Ano 1 | nº 232 | 02 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Leite: produtor do Paraná recebe R$ 2,83 por litro em setembro
Produtor ganha mais em setembro
O preço do leite pago ao produtor do Paraná subiu 1% em setembro, alcançando R$ 2,83 por litro entregue à indústria. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o valor também ficou 6,43% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, a média recebida pelo produtor paranaense em setembro foi de R$ 2,83 por litro, alta de 1% em relação ao mês anterior. Na comparação com setembro do ano passado, o avanço chegou a 6,43%. A variação registrada ao produtor, no entanto, não aparece imediatamente nos preços encontrados pelos consumidores nos supermercados. Isso ocorre devido a fatores como a forma de pagamento adotada pela indústria, os estoques, o tempo de prateleira e outras variáveis que interferem na formação dos preços. O leite pago ao produtor em setembro foi captado pela indústria em agosto. Por isso, o valor reflete as condições do mercado observadas no momento da captação. No varejo paranaense, os principais produtos lácteos apresentaram comportamentos diferentes durante setembro. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, o leite longa vida ficou R$ 0,11 mais barato no período. O produto passou de R$ 5,44 por litro em agosto para R$ 5,33 em setembro, em média. Já o queijo muçarela, que está entre os mais consumidos no Paraná, teve alta no mesmo período. Fim do inverno pode pressionar preços. Com o encerramento do inverno, o comportamento sazonal do mercado passa a ganhar importância para a cadeia leiteira. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab, historicamente os preços tendem a cair e a se acomodar em patamares mais baixos após o inverno. Esse movimento é menos favorável ao produtor, mas pode abrir espaço para reduções dos preços dos lácteos no varejo.
AGROLINK
Castro lidera produção de leite no Brasil com 532,8 milhões de litros
Município paranaense aumentou a produção em 10% em 2025, enquanto o Brasil registrou recorde de 36,7 bilhões de litros de leite. Castro, nos Campos Gerais do Paraná, liderou a produção nacional de leite em 2025, com 532,8 milhões de litros, segundo o IBGE.
A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros. O resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas nesse período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974. Esses dados explicam também o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, chegando a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva. Os dados são da pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada hoje (30) pelo IBGE. O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros. A região Sul liderou em produtividade e reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com um crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros de leite, o equivalente a 33,5% do total nacional. Já o Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e um aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. Já o Norte apresentou a menor contribuição da produção (4,6%), e teve aumento de 1,4%, com produção de 1,7 bilhão.
GOVERNO
EL NIÑO LEVA MAPA A PROPOR GESTÃO PERMANENTE DO RISCO CLIMÁTICO
O plano vai além da próxima safra e propõe uma estrutura permanente para monitorar riscos, orientar produtores e coordenar respostas no campo.
O El Niño deixou de ser tratado apenas como uma emergência de safra e passou a ocupar espaço em uma estratégia permanente de gestão de risco no agro brasileiro. Um grupo de trabalho entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária um conjunto de 163 medidas voltadas à safra 2026/27, aos ciclos seguintes e à criação de uma estrutura contínua de acompanhamento climático. O documento organiza as recomendações em três horizontes diferentes: respostas imediatas para a próxima safra, medidas de adaptação para os próximos anos e ações permanentes dentro do próprio Ministério. Essa divisão mostra uma mudança de abordagem. Em vez de concentrar esforços apenas quando os efeitos climáticos já aparecem no campo, a proposta é criar mecanismos capazes de antecipar riscos, orientar decisões e integrar informações antes que as perdas ocorram. Entre as propostas de longo prazo está a criação de um centro de gestão de riscos climáticos extremos. A estrutura teria a função de acompanhar e analisar riscos, emitir informações, coordenar medidas e apoiar estratégias de resposta. O plano prevê ainda um painel agroclimático integrado, reunindo dados climáticos e orientações de manejo. A ideia é que esse sistema também ajude na articulação entre instituições e estados, além de permitir a avaliação dos resultados das ações implementadas. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que eventos desse tipo deixaram de ser vistos como situações excepcionais. Segundo ele, o Ministério precisa contar com instrumentos permanentes para lidar com um cenário que exige planejamento contínuo. No curto prazo, uma das medidas consideradas prioritárias é o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, o PSR. A proposta é garantir disponibilidade de seguro antes do avanço mais intenso do plantio das culturas de verão. O relatório também recomenda ampliar a assistência técnica, oferecer orientações adaptadas a cada região e intensificar o monitoramento agroclimático durante a safra 2026/27. A orientação é que os produtores adotem práticas compatíveis com as condições específicas de cada localidade, utilizando tecnologias disponibilizadas pela Embrapa. Para as safras seguintes, o documento propõe uma integração maior entre ferramentas já utilizadas na gestão do risco. Entre elas estão o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), as Boas Práticas Agrícolas, o crédito rural, o seguro rural e o Proagro. O objetivo é ampliar o uso de sistemas produtivos mais resilientes e fortalecer a segurança hídrica. O relatório também defende o aprimoramento do próprio Zarc, aproximando a informação climática das decisões financeiras e produtivas no campo. Essa integração passa a ser uma das peças centrais do modelo sugerido pelo grupo de trabalho. Outro eixo apontado pelo relatório é a aceleração do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuária e Florestal Sustentáveis, o Caminho Verde. Segundo Bruno Leite, coordenador do grupo de trabalho, essas iniciativas podem ampliar a adoção de tecnologias de produção mais resilientes, combinadas com assistência técnica, capacitação e financiamento. A proposta conecta adaptação climática à forma como os sistemas produtivos são manejados no campo. Em vez de tratar o risco apenas como uma questão meteorológica, o documento incorpora também práticas de produção, uso do solo e capacidade de resposta dos produtores. O Grupo de Trabalho sobre El Niño foi criado pelo Decreto nº 928/2026 e reuniu representantes de cinco secretarias do Mapa, além do Inmet e da Embrapa. Uma de suas atribuições foi identificar regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. A Embrapa apresentou ao grupo as 163 medidas que passaram a compor a base das recomendações de prevenção, adaptação e redução de riscos. As ações não se limitam à safra 2026/27. O desenho apresentado ao Ministério busca criar uma estrutura que continue funcionando nos ciclos seguintes, com monitoramento, alertas, coordenação institucional e ferramentas de gestão. Para o agro brasileiro, o ponto central do relatório está justamente aí: preparar-se para eventos climáticos extremos deixa de ser apenas uma resposta pontual e passa a integrar o planejamento permanente da produção.
O PRESENTE RURAL
INTERNACIONAL
Nova Zelândia projeta maior rebanho bovino em 5 anos, mas El Niño acende alerta para 2027
Projeções do USDA indicam rebanho de 9,97 milhões de cabeças até 2027, impulsionado por melhores margens, investimentos em cercas virtuais e integração entre as cadeias de leite e corte.
A pecuária da Nova Zelândia deve chegar a 2027 com um movimento de recuperação do rebanho bovino, acompanhado por um avanço, ainda que moderado, no número de vacas leiteiras. A projeção é do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/FAS). O órgão estima que o país inicie 2027 com 9,97 milhões de bovinos, crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior e o maior nível dos últimos cinco anos. No caso das vacas leiteiras, o número deve passar de 4,60 milhões de cabeças em 2025 para 4,65 milhões em 2026 e 4,67 milhões em 2027. Segundo o relatório, preços favoráveis ao produtor, melhora da situação financeira das propriedades e maior retenção de animais para reprodução estão entre os fatores que sustentam a expansão. O USDA também aponta a formação de novos rebanhos leiteiros, inclusive em áreas anteriormente destinadas ao cultivo de grãos ou à terminação de bovinos. O cenário financeiro das fazendas também mudou. Depois de um período marcado por juros elevados e maior pressão sobre o caixa, a melhora dos preços recebidos pelos produtores permitiu reduzir dívidas, retomar aplicações de fertilizantes, realizar manutenções que haviam sido adiadas e voltar a investir nas propriedades. Parte desses investimentos está chegando na forma de tecnologia. O relatório destaca o avanço de ferramentas como colares inteligentes para monitoramento dos animais e sistemas de cerca virtual, utilizados para melhorar o aproveitamento das pastagens e reduzir a necessidade de mão de obra. Essa recuperação, porém, ocorre em um sistema altamente dependente das condições das pastagens e é justamente aí que aparece uma das principais incertezas para 2027. O USDA alerta para a possibilidade de um El Niño intenso durante a temporada 2026/27. O fenômeno tende a aumentar a probabilidade de condições mais secas no leste e no norte da Nova Zelândia, enquanto áreas do sul e oeste podem registrar maior umidade. Nas principais regiões pecuárias afetadas, uma primavera e um verão mais secos podem limitar o crescimento das pastagens e reduzir a disponibilidade de alimento. Para as fazendas leiteiras, os efeitos podem chegar diretamente ao manejo. Em um cenário de seca prolongada, o USDA considera que produtores podem reduzir a frequência das ordenhas e antecipar o descarte de vacas, buscando adequar o número de animais à disponibilidade de alimento. O relatório também evidencia uma característica importante da pecuária neozelandesa: a forte integração da cadeia de leite e carnes. O USDA estima que entre 60% e 70% dos bovinos abatidos anualmente no país tenham origem no rebanho leiteiro, considerando bezerros, vacas de descarte e animais provenientes de cruzamentos entre raças leiteiras e de corte. Essa integração vem se aprofundando. Mudanças nas exigências de fornecimento adotadas a partir de 2023 estimularam o setor a reduzir o abate precoce de bezerros leiteiros e direcionar mais animais para posterior produção de carne. O número de bezerros abatidos caiu de 1,97 milhão em 2023 e é projetado pelo USDA em 1,75 milhão em 2027.
USDA/FAS/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar acompanha o exterior e sobe quase 1% ante o real
O dólar fechou a quinta-feira com alta próxima de 1% ante o real, refletindo a busca global pela moeda norte-americana em meio às preocupações persistentes com a guerra no Oriente Médio.
No Brasil, a três dias das eleições, os investidores aguardavam pela nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida presidencial, programada para o início da noite. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,97%, a R$5,2239. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,83%. Às 17h03, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,69% na B3, aos R$5,2500. As preocupações em torno dos efeitos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã voltaram a pressionar os mercados da Europa mais cedo, com o euro recuando para a menor cotação em 17 meses em relação ao dólar. A moeda norte-americana também avançava ante outras divisas fortes, como a libra e o franco suíço, e tinha alta ante moedas emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. Esse movimento se acentuou a partir do fim da manhã, com o dólar renovando máximas ante boa parte das demais divisas, incluindo o real. “O dólar está mais forte lá fora, com o DXY (índice do dólar) em patamares elevados, o petróleo subindo. É a aversão ao risco dos investidores correndo para o dólar”, avaliou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Após ter marcado a cotação mínima de R$5,1698 (-0,07%) às 9h40, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2400 (+1,29%) às 13h57, mantendo-se em patamares elevados ao longo da tarde. “É um movimento, principalmente, global, com a moeda americana se fortalecendo porque o investidor acaba buscando uma proteção diante da guerra e diante dos juros altos lá fora também”, disse Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital. “Aqui dentro a gente tem a questão da cautela antes das eleições e uma devolução natural também da queda de ontem.”
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com Petrobras; investidor aguarda eleição
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, sustentada principalmente pelas ações da Petrobras, com o pregão já entrando em modo espera para o primeiro turno das eleições no Brasil.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,48%, a 187.243,39 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 187.436,73 pontos. Na mínima, recuou a 184.767,78 pontos.
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Contração da indústria no Brasil se intensifica em setembro com demanda fraca, mostra PMI
A atividade industrial brasileira afundou ainda mais em terreno contracionista em setembro e atingiu o nível mais baixo em quase três anos e meio, com um forte enfraquecimento da demanda, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na quinta-feira.
Segundo a pesquisa, a fraqueza da demanda, as pressões competitivas e a incerteza política antes das eleições presidenciais de outubro pesaram sobre as vendas, enquanto o aumento dos custos agravou o ambiente desafiador para os negócios. Ainda assim, a confiança para os próximos 12 meses melhorou em relação a agosto. O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, caiu a 44,8 em setembro, de 46,3 em agosto, na maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023. A marca de 50 separa crescimento de contração. O resultado levou a média trimestral a 46,2, a mais baixa desde o segundo trimestre de 2023, segundo a S&P Global. “O único aspecto positivo nos dados do PMI foi que as empresas continuaram mais otimistas em relação aos próximos 12 meses, amparadas pela expectativa de que as condições de mercado melhorem após as eleições”, avaliou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. A retração da produção chegou ao quinto mês consecutivo e se intensificou para o nível mais forte desde o início da pandemia de Covid-19, no começo de 2020. Os participantes da pesquisa associaram a queda da produção à fraqueza das vendas, ao aumento dos custos dos insumos e às incertezas relacionadas ao período pré-eleitoral. As entradas de novos pedidos sofreram o maior ritmo de contração em quase quatro anos. As novas encomendas do exterior diminuíram pelo quinto mês seguido, embora o ritmo de contração tenha desacelerado em relação a agosto. Foram relatadas vendas mais fracas para clientes na Argentina, China, México e Estados Unidos. A indústria brasileira também reduziu em setembro o número de empregados pelo terceiro mês consecutivo, embora o ritmo dos cortes de vagas tenha sido moderado e mais brando do que em agosto. Já os dados de preços mostraram uma retomada das pressões dos custos em setembro. Após desacelerar em cada um dos quatro meses anteriores, a inflação dos preços dos insumos acelerou e voltou a ficar acima de sua média histórica de longo prazo. As empresas atribuíram o aumento dos custos de materiais e transporte à crise global de energia e à guerra no Oriente Médio. Embora os fabricantes tenham voltado a elevar seus preços de venda em resposta, a concorrência e a queda das vendas limitaram seu poder de precificação, e a inflação dos preços cobrados enfraqueceu para o menor nível em sete meses.
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Dívida bruta tem o maior ritmo de crescimento desde a covid
Indicador subiu 4,2 pontos percentuais em relação ao PIB de janeiro a agosto, diz BC
A dívida bruta do governo geral (DBGG), principal indicador do estoque do endividamento público, registra em 2026 o crescimento mais acelerado desde a pandemia. A relação entre a DBGG e o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 4,2 pontos percentuais de janeiro a agosto deste ano, divulgou na quarta-feira (30) o Banco Central (BC). O crescimento nos oito primeiros meses de 2026 só foi inferior aos registrados nos mesmos períodos de 2009 (4,79 pontos), 2015 (6,69 pontos) e 2020 (11,39 pontos). Com isso, a DBGG atingiu 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) no mês passado, o maior nível desde março de 2021. Em dezembro de 2025, estava em 10 trilhões (78,6% do PIB). Economistas defendem que os juros elevados são consequência principalmente de um desajuste fiscal do governo federal. Ecio Costa, professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz que a falta de controle das despesas públicas e a expansão de gastos, especialmente com os programas anunciados pela União em 2026, impedem a redução das taxas de juros futuros, que financiam a dívida. Para o especialista, as metas de resultado primário (receitas menos despesas, com exceção dos gastos com a dívida) previstas no arcabouço fiscal do governo federal, em vigor desde 2023, “mascaram a realidade” das contas públicas. Isso porque há um volume expressivo de despesas que são deduzidas da meta de primário, em especial os precatórios. Ao considerar essas despesas, o governo aumentou de R$ 52 bilhões para R$ 80 bilhões a estimativa de déficit primário em 2026, o que representa distância de R$ 114 bilhões para o centro da meta fiscal (de superávit de R$ 34 bilhões). “O arcabouço traz uma projeção de ampliação de despesas de forma controlada, mas a própria regra durante o governo foi revisada, permitindo que mais despesas fossem feitas e que as regras não fossem cumpridas. Também não há punição séria para o descumprimento do arcabouço, tendo isso sido estabelecida de maneira tão frouxa. Isso compromete as expectativas do mercado em relação à trajetória da dívida, e os juros são cada vez mais altos”, diz. Também para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, as medidas recentes anunciadas pelo governo federal pioraram o quadro fiscal. Ele cita o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que custará R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, e a subvenção ao diesel e redução de tributos sobre gasolina e etanol, que somam R$ 37,5 bilhões desde março. A proibição das bets também deve retirar R$ 11,9 bilhões de arrecadação até 2028, afirma ainda Rondinelli. “No crédito, o movimento é igualmente preocupante. O Desenrola 3.0 prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas, com custo máximo de R$ 15 bilhões em 2027 para a União, que o governo diz compensar com remanejamento de despesas”, diz, referindo-se ao programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas lançado na semana passada.
VALOR ECONÔMICO
Confiança empresarial tem pior patamar em 13 meses por sinais de enfraquecimento da economia
Índice caiu 1,2 ponto em setembro, para 89,3 pontos, terceiro recuo consecutivo
O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 1,2 ponto em setembro, para 89,3 pontos, terceiro recuo consecutivo, informou na quinta-feira (1º) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o recuo, a confiança do empresário em setembro registrou o menor patamar desde agosto de 2025 (88,6 pontos), alertou Aloísio Campelo Júnior, economista da fundação responsável pelo indicador. A retração foi influenciada por sinais de enfraquecimento da atividade econômica, espalhados em diferentes setores da economia – cujos resultados de confiança são usados para cálculo do indicador. Porém, mesmo com a terceira queda consecutiva, o especialista ponderou não ser possível afirmar que a atual tendência negativa na confiança do empresário prosseguirá nos próximos meses. Além da economia, há outro componente de influência que pode mudar trajetória do ICE: as eleições presidenciais. Ao falar sobre o humor do empresariado em setembro, porém, Campelo admitiu que a FGV captou respostas negativas tanto nas avaliações sobre presente quanto nas projeções sobre o futuro. Isso é perceptível na evolução dos dois subindicadores do ICE. No mês passado, o Índice de Expectativas (IE) caiu 1,2 ponto, para 87,9 pontos. Esse tópico caiu em cinco dos últimos sete meses, refletindo tendência de aumento do pessimismo entre os empresários, notou. Já o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,1 ponto, para 90,8 pontos, em setembro, menor nível desde fevereiro de 2022 (90,6 pontos). Todos os quatro setores usados para o cálculo do indicador mostraram queda de confiança em setembro, acrescentou o especialista: indústria (-2,4 pontos), serviços (-0,9 pontos), comércio (-2,9 pontos) e construção (-1,4 pontos). “Foi muito espalhada [a queda de confiança]”, admitiu. Um dos aspectos que contribuiu para tal cenário tem a ver com menor ímpeto de consumo das famílias. Na prática, quando a demanda mostra sinais de recuo, isso acaba afetando os níveis de atividade de praticamente todos os segmentos da economia, disse. “No início do ano vieram várias medidas de estímulo [ao consumo], salário-mínimo cresceu bem [reajuste], redução de imposto, programa [do governo, de estímulo para compra] para automóvel, programa para moto”, enumerou. “Deu um ânimo [no consumo]”, disse. “A demanda aumentou temporariamente de janeiro até talvez abril. Mas ao longo do segundo trimestre a demanda começou já a desacelerar para vários desses segmentos”, comentou. “Alguns [segmentos] começaram a perder fôlego. E mais para o final do segundo trimestre, a indústria começou a acumular estoques e agora o setor da construção também já não está muito otimista em relação aos próximos meses”, disse. Campelo explicou que os altos índices de inadimplência, de endividamento, recordes das famílias, bem como crescente parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas limitam o poder de compra dos consumidores. E isso é sentido nos negócios dos empresários, notou. Essas restrições impactam diretamente a demanda por serviços e o varejo, o que, por sua vez, afeta a confiança nos setores de comércio e indústria, comentou. No entanto, ao ser questionado se o ICE de setembro pode ser uma confirmação de começo de tendência longa de confiança em baixa do empresariado, ele foi cauteloso. O especialista admitiu que a atividade pode continuar caindo, visto que a economia segue desacelerando e obras ligadas ao calendário eleitoral estão diminuindo.
VALOR ECONÔMICO
IPC-S sobe 0,67% em setembro e acumula alta de 3,95% em 12 meses
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,67% em setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em 12 meses, acumula alta de 3,95%.
Em agosto, o indicador caiu 0,37%. Nas prévias de setembro, o IPC-S havia subido 0,51% na primeira, avançado 0,49% na segunda, e tido elevação de 0,52% na terceira. Nesta apuração, das oito classes de despesa componentes do índice, a maior contribuição veio do grupo Alimentação, cuja taxa de variação passou de 0,58% na terceira quadrissemana para 1% na leitura final. Educação, Leitura e Recreação reduziram o ritmo de queda (-1,12% para -0,23%), assim como Transportes (-0,09% para -0,04%), e Habitação subiu mais (1,86% para 1,99%). Despesas Diversas abrandaram a alta (1,02% para 0,08%), mesmo comportamento visto em Saúde e Cuidados Pessoais (0,19% para 0,17%), e Comunicação mudou de rumo (0,21% para -0,02%). O grupo Vestuário repetiu a taxa de variação de 0,30% registrada na última apuração.
VALOR ECONÔMICO
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