Ano 1 | nº 252 | 03 de novembro 2026
NOTÍCIAS
CEPEA: Preço do leite cai 5% em setembro impulsionado por maior oferta interna
Em setembro, o preço médio do leite cru pago ao produtor recuou 5% em relação a agosto, fechando a R$ 2,76/litro na “Média Brasil”.
O levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que, em setembro, o preço médio do leite cru captado por laticínios e cooperativas recuou 5% frente a agosto passando para R$ 2,76/litro (“Média Brasil”). Na comparação com setembro/25, porém, houve avanço real de 8,31% (valores deflacionados pelo IPCA de setembro/26). O movimento reflete a maior disponibilidade de matéria-prima no mercado interno, impulsionada pela recuperação sazonal da produção, especialmente no Sudeste, e pela concorrência com os produtos importados. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 2,16% de agosto para setembro, considerando a “Média Brasil”. No mercado de derivados, setembro também registrou quedas nos preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó fracionado negociados no atacado paulista. Além da maior oferta interna de matéria-prima, o avanço das importações reforçou a pressão sobre os preços. Em São Paulo, pesquisas do Cepea realizadas com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostram que os preços do UHT, do leite em pó e da muçarela caíram 4,76%, 4,38% e 2,77%, respectivamente, frente a agosto. No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos cresceram 8,38% de agosto para setembro, somando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite (EqL), segundo dados da Secex. As exportações também avançaram, em 6,05%, totalizando 5,57 milhões de litros em EqL. Como o aumento das compras externas foi mais expressivo, o déficit da balança comercial de lácteos cresceu 8,4% frente a agosto. A entrada de produtos importados, sobretudo leite em pó e queijos, amplia a disponibilidade interna e intensifica a concorrência com a produção nacional. Segundo o Cepea, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em setembro. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,46% na “Média Brasil”, impulsionado pelo encarecimento dos insumos para alimentação do rebanho. O grupo de concentrados registrou alta de 0,84%, refletindo as valorizações do milho, da soja e do farelo de soja. A continuidade desse movimento pode manter os custos sob pressão em outubro.
CEPEA
Ração para bovinos leiteiros registra incremento de 1,8% no semestre
Volume chegou a 3,8 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2026, em meio à pressão sobre as margens e à concorrência dos produtos importados.
A produção brasileira de rações para bovinos leiteiros alcançou 3,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). O avanço ocorreu em uma conjuntura de pressão sobre a remuneração dos produtores de leite. Na avaliação de Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai prejudicam a produção doméstica ao ampliar a concorrência no mercado brasileiro. A compressão das margens reduz a capacidade de investimento das propriedades e pode comprometer a permanência de produtores na atividade. Dados da Epagri/Cepa sobre o comércio brasileiro de lácteos em 2025 mostram a relevância desses fornecedores. Argentina e Uruguai responderam, juntos, por quase 90% do volume de lácteos importado pelo Brasil naquele ano. O leite em pó representou aproximadamente 76% dos produtos lácteos importados, enquanto os queijos responderam por cerca de 24%. Nesse contexto, a alimentação do rebanho tem peso direto na gestão econômica das propriedades. O desafio é adequar a dieta às exigências de produção e às condições de cada sistema, buscando eficiência no uso dos nutrientes sem comprometer o desempenho dos animais. O Sindirações destaca a importância de soluções nutricionais que melhorem o retorno por litro de leite produzido. A evolução da produção de ração, entretanto, não permite concluir isoladamente se houve aumento da produtividade por vaca ou melhora da margem do produtor, indicadores que dependem também do preço recebido pelo leite e dos demais custos da atividade.
O Presente Rural
EMPRESAS
Tirolez avança em remuneração do leite por sólidos e integra dados do campo à indústria
Novo modelo busca valorizar a composição e a qualidade da matéria-prima, melhorar o rendimento na fabricação de queijos e ampliar a produtividade e a competitividade dos lácteos em toda a cadeia de valor.
Dois volumes iguais de leite podem apresentar potenciais de transformação bastante diferentes, dependendo da concentração de proteína, caseína e gordura, além das condições sanitárias e microbiológicas. Para uma indústria cujo principal negócio é a fabricação de queijos, essas diferenças impactam diretamente o rendimento e a rentabilidade. É a partir dessa perspectiva que a Tirolez avança na implantação de um novo modelo de remuneração do leite por sólidos, associado a uma transformação mais ampla na gestão da matéria-prima. A proposta é reconhecer não apenas o volume entregue pelos produtores, mas também a composição e a qualidade do leite, acompanhando o destino de cada componente ao longo do processamento. “É uma mudança importante e necessária: sair de uma visão baseada apenas em volume e passar a gerir o valor presente em cada litro de leite”, explica Bruno Castanheira, gerente executivo de Originação de Leite da Tirolez. Historicamente, a cadeia láctea brasileira foi estruturada com base no volume, enquanto o pagamento e o custeio por sólidos já são práticas consolidadas em importantes mercados internacionais. A empresa busca adaptar essas referências à realidade de seus fornecedores e de suas operações, conectando a qualidade da matéria-prima ao aproveitamento industrial e ao resultado econômico do negócio. A estratégia está estruturada em três frentes: originação inteligente e arbitragem de sólidos, custeio por sólidos e transformação digital. Na primeira, o objetivo é reconhecer os produtores que entregam leite com maior concentração de sólidos e melhor qualidade, além de direcionar a matéria-prima às aplicações de maior retorno econômico. Na segunda, o custeio por sólidos permite compreender com maior precisão a contribuição dos componentes na formação dos custos e no aproveitamento da matéria-prima. Já a terceira busca integrar dados para ampliar a rastreabilidade, acelerar decisões e reduzir perdas. Na indústria queijeira, melhorar a composição do leite é estratégico porque a matéria-prima representa a maior parcela do custo de produção. “Quanto melhor essa composição, maior o potencial de rendimento e de aproveitamento da matéria-prima”, destaca Gustavo Almeida, Gerente Executivo de P&D e Engenharia da Tirolez. A análise passa, assim, a considerar não apenas o volume de leite recebido ou de queijo produzido, mas também quanto de gordura, proteína e outros sólidos é incorporado ao produto, quanto segue para fluxos como soro e creme e quanto se perde no processo. Essas informações permitem melhorar o aproveitamento da matéria-prima, elevar a produtividade e tornar os produtos lácteos mais competitivos. Com a remuneração por sólidos, o volume continua importante, mas deixa de ser o único direcionador de valor. Os produtores deverão acompanhar principalmente os teores de proteína e gordura, com atenção especial à caseína, além de indicadores como contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CBT)/contagem padrão em placas (CPP). Nutrição, qualidade dos volumosos, genética e manejo influenciam a composição do leite. Saúde do úbere, higiene de ordenha, resfriamento e conservação são fundamentais para a qualidade sanitária e microbiológica. “O objetivo não é simplesmente criar novos critérios de cobrança, mas construir um sistema de incentivo”, afirma Bruno. Para que o modelo funcione, a Tirolez considera essencial que os produtores compreendam como a composição do leite influencia a remuneração. A empresa prevê utilizar uma calculadora de sólidos, demonstrativos simulados de pagamento e materiais de comunicação para apresentar os componentes avaliados, os critérios de bonificação e seus efeitos sobre o valor recebido. A intenção é ir além do demonstrativo de pagamento. Com históricos comparáveis, os fornecedores poderão acompanhar a evolução de gordura, proteína, CCS e CBT/CPP, relacionando os resultados às mudanças realizadas na propriedade e identificando quais ações geram melhorias.
MILKPOINT
TURISMO DO LEITE
Turismo no Paraná: Rota do Leite inspira criação de 95 souvenirs regionais
A produção do Vale do Leite no Paraná, suas tradições e culturas estão servindo de inspiração para artesãos e pequenos empreendedores criativos.
A produção do Vale do Leite no Paraná, suas tradições e culturas estão servindo de inspiração para artesãos e pequenos empreendedores criativos desenvolverem produtos que representam a identidade da região. Ao todo, 95 produtos de participantes de Castro, Carambeí, Arapoti, Palmeira, Tibagi, Ponta Grossa e Curitiba estão em processo de curadoria técnica e de mercado, como parte de uma iniciativa do Sebrae/PR e da Prefeitura de Castro para fortalecer a Rota do Leite. A seleção integra a Jornada de Formatação de Produtos de Identidade da Rota do Leite, que oferece capacitações, mentorias e oficinas de design, além de orientações sobre precificação e marketing. A proposta é transformar referências culturais do território em produtos criativos e souvenirs que possam ser comercializados e levados pelos turistas como lembranças da região. Para a consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, a participação de empreendedores de diferentes municípios demonstra o potencial da economia criativa para ampliar as oportunidades de negócios associadas ao turismo regional. “Ter quase 100 produtos inscritos de diferentes municípios mostra a força criativa do nosso território e o envolvimento dos empreendedores em desenvolver produtos da Rota do Leite no Vale do Leite. Queremos valorizar produtos que contém a nossa história, expressem a nossa identidade e gerem oportunidades para os pequenos negócios É também uma forma de enriquecer a experiência de quem nos visita, permitindo que o turista leve consigo uma lembrança com significado e conexão com a região”, detalha Nádia. Para Nádia, a curadoria considera o significado cultural dos produtos, a representatividade regional e a conexão com a identidade da Rota do Leite. Para os itens gastronômicos, também são verificadas as licenças e autorizações exigidas para comercialização e consumo. A avaliação reúne equipes do Sebrae/PR e da Prefeitura de Castro, representantes de entidades e da iniciativa privada, profissionais do mercado e integrantes do Grupo Gestor da Rota. Os produtos selecionados serão anunciados ainda em novembro de 2026. O vice-presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Guilherme Proença, lembra que a criação da Rota do Leite foi inspirada em uma experiência de turismo regional e construída a partir da parceria entre o Sebrae/PR e a Prefeitura de Castro, com o objetivo de integrar os municípios em torno da vocação leiteira do território. “Através de uma missão técnica realizada em 2025 no Vale dos Vinhedos, surgiu a intenção de fortalecer o turismo regional, através de elementos singulares de nossa região: a produção leiteira, o leite e seus derivados. Levando o projeto não só para Castro, mas para todos os municípios que fazem parte da Rota, acreditando no fortalecimento em conjunto”, lembra Proença.
MILKPOINT
INTERNACIONAL
EUA: Bezerros de cruzamento leiteiro com raças de corte podem ganhar 33 kg a mais com manejo nutricional adequado
O manejo nutricional nos primeiros meses de vida pode fazer uma diferença significativa no desenvolvimento de bezerros provenientes do cruzamento de vacas leiteiras com touros de raças de corte.
Avaliações conduzidas pela Purina Animal Nutrition, nos Estados Unidos, apontaram que animais submetidos a programas nutricionais adequados alcançaram quase 136 kg aos três meses de idade, enquanto aqueles criados em programas tradicionais apresentaram peso médio de aproximadamente 103 kg. A diferença, de cerca de 33 kg por animal, foi destacada em reportagem publicada pela Drovers, em 29 de outubro de 2026, que reuniu informações de especialistas da Land O’Lakes Animal Milk Solutions e de profissionais ligados à terminação de bovinos. O tema ganha importância diante da expansão do sistema conhecido como beef-on-dairy, no qual vacas leiteiras são inseminadas com sêmen de touros de corte para produzir bezerros destinados à produção de carne. Nos Estados Unidos, esses animais têm alcançado elevada valorização comercial, com bezerros cruzados chegando a ser comercializados por US$ 1.300 ou mais, conforme os exemplos apresentados na reportagem. Entretanto, os especialistas alertam que o potencial genético desses animais pode ser comprometido quando recebem manejo semelhante ao tradicionalmente utilizado para machos de origem leiteira destinados à venda precoce. Segundo Tom Earleywine, diretor de serviços nutricionais da Land O’Lakes Animal Milk Solutions, os bezerros provenientes do cruzamento de raças leiteiras com raças de corte apresentam características que exigem atenção especial durante a criação. O especialista explica que esses animais podem se beneficiar do vigor híbrido resultante do cruzamento, mas precisam receber alimentação adequada para expressar seu potencial de crescimento. Uma das preocupações é que sistemas tradicionais de criação de bezerros leiteiros nem sempre foram desenvolvidos considerando o valor comercial e os objetivos produtivos desses animais cruzados. De acordo com Earleywine, muitos produtores investem em genética de corte para obter animais de maior valor, mas continuam utilizando práticas de alimentação que podem limitar seu desenvolvimento. As avaliações realizadas pela Purina envolveram aproximadamente 6 mil bezerros provenientes de cruzamentos entre raças leiteiras e de corte, distribuídos em diferentes experimentos. Os resultados mostraram que programas nutricionais adequados permitiram maior desenvolvimento corporal, sem necessariamente produzir animais com estruturas excessivamente grandes ou características indesejáveis para a produção de carne. Para o especialista, o fornecimento adequado de proteína, energia e aminoácidos desde os primeiros dias de vida é fundamental para permitir que os animais expressem as características genéticas herdadas das raças de corte. Além do crescimento e da saúde, a reportagem destaca a relação entre o desenvolvimento inicial dos bezerros e seu potencial de produção de carne. Entre os aspectos mencionados está a formação de adipócitos, células responsáveis pelo armazenamento de gordura, incluindo aquela que poderá contribuir para o marmoreio da carne. Entretanto, o potencial de qualidade da carne depende de diferentes fatores, incluindo genética, nutrição e manejo ao longo de toda a vida do animal. Trista Brown-Priest, profissional responsável pela avaliação de milhares de bovinos cruzados que chegam ao confinamento Cattle Empire, no Kansas, afirma que esses animais podem apresentar resultados semelhantes aos bovinos tradicionais de corte quando recebem manejo adequado. Segundo ela, os animais cruzados têm apresentado resultados competitivos em ganho de peso, rendimento de carcaça e premiações por qualidade. Em alguns casos, a genética Holandesa também pode contribuir para pesos finais de abate mais elevados. A expansão do cruzamento entre vacas leiteiras e touros de corte representa uma oportunidade de geração de receita adicional para propriedades leiteiras, especialmente quando os bezerros apresentam características valorizadas pelos compradores. Entretanto, os especialistas destacam que o aproveitamento desse potencial depende de decisões tomadas desde o nascimento. Para Williams, o principal desafio é reconhecer que esses bezerros fazem parte da cadeia de produção de carne bovina e precisam ser manejados considerando seu destino produtivo. Os resultados apresentados nos Estados Unidos reforçam que investir em genética de corte em rebanhos leiteiros é apenas uma parte do processo. Para aproveitar o potencial desses cruzamentos, é necessário garantir condições adequadas de desenvolvimento e saúde desde os primeiros dias de vida.
DROVERS/BEEFPOINT
ECONOMIA
Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
O dólar fechou a sexta-feira com alta superior a 1% e próximo dos R$5,45, novamente empurrado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos receios com o futuro da política fiscal no Brasil.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 1,09%, a R$5,4460, maior cotação de fechamento registrada em 2026. O saldo da semana pós-segundo turno foi de valorização de 9,15% do dólar ante o real. Em outubro, o dólar à vista acumulou ganho de 5,27%. Às 17h12, o dólar futuro para dezembro — que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,06% na B3, aos R$5,4730. A primeira metade da sessão desta sexta-feira foi marcada pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,4206 na compra e R$5,4212 na venda. Além do fator técnico que influenciou as cotações, o mercado seguiu sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, que surpreendeu o mercado e provocou a escalada do dólar ao longo da semana. Ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo. Durante a tarde da sexta-feira, investidores também elevaram a demanda por dólares em busca de proteção no fim de semana prolongado no Brasil, com feriado de Finados na segunda-feira. Às 15h52, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,4625 (+1,39%), para depois encerrar pouco abaixo dos R$5,45. O movimento no Brasil, marcado por fatores técnicos e pelos desdobramentos da eleição, colocou em segundo plano o exterior, onde o dólar também sustentou altas ante alguns pares do real, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.
REUTERS
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido na sexta-feira e cravou a maior queda semanal desde 2020, pressionado no período por uma forte reprecificação das ações na bolsa paulista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12% – a maior desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid. No pior momento da sessão, o índice cedeu a 167.007,57 pontos. Na máxima, marcou 169.184,60 pontos. Em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, maior perda mensal desde junho de 2022. O volume financeiro somou R$43,47 bilhões, com o fim de semana prolongado pelo feriado na segunda-feira. “O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal… Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez”, afirmou o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass. O Ibovespa renovou máximas no começo de outubro, superando os 209 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno da eleição presidencial, o que alimentou apostas no mercado de uma mudança em Brasília. Mas o segundo turno teve um desfecho diferente, com Lula conquistando o quarto mandato. “Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificulta cortes mais agressivos da Selic”, afirmou Gass, chamando atenção também para a saída de capital externo das ações brasileiras no período. De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela B3, houve uma saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de quase R$7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. No mês, porém, o saldo segue positivo, em quase R$8,6 bilhões. No ano, alcança quase R$36 bilhões. No primeiro pregão após o primeiro turno, a bolsa registrou um fluxo positivo de R$10 bilhões. O cenário externo tampouco ajudou a atenuar a pressão vendedora no mercado brasileiro na sexta-feira, em meio a preocupações envolvendo os investimentos em inteligência artificial, após a divulgação dos balanços de nomes como Alphabet e Amazon.com nos últimos dias. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 1,82%. A partir de terça-feira, a B3 muda os horários de negociação dos mercados de bolsa e de balcão em razão do término do horário de verão nos Estados Unidos (1/11/2026), além de Alemanha e Inglaterra (25/10/2026), e o pregão terá sua duração ampliada em uma hora, com o call de fechamento passando a ter início às 17h55 e fim às 18h.
REUTERS
Desemprego no Brasil recuou para 5,2% no 3º tri
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série em 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na sexta-feira, em dado que veio em linha com as expectativas de economistas.
No período, o rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, com alta de 3,6% na comparação anual. O Banco Central, que terá sua reunião de política monetária na próxima semana, tem destacado o aquecimento do mercado do trabalho, mesmo diante da moderação gradual da atividade econômica, mas apontado a desaceleração dos rendimentos médios, enfatizando a importância de avaliar os padrões de transmissão desse processo para os preços. O BC já promoveu cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto na taxa básica de juros, atualmente em 13,75%. Segundo pesquisa Focus do Banco Central, concluída antes do segundo turno da eleição presidencial, a expectativa de economistas era de novo corte de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária na semana que vem. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, no entanto, o mercado de juros futuros passou a precificar a manutenção da Selic na próxima semana. No segundo trimestre do ano o desemprego foi de 5,4% e no terceiro trimestre do ano passado, de 5,6%. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam uma taxa de 5,2% para o terceiro trimestre. Segundo o IBGE, a população ocupada aumentou 0,6% no trimestre sobre os três meses anteriores, para 103,6 milhões, recorde da série, com destaque para um aumento de 2,8% das ocupações no setor de construção. Já o número de desocupados caiu 4%, para 5,6 milhões. O gerente da pesquisa, William Kratochwill, lembrou que o terceiro trimestre é tradicionalmente favorável para o emprego, diante do aumento da produção para atender à demanda de fim de ano, mas ponderou que este ano o ritmo de alta foi menor, o que pode estar associado às eleições. “O que pode ter ocorrido é que muitos tomadores de decisões podem ter postergado suas decisões de investimentos e contratação a espera do resultado das eleições”, afirmou. “Temos que esperar para ver se chegamos ao limite da ocupação e o ritmo de contratações pode ser mais lento mesmo daqui para frente.”
REUTERS
Exportações do agro subiram 15% após início do acordo UE-Mercosul
Em cinco meses, Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para o bloco europeu. Exportações do complexo soja brasileiro cresceram 34% com acordo UE-Mercosul
Nos cinco primeiros meses de aplicação do acordo comercial provisório entre Mercosul e União Europeia, entre maio e setembro, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu cresceram 14,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 12,21 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura. O acordo provisório teve início em 1º de maio deste ano. Em cinco meses, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para o bloco, volume 8,1% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. As exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) cresceram 34,2% em valor na mesma base de comparação, para US$ 4,19 bilhões, e permaneceram como o principal segmento das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia. Em volume, os embarques do complexo soja para a UE aumentaram 20,5%. As exportações de soja em grãos registraram aumento de 49% em valor e de 35,1% em volume. Já as exportações de farelo de soja cresceram 22,5% em valor e 10,6% em volume. As exportações de produtos de origem animal aumentaram 55,5% em valor. Os embarques de carnes cresceram 103,5% em valor e 170% em volume, alcançando 272 mil toneladas. No setor cafeeiro, as vendas de café torrado cresceram 91,6% em valor, para US$ 770 mil, e em volume tiveram um aumento de 116,5%. As exportações de café solúvel aumentaram 19% em valor, para US$ 78,66 milhões, e um incremento de 38,2% em volume. Um dos segmentos que mais cresceram em valor exportado foi o de produtos apícolas, principalmente o mel, com alta de 367% no valor embarcado. O grupo de frutas, incluindo nozes e castanhas, teve um aumento de 15% no valor exportado. Algumas frutas ampliaram sua participação no mercado europeu. As exportações de abacate tiveram aumento de 421,2%, para US$ 19,87 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 433,7%. As exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume, enquanto as de maçã avançaram 28,8% em valor e 33,7% em volume. Além disso, os embarques de produtos florestais cresceram 23% em valor, e os produtos oleaginosos que não a soja avançaram 161% em valor.
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