Informativo Sindileite 112 13.04.2026

Ano 1 | nº 112 | 13 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Paraná será polo de produção de insumos para a saúde animal do Brasil

Previsão é que até o início de 2027 sejam disponibilizados os lotes-piloto fabricados no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários do Tecpar, que está em construção. A unidade produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.

Atualmente, parte da demanda brasileira pelos insumos é atendida com importação. O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, enfatiza que o instituto pretende suprir essa necessidade do mercado, fornecendo produtos com qualidade e em quantidade para todo o Brasil, a um custo menor. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos insumos importados, e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, os consumidores de produtos de origem animal também serão beneficiados, já que o custo da importação é repassado para o valor final do produto na prateleira”, ressalta Marafon. Referência em saúde animal desde a sua fundação, o Tecpar produziu testes sorológicos que abasteceram a demanda nacional por três décadas, porém, para atender a novos requisitos de biossegurança, a planta iniciou um projeto de atualização das práticas de fabricação. Segundo o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, os diagnósticos de brucelose e tuberculose serão o próximo desafio para a sanidade animal no Brasil, e isso exige a produção dos antígenos para o diagnóstico dos rebanhos. “Esse novo laboratório vai trazer para todos nós, que trabalhamos com sanidade animal, uma tranquilidade em relação à produção de antígenos, que estarão à disposição dos profissionais que fazem o diagnóstico em todo o Paraná”, menciona. O médico-veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma que existe uma grande expectativa do setor pecuário, principalmente da cadeia produtiva do leite, para a retomada da produção dos insumos para kit diagnóstico. O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de possuir uma grande população de animais da pecuária leiteira e ser um grande exportador de genética para os outros estados. Para Valotto, os kits diagnósticos são a base para animais saudáveis, para que produzam alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da produção pelo Tecpar é muito importante, porque temos uma necessidade muito grande, e precisamos exportar leite e animais para os outros países. E como vamos exportar se não tivermos como comprovar sanidade de nossos rebanhos? A associação tem trabalhado intensamente, monitorando a tuberculose e a brucelose, duas doenças que têm um impacto significativo na produção. Sem os kits, isso não é possível, por isso eles são o grande pilar da sanidade animal”, ressalta. Ao todo, sete insumos serão produzidos pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico da brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina. Esses produtos integram o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de abastecer o Paraná, o foco é a comercialização destes insumos junto aos demais estados que possuem maior rebanho leiteiro do País: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “O Tecpar vem atualizando o seu processo produtivo frequentemente, alcançando novos patamares de qualidade. O conhecimento e a expertise adquiridos em mais de sete décadas de atuação capacitam o instituto para tratar de um projeto de elevada complexidade. Esse investimento terá reflexos diretos na exportação agropecuária, que precisa atender às exigências sanitárias cada vez mais altas por parte dos países importadores”, destaca a gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo. A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos são do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

NACIONAL

Vacas com “colares inteligentes”: A tecnologia por trás da maior produção de leite de SC

Eles começaram entregando leite em litros nas casas e hoje monitoram 1.800 animais por sensores. Fazenda de Xanxerê se tornou referência nacional na produção de leite

Na Linha Faxinal do Irani, interior de Xanxerê, uma trajetória construída ao longo de quatro décadas transformou uma pequena propriedade familiar em uma das maiores referências da produção leiteira no Brasil. A fazenda produz em média 33 mil litros de leite por dia, cerca de 12 milhões por ano. Em todo o Estado, foram cerca de 3,3 bilhões de litros em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Fazenda Arsego, conduzida pelo Waldir Arsego junto aos filhos Laudir e Eleandro, alcançou um marco expressivo: foi reconhecida como a maior produtora de leite de Santa Catarina e a 45ª maior do país, conforme levantamento do MilkPoint, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Um dos destaques da produção é o uso de “colares inteligentes” nos animais. Os equipamentos são capazes de monitorar desde o cio até sinais de estresse ou possíveis doenças. Muito antes da tecnologia e da alta produtividade, a rotina da família Arsego era outra. Há cerca de 40 anos, o leite era entregue de forma direta nas casas, em uma época em que a comercialização ainda permitia esse modelo. — Foi emocionante receber esse título. A gente começou pequeno, entregando leite de porta em porta, em litros, nas casas. Era uma realidade totalmente diferente da de hoje — relembra Eleandro Arsego. Naquele período, a propriedade era baseada na diversificação: produção de leite, cultivo de grãos e criação de suínos. Tudo em escala reduzida, com trabalho essencialmente familiar. Com o passar dos anos, mudanças no cenário econômico exigiram novas escolhas. O aumento no custo das terras para arrendamento e a crise enfrentada pela suinocultura levaram a família a reavaliar o futuro da propriedade. — A gente precisou tomar uma decisão. A suinocultura passou por um momento difícil e as terras ficaram caras. Foi quando decidimos focar no leite. A partir daí, investimos muito em conhecimento, inseminação e melhoramento genético — explica Eleandro. A transição foi gradual, mas decisiva. A família deixou de ser apenas “tiradora de leite” para se tornar produtora em escala, com foco em eficiência e qualidade. Hoje, a Fazenda Arsego produz cerca de 33 mil litros de leite por dia e mantém um plantel de aproximadamente 1,8 mil animais, entre vacas em produção, vacas secas, novilhas e bezerras. O crescimento veio acompanhado de investimento em tecnologia e organização da produção. A propriedade é dividida em setores e conta com acompanhamento veterinário constante. Os animais são monitorados por meio de colares inteligentes, que identificam desde o cio até sinais de estresse ou possíveis doenças. — Hoje tudo é baseado em dados. A gente consegue identificar se o animal está entrando em estresse calórico, se há algum problema de saúde e agir antes que isso se agrave. Cada animal tem um histórico completo, e isso nos permite tomar decisões com mais precisão — detalha. A alimentação também é estratégica. Os animais são separados por lotes e recebem dietas específicas conforme a fase produtiva, como pré-parto, pós-parto ou nível de produção, garantindo melhor desempenho e bem-estar. Outro diferencial da propriedade é o investimento em energia renovável. A fazenda conta com placas solares e um biodigestor que transforma os dejetos de animais em gás. Esse gás é utilizado na geração de energia elétrica, além de contribuir para o aquecimento da água usada na limpeza e higienização dos equipamentos. — Hoje a gente é quase autossuficiente em energia. Além de reduzir custos, isso também traz um ganho ambiental importante para a propriedade — destaca Eleandro. Mesmo com toda a evolução estrutural e tecnológica, a essência da Fazenda Arsego permanece a mesma: o trabalho em família. Os proprietários residem na fazenda e participam ativamente da gestão e das atividades do dia a dia, um fator que, segundo Eleandro, faz toda a diferença. — É uma propriedade familiar de verdade. A gente acompanha tudo de perto. Isso garante mais cuidado e mais compromisso com o que é feito aqui — cita. Além da produção expressiva, a fazenda também se consolidou como um ponto de referência no setor leiteiro. Produtores de diferentes municípios visitam a propriedade em busca de conhecimento, troca de experiências e inspiração. — A gente recebe pessoas de várias regiões. Isso é importante porque fortalece o setor e mostra que é possível crescer com planejamento e dedicação — afirma. A atividade também tem impacto direto na economia local, com geração de empregos e movimentação financeira no município. Mesmo com o reconhecimento estadual e nacional, a família Arsego segue focada em evolução constante. — O nosso objetivo agora é ser cada vez mais eficiente. Melhorar a genética dos animais, produzir alimentos com mais qualidade, reduzir custos e continuar crescendo. O mercado do leite é desafiador, então a gente precisa estar sempre se atualizando — projeta Eleandro.

NSC TOTAL

Leite A2: produtores de MG e MT investem no setor

Alternativa ao leite tradicional não causa desconforto digestivo e ganha espaço em propriedades rurais no interior de Minas Gerais e do Mato Grosso

Produtores rurais do interior de Minas Gerais e do Mato Grosso estão apostando na produção de leite A2 como uma nova tendência do mercado de laticínios. O produto, que vem conquistando espaço no agronegócio brasileiro, é buscado por consumidores que sentem desconforto ao ingerir o leite convencional, proporcionando uma opção de alimentação mais leve e de fácil digestão. A principal diferença entre o produto tradicional e o leite A2 reside em uma proteína específica da bebida. Enquanto o leite comum pode apresentar variações da proteína beta-caseína, o tipo A2 possui apenas a variante que não causa reações gástricas indesejadas. Na fazenda de Rita, localizada em Sorriso, em Mato Grosso, o investimento em vacas da raça Jersey para a produção de leite A2 tornou-se a principal atividade da família. A produtora relata que a mudança foi motivada por questões pessoais de saúde, já que o consumo do leite tradicional causava mal-estar gástrico. “Toda vez que eu tomava leite, sentia um desconforto digestivo. Hoje, posso consumir tranquilamente porque o leite A2 foi a solução”, destaca Rita. A produtora Claudia reforça que a decisão de investir nesse segmento visou garantir qualidade de vida sem renunciar ao produto na dieta diária. A produção deste nicho de mercado depende diretamente da seleção genética dos animais. Segundo o produtor Leonardo, que atua há mais de 15 anos no setor, a escolha criteriosa do rebanho é fundamental para garantir a presença exclusiva da caseína A2, permitindo o envase de um leite de alta qualidade e a fabricação de queijos diferenciados. Com o suporte de pesquisas científicas, a tendência é que a produção de leite A2 continue crescendo no Brasil. O setor busca atender a uma demanda crescente por alimentos que aliam sabor e benefícios funcionais à saúde, unindo o conhecimento técnico “da porteira para dentro” às necessidades do consumidor final.

AGRO Band

Lei zera imposto do leite do ES vendido para outros estados

As indústrias do Espírito Santo que comercializam lácteos passam a ser mais competitivas em mercados externos após sanção de uma nova lei, que prevê a concessão de crédito presumido de 100% do ICMS nas saídas interestaduais de derivados do leite.

As indústrias do Espírito Santo que comercializam lácteos passam a ser mais competitivas em mercados externos após sanção de uma nova lei, que prevê a concessão de crédito presumido de 100% do ICMS nas saídas interestaduais de derivados do leite. A Lei n° 12.973 foi sancionada em 1º de abril, pelo governador do estado na época, Renato Casagrande, acrescentando o artigo 5° à Lei n° 7.000/ 2021, que trata sobre o ICMS. O benefício não se aplica às vendas dentro do Espírito Santo (que já possuem outros incentivos), mas sim às operações para outros estados brasileiros. A lei tende a incentivar a comercialização de lácteos capixabas em outras unidades da federação, tornando nossas indústrias mais competitivas naqueles mercados. “Sem o efeito financeiro do ICMS na indústria, a tendência é que o preço do produto lácteo reflita essa redução, beneficiando o consumidor final”, disse Wdirley de Moraes, analista tributário da Selita. O benefício é amplo e inclui o Leite UHT (Longa Vida) comercializado em caixa. “A regra se aplica a contribuintes do imposto, vedado o aproveitamento de quaisquer outros créditos relativos às operações beneficiadas. Logo, manteiga, iogurte e outros derivados entram nessa lista”, explicou Moraes. Diferente de uma isenção comum, a nova lei utiliza o crédito presumido de 100%. A tributação do ICMS continua existindo na saída do produto, mas o valor é integralmente compensado por um crédito dado pelo Governo do Estado, anulando o custo do imposto para a indústria. Em troca, as empresas beneficiadas, incluindo as cooperativas capixabas de laticínios, não poderão usufruir de outros benefícios ou créditos relacionados a essas operações. O diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, explicou que, a proposta surgiu quando a entidade buscou atender uma demanda apresentada pelas cooperativas de laticínios capixabas. A partir disso, a entidade contribuiu para a construção técnica da proposta. “Escutamos as necessidades e discutimos propostas com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz). Após o governo estadual protocolar o projeto de lei, participamos de uma articulação com a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), que por fim foi aprovado. Estivemos presentes nos diálogos do início ao fim”, relembra.

ES Brasil/MilkPoint

Comissão de Agricultura aprova proibição de reconstituição de leite em pó importado no país

A Câmara dos Deputados continua discutindo a proposta. Welter recomendou a aprovação da proposta

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5738/25, que proíbe a reconstituição de leite em pó e outros derivados de origem importada para o consumo humano. A medida é voltada para indústrias, laticínios e qualquer empresa que atue no território nacional. A proposta do deputado Zé Silva (União-MG) define a reconstituição como o processo de adicionar água ou outro meio para transformar o pó em leite líquido ou utilizá-lo na fabricação de derivados como queijos, iogurtes, leite condensado e creme de leite. A proibição não se aplica a produtos importados vendidos diretamente ao consumidor final para uso doméstico, em embalagens de varejo, desde que atendam às normas sanitárias. O relator, deputado Welter (PT-PR), recomendou a aprovação da medida. Ele disse que a iniciativa protegerá a produção nacional contra a concorrência de produtos estrangeiros que, muitas vezes, recebem subsídios em seus países de origem. “A atividade leiteira possui elevada relevância econômica e social, especialmente em estados como o Paraná, onde a produção alcança cerca de 4,56 bilhões de litros anuais”, destacou o relator. Welter afirmou ainda que o setor é fundamental para a economia por movimentar bilhões de reais e garantir o sustento de pequenos produtores. “Trata-se de um setor que movimenta mais de R$ 11 bilhões em valor bruto da produção, sendo responsável pela geração de renda, emprego e fixação das famílias no meio rural.” A proposta busca nacionalizar uma experiência do Paraná, em que uma lei local semelhante reduziu aproximadamente 50% das importações e ajudou a recuperar os preços pagos aos produtores rurais. O relator pontuou que a medida também ajuda a superar dificuldades na fiscalização e na rastreabilidade desses produtos. O texto estabelece que o Poder Executivo terá um prazo de 180 dias para regulamentar a futura lei, definindo os procedimentos de fiscalização, controle e as sanções administrativas. O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores e sancionado pela presidência da República.

Agência Câmara de Notícias

EVENTO

Um setor em virada: os bastidores e tendências revelados no Fórum MilkPoint Mercado

Segundo Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures, o principal driver das oscilações de preço tem sido o desequilíbrio entre oferta e demanda. Após um período mais equilibrado, o início de 2026 já apresenta sinais de escassez de leite, com reação rápida nos preços spot.

Realizado em 9 de abril, em Piracicaba (SP), no Pecege, o Fórum MilkPoin Mercado abriu sua programação com um forte tom de integração e troca de conhecimento, reunindo lideranças e especialistas para discutir os rumos da cadeia láctea em um cenário de forte volatilidade. Na abertura, Ricardo Shirota, presidente do Pecege, destacou a honra de receber o evento e reforçou a importância de iniciativas que promovam conexão entre os diferentes elos do setor. Na sequência, Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures, deu o tom estratégico do encontro ao enfatizar a necessidade de fortalecer essas conexões em um momento de mudanças relevantes no mercado. Ele agradeceu a presença do público, apresentou os diferentes braços da MilkPoint Ventures e ressaltou o papel da iniciativa como plataforma de conteúdo, inteligência e relacionamento. Ao final, reforçou a expectativa de um dia intenso, marcado por discussões relevantes e trocas capazes de gerar valor prático para toda a cadeia do leite. Andres Padilla, do Rabobank Brasil, iniciou discutindo o crescimento da produção de leite no mundo e no Brasil. Para 2026, a expectativa é de baixo crescimento da oferta global. A China, que nos últimos anos teve papel expressivo na expansão, já mostra recuo desde 2024, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade de seu modelo altamente intensivo e concentrado em mega fazendas. Apesar dos ganhos rápidos em produtividade, a rentabilidade não acompanhou, levando inclusive ao fechamento de unidades. Nos Estados Unidos, a produção deve ganhar ainda mais protagonismo global, sustentada por ganhos de eficiência e aumento de produtividade por vaca, mesmo com rebanho estagnado. O país consolidou um modelo maduro, fortemente orientado à exportação. Ainda assim, as margens seguem voláteis — com queda significativa desde meados de 2024 — exigindo gestão sofisticada por parte do produtor. Um dos destaques recentes é a estratégia do beef-on-dairy. A valorização da carne elevou a participação dessa receita nas fazendas leiteiras, que passou de níveis históricos de 1% a 3% para até 20% em alguns casos. Essa diversificação tem sido fundamental para sustentar margens positivas mesmo em cenários de preços mais baixos do leite. No Brasil, o crescimento da produção é heterogêneo e fortemente dependente do perfil do produtor. Pequenos e médios ainda apresentam maior volatilidade, enquanto produtores maiores ganham eficiência e melhor retorno sobre o capital investido. O processo de consolidação tende a se intensificar nos próximos anos. Um ponto de atenção levantado foi a pressão estrutural de custos: para se manter viável, a atividade leiteira exige crescimento constante — uma lógica já observada nos Estados Unidos e cada vez mais aplicável à realidade brasileira. Ricardo Cotta, da R3 Consultoria, chamou atenção para o avanço consistente do food service no Brasil, que cresce a taxas reais de cerca de 8% ao ano — acima do varejo tradicional — e já movimenta mais de R$ 500 bilhões em faturamento. Segundo ele, trata-se de um dos principais vetores de expansão para os lácteos, com destaque para categorias como queijos, requeijões, leite condensado e creme de leite, amplamente demandadas no consumo fora do lar. Apesar do potencial, Cotta destacou que o segmento ainda exige maior nível de profissionalização por parte da indústria. Mais do que volume, o food service demanda soluções: produtos pensados para performance, padronização e rendimento, além de consistência de qualidade e excelência no serviço. “Não basta adaptar o que já existe — é preciso desenvolver com foco na aplicação”, indicou. Ele também reforçou a importância de uma atuação mais próxima do cliente, com equipes capacitadas para falar a linguagem da cozinha, além de estratégias de marketing e relacionamento direcionadas, como parcerias com chefs, ações com influenciadores e iniciativas práticas, como workshops culinários. Para Cotta, as empresas que entenderem essa lógica e estruturarem melhor sua atuação no canal tendem a capturar de forma mais consistente o crescimento desse mercado.

MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar voltou a cair e se aproximar dos R$5,00 sob influência do exterior

O dólar fechou a sexta-feira em baixa ante o real e novamente próximo dos R$5,00, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores voltaram a demonstrar otimismo em relação ao cessar-fogo entre EUA e Irã.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,03%, aos R$5,0104, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067. Foi a terceira sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana. Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%. Às 17h15, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,94% na B3, aos R$5,0345. Desde que EUA e Irã fecharam um acordo de cessar-fogo, na noite de terça-feira, o dólar tem enfrentado ajustes de baixa em todo o mundo, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana. Ainda que o Estreito de Ormuz siga travado, prejudicando o transporte global de petróleo, a expectativa de que EUA e Irã possam negociar a paz deu força a divisas de países emergentes, como o real, o peso mexicano e o peso chileno. No Brasil, o dólar à vista atingiu a menor cotação da sessão, de R$5,0051, às 16h14, já na última hora de negócios, sendo que desde o período março-abril de 2024 a divisa não exibia valores próximos dos R$5,00. “A redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY (índice do dólar) para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano”, destacou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes pela manhã. “O dólar… ainda tem espaço para cair um pouco mais a depender do movimento do DXY”, acrescentou. No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que em março o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,88% em relação a fevereiro, acima da taxa de 0,77% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Nos 12 meses até março, o IPCA avançou 4,14%, também acima dos 4,00% projetados. O IPCA de março acima do projetado pelo mercado fez as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo subirem, com o índice reforçando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês, e não em 50 pontos-base. Atualmente a Selic está em 14,75% ao ano.

Reuters

Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, renovando máximas e fechando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez, com agentes financeiros na expectativa de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã previstas para o fim de semana. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 197.323,87 pontos, novo recorde de fechamento, após marcar 197.553,64 na máxima da sessão, novo topo intradia. Na semana, avançou 4,93%. O volume financeiro na sexta-feira somou R$33,7 bilhões. No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 0,75%, a US$95,20, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou com declínio de 0,11%. O Ibovespa tem resistido à aversão a risco e à busca por liquidez desencadeadas pelo conflito. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril. “Daqui para frente, assumindo que a trégua se mantenha, acreditamos que o Brasil continuará a apresentar bom desempenho”, avalia Emy Shayo, co-head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, conforme relatório assinado também por Cinthya Mizuguchi. Shayo ressaltou, porém, que vê uma rotação entre setores, com aqueles que mais sofreram desde o início da guerra – especialmente o setor financeiro – recuperando parte da liderança. Na sexta-feira, além do cenário externo, investidores também repercutiram a pauta macroeconômica brasileira, com o IPCA de março subindo 0,88%, maior avanço em cerca de um ano, superando as previsões de economistas, que apontavam alta de 0,77%. “Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo”, ponderou o economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri. “Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços (que pesaram no IPCA)”, acrescentou.

REUTERS

IPCA tem em março maior alta em cerca de 1 ano sob pressão do conflito no Oriente Médio

Os preços de transportes e alimentação pressionaram a inflação ao consumidor no Brasil, que atingiu em março a taxa mais alta em cerca de um ano, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, levando o índice em 12 meses para mais perto do teto da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em março alta de 0,88%, depois de ter subido 0,70% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. Esse foi o resultado mensal mais alto desde fevereiro de 2025, quando a taxa foi de 1,31%. Nos 12 meses até março, o IPCA acumulou avanço de 4,14%, de 3,81% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Assim, o teto da meta é de 4,50%. Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,77% no mês e de 4,0% em 12 meses. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando preocupações sobre a inflação diante das altas nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 54,8% nos preços do querosene de aviação para abril. Em março, os preços dos grupos Alimentação e bebidas e Transportes responderam juntos por 76% do IPCA. “Quando se fala lá fora em fechamento de Estreito de Ormuz, com efeitos na oferta global, isso cria impacto nos preços dos combustíveis por aqui”, disse o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves. “Os combustíveis ficaram mais caros com o conflito e isso traz impacto não só nos combustíveis, mas nos alimentos também porque o frete fica mais caro e encarece o produto ao consumidor.” O grupo Transportes avançou no mês 1,64%, com destaque para a alta de 4,59% da gasolina. Outras altas foram registradas em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto devido aos menores pesos desses subitens no índice geral. Segundo o gerente do IBGE, se descartado o resultado dos combustíveis o IPCA seria de 0,68%. Sem gasolina o índice ficaria em 0,64%. “À medida que a guerra afeta a distribuição global de combustíveis é possível que isso impacte o IPCA com menor oferta e preço maior (nos próximos meses)”, completou Gonçalves. Já Alimentação e bebidas subiu 1,56%, sob os pesos das altas de leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%). “No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022, combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”, disse Gonçalves. Por outro lado, a inflação de serviços, ponto de atenção do BC, desacelerou em março, chegando a 0,53%, de 1,51% no mês anterior. “A manutenção deste quadro em um ambiente de desaceleração econômica e maior endividamento das famílias pode significar um alívio para o IPCA como um todo ao longo do ano. Todavia, o quadro para a inflação de serviços como um todo ainda preocupa dado o comportamento estacionário em um patamar muito elevado do ponto de vista da política monetária”, destacou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

REUTERS

Carga tributária da União sobe R$ 237,2 bi em 2025 puxada por maior arrecadação com IOF e IRRF

Considerando os três entes da federação, a carga tributária total brasileira foi de 32,4% do PIB no ano passado, ante 32,2% do PIB em 2024

O Ministério da Fazenda anunciou que a carga tributária da União subiu pouco mais de 0,3 ponto percentual do PIB em 2025, impulsionada pela alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e pelas contribuições ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Os dados divulgados pela pasta, a carga tributária do governo central foi de 21,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, ante 21,3% do PIB em 2024. No total, a carga tributária bruta do governo federal foi R$ 237,2 bilhões superior em 2025, alta nominal de 9,4%. O aumento da carga correspondente ao governo federal foi impulsionado com um aumento de 0,23 p.p. do PIB com uma maior arrecadação do IRRF, 0,10 p.p. do PIB com a majoração do IOF e 0,12 p.p. do PIB nas contribuições ao RGPS. Quando considerados os três entes da federação, a carga tributária total brasileira foi de 32,4% do PIB no ano passado, ante 32,2% do PIB em 2024. A tributação dos governos estaduais foi responsável por 8,4% do PIB (8,5% em 2024), enquanto os municípios tiveram uma carga de 2,4% do PIB no último ano. Somando as três esferas, a carga tributária foi R$ 332,4 bilhões superior em comparação com 2024. Segundo a pasta, o percentual brasileiro de 32,4% do PIB está abaixo dos países da OCDE, que tiveram uma carga tributária média de 34,06% do PIB em 2024, mas acima dos pares da América Latina, quando o patamar foi de 21,26% em 2023, último dado disponível. A queda na esfera estadual, de acordo com a Fazenda, ocorre devido a uma baixa de de 0,09 p.p. do PIB relativa à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Apesar do crescimento nominal da receita, esse aumento foi inferior ao do PIB, refletindo a composição do crescimento econômico, mais concentrado em setores com menor incidência do imposto”, assinalou a pasta. Já nos municípios, a Fazenda explicou que houve um leve aumento, de 0,03 p.p. do PIB, puxada principalmente pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), equivalente a 0,02 p.p. “Os impostos sobre a propriedade, como o IPTU, também contribuíram, ainda que em menor magnitude, enquanto os demais componentes permaneceram estáveis”, disse a pasta.

VALOR ECONÔMICO

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