Ano 1 | nº 236 | 08 de outubro 2026
NOTÍCIAS
LEITE A2A2 NÃO GARANTE QUALIDADE: O QUE REALMENTE DEFINE O PADRÃO?
Uma pergunta de um pecuarista do Paraná colocou o leite brasileiro frente a frente com o padrão dos EUA e da Europa. A resposta vale para toda fazenda. A genética conta, mas não é tudo. Um especialista explica o que realmente pesa na hora de comparar o leite do Brasil com o do exterior. Ter vacas A2A2 no rebanho não garante, por si só, um leite de melhor qualidade.
A avaliação é do zootecnista Guilherme Marquez, especialista em pecuária de leite, ao responder se o leite A2A2 brasileiro é diferente do produzido em fazendas dos Estados Unidos e da Europa. A dúvida mostra como esse nicho de mercado já desperta questionamentos entre os produtores. A pergunta partiu do pecuarista Paulo Henrique, da Fazenda Boa Sorte, em Guarapuava (PR), e foi respondida no quadro Giro do Boi Responde. Ele quis saber se há diferença de qualidade sanitária e nutricional entre o leite A2A2 feito no Brasil e o das propriedades norte-americanas e europeias. Segundo Marquez, o termo A2A2 diz respeito apenas a uma variação genética da beta-caseína, componente da proteína do leite. A genotipagem assegura uma proteína de melhor digestibilidade, mas essa característica, sozinha, não significa alta qualidade sanitária. É um atributo do animal, não um atestado do produto que chega ao tanque. O que mede a qualidade de fato, afirma o especialista, são indicadores zootécnicos e microbiológicos rigorosos: a Contagem de Células Somáticas (CCS), a Contagem Bacteriana Total (CBT) e os teores de gordura e proteína total. É nesses números, e não apenas no genótipo, que a qualidade se confirma. Daí a resposta de Marquez à comparação com o exterior: a pecuária brasileira tem plena capacidade de entregar um produto no mesmo nível ou superior ao europeu e ao americano. A condição é que as propriedades sigam as instruções normativas e os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Na prática, isso começa na sala de ordenha. Controlar CBT e CCS exige limpeza rigorosa dos tetos, desinfecção constante do sistema e troca periódica das borrachas e teteiras da ordenhadora. Depois vêm a alimentação e a refrigeração: nutrição equilibrada e resfriamento imediato e adequado no tanque de expansão evitam a proliferação de bactérias e preservam o valor do alimento para o laticínio. O especialista aponta ainda uma vantagem do produtor brasileiro. Com clima favorável, área e insumos, o país consegue produzir leite a pasto com alto teor de sólidos e sustentabilidade, um diferencial competitivo frente aos sistemas confinados do Hemisfério Norte. A conta fecha quando genética e manejo andam juntos. Segundo Marquez, ao combinar a seleção das vacas para a proteína A2A2 com higiene estrita na ordenha e cumprimento das normas sanitárias, o produtor entrega um leite de padrão internacional, o que garante processamento rápido pela indústria e máxima rentabilidade na fazenda.
GIRO DO BOI
Balança comercial: importações de lácteos volta a crescer e ampliam déficit em setembro
Setembro foi marcado pelo crescimento das importações e das exportações brasileiras de lácteos
As compras externas somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, avanço de 8,7% em relação ao mês anterior, enquanto os embarques totalizaram 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% na mesma comparação. Com o avanço das compras externas, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou, passando de cerca de 219 milhões de litros em agosto para 237,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro. As importações reverteram o leve recuo observado em agosto, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai. O movimento ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul, com a produção dos países fornecedores acima dos patamares registrados no ano anterior. Os principais movimentos observados nas importações foram: Leite em pó integral (LPI): apresentou recuo de 3,0% no volume importado, após dois meses consecutivos de avanço; Leite em pó desnatado (LPD): registrou aumento de 26% nas compras externas, revertendo a queda observada em agosto; Queijos: a categoria apresentou crescimento de 19% no volume importado. Dentro desse grupo, as compras de muçarela também avançaram 19% em relação ao mês anterior. As importações de WPC (Whey Protein Concentrate, ou concentrado proteico de soro de leite) também avançaram em setembro, com alta de 7,2% na comparação mensal, passando de aproximadamente 546,5 toneladas em agosto para 586,0 toneladas. Nesse contexto, a utilização do leite em pó desnatado em substituição parcial ao WPC, em determinadas formulações industriais, é uma possível explicação para o crescimento das compras de LPD. Em relação às exportações, setembro apresentou avanço de 6,5% frente ao mês anterior, com o volume total somando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite. Entre os produtos, os embarques de soro de leite cresceram, enquanto as vendas externas de queijos recuaram. Nas exportações de setembro, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos: Soro de leite: apresentou aumento de 54,1% no volume exportado em relação ao mês anterior, com os embarques totalizando 1,28 milhão de kg; Queijos: registraram recuo de 15,2% no volume exportado na comparação mensal. O que podemos esperar para os próximos meses? O avanço das importações em setembro, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai, ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul. A produção dos países fornecedores permanece acima dos níveis registrados no ano anterior, favorecendo a oferta de lácteos para o mercado brasileiro. Apesar desse volume elevado, o crescimento da produção na região vem perdendo intensidade, contribuindo para certo avanço dos preços. Em contrapartida, o dólar em patamares inferiores aos do ano passado ainda reduz o custo de internalização dos importados. A valorização dos produtos na origem, porém, vem reduzindo sua vantagem frente aos brasileiros, observado na aproximação entre os custos de aquisição de alguns derivados externos e nacionais. Para os próximos meses, o ganho de competitividade dos produtos brasileiros pode moderar o ritmo de novas compras externas. A evolução dos preços no Mercosul e no mercado doméstico será, portanto, importante para avaliar a continuidade dos avanços nas importações.
COMEXSTAT/MILKPOINT
Quarto maior produtor de leite do mundo, o Brasil está parado
Quarto maior produtor de leite do mundo, o Brasil está parado em 35 bilhões de litros há uma década, e o Nordeste é a exceção. O saldo comercial do setor acumulou déficit de US$ 6,887 bilhões entre 2016 e 2026, em preços constantes de março de 2026. Entre 2015 e 2024, a produção brasileira de leite praticamente não saiu do lugar e ficou em torno de 35 bilhões de litros por ano.
Em 2024 foram 35,744 bilhões, alta de 1,41% sobre o ano anterior. A taxa média de crescimento, de 4,13% ao ano entre 1974 e 2014, caiu para 0,19% na década seguinte. Uma região fugiu à regra: o Nordeste cresceu em média 5,24% ao ano, enquanto as demais tiveram médias negativas. De acordo com uma investigação compartilhada pela revista Qualis A Open Minds, o economista Tagore Villarim de Siqueira, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e mestre em Teoria Econômica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), traça um panorama da cadeia do leite. O brasileiro bebe leite suficiente? O consumo per capita ficou em 178 litros por ano em 2024, abaixo do pico de 180 litros de 2013 e 2014. Tomando 200 litros anuais, o equivalente a um copo de 500 ml por dia, como referência, o consumo está 11% abaixo. Os países líderes, como Irlanda, Dinamarca, Turcomenistão, Luxemburgo e Suíça, ficam entre 414 e 600 litros. Parte da demanda é atendida por importações. O saldo comercial do setor acumulou déficit de US$ 6,887 bilhões entre 2016 e 2026, em preços constantes de março de 2026. O déficit médio foi de US$ 454 milhões entre 2016 e 2022 e subiu para US$ 929 milhões entre 2023 e 2025. Por que o Nordeste destoa? Pernambuco produziu 1,457 bilhão de litros em 2024, alta de 9,21%, o que o colocou em primeiro lugar na região e em sétimo no país. O Ceará chegou a 1,210 bilhão, com avanço de 6,44%. Sergipe, com 296 litros por habitante, é o único estado nordestino acima dos 200 litros de referência. No outro extremo, o Piauí produz 21 litros por habitante e o Maranhão, 55. As principais bacias da região incluem o Agreste Meridional de Pernambuco, o Vale do Jaguaribe, no Ceará, o Seridó, no Rio Grande do Norte, e o sul e o extremo sul da Bahia. O autor destaca o efeito do setor sobre emprego e renda no semiárido e no combate à fome. O clima manda no rebanho? O estudo relaciona a queda no número de vacas ordenhadas, sobretudo no Nordeste, aos episódios fortes de El Niño de 2015 e 2016 e de 2023 e 2024, que agravam a seca. Como o fenômeno é previsto de forma intensa para 2026, Siqueira defende um plano de prevenção para reduzir perdas. Falta modernização na porteira? Sim. Cerca de 80% das propriedades leiteiras usam ordenha manual, 20% usam ordenha mecânica e só 2% têm sistemas automatizados. No Censo Agropecuário de 2006, apenas 10,78% das propriedades tinham tanque de resfriamento: 24% no Sul, 10,76% no Sudeste, 1,26% no Norte e 0,28% no Nordeste. Os preços pagos ao produtor refletem a pressão. O leite chegou a R$ 2,07 por litro em janeiro de 2026 e fechou junho em R$ 2,75. A média do primeiro semestre, de R$ 2,47, ficou 14% abaixo da do mesmo período de 2025. Nesse cenário, o estudo registra o lançamento do mercado futuro de leite, em 13 de maio de 2026, para proteger produtores e compradores de oscilações bruscas, e a estratégia das “vacas tokenizadas”, em que animais com coleira inteligente viram garantia de crédito rural. O que o autor propõe? Um plano estratégico para a cadeia, com foco em qualidade, produtividade e sustentabilidade. Entre as frentes citadas: * programas de qualidade, inovação e assistência técnica, em parceria com universidades e a Embrapa; * acesso a ordenha automatizada, tanques de resfriamento e caminhões refrigerados; * certificações de qualidade e indicações geográficas para queijos artesanais; * biodigestores e energia solar para reduzir custos; * crédito sob medida, preço mínimo, estoques reguladores e incentivos fiscais. O estudo cita também o programa federal de compra de leite de agricultores familiares para doação, criado em 2003, que teve orçamento de R$ 130 milhões em 2025 e R$ 156 milhões em 2026.
NOVO MOMENTO/EDAIRYNEWS
Internacional
BRASIL COMPRA 41% MAIS LÁCTEOS DO URUGUAI E AMORTECE TOMBO DA ARGÉLIA
Vender mais não garantiu receita maior. Nas exportações de lácteos do Uruguai, a explicação passa por um cliente que acelerou e outro que freou. As exportações de lácteos do Uruguai esconderam uma virada em 2026, e dois destinos explicam por que a conta não fecha. As exportações de lácteos do Uruguai fecharam os nove primeiros meses de 2026 com um paradoxo.
Foram 178.247 toneladas embarcadas, cerca de 5% acima das 169.627 toneladas do mesmo período de 2025. A receita, porém, ficou em US$ 646,7 milhões, 1,5% abaixo dos US$ 656,8 milhões do ano passado. O país vendeu cerca de 8.620 toneladas a mais e recebeu aproximadamente US$ 10,1 milhões a menos. A explicação começa pelo preço médio. Pelas contas feitas a partir dos dados informados, a tonelada exportada passou de cerca de US$ 3.872 para US$ 3.628, uma queda próxima de 6%. O número não significa que todos os produtos ficaram mais baratos, já que o resultado também depende do mix exportado e dos destinos. Mas mostra que o volume, sozinho, não garantiu receita. É nesse cenário que o Brasil ganha protagonismo. Em setembro, o país comprou 7.860,5 toneladas de lácteos uruguaios, por US$ 29,9 milhões, contra 5.554 toneladas e US$ 22,8 milhões um ano antes. A alta foi de cerca de 41% em volume. Com isso, o Brasil concentrou perto de 35% de todas as toneladas exportadas pelo Uruguai no mês e liderou o ranking de destinos por ampla margem. Do outro lado da balança, a Argélia fez o caminho inverso. Em setembro de 2025, o Uruguai havia colocado ali 9.809 toneladas, por US$ 38 milhões. Um ano depois, foram 2.431 toneladas, por US$ 8,9 milhões: um quarto do volume anterior, ou uma retração de cerca de 75%. O tombo pesa porque a Argélia é historicamente compradora de leite em pó integral uruguaio. A comparação mostra o limite da compensação. O Brasil acrescentou cerca de 2.300 toneladas e US$ 7 milhões ao mês, enquanto a Argélia deixou de levar mais de 7.300 toneladas e cerca de US$ 29 milhões. O avanço brasileiro amorteceu parte da queda, mas o mês fechou com 22.560 toneladas e US$ 79 milhões, contra 23.465 toneladas e US$ 90,76 milhões em setembro de 2025. É uma baixa de 3,8% em volume e de 13% em valor. Isso significa que o valor médio também recuou. A receita por tonelada passou de cerca de US$ 3.868 para US$ 3.502, uma redução de aproximadamente 9,5%. Ou seja, o dinheiro que faltou no mês não se explica apenas por ter vendido menos.
EDAIRYNEWS
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em alta de 0,83%, a R$5,0156 na venda
Após o forte rali do real visto depois do primeiro turno da eleição presidencial, o dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil e novamente acima dos R$5, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,0156, depois de ter atingido na véspera a menor cotação em quase 5 meses. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,62%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,60% na B3, aos R$5,0365. Nas duas sessões anteriores o dólar acumulou uma queda de 4,65%, refletindo o entusiasmo dos investidores com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Por trás do movimento está a percepção de boa parte do mercado de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. O fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa foi forte no dia seguinte à eleição, como destacou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine. “O movimento reflete a percepção de que Flávio Bolsonaro teria maior disposição para enfrentar o desequilíbrio fiscal e implementar uma agenda econômica mais favorável ao mercado”, afirmou, acrescentando que a sustentação do movimento dependerá do detalhamento das propostas econômicas. Passado o primeiro impacto eleitoral, na quarta-feira o dólar exibiu ganhos no Brasil, em sintonia com o sinal positivo da moeda norte-americana ante outras divisas emergentes no exterior, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h37, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,36%, a 102,280, em uma sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior e eleições no foco
O Ibovespa encerrou o pregão da quarta-feira em queda, com o mercado local refletindo o ambiente negativo externo e realizando lucros depois do rali eleitoral após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,74%, a 204.302,33 pontos, após marcar 204.176,12 na mínima e 206.877,47 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quarta-feira somou R$57,2 bilhões antes dos ajustes finais. A bolsa brasileira acompanhou a tendência das principais praças acionárias globais, que fecharam no campo negativo diante da alta dos preços do petróleo para mais de US$100 em meio a novas tensões no Oriente Médio. O S&P 500 encerrou o dia em queda de 0,22%. Os agentes também avaliaram a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada em setembro, divulgada na tarde desta quarta-feira. O documento mostrou que os formuladores de política monetária do Fed estavam divididos no mês passado quanto aos fundamentos para o aumento das taxas de juros, com “alguns participantes” considerando o aumento necessário para conter o impacto dos choques nos preços do petróleo e outros choques, enquanto um grupo via a medida como necessária para proteção contra a inflação impulsionada pela demanda. Localmente, o destaque continuou sendo o cenário eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu apoio dos partidos Novo, União e PP para o segundo turno e participa de reunião da bancada do PL. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve reunião com jovens deputados eleitos e pode participar de encontro do diretório do PT. O diretor de análises da ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, avalia que, para os próximos dias, a expectativa é de volatilidade elevada no mercado brasileiro, com o cenário político novamente no centro das atenções. Pesquisas eleitorais podem “provocar ajustes importantes nas posições construídas desde o primeiro turno, especialmente em dólar, juros e ações domésticas mais sensíveis à percepção fiscal”, afirmou. “Depois da forte valorização recente, o mercado deverá exigir sinais mais concretos sobre alianças, propostas econômicas e capacidade de implementação de uma eventual agenda fiscal mais restritiva”, disse Praça.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$5,090 bilhões em setembro, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$5,090 bilhões em setembro, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$7,371 bilhões em setembro. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de setembro foi positivo em US$2,281 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 28 de setembro a 2 de outubro, saíram do país US$267 milhões líquidos. O período corresponde à semana imediatamente anterior ao primeiro turno das eleições no Brasil. Nos dois primeiros dias úteis de outubro, houve entradas de US$799 milhões. No acumulado do ano até 2 de outubro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,500 bilhões.
REUTERS
Novos mercados puxam alta de 10,4% nas exportações brasileiras
Vendas para a Índia quase dobram no ano, Europa cresce 20% e África, América Central e Oceania ganham espaço. Total exportado chega a US$ 284,6 bilhões entre janeiro e setembro
A diversificação de destinos sustentou o crescimento das exportações brasileiras em 2026. Entre janeiro e setembro, as vendas para a Índia subiram 85,5%, para a Europa, 20,2%, para a Oceania, 20,8%, para a América Central e Caribe, 14,9%, e para a África, 9,7%. No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram 6,5% e para a Argentina, 18,5%. O resultado ajudou a levar as exportações a US$ 284,65 bilhões no acumulado do ano, alta de 10,4% sobre 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado reforça a importância da busca por novos parceiros comerciais para reduzir a exposição do país a oscilações em mercados tradicionais. “Os números mostram que o exportador brasileiro está ocupando mais espaço no mundo. Crescemos na Índia, na Europa, na África, no Oriente Médio e na América Central. Abrir e diversificar mercados é a melhor forma de proteger o Brasil de oscilações em parceiros específicos, e é nisso que a ApexBrasil vem trabalhando”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. A balança comercial acumula superávit de US$ 62,4 bilhões no ano. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. O maior avanço proporcional entre os principais destinos foi registrado na Índia. As exportações brasileiras para o país asiático passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões entre janeiro e setembro, um acréscimo de US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Índia já está entre os mercados que mais contribuíram para o crescimento das vendas externas do Brasil no ano. “O crescimento de mais de 85% nas vendas para a Índia não é por acaso. É um mercado de 1,4 bilhão de pessoas que vê o Brasil como parceiro confiável”, diz Müller. Ainda na Ásia, a China segue como principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o país somaram US$ 84,68 bilhões no acumulado do ano, alta de 12%. Japão (+14,2%), Singapura (+12,1%) e Bangladesh (+25,8%) também ampliaram as compras de produtos brasileiros. Na Europa, o crescimento foi distribuído entre vários países. Os Países Baixos ampliaram as compras em 16,6%, a Itália em 31,7%, a Turquia em 37,3%, a Polônia em 73,5% e a Alemanha em 15,8%. Minérios de cobre, soja, ouro, petróleo e carne bovina estão entre os produtos que puxaram a alta no continente. Na África, os destaques foram o Egito, com aumento de 25,2%, e a África do Sul, com 28%. Soja, minério de ferro, milho e animais vivos lideraram o avanço na região. Na América Central e Caribe, o Panamá ampliou as compras em 47,9%, e República Dominicana, Honduras e El Salvador também registraram crescimento expressivo. No Oriente Médio, as vendas subiram para Arábia Saudita (+13,8%), Jordânia (+54,9%) e Emirados Árabes Unidos (+7,4%). Embora o acumulado do ano mostre retração nas vendas para os Estados Unidos, setembro trouxe uma recuperação. As exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 3,52 bilhões no mês, alta de 31,9% em relação a setembro de 2025. Carne bovina, aeronaves e café foram os principais responsáveis pelo resultado. No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 34,42 bilhões em setembro, 12,9% a mais que no mesmo mês do ano anterior, com saldo comercial positivo de US$ 7,74 bilhões. Indústria extrativa (+39,8%), indústria de transformação (+5,3%) e agropecuária (+4,8%) cresceram no período. A pauta exportadora também se ampliou no ano. Na indústria de transformação, as vendas de carne bovina cresceram 14,1%, um acréscimo de US$ 1,6 bilhão. As de carne de aves subiram 20,7%, as de farelo de soja, 21,3%, e as de óleos combustíveis, 32,6%. Em setembro, as exportações de aeronaves e partes avançaram 41,9% e as de celulose, 27,4%. Na agropecuária, soja (+14,9%), algodão (+15%), frutas (+20,9%) e animais vivos (+71,7%) se destacaram no acumulado. O petróleo bruto também teve papel relevante, com alta de 28,6% no ano.
APEX BRASIL
Faturamento da indústria cai 3,5% em agosto, aponta CNI
No acumulado entre janeiro e agosto, o faturamento das empresas industriais caiu 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado
O faturamento da indústria de transformação recuou pelo segundo mês consecutivo. Após queda de 2,2% em julho, o índice encolheu 3,5% em agosto, revelam os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira (7). Com o resultado, o faturamento das empresas industriais acumula retração de 0,2% nos oito primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, as horas trabalhadas na produção caíram 1% em agosto e teve queda de 0,8% no acumulado dos oito primeiros meses do ano. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cedeu 0,6 ponto percentual, passando de 77,5% em julho para 76,9% em agosto. Ainda assim, a UCI fechou os oito primeiros meses de 2026 1,5% acima do patamar registrado de janeiro a agosto de 2025. “Entre as principais causas para esse desempenho negativo da indústria de transformação estão a elevada carga tributária, a falta ou o alto custo de insumos e matérias-primas e os juros altos, que impactam a demanda por produtos industriais e o endividamento das famílias”, afirmou Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI. O indicador que mede o emprego industrial, por sua vez, manteve a tendência de estabilidade observada há alguns meses. Apesar disso, entre janeiro e agosto deste ano, o mercado de trabalho da indústria recuou 0,5% frente a igual período de 2025. Já a massa salarial e o rendimento médio pago aos trabalhadores continuaram a trajetória de alta. A massa salarial subiu 0,5% em agosto e acumulou crescimento de 0,9% nos oito primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O rendimento médio também avançou 0,5% e, agora, acumula alta de 1,5% no período compreendido entre janeiro e agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2025.
VALOR ECONÔMICO
IGP-DI sobe 1,50% em setembro e acumula 3,80% em 12meses, informa FGV
“Aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor”, afirmou o economista do FGV Ibre Matheus Dias
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,50% em setembro, depois de avançar 0,06% em agosto, segundo informações da Fundação Getulio Vargas. Com este resultado, o índice acumula alta de 3,72% no ano e de 3,80% em 12 meses. Em setembro de 2025, o IGP-DI havia tido alta de 0,36% e acumulava elevação de 2,31% em 12 meses. O resultado ficou abaixo da mediana de 1,53% das projeções dos economistas ouvidos pelo VALOR DATA, e dentro do intervalo das projeções de 1,35% a 1,82%. No acumulado em 12 meses, a mediana era de 3,83%, com intervalo de 3,65% a 4,11%. “A aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor. No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, além do reajuste da gasolina automotiva. No IPC, a pressão partiu sobretudo da habitação, refletindo o aumento da tarifa de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos concedidos por conta do Bônus de Itaipu, e dos alimentos in natura”, afirmou o economista do FGV Ibre Matheus Dias. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 1,95% em setembro, ante taxa de 0,10% no mês anterior. Analisando os diferentes estágios de processamento, o grupo de Bens Finais aumentou 1,53% em setembro, ante 0,07% em agosto. O índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou de 0,61% em agosto para 0,78% em setembro. Já o grupo de Bens Intermediários registrou alta de 1,00% em setembro, após cair 1,66% no mês anterior. O índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, subiu 0,87%, registrando uma inversão em sua taxa em comparação à queda de 0,09%. Por fim, o estágio das Matérias-Primas Brutas subiu 2,94% em setembro, de 1,43% no mês anterior. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,67%, depois de ter caído 0,37% em agosto. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, cinco classes de despesa exibiram aumento em suas taxas de variação: Comunicação (-2,19% para -0,02%), Habitação (-1,21% para 1,99%), Alimentação (-0,47% para 1,00%), Educação, Leitura e Recreação (-1,44% para -0,23%), e Vestuário (-0,58% para 0,30%). Em contrapartida, três classes apresentaram recuo: Despesas Diversas (3,38% para 0,08%), Transportes (0,08% para -0,04%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,27% para 0,17%). O Núcleo do IPC registrou taxa de 0,25% em setembro, abaixo do apurado no mês anterior, de 0,27%. Dos 85 itens componentes do IPC, 40 foram excluídos do cálculo do núcleo. Destes, 17 apresentaram taxas abaixo de -0,15%, linha de corte inferior, e 23 registraram variações acima de 0,44%, linha de corte superior. O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 59,68%, 4,52 pontos percentuais acima do registrado em agosto, quando o índice foi de 55,16%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,22%, ante 0,66% em agosto. Analisando os três grupos componentes do INCC, o grupo Materiais e Equipamentos recuou de 0,33% para 0,14%; o grupo Serviços reduziu de 0,18% para 0,15%; e o grupo Mão de Obra desacelerou de 1,12% para 0,32%.
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