Informativo Sindileite 251 30.10.2026

Ano 1 | nº 251 | 30 de outubro 2026

NOTÍCIAS

O que esperar do preço do leite pago ao produtor em 2027?

O desafio de 2027 não estará apenas em produzir, mas em equilibrar os altos custos de alimentação com um consumidor cada vez mais cauteloso.

“O desafio de 2027 não estará apenas em produzir, mas em equilibrar os altos custos de alimentação com um consumidor cada vez mais cauteloso.” A frase resume a perspectiva apresentada por Valter Galan, sócio da MilkPoint Ventures, durante o Dairy Vision 2026. Em sua palestra sobre as tendências para o mercado de leite no Brasil, o especialista analisou como a combinação entre oferta elevada, ainda sustentada pelas importações, e demanda mais fraca deve influenciar o setor no próximo ano, exigindo atenção à gestão de custos e às condições de mercado. A análise das margens do produtor de leite em 2026 mostra dois momentos distintos. No primeiro semestre, a relação entre receita e custo de alimentação (RMCA) recuou 17,3% em comparação com o mesmo período de 2025. Já o segundo semestre aponta recuperação de 12,5%, embora as incertezas climáticas permaneçam no radar. Galan destacou que o fenômeno El Niño aumenta as incertezas em relação à safra de grãos. Enquanto a produção leiteira do Sul ainda não apresenta impactos severos, regiões como o MATOPIBA enfrentam escassez de chuvas, e o Mato Grosso do Sul lida com excesso hídrico, que compromete o plantio. Essas condições podem afetar os custos de produção, com estimativa de alta de 19,8% no preço da ração já no primeiro semestre de 2027. No mercado internacional, o crescimento da produção de leite vem perdendo ritmo. Ao mesmo tempo, o avanço das vendas internacionais tem contribuído para a elevação dos preços globais. No Brasil, porém, a competitividade do Mercosul e os contratos já firmados devem manter as importações em níveis elevados até o fim do último trimestre de 2026. A oferta disponível encontra um consumidor mais cauteloso no varejo. Dados da ABRAS e da FIPE apresentados por Galan mostram uma desaceleração no volume de vendas de lácteos: depois de registrar crescimento de até 10% no início de 2025, o indicador chegou a uma prévia de apenas 0,7% em outubro de 2026. Esse movimento também se reflete nos estoques da indústria. Em outubro, os estoques de muçarela chegaram a 18,1 dias, patamar elevado que aumenta a pressão comercial e influencia os preços negociados com o varejo. O leite UHT, por sua vez, apresentou estoques mais controlados, enquanto o leite em pó fracionado ganhou espaço nas vendas, favorecido por preços mais baixos. Nesse contexto, o índice de suficiência de leite marcou -1,0% em outubro, indicando menor escassez de matéria-prima no mercado. Para 2027, as projeções apontam para um início de ano com disponibilidade de leite superior à registrada no primeiro trimestre de 2026. Ao longo dos meses seguintes, a oferta deve recuar sazonalmente, enquanto as importações tendem a perder força de maneira gradual, à medida que diminui a competitividade do produto importado. A demanda, por outro lado, deve começar o ano ainda limitada pelas incertezas econômicas e pelos preços ao consumidor. Com base nessas variáveis, Galan apresentou dois cenários para os preços pagos ao produtor em 2027: Cenário 1: alta de 3,1% em relação a 2026. A projeção considera uma demanda sem recuperação significativa e uma oferta interna ainda confortável, combinação que manteria a pressão de baixa sobre as cotações, sobretudo no segundo semestre. Cenário 2: alta de 4,9% bem relação a 2026. Nesse cenário, a redução mais acentuada das importações, somada a um ritmo menor de crescimento da produção nacional, contribuiria para aliviar a pressão sobre os preços na reta final do ano. Apesar das diferenças entre as projeções, a análise indica que a gestão das margens continuará sendo um dos principais desafios para o produtor de leite brasileiro. A perspectiva é de que 2027 comece com rentabilidade superior à observada no início de 2026, mas essa condição poderá perder força ao longo do ano, diante do custo elevado da alimentação.

MILKPOINT

NACIONAL

Conseleite/RS: valor de referência do leite para outubro é projetado com variação de -2,98%

Segundo o Conseleite do Rio Grande do Sul, o valor de referência do leite para outubro terá uma variação de -2,98% em relação ao preço projetado para o mês anterior.

O valor de referência projetado pelo Conseleite para o leite no Rio Grande do Sulem outubro é de R$ 2,3197. Atendendo à curva prevista para este período do ano, o valor está 2,98% abaixo do projetado para o mês anterior (R$ 2,3910) e demonstra um nível de estabilidade no mercado que vem desde o mês de maio. O levantamento também trouxe o resultado final de setembro, quando o valor de referência do leite fechou em R$ 2,3964, 0,93% abaixo do consolidado de agosto (R$ 2,4189). Os dados consideram os primeiros 20 dias do mês de outubro e levam em conta os novos parâmetros do Conseleite, atualizados com informações de 2025. Segundo o vice coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, o temor é com uma possível alta da inflação. Preocupam também os impactos para o mercado lácteo com o fim do Programa Mais Leite Saudável, que deve ocorrer com o início da vigência da Nova Reforma Tributária em janeiro de 2027. “O Mais Leite Saudável tem impacto direto no campo, na melhoria dos processos produtivos e é hoje uma ferramenta de competitividade para o leite brasileiro em relação ao leite importado. Sem ele, teremos avanço nas importações pela frente”, alerta Palharini, citando que as aquisições de produtos pelo Brasil bateram recorde em outubro de 2026.

Conseleite/RS

Conseleite/MG divulga projeção de -1,9% no preço do leite entregue em outubro

O Conseleite de Minas Gerais divulgou uma projeção com variação de -1,9% em relação ao mês anterior.

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 28 de Outubro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Setembro/2026 a ser pago em Outubro/2026. b) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Outubro/2026 a ser pago em Novembro/2026.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil células somáticas/mlmil ufc/ml
Maior Valor de Referência8.0004,203,8020020
Valor Médio de Referência5003,703,2540080
Menor Valor de Referência1603,002,90500300
 
Valor Base de Referência1603,303,10400100

VALORES DA MATÉRIA PRIMA POSTO PROPRIEDADE EM SET/26 E PROJETADOS PARA OUT/26

MATÉRIA-PRIMASETEMBRO/2026OUTUBRO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em Setembro/26 a ser pago em Outubro/26 (R$/l)Leite entregue em Outubro/26 a ser pago em Novembro/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência3,37113,3070-0,0641-1,9%
Valor Médio de Referência2,86582,8113-0,0545-1,9%
Menor Valor de Referência2,47732,4302-0,0471-1,9%
 
Valor Base de Referência2,67552,6246-0,0509-1,9%

Nota Técnica

O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.

Atenção: A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para breve. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.

Variações nos preços de venda dos derivados pela indústrias participantes do Conseleite MG

ProdutosAgo/26 p/ Set/26Set/26 p/ Parc. Out/26
Leite em Pó-2,5%0,3%
Leite UHT-3,9%-2,6%
Muçarela-4,1%-2,8%
Leite Condensado1,2%0,0%
Demais Produtos-1,4%-1,6%
Valor de Referência-1,9%-1,9%

Períodos de apuração: Mês de Setembro/2026: De 01/09/2026 a 30/09/2026

Parcial de Outubro/2026: De 01/10/2026 a 20/10/2026

Variações nos valores de referência de derivados selecionados e médio – Conseleite MG

ProdutoSETEMBRO/26OUTUBRO/26VARIAÇÃO
Valor de referência para o
produto final (R$/litro)
Valor de referência para o
produto final (R$/litro)
R$/litro%
Leite em Pó2,47502,48330,00820,3%
Leite UHT2,78992,7173-0,0726-2,6%
Mussarela2,72382,6478-0,0760-2,8%
Leite Condensado2,65632,65640,00010,0%
Valor de Referência2,67552,6246-0,0509-1,9%

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CONSELEITE/MG

INTERNACIONAL

O QUE A IA NA INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS JÁ FAZ DENTRO DA PLANTA

A IA na indústria de laticínios já saiu do discurso e entrou na planta. Mas o ganho não está onde se imagina. Dos tanques de queijo aos caminhões de leite, a IA virou assunto de quem fecha a conta da fábrica.

A IA na indústria de laticínios começa a render menos como projeto de tecnologia e mais como ferramenta de decisão no dia a dia da planta. É assim que ela encontra a sustentabilidade: ao mostrar onde matéria-prima, energia e água estão sendo perdidas, ajuda a produzir mais com o mesmo leite. A premissa, porém, é menos sofisticada do que parece. Jared Hellenick, da Infor, diz que a primeira pergunta diante de perdas como a captura de soro ou a quebra de produto é se elas estão sendo medidas corretamente. “Se você não mede, não há muito que qualquer tecnologia possa fazer”, afirma. Para ele, a IA rende mais quando está embutida no fluxo de trabalho, não acoplada como um “puxadinho”. Isso explica por que o relatório de 2025 da IDFA sobre IA no setor trata a qualidade e a prontidão dos dados como pré-requisito. Sensores, equipamentos e sistemas de gestão precisam entregar informação confiável antes de a IA recomendar qualquer coisa. Entre as aplicações listadas estão otimização de rendimento, manutenção preditiva, planejamento da cadeia, gestão de armazéns, redução de desperdício e gestão de energia. O efeito aparece em números na Valley Queen Cheese, em Milbank. Com a tecnologia de IA e aprendizado de máquina da Ever.Ag, a empresa reduziu em cerca de 10% o desvio-padrão de métricas-chave de produção, segundo a fornecedora. O resultado foi mais consistência no rendimento e menos tinas abaixo do padrão, sem mexer nos equipamentos principais. “Estamos otimizando estratégias de formulação, reduzindo desperdício e contando com informação em tempo real, não apenas retrospectiva”, diz Jason Mischel, vice-presidente da Valley Queen. A conta da sustentabilidade é direta: quanto mais produto vendável sai da mesma matéria-prima, menos recursos se gastam por unidade. Cada tina fora do padrão consome energia, água e insumos sem gerar o valor esperado. A lógica vale também fora da fábrica. A Dairy Farmers of America, cuja frota percorre mais de 270 milhões de milhas por ano, usa monitoramento de motoristas com IA e relata melhora nas métricas de direção e na eficiência de combustível. Já a Land O’Lakes usa insights de IA para orientar produtores em rações e saúde das vacas, e estuda IA e internet das coisas para dar mais transparência à cadeia. Na energia, a cooperativa Agri-Mark, dona da Cabot Creamery e da McCadam, trocou em West Springfield um sistema de evaporação a vapor por outro de recompressão mecânica de vapor. A Eversource estima uma economia de cerca de 967 mil therms de gás natural por ano. A fonte não descreve esse projeto como IA. Há, porém, a conta que o entusiasmo costuma deixar de fora. A IA exige capacidade de computação e infraestrutura de dados, e a refrigeração do hardware usado para treinar e operar modelos generativos pressiona o abastecimento municipal de água. Um relatório recente da ONU estima que data centers de IA podem consumir até 9,3 trilhões de litros de água até 2030. Por isso, as aplicações mais úteis tendem a ser as ligadas a melhorias operacionais mensuráveis. O próximo passo é sair do modo reativo. Rachel McGinnis, da Ecolab, vê o setor usando algoritmos e dados de sensores para ajustar a produção e a limpeza em circuito fechado (CIP) de forma proativa. Um problema no início do processo pode afetar a filtração por membranas adiante, e o padrão pode ser reconhecido antes que o desempenho se deteriore. Hellenick aposta que a IA passará de relatar o que aconteceu para recomendar o que fazer, mas lembra que quem opera o processo precisa participar da validação das recomendações. Thomas Wojno, da IDFA, acrescenta que governança, cibersegurança e preparo organizacional entrarão na pauta conforme a adoção avançar. “O objetivo é resolver os problemas antes que eles se tornem custosos”, diz Hellenick. “Os próximos cinco anos serão sobre decisões mais rápidas, resultados mais precisos e processos mais repetíveis.”

DAIRY PROCESSING 

ECONOMIA

Dólar sobe a R$5,3875 influenciado por exterior e preocupações com novo governo Lula

O dólar fechou a quinta-feira em alta no Brasil, apoiado pelo avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior e pelas preocupações em torno do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou com elevação de 0,76%, a R$5,3875. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 1,85%. Às 17h04, o dólar futuro para novembro subia 0,86% na B3, aos R$5,3950. Os Estados Unidos divulgaram pela manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% de economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%. Já o núcleo do índice de inflação PCE, bastante acompanhado pelo Federal Reserve para a formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado. Após os números, o dólar acelerou ganhos ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real. No caso da divisa brasileira, as cotações também encontraram suporte no atual cenário pós-eleitoral, de dúvidas sobre o próximo mandato de Lula. Ao mesmo tempo em que aguardavam indicações sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os agentes esperavam por detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo. O controle das contas públicas segue como a principal preocupação dos investidores. “As preocupações com o fiscal, com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar o avanço da moeda norte-americana. “E lá fora o dólar também sobe ante as outras divisas de emergentes.” “Acompanhando essa tensão local e a busca natural por proteção de patrimônio, o dólar comercial registrou uma forte valorização frente ao real”, reforçou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Segundo ela, o avanço do dólar “evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um aperto monetário prolongado”. Ainda em relação ao noticiário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, chegou na quarta-feira aos EUA após fugir do Brasil. Investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta “legítimo presidente eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”. Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, reconheceram a eleição de Lula. No mercado, um dos receios é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, no limite, o câmbio.

REUTERS

Ibovespa fecha abaixo de 170 mil pontos com Bradesco entre pressões

O Ibovespa engatou a quarta queda seguida e fechou abaixo de 170 mil pontos na quinta-feira, com Bradesco entre as maiores pressões de baixa, em meio a relatórios de analistas com tom mais negativo sobre o banco, assim como Ambev, após o resultado trimestral. 

Dados de inflação nos Estados Unidos também ocuparam as atenções, enquanto investidores seguem na expectativa de novidades sobre os planos para a economia, principalmente a questão fiscal, a partir do ano que vem, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,85%, a 169.555,23 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima, chegou a 168.765,35 pontos. Na máxima, a 171.402,97 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$35,45 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Dívida pública federal sobe 0,97% em setembro, para R$9,383 trilhões, diz Tesouro

A dívida pública federal do Brasil teve variação positiva de 0,97% em setembro ante agosto, para R$9,383 trilhões, informou o Tesouro Nacional na quinta-feira, com o endividamento sob pressão dos gastos do governo com juros.

No período, a dívida pública mobiliária federal interna somou R$9,037 trilhões, com variação positiva de 1,04%, enquanto a dívida pública federal externa atingiu R$345,41 bilhões, com recuo de 0,82% no mês. A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma apropriação de juros de R$89,29 bilhões e uma emissão líquida de títulos no valor de R$3,78 bilhões. O Tesouro destacou que foi observada no mês de setembro maior aversão ao risco diante do aperto monetário nos Estados Unidos, da elevação de taxas de juros de títulos públicos em economias avançadas e do conflito no Oriente Médio. O mês imediatamente anterior às eleições presidenciais no Brasil apresentou queda nos juros futuros, com o Tesouro destacando corte na taxa Selic e sinais de desaceleração da atividade. Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna teve leve recuo, passando de 13,96% ao ano em agosto para 13,89% no mês passado. Em relação à composição da dívida pública federal, a participação dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, recuou a 51,6% do total, contra 52,7% em agosto. O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 49% a 53% do estoque neste ano, após o governo ter elevado esse alvo diante de um cenário de incerteza e volatilidade com a guerra no Irã. No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$1,273 trilhão, suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos de títulos, nível considerado confortável pelo governo. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque ficou estável em 4,10 anos. Sobre o mês de outubro, o Tesouro disse que “o mercado de juros apresentou forte alta diante da reprecificação de expectativas e do ajuste de posições após o resultado eleitoral”. No mês, o mercado chegou a apresentar ganhos expressivos no valor de ativos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno das eleições presidenciais. O cenário se inverteu após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno no domingo, com forte queda da bolsa brasileira e altas do dólar e dos juros futuros nesta semana. Para dar liquidez ao mercado no momento de estresse, o Tesouro recomprou R$31,6 bilhões em títulos prefixados e indexados à inflação nesta semana. Em entrevista à imprensa, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou que o órgão segue monitorando o mercado de títulos e está pronto para atuar a qualquer momento, caso seja observado algum tipo de disfuncionalidade.

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Dívida bruta brasileira atinge 82,93% do PIB em setembro, maior nível em mais de cinco anos

A dívida bruta do Brasil ficou em 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, ligeiramente acima do patamar de 82,87% registrado em agosto, alcançando o maior nível em mais de cinco anos, conforme dados do Banco Central divulgados na quinta-feira.

O desempenho reflete pressão de gastos do governo com juros sobre o endividamento, enquanto um resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e o crescimento da atividade econômica ajudaram a compensar esse movimento de deterioração. O patamar de setembro da dívida pública bruta é o mais alto desde março de 2021, quando estava em 85,10% do PIB em meio a pesados desembolsos do governo em ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19. A dívida líquida do setor público, por sua vez, foi a 70,0% em setembro, de 69,3% no mês anterior. No mês passado, o setor público registrou um déficit primário de R$5,5 bilhões, saldo pior do que o superávit de R$0,5 bilhão esperado por economistas, segundo pesquisa da Reuters. Os dados do BC mostram que o governo central teve superávit de R$3,469 bilhões, enquanto Estados e municípios registraram déficit primário de R$5,573 bilhões e as estatais tiveram saldo negativo de R$3,393 bilhões.

REUTERS

Endividamento das famílias brasileiras marca novo recorde a despeito de medidas do governo, mostra BC

O endividamento das famílias brasileiras como proporção da renda acumulada em 12 meses subiu para um recorde de 50,1% em agosto, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida também atingiu o maior nível da história, de 29,0%, mostraram dados do Banco Central na quinta-feira.

Os números, que tratam do endividamento bancário, evidenciam a crescente pressão sobre as finanças das famílias em meio aos elevados custos dos empréstimos e ao rápido crescimento de modalidades de crédito mais caras, incluindo cartão de crédito e empréstimos sem garantia. O movimento se dá a despeito de dois programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que utilizaram garantias do Tesouro para apoiar o refinanciamento de débitos. Lula, que conquistou a reeleição no último domingo, também prometeu durante a campanha realizar um leilão para comprar dos bancos dívidas de consumidores com desconto, enquanto o Banco Central afirmou que prepara novas medidas para conter a concessão predatória de crédito. Excluindo o crédito imobiliário, o endividamento das famílias subiu para 31,0% em agosto, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida avançou para um recorde de 26,7%. Dados separados do Banco Central sobre o desempenho do crédito bancário em setembro mostraram que a taxa de inadimplência no segmento de crédito livre para famílias e empresas — no qual as instituições financeiras têm liberdade para definir as taxas de juros — permaneceu no nível recorde de 6,6% no mês, mesmo nível de agosto. A inadimplência nesse segmento subiu 1 ponto percentual no acumulado do ano. O estoque de crédito no Brasil cresceu 0,4% em setembro ante o mês anterior, para R$7,4 trilhões, enquanto a expansão do crédito em 12 meses desacelerou para 8,6%, ante 9,4% até agosto. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, no crédito livre foi de 35,5 pontos percentuais em setembro, de 34,7 pontos percentuais em agosto. Em meio a uma política monetária restritiva, o Banco Central projetou em setembro que o estoque de crédito no Brasil crescerá 9,1% neste ano, desacelerando ante uma expansão de 10,4% em 2025. O Banco Central se reúne na próxima semana para sua próxima decisão sobre os juros, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual que levaram a taxa básica Selic a 13,75%.

REUTERS

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