Ano 1 | nº 230 | 30 de setembro 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/RS projeta valor de referência do leite com variação de -0,90% para setembro
A previsão, divulgada Conseleite do Rio Grande do Sul, representa redução de 0,90% em relação ao projetado no mês anterior.
O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em setembro de 2026 é de R$ 2,3910 por litro. A previsão, divulgada nesta terça-feira (29/09) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa redução de 0,90% em relação ao projetado para agosto, de R$ 2,4128. A projeção considera os dados dos primeiros 20 dias de setembro. O valor consolidado de agosto ficou em R$ 2,4189 por litro, queda de 1,39% frente a julho, quando a referência foi de R$ 2,4529. Os indicadores são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em dados de comercialização fornecidos pelas indústrias lácteas. A partir deste mês, os valores passam a utilizar oficialmente os parâmetros atualizados em 2025 pela Câmara Técnica (Camatec). “O que preocupa neste momento não é apenas a redução do preço do leite, mas a compressão das margens ao longo da cadeia. Temos aumento da oferta de leite no campo, importações elevadas e preços dos derivados sinalizando queda, enquanto os fatores climáticos também impactam a produção e a logística”, afirma Kaliton Prestes, coordenador do Conseleite. A reunião também abordou os impactos dos temporais recentes sobre a produção e a logística, com danos em lavouras e infraestrutura e dificuldades de acesso às propriedades e de transporte do leite. A disponibilidade e o custo do diesel também foram citados como fatores de pressão sobre os custos da cadeia. Diante das dificuldades de acesso às propriedades em função do temporal, o Conseleite decidiu buscar junto ao Mapa uma flexibilização temporária das regras referentes ao prazo de 48 horas para a coleta. Atualmente, empresas que realizam a coleta do leite fora desse prazo, para evitar perdas nas propriedades afetadas pelas condições climáticas, estão sujeitas a multas. O Sindilat já vem tratando da flexibilização da regra junto ao Mapa. O conselho deverá solicitar uma medida excepcional semelhante à adotada em 2024.
Conseleite/RS.
EMPRESAS
MAIOR POLO LÁCTEO DA NESTLÉ NA AMÉRICA LATINA GANHARÁ UMA VIZINHA
A escolha do local não acontece por acaso: a nova unidade ficará ao lado de uma operação de lácteos já existente. O projeto começa a sair do papel em 2027 e acrescenta uma nova frente a uma estrutura industrial já instalada.
Uma nova fábrica de fórmulas infantis da Nestlé será construída em Ituiutaba, Minas Gerais, com investimento de R$ 600 milhões e início das operações previsto para 2028. O projeto integra um plano de R$ 2 bilhões para a divisão de Nutrição e Saúde no Brasil até 2028 e amplia uma estrutura industrial que a companhia já mantém no município. A construção deve começar em 2027 e a estimativa é de aproximadamente 700 empregos durante as obras. Quando a unidade entrar em operação, deverão ser criados cerca de 100 postos de trabalho diretos. Mais do que uma nova fábrica, o projeto acrescenta capacidade a uma divisão que passou a reunir, em 2026, os negócios de nutrição infantil, nutrição médica e nutrição adulta dentro de uma mesma estrutura. A unidade de Ituiutaba será instalada ao lado do complexo industrial de lácteos que a Nestlé já mantém na cidade. O município abriga a maior operação de lácteos da companhia na América Latina, responsável pela produção de Ninho Integral, Ninho Instantâneo, Ninho Zero Lactose, Ninho Adulto, Molico Fibras e Molico Zero Lactose. Na nova fábrica, a produção inicial será concentrada em Nestogeno, Nestonutri, Ninho 1+ e Ninho 3+. Segundo a companhia, a unidade será totalmente automatizada e utilizará tecnologias empregadas globalmente pela Nestlé na fabricação de fórmulas infantis. Os R$ 600 milhões destinados à unidade de Ituiutaba representam uma parte do investimento previsto para a divisão de Nutrição e Saúde no Brasil. Até 2028, serão R$ 2 bilhões destinados a capacidade produtiva, eficiência e inovação nas operações da área. O montante equivale a aproximadamente 30% dos R$ 7 bilhões anunciados pela Nestlé para suas operações brasileiras entre 2025 e 2028. Outro ponto relevante está em Araçatuba, em São Paulo, principal polo da companhia no país para a fabricação de fórmulas infantis, produtos de nutrição médica e soluções de nutrição adulta. A unidade também está em expansão. Entre 2025 e 2028, estão previstos R$ 540 milhões em investimentos em Araçatuba, enquanto a produção de Nutren Control já foi ampliada em 30%. O movimento ocorre em paralelo à reorganização dos negócios de Nutrição e Saúde. Antes de 2026, as três áreas funcionavam de maneira independente. Com a criação da nova divisão, a companhia passou a concentrá-las em uma mesma estrutura. Segundo a Nestlé, a mudança busca ampliar a troca de conhecimento científico entre as áreas, acelerar o desenvolvimento de produtos e aproximar tecnologias utilizadas nas diferentes categorias. A estratégia industrial não se limita às fábricas de produtos acabados. Em 2026, a Nestlé retomou a produção de soro de leite em Carazinho, no Rio Grande do Sul, iniciativa que, segundo a companhia, tem como objetivo sustentar a expansão do negócio de Nutrição Infantil. O ingrediente passa a integrar o mesmo movimento que reúne aumento de capacidade produtiva, eficiência e inovação. Também há mudanças previstas na operação industrial de Minas Gerais. As fábricas de Ibiá e Ituiutaba passarão a utilizar biometano, substituindo o GLP atualmente empregado em processos como câmaras, fornos e caldeiras. A escolha de Ituiutaba coloca a nova fábrica dentro de uma estrutura industrial que a Nestlé já possui no município. A companhia terá, no mesmo local, a operação de lácteos existente e a nova unidade dedicada à produção de fórmulas infantis. A fábrica começa a ser construída em 2027, com entrada em operação prevista para 2028. O projeto também amplia o potencial produtivo da categoria. Segundo a empresa, a nova unidade poderá futuramente atender também às exportações, além da produção destinada ao mercado brasileiro. A fábrica de Ituiutaba, portanto, aparece como uma das peças do plano mais amplo da Nestlé para Nutrição e Saúde no país, que combina novas instalações, expansão de unidades existentes, ingredientes, automação e mudanças nas operações industriais. Para Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil, Nutrição e Saúde está entre as quatro prioridades estratégicas de crescimento da companhia globalmente e no Brasil. Já Marcelo Citrângulo, vice-presidente de Nutrição e Saúde da Nestlé Brasil, relaciona a criação da divisão à importância atribuída pela companhia à nutrição e à saúde para o futuro da indústria de alimentos.
BHB FOOD
ECONOMIA
Dólar tem sessão volátil e fecha com leve queda sob influência do exterior
Após alternar altas e baixas ao longo da sessão, o dólar fechou a terça-feira com leve queda ante o real, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante algumas divisas de emergentes no exterior e a perda de força das taxas dos Treasuries durante a tarde.
Investidores também seguiram atentos ao noticiário político no Brasil, após a divulgação de nova pesquisa eleitoral. O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,25%, a R$5,2132. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,02%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,19% na B3, aos R$5,2155. Após ceder no início do dia, o dólar ganhou força entre o fim da manhã e o início da tarde, na esteira do avanço dos rendimentos dos Treasuries, em meio a preocupações com a inflação nos EUA. Ainda que o petróleo tenha recuado durante todo o dia, os rendimentos dos títulos de dez anos se aproximaram dos 5,29% — o maior nível em décadas –, impulsionando as cotações da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas. Mas o cenário mudou após declarações de autoridades do Federal Reserve à tarde, em especial do presidente do Fed de Nova York, John Williams. Segundo ele, o banco central dos EUA tem tempo para analisar os dados antes de decidir quando aumentar as taxas de juros novamente. “Com as medidas de política monetária que adotamos em nossa reunião de setembro, não há necessidade de pressa”, disse Williams no texto de um discurso preparado para ser proferido diante de uma plateia na Universidade de Buffalo, em Buffalo, Nova York. Em reação, as taxas dos títulos norte-americanos de dois anos despencaram e os rendimentos dos Treasuries de dez anos se afastaram da máxima do dia. O dólar também perdeu força ante boa parte das divisas de países emergentes, incluindo o real, com as cotações no Brasil voltando para a faixa de R$5,21. No exterior, às 17h18 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,25%, a 101,440.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com exterior
Declarações mais “dovish” do presidente da distrital do Federal Reserve (Fed), de Nova York, John Williams, favorecem ativos de risco
Depois de passar a primeira metade do dia em queda devido ao mau humor global, o Ibovespa mudou de direção durante a tarde, em linha com outros mercados emergentes. A virada da maior parte dos bancos, aliada a declarações mais “dovish” (menos inclinadas ao aperto monetário) do presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de Nova York, John Williams, favoreceu ativos de risco, o que impulsionou uma recuperação do índice. Após tocar os 181.562 pontos, no pior momento do dia, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 183.828 pontos, perto da máxima intradiária de 183.951 pontos. A cinco dias do primeiro turno das eleições no Brasil, investidores também permaneceram atentos ao pleito. De olho no “trade eleitoral”, as ações do Banco do Brasil foram destaque entre os papéis de instituições financeiras, ao subir 2,56%. Da mesma forma, as ações da Petrobras fecharam no campo positivo: as PN subiram 0,78%, ao passo que as ON encerraram estáveis (+0,09%), após oscilarem entre perdas e ganhos durante a maior parte do pregão. Na ponta contrária, as ações da Vale ajudaram a reduzir uma alta mais expressiva do Ibovespa, ao cederem 2,18%, diante da desvalorização do minério de ferro de 0,78%, em Dalian, na China, que encerrou cotado a 706 yuans (US$ 105,2). Já as ações da CSN lideraram as perdas do índice, com queda de 9,85%, após a companhia reduzir a estimativa de produção para entre 39 e 41 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, ante projeção anterior de 45 milhões a 47 milhões de toneladas. Ainda que os fluxos de investidores estrangeiros para ações já listadas na permaneçam positivos no acumulado deste mês, no valor de R$ 9,4 bilhões até a última sexta-feira (25), o chefe da mesa internacional da Mirae Asset, Jonathan Joo Young Lee, afirma que a cautela tem predominado entre investidores estrangeiros em conversas recentes, às vésperas das eleições, especialmente após as últimas medidas mais populistas anunciadas por Lula, como o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets. Segundo Lee, a visão dos investidores não residentes era de que o próximo governo teria que realizar um ajuste fiscal, independentemente de quem ganhasse as eleições. Ontem, por exemplo, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 20,2 bilhões e de R$ 26,5 bilhões na B3, valor considerado baixo. Já em Wall Street, os principais índices acionários fecharam no negativo: o Dow Jones perdeu 0,26%, o S&P 500 recuou 0,17%, e o Nasdaq encerrou estável (-0,09%).
VALOR ECONÔMICO
Desemprego fica em 5,3% no trimestre até agosto, mostra IBGE
Resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 17 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data. A taxa de desemprego no país foi de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor para o período em toda a série histórica.
O resultado ficou abaixo do observado no trimestre imediatamente anterior (concluído em maio, de 5,6%) e abaixo do resultado de igual período de 2025 (5,6%). No trimestre encerrado em julho, a taxa foi de 5,3%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 17 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma taxa de 5,3% no trimestre encerrado em maio. O intervalo das projeções ia de 5,2% a 5,4%. Na média do período de junho a agosto, o país tinha 5,8 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, mas não conseguiram encontrar. O número aponta retração de 4,6% frente ao trimestre encerrado em maio (menos 281 mil pessoas) e queda de 4,9% ante igual período de 2025 (menos 300 mil pessoas). A população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) no trimestre até agosto, por sua vez, renovou o patamar recorde da série histórica, ao alcançar 103,5 milhões de pessoas. Isso representa um avanço de 0,8% em relação ao trimestre encerrado em maio (mais 774 mil pessoas ocupadas). Frente a igual trimestre de 2025, subiu 1% (1,1 milhão de pessoas). A renda média dos trabalhadores avançou 0,7% no trimestre encerrado em agosto, ante o trimestre imediatamente anterior (concluído em maio), para R$ 3.777. A diferença é de R$ 25 a mais. A variação de 0,7% é classificada pelo IBGE como estabilidade estatística, por estar dentro da margem de erro da pesquisa. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores considera a soma de todos os trabalhos. Na comparação com igual trimestre de 2025, houve alta de 3,7% (R$ 136 a mais). Já a massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) foi de R$ 385,566 bilhões no trimestre encerrado em agosto. O número aponta variação de 1,4% frente ao trimestre imediatamente anterior, ou R$ 5,164 bilhões a mais. Na comparação com igual período de 2025, o aumento foi de 4,8% (mais R$ 17,484 bilhões).
VALOR ECONÔMICO
Brasil abre 165.827 vagas com carteira em agosto, aponta Caged
Salário médio de admissão de novos empregados formais ficou em R$ 2.410,74 no mês, recuo de R$ 0,74 em relação ao mês imediatamente anterior, e de demissão, ficou em R$ 2.511,04, alta de R$ 15,26. O resultado de agosto ficou acima da estimativa mediana de instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, de abertura líquida de 97,1 mil vagas, segundo o VALOR DATA
O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de 165.827 vagas com carteira assinada em agosto, o segundo menor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2020. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) e foram divulgados na terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego. As projeções, todas positivas, iam de 85 mil a 140 mil. Foram registradas 2.294.563 admissões contra 2.128.736 desligamentos no mês passado. O resultado líquido foi melhor do que o de agosto do ano passado, quando houve a abertura de 154.583 vagas. Nos primeiros oito meses deste ano, foi registrada, por sua vez, a abertura líquida de 1.134.033 vagas. Todas as cinco regiões do país apresentaram abertura líquida de vagas formais de trabalho em agosto: Sudeste (73.167), Centro-Oeste (8.699), Nordeste (59.356), Norte (13.603) e Sul (10.850 vagas). O salário médio de admissão de novos empregados com carteira assinada ficou em R$ 2.410,74 em agosto. O valor representa um recuo de R$ 0,74 em relação ao mês imediatamente anterior. Já o salário médio de demissão ficou em R$ 2.511,04 em agosto, contra R$ 2.495,78 registrado em julho de 2026. O ministro do Trabalho e Emprego em exercício, Chico Macena, afirmou que o resultado da abertura de empregos com carteira assinada em agosto “surpreendeu” a todos, principalmente agentes do mercado financeiro com previsões mais pessimistas sobre os dados. Macena destacou que o emprego continua crescendo no país, apesar de a expansão ocorrer em um ritmo inferior ao registrado no ano passado. Segundo o ministro em exercício, a geração de empregos também evolui em uma velocidade menor devido a fatores como juros elevados e impacto do tarifaço. “É um mercado que se está se demonstrando resiliente. Continua com um crescimento, continua gerando novos postos de trabalho, com expectativa de crescimento do PIB, não da forma que se tinha, mas com uma tendência de crescimento”, declarou. Houve abertura líquida em serviços (110.346); agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (1.452); indústria geral (16.613); construção (20.848); e comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (16.565). No ano, todos os cinco setores alcançaram abertura líquida de vagas: serviços (697.859); construção (200.431); indústria geral (170.442); agropecuária (56.024); e comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (9.300). O Brasil gerou liquidamente em agosto 43.863 novos postos de trabalho intermitente, de aprendizes, temporários, contratados por Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física ou com carga horária de até 30 horas. O número foi resultado de 327.427 admissões e 283.564 desligamentos.
VALOR ECONÔMICO
Confiança de serviços em baixa sinaliza economia mais fraca na reta final do ano, diz FGV
Para a fundação, a evolução da economia e a trajetória de serviços são intrinsecamente ligadas, visto que o setor representa quase 70% do PIB do país
Após subir 1,2 ponto em agosto, o Índice de Confiança do setor de Serviços (ICS) caiu 0,9 ponto em setembro, para 88,1 pontos, informou na terça-feira (29) a Fundação Getulio Vargas (FGV). A retração sinaliza atividade econômica mais fraca na reta final do ano, admitiu Carlos André Vieira, economista da fundação. Na prática, a evolução da economia e a trajetória de serviços são intrinsecamente ligadas, reconheceu, visto que o setor representa quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ele não descartou novos recuos no indicador no quarto trimestre de 2026. “Nesse cenário econômico em que estamos inseridos, ele sugere que a confiança das empresas não vai acumular altas consecutivas [até o fim do ano]”, observou. “A própria alta de serviços do mês passado foi mais uma acomodação, após forte queda em julho do que como um aquecimento em si. Então, realmente, existe um pessimismo [entre o empresariado do setor]”, comentou. Esse pessimismo se estende às projeções dos empresários do setor. Na evolução dos dois tópicos usados para cálculo do ICS, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,9 ponto, para 91,7 pontos. Mas o Índice de Expectativas (IE) caiu 2,7 pontos, para 84,6 pontos. “Vemos, em serviços, uma certa resiliência na situação atual. Talvez justamente sustentada por um mercado de trabalho que ainda está aquecido”, disse. Vieira se refere aos dados mais recentes da Pnad Contínua, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mapeia dados oficiais do mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto foi de 5,3%, a menor para o período na série histórica iniciada em 2012, anunciou na terça-feira (29) o instituto. Porém, na mesma pesquisa, o IBGE informou que a renda real de todos os trabalhos ficou estável ante trimestre anterior. Vieira ponderou que a renda originada do trabalho é o principal esteio de poder aquisitivo do brasileiro. Assim, quando ela não sobe, isso afeta o consumo, assim como o interesse por acessar serviços, disse. “Essa taxa de desocupação [desemprego, em baixa], por si só, não vai sustentar o consumo. Naturalmente, as famílias vão optar por deixar de adquirir serviços que não são essenciais”, projetou. E, no entendimento do economista, os empresários do setor de serviços também já percebem a possibilidade desse cenário de menor consumo de serviços nos próximos meses. O especialista, assim, não estima retomada da confiança de serviços em 2026. Nem mesmo a retomada de corte, pelo Banco Central (BC), na taxa básica de juros (Selic) deve mudar essa perspectiva, acrescentou. “[Mesmo com corte na Selic] os juros seguem em patamar muito elevado”, disse. “Sabemos que o comprometimento de renda das famílias [com pagamento de dívida] também está no máximo histórico, o endividamento e a inadimplência estão muito elevados”, citou. “O que esperamos é uma redução dessa demanda [por serviços] de maneira transversal na economia”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
Confiança do comércio tem em setembro pior queda em sete meses, diz FGV
Índice caiu 2,9 pontos em setembro, para 81,3 pontos
O Índice de Confiança do Comércio (Icom) da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 2,9 pontos em setembro, para 81,3 pontos, informou na terça-feira (29) a instituição. Além de conduzir o indicador ao menor patamar desde março de 2021 (74,3 pontos), foi a pior queda desde fevereiro deste ano (-4 pontos), alertou Rodolpho Tobler, economista da fundação. O técnico não descartou novos recuos no Icom. Isso porque, disse, um ambiente com juros, endividamento e inadimplência elevados, como o atual, inibe poder de compra do consumidor, pontuou. E o varejista tem sentido isso, em suas vendas, disse. Assim, a situação ajuda a derrubar o humor do empresariado, com reflexo no indicador de confiança do setor, notou. O atual ritmo mais desfavorável em vendas no comércio também foi captado por um dos dois tópicos usados para cálculo do Icom, acrescentou. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 5,2 pontos em setembro, para 80,3 pontos. Foi o recuo mais intenso desde novembro de 2022 (-6,1 pontos). Esse resultado ocorreu no contexto em que as expectativas também não melhoraram. O Índice de Expectativas (IE) caiu 0,5 ponto em setembro, para 83,3 pontos. O orçamento mais apertado das famílias, em setembro, é o que mais explica os resultados ruins, disse. “O comércio, com resultado um pouco mais negativo, tem muito a ver com o consumo das famílias. Até o resultado do PIB no segundo trimestre já mostrou o consumo das famílias mais fraco do que se esperava”, recordou. Ele se refere ao fato de que, de abril a junho, o consumo das famílias caiu 0,4% ante o primeiro trimestre, informou no início de setembro o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “De fato, não se tem tido espaço muito grande para consumo”, notou. Tobler comentou que os mais recentes resultados de mercado de trabalho, embora mostrem taxa de desemprego em baixa histórica, também sinalizam que a renda originada do trabalho, principal esteio para o poder aquisitivo do brasileiro, não cresce mais tanto quanto no passado. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto foi de 5,3%, a menor para o período em série histórica iniciada em 2012, informou o IBGE, também na terça-feira (29). Mas a renda real, de todos os trabalhos, ficou estável no trimestre até agosto, ante trimestre anterior, lembrou. “Quando olhamos essa questão da renda das famílias, ela tem ‘andado de lado'”, disse. “E ao mesmo tempo temos visto uma piora nos indicadores de endividamento, no de comprometimento de renda [mensal, para pagar dívidas]”, disse. Também na terça-feira (29) o Banco Central (BC) divulgou as mais recentes estatísticas monetárias e de crédito. Nelas, a taxa de inadimplência média das operações de crédito ficou em 5% em agosto, recorde em série iniciada em 2011. Já a taxa de endividamento das famílias com o sistema financeiro também foi recorde, e ficou em 49,9% em julho. E o comprometimento da renda mensal com pagamento de dívidas também foi o maior da série, com fatia de 28,7%. “Quando o comprometimento de renda [com pagamento de dívida] avançava, a renda das pessoas também avançava. Então, não se tinha piora acentuada no orçamento das famílias”, disse. “Mas agora, não temos visto aumento tão grande da renda. Mas as contas estão apertando porque o comprometimento de renda [com dívidas] está aumentando, porque o endividamento está aumentando e a inadimplência está aumentando”, disse. “Assim, quando olhamos o cenário do comércio, desde o início do ano, tem mostrado realmente perda de força [em vendas]”, afirmou. O menor ímpeto de negócios no varejo tem sido notado na desaceleração do ritmo de abertura de vagas, acrescentou o técnico. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), registro oficial do governo para monitorar as admissões e demissões de trabalhadores com carteira assinada (regime CLT), mostrou perda de 2.000 vagas formais em julho no comércio, lembrou. Assim, como os fatores de endividamento, inadimplência e juros elevados são de difícil resolução em curto prazo, o especialista não espera retomada da confiança do comércio ainda este ano. “Este ano tem sido de confiança mais baixa para o comércio do que foi no final de 2025”, disse, a informar que o Icom, atualmente, se posiciona quase dez pontos abaixo do observado em dezembro de 2025 (90,1 pontos). Então, creio que a tendência é que a encerremos 2026 com confiança em baixa”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
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