Informativo Sindileite 231 01.10.2026

Ano 1 | nº 231 | 01 de outubro de 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite ao produtor fica estável em agosto; oferta maior pode pressionar setembro

O preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

O preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Na “Média Brasil” líquida, o valor alcançou R$ 2,8869/litro, alta de 0,7% frente a julho/26 e de 9,18% em relação a agosto/25, em termos reais – os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto/26. Para setembro, os dados indicam um cenário de maior disponibilidade de leite no mercado, o que pode influenciar os preços recebidos pelos produtores de leite. O aumento da oferta tende a ampliar a capacidade de captação dos laticínios e pode trazer ajustes nas cotações ao longo do mês. A evolução da oferta está relacionada, entre outros fatores, à recuperação da produção em importantes regiões produtoras. Com maior volume de leite disponível, o comportamento dos preços passa a depender também da demanda por lácteos e da capacidade de absorção do mercado. Mesmo com a perspectiva de maior oferta em setembro, o preço do leite ao produtor permanece em patamar superior ao observado no mesmo período do ano anterior. A variação acumulada reforça a diferença entre o cenário atual e o registrado em 2025. O acompanhamento dos próximos meses será importante para entender como a combinação entre produção, demanda e custos de produção deverá influenciar a formação dos preços ao produtor.

Cepea/Esalq/USP

Brasil produz 36,7 bilhões de litros e leite bate novo recorde em 2025

Volume cresce 2,6% e alcança 36,7 bilhões de litros, enquanto o número de vacas ordenhadas diminui e a produtividade avança 5,6%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 30 de setembro, os resultados de 2025 da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM). A produção brasileira de leite alcançou 36,7 bilhões de litros, alta de 2,6% em relação aos 35,7 bilhões de litros de 2024. O resultado representa um novo recorde da série histórica e o terceiro crescimento anual consecutivo. O Sul voltou a ser a maior região produtora de leite do país, com aproximadamente 12,5 bilhões de litros, crescimento de 4,4% em relação a 2024 e participação de 34% no total nacional. O Sudeste ficou na segunda posição, com 12,3 bilhões de litros, alta de 2,3% e participação de 33,5%. O Nordeste produziu cerca de 6,6 bilhões de litros (+2,7%), respondendo por 18% do volume brasileiro. O Norte registrou avanço de 1,4%, para 1,7 bilhão de litros. Já o Centro-Oeste foi a única região com retração, de aproximadamente 1%, totalizando 3,6 bilhões de litros. Minas Gerais manteve a liderança estadual, com aproximadamente 10,1 bilhões de litros, mais de um quarto da produção brasileira. Na sequência aparecem Paraná, com 4,8 bilhões de litros, Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões, Santa Catarina, com 3,4 bilhões, e Goiás, com 2,9 bilhões. Os três estados do Sul permanecem, portanto, entre os cinco maiores produtores do país, contribuindo para a retomada da liderança regional. Entre os municípios, Castro (PR) manteve a primeira posição e superou, pela primeira vez na PPM, a marca de meio bilhão de litros. A produção chegou a 532,8 milhões de litros, crescimento de 10% em relação a 2024. Carambeí (PR) permaneceu em segundo lugar, com 306,8 milhões de litros (+4,7%), seguido por Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões (+9,8%). Os três líderes municipais cresceram acima da média nacional de 2,7%. Outros destaques foram Lagoa Formosa (MG), com 161,1 milhões de litros e alta de 15,6%, e Orizona (GO), com 138 milhões e crescimento de 10,8%. Esses resultados mostram que alguns dos principais polos leiteiros ampliaram sua produção em ritmo superior ao observado no conjunto do país. O número de vacas ordenhadas caiu 3,0% em 2025, totalizando aproximadamente 14,7 milhões de cabeças, o menor contingente desde 1979. Mesmo com essa redução, o país aumentou o volume produzido, sustentado pelo crescimento da produção média por animal. A produtividade nacional avançou 5,6%, atingindo 2.498,7 litros por vaca ao ano, o maior valor da série histórica. Foi o terceiro aumento anual consecutivo do indicador. O ganho de produtividade compensou a redução do número de vacas ordenhadas e permitiu ampliar a produção total de leite. Segundo o IBGE, condições climáticas favoráveis e avanços no melhoramento genético e no manejo contribuíram para esse movimento. O Sul também liderou em produtividade, com aproximadamente 4,3 mil litros por vaca ao ano. O Sudeste apresentou média de 2,9 mil litros, seguido por Centro-Oeste, com 2 mil, Nordeste, com 1,7 mil, e Norte, com 957 litros. A diferença entre as regiões permanece expressiva, e a maior produção por animal ajuda a explicar a liderança sulista em volume. A captação formal voltou a ganhar espaço na produção nacional em 2025, com um avanço mais expressivo do que o observado entre 2023 e 2024. Sua participação chegou a 75,2%, frente a cerca de 71% no ano anterior, correspondendo a aproximadamente 27,6 bilhões de litros. Assim, três em cada quatro litros produzidos no país foram adquiridos por estabelecimentos sob inspeção sanitária. Esse movimento ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Sul e o Centro-Oeste, que registraram os maiores ganhos de participação em 2025. Como a produção total também cresceu, o resultado indica que a captação formal avançou em ritmo superior ao volume produzido no país. A parcela que permanece fora desse circuito inclui autoconsumo, comercialização fora dos estabelecimentos considerados e parte da fabricação de derivados artesanais. O aumento do volume produzido sustentou o crescimento do valor da produção brasileira de leite, que alcançou R$ 89,5 bilhões em 2025, alta nominal de 2,3% em relação ao ano anterior. Esse avanço ocorreu com o preço médio praticamente estável frente a 2024, estimado em R$ 2,44 por litro. Com esse resultado, o leite respondeu por 63,4% do valor dos produtos de origem animal considerados pela PPM, reforçando sua posição entre as atividades de maior importância econômica da pecuária brasileira.

IBGE/MILKPOINT

EMPRESAS

MG: ROCCA CRESCE NO DOCE DE LEITE E PREPARA ENTRADA NO MERCADO EXTERNO

Depois de ampliar a indústria, a Rocca mudou de desafio: agora precisa ocupar capacidade, ganhar distribuição e abrir caminho fora do país.

A Rocca chegou a uma fase pouco parecida com aquela em que começou. O negócio que nasceu com R$ 20 mil, uma pequena panela de aço inox e produção de cerca de 40 potes de doce de leite por dia hoje processa aproximadamente 6 mil litros de leite diariamente e prepara o próximo movimento: ampliar a distribuição e avançar para o mercado internacional. A transformação ganhou velocidade a partir de 2020. Desde então, a empresa sediada em Minas Gerais passou a investir entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por ano em ampliação e modernização. O passo mais importante ocorreu em 2024, quando a estrutura industrial foi expandida. A mudança resolveu um problema, mas criou outro. Antes, a Rocca tinha capacidade insuficiente para acompanhar a demanda. Agora, segundo Raphael Figueiredo, um dos fundadores da empresa, o desafio passou a ser ampliar a distribuição, conquistar novos pontos de venda e fortalecer a marca. A dimensão dessa mudança aparece em um número: atualmente, a empresa utiliza apenas cerca de 30% da capacidade total da fábrica ampliada. Ou seja, a estrutura para produzir mais já existe. O próximo estágio depende de colocar mais produto no mercado. Rocca foi criada por Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo, aproveitando uma pequena atividade familiar que já produzia geleias. A empresa começou oferecendo os produtos diretamente a amigos e consumidores, avançou para lojas da cidade e, depois, passou a participar de iniciativas e eventos que ajudaram a aumentar sua exposição. Nesse percurso estiveram o Sebrae, o programa Origem Minas, a Feira Internacional do Café e eventos gastronômicos como o Festival Gastronômico de Tiradentes. O passo que permitiu ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais ocorreu no fim de 2019, quando a Rocca obteve a certificação do Sisbi. A partir daí, a empresa pôde vender para outros estados. Seu primeiro cliente de maior porte fora de Minas foi a rede de supermercados Zona Sul, do Rio de Janeiro. Hoje, a linha destinada ao food service já chega a todos os estados brasileiros. O crescimento também alterou a relação entre a fábrica e a produção de leite da própria família. Rosi faz parte da quarta geração ligada à atividade leiteira e conta que seu pai produz leite há mais de 70 anos na propriedade onde a fabricação do doce começou. Atualmente, essa fazenda produz aproximadamente 1.400 litros de leite por dia. A indústria, porém, consome cerca de 6.000 litros diariamente, de segunda a sexta-feira. Para completar a necessidade de matéria-prima, a Rocca passou a comprar leite de produtores e cooperativas locais. A estratégia foi fugir da disputa apenas por preço. A empresa manteve uma formulação descrita pelos fundadores como mais simples, baseada em leite e açúcar, e passou a trabalhar também a identidade e a origem do produto como parte da construção da marca. Além do doce de leite tradicional, a Rocca produz versões com café, coco, avelã e pistache. Mais recentemente, desenvolveu também uma opção com cacau. As embalagens variam entre 50 gramas, 400 gramas e 4,6 quilos, sendo esta última voltada ao food service. Com a capacidade industrial ampliada, a prioridade agora se deslocou para a área comercial. Desde o ano passado, a Rocca vem reorganizando sua estrutura de vendas e investindo em ferramentas de gestão e atendimento ao cliente. Paralelamente, iniciou a preparação para obter a certificação necessária para vender ao exterior. Segundo os sócios, o projeto de adequação da fábrica para obtenção do SIF — Serviço de Inspeção Federal já foi aprovado. As intervenções necessárias devem começar com o objetivo de conseguir a certificação no próximo ano.

CNN BRASIL

INTERNACIONAL

Importação de leite em pó: impasse do antidumping entre Brasil, Uruguai e Argentina continua

Mais de três meses depois da decisão que suspendeu a aplicação dos direitos antidumping, o caso segue em aberto.

O assunto foi levado pela delegação uruguaia à reunião do Grupo Mercado Comum do Mercosul, realizada em Montevidéu no início de setembro. A Argentina acompanhou o posicionamento do Uruguai e manifestou preocupação pela falta de uma resolução rápida. Três empresas uruguaias estão envolvidas na investigação, entre elas a Conaprole, principal cooperativa de lácteos do país. O processo investiga exportações de leite em pó que teriam entrado no mercado brasileiro a preços inferiores aos praticados pela indústria doméstica. Na reunião do Mercosul, a delegação uruguaia lembrou a aprovação da Resolução 907 do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior do Brasil (Gecex), de 3 de junho. Também mencionou uma circular da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), publicada em 29 de julho, que deu início ao processo de avaliação de interesse público. Segundo a ata da reunião, o Uruguai afirmou acompanhar essa avaliação “com especial atenção” e pediu à delegação brasileira informações sobre os prazos previstos para que o Departamento de Defesa Comercial elabore a nota técnica que servirá de base para uma recomendação da Secex à Secretaria Executiva da Camex. A Argentina apoiou o posicionamento apresentado pelo Uruguai durante a reunião. Segundo a ata do encontro do Grupo Mercado Comum do Mercosul, a delegação argentina acompanhou o questionamento uruguaio sobre o andamento da investigação e destacou a “incerteza” pela falta de uma resolução rápida. Em resposta, a delegação brasileira apresentou o cronograma previsto para a avaliação de interesse público. A fase de produção de provas termina em 2 de outubro de 2026. Em seguida, haverá uma etapa para manifestações finais, com prazo até 26 de outubro. Depois disso, o Departamento de Defesa Comercial terá 20 dias, prorrogáveis por igual período, para elaborar sua nota técnica. A Secex terá outros cinco dias, também prorrogáveis, para encaminhar ao Gecex sua recomendação com base no documento. Enquanto o Gecex não tomar uma decisão, a cobrança dos direitos antidumping permanece suspensa. Segundo as informações apresentadas pela delegação brasileira, essa suspensão pode permanecer por até um ano e ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período. Ao final, os direitos poderão ser extintos, de acordo com as condições previstas na regulamentação. As delegações de Uruguai e Argentina reiteraram que não consideram aceitáveis os direitos estabelecidos pela Resolução 907, tanto pelos valores quanto pelo que apontam como problemas formais na investigação anterior. Apesar das divergências, a ata registra que o Uruguai destacou a disposição das autoridades brasileiras em manter abertos os canais de negociação e afirmou que pretende continuar trabalhando por uma solução considerada duradoura e satisfatória para as partes. Em agosto de 2025, uma decisão intermediária determinou que não fossem aplicadas medidas preventivas nem tarifas naquele momento. Em novembro, porém, a investigação foi retomada e, em janeiro de 2026, governos e exportadores dos dois países questionaram a reabertura do processo e advertiram sobre suas possíveis consequências. Em maio de 2026, o Gecex decidiu aplicar direitos antidumping definitivos às importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai. A cobrança, entretanto, foi suspensa imediatamente por razões de interesse público. Os cálculos do Departamento de Defesa Comercial apontaram margens de dumping superiores a 60%, após a análise das respostas de quatro exportadores argentinos e três uruguaios. Para a Conaprole, o mercado brasileiro está entre os principais destinos de suas exportações de leite em pó. O gerente-geral da empresa, Gabriel Valdés, também havia questionado a abertura do processo por considerar que o produto investigado, leite em pó, não seria comparável ao leite cru que deu origem à reclamação dos produtores brasileiros. Segundo ele, uma eventual sanção teria impactos “imediatos” sobre o emprego no setor. Do lado uruguaio, a expectativa manifestada na reunião do Mercosul é por uma definição do processo, diante da incerteza que sua continuidade representa para os exportadores.

Ámbito e Búsqueda

ECONOMIA

Dólar fecha em baixa sob influência do exterior em dia de Ptax

O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, após alguns dados da economia norte-americana reforçarem as apostas de que o Federal Reserve não subirá juros em outubro, enquanto no Brasil a primeira metade da sessão foi marcada pela formação da taxa Ptax de fim de mês.

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,76%, a R$5,1735. No mês, a divisa acumulou queda de 0,15% e, no ano, recuo de 5,75%. Às 17h09, o dólar futuro para novembro — que nesta quarta-feira passou a ser o mais negociado no Brasil — cedia 0,56% na B3, aos R$5,2030. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,1803 para compra e R$5,1809 para a venda. Pela manhã, alguns dados da economia norte-americana impactaram os mercados de moedas em todo o mundo. O núcleo do índice PCE — uma medida bastante observada pelo Federal Reserve — subiu 0,2% em agosto, abaixo da projeção de 0,3% dos economistas ouvidos pela Reuters. O índice PCE cheio subiu 0,3% em agosto, também abaixo da alta de 0,4% projetada. O resultado elevou as apostas de que o Federal Reserve tende a manter sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre as cotações do dólar ante as demais divisas. “Ontem alguns ‘Fed boys’ sinalizaram que não há necessidade de aumento de juros nos EUA no curto prazo, e hoje o PCE veio fraco, o que pesou sobre o dólar”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Na terça-feira, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, havia defendido que “não há necessidade de pressa” ao tratar dos juros nos EUA. “Aqui o dólar caiu um pouco mais por conta da disputa técnica da Ptax, com os vendidos pressionando”, acrescentou Rugik. No restante da sessão, o dólar recuperou um pouco da força, mas ainda assim fechou em baixa ante o real, em um dia também positivo para o Ibovespa. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,025 bilhões em setembro até o dia 25. Na semana passada, porém, entraram no país US$3,054 bilhões líquidos.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com bancos e inflação abaixo do esperado nos EUA

O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, em pregão marcado por desempenho robusto das ações de bancos e dados de inflação abaixo das expectativas nos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,59%, a 186.752,25 pontos, de acordo com dados preliminares, registrando uma alta de 5,26% em setembro e de 8,56% no terceiro trimestre. Em 2026, acumula um ganho de 15,90%. Na sessão, marcou 187.834,97 pontos na máxima e 183.879,71 pontos na mínima.

REUTERS

Melhora de expectativas para variáveis como inflação e câmbio ajuda na queda na incerteza na economia, diz FGV

Indicador recuou 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos

A melhora na dispersão dos indicadores de expectativas das principais variáveis macroeconômicas foi a principal razão para a queda do Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), e que recuou 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos. Entre os dois componentes do IIE-Br, a mídia ficou estável em 111,6 pontos, enquanto houve queda de 3,7 pontos nas expectativas, para 103,2 pontos. Essa foi a terceira queda seguida do componente de expectativas. “Observamos que neste mês houve redução da dispersão [das análises, resultados e previsões de especialistas] em relação à inflação e ao câmbio, principalmente inflação”, afirma o economista Stefano Pacini, do FGV Ibre e responsável pelo IIE-Br. Pacini lembra que a queda da incerteza se tornou possível também porque o impacto da incerteza das mídias ficou constante. “A queda, que eu falo que é pontual, vem principalmente pela melhora na dispersão dos indicadores de expectativas. Esse é o principal motivo de a incerteza econômica ter caído este mês. Mas isso não quer dizer que o resultado vá se manter ou que o nível de incerteza econômica esteja baixo”, pondera. O economista destaca ainda que o indicador de mídia ainda está em patamar elevado, embora já tenha estado em pontos mais altos ao longo de 2026. Pacini explica que ao longo deste ano houve mais “externalidades”, com impactos sobre a incerteza gerados fora do Brasil, como a alta do preço do petróleo, a guerra entre Estados Unidos e Irã, o tarifaço e os momentos da crise na relação entre Brasil e EUA. “Questões que não são muito domésticas, que não envolvem a política doméstica do nosso país e sim um impacto de fora”, diz. Perguntado sobre as recentes crises envolvendo não apenas a corrida eleitoral, mas as discussões e ruídos gerados a partir da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive com discussões públicas entre ministros da Corte, Pacini lembra que o nível de incerteza dentro do componente de mídia já está elevado. Para ele, a polarização política ainda pode levar a uma elevação da incerteza no curtíssimo prazo, principalmente se as eleições presidenciais forem decididas no segundo turno. “A corrida eleitoral tende a ganhar mais espaço ainda e pode impactar sim o aumento do nível de incerteza. Isso considerando que não vai haver nenhum outro assunto externo, nenhuma outra externalidade que afete o indicador de incerteza de mídia. Meu ponto é que já estamos em um nível elevado de incerteza política e acho que ela tende a oscilar nesse patamar elevado nos próximos meses”, afirma. Uma vez passada a eleição, diz, existe a possibilidade de que a incerteza seja amenizada, caso fatores externos não voltem a pressionar. “A tendência é que nos primeiros meses do próximo ano a incerteza dê uma reduzida, mesmo que não seja algo permanente. Mas acho que tende a ficar um pouco mais bem comportada.”

VALOR ECONÔMICO

Inadimplência do consumidor nas operações de crédito atinge 8% em agosto, novo recorde histórico

Mesmo com ciclo de cortes na Selic, taxa média de juros interrompeu sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto em agosto, para 32,3% ao ano

A inadimplência do consumidor pessoa física em operações de crédito bancário, tema que dominou a campanha eleitoral neste ano, bateu novo recorde em agosto, segundo o Banco Central (BC). A taxa que representa o atraso nos pagamentos superior a 90 dias subiu para 8% em agosto no crédito com recursos livres, modalidade que tem taxas livremente pactuadas pelo mercado, ante 7,8% em julho, até então o maior patamar. Como um todo, a inadimplência do consumidor saltou de 5,8% para 6% de julho para agosto, também recorde. Os números mostram que, mesmo com o recente ciclo de cortes na Selic, a taxa média de juros da economia interrompeu uma sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto percentual em agosto, para 32,3% ao ano — um reflexo do crescimento de linhas mais arriscadas, como rotativo dos cartões de crédito e parcelamentos do cartão. O crescimento da inadimplência e dos juros cobrados acontece em um momento em que o governo federal, às vésperas da eleição presidencial, lança uma terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas dos consumidores. O Desenrola Brasil 3.0 prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso entre dois e quatro anos e meio. Duas outras edições já tinham sido lançadas desde 2023. O foco agora será nas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha de até R$ 10 mil. A estimativa é que até 15 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas, renegociando até R$ 150 bilhões em dívidas. A composição dos dados revela que os brasileiros têm recorrido a modalidades mais caras e emergenciais de empréstimos. O caso mais alarmante é do rotativo do cartão, quando a pessoa não faz o pagamento integral da fatura. Entre as operações com recursos livres para pessoa física, o estoque de crédito do rotativo do cartão foi o que mais subiu em agosto contra julho, com alta de 4,8%. A taxa média de juros dessa modalidade subiu para 444,9% ao ano em agosto, acréscimo mensal de 8,7 pontos percentuais. A inadimplência do rotativo do cartão também subiu de 65,5% em julho para 66,2% em agosto nesta operação, patamar recorde. Já a alta do juro médio entre todas as modalidades de crédito foi puxada pelas operações com recursos livres (alta de 0,8 ponto), totalizando 48,5% ao ano, e pelas contratadas por pessoas físicas (alta de 0,7 ponto), para 38,2% anuais. O BC também observou encarecimento dos juros cobrados no parcelado do cartão de crédito, que é a modalidade que divide em prestações mensais fixas o valor da dívida. Os juros saltaram de 189,3% em julho para 192,1% ao ano em agosto, a segunda opção de crédito mais cara do mercado. No caso da inadimplência, quando considerados somente os contratos de pessoas físicas negociados com recursos livres no mercado, que englobam o rotativo e o parcelado do cartão de crédito, o indicador aumentou de 7,1% para 8% no mesmo período. No crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, a taxa subiu de 10% para 10,6%. A inadimplência no crédito pessoal não consignado aumentou de 10,6% para 11% no período. Nas operações com o cheque especial, o percentual caiu de 16,31% para 15,34% nessa comparação. O endividamento das famílias, representado pelo percentual entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, subiu a 49,9% em julho, alta mensal de 0,2 ponto e de 1,1 ponto em 12 meses. Já o comprometimento de renda (percentual entre o valor médio estimado para o pagamento da dívida e a renda média apurada) ficou estável em julho em comparação com junho, em 28,7%. Mas aumentou 1,4 ponto no acumulado de 1 ano. O estoque de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu 0,5% entre julho e agosto, para R$ 7,398 bilhões. A alta foi puxada pelo saldo das operações direcionadas (crescimento de 0,8%) e pelas pessoas físicas (também alta de 0,8%).

VALOR ECONÔMICO

Confiança do comércio cai ao menor nível desde outubro de 2025, diz CNC

Entidade mostrou ainda que as condições atuais recuaram 1,3%, para 72,8%, enquanto as intenções de investimentos recuaram 0,5%, para 101,7 pontos este mês

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgado na quarta-feira (30) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 1,3% em setembro frente ao mês anterior, para 100 pontos, o que indica neutralidade na percepção do setor. O patamar é o menor desde os 96,8 pontos registrados em outubro do ano passado e foi puxado pela queda de 1,9% das expectativas, que passaram para 125,5 pontos. A CNC mostrou ainda que as condições atuais recuaram 1,3%, para 72,8%, enquanto as intenções de investimentos recuaram 0,5%, para 101,7 pontos este mês. Apesar da queda na margem, o Icec subiu 1,7% quando comparado a setembro do ano passado. Nesta comparação, as expectativas avançaram 3%, as intenções de investimentos subiram 1,3% e as condições atuais ficaram estáveis. Entre os recortes da pesquisa, o segmento de bens semiduráveis – que abrange roupas, calçados, tecidos e acessórios – apresentou, segundo a CNC, uma readequação nas expectativas e caiu 1,3% frente a agosto e recuou 1,7% ante setembro do ano passado. A Confederação lembrou que esse movimento coincide com o período em que o mercado interno observa os efeitos do fim do imposto de importação sobre remessas internacionais, a chamada “Taxa das Blusinhas”, fator que tem incentivado uma maior participação do comércio exterior no consumo. Segundo dados da Receita Federal, as remessas internacionais declaradas passaram de 15,2 milhões em agosto de 2025 para 26,5 milhões no mesmo mês de 2026, um crescimento de 74%. Em termos financeiros, o montante dessas importações avançou 79% no período, alcançando R$ 526 milhões, segundo a CNC, que acrescenta que, diante desse cenário, a expectativa econômica específica do segmento de semiduráveis recuou 4,6% em setembro. O subíndice Expectativas para os empresários de roupas e calçados anotou variações de -4% no comparativo mensal e de -1,4% no comparativo anual. Apesar do recuo de 1,9% no Índice de Expectativas em setembro, a maioria dos dirigentes (59,5%) segue projetando melhora econômica para os próximos meses. Além disso, a gestão operacional aponta um cenário de equilíbrio, com a percepção sobre o nível de estoques configurando-se como o único componente de investimentos a apresentar alta mensal (+0,3%), alcançando, ainda, um avanço de 1,3% na comparação anual. O comércio de bens duráveis (como eletrônicos e eletrodomésticos), por exemplo, obteve o maior avanço na comparação anual (+3,9%), beneficiado por um nível de preços que tem favorecido a comercialização desses itens. Além disso, no quadro geral do comércio, as intenções de contratação de funcionários mantiveram trajetória positiva, com crescimento de 4,2% no ano, indicando resiliência no mercado de trabalho varejista.

VALOR ECONÔMICO

Inflação da indústria atinge 0,36% em agosto, pressionada por alimentos, após queda em julho, diz IBGE

Segundo o instituto, 14 das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram alta de preços em agosto; alimentos registram alta de 1,99% no mês

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como o indicador da inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 0,36% em agosto, segundo divulgou na quarta-feira (30) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, houve queda de 0,83%. Com o desempenho de agosto, o IPP acumula alta de 3,47% em 2026. No resultado em 12 meses até agosto, o aumento é menor, de 2,53%. Catorze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram alta de preços em agosto. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de -0,67% em julho para 0,19% em agosto. O IPP da indústria extrativa subiu 4,33% em agosto, praticamente recuperando a variação negativa de 4,38% de julho. O preço de alimentos da indústria subiu 1,99% em agosto, a maior alta desde novembro de 2014 (2,18%). Esta foi a terceira alta mensal seguida e a principal responsável pela inflação do setor industrial no mês. O segmento teve impacto de 0,47 ponto percentual da alta de 0,36% do IPP de agosto. Com isso, os preços de alimentos subiram no ano, em média, 2,70% até agosto. O quadro é diferente do observado em 2025, quando o resultado até agosto era de queda de 7,70%. O resultado acumulado em 12 meses ainda se mantém no campo negativo (-0,38%), embora em nível bem menos intenso que em janeiro (-9,92%) e mesmo em julho (-2,92%). O forte impacto de alimentos na inflação da indústria como um todo também se observa no resultado acumulado em 2026, em que responde por 0,65 ponto percentual da alta de 3,47% do IPP no período. No mês de agosto, arroz e carne bovina foram as duas principais influências na alta da inflação da indústria alimentícia. Segundo o IBGE, o “arroz sem branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido” tem enfrentado aumento de preços do arroz em casca, que são sua matéria-prima, escassa oferta e demanda forte. O outro item é “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas”, pressionado tanto pela depreciação do real frente ao dólar na passagem de julho para agosto (0,8%) quanto pela demanda externa. Somados com “resíduos da extração de soja” e “rações/outras preparações para alimentação de animais” (este com contribuição negativa), respondem por 1,65 ponto percentual da alta de 1,99%. Além dos alimentos, os outros segmentos de maior influência na alta de 0,36% do IPP em agosto foram indústrias extrativas – alta de 4,33% e 0,18 ponto percentual – e metalurgia – aumento de 2,13%.

VALOR ECONÔMICO

Setor público consolidado tem déficit primário deR$ 10,012 bi em agosto

Em 12 meses, o déficit primário alcançou R$ 82,077 bilhões, o equivalente a 0,62% do PIB

O setor público consolidado fechou agosto com déficit primário de R$ 10,012 bilhões, conforme divulgou na quarta-feira (30) o Banco Central (BC). Em agosto do ano passado, o resultado havia sido déficit de R$ 17,255 bilhões. Os dados do setor público consolidado envolvem governo central (formado por Previdência Social e Tesouro Nacional, além do próprio BC), Estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta empresas do grupo Petrobras, além de bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O resultado de agosto refletiu um déficit do governo central de R$ 14,687 bilhões e um superávit de R$ 2,688 bilhões dos Estados e municípios. As estatais tiveram superávit de R$ 1,987 bilhão. Em 12 meses até agosto, por sua vez, o déficit primário alcançou R$ 82,077 bilhões, o equivalente a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até julho, o déficit estava em 0,67% do PIB. Já o déficit nominal, que inclui despesas com juros, atingiu R$ 115,946 bilhões em agosto. Um ano antes o resultado havia sido de déficit de R$ 91,516 bilhões. O resultado nominal de agosto refletiu um déficit primário de R$ 10,012 bilhões e uma conta de juros de R$ 105,934 bilhões. Em 12 meses até agosto, por sua vez, o déficit nominal alcançou R$ 1,264 trilhão, o equivalente a 9,48% do PIB. Em julho, estava em 9,35% do PIB. A conta de juros até agosto somou R$ 1,182 trilhão, ou 8,9% do PIB, vinda de R$ 1,150 trilhão ou 8,7% do PIB em julho. A dívida líquida do setor público não financeiro ficou em 69,3% do PIB em agosto (R$ 9,241 trilhões). Em julho, estava em 69,1% do PIB (R$ 9,165 trilhões). De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada pelo impacto altista de 0,79 ponto percentual dos juros nominais (R$ 105,934 bilhões); pelo impacto altista de 0,08 ponto percentual do resultado primário (R$ 10,012 bilhões); pelo impacto baixista de 0,44 ponto percentual do efeito do crescimento nominal do PIB; e pelo impacto baixista de 0,20 ponto percentual do ajuste cambial (R$ 27,280 bilhões). A dívida bruta dos governos no Brasil somou R$ 11,055 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB. Atingiu o maior patamar desde março de 2021, quando foi de 85,10%. Em julho, o indicador estava em 82,6% do PIB (R$ 10,947 trilhões). De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada pelo impacto altista de 0,76 ponto percentual dos juros nominais sobre a dívida (R$ 100,754 bilhões); pelo impacto altista de 0,08 ponto percentual do ajuste cambial (R$ 10,312 bilhões); pelo impacto baixista de 0,52 ponto percentual do efeito do crescimento nominal do PIB; e pelo impacto baixista de 0,03 ponto percentual das emissões líquidas de dívida (R$ 3,904 bilhões). O BC atualizou ontem as elasticidades das dívidas líquida e bruta do setor público a seus principais indexadores. Para a dívida líquida, a valorização de 1% do câmbio leva a um aumento imediato de 0,07 ponto percentual do PIB, ou R$ 9,3 bilhões. Para cada aumento de 1 ponto percentual da Selic, mantida por 12 meses, há elevação da dívida de 0,54 ponto, ou R$ 71,5 bilhões. Já um aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,15 ponto, ou R$ 20,5 bilhões. No caso da dívida bruta, a valorização de 1% do câmbio gera queda imediata de 0,07 ponto percentual, ou R$ 9,8 bilhões. Para cada elevação de 1 ponto da Selic, mantida por 12 meses, há elevação de 0,49 ponto da dívida, ou R$ 65,8 bilhões. Já cada aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,15 ponto, ou R$ 20,2 bilhões.

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