Ano 1 | nº 69 | 06 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do leite: movimento de baixa continua no início de 2026
Preço do leite pago ao produtor começou o ano em baixa. Pelo nono mês consecutivo, a remuneração no campo caiu. No pagamento de janeiro, referente ao leite entregue em dezembro, a queda foi de 3,1%, ou R$0,07/litro.
Preço do leite pago ao produtor começou o ano em baixa. Pelo nono mês consecutivo, a remuneração no campo caiu. No pagamento de janeiro, referente ao leite entregue em dezembro, a queda foi de 3,1%, ou R$0,07/litro. Considerando a média nacional ponderada nos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, o litro de leite ficou cotado em R$2,067. A sequência de baixas nos preços é explicada pela oferta crescente no campo, com consequente aumento dos estoques. De acordo com a analista Juliana Pila, com a queda na remuneração do produtor, a margem vem ficando cada vez mais estreita, o que tem limitado investimentos na atividade. A expectativa é que a produção comece a desacelerar a partir de março, principalmente na região Sul, o que pode ajudar a equilibrar oferta. o varejo, as reduções de preço ainda demoram a chegar ao consumidor, mas a tendência para 2026 é de produtos lácteos mais acessíveis, o que pode favorecer o consumo interno. Para Juliana, incentivar o consumo doméstico é essencial para o equilíbrio da cadeia, antes mesmo de avançar em direção às exportações.
SCOT CONSULTORIA
Ministério orienta bancos a renegociar dívidas do Pronaf de produtores de leite
Produtores devem estar atentos aos requisitos, como prazos, condições e documentação, para fazer a solicitação junto às instituições. Produtores devem comprovar dificuldades de pagamento para pedir renegociação.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) emitiu um ofício no qual orienta bancos operadores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) a renegociar dívidas de produtores de leite que estejam com dificuldade na comercialização do produto. O documento foi endereçado no final do mês de janeiro e foi enviado às entidades representativas dos agricultores familiares e para os órgãos de assistência técnica e extensão rural. No ofício, a pasta aponta um cenário de “oscilações de mercado, redução de preços, dificuldades de escoamento da produção e outros fatores de natureza econômica”, que tem comprometido a capacidade de pagamento dos produtores de leite enquadrados no Pronaf. O ministério salienta ainda que esse quadro é temporário e lembra da previsão no Manual de Crédito Rural (MCR), que autoriza a renegociação e prorrogação de dívidas de crédito rural desde que haja comprovação da dificuldade de pagamento. Por isso, o MDA orienta que esse direito deve ser solicitado pelo produtor e cabe tanto para parcelas de operações de custeio como para parcelas de operações de investimento. No entanto, é importante observar alguns requisitos e que devem ser todos preenchidos: caracterização de dificuldade temporária de pagamento causado por problemas de comercialização do leite;
apresentação de documentação ou laudo técnico comprovando a redução na renda, além de mostrar a intensidade do impacto e tempo estimado para voltar a pagar as parcelas; atestado da instituição financeira sobre a necessidade da prorrogação e a viabilidade econômica da atividade desenvolvida pelo produtor após a renegociação; também será importante a atenção quanto aos prazos e condições dessas renegociações. De acordo com MDA, o MCR traz que operações de custeio podem ser prorrogadas por até 36 meses. Já para as parcelas de operações de investimento, esse adiamento pode ser de até um ano após o fim do contrato ou diluição nas parcelas seguintes. Quando a dificuldade de pagamento atinge um número significativo de produtores de leite numa mesma região ou cidade, será permitido um laudo ou documento técnico em conjunto para comprovar as perdas. Os bancos também devem orientar os produtores quanto aos prazos e procedimentos para a renegociação, “preferencialmente antes do vencimento das parcelas”, afirma a pasta.
Agro Estadão
Demanda por leite A2 cresce, apesar da produção ainda limitada
Produção ainda representa menos de 1% do leite nacional, mas o interesse do mercado cresce. Empresas ampliam portfólio de produtos feitos exclusivamente com leite A2.
O leite A2 tem despertado o interesse de grandes empresas de laticínios, mesmo com uma produção ainda reduzida quando comparada à do leite convencional. O crescimento da demanda está associado à percepção de maior facilidade de digestão, já que esse tipo de leite não provoca inflamação ou desconforto intestinal em parte dos consumidores. Diante desse cenário, empresas como Piracanjuba e Muai, da Serra da Mantiqueira, já desenvolveram linhas de produtos elaborados exclusivamente com leite A2. Para que isso seja possível, o leite deve ser proveniente de vacas com genótipo A2A2, que produzem apenas esse tipo de proteína. Animais com genótipo A1A1 produzem exclusivamente leite A1, enquanto vacas A1A2 produzem ambos os tipos. Para garantir a produção de leite A2, é necessário que os reprodutores também possuam o genótipo A2A2, assegurando a transmissão genética adequada ao rebanho. Com foco na ampliação da oferta de produtos derivados do leite A2, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vem conduzindo estudos sobre a frequência de animais A2A2 em rebanhos leiteiros. No Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), ligado à Epamig, também foram avaliadas aplicações do leite A2 na fabricação de queijo Minas Frescal. A médica-veterinária e pesquisadora da Epamig, Débora Gomide, explica que algumas raças apresentam maior prevalência de animais com genética A2, como o Gir Leiteiro.
“A raça holandesa, que produz maior quantidade de litros de leite, é mais comum encontrar animais da genética A1. Animais mais rústicos, como a raça Gir Leiteiro, tem uma prevalência de animais de genética A2A2. Animais de alta produção, que já tiveram um melhoramento genético maior, costumam ter maior prevalência da genética A1”, afirmou. Ela acrescenta que outros ruminantes, como os búfalos, que passaram por menor pressão de melhoramento genético, tendem a produzir predominantemente leite A2. Para assegurar que o leite comercializado como A2 realmente seja proveniente de rebanhos com o genótipo adequado, foi criada a certificação “Vacas A2A2”, que valida tanto a produção quanto a industrialização do produto. O selo também contribui para a rastreabilidade do leite e de seus derivados ao longo da cadeia. “O pecuarista que quer começar essa produção tem que primeiro fazer o teste genético dos animais que tem no rebanho para identificar quais tem o genótipo A2A2. Há todos esses gastos na avaliação genética dos animais e certificação, mas também é possível ter um lucro maior, porque é um leite de maior valor agregado”, reforça. Atualmente, segundo a pesquisadora, a produção de leite A2 no Brasil representa menos de 1% do total. A expectativa é de crescimento nos próximos anos, acompanhando o avanço da demanda. O alimento ser de mais fácil digestão faz com que o produto tenha um maior valor agregado. A confirmação vem de produtores. “No mercado, ele tem, sim, um valor um pouco maior”, afirma a gerente de pecuária leiteira da Bom Retiro Agronegócios, Anna Pinto. A empresa, que fica em Pouso Alto, na Serra da Mantiqueira, é fornecedora da Muai, mas a gerente não informou qual é o valor de venda hoje do leite A2 para o laticínio.
DIÁRIO DO COMÉRCIO/MILKPOINT
Projeto de lei propõe criação do Instituto Nacional do Leite
Proposta em tramitação no Congresso busca estruturar ações para competitividade e exportações do setor leiteiro. Projeto prevê criação de fundo setorial e maior coordenação entre produtores e indústria.
Está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 20/2026, que propõe a criação do Instituto Nacional do Leite. A iniciativa tem como objetivo estruturar ações voltadas ao aumento da competitividade e das exportações do setor leiteiro, em um contexto de pressão sobre os preços pagos ao produtor. A proposta prevê que o instituto atue de forma semelhante ao antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), extinto em 1990, que tinha como função coordenar políticas públicas e estratégias relacionadas à produção e à comercialização do produto. Entre os pontos centrais do projeto está a criação de um fundo setorial de desenvolvimento, voltado à organização e ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite. O texto do projeto destaca a necessidade de maior integração entre os diferentes elos da cadeia, incluindo produtores familiares, produtores em escala empresarial e a indústria de laticínios, com o objetivo de melhorar a coordenação do setor e a distribuição de valor ao longo da cadeia. O projeto também relaciona as dificuldades enfrentadas pelos produtores ao aumento das importações de lácteos nos últimos anos. Segundo a proposta, o ingresso de produtos de países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia, com indícios de práticas como dumping e triangulação, contribuiu para a intensificação da concorrência no mercado interno, pressionando a remuneração do produtor.
Atualmente, a atividade leiteira está presente em cerca de 1,2 milhão de propriedades no Brasil, das quais aproximadamente 935 mil são classificadas como agricultura familiar. A proposta aponta que parte dessas unidades produtivas enfrenta dificuldades econômicas, associadas ao desequilíbrio entre produção nacional e importações.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha estável no Brasil apesar de avanço das cotações no exterior
Em uma sessão de agenda relativamente esvaziada no Brasil, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou a quinta-feira quase estável ante o real, apesar do avanço da moeda norte-americana ante boa parte das divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista fechou o dia com leve alta de 0,07%, aos R$5,2540. No ano, a moeda acumula agora queda de 4,28%. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,27% na B3, aos R$5,2800. No exterior, o dólar registrou ganhos firmes ante a libra após o Banco da Inglaterra manter sua taxa de juros de referência em 3,75%, em votação apertada. A moeda norte-americana também oscilou em alta ante o euro, depois de o Banco Central Europeu (BCE) manter sua taxa de depósito em 2%, como esperado. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, incluindo a libra e o euro — subia 0,16%, a 97,842. No grupo de divisas pares do real, o dólar sustentou ganhos ante o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano, entre outros, em uma sessão de maior busca por ativos de segurança nos mercados globais.
Ainda assim, a moeda norte-americana não conseguiu se firmar em alta no Brasil. Durante a tarde, a divisa dos EUA se reaproximou da estabilidade. Investidores também acompanharam, no início da tarde, entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao portal UOL. Nela, Lula afirmou que sua viagem a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ocorrer na primeira semana de março. Sobre o escândalo envolvendo a liquidação do Banco Master, o presidente afirmou que esta é uma “chance real de pegar” os magnatas da corrupção ligada à lavagem de dinheiro no país. Lula também reclamou que a taxa de juros está elevada no Brasil, mas acrescentou que a economia não parou de crescer apesar disso. “Bons resultados da economia vão virar votos, só deixar a campanha começar”, disse Lula, em referência à corrida eleitoral deste ano. No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março. À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que a balança comercial brasileira teve superávit de US$4,343 bilhões em janeiro, uma alta de 85,8% sobre o dado do mesmo mês de 2025.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com Itaú, mas Vale reduz ganho
O Ibovespa fechou com uma alta modesta na quinta-feira, assegurada pelas ações do Itaú Unibanco após resultado robusto, enquanto Vale pressionou na ponta negativa, em sessão de correção depois de forte valorização recente.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,18%, a 182.035,83 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 184.017,44 pontos. Na mínima, marcou 181.568,98 pontos. O volume financeiro somava R$30,2 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil tem superávit comercial de US$4,3 bi em janeiro com retração das importações
A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$4,343 bilhões em janeiro, uma alta de 85,8% sobre o saldo de janeiro de 2025, diante de um recuo mais forte nas importações do que a queda observada nas exportações, apontou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na quinta-feira.
O saldo veio ligeiramente abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que previam superávit de US$4,9 bilhões para o mês. As exportações somaram US$25,153 bilhões no mês passado, uma queda de 1% em relação a janeiro de 2025. O movimento de queda foi mais intenso nas importações, que caíram 9,8% no mesmo período, totalizando US$20,810 bilhões. No mês passado, apenas as exportações do setor agropecuário apresentaram crescimento, uma alta de 2,1%, impulsionada por melhores desempenhos de soja e milho. Por outro lado, os embarques ao exterior da indústria extrativa caíram 3,4%, impactados por vendas menores de petróleo e minério de ferro. O dado da indústria de transformação teve recuo de 0,5%. No recorte por regiões, os dados seguem mostrando perda de participação dos EUA. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas para o país norte-americano apresentaram recuo de 25,5%. A participação dos EUA no total das exportações brasileiras caiu de 12,7% em janeiro de 2025 para 9,5% no mês passado. No mesmo período, a fatia da China subiu de 21,7% para 25,7%. Do lado das importações, houve queda nas compras de bens intermediários e combustíveis, recuo mais relevante do que as elevações em bens de consumo e bens de capital.
REUTERS
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