Informativo Sindileite 212 03.09.2026

Ano 1 | nº 212 | 03 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite ao produtor sobe 2,2% no pagamento de agosto

Média nacional chegou a R$2,53 por litro, enquanto captação, ainda abaixo dos níveis do início do ano, mantém os estoques ajustados.

O preço do leite pago ao produtor voltou a subir em agosto, referente ao leite entregue em julho. Apesar da recuperação mensal da captação, a oferta ainda está abaixo dos patamares do início do ano. Para o próximo pagamento, a expectativa é de estabilidade, com viés de baixa, diante das importações elevadas, da demanda limitada e da possibilidade de aumento dos custos de produção.

SCOT CONSULTORIA

EMPRESAS

Cade aprova compra de ativos da A.R.C. pela Italac

Negócio envolve unidades industriais, postos de captação e as marcas Líder e Tânia. A Italac informou que a aquisição tem como objetivo ampliar sua capacidade produtiva, expandir o portfólio de produtos e fortalecer sua presença no mercado nacional

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição pela Italac de ativos da A.R.C. Logística e Alimentos. O negócio havia sido anunciado no dia 14 de agosto, e envolve as unidades industriais de Presidente Prudente (SP), Lobato (PR) e Guaraçaí (SP), além de postos de captação de leite localizados em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O acordo inclui ainda a aquisição das marcas de lácteos Líder e Tânia, controladas pela A.R.C. O valor da transação não foi divulgado. A Italac informou que a aquisição tem como objetivo ampliar sua capacidade produtiva, expandir o portfólio de produtos e fortalecer sua presença no mercado nacional. Já a A.R.C. disse que a venda está alinhada a uma estratégia de reorganização de investimentos de seus acionistas. As marcas Shefa e Gold permanecerão sob controle da A.R.C. e não fazem parte da operação. O Cade avaliou impactos concorrenciais nos mercados de captação de leite in natura, leite UHT, bebidas lácteas, creme de leite, manteiga, queijos e leite em pó. De acordo com o órgão, a participação conjunta das empresas permanece abaixo dos níveis que indicariam risco concorrencial relevante, motivo pelo qual o negócio foi enquadrado no rito sumário e aprovado sem restrições.

VALOR ECONÔMICO

De 12 vacas a 18 mil litros/dia: a estratégia que fez o Grupo De Jager, de castro (PR), crescer no leite

Investir antes de crescer. Foi essa uma das estratégias adotadas pela família De Jager para transformar uma pequena produção de leite em uma operação que hoje ultrapassa 18 mil litros por dia, em Castro (PR).

Investir antes de crescer. Foi essa uma das estratégias adotadas pela família De Jager para transformar uma pequena produção de leite em uma operação que hoje ultrapassa 18 mil litros por dia, em Castro (PR). A entrada na atividade leiteira aconteceu em 2017, quando Felipe de Jager, ainda adolescente, demonstrou interesse em trabalhar com leite. O pai, Frederik de Jager, decidiu abraçar o projeto e iniciou a produção com apenas 12 vacas, utilizando instalações que já existiam na propriedade para a pecuária de corte. Menos de uma década depois, o cenário é completamente diferente. A propriedade conta atualmente com estrutura para aproximadamente 800 vacas e mantém cerca de 440 animais em lactação, enquanto a produção diária de leite supera os 18 mil litros. A expansão, no entanto, não aconteceu simplesmente com o aumento do rebanho. A família optou por antecipar os investimentos em infraestrutura, construindo as instalações necessárias antes de ampliar o número de animais. A estratégia buscou garantir espaço adequado, preservar o bem-estar do rebanho e evitar que o crescimento da produção provocasse superlotação ou limitasse o desempenho dos animais. Para Frederik, a expansão gradual permitiu que a propriedade acompanhasse o aumento do rebanho com uma estrutura compatível com os objetivos traçados pela família. A gestão também ganhou força a partir da parceria com a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, que desde o início da atividade leiteira oferece suporte técnico e orientação nutricional à propriedade. Com a cooperativa responsável pela assistência especializada, coleta e comercialização do leite, a família consegue concentrar seus esforços na gestão da fazenda, no manejo e na expansão do negócio. A assistência técnica também contribui para nivelar as oportunidades entre produtores de diferentes escalas, enquanto a segurança da coleta e da comercialização reduz as incertezas relacionadas ao destino da produção de leite. Na prática, a parceria envolve planejamento nutricional, assistência técnica, logística de coleta e comercialização, dando suporte às decisões tomadas pela família. A produção de leite é apenas uma das atividades do Grupo De Jager. A propriedade também trabalha com lavoura de grãos e suinocultura, estratégia que ajuda a distribuir os riscos e aproveitar diferentes oportunidades dentro do negócio. A gestão é compartilhada entre Frederik, a esposa e os filhos. A participação da nova geração nas decisões também contribui para estruturar o processo de sucessão e manter a família envolvida na definição dos próximos passos da propriedade. Mais do que dividir funções, o modelo busca fazer com que os filhos participem do planejamento e da construção do futuro do negócio. Depois de sair de uma produção de apenas 300 litros de leite por dia para mais de 18 mil litros, a família já estabeleceu o próximo desafio: chegar a 30 mil litros de leite por dia. Para isso, o crescimento continuará sendo conduzido de forma gradual, principalmente por meio da criação de bezerras e novilhas e da expansão controlada do rebanho. A trajetória do Grupo De Jager mostra que o crescimento da produção de leite não depende apenas de aumentar o número de vacas. Infraestrutura, gestão, assistência técnica, diversificação e sucessão familiar formam a base de uma estratégia construída para sustentar a expansão no longo prazo.

portal Brasil 247

NACIONAL

O que levou 55 mil produtores a deixar o leite no RS? Pesquisa da Emater investiga

Pesquisa traça perfil de famílias que deixaram a produção de leite e subsidia ações para o setor.

Pesquisa realizada pela Emater/RS-Ascar em 385 municípios do Rio Grande do Sul, com 571 famílias, buscou compreender por que as famílias migraram da atividade leiteira para outras atividades e os fatores que influenciaram nesta decisão. O levantamento foi apresentado na terça-feira (1/9), durante a 49ª Expointer, no Parque Assis Brasil, em Esteio. A pesquisa surgiu a partir de uma transformação já identificada na série histórica dos relatórios socioeconômicos da cadeia produtiva. Entre 2015 e 2025, mais de 55 mil produtores deixaram de produzir leite comercialmente no Rio Grande do Sul. A pesquisa indica que a decisão de interromper a produção comercial de leite normalmente não acontece por uma causa única. Entre os fatores internos, os maiores percentuais aparecem na penosidade da atividade (66,4%), falta de mão de obra familiar (61,3%) e desinteresse dos filhos (37,8%). A dificuldade para contratar trabalhadores, tanto pelo custo quanto pela disponibilidade, também influencia. Já entre os fatores externos, aparecem com frequência o baixo preço do leite (79,3%), custo de aquisição de insumos (66,7%), e contratação de mão de obra (30,3%). Situações conjunturais podem se somar a essas dificuldades. Uma estiagem, a aposentadoria de um integrante da família ou a saída de um filho da propriedade, por exemplo, podem se transformar no elemento decisivo.
O índice daqueles que não planejam retomar à venda de leite chega a 79,8%, enquanto 16,2% afirmam que não sabem ou talvez retomem essa atividade, e apenas 4% responderam que pensam em voltar a comercializar o leite. A apresentação contou com a participação do presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, e o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Alexandre Scheifler.

Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul

ECONOMIA

Dólar cai por terceira sessão seguida após Flávio se aproximar de Lula em pesquisa

O dólar recuou ante o real na quarta-feira pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral indicar queda na distância numérica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,91%, aos R$5,1065, o menor valor de fechamento desde 7 de agosto, quando marcou R$5,0845. Nas últimas três sessões, a moeda acumulou baixa de 1,72% e, no ano, tem queda de 6,97%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,96% na B3, aos R$5,1380. A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora. No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%. “Independentemente de quem esteja do outro lado, o mercado é mais simpático à candidatura que não seja a do Lula, em função das contas públicas”, resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, citando ainda a disparada da bolsa de ações como um fator favorável à queda do dólar ante o real. “O investidor estrangeiro parece estar voltado para o Brasil”, acrescentou. Bandeira de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário. Apesar dos recuos recentes do dólar, ao considerarem o cenário mais geral, analistas ouvidos em pesquisa da Reuters avaliaram que, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio, a moeda norte-americana deve subir ligeiramente no médio prazo. Em um ano, a previsão mediana é de que o dólar atinja R$5,23. A estimativa foi gerada em consulta a 26 estrategistas de câmbio entre 31 de agosto e 2 de setembro. No exterior, o petróleo Brent chegou a operar em baixa mais cedo, mas voltou a subir durante a sessão, para acima dos US$95 o barril, em um cenário geopolítico ainda conturbado. As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.

REUTERS

Ibovespa salta quase 3% com fluxo estrangeiro

O Ibovespa fechou em alta de quase 3% na quarta-feira, flertando com os 186 mil pontos no melhor momento, endossado por fluxo estrangeiro e expectativas relacionadas à disputa presidencial no país, enquanto o noticiário corporativo teve como destaque reestruturação societária da Azzas 2154, que fez a ação da empresa disparar. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,98%, a 185.073,86 pontos, maior alta percentual em um dia desde março, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 186.028,06 pontos — patamar que não superava desde o começo de maio. Na mínima, registrou 179.733,57 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$36,7 bilhões antes dos ajustes finais. 

REUTERS

Produção industrial no Brasil reverte quedas e volta a crescer em julho, indica IBGE

A produção industrial no Brasil registrou crescimento da produção em julho, após dois meses de perdas, mas iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado.

A produção avançou 0,20% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quarta-feira (2). Foi o melhor resultado para o mês de julho desde 2022 (+1%). Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 0,5% na produção. Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual. “Não é uma mudança de trajetória, mas para de cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não recupera as perdas dos dois meses anteriores”, avaliou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. “Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem”. A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo. “O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias”, completou Macedo. Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%). Já a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% sobre junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minério, segundo o IBGE.

Reuters

Equalização de juros do crédito rural demandará mais orçamento em 2027

As quatro principais modalidades de financiamentos apoiadas pela subvenção da União passarão para R$ 22,9 bilhões. Está previsto um aumento de 21% da verba em relação ao montante estimado para 2026

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2027, encaminhado pelo governo federal nesta semana ao Congresso Nacional, prevê um aumento de 21% da verba destinada ao pagamento da equalização de juros do crédito rural em relação ao montante estimado atualmente no orçamento de 2026. As quatro principais modalidades de financiamentos apoiadas pela subvenção da União passarão dos atuais R$ 18,9 bilhões, após remanejamentos e suplementações feitas ao longo de 2026, para R$ 22,9 bilhões no projeto original para 2027. Na comparação com o orçamento inicial de 2026, que estava em R$ 18,3 bilhões, o incremento é de 24,8% ou R$ 4,5 bilhões. As ações incluem a subvenção do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do custeio agropecuário, dos investimentos agroindustriais e da comercialização. Para 2027, o aumento contempla o valor destinado à equalização de juros das renegociações de dívidas rurais autorizadas pela Medida Provisória 1.376/2026. O gasto do governo com a subvenção ao crédito rural ficou alto por conta da redução nas taxas de juros do Plano Safra 2026/27, anunciado no fim de junho, e da queda ainda lenta da Selic, que mantém grande a diferença entre o custo da operação para os bancos e a taxa favorecida cobrada do produtor na ponta. De acordo com o Observatório do Crédito e Seguro Rural do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro) o reforço é relevante, mas ressaltou que mais de R$ 11,5 bilhões estão condicionados à aprovação de crédito adicional pelo Congresso Nacional para cumprimento da “regra de ouro”, que impede o governo de gastar mais do que arrecada. O órgão apontou ainda que a expansão da verba é concentrada na agricultura familiar. “O Pronaf responde por R$ 2 bilhões do aumento, o custeio por R$ 1,5 bilhão e o investimento rural e agroindustrial por R$ 922 milhões. A comercialização cresce 224,2%, mas parte de uma base de apenas R$ 12,2 milhões”, disse me nota. “O PLOA reforça o crédito rural, mas o valor escrito no orçamento ainda precisa atravessar decisões legislativas e etapas de execução. Para o produtor, a pergunta decisiva é quando o dinheiro subsidiado estará disponível, e não apenas quanto foi anunciado”, opinou Pedro Loyola, coordenador do Observatório. Ele reforçou a crítica de que o orçamento federal “cresce mais no crédito e na equalização do que nas ferramentas que reduzem a probabilidade de inadimplência depois de uma quebra de safra”. A proposta para 2027 prevê queda no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), de R$ 6,6 bilhões para R$ 5,6 bilhões, enquanto o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) sobe de R$ 1,01 bilhão para R$ 1,2 bilhão. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), base técnica usada por crédito, seguro e Proagro, recua de R$ 750 mil para R$ 500 mil. “A boa política não é a que anuncia o maior volume. É a que transforma o subsídio em investimento viável, protege a capacidade de pagamento e reduz a necessidade de socorro público no ciclo seguinte”, concluiu Loyola.

GLOBO RURAL

Saldo ‘problemático’ de crédito rural bate recorde

Ao todo, são R$ 207,4 bilhões em financiamentos em atraso, inadimplentes, prorrogados e renegociados. Segundo os dados do BC, houve avanço, sobretudo, do saldo de operações inadimplentes, ou seja, aquelas não pagas após 90 dias ou mais do vencimento

O saldo problemático do crédito rural bateu recorde em julho em termos percentuais e nominais na série analisada desde agosto de 2020. Ao todo, são R$ 207,4 bilhões em financiamentos em atraso, inadimplentes, prorrogados e renegociados. O montante equivale a 23,5% da carteira total registrada no sistema financeiro nacional, de R$ 881,6 bilhões, segundo dados atualizados do Banco Central. O aumento do saldo com problemas coincide com outra estatística divulgada na semana passada pelo BC, de que a inadimplência no crédito rural para pessoas físicas também foi recorde em julho, em 8,8%. Enquanto isso, produtores relatam dificuldades para renegociar dívidas de acordo com as regras da Medida Provisória 1.376/2026. Segundo os dados do BC, houve avanço, sobretudo, do saldo de operações inadimplentes, ou seja, aquelas não pagas após 90 dias ou mais do vencimento. O valor passou de R$ 38,1 bilhões em junho para R$ 45,7 bilhões em julho. As demais categorias evoluíram de forma marginal. Os financiamentos com atrasos entre 15 e 90 dias passaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões no período; as parcelas prorrogadas saíram de R$ 31,6 bilhões para R$ 32,2 bilhões e as renegociadas, de R$ 106,5 bilhões para R$ 106,9 bilhões. A situação piorou no Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam prejuízos na produção há cinco anos em função de secas e enchentes. O saldo problemático das operações chegou a R$ 44,9 bilhões, 41,6% da carteira total de R$ 108,8 bilhões. Em julho, financiamentos em atrasos praticamente dobraram, para R$ 4,1 bilhões. A maior parte da carteira “problemática” continua adimplente, pois R$ 37,4 bilhões estão em financiamentos prorrogados ou renegociados. Nesses casos, o prazo de pagamento das operações é dilatado antes do vencimento da parcela ou há alteração contratual. Em ambas as situações, o crédito não entra em inadimplência. Mesmo assim, a soma das operações de crédito rural em “curso normal” no Rio Grande do Sul tem caído desde março deste ano, saindo de quase R$ 74 bilhões para R$ 63,8 bilhões em julho. Em Mato Grosso do Sul, a maior parte da carteira total está com problemas. São R$ 19,5 bilhões em operações com atrasos, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas contra R$ 9,5 bilhões de financiamentos em curso normal. Goiás reduziu a carteira problemática para cerca de R$ 20 bilhões e Mato Grosso, para R$ 21,8 bilhões. Enquanto os problemas crescem nas carteiras das instituições financeiras, produtores seguem com dificuldades para acessar as linhas de renegociações de dívidas criadas pela MP 1.376/2026. Há relatos de cobranças de pagamentos de entradas de até 15% do passivo e de exigências de novas garantias para contratar a liquidação do débito. Agricultores reclamam também do não enquadramento de parcelas de custeio já vencidas e investimento adimplentes. Um produtor do Rio Grande do Sul que teve contratos renegociados de custeio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), a 8% ao ano, e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a 5% ao ano, disse que a medida é inócua. Segundo ele, que prefere não se identificar, como há cobrança de IOF nas novas operações, o saldo devedor aumentou. As emissões de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e as operações de crédito rotativo, feitas para rolar dívidas anteriores, também não têm entrado na renegociação e geram críticas do setor. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), relator da MP 1.376, disse que haverá extensão do prazo para prorrogação de parcelas de crédito rural que estão vencendo para que permaneçam adimplentes e possam ser enquadradas na renegociação. Ele teve reuniões nesta semana no Palácio do Planalto sobre o tema, mas ainda não foram conclusivas.

GLOBO RURAL

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