Ano 1 | nº 207 | 27 de agosto 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/PR registra leve ajuste positivo de 0,24% no leite a ser pago em setembro
Segundo o Conseleite do Paraná, o valor do leite a ser pago em setembro registrou um movimento de leve ajuste positivo.
A diretoria do Conseleite Paraná reunida no dia 26 de agosto de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Julho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Agosto de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) em junho/26 e julho/26
| Matéria-prima | Valores finais JUNHO/2026 | Valores finais JULHO/2026 | Variação (Julho – Junho) | |
| (Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26) | (Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,2098 | 3,2986 | 0,0888 | 2,77% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,5475 | 2,6179 | 0,0705 | 2,77% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,3946 | 2,4609 | 0,0662 | 2,77% |
Observações: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural. Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) projetados para julho/26 e agosto/26
| Matéria-prima | Valores projetados JULHO/2026 | Valores projetados AGOSTO/2026 | Variação (Agosto – Julho) | |
| (Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26) | (Leite entregue em Agosto/26 a ser pago em Setembro/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,2769 | 3,2849 | 0,0079 | 0,24% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,6007 | 2,6070 | 0,0063 | 0,24% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,4447 | 2,4506 | 0,0059 | 0,24% |
Observações: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite PR
| Produtos | Jun/26 p/ Jul/26 | Parc. Jul/26 p/ Parc. Ago/26 |
| UHT | 5,30% | -0,36% |
| Mussarela | 3,14% | -4,89% |
| Leite em Pó | 1,01% | 1,79% |
| Demais Produtos | 2,16% | 3,02% |
| Valor de Referência | 2,77% | 0,24% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Agosto de 2026 é de R$ 4,4039/litro.
CONSELEITE/PR
Ranking global de laticínios: quem cresceu e as tendências para 2026
Ranking da RaboResearch mostra avanço de 5,4% no faturamento das 20 maiores empresas de laticínios do mundo.
O mercado global de lácteos está passando por uma nova rodada de transformação — e o ranking das maiores empresas do mundo ajuda a mostrar para onde o setor está caminhando. A mais recente edição do Global Dairy Top 20, relatório da RaboResearch que classifica as maiores empresas de laticínios do planeta, mostra que o faturamento combinado das 20 líderes mundiais cresceu 5,4% em 2025, alcançando US$ 267 bilhões. Mas o dado mais interessante talvez esteja além do crescimento. Enquanto as três primeiras posições permaneceram inalteradas, 13 empresas mudaram de posição no ranking. Duas companhias deixaram a lista e abriram espaço para novas entrantes. Fusões, aquisições, cisões e mudanças estratégicas estão redesenhando rapidamente o mapa da indústria global de lácteos. A mensagem é clara: ser grande continua importante, mas tamanho sozinho já não garante liderança. A francesa Lactalis segue no topo do ranking mundial e ampliou sua distância em relação aos concorrentes após mais um ano marcado por aquisições. A estratégia da companhia reforça uma das principais tendências do setor: a consolidação. Em um mercado cada vez mais competitivo, ganhar escala significa ampliar presença geográfica, fortalecer marcas, aumentar poder de negociação e diluir custos em uma operação global. Logo atrás, a Nestlé manteve a segunda posição. O peso dos lácteos, no entanto, vem diminuindo dentro de um portfólio cada vez mais diversificado, refletindo uma mudança importante na estratégia das grandes multinacionais de alimentos. Na terceira posição permanece a Dairy Farmers of America (DFA). A cooperativa norte-americana continuou expandindo sua capacidade de processamento em um cenário marcado pela volatilidade dos preços do leite nos Estados Unidos. Uma das mudanças mais relevantes do ranking envolve a Arla Foods, que alcançou a quarta posição e estreou no Top 5. O avanço ocorre em meio à fusão com o grupo DMK, movimento que cria a maior cooperativa de laticínios da Europa. A operação é um retrato perfeito do momento vivido pela indústria mundial. Cooperativas e empresas tradicionais enfrentam uma necessidade crescente de ganhar escala para competir globalmente, investir em inovação, atender exigências ambientais e disputar mercados de maior valor agregado. A consolidação também aparece em outros movimentos relevantes, como a fusão entre FrieslandCampina e Milcobel e a sequência de aquisições realizadas pela Lactalis. Mais do que simplesmente aumentar de tamanho, as empresas parecem buscar musculatura financeira e operacional para enfrentar um mercado que exige investimentos cada vez maiores. Ao mesmo tempo em que algumas companhias crescem por meio de fusões, outra tendência ganha força: a especialização. A Fonterra, por exemplo, vem direcionando seu foco para ingredientes e serviços de alimentação. Já empresas como Froneri e Magnum representam a ascensão de modelos de negócio mais concentrados em categorias específicas. É uma mudança significativa na lógica tradicional da indústria. Durante décadas, o objetivo de muitas empresas foi construir grandes portfólios capazes de atender praticamente todas as categorias do mercado. Agora, parte das companhias parece seguir outro caminho: escolher onde pode ser realmente líder. Essa estratégia está diretamente ligada à busca por margens maiores. O crescimento da indústria vem sendo impulsionado, cada vez mais, por segmentos de maior valor agregado, como nutrição, ingredientes proteicos, queijos especiais e produtos lácteos funcionais. Em outras palavras: o futuro do setor pode estar menos em vender simplesmente mais leite e mais em transformar leite em produtos, ingredientes e soluções capazes de gerar mais valor. Apesar de cair um lugar no ranking devido à fusão Arla Foods-DMK, a Danone registrou um sólido crescimento de vendas (like-for-like) de 3,5% em lácteos essenciais & bebidas baseadas em plantas e 7,4% em nutrição especializada. Esses números refletem a alta demanda dos consumidores e o sucesso da estratégia da empresa voltada para a saúde. Com seu portfólio global de iogurtes e laticínios ricos em proteínas, a Danone segue muito bem-posicionada para aproveitar as tendências atuais de consumo. As gigantes chinesas de laticínios, Yili e Mengniu, seguem dominantes, mas navegam em um mercado interno mais maduro e desafiador. A Yili mantém a liderança na China e superou a marca de 100 bilhões de CNY (sigla oficial para o yuan chinês) em vendas pelo quinto ano consecutivo, embora tenha perdido a 5ª posição global devido à fusão da Arla. Já a Mengniu, vice-líder chinesa, subiu para a 9ª posição no ranking global, mas viu seu faturamento cair 7,3% em 2025 devido à concorrência acirrada e menor demanda. O ranking deste ano também trouxe mudanças importantes na composição do Top 20. A saída da DMK, após sua fusão com a Arla Foods e da Unilever, após a cisão de seus negócios de sorvetes, abriu espaço para duas novas empresas: Magnum e Emmi. O movimento mostra como o ranking pode mudar rapidamente quando grandes operações corporativas entram em cena. E essa dança de posições deve continuar. Segundo a análise da RaboResearch, novas transformações são esperadas nos próximos anos, à medida que a consolidação avança e empresas ambiciosas — como a Royal A-ware — seguem em busca de crescimento. A indústria mundial de lácteos está vivendo uma espécie de reorganização silenciosa, entrando em uma nova fase definida pela consolidação, especialização e uma busca incansável pela criação de valor. Após décadas em que o crescimento era impulsionado basicamente pelo aumento do volume de leite e expansão geográfica, o jogo está ficando muito mais complexo. O ranking global continua sendo, naturalmente, uma disputa por faturamento e escala. As maiores empresas continuam crescendo e as cooperativas buscam expansão, o que fica evidente nas grandes transações recentes — como a fusão Arla-DMK e as aquisições lideradas por gigantes como Lactalis e FrieslandCampina. O tamanho ainda é um pré-requisito para a competitividade a longo prazo. No entanto, a estratégia mudou: Multinacionais revisam seus portfólios: empresas estão se afastando da diversificação excessiva. A Nestlé, por exemplo, mantém os laticínios em seu portfólio, mas direciona suas prioridades globais para café, nutrição e pet care. Especialistas ganham espaço: estão surgindo modelos de negócios mais focados. A Fonterra agora se posiciona como líder em ingredientes e foodservice em vez de focar no consumidor final, enquanto categorias de maior valor agregado passam a ter um peso cada vez maior nas estratégias corporativas. Olhando para os movimentos recentes de marcas como a Lactalis, a transformação já está em pleno curso. O leite continua, sem dúvida, no centro do negócio. Mas a verdadeira disputa pelo futuro está cada vez mais na capacidade de transformar essa matéria-prima bruta em valor real.
Rabobank/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar tem leve alta no Brasil após divulgação de dados econômicos dos EUA
O dólar fechou a quarta-feira com leve alta no Brasil e novamente acima dos R$5,15, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior após a após a divulgação de novos dados sobre a economia dos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,23%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%. Às 17h03, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,06% na B3, aos R$5,1570. O Departamento de Comércio dos EUA informou pela manhã que o índice de inflação PCE — bastante observado pelo Federal Reserve em sua política monetária — subiu 0,2% em julho, após cair 0,1% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice subiu 3,7%, repetindo a taxa de junho, mas superando a previsão de 3,6%. O núcleo do PCE subiu 0,2% em julho, em linha com o esperado. Já o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos EUA cresceu 1,5%, também em linha com as expectativas. Na esteira dos números de inflação, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, em meio à avaliação de que o Fed pode ser levado a subir juros no curto prazo para conter a alta de preços. No mercado de câmbio brasileiro, isso se materializou no avanço do dólar ante o real. O fortalecimento do dólar ante o real esteve em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso colombiano e o peso chileno. A moeda norte-americana também avançou ante divisas fortes como o euro e a libra. Às 17h09, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,24%, a 99,148. No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, cedeu 0,40% em agosto, após ter subido 0,06% em julho. A deflação no mês foi maior que o recuo de 0,30% esperado pelo mercado, conforme pesquisa da Reuters. A abertura do indicador, no entanto, não trouxe números tão favoráveis, com aceleração de preços em algumas métricas de serviços e na média dos núcleos de inflação. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,552 bilhões em agosto até o dia 21.
REUTERS
Ibovespa perde fôlego e fecha quase estável após superar 176 mil pontos
O Ibovespa fechou praticamente estável na quarta-feira, perdendo o fôlego após superar os 176 mil pontos no melhor momento do dia, em meio a um ambiente de incertezas que ainda mina o apetite a risco na bolsa paulista.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com acréscimo de 0,01%, a 174.586,26 pontos, após ajustes. Mesmo que marginal, a variação assegurou o sexto fechamento seguido com sinal positivo. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 176.296,49 pontos. Na mínima, marcou 174.208,48 pontos. O volume financeiro somou R$29,8 bilhões. Pesquisa da XP com assessores afiliados à plataforma mostrou uma deterioração significativa do apetite em relação à bolsa em agosto, com os riscos fiscais no Brasil e a incerteza eleitoral entre as maiores preocupações. De acordo com o levantamento, considerando o cenário dos próximos meses, 10% dos participantes afirmaram que seus clientes planejam aumentar a alocação em ações, bem abaixo dos 21% da pesquisa de julho e menor leitura desde maio de 2023. Em paralelo, 17% dos respondentes afirmaram que seus clientes pretendem reduzir a alocação em renda variável, de 14% no mês passado. Dados da B3 sobre a movimentação de estrangeiros na bolsa mostram alguma trégua na pressão vendedora em agosto, com entrada líquida no último dia 24, de R$69 milhões. No pregão anterior, na sexta-feira, as compras superaram as vendas em R$1,76 bilhão. Para o especialista em investimentos Marcos Bassani, sócio fundador da Boa Brasil Capital, trata-se de um fluxo bem pontual, pois “investidores ainda aguardam o fim da guerra (no Oriente Médio) e a definição da eleição presidencial”. No mês, o saldo de capital externo na bolsa segue negativo em R$21,37 bilhões. Na pauta do dia, o IBGE mostrou que o IPCA-15 caiu 0,4% em agosto, após alta de 0,06% em julho. Em 12 meses, subiu 4,24%, de 4,52% um mês antes. Expectativas em pesquisa da Reuters apontavam recuo mensal de 0,3% e alta de 4,34% em 12 meses. Na visão do economista-chefe da Sicredi Asset, Filipe Stona, o IPCA-15 isoladamente não altera de forma estrutural o cenário para a Selic, mas reforça a perspectiva de continuidade do processo gradual de flexibilização monetária, sem indicar, por ora, a necessidade de aceleração do ritmo de cortes. Ele manteve a expectativa de Selic terminal em 13,75% ao ano, com um corte residual na próxima reunião do Copom.
REUTERS
Energia, alimentos e transportes caem e IPCA-15 tem em agosto 1ª deflação em um ano
O IPCA-15 registrou em agosto a primeira deflação em um ano graças às quedas nos preços da energia elétrica, dos alimentos e de transportes, com a taxa em 12 meses indo abaixo do teto da meta do Banco Central. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) caiu 0,40%, após alta de 0,06% em julho, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
A última vez que o índice registrou deflação foi em agosto de 2025, de 0,14%. Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,24% em agosto, contra 4,52% em julho, ficando abaixo do teto da meta pela primeira vez desde abril. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Os resultados foram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,30% na comparação mensal e de alta de 4,34% em 12 meses. Analistas vêm reduzindo suas projeções para a inflação na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. Na mais recente, divulgada na segunda-feira, a projeção para a alta do IPCA este ano era de 5,02%. “Apesar da surpresa baixista estar concentrada em itens mais voláteis, o balanço qualitativo segue benigno no curto prazo. Os núcleos vieram melhores do que o esperado”, disse Leonardo Costa, economista do ASA. No início do mês, o BC cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta reunião seguida, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta. No entanto, um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte. “Para o Banco Central, o resultado é positivo e reduz um pouco a pressão sobre o cenário inflacionário. Mas ainda é cedo para comemorar uma vitória definitiva contra a inflação”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord. “Agora começa o teste de verdade: saber se a inflação continuará desacelerando sem a ajuda dos efeitos sazonais e temporários.” Em agosto, o grupo Habitação registrou deflação de 1,41%, após alta de 0,97% em julho. O resultado se deveu à queda de 6,25% da energia elétrica residencial, principal impacto negativo no índice geral, devido à incorporação do bônus de Itaipu nas faturas de agosto. O bônus é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior. No mês de agosto, a bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Já a queda dos preços de Alimentos e bebidas foi de 0,57% em agosto, depois de recuo de 0,66% no mês anterior. A alimentação no domicílio caiu 0,97%, com destaque para os resultados do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%). Os custos do grupo Transportes, por sua vez, recuaram 1,0% em agosto, depois de alta de 0,11% em julho. Houve queda nos preços da passagem aérea (-13,30%) e dos combustíveis (-1,43%) — etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%). Nas contas de Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, a queda nas passagens aéreas ajudou a inflação de serviços a desacelerar a 0,07%, de 0,41% em julho. O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
REUTERS
Dívida Pública sobe 0,22% em julho e supera R$ 9,2 trilhões
A incidência dos juros da dívida pública impediu a Dívida Pública Federal (DPF) de cair em julho. Segundo números divulgados na quarta-feira (26) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 9,268 trilhões em junho para R$ 9,288 trilhões no mês passado, alta de 0,22%.
Em junho deste ano, o indicador havia superado a barreira de R$ 9 trilhões. Apesar da alta, a dívida pública está abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado na quarta-feira, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 0,31%, passando de R$ 8,921 trilhões em junho para R$ 8,948 trilhões em julho. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 61,91 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em títulos prefixados. A apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros, porém, impediu a queda do endividamento. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 14% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 198,14 bilhões em títulos da DPMFi. Desse total, R$ 124,11 bilhões corresponderam a títulos vinculados à Selic. Os resgates em julho somaram R$ 260,05 bilhões, motivados principalmente pelo elevado volume de vencimentos de títulos prefixados, típicos do primeiro mês de cada trimestre. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 2,12%, passando de R$ 347,71 bilhões em junho para R$ 340,06 bilhões em julho. O principal fator foi a queda de 1,92% do dólar no mês passado. O colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) subiu pelo quarto mês seguido. Essa reserva passou de R$ 1,346 trilhão em junho para R$ 1,346 trilhão em julho, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. Atualmente, o colchão cobre 7,81 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,76 trilhão em títulos federais. Com o vencimento de títulos prefixados, a composição da DPF variou da seguinte forma de junho para julho: Títulos vinculados a Selic: 49,32% para 51,11%; Títulos corrigidos pela inflação: 25,9% para 26,02%; Títulos prefixados: 21,04% para 19,22%; Títulos vinculados ao câmbio: 3,74% para 3,65%. Revisado na quarta-feira, o PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos. Títulos vinculados a Selic: 49% a 53%; Títulos corrigidos pela inflação: 21% a 25%; Títulos prefixados: 20% a 24%; Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%. Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo. Em relação aos papéis vinculados à Selic (juros básicos da economia), esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos juros altos definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa. O prazo médio da DPF subiu de 4,01 para 4,05 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos. A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte: Instituições financeiras: 31,35% do estoque; Fundos de pensão: 22,73%; Fundos de investimentos: 22,23%; Não-residentes (estrangeiros): 9,82%. Demais grupos: 13,87%.
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