Ano 1 | nº 242 | 19 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Leite spot recua em todos os estados, mas queda perde força na segunda quinzena
Maior disponibilidade de leite e pressão sobre os derivados mantêm o mercado spot em baixa, com Minas Gerais registrando a maior retração entre os estados acompanhados.
O mercado de leite spot encerrou a segunda quinzena de outubro com novas quedas nas cotações em todos os estados acompanhados. Apesar da continuidade do movimento de baixa, os recuos foram menos intensos do que os registrados no início do mês. A maior disponibilidade de leite, somada à pressão sobre os preços dos derivados lácteos, segue limitando as cotações. A média nacional (BR) recuou R$ 0,059, para R$ 2,586, por litro. Entre os estados, Minas Gerais apresentou a maior queda, de R$ 0,120, encerrando a quinzena com média de R$ 2,589. Em Goiás, a cotação média ficou em R$ 2,490, após recuo de R$ 0,040. Em São Paulo, o preço médio chegou a R$ 2,843, com baixa de R$ 0,061. No Paraná, a cotação recuou R$ 0,043, para R$ 2,643, enquanto Santa Catarina registrou queda de R$ 0,021, com média de R$ 2,728. No Rio Grande do Sul, o preço médio encerrou o período em R$ 2,437, após redução de R$ 0,020. Assim, embora a pressão de baixa permaneça disseminada pelo mercado spot, a menor intensidade dos ajustes indica uma desaceleração do movimento de queda em relação à primeira quinzena do mês.
MILKPOINT
IMPORTAÇÃO DE LÁCTEOS SOBRE 8,7% EM SETEMBRO E AMPLIA DÉFICIT COMERCIAL
Compras externas chegaram a 243 milhões de litros em equivalente-leite, impulsionadas pela alta nas aquisições de leite em pó desnatado e queijos. Entrada de produtos lácteos estrangeiros no mercado brasileiro cresce em setembro e pressiona a balança comercial da cadeia leiteira.
As importações brasileiras de leite e derivados voltaram a registrar crescimento no mês de setembro de 2026, ampliando a margem negativa da balança comercial do setor lácteo. As aquisições de produtos estrangeiros somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, volume 8,7% superior ao contabilizado em agosto. No mesmo intervalo comparativo, as exportações do país avançaram 6,5%, mas atingiram apenas 5,4 milhões de litros em equivalente-leite. Com a aceleração no ritmo das importações, o déficit da balança comercial de lácteos saltou de aproximadamente 219 milhões de litros em equivalente-leite, em agosto, para 237,6 milhões de litros em setembro. Os números reforçam a expressiva presença dos derivados estrangeiros no abastecimento interno do país. As análises foram publicadas na edição de outubro do boletim Indicadores Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, com dados compilados pelo MilkPoint Mercado via Comex Stat e divulgados pelo portal Balde Branco. A expansão do volume importado foi acompanhada por alterações relevantes nas categorias de produtos adquiridos. O maior destaque ficou com o leite em pó desnatado, cujas compras externas cresceram 26%, revertendo a retração apurada no mês anterior. Já as importações de queijos avançaram 19%, mesmo índice de alta registrado especificamente na categoria da muçarela. Em sentido oposto, as compras de leite em pó integral registraram um recuo de 3%, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de alta. O concentrado proteico de soro de leite (WPC) também teve incremento nas compras, subindo 7,2% ao passar de 546,5 toneladas em agosto para 586 toneladas em setembro. O movimento de alta nas importações reflete a forte disponibilidade de matéria-prima nos países parceiros do Mercosul, principalmente Argentina e Uruguai, o que amplia a concorrência com a produção leiteira nacional. Apesar da disparidade entre as operações de compra e venda, as exportações brasileiras mostraram reação moderada no mês. O principal desempenho positivo veio do soro de leite, que teve uma elevação de 54,1% no volume embarcado ao atingir 1,28 milhão de quilos. Em contrapartida, as exportações de queijos fabricados no Brasil caíram 15,2%. A conjuntura internacional é influenciada pelo câmbio e pela oferta regional. Embora a cotação do dólar em patamares inferiores aos do ano passado facilite a entrada de produtos importados, a valorização das cotações nas praças de origem tem reduzido ligeiramente a margem de competitividade de alguns itens estrangeiros. A evolução desse cenário nos próximos meses dependerá do comportamento dos preços globais e do nível de oferta no mercado doméstico.
A Rede
Empresas
NOVA TECNOLOGIA PROMETE AUMENTAR A PRODUTIVIDADE E REDUZIR OS CUSTOS NA FABRICAÇÃO DE REQUEIJÃO
A indústria de laticínios busca cada vez mais alternativas para aumentar a produtividade, reduzir custos e manter a qualidade dos produtos. Nesse cenário, a Tetra Pak apresenta uma tecnologia voltada à fabricação de requeijão, cream cheese, cremes de queijo e outros produtos cremosos, com potencial para melhorar a eficiência das linhas de produção.
A solução, denominada Tetra Pak High Shear Mixer, utiliza um sistema de mistura de alto cisalhamento que auxilia nas etapas de trituração, fusão, mistura e retirada de ar dos produtos, proporcionando maior homogeneidade, cremosidade e padronização. Segundo a empresa, dependendo da formulação e das características do processo, a tecnologia pode reduzir em aproximadamente 20% a utilização de estabilizantes de textura, mantendo as características desejadas do produto. A redução representa uma oportunidade de economia com ingredientes e maior competitividade para os fabricantes. Outro destaque é o potencial de aumento da produtividade. Em uma aplicação avaliada pela Tetra Pak, o equipamento apresentou ganhos de aproximadamente 145% na capacidade produtiva. A empresa ressalta, entretanto, que os resultados variam conforme a estrutura da fábrica, a formulação utilizada e as condições de operação. Além da produtividade, a tecnologia busca contribuir para a redução do consumo de energia elétrica, água e produtos químicos utilizados na limpeza dos equipamentos, fatores que impactam diretamente os custos de produção. De acordo com Ana Paula Forti, diretora de Processamento da Tetra Pak Brasil, cada indústria possui necessidades específicas, sendo fundamental avaliar as características de cada operação antes de implementar novas soluções. “Nosso papel é compreender essas necessidades e utilizar nossa experiência e nossas tecnologias para ajudar os clientes a encontrar soluções que contribuam para a qualidade dos produtos e a eficiência de suas operações”, destacou. A empresa também oferece suporte técnico para que os fabricantes possam avaliar processos, testar formulações e identificar oportunidades de melhoria antes de investir na tecnologia. A iniciativa acompanha uma tendência de modernização da indústria de laticínios, setor que enfrenta o desafio de produzir alimentos com qualidade e preços competitivos, ao mesmo tempo em que busca reduzir desperdícios e otimizar recursos. Para os produtores de requeijão e derivados lácteos, a adoção de tecnologias de processamento pode representar uma alternativa para ampliar a capacidade produtiva, melhorar a padronização dos alimentos e fortalecer a competitividade no mercado.
EDAIRYNEWS/ARCOS
INTERNACIONAL
Demanda por proteínas leva soro de leite em pó a recorde histórico nos EUA
Na contramão desse movimento, a manteiga e o queijo enfrentam um cenário de oferta abundante.
A crescente demanda por proteínas tem impulsionado os preços do soro de leite em pó nos Estados Unidos que atingiram um recorde histórico, enquanto o leite em pó desnatado se aproxima de sua máxima histórica. Na contramão desse movimento, a manteiga e o queijo enfrentam um cenário de oferta abundante. Na última semana, o preço do soro de leite em pó no mercado à vista chegou a US$ 0,885 por libra, superando o recorde anterior, de US$ 0,8675 por libra, registrado em fevereiro de 2022. Já o leite em pó desnatado de grau A alcançou US$ 2,27 por libra, próximo da máxima histórica de US$ 2,295, registrada em maio deste ano. A valorização está relacionada à combinação entre demanda aquecida e menor disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de leite em pó desnatado. Com margens mais atrativas nos produtos com maior teor proteico, os fabricantes têm priorizado o direcionamento do leite para a produção de soro e proteínas do soro, reduzindo o volume destinado à secagem. Além disso, parte do leite tem sido direcionada à produção de leite fluido para escolas, em um momento de adaptação às mudanças que permitem novamente a oferta de leite integral nesses estabelecimentos. No caso do soro de leite em pó, a demanda internacional é um dos principais motores da alta. A escassez do produto em diferentes mercados tem favorecido as exportações norte-americanas, mesmo com a produção dos Estados Unidos registrando crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior. Apesar do cenário favorável, os preços elevados do leite em pó desnatado exigem atenção. Com os produtos norte-americanos mais caros que os de muitos concorrentes internacionais, a perda de competitividade pode pressionar as cotações, como ocorreu em maio, quando o mercado recuou após atingir seu recorde. A tendência reforça o papel da proteína como um dos principais vetores de inovação na indústria de lácteos. A popularização dos medicamentos da classe GLP-1, o interesse por dietas com maior teor proteico e a demanda global têm estimulado o desenvolvimento e a divulgação de novos produtos. Com isso, a indústria láctea encontra oportunidades para agregar valor ao leite e ampliar o consumo de ingredientes proteicos, embora a sustentabilidade dessa valorização dependa da evolução da demanda e da oferta mundial.
Dairy Herd/MILK POINT
ECONOMIA
Dólar tem leve baixa na sexta, mas fecha semana com alta de 1,75%
O dólar oscilou em margens estreitas na sexta-feira e fechou a sessão com leve baixa no Brasil, influenciado por um lado pelas novas pesquisas eleitorais, mostrando empate técnico na disputa pela Presidência, e por outro pelo recuo da moeda norte-americana no exterior. O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,30%, a R$5,0730. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,75% e, no ano, recuo de 7,58%.
Às 17h04, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0895. No fim da manhã da sexta-feira a pesquisa CNT/MDA mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46,8% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45,9%, uma diferença de apenas 0,9 ponto percentual. Brancos e nulos somam 4,9% e indecisos são 2,4%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. O levantamento somou-se a outros divulgados na semana que também apontaram para uma disputa indefinida. Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 4 para 2 pontos percentuais. O senador tem agora 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os indecisos somam 2% e os que pretendem votar em branco, nulo ou não vão votar são 6%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados. Assim como em sessões anteriores, a reação de Lula nas pesquisas deu força às taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) e ao dólar ante o real. Após ter marcado a mínima intradia de R$5,0686 (-0,39%) às 10h30, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0958 (+0,14%) às 11h53, após a divulgação dos números da CNT/MDA. Enquanto as pesquisas trouxeram um viés de alta para as cotações, o cenário externo exerceu pressão contrária, em função da baixa da moeda norte-americana ante outras divisas na esteira da redução das apostas de nova alta de juros nos EUA este mês. Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,27%, a 101,770.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta moderada em mais um pregão marcado por pesquisas eleitorais
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta moderada, após novas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial mostrarem uma diminuição da distância entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,41%, a 205.156,74 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 204.164,17 na mínima e 206.305,26 na máxima do dia. Na semana, o Ibovespa acumulou 3,97% de alta. O volume financeiro no pregão da sexta-feira somava R$36,39 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Agro bate recorde histórico de empregos no 2° trimestre de 2026
População ocupada somou 28,4 milhões de pessoas no período
A População Ocupada no agronegócio brasileiro somou 28,4 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, o maior valor registrado para o período, desde o início da série histórica, em 2012. Os dados são do Boletim Mercado de Trabalho no Agronegócio, elaborado pelo Cepea, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o documento, a participação do setor no total de trabalhadores no país foi de 26,0%. A análise revela que o resultado ocorre em um contexto de expansão do mercado de trabalho brasileiro, que registrou crescimento da população ocupada e taxa de desocupação de 5,4% no período, a menor já observada para um segundo trimestre. Na comparação entre os períodos seguintes, a ocupação no agronegócio registrou aumento de 0,1%, o equivalente a 27 mil trabalhadores, enquanto o mercado de trabalho brasileiro apresentou crescimento de 1,0%, um total de 1,08 milhão de pessoas. Entre os segmentos do agro, o primário teve destaque, com alta de 145.795 trabalhadores ou 1,9% em relação ao primeiro trimestre de 2026. O resultado foi determinado pelo avanço observado nas atividades ligadas à agricultura e floresta, como cafeicultura, milho e cereais. Entretanto, foi constatado um recuo nos setores de agrosserviços (-101.732) e insumos agropecuários (-15.270). Já a agroindústria, permaneceu estável, com leve redução de 1.793 trabalhadores. O Boletim CNA/Cepea apresenta ainda o perfil da mão de obra do agronegócio. A População Ocupada de trabalhadores por conta própria aumentou 2,4%, correspondendo a um acréscimo de 160.833 pessoas, enquanto a de empregadores cresceu 3,5% ou 35.689 pessoas. Na análise por gênero, o boletim apontou crescimento da PO feminina de 0,7% ou 76.055 trabalhadoras, na comparação com o segundo trimestre de 2025. Já a mão de obra masculina aumentou 0,6% (112.495 trabalhadores).
CNA/CEPEA
Índice de atividade econômica do BC sobe 0,34% em agosto Resultado do IBC-Br ficou acima da mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,34% em agosto, na comparação com o mês anterior, conforme o Banco Central (BC) na sexta-feira (16). Em julho, o indicador apresentou queda de 0,31% (dado revisado de queda de 0,22%). O resultado de agosto veio acima da mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data, de alta de 0,05%. O dado também ficou dentro do intervalo das projeções, que iam de queda de 0,3% a crescimento de 0,7%. Em relação ao mesmo mês de 2025, houve alta de 1,2%. Nos 12 meses encerrados em agosto, o indicador apresentou avanço de 1,6%. Devido às constantes revisões, o indicador acumulado em 12 meses é mais estável do que a medição mensal. No ano, a variação também foi de 1,6%. Por fim, na média móvel trimestral, usada para captar tendências, o IBC-Br recuou 0,6% em relação aos três meses encerrados em julho. O IBC-Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC, de frequência mensal, permite acompanhamento mais frequente da evolução da atividade econômica, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB), de frequência trimestral, descreve um quadro mais abrangente da economia. O Banco Central também publicou as aberturas setoriais do indicador. O IBC-Br Agropecuária caiu 1,8% em agosto ante julho, o IBC-Br Impostos subiu 0,1% e o IBC-BR Ex-Agropecuária aumentou 0,3%. Já o IBC-Br Indústria teve alta de 0,9% e o IBC-Br Serviços avançou 0,2%. Segundo o BC, por conta das diferenças metodológicas, é esperado que as diferenças entre o IBC-Br e as contas nacionais do IBGE sejam maiores nas aberturas setoriais do que nos agregados.
VALOR ECONÔMICO
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