Ano 1 | nº 250 | 29 de outubro 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/PR projeta ajuste de -2,65% no preço do leite entregue em outubro
O Conseleite do Paraná divulgou a projeção de um ajuste de -2,65% no preço do leite entregue em outubro e pago em novembro.
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 28 de outubro de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Setembro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Outubro de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de Bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) em agosto/26 e setembro/26
| Matéria-prima | Valores finais AGOSTO/2026 | Valores finais SETEMBRO/2026 | Variação (Setembro – Agosto) | |
| (Leite entregue em Agosto/26 a ser pago em Setembro/26) | (Leite entregue em Setembro/26 a ser pago em Outubro/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referencia (R$/litro) | 3,2672 | 3,1706 | -0,0966 | -2,96% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,5930 | 2,5163 | -0,0767 | -2,96% |
| Menor Valor de Referencia (R$/litro) | 2,4374 | 2,3654 | -0,0721 | -2,96% |
Obs: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,63% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) projetados para setembro/26 e outubro/26
| Matéria-prima | Valores projetados SETEMBRO/2026 | Valores projetados OUTUBRO/2026 | Variação (Outubro – Setembro) | |
| (Leite entregue em Setembro/26 a ser pago em Outubro/26) | (Leite entregue em Outubro/26 a ser pago em Novembro/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referencia (R$/litro) | 3,1837 | 3,0994 | -0,0843 | -2,65% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,5267 | 2,4598 | -0,0669 | -2,65% |
| Menor Valor de Referencia (R$/litro) | 2,3751 | 2,3122 | -0,0629 | -2,65% |
Obs: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,63% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite PR
| Produtos | Ago/26 p/ Set/26 | Parc. Set/26 p/ Parc. Out/26 | |
| UHT | -4,76% | -3,45% | |
| Mussarela | -1,86% | -2,48% | |
| Demais Produtos | -2,39% | -1,32% | |
| Valor de Referência | -2,96% | -2,65% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Outubro de 2026 é de R$ 4,3146/litro.
CONSELEITE/PR
EMPRESAS
COM FATURAMENTO DE R$ 2 BI, EMPRESA MINEIRA AMPLIA ATUAÇÃO E APOSTA EM PRODUTOS PROTÉICOS
A Porto Alegre ampliou linha de alimentos com maior concentração de proteínas. Novidades foram apresentadas na Superminas 2026, realizada até quinta-feira (29), no Expominas, em Belo Horizonte
Com faturamento superior a R$ 2,1 bilhões, a empresa mineira Laticínios Porto Alegre está ampliando a linha de produtos com maior concentração de proteínas, com novos sabores de bebidas à base de whey protein, iogurtes proteicos e leite enriquecido com vitaminas e minerais. A companhia, que completa 35 anos em 2026, aposta em produtos associados à alimentação saudável e à praticidade. Entre os lançamentos estão bebidas nos sabores morango e caramelo salgado, uma versão de 1 litro do Whey Shake sabor chocolate e o leite PRO+, com 10 gramas de proteína por porção de 200 ml, sem lactose. Na linha de iogurtes, a companhia ampliou as opções com produtos que oferecem de 15 a 21 gramas de proteína. “O consumidor está buscando muito esses hábitos mais saudáveis. (…) As tendências de consumo têm cada vez mais a ver com uma boa lista de ingredientes, uma oferta de nutrientes e é nesse nicho que queremos nos se encaixar”, disse Breno Carvalho, diretor de marketing da Porto Alegre.
Hoje em dia
DANONE SUPERA ESTIMATIVAS DE CRESCIMENTO DE VENDAS NO TERCEIRO TRIMESTRE
A empresa supera projeções no 3º trimestre, mas o crescimento depende de um único motor, e duas das principais regiões do grupo ficaram bem abaixo do esperado.
A Danone SA divulgou na quarta-feira um crescimento orgânico de vendas de 4,0% no 3º tri, superando o consenso dos analistas de 3,7%, embora o resultado tenha sido impulsionado principalmente pelos preços, e não pelo crescimento de volume. O volume orgânico e mix da empresa francesa de alimentos e bebidas ficou em 0,4%, abaixo da estimativa de consenso de 1,1%, enquanto os preços atingiram 3,6%, bem acima do consenso de 2,7%. A divisão de Nutrição Especializada registrou crescimento orgânico de vendas de 4,7%, superando a estimativa de 4,1%, embora a Nutrição Especializada na China tenha desacelerado para a faixa intermediária de um dígito. crescimento na América do Norte decepcionou, com 2,4% ante a estimativa de 3,7%, já que os produtos de Laticínios Essenciais e à Base de Plantas continuaram a enfrentar dificuldades, levando à nomeação imediata de uma nova liderança nos Estados Unidos. O crescimento orgânico de vendas de Águas foi de 3,6%, abaixo do consenso de 4,1%, impactado pela redução de estoques da Mizone Waters na China, o que pesou 1 ponto percentual no crescimento do grupo. O desempenho regional foi misto: a EMEA superou as expectativas com crescimento orgânico de vendas de 3,9% ante o consenso de 3,0%, enquanto as Américas entregaram 4,4%, em linha com as estimativas. O crescimento de vendas na China desacelerou acentuadamente para 0,1%, ante 3,6% no segundo trimestre, com volumes negativos de -1,6% na região de China e Norte da Ásia-Oceania. A Danone reiterou sua orientação de crescimento orgânico de vendas de 3% a 5% para o exercício fiscal de 2026, com o ponto médio de 4,0% alinhado ao consenso dos analistas de 3,7%. A empresa espera que o lucro operacional cresça acima das vendas, sugerindo uma expansão moderada de margem, com a margem operacional de consenso em 13,6% ante 13,4% no ano anterior. A empresa havia indicado anteriormente que o impacto do recall de fórmula infantil seria de aproximadamente 1 ponto percentual no ano completo, embora nenhuma atualização tenha sido fornecida nos resultados do 3º tri. O crescimento orgânico de vendas de Laticínios Essenciais e à Base de Plantas foi de 3,6%, em linha com as estimativas de 3,3%, enquanto a região APAC registrou crescimento de 3,6%, em linha com o consenso de 3,7%.
INVESTING.COM
GOVERNO
Regionalização sanitária evitará perda bilionária com doença de Newcastle
Segundo ministério, medida evitará perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão por ano para os exportadores de carnes de aves. Segundo a Pasta, entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China (US$ 485 milhões); a Arábia Saudita (US$ 293 milhões); e a Argentina (cerca de US$ 57 milhões)
O Ministério da Agricultura estima que o reconhecimento da regionalização sanitária para os focos da doença de Newcastle identificados em Santa Catarina evitará perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão por ano para os exportadores de carnes de aves. Isso porque a maioria dos países adotou restrição às importações apenas para a área afetada, nos arredores das granjas onde os focos foram detectados, sem afetar de forma generalizada as exportações. O cálculo considera um cenário em que os países aplicassem, em 2026, as mesmas restrições adotadas em 2024, quando o primeiro foco da doença foi registrado em criação comercial no Brasil, em Anta Gorda (RS), em comparação com as medidas aplicadas após as negociações internacionais. Segundo a Pasta, entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China (US$ 485 milhões); a Arábia Saudita (US$ 293 milhões); e a Argentina (cerca de US$ 57 milhões). Também contribuíram para reduzir os impactos comerciais as medidas adotadas por parceiros como África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã. Por outro lado, os frigoríficos estimam que os bloqueios atuais, mesmo mais amenos do que em 2024, podem impactar o embarque de 30 mil a 40 mil toneladas por mês. Esse volume engloba a produção destinada à China e Chile por empresas de Santa Catarina e para Uruguai, México e Malásia, de unidades de todo o Brasil, principais embargos vigentes, segundo uma fonte. A média mensal de exportação de frango é próxima de 500 mil toneladas. Se concretizado esse potencial, o efeito será de cerca de US$ 80 milhões por mês ou US$ 960 milhões em um ano. O cálculo não é definitivo, diz a fonte, pois as empresas conseguem realocar parte da produção. Em nota divulgada ontem, o Ministério da Agricultura ressaltou que o trabalho desenvolvido nos últimos anos para ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária contribuiu para reduzir os impactos comerciais dos três focos da doença de Newcastle registrados em granjas de perus nas cidades catarinenses de Nova Itaberaba, Nova Erechim e Coronel Freitas, neste mês. Após o foco em Anta Gorda, o governo negociou com importadores para limitar as restrições às regiões afetadas. Segundo a Pasta, a “estratégia segue os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal e busca preservar o comércio das demais regiões do país”. O Ministério da Agricultura também divulgou a lista atualizada de restrições comerciais aplicadas por conta da identificação dos focos em Santa Catarina. As exportações de carnes de aves de todo o Brasil estão suspensas para Uruguai, México e Malásia. A suspensão dos produtos provenientes de Santa Catarina vale para China, Chile, Peru, Turquia, União Econômica Eurasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia), Paraguai e Uzbequistão. A maior parte dos compradores restringiram as importações de produtos provenientes da área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida vale para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar tem sessão volátil e fecha estável com noticiário político e exterior no radar
Em sessão de volatilidade, o dólar alternou altas e baixas em diferentes momentos até encerrar a quarta-feira próximo da estabilidade ante o real, com investidores ponderando o noticiário eleitoral e o cenário externo, em dia de decisão do Federal Reserve sobre juros.
O dólar à vista fechou com variação negativa de 0,04%, a R$5,3466. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 2,59%. Às 17h03, o dólar futuro para novembro cedia 0,20% na B3, aos R$5,3460. Após os movimentos fortes da segunda e da terça-feira, em meio aos ajustes de posição pós-eleição no Brasil, o dólar iniciou a sessão desta quarta-feira próximo da estabilidade, com os investidores à espera de novos gatilhos para as cotações. No fim da manhã o dólar voltou a ganhar força ante o real e outras divisas de emergentes, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries antes do principal evento econômico do dia — a decisão sobre juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília). No Brasil, com a agenda de indicadores esvaziada, as atenções também seguiram voltadas para a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami. Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula. Além dos receios com o futuro da política fiscal no novo governo Lula, alguns agentes citaram preocupações de que a fuga de Flávio possa intensificar os atritos entre Brasil e EUA, com eventuais reflexos no câmbio. No meio da tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA. Já após a decisão, o dólar voltou a perder força e se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes — alta ante o peso chileno e o peso colombiano, mas queda ante o peso mexicano e o rand sul-africano.
REUTERS
Ibovespa fecha com queda forte em novo capítulo de ajustes pós-eleição
A bolsa paulista experimentou mais uma sessão de ajustes negativos pós-eleição na quarta-feira, com o Ibovespa renovando mínima de fechamento desde agosto.
O pregão, porém, também foi marcado pela repercussão de decisão de política monetária norte-americana e balanços no Brasil, incluindo Santander Brasil, Klabin e Hypera, além da ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo na disputa pelo Palácio do Planalto. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 2,71%, a 170.946,55 pontos, de acordo com dados preliminares, marcando 170.162,48 na mínima e 175.711,22 na máxima do dia. O volume financeiro do pregão foi novamente robusto e somava R$54,77 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Confiança da indústria cai pelo terceiro mês seguido com piora em indicadores sobre situação atual
A confiança da indústria caiu pelo terceiro mês seguido em outubro diante de uma piora nos indicadores sobre a situação atual do setor, afirmou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 0,3 ponto, para 91,0 pontos, disse a FGV. Em setembro, a queda do indicador havia sido de 2,4 pontos. “O resultado ratifica as análises dos últimos meses de desaceleração da demanda e de acúmulo de estoques. Em relação ao futuro, o resultado tem caráter compensatório e mantém afastado o sentimento de otimismo entre os empresários para os próximos meses”, disse Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. “Os efeitos dos estímulos setoriais parecem estar passando e a resiliência do mercado de trabalho parece não sustentar mais a confiança dos empresários que enfrentam condições monetárias restritivas e ambiente de incerteza ainda elevado”, acrescentou. O Índice de Situação Atual (ISA) teve queda de 1,1 ponto, para 92,5 pontos, o menor patamar desde dezembro de 2025, disse a FGV. Já o Índice de Expectativas (IE) registrou alta de 0,6 ponto, para 89,8 pontos, acrescentou.
REUTERS
Inflação da indústria acelera e vai a 1,54% em setembro
Indicador acumula alta de 5,04% de janeiro a setembro
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como a inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 1,54% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, houve alta de 0,34%. Com o desempenho de setembro, o IPP acumula alta de 5,04% em 2026. No resultado em 12 meses até setembro, há aumento de 4,34% no indicador. Das 24 atividades acompanhadas pelo IPP, 16 registraram alta de preços em setembro. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de 0,17% em agosto para 1,12% em setembro. O IPP da indústria extrativa subiu 11,04% em setembro, depois de alta de 4,34% em agosto. Os alimentos, as indústrias extrativas e o segmento de refino de petróleo e biocombustíveis responderam por quase a totalidade (98,1%) da alta da inflação do setor industrial em setembro. Os preços de alimentos subiram 2,40%, com influência de 0,58 ponto percentual (p.p.) na taxa de 1,54% do IPP, ou 37,7% do total. As indústrias extrativas, por sua vez, registraram aumento de 11,04%, com impacto de 0,47 p.p.. Isso representa 30,5% do total do IPP. Os preços de refino de petróleo e biocombustíveis avançaram 4,88% e responderam por 0,46 p.p. da taxa de 1,54% do IPP ou 29,9% do total. Somadas, as influências dos três segmentos somam 98,1% do IPP. Nos alimentos, derivados da cana-de-açúcar e da soja são os quatro produtos de maior influência no resultado, com 1,66 p.p., da variação de 2,40%. Segundo o IBGE, o aumento dos preços desses produtos esteve, de forma geral, ligado a uma menor disponibilidade (no caso do açúcar, um processamento maior da cana voltada ao etanol contribuiu para isso). Dúvidas em relação ao alcance do El Niño também aceleraram a demanda, particularmente no caso da soja. Nas indústrias extrativas, o IBGE atribuiu os resultados principalmente aos “óleos brutos de petróleo”, produto de maior peso na estrutura da atividade. O comportamento reflete as oscilações observadas no mercado internacional, em um contexto de complicações nos conflitos no Oriente Médio, com reflexos sobre a logística no estreito de Ormuz. No refino de petróleo, quatro produtos, entre eles “gasolina, exceto para aviação”, foram responsáveis por 4,49 p.p. da taxa de 4,88%. Os demais seis produtos exercem também uma influência líquida positiva de 0,39 p.p.
VALOR ECONÔMICO
Fazenda estima alíquota média efetiva da CBS abaixo de 8,5%
A projeção foi divulgada após o Tribunal de Contas da União definir em 11,3% a alíquota de referência do novo tributo federal
O Ministério da Fazenda estima que a alíquota média efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sobre o consumo ficará abaixo de 8,5% em 2027, após consideradas as reduções e isenções previstas na reforma tributária. A projeção foi divulgada na quarta-feira (28), após o Tribunal de Contas da União (TCU) definir em 11,3% a alíquota de referência do novo tributo federal. A pasta ressaltou que, por decisão do Congresso Nacional, vários produtos e serviços terão alíquotas zeradas ou reduzidas e, por isso, os 11,3% devem ser considerados a alíquota máxima da CBS a ser cobrada em 2027. A cesta básica e diversos medicamentos, por exemplo, terão alíquota zero, enquanto serviços de saúde e educação terão redução de 60%. Profissões regulamentadas por conselhos federais terão redução de 30%, e a construção civil terá descontos entre 50% e 70%. Com esses tratamentos diferenciados, a Fazenda calcula que a alíquota média efetiva sobre o consumo ficará abaixo de 8,5%. Segundo a pasta, o impacto será menor principalmente para as famílias de baixa renda, que têm parte relevante do consumo concentrada em itens da cesta básica e terão acesso ao cashback previsto na reforma. O mecanismo permitirá a devolução de até 100% do imposto pago em determinadas despesas, como contas de energia elétrica, água e telefonia. Como mostrou o Valor, o percentual de 11,3% da alíquota da CBS validado hoje pelo TCU, e que precisará ser ainda fixado pelo Senado, ficou acima das estimativas com as quais o mercado vinha trabalhando, surpreendeu tributaristas e reforçou a perspectiva de que a alíquota conjunta da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que formam o novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), possa superar 30%. A legislação, porém, prevê que, se a soma das alíquotas de referência superar 26,5%, o governo terá de enviar ao Congresso medidas para reduzi-la a esse patamar ou menos. A Fazenda advertiu, por outro lado, que o percentual divulgado hoje para CBS não pode ser utilizado como base para o cálculo do IBS, já que diversos fatores que afetam a alíquota do tributo federal não influenciam o cálculo do imposto estadual, como por exemplo o Imposto Seletivo. A reforma tributária substitui cinco tributos sobre o consumo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por um IVA dual, formado pela CBS, de competência federal, e pelo IBS, de Estados e municípios. A CBS entra em vigor em 2027, enquanto o IBS começará a ser implementado em 2029, de forma gradual, até 2033. A alíquota de referência do IBS que valerá a partir de 2029 será definida pelo TCU em 2028. No ano que vem, o tributo terá uma alíquota simbólica de 0,1%. O novo sistema também criou o Imposto Seletivo, que incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O cálculo da alíquota de referência para 2027 segue a regra de neutralidade da arrecadação prevista na reforma. O percentual foi definido para que a receita estimada da CBS, somada à do Imposto Seletivo e à do IPI residual, na média dos anos-base de 2024 e 2025 e como proporção do PIB, seja equivalente à arrecadação média de PIS, Cofins, IPI e IOF sobre seguros entre 2012 e 2021, também como proporção do PIB. O redutor aprovado pelo TCU para as compras governamentais segue a mesma lógica.
VALOR ECONÔMICO
CNI reduz de 2% para 1,6% projeção de crescimento do PIB em 2026
Segundo a CNI, a pressão inflacionária tende a acelerar por influência de vários fatores: alimentos, preços administrados, como energia e combustíveis, e serviços
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diminuiu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 3º Trimestre, divulgado na quarta-feira (28), a revisão para baixo do desempenho da economia se deve, principalmente, às perspectivas menos favoráveis para a indústria — em especial o segmento de transformação — e os serviços, cujos efeitos devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa. “Os setores em que nós estamos mantendo ou aumentando a projeção de crescimento independem do que a gente chama de ciclo econômico. Quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, explicou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles. A desaceleração da economia deve ser sentida de forma mais intensa pela indústria, cuja expectativa de crescimento foi alterada de 2% para 1,3% — a maior revisão negativa entre os setores. Segundo a CNI, nem mesmo a expansão da indústria extrativa, estimada em 9,1%, será capaz de compensar o enfraquecimento da indústria de transformação. O segmento da transformação segue pressionado pela queda da demanda interna, pela piora das condições financeiras das empresas e das famílias — consequência dos juros elevados—, pela entrada substancial de produtos importados e pelo aumento dos custos de produção. Por isso, da projeção de alta de 0,6%, divulgada em julho, a CNI passou a estimar queda de 0,7% do setor para 2026. Já a indústria da construção teve a expectativa de alta mantida em 1,5%, com sustentação da expansão do Minha Casa, Minha Vida e dos investimentos em infraestrutura. A exemplo da indústria, o setor de serviços também dá sinais de esgotamento em sua capacidade de crescimento. O volume de serviços praticamente estável desde o fim do ano passado e a desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito, contribuíram para a revisão do PIB do setor, que passou de alta de 1,9% para avanço de 1,6%. Entre os setores produtivos, a agropecuária foi a única a ter a projeção de crescimento revista para cima. Impulsionado pela revisão positiva da segunda safra de milho, o PIB do setor deve subir 2,5% e não mais 1,8%, conforme o cálculo anterior. O mercado de trabalho continuará sendo um importante fator de sustentação à demanda, avalia o documento. Embora a geração de vagas formais, especialmente na indústria e no comércio, esteja em desaceleração, a CNI prevê crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026. Nesse cenário, a taxa de desemprego, hoje em 5,3%, recuaria para 5% ao fim do ano. O mercado de trabalho aquecido e o menor número de trabalhadores disponíveis para atender à demanda do setor produtivo devem pressionar os salários para cima. A projeção da entidade é que a massa de rendimento real salte 4,6% em relação a 2025. De acordo com a CNI, as despesas federais devem crescer 4,6% em termos reais, isto é, acima da inflação, impulsionada pelo pagamento de benefícios previdenciários, gastos com pessoal e execução de despesas discricionárias em ano eleitoral. Já a receita líquida deve aumentar 5,9%, refletindo a redução de incentivos fiscais, a limitação ao aproveitamento de créditos tributários e pelas receitas ligadas ao petróleo e por outras receitas administradas, entre outras medidas de arrecadação. Mesmo assim, o governo federal deve encerrar o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões, o equivalente a 0,4% do PIB projetado pela CNI. As contas públicas só não fecharão o ano no vermelho, de fato, porque cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas não serão computadas na meta de resultado primário. Diante das exceções, estima-se superávit de R$ 12,6 bilhões (0,1% do PIB). Segundo a CNI, a pressão inflacionária tende a acelerar por influência de vários fatores: alimentos, preços administrados, como energia e combustíveis, e serviços. Nesse cenário, projeta-se que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) suba 5,15% no ano, quase um ponto percentual acima dos 4,26% registrados no ano passado. E, dessa forma, o Banco Central (BC) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões restantes de 2026, levando a taxa básica de juros a encerrar o ano em 13,25%. A CNI calcula ainda que as concessões totais de crédito devem subir 5,15%. Para as empresas, a alta deve chegar a 6,4%; para as famílias, a 4%. Lideradas pela indústria extrativa, as exportações devem crescer 10,3% em relação a 2025, alcançando US$ 386,7 bilhões. Para as importações, a expectativa é que totalizem US$ 309,4 bilhões, 6,4% a mais do que em 2025. Com isso, a balança comercial deve fechar 2026 com superávit de US$ 77,3 bilhões, quase 30% a mais do que em 2025.
VALOR ECONÔMICO
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