Informativo Sindileite 239 14.10.2026

Ano 1 | nº 239 | 14 de outubro 2026

NOTÍCIAS

Leite perde poder de compra no campo e déficit com lácteos chega a US$ 834 milhões

Preço ao produtor ficou praticamente estável em agosto, enquanto relação de troca piorou 4%. Importações de setembro atingem o maior volume mensal de 2026 até então.

A estabilidade do preço do leite não impediu a perda de poder de compra do produtor brasileiro em agosto. Com a remuneração média em R$ 2,89 por litro, praticamente inalterada na comparação mensal, foi necessário vender 4% mais leite para adquirir uma mistura de milho e farelo de soja. No comércio exterior, as importações cresceram em setembro e contribuíram para um déficit acumulado de US$ 834 milhões na balança de lácteos. Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite. A publicação reúne indicadores com períodos distintos: agosto para preços ao produtor e relação de troca, setembro para varejo e comércio exterior e outubro para as cotações internacionais de leite em pó. Em agosto, foram necessários 28,5 litros de leite para adquirir 60 quilos de uma mistura composta por 70% de milho e 30% de farelo de soja. Em julho, eram 27,4 litros. O aumento dessa relação representa uma deterioração nas condições de compra dos dois ingredientes usados na alimentação do rebanho. “O indicador subiu 4% no mês, indicando piora no poder de compra do produtor”, informa o Centro de Inteligência do Leite no boletim. O movimento interrompeu a sequência de melhora observada entre janeiro e julho, quando a quantidade necessária caiu de 40,7 para 27,4 litros. Apesar da piora mensal, agosto ainda apresentou condição mais favorável que a do mesmo mês de 2025, quando eram necessários 29,6 litros. O boletim aponta redução de 4% na comparação anual. A relação mede o poder de compra frente à mistura de grãos; não representa, isoladamente, a rentabilidade da propriedade, que também depende de produtividade, volume vendido e demais custos. A média nacional do preço líquido ao produtor aumentou apenas 0,04% em agosto ante julho, embora tenha ficado 13,7% acima de agosto de 2025. Os valores correspondem ao leite entregue em agosto e pago no mês seguinte. Entre os seis Estados apresentados no gráfico, Minas Gerais registrou o maior preço, de R$ 3,04 por litro, seguido por São Paulo, com R$ 2,98; Goiás, R$ 2,97; e Paraná, R$ 2,92. Santa Catarina e Rio Grande do Sul ficaram abaixo da média nacional, com R$ 2,78 e R$ 2,65, respectivamente. A diferença entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul foi de R$ 0,39 por litro. Enquanto Goiás teve alta mensal de 1%, Paraná de 0,8%, Minas Gerais de 0,7% e São Paulo de 0,2%, Santa Catarina registrou queda de 0,5% e o Rio Grande do Sul, de 0,1%. As compras brasileiras de leite e derivados no exterior somaram 243,1 milhões de litros equivalentes em setembro, aumento de 8,5% sobre agosto e de 26,4% frente a setembro de 2025. Foi o maior volume mensal de 2026 até então, conforme a série apresentada no boletim. O boletim mostra uma mudança em relação ao início do ano. Em janeiro e fevereiro, as importações ficaram abaixo dos respectivos meses de 2025. De março a setembro, superaram os volumes do ano anterior em todos os meses. As exportações, por sua vez, totalizaram 5,4 milhões de litros equivalentes em setembro, segundo o gráfico. Com isso, a diferença entre entradas e saídas naquele mês alcançou aproximadamente 237,7 milhões de litros equivalentes. No acumulado de 2026 até setembro, o saldo da balança comercial de lácteos registrou déficit de US$ 834 milhões, informa o Centro de Inteligência do Leite. Em volume, o resultado negativo correspondeu a 1,882 bilhão de litros equivalentes. A unidade permite comparar diferentes derivados a partir de sua conversão em leite. A cesta de lácteos acompanhada pelo boletim recuou 0,1% no varejo em setembro. A pequena variação mensal, porém, não eliminou a alta de 6,3% acumulada em 12 meses. O leite UHT exemplifica essa diferença: caiu 0,3% no mês, mas permaneceu 10,8% mais caro que em setembro de 2025. O iogurte teve aumento mensal de 0,2% e anual de 9,1%. Nos queijos, houve queda de 0,1% no mês e alta de 3,8% em 12 meses. Leite em pó e manteiga subiram 0,3% em setembro, embora tenham registrado recuos anuais de 1,3% e 2,8%, respectivamente. O leite condensado variou 0,03% no mês e caiu 0,8% na comparação anual. No mercado internacional, a cotação de outubro apresentada para o leite em pó desnatado foi de US$ 3.847 por tonelada, alta de 6,9% sobre setembro. O integral chegou a US$ 3.605 por tonelada, aumento de 0,5%. A série mostra que o desnatado passou de US$ 2.590 por tonelada em janeiro para US$ 3.847 em outubro, enquanto o integral saiu de US$ 3.428 para US$ 3.605. Assim, a valorização internacional foi mais intensa no desnatado, que ultrapassou a cotação do integral em setembro e ampliou essa diferença em outubro.

O Presente Rural

Oferta de leite volta a crescer e deve pressionar preços no 4º trimestre

Clima favorável estimula as pastagens e a captação, mas o ritmo de crescimento é mais lento do que o registrado em 2025, aponta StoneX. A retomada sazonal da produção de leite no Brasil deve aumentar a pressão sobre os preços do mercado lácteo no quarto trimestre de 2026.  A avaliação é da StoneX, em seu relatório trimestral de perspectivas.

Segundo a consultoria, a demanda segue resiliente, mas a maior disponibilidade de matéria-prima tende a empurrar para baixo os preços de derivados como UHT, muçarela e leite em pó. Durante boa parte do ano, o preço do leite pago ao produtor foi sustentado pelo bom desempenho dos derivados. Em julho e agosto, ficou próximo de R$ 2,88 por litro, patamar acima do observado no mesmo período de 2025. Em setembro, porém, os sinais mudaram. Mais leite disponível e derivados mais fracos passaram a pressionar o mercado spot, e a StoneX espera que o movimento seja repassado gradualmente aos pagamentos ao produtor ao longo do último trimestre. O quarto trimestre é tradicionalmente o período em que a oferta nacional de leite se recupera de forma mais consistente. A produção no Sul já vinha melhorando no terceiro trimestre, e o retorno das chuvas em grande parte do restante do país favorece a disponibilidade de forragens. O inverno teve volumes de chuva acima da média em várias regiões, o que ajuda a produção nos últimos meses do ano. O crescimento, no entanto, é mais lento do que o do ano passado. A captação de leite no segundo trimestre avançou 1,0% sobre o mesmo período de 2025, ante alta de 10,2% um ano antes. Para a StoneX, os fundamentos indicam um balanço de oferta menos confortável do que o de 2025. Do lado do consumo, o desempenho é relativamente positivo em 2026. Mesmo depois do forte aumento da produção em 2025, os derivados conseguiram se manter em patamares favoráveis durante boa parte do ano, o que, segundo a StoneX, sugere que o mercado já absorveu o volume extra. A desaceleração recente da inflação geral pode dar algum suporte ao consumo, embora o ambiente macroeconômico ainda peça cautela. A intensidade da queda dos preços, afirma a consultoria, dependerá da capacidade da demanda de acompanhar o aumento sazonal da oferta. Como o balanço está aparentemente mais ajustado do que em 2025, qualquer desvio na produção tende a ter impacto maior sobre o mercado. O fenômeno climático pode alterar o quadro de forma diferente em cada região. No Nordeste e no Centro-Sudeste, a menor chuva e as temperaturas mais altas podem reduzir a produção de leite e comprometer a oferta de forragens suplementares. No Sul, o excesso de chuva favorece as pastagens, mas aumenta o risco de eventos extremos que afetem a captação, a infraestrutura das propriedades e a produção de alimentos.

CNN BRASIL

EMPRESAS

Inovação nos lácteos: a estratégia da Vigor Alimentos para liderar em proteicos e praticidade

A Vigor Alimentos detalha sua estratégia operacional para alinhar saudabilidade, design estratégico e valorização cultural às novas necessidades de consumo do público brasileiro.

Com mais de um século de atuação, a Vigor Alimentos consolida sua presença no mercado por meio do desenvolvimento contínuo dentro das categorias lácteas. Durante essa trajetória histórica, a marca introduziu itens que se tornaram referência nacional como o queijo parmesão e o iogurte grego. Segundo a companhia, esse legado resulta em um entendimento profundo sobre as variações de comportamento do consumidor ao longo das décadas. “Para nós, inovação não significa romper com a nossa história, mas evoluí-la”, afirma a empresa, destacando a busca por transformar conhecimento técnico em soluções alinhadas às novas rotinas de consumo sem comprometer propriedades como sabor e cremosidade. Dentro dessa perspectiva de adaptação mercadológica, o lançamento do Chips de Parmesão Faixa Azul ilustra uma entrada estratégica no setor de snacks. O segmento teve um crescimento anual de 8% no número de consumidores dessa categoria no Brasil, o que motivou a conversão do tradicional queijo em um formato portátil. O produto também é “clean label”, elaborado exclusivamente com queijo, naturalmente sem lactose e oferece 16 gramas de proteína por porção. Disponível nos sabores parmesão, pimenta com salsa e cebola com salsa, a linha possui validade de 12 meses. A fabricante detalha que “a estratégia de entrada no mercado foi estruturada a partir de um piloto que se iniciou em agosto de 2025, em um grupo de clientes selecionados, no estado de São Paulo”, o que permitiu testes prévios antes da expansão nacional consolidada em janeiro de 2026. Paralelamente ao avanço na conveniência, a mudança no padrão alimentar geral impulsionou a extensão da linha Vigor zero+. Dados recentes da Nielsen indicam que a subcategoria de produtos zero lidera o crescimento no segmento de iogurtes, representando 64% da cesta de itens saudáveis. Atualmente com 12 opções, o portfólio da marca engloba requeijões de 200g e 400g, iogurtes líquidos sabor jabuticaba em formatos individual e familiar, além de bebidas lácteas e iogurte grego. A companhia reforça sua posição nas escolhas equilibradas e complementa a oferta com o Vigor Grego Protein, que “amplia uma linha já consolidada ao incorporar 10 gramas de proteína, respondendo à crescente busca por produtos com benefícios funcionais”. Outra frente determinante para a operação da fabricante envolve a atualização de suas embalagens, tratadas como ferramentas primárias de comunicação no ponto de venda. Um processo recente de reestruturação visual buscou modernizar a identidade corporativa para dialogar com novas gerações. De acordo com a instituição, “o principal desafio foi levar para as embalagens a evolução que já havíamos construído na identidade da marca”, mantendo ativos visuais fundamentais para sustentar o nível de confiança conquistado. Essa escuta ativa orienta o design a influenciar diretamente a decisão de compra de maneira intuitiva. No cenário de atuações regionais, a embalagem também assumiu contornos de preservação histórica, como evidenciado no trabalho concebido para o Queijo do Reino Jong. Consolidado no Nordeste, especialmente durante o São João e as festividades de fim de ano, o produto teve sua tradicional lata transformada em edição especial por meio de uma parceria com J. Borges, mestre da xilogravura e Patrimônio Vivo de Pernambuco.

MILKPOINT

INTERNACIONAL

PIERCRISTIANO BRAZZALE: O COMÉRCIO INTERNACIONAL ENFRENTARÁ UM DÉFICIT DE 30 MILHÕES DE TONELADAS DE LEITE ATÉ 2030
Ex-presidente da FIL (2020–2024) e atual representante ambiental no Comitê de Coordenação Científica e de Programas (SPCC) da FIL analisa a consolidação irreversível das fazendas leiteiras em todo o mundo e identifica a única prioridade de investimento na qual todo produtor de leite deveria se concentrar hoje.

“Na América do Sul, de onde a senhora vem: na Argentina, no Chile e no Brasil, as pequenas fazendas vão desaparecendo gradualmente enquanto as médias aumentam”. Nesta conversa com Piercristiano Brazzale, o foco passa do debate ambiental para a estrutura da produção: a consolidação global irreversível das fazendas leiteiras, a prioridade de investimento que deve guiar qualquer produtor e um número que atravessa toda a conversa: o mundo caminha para um déficit de leite no comércio internacional que, segundo projeções da FAO e do Rabobank, pode chegar a 30 milhões de toneladas até 2030. – No mundo todo, vemos uma consolidação constante das propriedades rurais e dificuldades generalizadas na sucessão geracional. Como o senhor imagina a estrutura das fazendas leiteiras daqui a uma década? P. Brazzale: “Sem dúvida, a agregação e a consolidação das fazendas leiteiras é um fenômeno irreversível, que acontece em todos os lugares. Na Europa, já está consolidado: o tamanho médio das fazendas é altíssimo. Mas também ocorre em países onde ainda existem pequenas fazendas familiares, como a América do Sul, a África e, sobretudo, a Índia. Lembre-se de que, das 132 milhões de pequenas fazendas leiteiras do mundo, 80 milhões estão na Índia, ainda que tenham, em média, de 2 a 3 vacas. No entanto, conversando com M. Shah, presidente do NDDB (National Dairy Development Board), o órgão estatal de laticínios da Índia, ele me contou que a consolidação está acontecendo lá também. Ou os pequenos produtores familiares se agrupam em cooperativas e concentram suas vacas em fazendas cooperativas, ou investem para crescer, porque, seja por razões econômicas, de conveniência ou para melhorar a gestão e a profissionalização, buscam se unir e abandonar as pequenas operações de 2 a 3 vacas por família, que se tornaram insustentáveis. Portanto, essa tendência a fazendas maiores é irreversível. E a América do Sul pode se tornar um ator-chave no abastecimento do leite que o mundo hoje não tem, porque as projeções (a situação do mercado hoje é um pouco negativa, sobretudo na Europa, onde parece haver superprodução), mas, na realidade, todas as projeções do Rabobank indicam que, até 2030, o comércio internacional terá um déficit de cerca de 30 milhões de toneladas de leite. São projeções do Rabobank, apesar de agora parecer haver oferta suficiente. Mas já existem os primeiros sinais de mercado, depois de um ano, ou de alguns meses, de excedente, de que o leite começa a escassear.” – Se tivesse que apontar uma única prioridade estratégica em que o produtor leiteiro deveria investir hoje para garantir sua operação nos próximos 15 anos, qual seria? P. Brazzale: “Se eu tivesse que dar um único conselho a um produtor de leite, seria investir em eficiência, em produtividade, em vacas produtivas, mas não excessivamente forçadas, porque uma vaca muito forçada também se torna mais frágil. Ou seja, vacas com o equilíbrio certo entre rusticidade, resiliência e produtividade e conversão alimentar. Na verdade, a eficiência de conversão alimentar é o primeiro ponto em que se deve investir. Depois, é preciso investir em tecnologia. Hoje existe também um problema de sucessão e um problema de mão de obra, de encontrar trabalhadores dispostos a atuar nas fazendas. Por isso é preciso investir em tecnologia, em robotização, em maior eficiência no preparo da dieta total misturada (unifeed) e em melhoramento genético; em suma, investir nas tecnologias de última geração. Sem dúvida, esse é um dos fatores que impulsionam a consolidação das fazendas, porque são investimentos logicamente caros, mas que trazem eficiência e permitem ao produtor permanecer no mercado graças à competitividade e à eficiência da produção. E faz sentido que apenas certas escalas permitam esse tipo de investimento. Mas eu vi esses investimentos de perto, visitando fazendas no Chile no ano passado, mas também na Argentina e até em fazendas novas na China, onde investiram enormemente em tecnologia e em genética. É a única forma de tornar o processo produtivo eficiente e o leite competitivo no mercado.”

edairynews

ECONOMIA

Dólar fecha em alta com pesquisas mostrando empate técnico entre Flávio e Lula

O dólar fechou a terça-feira pós-feriado no Brasil em alta, depois de novos dados da corrida presidencial indicarem empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto no exterior a moeda norte-americana cedeu ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista encerrou a sessão com elevação de 0,74%, a R$5,0227. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,50%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,56% na B3, aos R$5,0400. A nova pesquisa BTG/Nexus mostrou pela manhã Flávio com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão em empate técnico. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 5%. O levantamento foi realizado entre 10 e 12 de outubro. Essa foi a primeira pesquisa realizada pela Nexus após o primeiro turno, quando Flávio ficou 1,87 ponto percentual à frente de Lula. Na pesquisa PoderData/Aya, também divulgada na terça-feira, Flávio obteve 51% e Lula somou 49%, empatados dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. O segundo turno eleitoral acontece em 25 de outubro.  Na terça-feira o dólar se manteve em alta, na esteira dos números sobre a corrida eleitoral. “Ontem o dólar subiu lá fora, então hoje houve um ajuste técnico de alta na abertura da sessão no Brasil. Mas depois também surgiram as pesquisas, que assustaram o mercado”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Então, foi mais o ‘trade eleitoral’ que fez com que o dólar subisse ante o real”, acrescentou. O movimento esteve na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana recuou ante divisas fortes como o iene, o euro e a libra. O dólar também cedeu ante divisas de emergentes como a rupia indiana, o peso colombiano e o rand sul-africano, mas avançou ante o peso mexicano. Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,34%, a 102,190.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com correção e pesquisas eleitorais no radar

O Ibovespa encerrou a terça-feira em queda firme, após uma sessão marcada por realização de lucros depois dos recordes históricos da semana anterior, ao mesmo tempo em que investidores avaliaram as últimas pesquisas eleitorais sobre a disputa presidencial.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,08%, a 206.804,23 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 206.146,15 na mínima e 209.071,98 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da terça-feira somava R$40,53 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Mercado reduz previsão de Selic ao final do ano para 13,25% e eleva projeção de inflação no Focus

Economistas consultados pelo Banco Central veem agora a taxa básica de juros em 13,25% ao ano ao final de 2026, ao mesmo tempo que revisaram para cima seus cálculos para inflação medida pelo IPCA ao final deste ano, mostrou o Boletim Focus divulgado pelo BC na terça-feira, a primeira versão da pesquisa feita após o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no dia 4 de outubro.

De acordo com o levantamento do BC junto a cerca de 100 instituições financeiras, os agentes veem agora dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de novembro e dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano. Na semana passada, em pesquisa concluída na sexta-feira anterior ao primeiro turno da eleição presidencial, os agentes viam a Selic em 13,50% ao ano ao término de 2026. Para o fim de 2027, os economistas mantiveram a previsão da Selic em 12,00%. Os economistas ouvidos pelo BC também estimaram uma alta para 5,22% no IPCA ao final deste ano, ante 5,01% na semana passada, o que representa a quarta semana seguida de elevação na projeção da inflação. Para o ano que vem, a estimativa do IPCA se manteve em 4,30%, enquanto para 2028 foi reajustada para 3,79%, ante 3,80%. A meta de inflação é de 3,00% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Os agentes também alteraram suas estimativas para a cotação do real ante o dólar, vendo agora a moeda norte-americana valendo R$5,15 ao final deste ano, ante R$5,20 na semana anterior, e R$5,26 ao término do ano que vem, ante R$5,28. As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foram mantidas em 1,85% para este ano e em 1,40% para o próximo.

REUTERS

Exportações acumulam US$ 297,65 bilhões em 2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,48 bilhões até a segunda semana de outubro de 2026, com crescimento de 63,8% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na terça-feira (13), as exportações somaram US$ 12,99 bilhões, alta de 29,6%, impulsionadas pelo avanço das vendas da agropecuária, da indústria extrativa e da indústria de transformação.

Até a segunda semana de outubro, as exportações brasileiras cresceram 29,6% na comparação com outubro de 2025, alcançando US$ 12,99 bilhões. As importações também avançaram, com alta de 20,4%, totalizando US$ 9,51 bilhões. Com esses resultados, o saldo comercial ficou positivo em US$ 3,48 bilhões, enquanto a corrente de comércio — soma das exportações e importações — aumentou 25,5%, chegando a US$ 22,50 bilhões. No acumulado de janeiro até a segunda semana de outubro de 2026, as exportações somaram US$ 297,65 bilhões, crescimento de 11,3% em relação ao período correspondente de 2025. As importações atingiram US$ 231,77 bilhões, alta de 6,1%. Segundo dados divulgados pelo MDIC, o superávit acumulado chegou a US$ 65,88 bilhões, avanço de 34,6%. A corrente de comércio cresceu 9,0%, alcançando US$ 529,41 bilhões. Entre os setores exportadores, a agropecuária registrou crescimento de 21,7% até a segunda semana de outubro, com vendas de US$ 2,62 bilhões. A indústria extrativa avançou 51,7%, para US$ 3,62 bilhões, enquanto a indústria de transformação cresceu 21,3%, alcançando US$ 6,59 bilhões. Na agropecuária, a expansão foi influenciada principalmente pelo aumento das vendas de animais vivos, exceto pescados e crustáceos, com alta de 311,2%. As exportações de centeio, aveias e outros cereais não moídos avançaram 21.244,0%, enquanto as de soja cresceram 26,0%. Apesar do desempenho positivo do setor, alguns produtos registraram queda nas exportações. As vendas de milho não moído, exceto milho doce, recuaram 6,6%; as de café não torrado caíram 6,5%; e as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras diminuíram 61,3%. Na indústria extrativa, o crescimento das exportações foi acompanhado pelo avanço das vendas de minérios de níquel e seus concentrados, com alta de 240,5%. Os minérios de metais preciosos e seus concentrados registraram aumento de 1.869,8%, enquanto as exportações de óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos cresceram 117,7%. Nem todos os produtos do setor tiveram resultados positivos. As exportações de pedra, areia e cascalho caíram 75,5%; as de minério de ferro e seus concentrados recuaram 20,9%; e as de minérios de cobre e seus concentrados diminuíram 52,8%. Na indústria de transformação, a celulose teve alta de 69,7% nas vendas externas. Os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos, avançaram 227,7%, enquanto o ouro não monetário, excluídos minérios de ouro e seus concentrados, cresceu 64,1%. Em contrapartida, as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada caíram 33,1%. As vendas de açúcares e melaços recuaram 35,8%, e as de outras máquinas e equipamentos especializados para determinadas indústrias e suas partes diminuíram 69,6%. As importações avançaram nos três grandes setores da economia até a segunda semana de outubro. A agropecuária registrou alta de 26,7%, com compras de US$ 0,19 bilhão. Na indústria extrativa, o crescimento foi de 57,5%, para US$ 0,54 bilhão. Já a indústria de transformação avançou 18,4%, alcançando US$ 8,71 bilhões. Na agropecuária, o aumento das compras externas foi influenciado pelo trigo e centeio não moídos, com alta de 32,8%; pelos produtos hortícolas frescos ou refrigerados, que avançaram 194,6%; e pela soja, com crescimento de 82,3%. Apesar da expansão geral, houve recuos em algumas categorias. As importações de cevada não moída diminuíram 54,0%, enquanto as de centeio, aveia e outros cereais não moídos caíram 54,1%. As compras de tabaco em bruto recuaram 98,4%. Na indústria extrativa, as importações de outros minerais em bruto cresceram 60,0%, enquanto as de outros minérios e concentrados dos metais de base avançaram 173,4%. As compras de petróleo bruto ou de minerais betuminosos também aumentaram, com alta de 129,9%. Por outro lado, as importações de fertilizantes brutos, exceto adubos, caíram 88,8%. As compras de carvão não aglomerado recuaram 16,4%, e as de gás natural, liquefeito ou não, diminuíram 68,2%. Na indústria de transformação, os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos, registraram crescimento de 86,9% nas importações. Os geradores elétricos giratórios e suas partes tiveram alta de 607,5%, enquanto as partes e acessórios de veículos automotivos avançaram 50,0%. Entre os produtos com queda nas compras externas, os adubos ou fertilizantes químicos, exceto fertilizantes brutos, recuaram 7,5%. As importações de motores e máquinas não elétricos e suas partes, exceto motores de pistão e geradores, diminuíram 75,2%. Já os equipamentos de telecomunicações, incluindo peças e acessórios, registraram queda de 16,2%. Os dados divulgados pelo MDIC mostram que, até a segunda semana de outubro, o crescimento das exportações superou o das importações, ampliando o superávit comercial brasileiro tanto no resultado parcial do mês quanto no acumulado de 2026.

MDIC

Construção e serviços puxam geração de empregos no Paraná em agosto.

Setor de serviços amplia em 101,3% a geração de empregos e cria mais de 5 mil vagas no Paraná

O Paraná apresentou saldo positivo de 8.009 empregos formais em agosto, resultado 24,1% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Foram 173.438 admissões e 165.429 desligamentos, segundo levantamento da Fecomércio PR elaborado a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em agosto de 2025, o estado havia criado 6.453 postos de trabalho. O crescimento foi sustentado principalmente pelos setores de serviços e construção. Serviços respondeu pela criação de 5.076 empregos, mais da metade do saldo estadual e praticamente o dobro das 2.521 vagas geradas em agosto do ano passado. Na comparação anual, o crescimento foi de 101,3%. Dentro do setor, o maior saldo veio do grupo que reúne administração pública, educação, saúde humana e serviços sociais, com 3.100 vagas. Transporte, armazenagem e correio também tiveram participação relevante, com saldo de 1.299 postos de trabalho. Nem todas as atividades de serviços, entretanto, acompanharam o desempenho positivo. As atividades administrativas e os serviços complementares fecharam agosto com saldo negativo de 710 vagas. A construção apresentou o maior crescimento proporcional entre os principais setores da economia paranaense. O segmento criou 1.067 empregos em agosto, ante 420 no mesmo mês de 2025, uma expansão de 154%. Setores de serviços e construção impulsionaram a geração de empregos formais no Paraná em agosto de 2026, segundo dados do Caged analisados pela Fecomércio PR. Comércio e indústria encerraram o mês de agosto com mais admissões do que desligamentos, mas apresentaram saldos menores na comparação com o ano anterior. O comércio abriu 1.809 vagas, resultado, 19,2% inferior comparado aos 2.239 registrado em agosto de 2025. O comércio varejista concentrou 1.439 novos empregos, embora seu saldo tenha recuado 31,8% na comparação anual. Na indústria geral foram criados 130 postos de trabalho, ante 1.397 no mesmo período do ano passado, o que corresponde a uma redução de 90,7% no saldo. A distribuição dos empregos pelo estado também mostra resultados expressivos fora da capital. Foz do Iguaçu liderou a criação de postos de trabalho em agosto, com saldo de 1.028 vagas, seguida por Curitiba (906), Toledo (759), Londrina (559) e São José dos Pinhais (524). Outros municípios também apresentaram forte expansão na comparação anual. Cambará passou de saldo de dez empregos em agosto de 2025 para 234 neste ano, alta de 2.240%. Em Mangueirinha, o saldo avançou de nove para 116 vagas, crescimento de 1.188,9%. Pato Branco (144,3%), Francisco Beltrão (213,9%) e Telêmaco Borba (301,9%) também tiveram aumento expressivo. No Brasil, agosto também terminou com crescimento do emprego formal, mas em intensidade menor que a observada no Paraná. Foram criados 165.827 postos de trabalho no país, 7,2% acima do saldo de 154.683 registrado em agosto de 2025. Assim como no Paraná, os serviços lideraram a abertura de vagas no cenário nacional, com saldo de 110.346 empregos e crescimento de 31,2% na comparação anual.

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