmento primário, o crescimento foi expressivo (17,06%), sustentado tanto pelo aumento da produção agrícola, com destaque para milho e café, quanto pela combinação de preços mais elevados e maior produção na pecuária. Na agroindústria, o desempenho foi heterogêneo: as atividades de base agrícola recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto as de base pecuária avançaram 36,54%, influenciadas pela valorização dos preços e pela expansão da produção. Os agrosserviços também cresceram de forma significativa (13,76%), refletindo principalmente o dinamismo da pecuária. Na comparação entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025, O PIB do agronegócio recuou 1,11%, com reduções em todos os segmentos. As variações negativas foram de 2,32% nos insumos, 0,92% no segmento primário, 1,48% nas agroindústrias e 0,86% nos agrosserviços. “A desaceleração do crescimento do PIB já era esperada, conforme apontado em relatórios anteriores, uma vez que o avanço expressivo observado nos trimestres precedentes se deveu, sobretudo, à valorização dos preços no setor iniciada na segunda metade de 2024 e que começou a perder força no terceiro trimestre de 2025”, informa a CNA.

VALOR ECONÔMICO

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