Ano 1 | nº 241 | 16 de outubro 2026
NOTÍCIAS
LEITE PERDE PODER DE COMPRA NO CAMPO E DÉFICIT COM LÁCTEOS CHEGA A r$ 834 MILHÕES
Preço ao produtor ficou praticamente estável em agosto, enquanto relação de troca piorou 4%. Importações de setembro atingem o maior volume mensal de 2026 até então. Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.
A estabilidade do preço do leite não impediu a perda de poder de compra do produtor brasileiro em agosto. Com a remuneração média em R$ 2,89 por litro, praticamente inalterada na comparação mensal, foi necessário vender 4% mais leite para adquirir uma mistura de milho e farelo de soja. No comércio exterior, as importações cresceram em setembro e contribuíram para um déficit acumulado de US$ 834 milhões na balança de lácteos. Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite. A publicação reúne indicadores com períodos distintos: agosto para preços ao produtor e relação de troca, setembro para varejo e comércio exterior e outubro para as cotações internacionais de leite em pó. Em agosto, foram necessários 28,5 litros de leite para adquirir 60 quilos de uma mistura composta por 70% de milho e 30% de farelo de soja. Em julho, eram 27,4 litros. O aumento dessa relação representa uma deterioração nas condições de compra dos dois ingredientes usados na alimentação do rebanho. “O indicador subiu 4% no mês, indicando piora no poder de compra do produtor”, informa o Centro de Inteligência do Leite no boletim. O movimento interrompeu a sequência de melhora observada entre janeiro e julho, quando a quantidade necessária caiu de 40,7 para 27,4 litros. Apesar da piora mensal, agosto ainda apresentou condição mais favorável que a do mesmo mês de 2025, quando eram necessários 29,6 litros. O boletim aponta redução de 4% na comparação anual. A relação mede o poder de compra frente à mistura de grãos; não representa, isoladamente, a rentabilidade da propriedade, que também depende de produtividade, volume vendido e demais custos. A média nacional do preço líquido ao produtor aumentou apenas 0,04% em agosto ante julho, embora tenha ficado 13,7% acima de agosto de 2025. Os valores correspondem ao leite entregue em agosto e pago no mês seguinte. Entre os seis Estados apresentados no gráfico, Minas Gerais registrou o maior preço, de R$ 3,04 por litro, seguido por São Paulo, com R$ 2,98; Goiás, R$ 2,97; e Paraná, R$ 2,92. Santa Catarina e Rio Grande do Sul ficaram abaixo da média nacional, com R$ 2,78 e R$ 2,65, respectivamente. A diferença entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul foi de R$ 0,39 por litro. Enquanto Goiás teve alta mensal de 1%, Paraná de 0,8%, Minas Gerais de 0,7% e São Paulo de 0,2%, Santa Catarina registrou queda de 0,5% e o Rio Grande do Sul, de 0,1%. As compras brasileiras de leite e derivados no exterior somaram 243,1 milhões de litros equivalentes em setembro, aumento de 8,5% sobre agosto e de 26,4% frente a setembro de 2025. Foi o maior volume mensal de 2026 até então, conforme a série apresentada no boletim. O boletim mostra uma mudança em relação ao início do ano. Em janeiro e fevereiro, as importações ficaram abaixo dos respectivos meses de 2025. De março a setembro, superaram os volumes do ano anterior em todos os meses. As exportações, por sua vez, totalizaram 5,4 milhões de litros equivalentes em setembro, segundo o gráfico. Com isso, a diferença entre entradas e saídas naquele mês alcançou aproximadamente 237,7 milhões de litros equivalentes. No acumulado de 2026 até setembro, o saldo da balança comercial de lácteos registrou déficit de US$ 834 milhões, informa o Centro de Inteligência do Leite. Em volume, o resultado negativo correspondeu a 1,882 bilhão de litros equivalentes. A unidade permite comparar diferentes derivados a partir de sua conversão em leite. A cesta de lácteos acompanhada pelo boletim recuou 0,1% no varejo em setembro. A pequena variação mensal, porém, não eliminou a alta de 6,3% acumulada em 12 meses. O leite UHT exemplifica essa diferença: caiu 0,3% no mês, mas permaneceu 10,8% mais caro que em setembro de 2025. O iogurte teve aumento mensal de 0,2% e anual de 9,1%. Nos queijos, houve queda de 0,1% no mês e alta de 3,8% em 12 meses. Leite em pó e manteiga subiram 0,3% em setembro, embora tenham registrado recuos anuais de 1,3% e 2,8%, respectivamente. O leite condensado variou 0,03% no mês e caiu 0,8% na comparação anual. No mercado internacional, a cotação de outubro apresentada para o leite em pó desnatado foi de US$ 3.847 por tonelada, alta de 6,9% sobre setembro. O integral chegou a US$ 3.605 por tonelada, aumento de 0,5%. A série mostra que o desnatado passou de US$ 2.590 por tonelada em janeiro para US$ 3.847 em outubro, enquanto o integral saiu de US$ 3.428 para US$ 3.605. Assim, a valorização internacional foi mais intensa no desnatado, que ultrapassou a cotação do integral em setembro e ampliou essa diferença em outubro.
O Presente Rural
Nacional
GADOLANDO ALERTA PARA ALTA DE CUSTOS DO LEITE COM EXCESSO DE CHUVAS
Entidade cita dificuldades na formação de pastagens, no preparo das lavouras e no plantio de milho para silagem em meio à queda no preço de referência do leite.
De acordo com Tang, as chuvas excessivas prejudicam o preparo das lavouras, dificultam a entrada de máquinas no campo e atrasam o plantio do milho usado na produção de silagem. A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) afirmou nesta quarta-feira (14) que o excesso de chuvas no Estado pode elevar os custos de produção de leite nos próximos meses. Segundo a entidade, as condições climáticas dificultam a formação de pastagens e a produção de alimentos para o rebanho em um momento de recuo no preço de referência da matéria-prima. Em nota, a Gadolando manifestou preocupação com a possibilidade de novas quedas no preço do leite ao produtor. O presidente da entidade, Marcos Tang, disse que havia expectativa de maior estabilidade até o fim do ano e afirmou esperar que não ocorra uma queda substancial. De acordo com Tang, as chuvas excessivas prejudicam o preparo das lavouras, dificultam a entrada de máquinas no campo e atrasam o plantio do milho usado na produção de silagem. As condições também afetam a produção de feno, o que, segundo a entidade, compromete o planejamento alimentar dos animais. Na avaliação da Gadolando, a combinação entre custos mais altos e preços menores pode comprometer a rentabilidade da atividade leiteira e reduzir a capacidade de investimento em tecnologia, genética e infraestrutura. Tang afirmou que, se o aumento do custo de produção vier acompanhado de queda no preço pago ao produtor, o setor voltará a enfrentar um quadro de dificuldade. A entidade também destacou que a pecuária leiteira exige planejamento de médio e longo prazo, o que limita a reação do produtor às mudanças de mercado. Segundo o presidente, a formação de rebanho demanda tempo e recursos, e a saída de um pecuarista da atividade pode dificultar uma retomada futura da produção, devido à necessidade de recomposição do plantel e aos custos envolvidos. Apesar da avaliação sobre o mercado doméstico, a Gadolando apontou sinais no cenário internacional que, segundo Tang, podem favorecer maior estabilidade das cotações e melhorar o planejamento da atividade e dos investimentos. A Gadolando também voltou a criticar a entrada de lácteos importados no Brasil e cobrou providências do governo federal contra o que classifica como concorrência desleal. Segundo Tang, a entidade aguarda a adoção de medidas antidumping.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Dólar acelera alta com mercado ansioso antes de pesquisa Datafolha
O dólar ganhou força ante o real na reta final da quinta-feira e fechou a sessão com alta superior a 1%, em meio à preocupação de investidores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa ter se aproximado do senador Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa eleitoral do Datafolha.
O novo levantamento do Datafolha sobre as intenções de voto no segundo turno será divulgado no início da noite. Durante o dia, o dólar também reagiu em alta à pesquisa Quaest mostrando empate técnico entre os dois candidatos na disputa presidencial. O dólar à vista encerrou a sessão com elevação de 1,17%, a R$5,0885, o maior valor de fechamento desde 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, quando era cotado a R$5,2173. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,30%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,79% na B3, aos R$5,1040. Pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira mostrou Flávio com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados. Os indecisos são 1%, enquanto 9% disseram que votarão em branco, nulo ou que não votarão. O levantamento revelou também que Flávio é rejeitado por 54% dos eleitores e Lula por 53%. Esse cenário de empate técnico trazido pela Quaest, já identificado pela pesquisa BTG/Nexus na terça-feira, voltou a impulsionar as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) e o dólar ante o real na quinta-feira. Isso porque no mercado boa parte dos agentes considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste. Também na noite de quarta-feira, o Senado aprovou o fim da escala de trabalho 6 x 1 e a redução da jornada de trabalho semanal, em uma vitória para o governo Lula em um dos principais temas da campanha eleitoral. Flávio, que não discursou sobre o assunto durante os debates no Senado, votou pelo fim da escala, em uma mudança de posição sobre a proposta. Na terça-feira, o senador defendeu que o governo pague uma compensação às empresas, mas não abordou os eventuais impactos fiscais disso. O avanço do dólar ante o real contrastou com o cenário visto no exterior, onde a moeda norte-americana sustentou perdas ante outras divisas fortes e ante boa parte das divisas de países emergentes.
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Ibovespa fecha em queda com pesquisas eleitorais no foco
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, com investidores aguardando a publicação de nova pesquisa Datafolha sobre o segundo turno das eleições presidenciais, após sondagens recentes mostrarem o estreitamento da distância entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,13%, a 204.167,75 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 203.110,43 na mínima e 206.520,28 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somava R$36,91 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Economistas pioram previsões para déficit fiscal e dívida pública em 2026, mostra Prisma
Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda pioraram as projeções para o déficit primário do governo central e a dívida pública em 2026, uma deterioração que não foi refletida nas estimativas para 2027, mostrou o relatório Prisma divulgado na terça-feira.
A mediana das expectativas para o déficit primário em 2026 passou para R$53,048 bilhões no relatório de outubro, de R$52,271 bilhões em setembro. Para 2027, a previsão é de déficit de R$44,000 bilhões, rombo menor que a estimativa anterior de R$45,350 bilhões. O governo tem como meta alcançar um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto em 2026 (R$34,3 bilhões) e de 0,50% em 2027 (R$73,2 bilhões), mas há despesas que não são consideradas para efeitos da meta, que conta ainda com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Prisma estimou que a dívida bruta do governo ficará em 83,40% do PIB em 2026, contra previsão de 83,20% apontada em setembro. Para 2027, a expectativa é que o indicador salte para 87,00% do PIB, mesmo patamar estimado no mês anterior. A equipe econômica do governo tem argumentado que o endividamento segue elevado apesar de uma melhora em resultados primários ao longo dos anos por conta do nível alto da taxa básica Selic, que eleva o gasto com juros da dívida pública. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, mas o Banco Central não indicou o que fará com os juros básicos na próxima reunião, que ocorre no início de novembro. Do lado da arrecadação, a expectativa mediana da receita líquida do governo central para este ano apontada no Prisma caiu ligeiramente para R$2,580 trilhões, de R$2,581 trilhões no levantamento anterior. Para 2027, a projeção ficou praticamente estável em R$2,750 trilhões. Na frente dos gastos, foi mantida em R$2,625 trilhões a previsão para as despesas do governo central neste ano. No caso de 2027, a projeção das despesas é de R$2,793 trilhões, pouco acima dos R$2,792 trilhões apontados um mês antes.
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Previsão para safra de grãos de 2026 sobe para 354,5 milhões de toneladas, diz IBGE
Em relação a 2025, o número representa uma alta de 2,4%. Para a soja, a estimativa de produção foi de 175 milhões de toneladas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou para cima em 0,4% sua previsão para a safra de 2026. O aumento corresponde a uma diferença de 1,5 milhão de toneladas na comparação com a previsão do mês passado, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta quinta-feira (15/10). De acordo com o instituto, a safra brasileira vai alcançar 354,5 milhões de toneladas em 2026. Em relação a 2025, o número representa uma alta de 2,4%, ou 8,4 milhões de toneladas a mais. A estimativa para a área a ser colhida é de 83,2 milhões de hectares, crescimento de 2% na comparação com 2025, com aumento de 1,6 milhão de hectares. Em relação ao mês de agosto de 2026, a área a ser colhida cresceu 143,6 mil hectares (0,2%). Principais culturas da safra brasileira, soja, milho e arroz representam, somadas, 93% da estimativa da produção e respondem por 87,3% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 175 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 143,3 milhões de toneladas (29,7 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 113,6 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas. Para o trigo, a estimativa de produção foi de 5,9 milhões de toneladas, queda de 24% em relação a 2025. A produção do algodão herbáceo (em caroço) foi estimada em 9,5 milhões de toneladas, e a do sorgo em 6 milhões de toneladas. Frente a agosto, houve aumentos nas estimativas da produção de soja (0,1%), do milho segunda safra (1,4%), do algodão herbáceo – em caroço (3%), do sorgo (2,6%), do café canephora (0,7%), do café arábica (4,1%), da cana-de-açúcar (4,8%) e da uva (2,3%). Por outro lado, apresentaram recuos o trigo (-6,2%), a laranja (-5,7%), o tomate (-5,5%), a cevada (-2,2%) e a aveia (-0,5%).
GLOBO RURAL
FUNRURAL NÃO É DEVIDO POR FRIGORÍFICOS ATÉ 2018, DEFINE STF
Em sessão de 15 de outubro de 2026, o Supremo Tribunal Federal finalmente proclamou o resultado da votação, finalizada em dezembro de 2022, que, por 6 votos a 5, deu provimento à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4395, da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), no sentido de que o FUNRURAL não é devido, seja pelos produtores como pelos frigoríficos adquirentes da produção, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento, chamada de sub-rogação, é determinada pelo artigo 30, IV, da Lei nº 8.212/91, e foi igualmente declarada inconstitucional no julgamento do STF.
No entanto, a declaração de inconstitucionalidade foi definida para atingir somente fatos geradores anteriores a janeiro de 2018, sendo que, com a edição da Lei nº 13.606/2018, teria havido, na visão do STF, a instituição válida da cobrança do tributo, bem como da sub-rogação. A discussão, que se arrastava por mais de 16 anos, reforçou o respeito aos precedentes qualificados do STF, contribuindo para a segurança jurídica que se espera da Corte Suprema. Os efeitos da decisão se estendem não só às partes do processo, mas a todos os contribuintes do País que estiveram ou ainda estão sendo chamados a recolher esse tributo relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente à Lei nº 13.606/2018. Para Paulo Mustefaga, presidente executivo da ABRAFRIGO, autora da ação, “a decisão representa a sagração da luta desta Entidade em prol de seus Associados e de todo o setor, coroando um trabalho de décadas. A decisão restaura a justiça em um momento especialmente importante de dificuldades financeiras por que passam muitas empresas do setor frigorífico brasileiro, possibilitando a continuidade da produção, geração de empregos e renda para o País”. Na avaliação do advogado da ABRAFRIGO, Fabriccio Petreli Tarosso, do escritório Tarosso Advogados, que patrocinou a causa, o Supremo Tribunal Federal restaurou a justiça ao agronegócio do País, garantindo ao setor agropecuário — em especial às indústrias frigoríficas — a segurança jurídica aguardada pelo segmento. Ainda não houve decisão quanto a modulação de efeitos temporais da decisão aplicada pelo STF, de modo que, caso prevaleça a decisão tal como proferida, os contribuintes que possuem execução fiscal em curso, depósitos judiciais realizados em processos que versem sobre o tema ou que, de qualquer forma, estejam discutindo a matéria, no Judiciário ou mesmo na esfera administrativa, podem apresentar pedido nos autos para cancelar a cobrança. Resta agora aguardar a publicação do acórdão e o trânsito em julgado da decisão.
ABRAFRIGO
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