Ano 1 | nº 216 | 10 de setembro 2026
NOTÍCIAS
Tecnologia encurta caminho entre análise do leite e decisão no campo
Equipamento portátil apresenta resultados em cerca de 35 segundos e permite monitorar gordura, proteína, lactose, sólidos totais e CCS diretamente no campo.
Uma tecnologia desenvolvida para aproximar o laboratório da rotina da propriedade rural foi apresentada no Paraná como uma nova ferramenta para o monitoramento da qualidade do leite. O pré-lançamento do Zeit Qualis ocorreu no Espaço Impulso, iniciativa da Coopavel em parceria com o Itaipu Parquetec, em Cascavel, durante encontro com produtores rurais e técnicos. Desenvolvido pela startup gaúcha Zeit, o equipamento portátil permite realizar análises do leite diretamente na propriedade e apresentar os resultados em cerca de 35 segundos. A tecnologia funciona conectada ao celular e não depende de internet para fazer a leitura. Quando há conexão disponível, os dados podem ser enviados para uma plataforma digital, onde ficam armazenados para acompanhamento dos indicadores e formação de um histórico do rebanho. O desenvolvimento levou mais de três anos e partiu de uma dificuldade identificada pelos pesquisadores: embora análises laboratoriais forneçam informações detalhadas sobre a qualidade do leite, o intervalo entre a coleta e o acesso aos resultados pode limitar a capacidade de resposta do produtor. Entre os parâmetros avaliados pelo equipamento estão gordura, proteína, lactose, sólidos totais e CCS (contagem de células somáticas). As informações permitem acompanhar alterações na composição do leite e podem auxiliar decisões relacionadas à nutrição, à saúde dos animais e ao manejo. “Levamos o laboratório para o campo”, resume o cofundador e CEO da Zeit, Renan Buque Renan Buque Pardinho, doutor em Ciências. Segundo ele, a proposta é disponibilizar informações que possam ser utilizadas não apenas pelo produtor, mas também por técnicos, nutricionistas, veterinários e outros profissionais envolvidos na produção. A análise pode ser feita a partir do leite armazenado no tanque, que representa a produção conjunta dos animais, ou individualmente, quando a propriedade possui sistema de coleta por animal. No segundo caso, o produtor consegue comparar os resultados entre animais e identificar diferenças dentro do rebanho. Na prática, os dados podem ser utilizados para verificar, por exemplo, se a dieta está produzindo o resultado esperado ou se determinado animal apresenta alterações que merecem investigação. O acompanhamento da composição do leite também pode ter impacto direto sobre a remuneração em sistemas que adotam critérios de qualidade. “Se o produtor não está produzindo mais sólidos no leite, ele está perdendo dinheiro”, afirma Pardinho. A Zeit surgiu em Santa Maria (RS) a partir de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e foi formalizada em 2020. Desde então, a empresa vem realizando testes de campo com produtores parceiros para avaliar o desempenho da tecnologia em condições reais de produção. A Coopavel também participa dessa etapa de avaliação. A previsão é que o equipamento comece a ser comercializado a partir de setembro. A proposta de levar a análise para dentro da propriedade acompanha uma mudança na forma como a qualidade do leite é utilizada na gestão da atividade. Em vez de depender exclusivamente de informações obtidas posteriormente em laboratório, o produtor passa a ter acesso mais rápido a indicadores que podem orientar decisões durante a própria rotina do rebanho.
O Presente Rural
Grupo que furtou 2 mil cabeças de gado é alvo de megaoperação policial no Paraná: prejuízo estimado é de R$ 10 milhões
A investigação policial apurou que, desde 2019, o grupo furtou mais de dois mil animais e causou um prejuízo estimado em R$ 10 milhões.
Na manhã de 09 de setembro, um grupo especializado em furto de gado foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Paraná. A investigação policial apurou que, desde 2019, o grupo furtou mais de dois mil animais e causou um prejuízo estimado em R$ 10 milhões. No total, foram expedidos 17 mandados de prisão e 47 mandados de busca e apreensão. Deste número, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e houve sete prisões em flagrante. A polícia apreendeu oito armas de fogo, 210 munições, dois caminhões e objetos de marcação de gado. Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados oficialmente. A investigação começou a partir do furto de 29 cabeças de gado no dia 13 de agosto de 2025, em Alto Paraná. A partir disso, a investigação policial identificou a estrutura criminosa que também realiza o transporte e a comercialização do animal. São apurados crimes de organização criminosa, furto qualificado de semoventes (animais para produção rural), receptação, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e contra a saúde pública. De acordo com a polícia, o grupo é composto por cerca de 40 pessoas. Elas se dividiam para realizar cinco tarefas: Reconhecimento prévio das propriedades; Execução dos furtos; Apoio logístico; Fraude documental para conferir aparência de licitude aos animais furtados; Escoamento do rebanho para receptadores e leilões.
G1/PR
EMPRESAS
Chocolate combina com queijo? Marca inova e coleciona prêmios com mistura
Proprietária da Cacau do Céu diz que ideia é provocar paladar do consumidor. Produtos criam experiência de degustação em que o ponto alto é o contraste entre os sabores
Protagonistas de diversas receitas da culinária mundial, o chocolate e o queijo costumam ocupar lugares bem diferentes à mesa. Enquanto o doce é mais associado às sobremesas, a iguaria láctea aparece em preparações que vão do café da manhã ao almoço, além de marcar presença em pratos sofisticados servidos no jantar. Para a marca Cacau do Céu Chocolates, de Ilhéus (BA), essa separação é coisa do passado. Os dois ingredientes passaram a dividir espaço em barras que surpreenderam não apenas os clientes, mas também jurados de competições internacionais. Na mais recente delas, a etapa Bean-to-Bar e Craft Chocolatier das Américas do International Chocolate Awards, considerado o Oscar do chocolate, realizada em agosto, o Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite conquistou a medalha de prata. Já o Chocolate Branco ao Leite com Queijo Azul ficou com o bronze. A empresária e chocolate maker Marcela Tavares explica à Globo Rural que a ideia de unir chocolate e queijo começou com um bombom com queijo tipo gorgonzola. Até chegar à produção das barras, porém, foram necessários anos de desenvolvimento e investimento financeiro. “Esse produto se tornou um dos nossos carros-chefes. Acho que foi ali que percebi como o contraste entre o chocolate e um queijo de personalidade poderia funcionar muito bem. Mas o bombom tinha um recheio à base de ganache e, por causa da presença de água, não era possível simplesmente colocá-lo na barra e manter a estabilidade e vida de prateleira”. Um dos principais desafios para transformar o projeto em realidade foi encontrar uma solução técnica para a liofilização do queijo. O processo, que retira a água do alimento, exige equipamentos específicos para que o ingrediente possa ser incorporado ao chocolate sem comprometer a qualidade. “Chocolate e umidade não combinam, mas, depois de liofilizado, conseguimos trabalhar o queijo de uma maneira que preserva as características sensoriais. Eu já queria fazer do bombom uma barra quando ainda produzíamos apenas em Ilhéus (BA). E a solução veio com a implantação da nova fábrica – e filial – em Santa Rita do Sapucaí (MG)”. A mudança da Bahia para Minas Gerais, além de proporcionar mais espaço para a produção, colocou a empresária em contato ainda mais próximo com uma cultura fortemente ligada ao queijo e outros derivados do leite. Foi nesse cenário que surgiu a inspiração para combinar os ingredientes das duas regiões brasileiras. “Depois que passamos a dominar esse processo, abriu-se um universo de possibilidades. E estando em Minas, pensei: por que não unir o nosso cacau da Bahia com o queijo e o doce de leite mineiro?” A proposta inicial da marca é provocar o paladar. Os queijos acrescentam notas salgadas e aromáticas ao chocolate e criam uma experiência de degustação em que o ponto alto é o contraste entre os sabores. Depois, a busca é pelo equilíbrio, pois o queijo precisa ser percebido, mas sem se sobrepor ao doce. “No Chocolate com Canastra e Doce de Leite, você tem primeiro a cremosidade e o dulçor, enquanto o doce de leite arredonda essa combinação. Já o outro (com queijo azul) tem uma personalidade diferente, mais intensa e aromática, criando outro tipo de experiência na boca”. Além da medalha no International Chocolate Awards 2026, o Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite recebeu outros quatro reconhecimentos em apenas dois anos. Um deles foi a prata no Academy Of Chocolate Awards 2025 na categoria “Barras de Chocolate Saborizadas”. Muito mais do que o prêmio em si, a felicidade, segundo Marcela, está em ver a combinação, que nasceu de uma ideia pouco convencional, conquistar aprovação e espaço entre consumidores e especialistas. “Chocolate com queijo ainda desperta curiosidade. Algumas pessoas estranham quando ouvem pela primeira vez, mas isso muda quando experimentam. Não buscamos fazer uma barra em que um ingrediente se sobressaia. Existe um equilíbrio. Você reconhece o chocolate e percebe o queijo”, detalha.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
ARGENTINA EXPORTA RECORDE EM LÁCTEOS E O BRASIL É O MAIOR COMPRADOR
Mais da metade de tudo que a Argentina vende de lácteos ao exterior tem um único destino — e o preço médio está caindo.
Um recorde histórico nas exportações argentinas esconde um dado que interessa direto ao produtor e à indústria brasileira. Brasil segue sendo disparado, o principal comprador de lácteos da Argentina — e isso ganha um peso ainda maior em um momento de recorde histórico nas exportações do país vizinho. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil absorveu 51,2% de tudo o que a Argentina vendeu de lácteos ao exterior, segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA). Nenhum outro destino chega perto: na sequência aparecem Argélia (9,9%), Chile (7,6%) e Arábia Saudita (2,5%). Esse protagonismo brasileiro acontece justamente quando as exportações argentinas de lácteos vivem seu melhor momento histórico. Nos primeiros sete meses do ano, a Argentina exportou 259.282 toneladas de produtos lácteos, por um valor de US$ 987 milhões — o equivalente a 1.834,8 milhões de litros de leite (LLeq). Na comparação com o mesmo período de 2025, os aumentos foram de 24,8% em volume, 18,4% em valor e 20,4% em litros equivalentes. Se o ritmo se mantiver, o OCLA projeta que a Argentina pode fechar 2026 exportando cerca de 3,6 bilhões de litros de leite equivalentes, sobre uma produção nacional estimada em 12 bilhões de litros. Na prática, isso significa que uma fatia cada vez maior do leite argentino tem como destino o mercado externo — e o Brasil concentra a maior parte dessa saída. Para quem compra lácteos argentinos, um dado chama atenção: o recorde em volume vem acompanhado de preços médios menores. Entre janeiro e julho, a tonelada exportada saiu, em média, a US$ 3.807 — 5,1% abaixo do valor registrado no mesmo período de 2025. No caso específico do leite em pó, a queda foi ainda mais acentuada: US$ 3.671 por tonelada, 7,1% a menos que um ano antes. É justamente o leite em pó o produto que mais pesa nessa equação. Ele responde por 40,6% do valor exportado pela Argentina no período, com um crescimento em volume de 29,5% frente a 2025. Os queijos vêm em segundo lugar. Julho, especificamente, marcou uma pausa nessa trajetória. Na comparação com junho, as exportações argentinas recuaram 10,9% em toneladas, 7,9% em dólares e 8,8% em litros de leite equivalentes. Mesmo assim, o mês seguiu em alta na comparação anual: 17,4% a mais em volume, 10% a mais em dólares e 5,1% a mais em litros equivalentes na comparação com julho de 2025. O tamanho do fenômeno fica mais claro quando se olha para a fatia da produção que vai para fora do país: em julho, as exportações representaram 23% de toda a produção de leite da Argentina. No acumulado dos sete meses, essa proporção sobe para 28,7% — ou seja, quase três em cada dez litros produzidos no país vizinho seguiram para o mercado externo, com o Brasil como principal ponto de chegada.
infobae/ edairynews
COMPRAS BRASILEIRAS DE LÁCTEOS URUGUAIOS CRESCEM COM QUEDA DA ARGÉLIA
Enquanto um parceiro histórico reduziu compras de forma abrupta, o Brasil ampliou sua fatia no comércio lácteo do país vizinho. Um recuo de quase 90% em um mercado-chave mudou o mapa dos compradores de lácteos do Uruguai — e o Brasil saiu ganhando.
O Brasil se consolidou como o principal comprador de lácteos uruguaios em agosto, respondendo por 30% das colocações externas do setor, com compras de 20 milhões de dólares — um crescimento de 13% frente ao mesmo mês de 2025. O avanço brasileiro ocorreu justamente no mês em que as exportações lácteas do Uruguai registraram forte queda no total, o que reforça o peso relativo do mercado brasileiro dentro da estratégia comercial do país vizinho. De acordo com o informe mensal de comércio exterior de Uruguay XXI, as exportações lácteas uruguaias somaram 64 milhões de dólares em agosto, uma queda de 29% em relação aos 90 milhões de dólares de agosto de 2025. Os lácteos representaram 6% das exportações do mês e ficaram na quarta posição entre os principais produtos vendidos ao exterior pelo Uruguai, atrás da carne bovina, da celulose e da soja. O principal responsável pela retração foi a Argélia, cujas compras despencaram 88% na comparação interanual, caindo de 41 milhões de dólares em agosto de 2025 para apenas 5 milhões de dólares neste ano — uma perda de 36 milhões de dólares em apenas doze meses. Essa queda superou, isoladamente, a soma dos aumentos registrados em outros mercados que ganharam dinamismo no período, como o próprio Brasil, além de México, Venezuela e Arábia Saudita. O recuo argelino também impactou o continente africano como um todo: as vendas de lácteos uruguaios para a África caíram 64% na comparação interanual em agosto, resultado tanto da queda da Argélia quanto da interrupção total das compras da Costa do Marfim, país que havia importado 2,2 milhões de dólares em produtos lácteos no mesmo mês do ano passado. Com a retração argelina, o ranking de destinos se reordenou. A Argélia caiu para o terceiro lugar, com 8% de participação, apesar do peso histórico que o país mantém nas exportações do setor. O México deu o salto mais expressivo do mês: avançou ao segundo posto, com 9% de participação, depois de suas compras crescerem 238% na comparação interanual, até 6 milhões de dólares. A Venezuela ficou em quarto lugar, com 7% de participação, após um aumento de 243% em suas compras, que chegaram a 5 milhões de dólares — um resultado que volta a colocar o mercado venezuelano entre os mais dinâmicos, anos depois de ter sido o principal comprador de leite em pó uruguaio. A Arábia Saudita fechou o top cinco, também com 7% de participação, um crescimento de 57% em suas compras, que somaram 4 milhões de dólares. No segmento de leite em pó integral, o Uruguai exportou quase 11 mil toneladas em agosto, a um valor médio de 3.720 dólares por tonelada — preço praticamente estável em relação a julho, mês em que os embarques haviam alcançado quase 18 mil toneladas. No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, as exportações lácteas uruguaias totalizaram 575 milhões de dólares, um avanço de apenas 1% frente ao mesmo período de 2025 — reflexo direto do fraco desempenho de agosto sobre o resultado anual. Mesmo com a forte queda mensal, a Argélia se manteve como o segundo principal destino no acumulado do ano, com 26% de participação. O Brasil, por sua vez, segue na liderança do ranking anual, concentrando 30% das vendas e acumulando 173 milhões de dólares em compras, um crescimento de 12% sobre igual período de 2025. México, Venezuela e Arábia Saudita completam os mercados de maior crescimento no acumulado, ainda que com volumes bem menores que os dos dois principais compradores: 30 milhões, 22 milhões e 21 milhões de dólares, respectivamente.
Ámbito/edairynews
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em uma sessão marcada pelo acirramento da guerra no Oriente Médio, enquanto no Brasil os investidores estiveram atentos aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,44%, a R$5,1114. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,88%. Às 17h09, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,43% na B3, aos R$5,1350. Na quarta-feira, no entanto, o dia foi de certa recomposição de posições em dólar após os recuos mais recentes. Pela manhã, o ministro do STF Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também foi reintegrado. Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro do STF Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula. No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação. Neste cenário, o petróleo Brent superou os US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio às preocupações com o efeito inflacionário da guerra. Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante o real e outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno. “Novos ataques no Golfo Pérsico levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito. “Parte do movimento (do dólar) também reflete um ajuste técnico depois da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores como fonte de incerteza, o que ajuda a conter um avanço ainda maior do dólar”, acrescentou.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, contaminado pelo viés mais negativo no exterior, com o barril do petróleo superando os US$100.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,93%, a 185.629,04 pontos, tendo marcado 187.362,44 na máxima e 184.810,27 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$26,7 bilhões. Em meio a uma nova escalada nos conflitos no Oriente Médio, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançou para US$101,21 (+3,36%), adicionando preocupações com a oferta da commodity e seus impactos na inflação global. Na visão do especialista em investimentos Augusto Parente, fundador da AW Capital, o movimento do petróleo eleva expectativas de inflação mais alta ao redor do mundo, impactando diretamente a chance de o Federal Reserve subir os juros neste mês. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,48%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,8406% no final do dia, de 4,804% na véspera. A apreensão com os reflexos do avanço do petróleo minou o apetite a risco na sessão, o que corroborou ajustes na bolsa paulista, após desempenho mais robusto na véspera, quando o Ibovespa marcou uma máxima intradia desde o final de abril. Dados da B3 disponibilizados nesta quarta-feira mostraram que o fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras segue positivo, com uma entrada líquida de R$5,3 bilhões em setembro até o dia 4. Brasília também continua ocupando as atenções, com investidores ainda buscando avaliar os efeitos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) na corrida presidencial. Na quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. No final da tarde, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou as decisões de Mendonça e Dino sobre o diretor-geral da PF.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$6,693 bi em setembro até dia 4, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,693 bilhões em setembro até o dia 4, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central. No acumulado do ano até 4 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$9,089 bilhões.
Em todo o mês de agosto, o fluxo foi negativo em US$3,914 bilhões, com o país registrando saída líquida de recursos após quatro meses consecutivos de fluxo positivo. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$6,448 bilhões em setembro até o dia 4. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo no mesmo período foi negativo em US$245 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 31 de agosto a 4 de setembro, saíram do país US$7,511 bilhões líquidos. No acumulado do ano até 4 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$9,089 bilhões.
REUTERS
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