Informativo Sindileite 60 26.01.2026

Ano 1 | nº 60 | 26 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

CNA vai escolher melhor doce de leite em concurso e prêmio chega a R$ 15 mil

Inscrições estão abertas para produtores de e doce de leite; confira os detalhes e como acessar os editais do Prêmio Brasil Artesanal 2026, lançado pela CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicou, na segunda-feira (19), os editais do Prêmio Brasil Artesanal (PBA) 2026. Neste ano, serão realizados três concursos, voltados a produtores de azeite, cachaça de alambique e doce de leite. A iniciativa tem como objetivo incentivar a produção e agregar valor aos alimentos comercializados no mercado nacional. De acordo com a assessora técnica da CNA, Fernanda Silva, a expectativa é de uma participação expressiva de produtores de diferentes regiões. “Esperamos que a adesão seja expressiva, impulsionada pela trajetória do programa, que já realizou 14 edições de concursos e acumula credibilidade, reconhecimento e resultados concretos no campo”, afirmou. Doce de Leite – O concurso é realizado em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para produtores com produção anual de até 300 toneladas. As inscrições estão abertas até 31 de março, com recebimento das amostras até 17 de abril. Os participantes podem inscrever um produto em cada uma das categorias: doce de leite pastoso e doce de leite em barra. A seleção inclui etapas de júri técnico, avaliação da história do produto, júri popular e premiação. Todos os concursos do Prêmio Brasil Artesanal terão premiação do primeiro ao quinto colocado, com certificado, premiação em dinheiro e divulgação nos canais digitais e redes sociais do Sistema CNA/Senar. As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site https://cnabrasil.org.br/projetos-e-programas/alimentos-artesanais-e-tradicionais.
COMPRE RURAL

Preço do leite pago ao produtor cai pelo 8º mês consecutivo e agrava crise no setor

A sequência de más-notícias no campo ganhou mais um capítulo, aprofundando a crise enfrentada pelos produtores de leite no Brasil. Pelo oitavo mês consecutivo, a média/Brasil do preço pago ao produtor voltou a cair, pressionado por estoques elevados e por um mercado de derivados ainda fragilizado, num cenário que combina perda de renda, incerteza e dificuldade de reação para quem vive da atividade leiteira.

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor do leite captado em novembro fechou em R$ 2,1122 por litro, uma retração expressiva de 8,31% em relação a outubro e de 23,3% na comparação com novembro de 2024, em termos reais, já descontada a inflação medida pelo IPCA. Com isso, a desvalorização real acumulada em 2025 chegou a 21,2%, corroendo a rentabilidade do produtor e ampliando a sensação de asfixia financeira no setor. O principal fator por trás das sucessivas quedas é o excesso de estoques de lácteos, que tem limitado a capacidade da indústria de reagir com reajustes no preço da matéria-prima. Segundo o Cepea, esse movimento deve se manter ao menos em dezembro, o que indica que o ciclo de pressão negativa ainda não terminou. Na prática, o produtor recebe menos pelo litro de leite ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades para equilibrar as contas da propriedade. O cenário se agrava com o comportamento dos preços dos derivados. Pesquisas realizadas pelo Cepea, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostram que os preços dos lácteos continuaram em queda ao longo de dezembro, encerrando 2025 nos menores patamares do ano. A fraqueza nas cotações de produtos como leite UHT, queijo e leite em pó limita o repasse de preços ao produtor, travando qualquer possibilidade de recuperação no curto prazo. No comércio exterior, apesar de algum alívio pontual, o quadro segue longe de ser confortável. Em dezembro, o déficit da balança comercial de lácteos diminuiu 10%, impulsionado pelo aumento de 4,53% nas exportações, que somaram 5,16 milhões de litros em equivalente leite, e pela queda de 9,61% nas importações, que recuaram para 165,4 milhões de litros. Na comparação com dezembro de 2024, no entanto, tanto os embarques quanto as compras externas registraram retração, de 8,41% e 17,5%, respectivamente, o que indica um comércio ainda desaquecido e com impacto limitado sobre o mercado interno. Do lado dos custos, há sinais mistos. O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira encerrou 2025 em queda, o que traz algum fôlego momentâneo ao produtor. Ainda assim, no acumulado do ano, o indicador apresentou alta de 0,5% na Média Brasil, reforçando a pressão sobre as margens. Entre as regiões analisadas pelo Cepea, São Paulo se destacou negativamente, com elevação de 4,57% nos custos entre janeiro e dezembro, evidenciando que a redução observada no fim do ano não foi suficiente para compensar os aumentos anteriores. Com preços em queda contínua, mercado interno enfraquecido e margens cada vez mais estreitas, o setor leiteiro segue imerso em uma crise prolongada. Para muitos produtores, a combinação de renda menor e custos ainda elevados coloca em xeque a sustentabilidade da atividade, reacendendo debates sobre políticas de apoio, estímulo ao consumo e estratégias para reduzir a vulnerabilidade de um dos segmentos mais importantes da agropecuária brasileira.

O PARANÁ

NACIONAL

Produção de leite no RS se mantém estável apesar do clima desafiador

Condições climáticas adversas exigiram ajustes no pastejo e na alimentação, mas propriedades com bom manejo conseguiram manter a produção. O levantamento de preços realizado pela Emater/RS-Ascar indicou que o preço médio mensal do litro do leite no Estado apresentou redução de 7,69% em relação ao mês anterior, alcançando R$ 1,92.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, propriedades com melhor manejo alimentar e adequada oferta de sombra e água conseguiram mitigar de forma significativa os efeitos das condições ambientais adversas. Nessas situações, os índices produtivos permaneceram próximos da estabilidade. Em contrapartida, nas propriedades que não dispõem desses recursos, as perdas na produção foram mais expressivas, exigindo ajustes nos horários de pastejo. Na região de Frederico Westphalen, a produção apresentou aumento, impulsionada pelo maior aporte nutricional decorrente da melhoria das pastagens e do aumento do tempo de pastejo. As condições ambientais também favoreceram o bem-estar animal, contribuindo para o desempenho produtivo. As condições meteorológicas da semana, caracterizadas por elevada precipitação, calor intenso e alta umidade do ar, impactaram diretamente os sistemas de produção à base de pasto. Essas condições geraram dificuldades de manejo e exigiram a adoção de pastejo por tempo limitado, com retirada das vacas das áreas mais afetadas e suplementação com silagem em cochos cobertos. Como consequência, foram observados quadros de estresse nos animais. O excesso de chuvas também dificultou a limpeza dos úberes, interferindo na qualidade do leite em função da formação de barro em corredores e áreas de espera da ordenha não pavimentadas. Apesar desses desafios, o leite produzido manteve-se dentro dos padrões de qualidade exigidos. Na região de Ijuí, a produção permaneceu estável. Criadores com menor capitalização optaram por reduzir a quantidade de complemento alimentar, como estratégia para diminuir os custos de produção. Em Pelotas, as temperaturas elevadas afetaram o bem-estar animal, o consumo alimentar e a produção de leite, demandando cuidados adicionais relacionados à oferta de sombra, água e manejo nutricional. Também foram relatados problemas sanitários pontuais, como aumento na ocorrência de carrapatos e moscas, além de casos de descarte de leite por questões de qualidade. Na região de Passo Fundo, o rebanho manteve escore corporal acima de 3,5. A alimentação baseou-se em pastagens de verão, silagem e suplementação com concentrados, ajustados conforme as necessidades de cada lote. Em Porto Alegre, a produção seguiu elevada, mesmo diante do estresse térmico provocado pelas altas temperaturas. Já na região de Santa Rosa, a produtividade permaneceu estável, com condições ambientais favoráveis ao pastejo rotacionado e à manutenção da qualidade nutricional da forragem, permitindo bom aproveitamento das áreas e oferta contínua de alimento aos rebanhos.

EMATER/RS

ECONOMIA

Dólar volta a ser influenciado pelo fluxo estrangeiro e fecha quase estável

O dólar perdeu força ante o real na metade da sessão e fechou a sexta-feira próximo da estabilidade, em mais um dia de alta firme do Ibovespa, com investidores estrangeiros atuando na ponta de compra de ativos brasileiros.

A moeda norte-americana à vista fechou em leve alta de 0,08%, aos R$5,2876. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,59% e, no ano, recuo de 3,67%. Às 17h06, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,05% na B3, aos R$5,2940. Nas duas sessões anteriores o dólar havia recuado ante o real, influenciado pelo fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira e pela diminuição das preocupações relacionadas à Groenlândia, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo que garante acesso total do país à ilha. “É novamente o apetite dos investidores ao risco”, justificou à tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “Grande parte deste movimento se deve aos estrangeiros investindo em ativos brasileiros”, acrescentou, pontuando que houve de fato nos últimos dias uma melhora do cenário geopolítico. A diminuição das tensões geopolíticas também seguiu permeando os negócios com moedas no exterior, com os agentes atentos ainda à oscilação do iene em relação ao dólar, em meio a especulações de que o Banco do Japão poderá intervir no mercado de câmbio. Em meio ao noticiário envolvendo as fraudes bancárias, o Banco Central publicou nota afirmando que seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, “obviamente jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” do Banco Master pelo BRB. Na manhã da sexta-feira o Banco Central não realizou nenhuma operação no mercado de câmbio. Na noite de quinta, a instituição havia anunciado dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para a próxima segunda-feira, dia 26, no valor total de US$2 bilhões, para rolagem do vencimento de fevereiro. Em nota na véspera, o BC também informou que iniciará a rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 2 de março na próxima quarta-feira, dia 28.

reuters

Ibovespa encerra semana com recordes assegurados por fluxo estrangeiro

O Ibovespa encerrou a semana com novos recordes, acima dos 178 mil pontos pela primeira vez, confirmando na sexta-feira a quinta sessão seguida de sinal positivo, embalado por um fluxo de capital externo oriundo de um amplo movimento de rotação de global de portfólios.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 1,86%, a 178.858,54 pontos, chegando a 180.532,28 na máxima do dia – novos recordes para fechamento e intradia, respectivamente. Na mínima, marcou 175.589,66 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$35,96 bilhões, novamente acima da média diária do ano e, principalmente, de 2025. Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 8,53%, ampliando o ganho neste começo de ano para 11,01%. A bolsa paulista segue tracionada principalmente por compras de estrangeiros que, apenas neste mês, já registram uma entrada líquida de R$12,35 bilhões na bolsa paulista, segundo dados da B3 até o dia 21. Em todo o ano de 2025, o saldo positivo ficou em aproximadamente R$25,5 bilhões. Nessa semana, além do fluxo estrangeiro, favorecido pela rotação global em direção a emergentes, a equipe de macroeconomia do Santander Brasil, chefiada por Ana Paula Vescovi, atrelou a alta do Ibovespa ao alívio do risco geopolítico, conforme relatório a clientes. A perspectiva entre estrategistas é de que o horizonte segue positivo para as ações brasileiras, dado o cenário macro global favorável e o movimento de realocação de recursos, saindo principalmente, dos Estados Unidos, além da perspectiva de um ciclo de corte de juros no Brasil. Na próxima semana, aliás, decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil devem concentrar as atenções, principalmente os comunicados divulgados ao término das reuniões de ambos os bancos centrais na quarta-feira. Para as taxas em si, as apostas no mercado são de manutenção em ambos os países.

reuters

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