Ano 1 | nº 225 | 23 de setembro 2026
NOTÍCIAS
O consumidor não parou de comprar lácteos: veja o que mudou de fato segundo o Radar do Consumo
Dados mostram alta na variedade de lácteos vendidos em 2026, enquanto a inflação do leite UHT retém o volume total.
O mercado de lácteos no Brasil tem apresentado sinais de recuperação gradual ao longo de 2026, embora ainda acumule uma retração no volume total no ano. Segundo dados do Radar do Consumo, publicado pelo Observatório do Consumidor da Embrapa, o desempenho registrado em agosto apontou não apenas um crescimento no volume pontual, mas uma expansão mais bem distribuída entre os diferentes segmentos do setor, indicando uma reação ampla da demanda. Enquanto nos primeiros meses do ano o crescimento observado ficou restrito a poucas categorias de grande porte, o cenário em agosto mostrou uma mudança relevante de dinâmica. Para medir a abrangência dessa recuperação, avalia-se a proporção de linhas de produtos em alta por meio do Índice de Difusão do Consumo Lácteo, calculado com metodologia similar aos índices de difusão de produção do IBGE e de preços do Banco Central. Das 43 linhas de produtos acompanhadas, 26 registraram avanço nas vendas em agosto em comparação ao mesmo mês do ano passado. Essa taxa de 60,4% representa o maior resultado do ano e a única leitura acima da marca de 50%. A comparação com março evidencia a diferença do momento atual: embora 8 das 13 grandes categorias agregadas mostrassem alta naquele mês, no detalhamento por produto a taxa de difusão foi de apenas 46,5%. Essa distinção é decisiva para o setor, pois uma alta concentrada em poucas categorias costuma ser vulnerável e passageira, enquanto uma expansão disseminada indica que a demanda reagiu em várias frentes de forma simultânea, sugerindo um movimento estrutural e não apenas um efeito isolado de promoção, preço ou sazonalidade. Apesar da melhoria na amplitude do crescimento, o volume acumulado de consumo de lácteos ainda apresenta queda de 3,3% entre janeiro e agosto de 2026, em um cenário onde o preço real praticamente não se moveu, registrando variação de -0,5%. No entanto, o fator central para entender esse número acumulado está no desempenho isolado do leite longa vida. Por responder por 57,1% de todo o volume vendido do segmento, o leite UHT sozinho é responsável por 92% de toda a perda de volume acumulada no ano, pressionado por um preço que subiu 15,6% em doze meses. Ao retirar o leite longa vida do cálculo geral, o restante do mercado de lácteos fecha agosto com crescimento de 3,1% no volume vendido em relação ao mesmo mês do ano anterior, marcando o melhor resultado em doze meses e demonstrando que os demais derivados vêm em trajetória de recuperação consistente. As oscilações de consumo entre as diferentes linhas apontam para reorganizações claras no orçamento e nas escolhas das famílias. O leite em pó, por exemplo, registrou alta de 28,3% no mês, impulsionado por um preço 6,6% menor em doze meses e por um ganho de preferência junto ao público voltado para saúde e esportes. Já os iogurtes e bebidas lácteas vêm crescendo puxados por nichos específicos, como as opções proteicas e sem lactose, em vez de uma alta generalizada de toda a categoria. Na ponta oposta, produtos como a mistura láctea condensada registraram queda de 21,8% em agosto. Em vez de migrar para os substitutos mais econômicos, o consumidor pressionado optou por reduzir a frequência de compra do produto tradicional. O comportamento do segmento sem lactose também ilustra como a demanda tem se transformado. Depois de quatro anos como a categoria de maior crescimento contínuo, o leite líquido sem lactose acumulou queda de 1,8% no volume no ano, acompanhado pelo maior aumento de preço de todo o painel, próximo a 20%. Isso não significa que o consumidor abandonou o atributo, mas sim que a busca por ele mudou de categoria. Em agosto, enquanto o queijo sem lactose recuou 8,5%, o iogurte sem lactose cresceu 48,9% e a versão grega sem lactose avançou 35,5%. Esse movimento revela dois perfis distintos de compra: o consumidor por restrição médica, que depende do leite líquido e reduz o volume quando o preço sobe, e o consumidor por preferência ou estilo de vida, que busca valor agregado e decide trocar de item dentro do mesmo atributo, migrando do leite para categorias onde percebe maior benefício, como os iogurtes. O panorama geral indica que o consumidor não está simplesmente abandonando o consumo de lácteos, mas reorganizando ativamente suas escolhas. Ele altera formatos quando o preço do item básico encarece, transfere a busca por atributos funcionais para outros tipos de derivados e sustenta o crescimento do setor nos pontos do portfólio onde percebe maior valor real.
OBSERVATÓRIO DO CONSUMIDOR/MILKPOINT
EMPRESAS
PIRACANJUBA: COMO A TECNOLOGIA MUDA A PRODUÇÃO DE MUÇARELA EM NOVA FÁBRICA NO PARANÁ
Uma nova planta no Paraná combina processamento, automação e um sistema capaz de modificar a composição do leite antes da fabricação. A produção em grande escala ganhou uma etapa capaz de ajustar a composição do leite e abre espaço para novas linhas industriais.
A nova fábrica de queijos no Paraná foi projetada para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia e usa um sistema de membranas que atua antes da fabricação da muçarela. Uma fábrica de queijos no Paraná passou a operar com uma tecnologia da Tetra Pak que interfere em uma etapa anterior à fabricação da muçarela. Em São Jorge d’Oeste, a nova unidade do Grupo Piracanjuba utiliza um sistema de membranas para ajustar a proporção entre caseína e gordura do leite recebido. Segundo a Tetra Pak, é a primeira instalação desse tipo da empresa em operação no Brasil. O detalhe é relevante porque a tecnologia não está associada apenas ao funcionamento dos equipamentos da fábrica. Ela atua sobre a própria matéria-prima antes que ela chegue à fabricação do queijo. A unidade tem 54 mil m² de área construída e capacidade para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia. Atualmente, produz manteiga e queijo muçarela, tanto em peças quanto fatiado. O sistema de membranas é uma das principais particularidades tecnológicas da planta. De acordo com o material da Tetra Pak citado na fonte, esse tipo de filtração permite fracionar os componentes do leite sem utilizar calor. Na nova unidade, a tecnologia é utilizada para ajustar a proporção entre caseína e gordura. Esse controle está diretamente relacionado à padronização da muçarela produzida na fábrica. A planta também recebeu sistemas para receber e armazenar o leite, estocar soro, realizar a higienização das linhas pelo sistema CIP, além de equipamentos para pasteurização e padronização. Ou seja, a tecnologia não aparece em um único ponto da operação. Ela faz parte de uma estrutura industrial pensada para controlar diferentes etapas do processamento. A participação da Tetra Pak começou ainda na fase de engenharia. A empresa conduziu um Engineering Work Agreement (EWA), reunindo especialistas do Brasil e de outros países com uma equipe multidisciplinar da Piracanjuba. O trabalho serviu para definir capacidade produtiva, fluxos de processo e escolha dos equipamentos antes da instalação da estrutura industrial. Esse planejamento ajuda a explicar uma característica da unidade: ela não foi concebida apenas para a produção atual. A estrutura já foi preparada para receber novas linhas de produção. A capacidade instalada chega a 39,4 mil toneladas de muçarela e 7,9 mil toneladas de manteiga por ano. O investimento total no complexo chegou a R$ 612 milhões. A obra começou em dezembro de 2021 e gerou cerca de 250 empregos diretos na região. Na mesma área, o grupo avança com uma segunda planta destinada à produção de concentrados proteicos de soro e lactose em pó. O projeto conta com financiamento de R$ 499 milhões do BNDES, embora o grupo ainda não tenha informado quando a operação começará. A primeira unidade também recupera água utilizada no processo e produz biogás para gerar parte da energia consumida. Assim, o caso de São Jorge d’Oeste mostra uma mudança importante na lógica da planta: a tecnologia não entra apenas para automatizar equipamentos ou aumentar a capacidade. Neste caso, ela também atua sobre o leite antes de o produto chegar à etapa de fabricação do queijo. E é justamente nessa etapa que está uma das principais novidades da unidade: a possibilidade de trabalhar a composição do leite para buscar maior padronização da muçarela em uma operação industrial de grande escala.
Automação industrial
INTERNACIONAL
DO LEITE INTEGRAL AO LEITE A2, AS ESCOLHAS QUE MOVIMENTAM O MERCADO DOS EUA
O carrinho mudou e os números revelam uma transformação que vai muito além do consumo tradicional de leite. Uma geração mais jovem já participa das decisões de compra e ajuda a mudar o lugar do leite no supermercado. Leite ganha espaço nos EUA com proteína, lactose zero e novas escolhas.
O leite continua presente em grande parte dos lares dos Estados Unidos, mas os dados de consumo mostram que sua expansão passa cada vez mais por diferentes formatos, necessidades e ocasiões. Segundo dados da Circana citados pela MilkPEP, 92% dos lares norte-americanos compram leite e 63% o consomem em um dia médio. O dado mais interessante, porém, aparece quando o leite é observado dentro do carrinho. Cestas que incluem leite apresentam valor quase duas vezes maior do que aquelas sem leite: US$ 88,79 por viagem, contra US$ 46,23, de acordo com dados da Circana Panel para o total dos Estados Unidos. E existe outro movimento que chama atenção: leite e bebidas vegetais não aparecem necessariamente como escolhas concorrentes. Entre os lares que compram bebidas à base de plantas, 85% também compram leite. Segundo a MilkPEP, esses consumidores apresentam cestas maiores no conjunto das compras. A mesma lógica aparece dentro da própria categoria. Famílias que compram leite tradicional junto com opções de maior valor agregado, como versões sem lactose ou ultrafiltradas, compram quase 30% mais leites do que a média dos lares consumidores da categoria. Em vez de uma escolha substituir automaticamente outra, os dados apontam para consumidores montando uma espécie de portfólio de leites para diferentes necessidades: consumo cotidiano, maior ingestão de proteína, opções sem lactose ou benefícios funcionais. Essa mudança também envolve quem participa da decisão de compra. A Geração Alpha já influencia as escolhas das famílias. Segundo dados da Circana citados pela MilkPEP, 74% dos pais dizem envolver os filhos nas compras de supermercado, inclusive na seleção dos produtos. Três em cada quatro crianças consomem leite diariamente. A bebida é a segunda mais consumida por elas, atrás apenas da água, enquanto 95% dos lares com crianças compram leite todos os anos. A percepção também é positiva: 65% consideram o leite real e saudável, e 57% dizem que está entre suas bebidas favoritas. Para a categoria, o peso desse público aparece também nos gastos. Lares com crianças gastam mais de 1,6 vez o valor destinado ao leite em comparação com lares sem crianças. Mais de um terço desses domicílios compra leite branco com valor agregado. Entre as categorias com maior impulso, a proteína aparece como um dos principais motores de crescimento. O leite integral também vem ganhando espaço à medida que mudam as percepções dos consumidores sobre a gordura láctea. Ao mesmo tempo, produtos como leite sem lactose, ultrafiltrado e A2 atraem consumidores interessados em nutrição personalizada e benefícios funcionais. A oportunidade não está apenas nos tipos de produto, mas também nos momentos de consumo. O café da manhã continua sendo a principal ocasião para o leite. A partir dessa posição, a categoria busca se conectar com uma demanda crescente por alimentos ricos em proteína, nutritivos e convenientes.
DAIRY REPORTER
ECONOMIA
Dólar fecha estável ante real em meio à expectativa de acordo entre EUA e Irã
Após oscilar em margens estreitas, o dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade ante o real, em uma sessão marcada pela expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,08%, a R$5,1040. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,01%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,21% na B3, aos R$5,1115. O Copom defendeu na ata a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação. “Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou o BC. Ao analisar o documento, a economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Natalie Victal, citou um “ganho de convicção na desaceleração da atividade”. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a ata indicou que o Copom está confiante no processo de desinflação da economia. “Apesar do nosso cenário base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões, impondo um viés baixista para a nossa projeção”, disse Lin em comentário escrito. Durante o restante da manhã e à tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força gradativamente, virando para o negativo, ainda que as oscilações fossem limitadas. O movimento ocorreu em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Ao mesmo tempo, afirmou que pode “aniquilar a República Islâmica” se um acordo de paz não for alcançado. Após o discurso, Trump disse a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião “muito boa”, de três horas, na terça-feira. Às 16h35, já após os comentários de Trump, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,0976 (-0,20%), para depois retornar para perto da estabilidade. “O dólar passou por oscilações durante o dia, mas manteve-se em um patamar comportado e refletindo a menor aversão ao risco por parte dos investidores frente ao cenário externo”, disse à tarde Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, em comentário escrito.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta após dia volátil, com melhora externa
Indicação do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos estão avançando em direção a um acordo com o Irã ajuda a alimentar maior apetite por risco
Depois de passar a metade do pregão no campo negativo, o Ibovespa mudou de direção durante a tarde após a indicação do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos estão avançando em direção a um acordo com o Irã, o que ajudou a alimentar um maior apetite por risco nos mercados acionários. A melhora no ambiente externo ocorreu mesmo depois de Trump ter ameaçado “aniquilar” o Irã e “empurrá-lo para o inferno” durante a manhã. Com a virada no humor dos mercados durante a tarde, as blue chips também ganharam força, o que ajudou a intensificar os ganhos do índice. Com isso, após variar entre os 184.977 pontos e os 187.672 pontos, o Ibovespa fechou em alta de 0,44%, aos 187.423 pontos. Entre as blue chips, as PN do Bradesco foram destaque de alta, ao subir 1,49%. Da mesma forma, as preferenciais da Petrobras avançaram 0,73%, ao passo que as ON da Vale ganharam 0,39%. Na ponta contrária, as ordinárias do Banco do Brasil lideraram as perdas, com recuo de 1,39%. Ações de petroleiras chegaram a liderar as maiores perdas do Ibovespa ao longo da sessão, mas viraram e passaram a ficar entre os maiores ganhos, caso da Brava. No fim, as ON da companhia subiram 2,82%, na contramão do recuo nos contratos futuros do Brent para novembro, que voltaram a fechar abaixo de US$ 100 por barril. “Uma normalização mais consistente do fluxo por [Estreito de] Ormuz reduziria a pressão sobre a inflação e poderia permitir uma descompressão adicional das curvas de juros, especialmente após a forte alta observada nas últimas semanas”, destacou a Monte Bravo, em nota. O dia também foi marcado pelas declarações de Lula na abertura da Assembleia da ONU, de que não cederá a pressões de multinacionais sobre o Pix e endurecerá o tom contra as bets. Ainda assim, a reação dos mercados ao discurso de Lula e ao de Trump foi bastante tímida. Embora o cenário externo tenha pesado mais sobre o cenário local hoje, as eleições permaneceram no foco dos agentes, com apenas nove pregões antes do pleito, em 4 de outubro. Para a Monte Bravo, a disputa segue extremamente apertada.
VALOR ECONÔMICO
Arrecadação federal ultrapassa R$ 2 trilhões em oito meses
O governo federal acumula arrecadação de R$ 2,019 trilhões, de janeiro a agosto de 2026, segundo dados divulgados na terça-feira (22) pela Receita Federal. Além da inflação medida pelo IPCA, para o período, o valor representa crescimento de 7,12% na comparação com os mesmos oito meses de 2025.
Em agosto, a arrecadação federal alcançou R$ 235,5 bilhões. O valor representa alta acima de inflação de 8,25% em relação a agosto do último ano. Desse total, R$227,8 bilhões arrecadados são administrados pela Receita Federal, excluídos os fatores não recorrentes e de alterações na legislação. De acordo com análise divulgada pelo órgão, os acréscimos são resultado do aumento na arrecadação da contribuição para a Previdência Social, Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que reflete o aumento das vendas. Também o avanço nas arrecadações do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), além do desempenho da arrecadação do Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), foi determinante nos resultados apresentados. Neste mês, o Imposto de Exportação sobre óleo bruto também teve destaque entre os fatores que alavancaram os resultados, com arrecadação de R$1,9 bilhão em agosto, o que resultou no acumulado de R$9,9 bilhões de janeiro a agosto de 2026.
AGÊNCIA BRASIL
Governo reduz para 2% o crescimento do PIB e espera inflação menor em 2026
O Ministério da Fazenda reduziu sua projeção oficial para o crescimento da economia em 2026, de 2,3% para 2%, e cortou a estimativa de inflação de 5,1% para 4,9%. As novas projeções, divulgadas na terça-feira (22) no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), indicam desaceleração da atividade econômica nos setores de serviços e indústria. A inflação, apesar da melhora, deva continuar acima do teto da meta.
A atividade econômica de 2026 deve crescer 2%, abaixo do esperado. A revisão na estimativa do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,3% para 2,0%, foi motivada por uma piora nas projeções para os setores de serviços (de 2,4% para 1,8%) e indústria (de 2,1% para 1,7%), parcialmente compensada por melhora na agropecuária (de 1,8% para 2,8%). A desaceleração é resultado da “transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica”. O boletim indica que o efeito dos juros altos sobre o consumo e o investimento está sendo mais sentido. O comprometimento da renda das famílias “atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo”, diz o texto. A projeção de inflação para 2026 recuou para 4,9%, mas ainda supera a meta. A revisão para baixo reflete resultados melhores que o esperado para os preços de alimentos no domicílio e de alguns serviços até julho. Mesmo com a melhora, a estimativa do governo para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) continua acima do limite máximo de 4,5% perseguido pelo Banco Central (meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto). Para o INPC, usado no reajuste do salário-mínimo, a projeção caiu de 5,3% para 5,1%. A Fazenda, no entanto, alerta para fatores de risco que podem pressionar os preços, como o fenômeno El Niño e a alta do petróleo devido a conflitos internacionais, que “elevou as incertezas quanto aos efeitos de segunda ordem da alta do preço do petróleo sobre outras cadeias produtivas”, diz a SPE. Para 2027, o governo projeta um crescimento menor, com inflação maior. O boletim também ajustou as expectativas para o ano que vem, revisando o crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% e elevando a projeção de inflação de 3,6% para 3,8%. A piora no cenário de preços de 2027 é justificada “refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano”. O documento também projeta possível reversão no ciclo pecuário que pode encarecer as carnes. A atividade econômica mais fraca, por sua vez, reflete um ciclo de queda de juros “marginalmente mais gradual do que o previsto anteriormente”, o que adia parte da recuperação da economia para os anos seguintes. A alta internacional do petróleo deixou de ser um movimento pontual para se tornar persistente. De acordo com Débora Freire, secretária de Política Econômica, o preço do barril de Brent superou os US$ 100, bem acima da média anual de US$ 79 prevista anteriormente. A queda rápida nos estoques de petróleo eleva o prêmio de risco e pressiona juros de longo prazo. A secretária explicou que o cenário global é de incerteza e exige o monitoramento constante das decisões econômicas. A forte emissão de dívidas ligadas à IA nos EUA gera uma expressiva concorrência por poupança. Esse ciclo de investimentos na área de tecnologia pressiona os custos e as taxas de juros de longo prazo americanas. A política do Fed (Federal Reserve) de elevar as taxas de juros reflete diretamente no custo do dinheiro de outros países. A expectativa do banco central norte-americano é que ocorra mais um aumento de juros ainda este ano. A perda de ritmo da economia da China causa uma reação no mercado do Brasil. “Para nós o efeito é misto: deve tornar mais barata a importação de máquinas e equipamentos, mas o crescimento concentrado nesses setores na China desaquece a exportação de commodities”, afirmou Freire. A desaceleração da economia do país deve continuar ao longo do terceiro trimestre. Freire avaliou o resultado do segundo trimestre como “uma atividade no segundo trimestre em desaceleração em razão dos efeitos defasados da política monetária”. A produção agropecuária nacional começa a dar sinais de estabilização. “A gente está esperando, portanto, desaceleração [do setor] no terceiro trimestre”, projetou a secretária de Política Econômica.
MINISTÉRIO DA FAZENDA
Varejo brasileiro cresce 7% em agosto, diz Stone
As vendas no varejo brasileiro em agosto foram 7% maiores do que o registrado no mesmo mês do ano passado, e cresceram 0,5% na comparação com julho, segundo dados divulgados pela empresa de meios de pagamento Stone na terça-feira (22).
De acordo com o levantamento mensal da empresa, cinco dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento de vendas em agosto. O maior avanço foi observado na categoria de Combustíveis e Lubrificantes (2,7%), seguido por Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (1,6%). Já no comparativo anual, sete dos oito segmentos analisados apresentaram alta. Assim como na base mensal, os maiores avanços foram observados em Combustíveis e Lubrificantes (15,2%) e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (8,5%). Olhando para as regiões do país, 25 estados apresentaram crescimento em agosto, na comparação anual, sendo o maior avanço no Amazonas (21,8%). Ao mesmo tempo, dois estados registraram queda, sendo eles: Espírito Santo (0,4%) e Rio Grande do Sul (1,6%).
Reuters
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