Ano 1 | nº 235 | 07 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite ao produtor fica estável em agosto de 2026
A estabilidade ocorreu mesmo diante do avanço da oferta em algumas regiões, observa o Cepea
Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto. Na “Média Brasil” líquida, o preço alcançou R$ 2,8869/litro, altas de 0,7% frente a julho/26 e de 9,18% em relação a agosto/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto/26). A estabilidade ocorreu mesmo diante do avanço da oferta em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, evidenciando que a produção vem se recuperando, especialmente no Sul do País. “Por outro lado, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda ainda relativamente firme limitaram movimentos mais intensos de baixa no período”, observa a pesquisadora Ana Paula Negri. Após dois meses de relativa estabilidade, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em agosto. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,63% na “Média Brasil”, refletindo, principalmente, o encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. As valorizações do milho e da soja no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que subiram 1,2% em agosto. No cenário externo, as importações brasileiras de lácteos diminuíram 2,54% de julho para agosto, somando 230,3 milhões de litros em Equivalente-Leite, conforme dados da Secex. Ainda assim, o volume adquirido no exterior permaneceu em patamar elevado, sendo quase 40% acima do registrado em agosto de 2025. O leite em pó representou 72,3% das importações, com 166,58 milhões de litros EqL, quantidade 0,99% superior ao de julho. A entrada elevada de produtos importados segue contribuindo para ampliar a oferta disponível no mercado interno e limitar a sustentação dos preços domésticos. Segundo a pesquisadora do Cepea, quanto ao mercado de derivados, após um agosto de relativa estabilidade, as negociações já apresentam sinais de menor sustentação em setembro. De acordo com os colaboradores consultados pelo Cepea, a maior disponibilidade de leite, especialmente no Sul, com o avanço da produção associado à safra, vem aumentando a oferta de matéria-prima e trazendo maior pressão às cotações dos derivados no atacado do Sudeste. No estado de São Paulo, pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB mostram que, em agosto, os preços do UHT e do leite em pó avançaram 4,65% e 1,80%, respectivamente, enquanto os da muçarela permaneceram praticamente estáveis, com leve alta de 0,62% frente a julho. “Para os próximos meses, a expectativa é de recuo das cotações do leite cru em setembro e de continuidade do movimento em outubro, em meio à recuperação da oferta, à maior disponibilidade de matéria-prima e à permanência das importações em volumes elevados”, avalia Ana Paula Negri.
Cepea/Esalq
INTERNACIONAL
GLOBAL DAIRY TRADE SOBE 1,2%
O leilão 413 do Global Dairy Trade fechou com alta de 1,2% no índice, preço médio de US$ 3.928 por tonelada e mais de 41.600 toneladas vendidas. Os números mostram um mercado com demanda firme e concorrência ativa entre os compradores
O índice do Global Dairy Trade (GDT) voltou a mostrar sinais de força em seu leilão mais recente. No evento 413, realizado em 6 de outubro de 2026, o indicador registrou alta de 1,2% em relação à edição anterior, um movimento acompanhado de perto pelos operadores do setor lácteo em um contexto de preços internacionais ainda sensíveis a mudanças na oferta e na demanda. O preço médio ponderado dos produtos adjudicados chegou a US$ 3.928 por tonelada métrica. Embora seja um valor geral que reúne diferentes categorias de produtos lácteos, funciona como uma referência fundamental para produtores, indústrias e exportadores que buscam antecipar o rumo dos preços nos mercados globais. Quanto à participação, 165 compradores estavam habilitados para ofertar, dos quais 124 saíram vencedores. Essa proporção, superior a 75%, indica que a grande maioria dos participantes conseguiu fechar negócios, embora a concorrência pelas ofertas disponíveis tenha se mantido ao longo de todo o dia. O evento foi realizado em 18 rodadas de lances e durou 2 horas e 56 minutos. Trata-se de um ritmo de negociação sustentado, típico de um leilão em que os compradores vão ajustando suas posições rodada após rodada, conforme a evolução dos preços e a disponibilidade de produto. Em relação aos volumes, a oferta disponibilizada pelos vendedores oscilou entre um mínimo de 38.210 toneladas e um máximo de 45.165 toneladas. Ao final, foram comercializadas 41.692 toneladas, número que se situa dentro dessa faixa, mas acima do ponto médio, o que sugere um interesse comprador firme durante a maior parte do evento. Para o setor produtivo, cada resultado do GDT é um sinal que vai além da tela do leilão. Os preços internacionais influenciam as expectativas dos produtores, as decisões das indústrias exportadoras e, de forma indireta, os valores que acabam se refletindo nas prateleiras e nos contratos de comercialização de diversos países, entre eles a Argentina. Nas próximas edições, o mercado estará atento para saber se essa recuperação de 1,2% se consolida ou se foi um movimento pontual. Fatores como a produção nos principais países exportadores, a demanda da Ásia e a evolução dos custos de produção serão determinantes para definir se o índice mantém a trajetória de alta nos próximos leilões.
GLOBAL DAIRY TRADE
EMPRESAS
Frimesa acelera crescimento no Brasil e sobe 47 posições no ranking Brand Footprint 2026
A Frimesa, uma das maiores cooperativas alimentícias do Brasil consolidou a sua força entre as marcas mais consumidas pelos brasileiros, registrando um crescimento expressivo de 9% no seu Consumer Reach Point (CRP) no cenário nacional, segundo os dados mais recentes do estudo Brand Footprint 2026, realizado pela Worldpanel/Numerator. A expansão da marca tem sido fortemente impulsionada pelo ganho de penetração em novos lares, especialmente alavancada pelos consumidores da Classe C.
No panorama nacional, a Frimesa já alcança 52,2% dos lares brasileiros, ocupando a 55ª posição no ranking geral de bens de consumo massivo (FMCG). A cooperativa se destacou como marca que mais ganhou posições no ranking, subindo 47 colocações. Outro grande destaque do período foi a forte aceleração no Estado de São Paulo, onde registou um salto de 13,5% em CRP e um acréscimo de 7,9 pontos percentuais em penetração. O avanço paulista foi impulsionado pelo desempenho no pequeno varejo e por uma adesão expressiva das classes C, D e E. No segmento de Proteínas, a Frimesa já desponta como a 5ª marca mais escolhida no Estado de São Paulo. No Paraná, o seu mercado de origem, a dominância da marca continua incontestável. A Frimesa alcançou a marca de 93,3%, índice que garante o 3º lugar no ranking geral FMCG do estado, além de estar entre as principais forças de lácteos e proteínas no Estado. Apesar dos números celebrados no ganho de novos consumidores, o relatório estratégico traça os próximos passos: a disputa agora ocorre dentro do cesto de compras. Os dados revelam que mais de 95% dos consumidores que compram Frimesa também adquirem produtos de concorrentes diretos em outras categorias. Com uma presença consolidada em categorias-chave como Linguiças, Presuntaria e Iogurtes, o grande desafio da cooperativa será o cross-sell, fazendo com que o consumidor inclua mais categorias da marca na sua rotina de compras, convertendo a forte captação de novos lares em lealdade a longo prazo. “Os resultados do Brand Footprint refletem o nosso esforço contínuo em democratizar o acesso a alimentos de qualidade. A nossa expansão em São Paulo e a adoção pela Classe C mostram que a estratégia de distribuição, especialmente no pequeno varejo, tem sido muito assertiva”, avalia Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa. “O foco agora é ampliar a participação da cooperativa na mesa dessas famílias e apresentar o amplo portfólio ao consumidor que já confia na marca para que leve cada vez mais itens da Frimesa na mesma ida ao supermercado”, finaliza. A Frimesa é uma central de cooperativas especialista e referência em carne suína e derivados de leite provenientes de famílias associadas às suas cinco filiadas: Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Com quase 50 anos de mercado, é a 4ª maior empresa de abate e processamento de suínos do Brasil, com um portfólio de mais de 560 produtos e mais de 48 mil clientes, entre supermercados, atacarejo, atacado, food service, distribuidores e indústria de alimentos. A Frimesa encerrou 2025 com um faturamento bruto de R$7 bi, dos quais 26% correspondem ao comércio externo em 4 continentes e 74% à comercialização de produtos no mercado interno. Um crescimento de 7% sobre 2024. A operação conta com 6 unidades industriais, 15 centros de distribuição, 41 mil posições de armazenamento, 410 transportadoras e quase 13 mil colaboradores dedicados em nutrir pessoas com comida de verdade.
Assessoria de Imprensa Frimesa
GOVERNO
Saldo devedor do agro bateu recorde em agosto
No período, já eram R$ 48,6 bilhões em inadimplência, de acordo com dados atualizados do Banco Central. Saldo problemático na carteira de crédito rural registrou avanços em maio, julho e agosto deste ano
Os valores de operações inadimplentes no sistema financeiro brasileiro continuaram em expansão depois de abril, período analisado pela consultoria Agroicone. Em agosto, já eram R$ 48,6 bilhões em inadimplência, de acordo com dados atualizados do Banco Central. O número representa cerca de 5% da carteira total de crédito rural no sistema financeiro, de R$ 861,2 bilhões. Desses, R$ 204,9 bilhões são considerados problemáticos, quase 24% de todo o montante. Além da inadimplência, o saldo inclui parcelas em atraso (R$ 20,6 bilhões), prorrogadas (R$ 30,5 bilhões) ou renegociadas (R$ 105,1 bilhões). O saldo problemático na carteira de crédito rural registrou avanços em maio, julho e agosto deste ano. Apenas em junho houve recuo nesses valores. O salto é semelhante na análise dos percentuais da carteira inadimplente, que passaram de 1%, em agosto de 2023, para 9,7% em agosto deste ano, conforme dados das Estatísticas de Crédito do Banco Central, divulgados na semana passada. Os valores consideram operações de pessoas físicas com recursos direcionados do crédito rural, oriundos das exigências mínimas de aplicação de depósitos à vista e poupança rural.
VALOR ECONÔMICO
Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos
Segundo estudo da Agroicone, saldos das operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões para R$ 38,4 bilhões. Cleyton Candeira Pimentel: ‘Inadimplência é uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento’
A deterioração do crédito rural avançou de forma acelerada nos últimos três anos no Brasil e fez a inadimplência dos produtores com instituições financeiras crescer cerca de dez vezes no período. A alta é resultado do “agravamento” da situação de financiamentos “problemáticos” ao longo do tempo com a p iora na capacidade de pagamento de agricultores e pecuaristas brasileiros. Os saldos das operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. Estudo da consultoria Agroicone com base em dados do Banco Central, antecipado ao Valor, mostra que houve “diferentes sinais de deterioração” pelo caminho. O documento aponta a evolução do montante de recursos sob risco de inadimplência, com reflexos na saúde financeira do campo, e o número de pessoas que podem ser excluídas da política de crédito por conta dessa degradação. A combinação dos dois indicadores dá um “termômetro” da situação. “A inadimplência é uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento, mas ela é parte de um processo mais amplo de deterioração da qualidade do crédito, que também aparece antes disso, em atrasos, prorrogações e renegociações”, afirma Cleyton Candeira Pimentel, pesquisador da Agroicone e autor do estudo. No período analisado, os valores das operações identificadas como problemáticas (em atraso, prorrogadas, renegociadas ou inadimplentes) passaram de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões. Os saldos inadimplentes se multiplicaram por dez. Os financiamentos em renegociação formam o maior bloco, com mais de R$ 100 bilhões atualmente e 410,4 mil operações, e avanço de 630% no período. Parcelas prorrogadas ou em atraso aumentaram três vezes. De acordo com a Agroicone, a trajetória de deterioração revela que a inadimplência do crédito rural saiu de uma situação “controlada” para “sistêmica” em pouco tempo. A análise indica uma mudança de “estágio” das operações que já estavam com problemas, com o agravamento contínuo. Por isso, o número de operações problemáticas avançou em velocidade menor que os valores, saindo de 464,5 mil em julho de 2023, cerca de 12% do total, para 893,2 mil em abril de 2026, quase 20%. Cada produtor pode ter mais de um financiamento. O ritmo mensal de crescimento dos valores com algum problema se acelerou na segunda metade do período analisado, enquanto o de novos financiamentos problemáticos diminuiu. O movimento reforça que o agravamento mais recente pesa mais sobre o valor financeiro do que sobre o número de contratos, diz a consultoria. Segundo a Agroicone, a composição do problema também mudou de perfil ao longo do tempo. Em julho de 2023, a taxa de inadimplência era de 3,9% em número de contratos e de apenas 0,7% em valor financeiro. O retrato mudou em abril de 2026, quando os índices ficaram em 5,4% e 4,3%, respectivamente. “O avanço mais acentuado veio do lado financeiro, sinal de que a exposição em valor cresceu mais rápido que a simples frequência de contratos com problema”, diz o estudo. A situação afeta produtores de todos os portes, mas de formas diferentes. “Os grandes produtores concentram o problema no valor financeiro, os médios aparecem com o maior risco relativo e os pequenos carregam a dimensão mais contratual, muitas vezes ligada ao risco de exclusão da política de crédito”, afirma Leila Harfuch, sócia da Agroicone e autora do documento. Os grandes concentravam 53,8% do saldo inadimplente em abril deste ano, cerca de R$ 20,5 bilhões, com apenas 8% dos contratos problemáticos. Pequenos agricultores e pecuaristas apresentavam padrão inverso, responsáveis por 76,7% das operações com atrasos superiores a 90 dias e somente 11% dos valores, pouco mais de R$ 4 bilhões. Entre os médios produtores, chamou a atenção a taxa de inadimplência por valor, a maior entre os públicos avaliados, de 6,1% na época. Eles respondiam por 35,2% do saldo inadimplente, de R$ 13,4 bilhões, em abril de 2026. O nível de deterioração e exposição também muda de acordo com a região do país. Na média, 3,97% dos contratos de crédito rural no sistema financeiro e 5,2% dos valores estavam inadimplentes em abril deste ano. No Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam problemas climáticos extremos há seis anos, as taxas de inadimplência são menores, de 1,3% na quantidade de operações e 3,1% em saldo financeiro. “Não existe uma resposta uniforme para todos os produtores, a política de crédito precisa considerar o porte do produtor, a região, o momento no tempo e se o problema é mais de quebra de contrato ou de exposição financeira”, defende Harfuch. A questão é que o crédito problemático do Rio Grande do Sul, que soma operações em atraso, prorrogadas, renegociadas e inadimplentes, chegou a 34,55% dos contratos ativos em instituições financeiras em abril e 28,80% dos valores. “O caso do Rio Grande do Sul mostra bem por que crédito problemático e inadimplência não podem ser tratados como sinônimos. O Estado tem muito atraso, prorrogação e renegociação, mas isso ainda não virou inadimplência na mesma proporção”, afirma Lauro Vicari, pesquisador da Agroicone e autor do estudo.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha no menor valor em quase 5 meses sob influência de eleição e exterior
O dólar voltou a cair na terça-feira no Brasil e atingiu a menor cotação em quase 5 meses, ainda sob a influência do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, enquanto no exterior a moeda norte-americana também cedeu ante boa parte das demais divisas.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,55%, a R$4,9745, a menor cotação de fechamento desde 12 de maio deste ano, quando atingiu R$4,8949. No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,37%. Às 17h06, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,51% na B3, aos R$4,9995. Na segunda-feira o dólar havia recuado 4,12%, aos R$5,0022, em meio à euforia dos investidores com o fato de no primeiro turno o senador Flávio Bolsonaro (PL) ter ficado à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto. Foi a maior queda diária em mais de 8 anos. Na terça-feira, já após o impacto inicial do resultado, o dólar voltou a ceder, ainda que com variações menores. Além da questão eleitoral, o recuo das cotações no Brasil era apoiado pela baixa do dólar ante outras divisas de países emergentes no exterior, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. “O mercado começa a colocar a moeda abaixo dos R$5,00 nas projeções. Além disso, conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público, seja via bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que, sem dúvida, pesa contra a moeda americana em relação ao real”, pontuou Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial em operação de rolagem do vencimento de 3 de novembro. No exterior, às 17h15 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,31%, a 101,840.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com ajuste após rali eleitoral
O Ibovespa encerrou a terça-feira em queda, com os investidores fazendo ajustes de posições após o forte rali da véspera, quando o índice atingiu máximas históricas em meio à euforia nos mercados locais com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,52%, a 205.835,29 pontos, após marcar 204.725,23 na mínima e 209.522,60 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$58,06 bilhões. A correção na bolsa acontece após o Ibovespa atingir na véspera o maior nível intradiário, aos 209 mil pontos, e o recorde de fechamento, a 206.911,89 pontos. Os recordes foram uma resposta ao resultado eleitoral de domingo, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. “O mercado hoje realiza eventuais lucros. O investidor revê os preços que ficaram esticados de determinados ativos. Então é relativamente normal termos um período de respiro em altas tão grandes”, disse Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos. Ainda assim, mesmo com o recuo, o Ibovespa seguiu operando acima dos 200 mil pontos. “Com este movimento, o índice confirma a volta à tendência de alta e passa a apontar para a região de 220.000 pontos no curto prazo e 245.000 pontos no médio prazo”, disse o Itaú BBA em seu relatório Diário do Grafista. Segundo os analistas do banco, para manter a tendência de alta, “o Ibovespa terá que continuar acima do suporte em 181.500 pontos”. Em Nova York, as bolsas subiram com a queda do petróleo e a retração de rendimentos dos Treasuries. O S&P 500 subiu 0,57%.
REUTERS
Governo reduz a US$84,4 bi projeção de superávit comercial em 2026 apesar de dado forte em setembro
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu na terça-feira sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 a US$84,4 bilhões, contra previsão feita em julho de saldo de US$90,0 bilhões, prevendo ganho menor nas exportações com o arrefecimento de preços internacionais.
Apesar da revisão para baixo, o resultado ainda seria 24% mais forte do que o observado no ano anterior, quando o saldo foi de US$68,1 bilhões, e marcaria o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas do dado de 2023. Pelos cálculos do MDIC, as exportações devem fechar o ano em US$382,5 bilhões, uma redução de US$11,9 bilhões em relação à estimativa de julho, mas ainda representando um recorde histórico. As importações ficariam em US$298,1 bilhões, um recuo de US$6,3 bilhões sobre a previsão anterior. O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que a projeção feita em julho refletia forte alta dos preços do petróleo e de outros produtos diante da guerra no Irã, o que ampliaria o resultado das exportações. A partir do meio do ano, segundo ele, parte desses preços registrou alguma acomodação, o que reflete na nova projeção. “Esse movimento arrefeceu e resultou em uma taxa de crescimento (das exportações) ainda significativa, mas um pouco menor do que o modelo estava captando no primeiro semestre”, disse. O MDIC apontou que a balança comercial brasileira registrou em setembro um superávit de US$7,741 bilhões, um crescimento de 146% na comparação com o resultado do mesmo mês de 2025 e melhor do que o esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$7,191 bilhões. O desempenho do mês é fruto de US$34,418 bilhões em exportações, uma alta de 12,9% na comparação com o mesmo mês de 2025, e US$26,678 bilhões em importações, recuo de 2,4%. No período, houve aumento das exportações em todos os setores, com destaque para uma alta de 39,8% na indústria extrativa, seguida de crescimentos de 5,3% na indústria de transformação e de 4,8% na agropecuária. Entre os destaques estão os embarques de óleos brutos de petróleo, com crescimento de 77% no período, de soja, com alta de 12%, e óleos combustíveis de petróleo, com alta de 39%. No sentido contrário, houve redução de quase 31% nas vendas de carne bovina. Em setembro, as exportações aos Estados Unidos cresceram 32%, apesar da vigência do tarifaço, que atinge 23% da pauta de produtos vendidos, segundo Brandão. Ele ressaltou altas de 524% nas vendas de carne e de 108% nos embarques de café para o país norte-americano, produtos que eram taxados em setembro do ano passado e estão agora isentos de tarifas. Para a China, houve recuo de 7,6% nas exportações no mês, diante de tarifação das vendas de carne bovina após o atingimento de cota, mas também por uma redução na demanda do país, segundo Brandão, que impactou as vendas de minério de ferro, soja e milho. Do lado das importações, houve queda mais intensa nas compras bens de capital, um recuo de 30% motivado pela importação de plataforma de petróleo em setembro de 2025, que distorceu a base de comparação com o mês passado. Houve ainda queda de 2,4% nas importações de bens intermediários, enquanto foram registradas altas de 11,5% em bens de consumo e de 41,2% em combustíveis. Nos primeiros nove meses do ano, o país acumulou um superávit comercial de US$62,396 bilhões, 35% acima do saldo positivo de US$46,300 bilhões do mesmo período de 2025.
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Banco Mundial eleva previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2,1% em 2026
Ao mesmo tempo, houve uma redução da projeção de expansão da economia em 2027 para 1,7%
O Banco Mundial revisou para cima a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,1%. A projeção para 2027 passou de 2% para 1,7%, enquanto a de 2028 subiu de 2,2% para 2,3%. Os dados constam da nova edição do relatório Panorama Econômico da América Latina e Caribe, divulgado na terça-feira (6). A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o órgão internacional, vai no mesmo ritmo ou abaixo da média regional. De acordo com o relatório, a atividade é restringida pelo aperto das condições monetárias, consideradas necessárias para dar continuidade à desinflação, bem como pelas incertezas da política econômica e pelo arrefecimento do impulso do investimento público. “No Brasil, condições monetárias restritivas pesam sobre a demanda interna, enquanto um mercado de trabalho ainda aquecido continua a oferecer certo suporte”, diz ao mencionar o impacto das taxas de juros reais altas. A projeção de crescimento da atividade do Ministério da Fazenda é ligeiramente menor para 2026. A pasta estima crescimento econômico de 2% neste ano, segundo o Boletim Macrofiscal de setembro. No contexto regional, o Banco Mundial manteve a projeção de que o PIB da América Latina e Caribe avançará 2,2% em 2026. A estimativa fica um pouco abaixo da expansão de 2,4% registrada em 2025, o que, para a instituição, sinaliza resiliência na absorção de choques externos.
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