Ano 1 | nº 238 | 13 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Alta no GDT contrasta com pressão no preço do leite spot e muçarela no Brasil
Leilão GDT: com o preço médio fixado em USD 3.928 por tonelada, o 413º leilão da Global Dairy Trade encerrou com valorização de 1,2% no GDT Price Index.
O resultado praticamente compensou a retração de 1,1% do evento anterior e confirmou a firmeza dos preços no cenário global, mesmo diante da expansão sazonal da produção na Oceania. Esse avanço foi impulsionado pelo desempenho positivo dos leites em pó: o integral subiu 1,2%, alcançando USD 3.605/t, enquanto o desnatado deu um salto de 4,3%, atingindo USD 3.847/t. seu valor mais alto em quatro anos. Com isso, o leite em pó desnatado ampliou sua vantagem sobre o integral, consolidando a inversão de patamares observada recentemente entre ambos. Leite spot: o mercado nacional iniciou o mês de outubro sob pressão de baixa, registrando desvalorização das cotações em todos os estados monitorados. Essa retração generalizada decorre da conjunção entre a maior oferta do produto no campo e o recuo nos preços dos derivados no atacado, com destaque para as quedas do leite UHT e da muçarela. Em decorrência desse cenário, a média nacional recuou R$ 0,145 em comparação com a quinzena anterior, ficando em R$ 2,645. Muçarela: o mercado segue pressionado, refletindo estoques mais elevados e uma oferta superior à demanda. Nesse cenário, as cotações continuam apresentando recuos em todas as praças. Minas Gerais e Goiás lideraram as desvalorizações do período, caindo para R$ 32,7 (-R$ 1,0) e R$ 33,0 (-R$ 0,9), respectivamente. No Sul, Santa Catarina e Paraná também registraram quedas expressivas, fechando cotados a R$ 31,6 (-R$ 0,6) e R$ 31,7 (-R$ 0,5). São Paulo acompanhou a trajetória baixista com recuo de R$ 0,4, sendo negociado a R$ 31,8, enquanto Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul apresentaram retrações mais moderadas, encerrando o período em R$ 33,5 (-R$ 0,3) e R$ 30,5 (-R$ 0,3). Leite em pó: o período foi marcado por comportamentos distintos no mercado. O leite em pó integral e o fracionado registraram variações negativas, pressionados por uma demanda mais retraída, enquanto o leite em pó desnatado permaneceu estável, sustentado pela maior procura ligada ao mercado de ingredientes proteicos. Em São Paulo, o leite em pó integral recuou para R$ 24,0 (-R$ 0,3), enquanto a versão fracionada fechou cotada a R$ 29,8 (-R$ 0,4) no estado paulista e a R$ 29,9 (-R$ 0,4) no Nordeste. Já o leite em pó desnatado manteve estabilidade nas cotações em São Paulo, permanecendo fixado em R$ 23,2. Oferta: a oferta ainda elevada, amplia o volume destinado à indústria e, consequentemente, a disponibilidade de derivados no mercado. Esse cenário segue exercendo pressão sobre as cotações. Demanda: demanda mais desaquecida mantém o mercado pressionado, limitando a sustentação das cotações. Nesse cenário, derivados como o leite UHT e a muçarela seguem apresentando ajustes, sem força suficiente para registrar avanços nos preços.
MILKPOINT
PR: Castrolanda obtém licenças do IAT para expansão de R$ 500 milhões em Castro
Com aval do IAT para a fábrica de tortilhas e a nova torre de secagem de leite, cooperativa inicia obras em Castro (PR) dentro do maior pacote de investimentos de sua história. A Unidade de Beneficiamento de Leite também foi contemplada com a licença ambiental que autoriza a construção de uma nova torre de secagem, investimento que permitirá ampliar e qualificar a capacidade de produção.
A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial obteve, junto ao Instituto Água e Terra (IAT), as licenças de instalação que autorizam o avanço de dois importantes projetos de expansão da cooperativa: a construção da Unidade de Tortilha de Milho e a ampliação da Unidade de Beneficiamento de Leite (UBL), ambos na cidade de Castro, no Paraná. Os empreendimentos integram o pacote de R$ 500 milhões em investimentos anunciado pela cooperativa no início deste ano, o maior de sua história. Para a Unidade de Tortilha de Milho, a emissão da Licença de Instalação representa a autorização para o início das obras. O projeto vem sendo apresentado e discutido com a equipe técnica do IAT há mais de um ano, período em que foram avaliadas alternativas para minimizar os impactos ambientais tanto durante a execução da obra quanto na futura operação da unidade. “A emissão da licença de instalação é um marco importante para o projeto, porque formaliza a aprovação ambiental para o início das obras. O licenciamento envolve a análise do projeto de engenharia e, com a emissão da licença, temos a confirmação de que o empreendimento e as medidas ambientais propostas atendem aos requisitos estabelecidos pelo órgão ambiental”, explica Thiago Molina, supervisor ambiental da Castrolanda. A fábrica de tortilhas faz parte do planejamento da cooperativa para ampliar sua atuação e diversificar a produção, no novo distrito industrial da Castrolanda, além de uma demanda estruturada no mercado B2B. Com a licença emitida, o projeto entra em uma nova etapa, o que permite o avanço da implantação da estrutura. A Unidade de Beneficiamento de Leite também foi contemplada com a licença ambiental que autoriza a construção de uma nova torre de secagem, investimento que permitirá ampliar e qualificar a capacidade de produção. Assim como no projeto da Unidade de Tortilha de Milho, o processo de licenciamento da UBL também passou por um período de desenvolvimento de mais de doze meses de análise, com elaboração dos projetos e diálogo entre a Castrolanda e a equipe técnica do IAT para avaliação e definição das soluções ambientais. “A obtenção dessa licença é fundamental para viabilizar os investimentos necessários na unidade e para que a Castrolanda possa acompanhar o crescimento da produção leiteira dos nossos cooperados”, destaca Thiago. A nova torre de secagem faz parte do conjunto de investimentos voltados à ampliação da capacidade da UBL e marca uma nova etapa para a unidade, com potencial para aumentar o processamento de leite e contribuir para a geração de empregos. Para o supervisor ambiental, a obtenção das licenças reforça a forma como a Castrolanda conduz seus projetos de expansão. “A obtenção da licença é resultado desse trabalho de diálogo e cooperação com o órgão ambiental e destaca o compromisso da Castrolanda em conduzir seus projetos de expansão de forma responsável e em conformidade com a legislação ambiental”, finaliza. A ampliação da Unidade de Beneficiamento de Leite é desenvolvida em parceria com as cooperativas Frísia e Capal, por meio da Unium.
BLOG DO JOHNNY
EVENTO
Terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná está com inscrições abertas
As inscrições para a terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná estão abertas até o dia 1º de maio de 2027.
Promovido por um comitê gestor composto pelo Sistema FAEP, Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/PR) e Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), o prêmio tem como objetivo valorizar os produtores, estimular a melhoria da qualidade dos produtos e fortalecer a identidade queijeira paranaense. A primeira edição, realizada em 2023, reuniu 291 queijos inscritos. Em 2025, o número saltou para 477 produtos, crescimento de 64%. Para a edição de 2027, a expectativa é alcançar cerca de 600 inscrições. Uma das novidades deste ciclo é a criação do Concurso Queijo Colonial do Paraná, voltado exclusivamente a esse produto tradicional e com previsão de reunir cerca de 100 participantes. O julgamento dos produtos e a programação técnica serão realizados nos dias 2 e 3 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. A expectativa é reunir aproximadamente 1,2 mil participantes em atividades como palestras, minicursos, mesas-redondas e harmonizações de queijos. “O prêmio já está consolidado como uma importante ferramenta de valorização da produção estadual, que permite conhecimento, abertura de mercados, fortalece a autoestima dos produtores e cria oportunidades para que mais famílias permaneçam no campo. O Paraná tem queijos de excelência e estamos mostrando isso para todo o Brasil”, finaliza Meneguette.
FAEP
Estratégias nutricionais buscam mais saúde e produtividade nos rebanhos leiteiros
Estratégias nutricionais voltadas à melhoria da eficiência e da saúde dos rebanhos estão entre os temas que foram destaques no 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). Na quinta-feira (8), a programação científica colocou em pauta o uso de probióticos nos sistemas de produção de leite e o papel das fontes lipídicas na produtividade, na composição dos sólidos do leite e na saúde das vacas leiteiras.
O uso de probióticos na pecuária leiteira é uma ferramenta importante para melhorar a saúde gastrointestinal do rebanho, por ser capaz de potencializar o aproveitamento dos nutrientes e, por consequência, a eficiência produtiva como um todo. O zootecnista Bruno Ieda Cappellozza apresentou os principais mecanismos de ação dos probióticos, com destaque para os efeitos a nível de rúmen. No rúmen, os bacilos utilizados como probióticos são capazes de produzir enzimas que auxiliam na degradação dos nutrientes presentes nos concentrados, na silagem e até mesmo na TMR, a dieta com ração totalmente misturada. Já no intestino, os efeitos podem ocorrer de forma direta e indireta. Entre os efeitos diretos está a inibição de algumas bactérias potencialmente patogênicas. Já nos efeitos indiretos, por exemplo, entra o estímulo à produção de muco que, ao desempenhar um papel de barreira física, química e biológica, contribui para proteger a integridade do intestino e reduzir os impactos provocados por agentes patogênicos e micotoxinas. O doutor chamou atenção para as diferentes abordagens no uso de probióticos em bezerras e vacas. No caso das bezerras, em que o sistema imunológico e a microbiota intestinal ainda estão em processo de desenvolvimento, o uso desses microrganismos benéficos pode ajudar a compor uma microbiota mais favorável à saúde e ao funcionamento do organismo. Os probióticos também podem dificultar o crescimento de bactérias patogênicas e contribuir para a proteção da integridade intestinal. Entre os possíveis resultados indiretos estão a redução da ocorrência de diarreias e de pneumonia. “Lembrando que a melhora da saúde das bezerras vai ter reflexos lá na frente, pois um animal saudável vai crescer, se desenvolver melhor e isso terá impactos ao longo da vida produtiva”, observou. No caso das vacas, por outro lado, a atuação dos probióticos envolve principalmente a saúde ruminal e intestinal, favorecendo o aproveitamento dos nutrientes da dieta. “Probióticos podem contribuir para melhorar a eficiência alimentar e o desempenho das vacas, especialmente em fases de maior demanda nutricional e metabólica, como o período de transição e o início da lactação.” Entre os indicadores que podem ser impactados estão a redução da contagem de células somáticas (CCS) e a ocorrência de doenças no rebanho. Os resultados, entretanto, dependem do uso adequado dos produtos, incluindo a escolha do microrganismo, da cepa e da dose recomendada. Um dos pontos salientados por Bruno durante a apresentação foi a importância de não generalizar o termo probiótico, pois esses aditivos não são todos iguais. “As bactérias e as cepas não são todas iguais e apresentam características e mecanismos de ação distintos. Para garantir sua eficácia, devem ser levadas em consideração as características específicas do microrganismo utilizado, a dose e a forma de utilização”, concluiu. O doutor em Saúde Animal Jonas de Souza abordou o uso de lipídeos e ácidos graxos e seu papel estratégico na nutrição animal. “Combinar diferentes ácidos graxos ou combinar diferentes fontes lipídicas, nos permite melhorar índices de saúde, produção e reprodução em vacas e em animais em fase de crescimento”, explicou. A suplementação nutricional se tornou um método indispensável para acompanhar a rápida evolução dos rebanhos na bovinocultura de leite. A utilização de fontes lipídicas na alimentação de vacas leiteiras não é uma novidade. A prática é empregada desde a década de 1980, mas ganhou maior relevância nos últimos dez anos, impulsionada pelo avanço genético dos rebanhos e pela busca por maior concentração de sólidos no leite. Com vacas cada vez mais produtivas, a suplementação lipídica passou a ser uma ferramenta importante para ajustar as dietas, especialmente em animais de alta produção. O avanço das pesquisas, entretanto, permitiu compreender que não basta apenas adicionar gordura à dieta, mas é necessário considerar quais ácidos graxos estão sendo fornecidos e quais funções eles podem desempenhar no organismo. Entre os principais ácidos graxos presentes nas dietas de bovinos estão o palmítico, esteárico, oleico, linoléico e linolênico. Os dois últimos estão presentes principalmente em forragens e oleaginosas. “Eles são importantes, pois são fontes de ômega 6 e ômega 3 na dieta e auxiliam no balanceamento entre ácidos graxos pró-inflamatórios e anti-inflamatórios”, ressaltou Jonas. Já o ácido oleico é uma fonte de ômega 9 e tem propriedades benéficas do ponto de vista da saúde, com efeitos na melhoria da produção de leite e digestibilidade das gorduras. Na produção leiteira, estudos apontam que esse aditivo ajuda a estabilizar a insulina no organismo e tem efeitos relacionados à melhora no consumo de alimento e ao desempenho das vacas, especialmente no período pós-parto. O ácido esteárico contribui para a recomposição de escore de condição corporal. O ácido palmítico, por sua vez, é focado em aumentar a produção de leite corrigida para energia, aumentando a síntese de gordura do leite. Em relação à busca por maior concentração de sólidos no leite, o especialista avaliou que essa tendência está relacionada às mudanças no perfil de consumo de derivados, o que aumenta a importância de componentes como gordura e proteína em relação ao volume de leite produzido.”A indústria hoje começa a mudar nesse sentido. Se pensarmos no futuro, acho que o Brasil tem uma grande chance de ser um provedor não só para o mercado interno, mas também para o mercado externo. Focar em sólidos é o que vai nos tornar competitivos no mercado externo também”, projetou o doutor.
SBSBL
EMPRESAS
QUEIJO DA MOTTA: DE UMA ORAÇÃO A 11 MEDALHAS. A QUEIJARIA DO PARANÁ QUE CONQUISTOU O BRASIL
Uma pequena propriedade rural viu seu trabalho ganhar projeção e abrir novas possibilidades. A trajetória por trás dessa conquista merece ser conhecida. Ela enfrentou dificuldades, quase desistiu, mas acreditou no potencial da própria produção e no sonho da família.
A Queijaria Meu Propósito, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, reforçou seu nome entre as principais produtoras artesanais do país. Na 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada de 23 a 26 de julho, em Blumenau, Santa Catarina, conquistou 11 medalhas, sendo três de ouro, quatro de prata e quatro de bronze. o resultado é o mais recente capítulo de uma história que começou com uma oração feita em um momento de dificuldades financeiras e que, em junho de 2025, já havia levado a queijaria ao Super Ouro no Prêmio Queijos do Paraná, promovido pelo Sistema FAEP. Esse reconhecimento impulsionou a visibilidade da marca e abriu caminho para novas conquistas. Sem experiência na fabricação de queijos e em dúvida sobre qual caminho seguir, a produtora Rosane Wirzius Borosky buscava uma alternativa para manter a pequena propriedade localizada no distrito rural Margarida, em Marechal Cândido Rondon. “Eu não sabia fazer queijo. Me ajoelhei e pedi para Deus uma luz. Veio a receita desse queijo na minha cabeça. Fiz exatamente o que a minha intuição mandou e deu certo. Esse queijo ficou entre os dez melhores do Paraná”, relembra. Produzido com leite de vacas Jersey, o Queijo da Motta de sabor suave, textura amanteigada e aroma delicado recebeu nota 98,45 na competição, conquistando o Super Ouro. Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a trajetória da Queijaria Meu Propósito representa o resultado proposto ao criar o Prêmio Queijos do Paraná, em 2022. “Quando idealizamos o concurso, o objetivo era fortalecer a cadeia produtiva do leite, presente em todos os municípios do Paraná, agregar valor à produção, incentivar a qualidade e criar novas oportunidades para as famílias rurais”, afirma Meneguette. “A história da Rosane traduz exatamente esse propósito. Ela enfrentou dificuldades, quase desistiu, mas acreditou no potencial da própria produção e no sonho da família. Antes da premiação, a comercialização acontecia, principalmente, em feiras locais e por venda porta a porta. A pequena queijaria era pouco conhecida fora do município. A realidade mudou rapidamente após o resultado do Prêmio Queijos do Paraná. Supermercados da região passaram a procurar os produtos da Meu Propósito, consumidores de diversas cidades entraram em contato pelas redes sociais e o fluxo de visitantes na propriedade aumentou significativamente. “O primeiro dia de feira depois do resultado esgotou completamente o estoque daquele queijo. Uma procura muito maior do que imaginávamos”, relata. Além do aumento das vendas, Rosane percebeu uma mudança importante no perfil dos clientes. “Antes, eram pessoas que frequentavam as feiras. Depois do Super Ouro, clientes com maior poder aquisitivo e pessoas de outros municípios foram atraídas pela credibilidade do prêmio”, aponta. Em maio deste ano, a agroindústria recebeu o selo do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), que permite a venda de produtos de origem animal em todo o território paranaense. A família precisou ampliar a estrutura da agroindústria, adquirir equipamentos e reorganizar o processo produtivo. “Compramos mais expositores, prateleiras, formas e aumentamos a produção. Hoje cada pessoa da família tem uma função específica, desde o manejo das pastagens até a fabricação dos queijos”, revela Rosane. “Sempre me incomodou ver o produtor depender exclusivamente dos laticínios. O Super Ouro ajudou a mostrar que uma pequena propriedade pode produzir um alimento de excelência e conquistar seu próprio espaço no mercado”, avalia. Para a proprietária da Queijaria Meu Propósito, existe uma divisão entre o antes e o depois do reconhecimento no Prêmio Queijos do Paraná. “Antes do Super Ouro, eu não tinha confiança para falar do meu produto. Hoje eu digo, com orgulho, que estou entre os melhores queijos do Paraná e do Brasil”. “Essa valorização não tem preço. Prova que a nossa agroindústria familiar pode produzir um queijo de excelência e ser reconhecida em âmbitos estadual e nacional”, conclui.
Cna brasil
Maior fazenda de leite do Brasil aposta em bem-estar animal e genética para crescer
Dona da marca Fazenda Bela Vista mais que dobrou a sua produção nos últimos oito anos e agora investe para ampliar industrialização. Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor-geral: investimentos para ampliar produção e industrialização
O banho antes e pós-ordenha é sagrado para as 2.750 vacas em lactação da Fazenda São José, em Tapiratiba (SP), dona da marca Fazenda Bela Vista. Alguns animais chegam a passar até seis vezes por dia pela sala de banho, inspirada em modelos pesquisados fora do país. Além de lavar o úbere, a preocupação é com o conforto térmico dos animais — no verão, a temperatura ultrapassa os 35 graus na propriedade. “O gado holandês é muito sensível ao estresse calórico”, justifica o diretor-geral, Sérgio Ferraz Ribeiro Filho. Conhecida pelas tradicionais garrafinhas, espécie de marca registrada da empresa, a Fazenda Bela Vista mais que dobrou a sua produção de leite nos últimos oito anos, passando de 47 mil para 102 mil litros por dia em 2025. O desempenho fez com que a propriedade voltasse ao primeiro lugar do ranking MilkPoint/Abraleite em 2026, desbancando a Fazenda Colorado, de Araras (SP). A adoção de práticas de bem-estar animal, com especial atenção ao conforto térmico do rebanho, foi um dos pilares desse avanço. A meta, agora, é alcançar um novo salto, para 150 mil litros por dia, em três anos. Para acompanhar o crescimento da oferta de matéria-prima, a propriedade investe R$ 15 milhões na ampliação do laticínio, localizado na mesma propriedade, a cerca de 300 km de São Paulo. O investimento contempla pasteurizador, homogeneizador, nova linha de envase, empacotamento, rotulagem, ampliação das instalações, estocagem e câmara fria. “Tem que vender mais porque a produção está subindo”, diz o empresário. A fábrica de lácteos, que tem 1.480 metros quadrados, foi feita inicialmente para processar 630 mil litros por mês. Hoje a empresa processa mais de 2 milhões de litros mês na unidade. Por isso, os novos investimentos visam a dobrar essa estrutura. Só a ampliação tem 2.050 metros quadrados. A nova linha deve começar a operar no dia 5 de novembro. Já a capacidade de processamento, segundo Sérgio, pode chegar a 6 milhões de litros por mês. A ideia é ampliar também a produção de iogurte, que passará de 74 para 156 toneladas por semana. Ainda em iogurtes, está sendo instalada uma máquina para embalagens de 250 ml e 500 ml. A estratégia é usar esses produtos para ampliar a distribuição dentro do Estado de São Paulo, inclusive em regiões mais distantes da fábrica. Por isso, o plano de crescimento prevê aumentar a capacidade de produção de iogurtes que tenham até 60 dias de validade. O portfólio da Fazenda Bela Vista inclui leite Tipo A, integral, semidesnatado e desnatado, creme de leite, queijo parmesão, Minas Padrão, frescal, ricota e iogurtes em garrafa e em copo. Uma nova linha de iogurtes com whey protein deve ser lançada ainda neste ano, aproveitando o momento de demanda aquecida na categoria. Parte da Fazenda São José encontra-se em território mineiro, mas foi do lado paulista que a família fundadora decidiu construir o laticínio, de olho no principal mercado consumidor de leite do país. Sérgio é neto de Orostrato Olavo Silva Barbosa, conhecido como “rei do leite”, falecido em 2012, que deu início à produção na fazenda em 1960. Na época, o gado ainda era criado a pasto, e a ordenha feita de forma manual. A fazenda produzia, no início, cerca de 70 litros por dia. A raça que predominava era o dinamarquês cruzado com o holandês. Posteriormente, a propriedade chegou a trabalhar com o gir — raça leiteira zebu —, até adotar de vez o holandês, raça que hoje representa 100% do plantel. Os primeiros confinamentos no modelo free stall — no qual as vacas ficam soltas em galpões e têm camas individuais — no Brasil foram adotados pela Fazenda São José em 1987. A medida se deu depois que Olavo visitou Estados Unidos, México e Europa à procura do melhor modelo de verticalização da produção. Parte da recria continuou sendo feita a pasto, até que, em 2019, teve início a adoção do modelo compost barn, no qual as vacas ficam em espaço coberto para descanso, revestido com serragem e esterco compostado. “Com isso, fizemos o gado passar uma recria muito mais tranquila, muito mais suave, com menos doenças, com menos desafios, possibilitando ao gado que está chegando agora na produção de leite ter uma capacidade de expressar todo o seu potencial genético”, resume Sérgio. Assim, a produção média por vaca saltou de 28 litros/dia para 42 litros/dia. Atualmente, em mais da metade dos animais, a média diária já é de 49 litros por dia. Além do cuidado com o bem-estar animal, a grande mudança na Fazenda São José foi colocar a reprodução no centro da operação, fazendo com que as vacas emprenhassem mais cedo. O veterinário Tiago Carneiro conta que, quando chegou à fazenda, em 2019, o intervalo entre partos era de 17 meses, com taxas de serviço (relação entre número de vacas inseminadas e de vacas aptas a reproduzir) de aproximadamente 40% e de concepção de 25%, resultando em taxas de prenhez de 10%. Com a melhoria da eficiência reprodutiva, combinando aumento da taxa de serviço, ressincronização mais rápida e maior taxa de concepção, o intervalo entre os partos caiu para 13 meses. Já a idade no primeiro parto passou de 28 para 22 meses. Esse aumento na eficiência reprodutiva colaborou para que o rebanho alcançasse uma taxa de prenhez próxima a 38%, no caso das novilhas. Ao emprenhar as vacas mais rapidamente, a fazenda passou a ter mais animais no início da lactação, fase em que a produção de leite é maior. “Essa evolução, que resulta na redução do intervalo entre partos, é o que faz a fazenda aumentar a produção de leite também, porque a vaca precisa parir para dar leite”, afirma Carlos Consentini, gerente técnico da GlobalGen, empresa de biotecnologia aplicada à reprodução animal, que atuou no projeto. Assim como a maior parte das grandes propriedades produtoras de leite, o percentual de bezerros machos diminuiu na Fazenda São José, nas últimas décadas, graças ao avanço na área da genética animal. As novilhas são inseminadas 100% com sêmen sexado, porém nas multíparas (que já tiveram duas ou mais crias) é utilizado o sêmen convencional. Hoje, do total de nascimentos, 72% são de fêmeas. Antigamente, eram 50% fêmeas e 50% machos. Com o aumento da proporção de fêmeas nos nascimentos, a propriedade passou a destinar os machos para a produção de gado de corte cuja carne é destinada à exportação. Hoje, esses animais são vendidos a frigoríficos da região próxima à Fazenda São José como “boi China”. “São animais abatidos em torno de 18 meses de idade, superprecoces. Virou um outro business”, diz Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor-geral da empresa.
VALOR ECONÔMICO
Internacional
Produtores brasileiros comemoram presença de queijos premiados na ExpoQueijo em concurso no Uruguai
Selecionados entre os vencedores do troféu Ouro nas edições de 2025 e 2026, queijos artesanais brasileiros vão participar do 20º Concurso de Quesos del Uruguay, que retoma a disputa internacional.
Produtores brasileiros estão comemorando a oportunidade de levar seus queijos premiados na ExpoQueijo Brasil a uma competição internacional no Uruguai. Entre os dias 9 e 18 de outubro, produtos selecionados entre os vencedores do troféu Ouro nas edições de 2025 e 2026 da ExpoQueijo vão participar do 20º Concurso de Quesos del Uruguay, realizado durante a Semana del Queso del Uruguay, em diferentes localidades do departamento de Colonia. A participação ocorre após um convite formal à ExpoQueijo Brasil e a Maricell Hussein, organizadora do evento e embaixadora do Queijo Minas Artesanal. Pela primeira vez, o concurso uruguaio abre espaço para queijos de outros países, retomando o formato internacional após um período dedicado exclusivamente à produção nacional. Os produtos brasileiros foram selecionados a partir de uma chamada feita no Instagram da ExpoQueijo, voltada aos queijos que conquistaram troféu Ouro nas duas edições mais recentes do concurso realizado em Araxá (MG). Para Maricell Hussein, a participação representa um passo importante para aproximar produtores brasileiros do mercado internacional e ampliar o reconhecimento da qualidade dos queijos artesanais do país. “Quando um queijo conquista um prêmio, esse reconhecimento precisa abrir portas para novas oportunidades. Levar os vencedores da ExpoQueijo a um concurso internacional é uma forma de dar ainda mais visibilidade ao trabalho dos produtores brasileiros, mostrar a diversidade dos nossos queijos e criar conexões com profissionais de outros países. É também uma maneira de valorizar quem está no campo e constrói essa qualidade todos os dias”, afirmou a organizadora. Entre as produtoras que celebram a iniciativa está Amanda Andrade, da Queijaria Diniz Andrade, de Bocaina de Minas (MG). Para ela, a oportunidade de participar de uma competição no exterior amplia o alcance do grande reconhecimento conquistado na ExpoQueijo. “A ExpoQueijo, além de ser um dos maiores concursos de âmbito nacional e internacional, valorizando e reconhecendo o queijo artesanal, ainda está levando os queijos vencedores para outro país. Isso valoriza e dá mais visibilidade aos nossos produtos. A ExpoQueijo é realmente um divisor de águas. Temos um antes e um depois de um prêmio na ExpoQueijo”, afirma Amanda. A iniciativa também é comemorada por Renata Costa Marques Neves, da Queijaria J3, de Nossa Senhora do Livramento (MT). Ela conquistou o troféu Ouro na ExpoQueijo Brasil e vê a participação no concurso uruguaio como uma oportunidade de apresentar a produção brasileira a novos públicos. À frente do laticínio há 20 anos, Renata representa a terceira geração de uma família com raízes na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Ela é a única integrante da família a dar continuidade ao legado queijeiro. A organização do 20º Concurso de Quesos del Uruguay prevê receber cerca de 300 amostras, metade delas provenientes do exterior. A participação internacional inclui queijos de países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México e Itália, entre outros. A avaliação técnica está prevista para os dias 14 e 15 de outubro, na Universidade Tecnológica do Uruguai (UTEC), em La Paz. Maricell Hussein integrará o júri internacional. A cerimônia de premiação será realizada em 16 de outubro, no Centro Cultural Rosario. A entrada das amostras estrangeiras conta com apoio do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai e do Instituto Nacional do Leite, responsáveis pelo suporte aos procedimentos sanitários necessários à participação internacional.
Assessoria de Imprensa da ExpoQueijo
ECONOMIA
IPCA sobe 0,82% em setembro e tem alta de 4,58% em 12 meses
A mediana de 32 estimativas captadas pelo Valor Data com economistas de instituições financeiras e consultorias era de uma alta de 0,74% no período
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, após cair 0,32% um mês antes. Em setembro de 2025, houve alta de 0,48%. As informações foram divulgadas na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa para meses de setembro desde 2021 (1,16%). A mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data era de aumento de 0,74%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que ia de elevação de 0,57% a 0,83%. Nos 12 meses até setembro, houve aumento de 4,58%, ante 4,22% no acumulado até agosto. A mediana das estimativas do Valor Data era de 4,50%, com projeções entre 4,32% e 4,60%. O resultado do IPCA em 12 meses ficou acima do centro da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central (BC) de 3% para 2026, e fora da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.), para mais ou para menos. Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, mudaram de rumo entre agosto e setembro alimentação e bebidas (de -0,34% para 0,83%), habitação (de -1,87% para 2,31%), transportes (de -0,86% para 0,89%), e comunicação (de -0,09% para 0,64%). Vestuário subiu mais (de 0,12% para 0,71%). No caso de habitação e de transportes, segundo o IBGE, houve pressão de aumentos expressivos, respectivamente, em energia elétrica (7,98%) e em gasolina (1,21%). Segundo o instituto, energia foi influenciada pelo fim da incorporação do “Bônus de Itaipu”. Esse é um desconto automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Esse contexto fez com que energia fosse principal impacto individual no IPCA do nono mês de 2026, com contribuição de 0,32 ponto percentual (p.p.) no cálculo do indicador. Com abrandamento no ritmo de alta de agosto para setembro, apareceram artigos de residência (de 0,64% para 0,27%), saúde e cuidados pessoais (de 0,23% para 0,08%), despesas pessoais (de 1,30% para 0,26%) e educação (de 0,47% para 0,04%). A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA em setembro. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 54,4% em agosto para 54,9% um mês depois, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador foi de 56% em agosto para 55,5% em setembro.
VALOR ECONÔMICO
Dólar volta a cair com exterior e fecha semana pós-primeiro turno abaixo de R$5
O dólar voltou a ceder na sexta-feira e encerrou a semana pós-primeiro turno abaixo dos R$5, depois de duas novas pesquisas eleitorais mostrarem o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
O dólar à vista fechou a sessão com queda de 0,76%, a R$4,9856. Na semana, a divisa acumulou baixa de 4,44% e, no ano, recuo de 9,17%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,71% na B3, aos R$5,0040. A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou Flávio com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os dois candidatos estão em empate técnico no limite da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais. Os indecisos somam apenas 1%, enquanto aqueles que dizem que votarão em branco, anularão o voto ou não votarão em nenhum candidato chegam a 5%. Já a pesquisa Atlas/Bloomberg revelou na manhã desta sexta-feira que Flávio tem 51,1%, contra 45,7% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, a liderança do senador está além da área de empate técnico. O percentual de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular o voto caiu de 5,0% para 3,2%. A confirmação de que Flávio lidera a disputa no segundo turno voltou a pesar sobre o dólar e sobre a curva de juros, além de dar força ao Ibovespa. No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. Além da questão eleitoral, o viés de baixa do dólar no Brasil esteve em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. Por outro lado, o dólar sustentou ganhos ante outras divisas fortes. No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA — o índice oficial de inflação — subiu 0,82% em setembro, mais que a taxa de 0,73% projetada pelos economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, houve alta de 4,58%, ante projeção de 4,50%.
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Ibovespa bate novo recorde com fluxo estrangeiro e Flávio à frente de Lula em pesquisas
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,38%, a 209.066,90 pontos, maior nível de fechamento da história. Na mínima do dia, a bolsa chegou a marcar 206.237,55 pontos e, na máxima, 209.713,45, maior nível intradiário. Na semana, a bolsa acumulou alta de 11,17%. O volume financeiro no pregão da sexta-feira somou R$56,08 bilhões.
Os mercados locais tiveram mais uma sessão de euforia após, na noite de quinta-feira, uma pesquisa Datafolha mostrar Flávio com 49% das intenções de voto contra 45% de Lula, um empate técnico no limite da margem de erro de 2 pontos percentuais. A tendência foi reiterada na manhã da sexta-feira, com o levantamento Atlas/Bloomberg também colocando Flávio na liderança do segundo turno, rompendo o empate técnico apontado em simulação feita em pesquisa anterior. O senador aparece com 51,1% contra 45,7% de Lula. “O trade de eleitoral invadiu o mercado. Ainda temos um fluxo estrangeiro entrando se posicionando para o segundo turno aqui no Brasil”, disse Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. Contudo, a tendência de alta da bolsa brasileira pode ser testada na próxima semana. “Não há cenário realístico para manter a bolsa nesse patamar. É simplesmente expectativa, projeção e vontade do mercado de uma alternância de poder em 2027, e posicionamento”, completou Sant’Anna. “Depois da forte valorização acumulada, aumenta a possibilidade de movimentos de realização de lucros e maior volatilidade, especialmente nos setores que lideraram o rali”, disse Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil. Com o noticiário eleitoral no foco, os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mostraram que a inflação ao consumidor no Brasil subiu mais do que o esperado em setembro, ficaram em segundo plano. No exterior, as bolsas de Nova York também fecharam em alta, à medida que os investidores voltaram sua atenção para o início da temporada de resultados de empresas do terceiro trimestre na próxima semana, além da divulgação de dados sobre inflação. O S&P 500 subiu 0,60%. O preço do petróleo também subiu no exterior, a medida que o furacão Isaias avançava em direção ao norte do Golfo do México e petrolíferas interrompiam mais de 70% da produção de petróleo bruto em águas americanas. Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$104,72, alta de 0,42%.
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Inadimplência e endividamento das famílias recuam em setembro, diz CNC
Confederação informou que, por outro lado, a fatia de renda para pagar dívidas subiu
A inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras recuaram em setembro ante agosto, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgados na quinta-feira (8) na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avaliou que o movimento é um “respiro” no orçamento das famílias, mas alertou que a consolidação desse quadro nos próximos meses depende de condições macroeconômicas mais favoráveis, como, por exemplo, juros menores. Na Peic, a parcela de endividados de agosto para setembro caiu de 82% para 81,7%. No entanto, ainda ficou maior do que a de setembro do ano passado (79,2%). Já o porcentual de endividados que admitiram inadimplência recuou de 29,9% para 29,6%, percentual inferior à fatia de setembro de 2025 (30,5%). Já a fatia dos que reconheceram ser inadimplentes, sem condições de quitar dívida, permaneceu em 12,5%. Em igual mês em 2025, era de 13%. Para a confederação, o cenário atual reflete arrefecimento da inadimplência e composição mais favorável da estrutura do orçamento doméstico. No entanto, no mesmo estudo, a organização alertou que a fatia de renda das famílias, comprometida com o pagamento de dívidas que atingiu, no mês passado, a maior parcela em sete meses. Essa proporção subiu de 29,5% para 29,6% de agosto para setembro, a maior taxa desde fevereiro (29,7%). Além disso, a melhora no patamar de endividamento não ocorreu em todas as faixas de renda, sendo impulsionada por famílias de menor poder aquisitivo. Entre famílias com ganhos mensais até três salários-mínimos, a fatia de endividados caiu de 85,1% para 84,6% de agosto para setembro, sendo, no entanto, superior à de setembro de 2025 (82%). Nas com renda mensal entre três e cinco salários-mínimos, a proporção de endividados recuou de 83,7% para 83,3%, superior também à de setembro de 2025 (81,4%). Em contrapartida, a parcela de endividados de agosto para setembro cresceu de 77,2% para 77,9% entre os com ganhos mensais entre cinco e dez salários-mínimos, e ficou acima da de setembro de 2025 (77,3%). Outro aspecto levantado pela pesquisa foi que, embora a fatia de inadimplentes tenha recuado, o tempo médio de atraso de dívidas avançou pelo segundo mês consecutivo, de 65 dias para 65,3 dias, patamar mais longo desde novembro de 2024 (65,5 dias). A piora ocorreu impulsionada por dívidas com mais de 90 dias de atraso, que hoje representam 48,9% do total de contas vencidas. “A redução do endividamento e da inadimplência dá um pequeno respiro para as famílias”, reiterou Tadros, em comunicado. “No entanto, a continuidade dessa trajetória exige medidas que favoreçam o acesso ao crédito em condições mais adequadas, com juros mais compatíveis com a realidade das famílias e das empresas”, recomendou.
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Durigan: Inflação em 12 meses até setembro atinge 4,58%, ante 7,17% no governo BolsonARO
O ministro da Fazenda destacou que a inflação acumulada em 12 meses da alimentação no domicílio foi de 4,21% até setembro, contra 13,28% no mesmo período de 2022, governo de Jair Bolsonaro
Ao anunciar medidas para reduzir o impacto da alta dos combustíveis, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou os dados de inflação da atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os do último ano do governo Jair Bolsonaro (PL). Segundo Durigan, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até setembro ficou em 4,58%, ante 7,17% no mesmo período de 2022, quando também havia uma guerra em curso. No caso dos alimentos, o ministro destacou que a inflação acumulada em 12 meses da alimentação no domicílio foi de 4,21% até setembro, contra 13,28% no mesmo período de 2022. Para Durigan, a desaceleração dos preços dos alimentos demonstra o efeito das medidas adotadas pelo governo sobre o orçamento das famílias. “É uma prova real de quanto as medidas que a gente tem adotado acabam mitigando e surtindo efeito na renda das famílias”, afirmou.
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Inflação de serviços acelerou entre agosto e setembro, diz IBGE
A inflação de serviços acelerou de 0,03% para 0,61% entre agosto e setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na sexta-feira o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Um dos fatores que mais contribuíram para tal aceleração, informou Fernando Gonçalves, pesquisador do instituto, foi a comida mais cara, no período. Isso fez com que a alta de preços em alimentação fora do domicílio passasse de 0,36% para 0,48% entre agosto e setembro. Ao ser questionado se a inflação de serviços teria sido influenciada majoritariamente por alimentos, Gonçalves foi cauteloso. Ele ponderou que outros aspectos levaram ao cenário de serviços com preços em alta. “Além de alimentação, teve a pressão de passagem aérea”, afirmou. O item passagem aérea passou de queda de 13,17% em agosto para aumento de 9,66% em setembro. O especialista disse que o mês de setembro contou com feriados e com o Rock in Rio, festival de música e entretenimento. Isso ajuda a movimentar preços de componentes da economia do turismo, como de passagens aéreas, como de outros itens relevantes na inflação de serviços no IPCA. É o caso de hospedagem, que foi de 0,43% para 2,42% entre agosto e setembro; e pacote turístico, que passou de queda de 0,88% para aumento de 0,68% em setembro.
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Poupança tem saída líquida de R$ 9,35 bilhões em setembro
No período, os brasileiros depositaram R$ 339,0 bilhões e sacaram R$ 348,3 bilhões da poupança
Os saques em caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 9,35 bilhões em setembro, como divulgado na sexta-feira (9) pelo Banco Central (BC). A saída líquida diminuiu 37,7% em comparação com o mesmo mês de 2025, quando totalizou R$ 15,0 bilhões. No nono mês de 2026, os brasileiros depositaram R$ 339,0 bilhões e sacaram R$ 348,3 bilhões da poupança. O rendimento do período foi de R$ 6,5 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, a saída líquida foi de R$ 66,4 bilhões. O resgate líquido havia sido de R$ 78,5 bilhões no mesmo período do ano passado. Os depósitos somaram R$ 3,203 trilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2026, enquanto os saques foram de R$ 3,27 trilhões no período. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou saída líquida em setembro de R$ 6,19 bilhão, enquanto a poupança rural teve saída de R$ 3,16 bilhão. No ano de 2026, o SBPE teve resgate líquido de R$ 53,2 bilhões e a poupança rural de R$ 13,2 bilhões. O estoque da poupança caiu de R$ 1,016 trilhão em agosto para R$ 1,013 trilhão em setembro. Os números não são corrigidos pela inflação.
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