Informativo Sindileite 243 20.10.2026

Ano 1 | nº 243 | 20 de outubro 2026

NOTÍCIAS

CEPEA:  Boletim do Leite de outubro já está disponível!

Preço ao produtor fica estável em agosto, mas pressão de baixa aumenta
O preço médio do leite cru captado por laticínios e cooperativas apresentou pouca variação em agosto. Na “Média Brasil” líquida, a cotação atingiu R$ 2,8869/litro, com avanço de 0,7% em relação a julho. Frente a agosto de 2025, o valor foi 9,18% superior em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto). Movimento baixista de setembro permanece em outubro. Pesquisa do Cepea, com apoio da OCB, apontou enfraquecimento do mercado de derivados lácteos no atacado paulista em setembro, movimento que continua sendo observado em outubro. O preço do leite UHT recuou 4,76% frente a agosto, com média de R$ 4,69/litro. O valor do queijo muçarela registrou queda de 2,77%, a R$ 34,91/kg, enquanto o leite em pó fracionado se desvalorizou 5,47%, a R$ 29,63/kg. Exportações e importações de lácteos avançam em setembro. As exportações e as importações brasileiras de lácteos aumentaram de agosto para setembro. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, os embarques cresceram 6,05% no comparativo mensal, totalizando 5,57 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL). Já as compras externas avançaram 8,38%, atingindo 249,6 milhões de litros em EqL. Na comparação com setembro de 2025, as importações também registraram alta, de 25,99%, enquanto as exportações recuaram 5,96%. Nutrição segue impulsionando custos da pecuária leiteira. Em setembro, a alta dos gastos com nutrição voltou a pressionar os custos de produção da pecuária leiteira. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou alta de 0,46% na “média Brasil”. Entre as praças acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram os maiores avanços do COE no período, de 2,08% e 1,33%, respectivamente.

CEPEA

QUEIJARIA DE TOMAZINA É REFERÊNCIA MUNDIAL

Em 2020, quando decidiram abrir a queijaria, Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva tiveram suporte do IDR-Paraná por meio dos Programas Agroindústria junto com o Pecuária de Leite. Negócio DE Tomazina (PR), ganhou projeção e prêmios. Os queijos do Paraná vêm ganhando posição de destaque entre os melhores do país e do mundo.

Os resultados projetam o estado como referência em qualidade e confirmam a força de uma tradição transformada em produto de excelência, com valor agregado e reconhecimento além das divisas paranaenses. Boa parte dessas conquistas têm em comum um trabalho que começa muito antes da avaliação dos jurados: a assistência técnica oferecida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), entidades vinculadas à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) que acompanham diferentes etapas da produção: desde o manejo dos rebanhos e dos cuidados com a qualidade do leite à estruturação e à regularização das agroindústrias. Entre os principais resultados desse trabalho está a participação paranaense no World Cheese Awards, maior competição internacional dedicada exclusivamente a queijos, organizada anualmente pela Guild of Fine Food, entidade britânica que promove produtores e varejistas independentes de alimentos e bebidas artesanais. O evento é popularmente conhecido como “Oscar dos Queijos”. Na edição mais recente, realizada em novembro de 2025, em Berna, na Suíça, mais de 5 mil queijos foram avaliados por especialistas de mais de 50 países. Além de orientar a fabricação dos queijos, a assistência técnica do IDR-Paraná e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) acompanha etapas que começam antes da chegada do leite à agroindústria. É nesse cuidado com a matéria-prima que começa a história da Queijaria Vovó Zaine, de Tomazina. Em 2020, quando decidiram abrir a queijaria, Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva tiveram suporte do IDR-Paraná por meio dos Programas Agroindústria junto com o Pecuária de Leite. Estiveram juntos com os produtores desde os primeiros passos do negócio, passando pela etapa de planejamento e análise para a construção da queijaria à regularização documental da agroindústria, adequação sanitária da produção leiteira e conservação do produto até sua comercialização formal. A partir das orientações dos extensionistas do IDR- Paraná nos programas, os produtores receberam capacitação técnica para manejo de pastagem, nutrição adequada, armazenamento, além de suporte para a montagem e regularização da queijaria. As mudanças implementadas contribuíram para que a produção de queijo aumentasse e aprimorasse sua qualidade, resultando em queijos leves e macios, de massa semicozida, com sabor suave. O trabalho rendeu à família medalhas de prata e bronze, em duas edições do Prêmio Queijos do Paraná, promovido por um comitê-gestor formado pelo IDR-Paraná, Sebrae-PR, Sistema Fecomércio-PR e Sindileite-PR e Sistema FAEP. Hoje, a família vive exclusivamente da comercialização dos queijos e recebe visitantes de todo o Estado. “A Vovó Zaine é um exemplo de como o trabalho de uma família no campo pode ganhar novos caminhos quando ela tem acesso à orientação técnica. Acompanhamos desde os cuidados com o rebanho e a qualidade do leite até a estruturação e a regularização da queijaria. Isso faz diferença no produto, porque as características da matéria-prima influenciam diretamente o rendimento, a textura, o aroma, o sabor e a estabilidade do queijo”, explica o engenheiro agrônomo e extensionista do IDR-Paraná, Alfredo Braz da Costa Alemão.

adapar/npdiário

Conseleite/MT: Estabilidade no preço do leite a ser pago em outubro/26

A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de Agosto de 2026 a ser pago em Setembro de 2026 e para o leite entregue no Setembro de 2026 a ser pago em Outubro de 2026.

Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo. Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural.

CONSELEITE-MT

NACIONAL

RS pode mais que dobrar produtividade do leite por hectare, aponta especialista

Apesar da concentração da atividade em tambos de maior produção, a grande maioria das propriedades leiteiras no RS opera longe do teto produtivo.

Apesar da concentração da atividade em tambos de maior produção, a grande maioria das propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul opera longe do teto produtivo. A afirmação sinaliza para um expressivo potencial produtivo a ser explorado e foi feita pelo consultor e diretor da Transpondo, Wagner Beskow, durante palestra do Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS). Segundo ele, o potencial na Metade Norte do RS, por exemplo, é de 33 mil litros/hectare/ano em sistemas convencionais e 50 mil litros/ hectare/ano em áreas irrigadas, mais que o dobro do obtido em média na região. O contexto sinaliza possibilidade de avanço produtivo mesmo entre as propriedades gaúchas que se mantiveram na atividade depois de uma década marcada pelo abandono de 55,2 mil produtores da atividade, segundo a Emater. “Hoje, temos menos produtores, mas mais volume. É um cenário que mudou e ainda deve resultar em um futuro de grandes e mega produtores. Precisamos entender o que significa essa mudança”, frisou. Na nova realidade da produção gaúcha, indica ele, a atividade deve se manter com viabilidade apenas em propriedades com produção acima de 500 litros/dia, volume que facilita a captação logística pelos laticínios. “As mudanças estão ocorrendo de forma mais rápida”, alerta. Wagner recomendou aos produtores que operem com propriedade com estruturas simples e enxutas em que as decisões sejam tomadas pensando no todo e em conjunto. “Os animais e as rotinas das pessoas têm que fluir naturalmente”. Essa posição também foi compartilhada pelo assistente técnico estadual da Emater/RS, Jaime Ries. Segundo ele, a permanência na atividade leiteira depende de fatores que vão além da produtividade e da estrutura das propriedades. Um levantamento da Emater identificou que 66,4% das famílias citaram a penosidade da atividade, 61,3% a falta de mão de obra familiar e 37,8% o desinteresse dos filhos como fatores relacionados. “Os resultados indicam que a saída da produção comercial de leite deve ser compreendida como um processo multifatorial de transformação das estratégias familiares, no qual se combinam condições econômicas da cadeia, organização do trabalho, disponibilidade de mão de obra familiar, dinâmica geracional, características produtivas e possibilidades alternativas de geração de renda”, assinala. Mas a competitividade do leite brasileiro não depende apenas do volume produzido, mas principalmente da capacidade de controlar custos, melhorar a gestão e aproveitar o potencial produtivo das propriedades. Um desafio é elevar qualidade e rentabilidade por meio do valor de sólidos totais, característica que resulta em bonificações ao produtor. Enquanto o Rio Grande do Sul registra teor de gordura mais proteínas entre 6% e 7,5%, a média da Nova Zelândia chega a 9,17%. Isso se reflete no custo de produção por quilo, estimado em US$ 5,82 no estado, ante US$ 3,33 a Nova Zelândia. Frente à concorrência com Argentina e Uruguai, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, vê a disponibilidade de forragens e a atividade familiar como características que ajudam a enfrentar um dos principais gargalos do setor: a escassez e o encarecimento da mão de obra.

Sindilat

EMPRESAS

Nestlé destina R$ 150 milhões à parceria com produtores de leite até 2027

O investimento ocorre em um cenário de crescente concentração da atividade leiteira, marcado pela redução do número de propriedades e pelo aumento da escala e da produtividade das fazendas que permanecem na atividade.

A Nestlé está destinando R$ 150 milhões, no período de 2025 a 2027, para fortalecer o relacionamento com produtores de leite no Brasil. O investimento ocorre em um cenário de crescente concentração da atividade leiteira, marcado pela redução do número de propriedades e pelo aumento da escala e da produtividade das fazendas que permanecem na atividade. Para Barbara Sollero, Gerente Executiva de Compras de Leite da Nestlé, essa transformação reflete a necessidade de profissionalização de uma atividade que disputa capital e rentabilidade com outras culturas agrícolas. “O que a gente vem vendo são produtores cada vez mais profissionais, olhando para a fazenda como uma empresa rural, com muito mais gestão dos custos e implementação de tecnologias”, afirma. Na ponta da captação, as 17 empresas e cooperativas participantes do ranking da Abraleite captaram 40% do leite formalmente inspecionado no Brasil ou, aproximadamente, 11 bilhões de litros em 2025. O volume representa alta de 6,5% sobre o ano anterior, enquanto o número de fornecedores dessas empresas recuou 3,2% no mesmo período. Atualmente, a multinacional suíça adquire aproximadamente 1 bilhão de litros de leite fresco por ano, além de cerca de 100 milhões de litros de soro. A companhia prevê ampliar em 15% a produção de soro de leite até 2029 com a retomada da operação em Carazinho (RS). Este movimento também está relacionado ao aumento da demanda por lácteos proteicos produzidos a partir deste insumo no contexto das mudanças de hábitos motivadas pelas “canetas emagrecedoras”. Barbara afirma que a prioridade da empresa não é necessariamente ganhar participação no mercado, mas agregar valor à matéria-prima destinada a produtos como os da marca Ninho. Ainda assim, a Nestlé está entre as maiores compradoras de leite do país. A executiva observa que a concentração favorece a logística das indústrias, mas torna ainda mais estratégico preservar o relacionamento com fornecedores competitivos. A estratégia de relacionamento também procura garantir que os investimentos feitos nas propriedades leiteiras tragam resultados duradouros para a companhia. “Eu quero transformar esse produtor, mas quero que ele esteja comigo no longo prazo”, reforça. Para isso, a remuneração dos fornecedores considera as condições de mercado e critérios de qualidade. Quem investe em melhorias pode obter condições comerciais mais favoráveis. Diferentemente das cadeias de aves e suínos, a captação de leite não costuma funcionar por contratos de integração. Os produtores têm mais liberdade para negociar sua produção com diferentes compradores. “A gente acredita muito que, trabalhando dessa forma transparente, com parceria, temos produtores fidelizados. O pequeno é o nosso futuro. O pequeno que quer crescer”, projeta. Parte dos recursos anunciados será destinada, além da assistência técnica, a práticas de agricultura regenerativa. Essas iniciativas ganharam força a partir de 2021, quando a empresa intensificou a implementação de seus compromissos globais de descarbonização. O trabalho envolve adoção de tecnologias, melhoria da gestão e redução das emissões de carbono, buscando conciliar desempenho ambiental e rentabilidade. A concentração também avança entre as indústrias. Segundo estimativas citadas por Barbara, as cinco maiores compradoras de leite do Brasil, que respondiam por aproximadamente 25% da captação há uma década, hoje se aproximam de 30%. O movimento acompanha a expansão de grandes grupos e as aquisições de empresas menores, embora o mercado brasileiro permaneça fragmentado. Para a executiva, essa reorganização pode ajudar o país a desenvolver uma cadeia leiteira mais competitiva internacionalmente. Barbara avalia que a evolução da produtividade, dos padrões de qualidade e da sustentabilidade será determinante para mudar esse cenário. “A gente ainda tem uma série de questões para superar, de qualidade e eventualmente de sustentabilidade, emissões de carbono. Isso vai ser consequência dessa maior profissionalização”, analisa.

AgFeed

INTERNACIONAL

FAZENDEIRO DA AUSTRÁLIA AGENDA ORDENHA PELO CELULAR E 1.300 VACAS VÃO SOZINHAS AO GALPÃO

Essa tecnologia, chamada cerca virtual, chegou comercialmente ao país após décadas de desenvolvimento e já transforma a rotina dos criadores de gado. A novidade deve ampliar o uso da tecnologia entre criadores australianos.

A tecnologia está revolucionando o trabalho no campo ao permitir que fazendeiros na Austrália controlem remotamente o deslocamento do rebanho por meio de um aplicativo de celular. Essa tecnologia, chamada cerca virtual, chegou comercialmente ao país após décadas de desenvolvimento e já transforma a rotina dos criadores de gado. O fazendeiro Duncan Macdonald, de Yolla, na Tasmânia, equipou suas 1.300vacas leiteiras com as coleiras e agora não precisa mais trabalhar de madrugada. Antes, Macdonald acordava às 3 da manhã para reunir o rebanho no escuro e passava uma hora conduzindo os animais até a ordenhadeira. Hoje, marca as vacas no aplicativo na noite anterior, e elas já o aguardam no galpão quando ele chega. Cada coleira emite sinais sonoros e vibrações que indicam para onde o animal deve ir. Se o rebanho ignora os avisos, o dispositivo emite pulsos elétricos de baixa intensidade. O sistema permite controlar as áreas de pastagem, detectar problemas de saúde nos animais e monitorar o rebanho remotamente, sem que o fazendeiro saia de casa. A empresa neozelandesa Halter foi a primeira a oferecer a tecnologia comercialmente na Austrália, começando pela Tasmânia com assinaturas a partir de R$ 8,50 por mês por vaca. Na Nova Zelândia, onde a tecnologia já é amplamente adotada, cerca de 100.000 animais usam as coleiras. O conceito de cercas virtuais ganhou impulso quando a instituição de pesquisa australiana CSIRO investiu em desenvolvimento. A Tasmânia recebeu o interesse inicial das startups porque oferecia ambiente propício para testes de novas tecnologias rurais. Pesquisadores do Tasmanian Institute of Agriculture acompanham a implementação desde 2016 para avaliar os impactos de longo prazo no bem-estar animal e na eficiência produtiva dos rebanhos. Apesar da disponibilidade, a tecnologia enfrenta barreiras legais em estados como Nova Gales do Sul, Vitória, Território da Capital Australiana e Austrália do Sul. Nesses locais, leis de proteção animal anteriores à tecnologia proíbem o uso de coleiras com choque elétrico. Em Vitória e na Austrália do Sul, coleiras eletrônicas só são permitidas para pesquisa científica, enquanto Nova Gales do Sul mantém a proibição para animais de criação. A empresa Gallagher ainda pretende lançar seu próprio sistema de cercas virtuais, o eShepherd, voltado para o gado de corte. A novidade deve ampliar o uso da tecnologia entre criadores australianos, ao menos nos estados onde ela é permitida por lei. A coleira não controla o animal por força bruta, mas por associação aprendida. Quando ligada pela primeira vez, ela emite sons e vibrações, sinais que a vaca não compreende por si só. O pulso elétrico de baixa intensidade é acionado apenas se o animal ignora esses avisos iniciais. Com a repetição, a vaca aprende que o som significa “vá para lá”, e a vibração reforça a mensagem. Depois de treinada, ela muitas vezes obedece apenas ao som, sem precisar do pulso. A cerca virtual não funciona legalmente em Nova Gales do Sul, Vitória, Território da Capital Australiano e Austrália do Sul. Nesses estados, leis de proteção animal anteriores à tecnologia proíbem coleiras de choque elétrico em animais de criação — embora permitam em pesquisa científica em alguns casos. O impedimento legal existe porque cada estado tem interpretações diferentes sobre os efeitos do pulso elétrico no bem-estar animal e as leis originais foram criadas com base em tecnologias antigas e mais prejudiciais, como coleiras para cães. Segundo a empresa Halter, o pulso elétrico da coleira inteligente é 100 a 200 vezes menos intenso do que o de uma cerca elétrica tradicional usada em muitas fazendas australianas. No entanto, organizações de proteção animal como a RSPCA argumentam que faltam pesquisas sobre impactos de longo prazo e alertam para o risco de a vaca desenvolver estresse agudo ao receber o pulso, independentemente da intensidade.

COMPRE RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha em baixa com eleição no Brasil e exterior no foco

O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, influenciado por um lado pela disputa eleitoral no Brasil e por outro pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,50%, a R$5,0476%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,04%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,33% na B3, aos R$5,0630. Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou redução de 2,8 pontos percentuais para 0,6 ponto percentual da diferença entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Flávio tem 46,5% das intenções de voto e Lula soma 45,9%. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 4,7%, enquanto 2,9% não sabem. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico, conforme a pesquisa. Já novo levantamento da Atlas revelou uma queda de 5,4 para 2,2 pontos percentuais da vantagem de Flávio, com o senador com 49,8% das intenções de voto e o presidente com 47,6%. O percentual de indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo é de 2,6%. Como neste caso a margem de erro é de 1 ponto percentual, Flávio está na liderança para além da margem de erro. O diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, pontuou que as pesquisas eleitorais mostraram uma diferença mínima entre os candidatos, mas com Flávio Bolsonaro ainda à frente. “Então não me parece que (as pesquisas) mudem o humor do mercado ou as apostas — apenas vem com um pouco mais de tensão e adrenalina”, afirmou, ao justificar a movimentação do câmbio ao longo do dia. “Se alguma pesquisa indicar com contundência uma direção no sentido de uma virada… talvez o mercado reaja”, acrescentou. Em debate entre Flávio e Lula na noite de domingo na Band, o senador responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais. O presidente, por sua vez, perguntou se Flávio adotaria, se eleito, o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. A maior parte do debate foi marcada por acusações de lado a lado. No exterior, às 17h11 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,18%, a 101,980. Por outro lado, o dólar cedia ante divisas de emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

REUTERS

Ibovespa tem queda discreta com ajuste em Petrobras e eleição em foco

O Ibovespa fechou com um declínio modesto nesta segunda-feira, pressionado principalmente pelo ajuste negativo na Petrobras, enquanto a reta final da eleição presidencial no país concentrando os holofotes.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,15%, a 205.126,35 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 207.387,56 pontos. No pior momento, marcou 204.268,99 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$29,12 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Economia cresce 0,5% em agosto após dois meses de recuo, estima FGV

Depois de dois meses de recuo, a economia brasileira voltou a crescer e apresentou expansão de 0,5% na passagem de julho para agosto. Como resultado, o desempenho chega a 1,8% no acumulado de 12 meses.

A constatação faz parte do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (19). A pesquisa faz estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, reunindo dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária. O Monitor do PIB é considerado um “termômetro” da economia e funciona como uma prévia do PIB oficial. Veja o comportamento da economia na comparação entre meses seguidos, de acordo com o levantamento: Agosto: 0,5% Julho: -0,3% Junho: -0,9% Maio: 0,6% Abril: 0,3% Março: 0,1% Fevereiro: 0,5% Janeiro: 0,6%. O mês retrasado apresentou avanço de 1,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. No trimestre terminado em agosto, a FGV destacou que a economia foi impulsionada em agosto pela indústria extrativa e a atividade de serviços. O economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre, aponta que, pelo lado da oferta, o resultado refletiu o crescimento da indústria extrativa e a continuidade da expansão da atividade de serviços. “Pela ótica da demanda, a despeito da desaceleração do consumo das famílias, atuaram positivamente as exportações e o consumo do governo”, complementa. Ele assinala ainda que em um contexto de inflação persistente, que obriga uma política monetária contracionista, ou seja, juros elevados, “a economia apresenta capacidade de recuperação”. No trimestre até agosto, o consumo das famílias cresceu 0,4%, refletindo principalmente a contribuição positiva dos produtos duráveis. Em valores correntes, a FGV estima o PIB acumulado até agosto em R$ 9,020 trilhões. O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (16), que indicou expansão de 0,3% na passagem de julho para agosto e de 1,6% em 12 meses. O relatório Focus divulgado também nesta segunda-feira, sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, sinaliza que o PIB deve crescer 1,83% este ano. O Boletim Macrofiscal da Secretária da Política Econômica do Ministério da Fazenda, divulgado em setembro, aponta estimativa de crescimento do PIB de 2% este ano. Na última semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou que o Brasil deve crescer 2,2% este ano. O órgão, instituição multilateral vinculada às Nações Unidas, estima que o país deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027. A última divulgação, no início de setembro, mostrou que a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre e 1,9% no acumulado de 12 meses. 

Agência Brasil

Economistas elevam projeção para IPCA em 2027 e reduzem cálculos para crescimento econômico no Focus

Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas projeções para a inflação para o ano que vem e reduziram seus cálculos para o crescimento econômico, mostrou boletim Focus divulgado pela autoridade monetária na segunda-feira.

O levantamento feito pelo BC junto a cerca de 100 instituições financeiras apontou manutenção na previsão para a inflação medida pelo IPCA em 5,22% neste ano, mas uma elevação para 4,32% em 2027, ante 4,30%. Para 2028, os cálculos foram revisados para baixo, para 3,75%, ante 3,79% uma semana atrás. A meta de inflação é de 3,00% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Os agentes revisaram, ainda, suas contas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,83% neste ano, ante 1,85% há uma semana, e para 1,32% no ano que vem, ante 1,40%. Também foram revisadas para baixo as previsões do mercado para a taxa de câmbio neste ano — para R$5,13, ante R$5,15 — e para 2027 — para R$5,22, ante R$5,26 uma semana atrás. Os economistas mantiveram suas projeções para a taxa básica de juro em 13,25% ao ano neste ano e em 12,00% ao final de 2027 e continuaram a enxergar dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros nas duas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcadas para novembro e dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano. 

REUTERS

IGP-10 sobe acima do esperado em outubro e tem alta de 1,76%, diz FGV

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu acima das expectativas em outubro, registrando alta de 1,76% no mês, ante elevação de 1,47% no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira.

A expectativa de economistas consultados pela Reuters era de uma alta de 1,44%. Com o resultado, o índice registra alta de 5,02% em 12 meses. “A aceleração do IGP-10 em outubro foi puxada principalmente pelos preços ao produtor, com destaque para os avanços da gasolina automotiva”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice, teve alta de 2,36%, acelerando a alta de setembro que foi de 1,90%. “A alta também observada em produtos da cadeia da soja e em bovinos reforçou a alta do IPA”, disse Dias. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, desacelerou a alta para 0,39% em outubro, ante 0,44% em setembro. “No índice ao consumidor, a aceleração de alimentos in natura, como tomate, batata-inglesa e cebola, contribuiu para elevar o índice. Embora itens como café em grão e tarifa de eletricidade residencial tenham registrado recuos, suas quedas não foram suficientes para compensar as pressões altistas disseminadas entre produtos agropecuários, industriais e combustíveis”, disse o economista. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) registrou alta de 0,28%, inferior à elevação de 0,50% registrada em setembro. O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

REUTERS

Pedidos de recuperação judicial no agro diminuem

Retração no segundo trimestre deste ano interrompe sequência de altas observada no mesmo período em 2023, 2024 e 2025. Houve queda de 20,7% nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro no segundo trimestre de 2026

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro somaram 448 solicitações no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,7% se comparado com o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados da Serasa Experian. De acordo com a empresa, o resultado de retração interrompe a sequência de altas observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, na série consolidada da Serasa, iniciada em 2021. O levantamento reúne pedidos de produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, também houve baixa, essa de 5,5%. Os dados sinalizam uma desaceleração dos pedidos de recuperação judicial no período analisado, após o avanço observado no trimestre anterior. Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, a queda nos pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre deve ser interpretada com cautela e não representa, necessariamente, uma reversão completa dos desafios financeiros enfrentados pelo setor. “A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, disse, em nota. “Ainda assim, o ambiente segue desafiador, marcado por custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento. Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres. A preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a busca por alternativas de renegociação continuam sendo fundamentais, enquanto a recuperação judicial deve permanecer como último recurso”, acrescentou Marcelo Pimenta. Entre os produtores rurais que atuam como pessoa física, foram contabilizados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026. O volume representa uma queda de 10,5% em relação às 220 solicitações registradas no mesmo período de 2025. Ainda assim, esse foi o maior número de pedidos entre os três perfis analisados no período. Já a análise por porte mostrou que os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos de recuperação judicial. O grupo pode abranger, por exemplo, arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural. Em seguida, apareceram os grandes proprietários, com 51 solicitações; os pequenos proprietários, com 39; e os médios proprietários, com 37. Os pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais pessoa jurídica recuaram 34,2% no 2º trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o levantamento da Serasa, foram 160 solicitações entre abril e junho deste ano. Entre as atividades com maior número de ocorrências, o cultivo de soja respondeu por 70 pedidos, enquanto a criação de bovinos somou 28. Também aparecem entre os cinco principais subsetores o cultivo de cana-de-açúcar, com 15 registros, o cultivo de café, com 13, e o cultivo de cereais, com 12. Já as empresas relacionadas à cadeia do agronegócio contabilizaram 91 pedidos de recuperação judicial no 2º trimestre de 2026. O resultado ficou 10,8% abaixo das 102 solicitações registradas no mesmo período de 2025. Entre os segmentos analisados, os serviços de apoio à agropecuária concentraram o maior número de pedidos, com 26 registros. A agroindústria da transformação primária veio na sequência, com 20, seguida pelo comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18. Os revendedores de insumos agropecuários, exceto máquinas, contabilizaram outros dez pedidos. Considerando os pedidos de recuperação judicial realizados por produtores rurais pessoa física e jurídica e por empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, o Mato Grosso liderou o ranking estadual no segundo trimestre de 2026, com 107 registros — o equivalente a 23,9% do total. Na sequência, aparecem Goiás, com 84 pedidos (18,8%), São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%) e Paraná, com 42 (9,4%).

VALOR ECONÔMICO

Brasil deve voltar a ser 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, deixando para trás Rússia e Itália. A projeção faz parte do documento Perspectivas da Economia Mundial, divulgado semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro alcançará US$ 2,80 trilhões (R$ 14,65 trilhões) no ano que vem. Em 2026, o país termina na décima posição do ranking, com PIB de US$ 2,655 trilhões. Para 2027, a lista mantém os Estados Unidos como maior potência econômica, seguida pela China. Confira o Top 10 das economias mundiais, segundo a projeção do FMI, instituição multilateral vinculada às Nações Unidas. Estados Unidos: US$ 34,44 trilhões. China: US$ 22,94 trilhões. Alemanha: US$ 5,66 trilhões. Índia: US$ 4,52 trilhões. Reino Unido: US$ 4,49 trilhões. Japão: US$ 4,47 trilhões. França: US$ 3,65 trilhões. Brasil: US$ 2,80 trilhões. Itália: US$ 2,77 trilhões. Rússia: US$ 2,68 trilhões. A última vez em que o Brasil ficou no oitavo lugar foi em 2017. De acordo com a estimativa do FMI, o país segue na oitava posição até 2031, último ano projetado. A melhor posição já ocupada pelo Brasil no ranking global de PIB foi a sétima posição, alcançada em 1995 e de 2010 a 2014.

Agência Brasil

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