Informativo Sindileite 244 21.10.2026

Ano 1 | nº 244 | 21 de outubro 2026

NOTÍCIAS

GDT 414º registra nova valorização, puxada pelos leites em pó

O 414º leilão registrou alta de 2,5% no GDT Price Index, reforçando a sustentação das cotações internacionais, com uma nova valorização após o avanço anterior.

O 414º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 2,5% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 4.021/tonelada. O resultado reforça a sustentação das cotações internacionais, com uma nova valorização após o avanço observado no leilão anterior. Nos leites em pó, o movimento foi positivo nos dois principais produtos negociados. O leite em pó integral (LPI) avançou 4,4%, atingindo USD 3.760/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) apresentou alta de 3,4%, sendo negociado a USD 3.975/tonelada. Com isso, ambos ampliaram suas cotações, mantendo o LPD acima do LPI após a inversão observada recentemente. O leite em pó desnatado mantém uma trajetória de valorização desde julho, acumulando sucessivos avanços nas últimas edições do GDT. Com a alta observada neste leilão, o produto atingiu um dos maiores patamares de preço desde 2022, reforçando uma maior demanda pelo derivado nos últimos meses. A valorização dos dois produtos reforça a importância dos leites em pó para o desempenho do índice, já que concentram grande parte dos produtos comercializados no GDT. Entre os queijos, o movimento foi misto. A muçarela apresentou alta de 1,3%, atingindo USD 3.880/tonelada, enquanto o cheddar registrou a maior queda do leilão, de 7,4%, sendo negociado a USD 3.645/tonelada. Apesar da valorização da muçarela, ambos permanecem em patamares baixos quando comparados ao histórico recente, indicando que o mercado de queijos ainda enfrenta um cenário pressionado. Entre os derivados de gordura, a manteiga permaneceu praticamente estável, com leve queda de 0,4%, atingindo USD 4.721/tonelada, sendo próximo dos menores níveis observados desde 2023. A gordura anidra do leite recuou 3,4%, para USD 5.488/tonelada. Já o leitelho em pó apresentou forte valorização de 8,4%, atingindo USD 4.694/tonelada A lactose, por sua vez, apresentou estabilidade, com alta de 0,6%, atingindo USD 1.665/tonelada. O volume negociado totalizou 42.088 toneladas, aumento de 0,9% frente ao leilão anterior e de 3,6% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado mantém a comercialização em patamares elevados, acompanhando a maior disponibilidade de produtos da Nova Zelândia neste período de avanço sazonal da produção. Apesar da estabilidade do volume, o número de compradores recuou 12,1%, passando de 165 para 145 participantes. A combinação entre menor número de compradores e manutenção do volume negociado indica que a dinâmica do leilão segue concentrada em um mercado com elevada disponibilidade de produto, sem que a redução da participação tenha resultado em uma pressão generalizada sobre as cotações. Na NZX, os contratos futuros de leite em pó integral (WMP) seguem apresentando viés de alta, mantendo as cotações em patamares relativamente firmes nas últimas semanas. Embora a entrada da safra tende a ampliar a disponibilidade de leite, os impactos do El Niño podem limitar o crescimento da produção, esse cenário deve resultar em um avanço mais contido da oferta, contribuindo para a manutenção de uma perspectiva mais favorável para os preços futuros. Esse equilíbrio entre oferta e demanda ajuda a explicar a valorização dos contratos, embora a evolução das condições climáticas e da produção na Oceania continue sendo determinante para a trajetória das cotações nos próximos meses. O resultado do GDT 414º reforça um cenário internacional para os leites em pó, com valorização simultânea do LPI e do LPD. Esse movimento contribui para sustentar as referências externas dos derivados em níveis elevados, juntamente com a oferta esperada para os próximos meses que pode ser parcialmente limitada pelos efeitos do El Niño sobre a produção na Oceania. No mercado brasileiro, apesar das valorizações observadas no mercado internacional, as cotações dos derivados têm respondido mais às condições domésticas, apresentando recuos enquanto o mercado avança para um período de maior disponibilidade sazonal de leite. Reforçando o cenário de que os impactos do mercado internacional demoram algum tempo para chegar até o mercado interno. Nesse contexto, a evolução da oferta na Oceania, ainda que possa ser limitada pelos efeitos do El Niño, o comportamento dos contratos futuros, o câmbio e o ritmo das importações serão importantes para determinar a trajetória dos preços brasileiros. Os recentes recuos do dólar podem aumentar a competitividade dos produtos importados e favorecer sua entrada no mercado brasileiro. Por outro lado, eventuais impactos sobre a produção na Oceania e Europa podem limitar o crescimento da oferta e sustentar as cotações internacionais e do Mercosul em patamares elevados, reduzindo parte dessa vantagem dos produtos externos. Assim, a relação entre disponibilidade, preços e capacidade de absorção da demanda será determinante para definir a intensidade dos fluxos de importação e seus efeitos sobre as cotações domésticas.

Global Dairy Trade (GDT)/MILKPOINT

O que as fazendas de leite fazem com os bezerros machos? Prática mudou ao longo dos anos

Tecnologia que permite selecionar o sexo do animal fez aumentar proporção de fêmeas, mas nascimentos de machos continuam a existir. Propriedade do interior de São Paulo enxergou uma nova oportunidade para negociar animais

Se o leite vem das vacas, o que as fazendas fazem com os bezerros que nascem machos? Talvez em algum momento você já tenha se feito essa pergunta. Afinal, antes da popularização do sêmen sexado (tecnologia que permite ao pecuarista escolher o sexo da cria), a proporção de nascimentos era praticamente de 50% machos e 50% fêmeas. A resposta a esse questionamento, porém, se modificou ao longo das últimas décadas. Um exemplo de como o segmento encara essa questão pode ser observado na maior produtora de leite do país, a Fazenda São José, de Tapiratiba (SP). É lá que está localizada a sede da marca Fazenda Bela Vista, com grande presença no mercado de lácteos do Estado de São Paulo. O empreendimento conta com 2.750 vacas em lactação, que produzem cerca de 120 mil litros por dia – número que garantiu à fazenda o primeiro lugar no ranking da Abraleite/MilkPoint em 2026. Assim como a maior parte das grandes propriedades produtoras de leite, o percentual de bezerros machos diminuiu na Fazenda São José nas últimas décadas, graças ao avanço na área da genética animal. As novilhas são inseminadas 100% com sêmen sexado, porém nas multíparas (que já tiveram duas ou mais crias) é utilizado o sêmen convencional. Hoje, do total de nascimentos, 72% são de fêmeas. Antigamente, eram 50% fêmeas e 50% machos. Com o aumento da proporção de fêmeas nos nascimentos, a propriedade passou a destinar os machos para a produção de gado de corte cuja carne é direcionada à exportação. Hoje, esses animais são vendidos a frigoríficos da região como “boi China”. Para aproveitar os machos que ainda nascem, a propriedade adaptou antigas instalações destinadas à criação de fêmeas e passou a utilizar as sobras da alimentação das vacas na engorda dos animais. A iniciativa deu origem a uma nova frente de negócios. “São animais abatidos em torno de 18 meses de idade, superprecoces. Virou um outro business”, diz Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor-geral da empresa. Coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF), o professor Carlos Bondan ressalta que, até um tempo atrás, esses animais eram descartados ou então direcionados para produção de vitelo, como é chamada a carne de bezerros jovens. Isso porque os machos nascidos de vacas leiteiras eram normalmente vistos como animais de alto custo para chegarem à idade adulta, de modo que o preço obtido com a venda não compensava o negócio. “Mas as coisas vêm mudando, e acredito que o motivo disso esteja relacionado com uma falta de carne bovina no mercado internacional”, analisa Bondan. A comercialização de gado leiteiro direcionado à exportação de carne tem sido cada vez mais comum na pecuária. Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, consultor de mercado da Scot Consultoria, a raça do animal não é um fator determinante para atender ao mercado chinês. “No final, tudo é carne. A única exigência que a China faz com relação a essa carne é que o boi abatido, independentemente de ele ser holandês, girolando, senepol ou angus, tenha um padrão com até 30 meses”, afirma. Antigamente, quando esses animais eram destinados ao abate, não havia uma bonificação como ocorre com o “boi China”. Esse animal destinado a atender ao mercado chinês tem valor de mercado levemente acima do gado comum — cerca de R$ 2 a R$ 3 por arroba, segundo Fabbri. “É um aspecto produtivo que traz renda para a propriedade e acaba agregando valor ao sistema operacional dele”, avalia o especialista.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Mercado de leite em pó: Argentina terá 2º maior avanço em exportações no mundo

Segundo a OCDE e a FAO, o país deve adicionar 34 mil toneladas ao mercado até 2035, ocupando o espaço deixado por fornecedores tradicionais como a União Europeia.

A Argentina poderá se tornar um dos países com maior crescimento nas exportações de leite em pó integral nos próximos dez anos. Segundo projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o país deverá registrar o segundo maior aumento no volume exportado do produto até 2035, atrás apenas da Nova Zelândia. Os dados fazem parte do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2026–2035 e foram analisados pela Bolsa de Comércio de Rosario (BCR), da Argentina, em estudo publicado em outubro de 2026. De acordo com a análise, as exportações argentinas de leite em pó integral poderão crescer quase 34 mil toneladas até 2035, em comparação com a média registrada entre 2023 e 2025. Com esse avanço, o país poderá responder por aproximadamente 6% das exportações mundiais do produto. A Nova Zelândia deverá continuar liderando o mercado internacional de leite em pó integral, com um crescimento projetado de aproximadamente 118 mil toneladas exportadas até 2035. A Argentina aparece na segunda posição em aumento absoluto de volume, seguida pela Índia, com 32,8 mil toneladas adicionais, pelos Estados Unidos, com 21,2 mil toneladas, e pela China, com 17,6 mil toneladas. Por outro lado, alguns fornecedores tradicionais deverão reduzir sua participação nas vendas internacionais. A União Europeia poderá registrar uma queda de 57 mil toneladas, enquanto as reduções projetadas para o Vietnã e a Austrália são de 22,9 mil e 10,5 mil toneladas, respectivamente. Essas mudanças indicam uma possível redistribuição da oferta mundial de leite em pó integral, com oportunidades de crescimento para países capazes de ampliar sua produção e manter competitividade no mercado internacional. Vale destacar que a Argentina aparece em segundo lugar no crescimento projetado das exportações, e não no volume total comercializado mundialmente. O avanço projetado para a Argentina ocorre em um cenário de expansão do mercado internacional de lácteos. Segundo a OCDE e a FAO, o comércio mundial desses produtos deverá alcançar 13,7 milhões de toneladas em 2035, um crescimento de 11% em relação ao período de referência de 2023 a 2025. O aumento da demanda será impulsionado principalmente pelo crescimento populacional, pela elevação da renda e pelas mudanças nos padrões de consumo alimentar. Regiões como África, Sudeste Asiático, Oriente Médio e Norte da África deverão registrar crescimento do consumo de lácteos superior à expansão de sua produção doméstica, aumentando a necessidade de importações. Nesse cenário, o leite em pó ganha relevância pela facilidade de armazenamento e transporte. Atualmente, menos de 7% da produção mundial de leite é comercializada internacionalmente, mas aproximadamente metade da produção de leite em pó integral e desnatado é destinada ao comércio exterior. 

BOLSA DE COMÉRCIO DE ROSÁRIO

ECONOMIA

Dólar cai ante o real influenciado por exterior e eleição no Brasil

O dólar fechou a terça-feira em baixa ante o real, influenciado tanto pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior quanto pelo cenário eleitoral no Brasil, a cinco dias do segundo turno.

Em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros, o dólar à vista encerrou com queda de 0,58%, a R$5,0182%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,58%. Às 17h02, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0280. A moeda norte-americana operou em baixa durante boa parte do dia ante divisas como o iene, a libra, o euro e o franco suíço, com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também em queda no exterior. Em relação às divisas de países emergentes, o dólar sustentou perdas ante o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, o que também trazia um viés de queda para as cotações no Brasil. Esse movimento foi corroborado pelo noticiário político brasileiro, marcado na véspera pela divulgação de novas pesquisas eleitorais. Ainda que a disputa pela Presidência esteja acirrada, a maior parte dos institutos segue indicando alguma vantagem numérica nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, o Ibovespa superou os 208 mil pontos, favorecido pelo fluxo de investimentos estrangeiros, o que justificava a queda do dólar ante o real. “O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes”, pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Uma nova pesquisa eleitoral da Quaest está programada para a quarta-feira, enquanto um levantamento do Datafolha deve sair na quinta-feira. No fim da manhã desta terça-feira, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro. Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,25%, a 101,710.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com apoio de estrangeiros a poucos dias de eleição

O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, rondando os 209 mil pontos no melhor momento, com bancos e B3 entre os principais suportes. 

A bolsa paulista continua em clima de expectativa para o desfecho da eleição presidencial no país, com o segundo turno no domingo, enquanto investidores estrangeiros continuam fornecendo apoio para as ações brasileiras. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,57%, a 208.295,98 pontos, chegando a 208.941,57 na máxima e marcando 205.082,26 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$42,5 bilhões.

REUTERS

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