Informativo Sindileite 237 09.10.2026

Ano 1 | nº 237 | 09 de outubro 2026

NOTÍCIAS

LEITE SPOT RECUA EM TODO O BRASIL E CHEGA A R$2,645

O mercado abriu outubro com uma sequência de recuos que surpreendeu pela abrangência entre os estados acompanhados.

A fotografia de outubro traz quedas em diferentes regiões e um número nacional que merece atenção. O leite spot abriu outubro sob pressão. A média nacional recuou para R$ 2,645, uma queda de R$ 0,145 em relação à quinzena anterior, em um movimento negativo observado em todos os estados acompanhados. A retração ocorre em um cenário descrito pela fonte como de maior oferta de leite, ao mesmo tempo em que os preços dos derivados também recuaram, principalmente os de leite UHT e muçarela. O resultado foi uma pressão de baixa generalizada sobre o mercado spot no início do mês. Entre os estados acompanhados, Minas Gerais registrou a maior retração. A média chegou a R$ 2,709, depois de uma queda de R$ 0,215 em relação à quinzena anterior. Em São Paulo, o preço médio encerrou a quinzena em R$ 2,904, com ajuste negativo de R$ 0,141. Assim, os três principais números apresentados para o início de outubro mostram a amplitude do movimento: R$ 2,645 na média nacional, R$ 2,709 em Minas Gerais e R$ 2,904 em São Paulo. O ponto central do mercado, neste momento, está na combinação entre maior oferta de leite e queda nos preços dos derivados, fatores que aparecem associados à retração das cotações do spot. Para a cadeia láctea, outubro começa, portanto, com um sinal claro nos preços do leite negociado no mercado spot: a pressão de baixa alcançou todos os estados acompanhados na abertura do mês.

Edairy newS

Paradoxo: Leite bate recorde no Brasil, mas por que produtores deixam a atividade?

Saída de produtores e expansão das grandes fazendas transformam o setor, que bate recorde de produção, mas enfrenta consumo sem avanço consistente, importações elevadas e pressão sobre as margens

A pecuária leiteira brasileira atravessa uma transformação que vai além das oscilações no preço do litro. O número de estabelecimentos produtores diminuiu entre os censos agropecuários, enquanto grandes fazendas passaram a responder por uma parcela crescente da produção comercializada. O país consegue produzir mais leite, mas essa expansão não significa que todos os produtores estejam crescendo ou conseguindo permanecer na atividade. Uma análise da Embrapa Gado de Leite, baseada nos levantamentos censitários disponíveis à época, apontou a passagem de aproximadamente 1,35 milhão de estabelecimentos produtores em 2006 para 1,17 milhão em 2017. Os números documentam uma redução próxima de 13%, mas precisam ser contextualizados: representam uma comparação histórica, não uma contagem atualizada de produtores em 2026. Na outra ponta, o levantamento Top 100 2026, do MilkPoint em parceria com a ABRALEITE, mostra que as cem maiores fazendas identificadas pela pesquisa comercializaram 1,29 bilhão de litros em 2025. A média por propriedade chegou a 35.392 litros por dia, alta de 8,72%, e a participação do grupo alcançou 4,74% da produção formal, conforme a metodologia do levantamento. Os números revelam concentração crescente, mas também colocam essa mudança em perspectiva: mesmo os cem maiores produtores ainda respondem por menos de 5% do leite formal. A cadeia continua distribuída entre muitos estabelecimentos, com realidades bastante diferentes. O desafio é entender como um setor capaz de bater recordes de produção pode, ao mesmo tempo, perder produtores e enfrentar dificuldades para transformar eficiência em renda. A Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE registrou 36,684 bilhões de litros de leite em 2025, recorde da série e crescimento de 2,7% sobre 2024. O resultado foi alcançado com aproximadamente 14,7 milhões de vacas ordenhadas, quantidade 2,7% menor que a do ano anterior. A produtividade média chegou a 2.498,7 litros por vaca ao ano, avanço de 5,6%. Segundo a divulgação dos resultados, o desempenho reflete condições climáticas favoráveis, aprimoramento genético, manejo e reorganização da base produtiva. É preciso separar os indicadores: menos vacas ordenhadas não informa, por si só, quantos produtores abandonaram o leite. Já o aumento da produção com redução do plantel mostra que o desempenho dos animais ganhou importância para sustentar a oferta nacional. Entre 2016 e 2025, a produção cresceu aproximadamente 8,9%, equivalente a cerca de 3 bilhões de litros adicionais por ano. A trajetória, entretanto, não foi contínua: houve recuos em 2017, 2021 e 2022, seguidos de recuperação nos três anos mais recentes. Esse desempenho recomenda cautela com a ideia de uma expansão acelerada e permanente. O Brasil ampliou a oferta na década, mas passou por interrupções e ajustes. O recorde nacional também não permite concluir que a rentabilidade melhorou na mesma proporção. A produção total estimada pela Pesquisa da Pecuária Municipal inclui leite que não necessariamente passa pela indústria sob inspeção. A Pesquisa Trimestral do Leite, por sua vez, acompanha estabelecimentos que beneficiam leite sob inspeção sanitária federal, estadual ou municipal. Portanto, produção nas fazendas e aquisição pelas indústrias não devem ser tratadas como uma única estatística. A primeira ajuda a dimensionar a atividade; a segunda permite acompanhar a oferta no mercado formal. Essa distinção também explica por que a participação dos grandes produtores precisa indicar qual base foi utilizada. Uma porcentagem calculada sobre o leite inspecionado não equivale à mesma participação sobre toda a produção brasileira. Quanto leite o brasileiro consumiu nos últimos dez anos? Para acompanhar a demanda, um dos indicadores utilizados pelo setor é o consumo aparente de leite e derivados, expresso em litros equivalentes por habitante. O cálculo soma a produção interna às importações, desconta as exportações e divide o resultado pela população. O indicador inclui produtos como queijos, leite em pó e iogurtes convertidos em equivalente leite. Não mede apenas o leite líquido bebido nem o consumo efetivo de cada pessoa. É uma medida da disponibilidade média de lácteos no país. A leitura da tabela é de oscilação, sem crescimento consistente do consumo por habitante: o indicador terminou 2024 no mesmo nível de 2015. Houve recuperação após 2022, mas ela não representa um salto estrutural em relação ao início do período. Esse comportamento ajuda a compreender o desafio comercial. Na fazenda, faturamento e lucro são resultados diferentes. Mais litros podem elevar a receita, mas também exigem alimentação, mão de obra, energia, instalações e capital. Se o custo aumenta mais que a receita, o ganho de volume pode coexistir com uma margem menor. Em agosto de 2026, o ICPLeite/Embrapa registrou alta de 1,47%, levando o aumento acumulado no ano a 4,13%. A alimentação concentrada subiu 3,35% no mês, enquanto o grupo de minerais avançou 10,89%.

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COMPRE RURAL

INTERNACIONAL

LEITE EM PÓ DESNATADO SOBE MAIS DE 100% NOS EUA POR CAUSA DA PROTEÍNA

Do leite em pó desnatado aos contratos europeus, o maior mercado de derivativos do mundo vê um mesmo fio condutor. Quando o leite fluido muda de destino, o leite em pó desnatado sente primeiro. O que está por trás desse desvio nos EUA?

O leite em pó desnatado acumula alta de mais de 100% no ano no mercado dos Estados Unidos, e a explicação, segundo o CME Group, está no destino que o leite fluido vem tomando. A leitura é de John Ricci, chefe global de produtos agrícolas do maior mercado de derivativos do mundo, em entrevista ao Valor nesta segunda-feira (5/10), durante passagem pelo Brasil. O raciocínio começa no leite fluido. Os produtores o destinam aos itens em que as margens são melhores, e a busca crescente por proteína, que Ricci associa ao avanço das canetas emagrecedoras, aqueceu a procura por iogurte, queijo cottage, queijos em geral e whey. O leite desviado para esses produtos deixa de abastecer outras finalidades, como o leite em pó desnatado. Do lado da bolsa, o cenário é de recorde. O mercado de laticínios dos EUA registrou máximas de contratos em aberto e de volume de negociação no ano passado, e a expectativa do executivo é repetir o desempenho neste ano. Foi esse quadro, segundo ele, que alimentou o entusiasmo do CME em entrar no mercado europeu de lácteos. A porta para a Europa é uma parceria com a European Energy Exchange (EEX), firmada em setembro, que transfere para o CME os indicadores de laticínios da EEX no mercado europeu. De acordo com o anúncio feito no mês passado, a expectativa é que a transição seja concluída antes do fim de 2027. Por trás da procura por ferramentas de proteção, Ricci descreve um ambiente de risco permanente: fluxos comerciais globais sendo reconfigurados, tarifas, tensões geopolíticas e maior volatilidade. Os números ajudam a ilustrar o movimento. Em setembro, a soja bateu recorde mensal de 1,1 milhão de contratos em aberto, e a média diária de negociação de produtos agrícolas chegou a 2,1 milhões de contratos, somando futuros e opções, volume nunca visto antes. A vitrine do CME também mudou. A bolsa lançou contratos de sorgo com entrega física, em operação desde 24 de agosto, e de aparas de carne magra (beef trim), que Ricci descreve como os contratos da carne de hambúrguer. Criou ainda o Agriculture Index, indicador que reúne grãos, oleaginosas, pecuária, madeira e cinco dos seis contratos de laticínios. Mais lançamentos estão no radar, talvez no fim deste ano ou no primeiro trimestre do ano que vem, nas palavras do executivo. Para o leite, o recado é direto: a demanda por proteína está redefinindo a destinação do leite fluido, e a bolsa de Chicago já se movimenta para acompanhar.

Edairy newS

PARAGUAI ATRAI CAPITAL ESTRANGEIRO PARA A PRODUÇÃO DE LEITE E WEY

A produção avançou, os preços sentiram a pressão e dois projetos estrangeiros começam a desenhar uma nova etapa para o setor. Capital dos Países Baixos e da Nova Zelândia mira pontos diferentes da cadeia láctea paraguaia.

Investimentos lácteos no Paraguai começam a ganhar uma nova dimensão à medida que o país registra aumento na produção e recebe projetos voltados tanto à atividade primária quanto à industrialização do soro de leite. O movimento envolve Países Baixos e Nova Zelândia, com iniciativas mencionadas nos departamentos de Caazapá e Itapúa. A informação foi apresentada por Erno Becker, presidente da Câmara Paraguaia de Industriais Lácteos (Capainlac). O momento não é casual. A produção de leite no Paraguai registra um crescimento de aproximadamente 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo Becker. As condições climáticas favoráveis contribuíram para esse avanço, mas o aumento da oferta também passou a pressionar os preços. e um lado, investidores dos Países Baixos estão adquirindo terras e animais para estabelecer empreendimentos voltados à produção primária. De outro, um projeto vindo da Nova Zelândia pretende avançar sobre o processamento do soro de leite para produzir proteínas de alto conteúdo destinadas à área da saúde. São dois movimentos diferentes, mas que aparecem dentro do mesmo desafio: o que fazer quando a produção cresce e o mercado precisa absorver um volume maior de leite? O projeto ligado à Nova Zelândia coloca o whey protein no centro da nova etapa. Segundo Becker, está sendo buscada a concretização de uma indústria para processar o soro e produzir proteínas de alto conteúdo para a saúde. O projeto representa uma mudança importante na forma de aproveitar a matéria-prima láctea. O soro resultante da elaboração de queijos contém proteínas solúveis que podem ser submetidas a processos de concentração e filtragem para a obtenção de ingredientes de maior valor comercial. A futura indústria, porém, ainda tem pontos que não foram detalhados na informação disponível. Não foram informados a tecnologia que será utilizada, o tipo de concentrado a ser produzido nem a capacidade de processamento. Também não foram divulgados os nomes das empresas envolvidas nos projetos ou o tamanho dos empreendimentos. Os projetos dos Países Baixos apresentam outra característica. De acordo com Becker, os investidores estão comprando terras e animais para estabelecer atividades leiteiras no Paraguai. O dirigente relacionou esse movimento às maiores exigências regulatórias enfrentadas pela produção agropecuária na Europa. Enquanto esse capital mira a produção primária, a iniciativa neozelandesa avança sobre uma etapa industrial. Caazapá e Itapúa aparecem como os departamentos relacionados às iniciativas, embora a informação disponível não detalhe qual projeto seria instalado especificamente em cada local. Mas o aumento da oferta também traz uma pressão concreta: segundo o presidente da Capainlac, a sobreoferta já impacta os preços.

Edairy newS ESPAÑOL

ECONOMIA

Dólar tem variação modesta ante o real com eleição no radar

O dólar oscilou em margens estreitas ante o real na quinta-feira e encerrou a sessão com leve variação positiva, com os investidores mantendo no holofote a disputa pela Presidência, à espera da divulgação de nova pesquisa do Datafolha.

O dólar à vista fechou a sessão com variação positiva de 0,17%, a R$5,0240. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,47%. Às 17h21, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,01% na B3, aos R$5,0440. No exterior, o dólar cedeu ante algumas divisas de exportadores de commodities, mas se firmou em alta ao longo do dia ante boa parte das demais moedas. Pela manhã, a pesquisa PoderData/Aya mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 53% dos votos válidos na simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro é de 1,8 ponto percentual. No início da noite, o Datafolha divulgará sua nova pesquisa, aguardada com ansiedade pelos investidores. No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas, ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na curva de DIs e na queda do dólar ante o real. Após o primeiro turno, a moeda norte-americana acumula baixa de 3,70%. Nesta quinta-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou que a equipe de Flávio estuda alterar os reajustes da aposentadoria, assim como a correção dos gastos obrigatórios com saúde e educação. Em Brasília, em entrevista à imprensa, Flávio disse que reajustará os valores da aposentadoria acima da inflação e negou que tenha planos para mudar a forma atual de correção dos benefícios da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O ministro da Fazenda de Lula, Dario Durigan, disse em entrevista à CNN Brasil durante a tarde que Flávio vende uma “ilusão” ao mercado e não leva em conta impactos sobre a atividade econômica e empregos. Durante a tarde, a divisa norte-americana se manteve próxima da estabilidade. No exterior, o dólar sustentou pela manhã perdas ante algumas moedas emergentes, como o peso chileno e o rand sul-africano, mas durante a tarde a divisa norte-americana ganhou força ante diversas moedas. Às 17h17, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,18%, a 102,070.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com suporte de Petrobras e com cenário eleitoral no radar

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta, tendo como suporte os ganhos da Petrobras, que se beneficiaram da disparada do petróleo no exterior, ao mesmo tempo que os investidores avaliaram o noticiário eleitoral.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,03%, a 206.402,27 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 203.984,57 na mínima e 207.953,74 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somava R$56 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Rosa prevê superávit comercial de ao menos US$90 bi em 2026, acima de estimativa oficial

O Brasil deve ter um superávit comercial de ao menos US$90 bilhões este ano a despeito da recente redução da estimativa oficial do governo para um saldo de cerca de US$85 bilhões, disse nesta quinta-feira o ministro de Indústria Comércio Bens e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Segundo ele, o país vem apostando na diversificação de mercados para compensar o impacto sobre as exportações de movimentos como o tarifaço dos EUA e o embargo às carnes bovinas e de aves imposto pela União Europeia. “Continuo apostando em US$90 bilhões, se não passar de US$90 bilhões”, disse ele a jornalistas na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Rosa disse que as negociações para flexibilização do tarifaço norte-americano estão caminhando e em três ou quatro semanas o governo brasileiro espera receber uma nova proposta dos EUA. “Nós podemos constituir um grupo de trabalho, se for o caso, enquanto isso as equipes técnicas podem dialogar.” O Mdic reduziu na terça-feira sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 a US$84,4 bilhões, contra previsão feita em julho de saldo de US$90 bilhões, prevendo ganho menor nas exportações e arrefecimento de preços internacionais. Apesar da revisão para baixo, o resultado ainda seria 24% mais forte do que o observado no ano anterior, quando o saldo foi de US$68,1 bilhões, e marcaria o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas do dado de 2023.

REUTERS

Produção industrial cai em 10 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE em agosto, diz IBGE

Quedas mais intensas foram registradas no Pará, no Amazonas e no Rio Grande do Sul

A produção da indústria brasileira recuou em dez dos 15 locais pesquisados em agosto, ante julho, pela Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), divulgada na quinta-feira (08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média brasileira, a indústria caiu 0,6%, segundo o resultado divulgado pelo IBGE na última semana. Hoje, o instituto detalha o resultado pelos diferentes locais acompanhados pela pesquisa. As quedas mais intensas foram registradas no Pará (-7,3%), no Amazonas (-5,7%) e no Rio Grande do Sul (-4,5%). Minas Gerais registrou variação nula (0%), enquanto a Bahia apontou expansão de 3,7%, a maior entre os quatro locais em alta. Frente a agosto de 2025, a produção industrial caiu em 12 dos 18 locais pesquisados. Na comparação anual, o número de locais acompanhados e divulgados pelo IBGE é maior. As quedas mais intensas foram registradas no Pará (-19,8%) e no Maranhão (-11,2%). Na média brasileira, a produção industrial nacional teve queda de 1,2% nesta base de comparação.

VALOR ECONÔMICO

PIB do Brasil deve desacelerar para 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, diz órgão da ONU

Mercado de trabalho brasileiro aquecido amortece a perda de ritmo, diz o relatório. Boom da IA sustenta a economia global, mas acende alerta para sinais de bolha

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil perderá fôlego e, após alta de 2,3% em 2025, deve crescer 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, segundo o relatório anual “Trade and Development Report 2026”, divulgado na sexta-feira (9) pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O freio vem da inflação em alta e de um afrouxamento monetário mais lento do que se esperava antes da guerra no Oriente Médio, segundo o órgão da ONU. A entidade cita o Brasil entre os países cujos bancos centrais mantiveram os Juros ainda elevados, o que encarece o crédito às famílias. Apesar disso, ressalta o relatório, o desempenho da economia brasileira ainda é sustentado pelo consumo das famílias, pelo investimento privado e pelas exportações agrícolas, que seguem robustas. O documento também dá ao país um papel estratégico na nova era geoeconômica, em que as regras multilaterais se enfraquecem e algumas economias do Sul Global ganham peso como âncoras regionais. O Brasil aparece nesse grupo, ao lado de Índia e Nigéria. Para a economia mundial, a agência projeta crescimento de 2,6% em 2026 e de 2,7% em 2027, abaixo dos 2,9% de 2025. É um ritmo modesto, mas que, segundo a Unctad, “desafiou cenários mais sombrios”. Ao mesmo tempo, os juros de longo prazo dos títulos de países ricos chegaram perto do maior nível em duas décadas, o que encarece empréstimos no mundo todo. Com isso, a Unctad estima que o consumo privado global vai desacelerar de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026 e 2,4% em 2027. Entre as grandes economias, a Índia lidera, com projeção de 7,3% de crescimento do PIB em 2026. A China deve crescer 4,5%, e os EUA, 2,1%. O que impede uma desaceleração maior é o investimento em inteligência artificial. Só nos EUA, o investimento em data centers deve chegar a cerca de US$ 400 bilhões em 2026 e US$ 600 bilhões em 2027, segundo estimativas citadas pela entidade. Esse investimento, porém, está concentrado nos EUA e na China e, em menor grau, na Europa. A Unctad vê traços de bolha no setor. Entre os sinais de alerta, cita o investimento em IA financiado por empréstimos, estimado em US$ 4,1 trilhões até 2030. A corrida pela IA, diz o texto, “mal começou, mas já é grande demais para falhar”. O comércio mundial de bens e serviços cresceu 4,4% em termos reais em 2025 e deve avançar cerca de 4% em 2026, segundo a Unctad. O documento ressalta que o comércio não está em retração, e sim em reconfiguração. O comércio direto entre China e EUA caiu mais de 20% em 2025. Em compensação, as demais economias do Leste Asiático passaram a exportar bem mais para os EUA (alta de 23,3%) e para o restante da América do Norte (32,2%). A China ampliou as vendas para o Leste Asiático (12,8%), a Europa (11,6%) e outros países em desenvolvimento (11,1%). Uma das explicações para a resistência do comércio é o boom da IA. Em 2025, o comércio de produtos como semicondutores e servidores cresceu 22% e chegou a US$ 4,2 trilhões, respondendo por 42% do crescimento nominal do comércio global de mercadorias. Mas boa parte da alta recente vem dos preços. No segundo trimestre de 2026, o índice de preços do comércio de mercadorias subiu 29% em termos anualizados, enquanto o volume cresceu só 1,5%.

FOLHA DE SP

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