Informativo Sidileite 240 15.10.2026

Ano 1 | nº 240 | 15 de outubro 2026

NOTÍCIAS

Queijos do Paraná somam 667 medalhas em premiações nacionais e internacionais

Resultados projetam o estado como referência em qualidade e confirmam a força de uma tradição transformada em produto de excelência, com valor agregado e reconhecimento além das divisas paranaenses.

Com 667 medalhas conquistadas em premiações nacionais e internacionais nos últimos seis anos, os queijos do Paraná vêm galgando posição de destaque entre os melhores do país e do mundo. Os resultados projetam o estado como referência em qualidade e confirmam a força de uma tradição transformada em produto de excelência, com valor agregado e reconhecimento além das divisas paranaenses. a parte dessas conquistas têm em comum um trabalho que começa muito antes da avaliação dos jurados: a assistência técnica oferecida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), entidades vinculadas à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) que acompanham diferentes etapas da produção: desde o manejo dos rebanhos e dos cuidados com a qualidade do leite à estruturação e à regularização das agroindústrias. Entre os principais resultados desse trabalho está a participação paranaense no World Cheese Awards, maior competição internacional dedicada exclusivamente a queijos, organizada anualmente pela Guild of Fine Food, entidade britânica que promove produtores e varejistas independentes de alimentos e bebidas artesanais. O evento é popularmente conhecido como Oscar dos Queijos. Na edição mais recente, realizada em novembro de 2025, em Berna, na Suíça, mais de 5 mil queijos foram avaliados por especialistas de mais de 50 países. Entre os premiados, três foram produzidos em Toledo, no Oeste do Paraná. Os produtos foram desenvolvidos em parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark de Toledo, centro de pesquisas referência no fomento aos negócios locais. “Em parceria com o IDR, desenvolvemos o Projeto Queijos Finos, no qual apoiamos os produtores em todas as etapas da produção de queijos de alta qualidade, que vêm sendo reconhecidos em premiações internacionais. Um deles, o Passionata, chegou a ser escolhido entre os dez melhores do mundo”, explica Kennidy de Bortoli, pesquisador do Biopark. Feito com leite de vaca pasteurizado e pasta dura, a coalhada do queijo Passionata passa por lavagem com infusão de maracujá. A casca é decorada com flores comestíveis, como calêndula e sementes de maracujá, apresentando cremosidade própria e notas frutadas com leve acidez. O produto também foi destaque no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril deste ano, em São Paulo, onde conquistou o terceiro lugar. Promovido pela associação SerTãoBras, o evento é considerado o maior da América Latina dedicado à valorização da cultura queijeira. Dos 43 queijos paranaenses medalhistas, 26 foram produzidos por queijarias acompanhadas pelo IDR-Paraná. Além de orientar a fabricação dos queijos, a assistência técnica do IDR-Paraná e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) acompanha etapas que começam antes da chegada do leite à agroindústria. Em competições nacionais e internacionais, queijos de diferentes regiões do Paraná somam medalhas em categorias que avaliam sabor, textura, aroma e apresentação. Em todas as suas seis edições, o Paraná recebeu 667 medalhas, entre ouro, prata e bronze. Apenas em 2026, o estado recebeu 272 medalhas entre participantes das regiões de Curitiba, Toledo, Apucarana, Ponta Grossa, Paranavaí, Francisco Beltrão, Cascavel, Laranjeiras do Sul, Santo Antônio da Platina e Dois Vizinhos, os quais apresentaram, além dos queijos, produtos como doce de leite, iogurte, manteiga e requeijão. Realizado em abril de 2026, em São Paulo, o evento teve o Paraná entre os estados de destaque. Foram 43 produtos lácteos medalhistas entre 198 inscritos, desses, o IDR-Paraná destacou 12 queijarias assistidas, que somaram 26 premiações: 2 Super Ouro, 10 Ouro, 5 Prata e 8 Bronze. Em 2024, em Portugal, o queijo Passionata, produzido em Toledo, ficou em 9º lugar entre os dez melhores do mundo e foi o único representante da América Latina na categoria super ouro. Em 2025, na Suíça, o Paraná voltou a ser premiado com três queijos também de Toledo: Abaporu, com notas de baunilha, amêndoa, caramelo, canela e cravo; Saint Marcellin, de sabor amanteigado, com cogumelos frescos e ervas; e Garoa Tropical, feito com enzimas cítricas na coagulação. Se lá fora os queijos paranaenses disputam com o mundo, em casa, eles têm uma premiação própria. O Prêmio Queijos do Paraná foi criado para valorizar e estimular a pecuária de leite no Estado, agregar valor à matéria-prima e colocar os produtos lácteos paranaenses em evidência. Na primeira edição, em 2023, foram 318 queijos inscritos e 98 premiados. Na segunda edição, em 2025 foram 446 queijos inscritos e 75 premiados. A 3ª edição acontecerá em junho de 2027. De acordo com a Adapar, o número de agroindústrias habilitadas pelo Susaf-PR a vender produtos de origem animal passou de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026, mais que o triplo em dois anos e meio. No mesmo período, os municípios integrados ao sistema subiram de 95 para 207, superando a meta de 200 prevista para este ano. No segmento de derivados de leite, a evolução também é clara: cerca de 85 famílias paranaenses vivem da atividade, e 30 novas queijarias foram implantadas nos últimos três anos, sinal de renovação e de novos investimentos no setor. Desse total, um terço participou das premiações de 2026, e entre 49% e 59% das agroindústrias passaram a faturar mais de R$ 10 mil por mês, boa parte delas com apoio técnico do IDR-Paraná. Com capacidade para atender cerca de mil agroindústrias por ano, o IDR-Paraná tem direcionado o acompanhamento técnico a quem está começando. Segundo o diagnóstico de 2023, 26% das agroindústrias atendidas estavam nos dois primeiros anos de atividade. Nos dados parciais de 2026, a parcela subiu para 35%.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

Vacas tomam até seis banhos por dia na maior fazenda de leite do Brasil

Conjunto de práticas ajudou a impulsionar produtividade do criatório

O banho antes e pós-ordenha é sagrado para as 2.750 vacas em lactação da Fazenda São José, em Tapiratiba (SP), dona da marca Fazenda Bela Vista. Alguns animais chegam a passar até seis vezes por dia pela sala de banho, inspirada em modelos pesquisados fora do país. Além de lavar o úbere, a preocupação é com o conforto térmico dos animais — no verão, a temperatura ultrapassa os 35 graus na propriedade. “O gado holandês é muito sensível ao estresse calórico”, justifica o diretor-geral, Sérgio Ferraz Ribeiro Filho. Conhecida pelas tradicionais garrafinhas, espécie de marca registrada da empresa, a Fazenda Bela Vista mais que dobrou a sua produção de leite nos últimos oito anos, passando de 47 mil para 102 mil litros por dia em 2025. O desempenho fez com que a propriedade voltasse ao primeiro lugar do ranking MilkPoint/Abraleite em 2026, desbancando a Fazenda Colorado, de Araras (SP). A adoção de práticas de bem-estar animal, com especial atenção ao conforto térmico do rebanho, foi um dos pilares desse avanço. A meta, agora, é alcançar um novo salto, para 150 mil litros por dia, em três anos. Para acompanhar o crescimento da oferta de matéria-prima, a propriedade investe R$ 15 milhões na ampliação do laticínio, localizado na mesma propriedade, a cerca de 300 km de São Paulo. O investimento contempla pasteurizador, homogeneizador, nova linha de envase, empacotamento, rotulagem, ampliação das instalações, estocagem e câmara fria. “Tem que vender mais porque a produção está subindo”, diz o empresário. A fábrica de lácteos, que tem 1.480 metros quadrados, foi feita inicialmente para processar 630 mil litros por mês. Hoje a empresa processa mais de 2 milhões de litros mês na unidade. Por isso, os novos investimentos visam a dobrar essa estrutura. Só a ampliação tem 2.050 metros quadrados. A nova linha deve começar a operar no dia 5 de novembro. Já a capacidade de processamento, segundo Sérgio, pode chegar a 6 milhões de litros por mês. A ideia é ampliar também a produção de iogurte, que passará de 74 para 156 toneladas por semana. Ainda em iogurtes, está sendo instalada uma máquina para embalagens de 250 ml e 500 ml. A estratégia é usar esses produtos para ampliar a distribuição dentro do Estado de São Paulo, inclusive em regiões mais distantes da fábrica. Por isso, o plano de crescimento prevê aumentar a capacidade de produção de iogurtes que tenham até 60 dias de validade. O portfólio da Fazenda Bela Vista inclui leite Tipo A, integral, semidesnatado e desnatado, creme de leite, queijo parmesão, Minas Padrão, frescal, ricota e iogurtes em garrafa e em copo. Uma nova linha de iogurtes com whey protein deve ser lançada ainda neste ano, aproveitando o momento de demanda aquecida na categoria. Parte da Fazenda São José encontra-se em território mineiro, mas foi do lado paulista que a família fundadora decidiu construir o laticínio, de olho no principal mercado consumidor de leite do país. Sérgio é neto de Orostrato Olavo Silva Barbosa, conhecido como “rei do leite”, falecido em 2012, que deu início à produção na fazenda em 1960. Na época, o gado ainda era criado a pasto, e a ordenha feita de forma manual. A fazenda produzia, no início, cerca de 70 litros por dia. A raça que predominava era o dinamarquês cruzado com o holandês. Posteriormente, a propriedade chegou a trabalhar com o gir — raça leiteira zebu —, até adotar de vez o holandês, raça que hoje representa 100% do plantel. Os primeiros confinamentos no modelo free stall — no qual as vacas ficam soltas em galpões e têm camas individuais — no Brasil foram adotados pela Fazenda São José em 1987. A medida se deu depois que Olavo visitou Estados Unidos, México e Europa à procura do melhor modelo de verticalização da produção. Parte da recria continuou sendo feita a pasto, até que, em 2019, teve início a adoção do modelo compost barn, no qual as vacas ficam em espaço coberto para descanso, revestido com serragem e esterco compostado. “Com isso, fizemos o gado passar uma recria muito mais tranquila, muito mais suave, com menos doenças, com menos desafios, possibilitando ao gado que está chegando agora na produção de leite ter uma capacidade de expressar todo o seu potencial genético”, resume Sérgio. Assim, a produção média por vaca saltou de 28 litros/dia para 42 litros/dia. Atualmente, em mais da metade dos animais, a média diária já é de 49 litros por dia.

GLOBO RURAL

EMPRESAS

Por que o preço do whey protein disparou nos últimos meses

Valor quase triplicou desde o início de 2025 nos Estados Unidos, país que exporta produto para o Brasil. Procura por produtos com alto teor de proteína se acentuou

O aumento da procura por produtos com alto teor de proteína tem provocado uma transformação na indústria láctea. Em poucos meses, houve uma disparada nos preços do WPC (whey protein concentrado) e do WPI (whey protein isolado), ingredientes utilizados para aumentar o valor nutricional de vários produtos e que são obtidos a partir do soro de leite. Segundo levantamento da consultoria StoneX, o preço do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) quase triplicou nos EUA em alguns meses. A tonelada custava cerca de US$ 10 mil no início de 2025 e em agosto deste ano estava em US$ 28 mil. O WPI, que tem pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período, chegando a US$ 32 mil a tonelada. O WPC34, de menor concentração, teve alta de 40%. No mercado nacional, o quilo do WPC80 chegou a R$ 180 em setembro, alta de 24% na comparação com o mês de junho, segundo levantamento da MilkPoint Mercado. Mas qual foi o motivo dessa disparada nos preços? Três fatores ajudam a entender o cenário: Produtos com maior teor proteico ganharam mais espaço na alimentação nos últimos anos. Esse movimento ganhou força após a pandemia de covid-19, mas recebeu novo impulso com a popularização das canetas emagrecedoras. Como esses medicamentos reduzem o apetite, aumentou a preocupação dos consumidores em manter uma ingestão adequada de proteínas mesmo comendo menos. “Para usar essas canetas, esse público está disposto a comprar mais proteína para não perder massa magra”, explica Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Esse crescimento da demanda ampliou o leque de produtos com proteína adicionada. Hoje as proteínas de alto valor estão presentes não apenas em barras e bebidas lácteas, mas também em snacks, chocolates, pães e até em vinhos e cervejas. Se até então o consumo de whey estava associado a quem frequenta as academias, hoje esse público foi ampliado. “Algumas pesquisas de mercado já apontam que pelo menos metade dos lares brasileiros possui algum indivíduo que utiliza suplementos”, afirma o CEO da Integralmedica, empresa de suplementos com fábrica em Embu-Guaçu (SP), Filipe Bragança. O segundo lado da equação está na oferta. O whey é produzido a partir do soro que sobra da fabricação de queijos. Portanto, para aumentar a produção de whey, é preciso ter soro disponível. Porém, a produção de queijos tem crescido pouco no Brasil, país onde o consumo per capita é historicamente menor do que em outras nações da América do Sul. De acordo com Valter Galan, sócio da MilkPoint, esse volume cresce 4% a 5% ao ano. O mercado de bebidas proteicas, por outro lado, tem registrado crescimento de duplo dígito já há alguns anos. “Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez, uma das principais fabricantes de queijos do país. “Esse descompasso gera uma pressão de demanda, que leva a toda essa alta. É um fenômeno mundial”, acrescenta. Mas, para aumentar a produção de whey, não basta ter soro disponível. É preciso contar com estruturas industriais capazes de processá-lo, retirar água e concentrar suas proteínas para produzir ingredientes como WPC80 e WPI. Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no Brasil são importados. O país é um grande produtor de leite: são mais de 35 bilhões de litros por ano, segundo o IBGE. Mas a capacidade de processar o soro de leite e transformá-lo em ingredientes proteicos de maior valor agregado é limitada. De acordo com a analista Juliana Santiago, da StoneX, a limitação está mais na infraestrutura industrial do que na disponibilidade de matéria-prima, uma vez que ainda há pouca capacidade de fracionamento para transformar o soro líquido em ingredientes como WPC. “Para você produzir o WPC tem todo um processo industrial que não é barato. Quando começou esse ‘boom’, até as empresas se adaptarem, fazerem o planejamento, adaptações na própria fábrica, tudo isso demora muito tempo”, afirma Juliana. Uma das consequências dessa valorização das proteínas é o anúncio de novos investimentos, que devem ampliar a capacidade de processamento do soro nos próximos anos. De acordo com fontes do setor, a tendência é de que a entrada de novas fábricas possa aliviar a pressão sobre o mercado de forma gradual. “A gente tende a ter um balanço melhor de oferta em que, acompanhado por essa demanda, que não deve recuar a níveis anteriores, junto com uma oferta um pouco mais tranquila, aí sim podemos ter um novo patamar de preços que pare um pouco com essa alta”, explica Juliana Santiago, analista da StoneX. Entre as empresas que estão investindo neste segmento estão a Sooro Renner e o Grupo Piracanjuba. “Esses preços tendem a se acomodar nos próximos três anos com o aumento da oferta pela construção de novas plantas e pelas substituições por outras proteínas”, afirma Eduardo Serra, CEO da Sooro Renner.

GLOBO RURAL

EMPRESAS

Senado aprova PEC do fim da escala 6×1 em vitória política de Lula

Por 75 votos a 1, o Senado aprovou na noite de quarta-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. Apesar de se opor ao texto durante toda a tramitação, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou a bancada para votar como quisesse.

Assim que o resultado foi decretado, parlamentares governistas entoaram cantos em homenagem a Lula. O avanço da matéria representa uma vitória política do presidente, que tem no projeto uma de suas principais apostas para reverter a desvantagem nas pesquisas para a disputa pela reeleição. Após o resultado, Lula se manifestou nas redes sociais: “Hoje é dia de comemorar uma conquista histórica de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. O fim da 6×1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida. Quem trabalha tanto para construir o Brasil também merece ter tempo para viver”, afirmou o presidente. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e chegou a ter a votação pelo Senado ameaçada pelo calendário eleitoral. O projeto só voltou a ganhar força após uma trégua política entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que romperam relações após a rejeição do nome do ministro da AGU, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Também pesou para o avanço da matéria a derrota da Alcolumbre nas eleições de 4 de outubro. Todos os seus aliados fracassaram no Amapá, e ele conta com uma vitória de Lula para ter alguma chance de se reeleger para a presidência do Senado em 2027. A tramitação da PEC também foi marcada por uma mudança drástica do posicionamento da oposição. Flávio Bolsonaro, que sempre se manifestou contra o projeto, mudou de lado com receio de prejuízo na disputa presidencial. A maior parte dos senadores de oposição também votou a favor, mas sobraram críticas ao projeto durante a fase de discussão em plenário. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que foi vice-presidente na gestão de Jair Bolsonaro. Governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL-PR) marcou presença, mas não votou. Nos últimos dias, diante da expectativa de votação, aliados aconselharam Lula a comparecer ao Congresso para celebrar a aprovação da PEC e capitalizar politicamente a vitória do governo. Ao longo da tarde, o presidente se reuniu com senadores e acompanhou o andamento da votação. A avaliação era de que, como Flávio não foi ao plenário, o presidente não seria alvo de críticas e constrangimentos no, caso comparecesse ao Senado. Ao final, contudo, a decisão foi de não comparecer.  A PEC reduz a jornada máxima de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem diminuição de salário e com manutenção do teto de oito horas diárias. A regra valerá também para os contratos em vigor, com transição em duas etapas: 60 dias após a publicação da emenda constitucional, o limite semanal cai para 42 horas; depois de mais 12 meses, chegará a 40 horas semanais. Com isso, os trabalhadores terão direito à escala “5×2”, que prevê dois dias de descanso remunerado durante a semana, sendo um preferencialmente aos domingos. Atualmente, parte dos trabalhadores têm direito a apenas um dia de descanso. A compensação de horários e a redução da jornada por acordo ou convenção coletiva continuam permitidas. Uma lei complementar poderá estabelecer medidas transitórias para mitigação de impacto para microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte, todas cadastradas no Simples Nacional. Contratos públicos em vigor que envolvam emprego direto de mão de obra poderão passar por um reequilíbrio econômico-financeiro para compensar a redução da jornada. A proposta prevê que essa revisão precisa ser formalizada em até um ano após a publicação da emenda constitucional do fim da escala 6×1. Ao longo da tramitação, representantes de entidade e empresários se colocaram contra a proposta. A avaliação é que o fim da escala 6×1 vai aumentar os custos da mão de obra e pode ter impacto negativo sobre a atividade econômica. Especialistas também afirmam que o projeto ignora a baixa produtividade, levando ao fechamento de vagas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu nota lamentando a decisão. “Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o país. Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional”, diz a nota.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar fecha com variação modesta ante o real apesar de avanço no exterior

O dólar fechou a quarta-feira com uma variação pequena ante o real, com investidores no Brasil à espera da divulgação de nova pesquisa eleitoral, enquanto no exterior a moeda norte-americana subiu ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,14%, a R$5,0298. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,37%. Às 17h11, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,08% na B3, aos R$5,0485. Os EUA informaram que seu índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em setembro, em linha com o projetado por economistas ouvidos pela Reuters. Imediatamente após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries subiram e o dólar ganhou força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, em meio ao aumento das apostas de que o Federal Reserve poderá subir novamente os juros no curto prazo. No campo político, a expectativa girava em torno da nova pesquisa Quaest sobre a disputa pela Presidência, a ser divulgada após as 18h. Na terça-feira, outras pesquisas — entre elas uma do BTG/Nexus — mostraram empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pela manhã, Flávio disse que participará do debate eleitoral promovido pela Band no próximo domingo, após ter afirmado na terça-feira que não iria ao evento. Lula já havia confirmado sua participação. Pela manhã, sem efeitos no câmbio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o setor de serviços recuou 0,1% em agosto ante julho e teve alta de 0,6% ante agosto do ano passado. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,4% na margem e elevação de 1,1% na comparação anual. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil teve um fluxo cambial total positivo de US$3,214 bilhões em outubro até o dia 9, sendo que apenas na semana passada entraram no país US$2,415 bilhões líquidos, na esteira do resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Entre 5 e 9 de outubro, entraram no país US$4,127 bilhões pelo canal financeiro, que contabiliza investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com exterior e de olho em pesquisas eleitorais

O Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda, em linha com as perdas das bolsas de Nova York, após dados de inflação dos Estados Unidos elevarem os temores de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve ao mesmo tempo que, localmente, os agentes aguardam a divulgação de nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,23%, a 206.401,67 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 203.463,77 na mínima e 207.220,81 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quarta-feira somava R$41,10 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Confiança da indústria sobe em outubro, mas setor segue pessimista

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) subiu 1,3 ponto em outubro, para 46,2 pontos, segundo pesquisa divulgada na quarta-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, faixa que separa a confiança da falta de confiança. Com isso, a indústria brasileira completa 22 meses consecutivos sem confiança. O avanço foi impulsionado pela melhora nas expectativas dos empresários para os próximos seis meses. Em contrapartida, a avaliação sobre as condições atuais das empresas e da economia piorou, atingindo o menor nível desde julho de 2020, durante a pandemia de covid-19. O Índice de Expectativas, que mede as perspectivas para os próximos seis meses, subiu 2,1 pontos em outubro, alcançando 49,3 pontos. O resultado aproxima o indicador da linha dos 50 pontos e sinaliza uma redução do pessimismo dos empresários nos próximos 180 dias. O índice considera as perspectivas para o desempenho das próprias empresas e para a economia brasileira. Embora tenha apresentado avanço, ainda permanece abaixo do patamar que indica confiança. Na contramão das expectativas, o Índice de Condições Atuais recuou 0,2 ponto em outubro, passando para 40 pontos. Esse é o menor resultado desde julho de 2020. A queda foi influenciada principalmente pela avaliação negativa dos empresários sobre a situação de suas próprias empresas. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a percepção desfavorável está relacionada à redução da demanda por produtos industriais, à pressão dos custos e às incertezas no cenário internacional. “Esse patamar bastante negativo é explicado por uma série de fatores. Alguns elementos já vêm de algum tempo, como a queda da demanda por produtos industriais, mas outros, mais recentes, agravaram o quadro”, explicou Azevedo em nota. A CNI também destacou que os custos elevados têm pressionado a saúde financeira das empresas, agravando as dificuldades enfrentadas pelo setor. Confira os principais resultados do levantamento de outubro: Icei: 46,2 pontos, alta de 1,3 ponto; Índice de Expectativas: 49,3 pontos, avanço de 2,1 pontos; Índice de Condições Atuais: 40 pontos, recuo de 0,2 ponto; Período sem confiança: 22 meses consecutivos. A pesquisa da CNI foi realizada entre 1º e 7 de outubro, com 1.103 empresas industriais de diferentes portes em todo o país. A amostra foi composta por 456 pequenas empresas, 414 médias e 233 grandes empresas. O Icei reúne a percepção dos empresários sobre a situação atual da indústria e as perspectivas para os seis meses seguintes. Resultados abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança no setor.

Agência Brasil

Setor de serviços volta a decepcionar no Brasil com retração em agosto

O desempenho do setor de serviços voltou a decepcionar em agosto, evidenciando a desaceleração gradual da atividade econômica no país poucos dias antes do segundo turno da eleição presidencial, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira.

O volume do setor caiu 0,1% frente a julho e teve alta de 0,6% sobre o mesmo mês do ano anterior. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam um crescimento de 0,4% na comparação mensal e uma alta de 1,1% na comparação anual. Em julho, o setor de serviços já havia frustrado expectativas de crescimento, mantendo-se estável sobre o mês anterior. Os novos dados do IBGE mostraram que três das cinco atividades acompanhadas apresentaram retração em agosto sobre julho: transportes (-0,2%), profissionais, administrativos e complementares (-0,2%) e outros serviços (-1,0%). Já os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, enquanto o segmento de informação e comunicação ficou estável. Parte superior do formulário “Não é uma virada de chave ou trajetória, o que se vê é uma acomodação do segmento de serviços, visto que mesmo com taxas perto de zero o setor segue perto do pico”, afirmou o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo. Para Lobo, o setor foi contido no mês principalmente pela pressão dos preços mais altos de combustíveis sobre transporte de cargas e aéreos. O setor de serviços está 19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 0,3% abaixo do auge da série histórica (outubro de 2025), segundo o IBGE. A economia brasileira vem mostrando desaquecimento em meio a um cenário de juros elevados, ainda que em queda, e incertezas geopolíticas globais. Em julho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou retração de 0,5% sobre junho, no terceiro recuo mensal consecutivo do índice. A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, ponderou que, a despeito da retração dos serviços em agosto, o setor ainda mostrou “boa composição”. Ela destacou a alta de 2,1% nos serviços prestados às famílias, que têm peso importante no cálculo do PIB. “O setor de serviços vem mostrando certa estabilidade nos últimos meses, mas continua mostrando alguma expansão em relação a 2025. Nossa expectativa é que esse ritmo mais moderado continue até o fim do ano”, afirmou, em nota, projetando alta de cerca de 1% do setor no ano. O Banco Central voltará a se reunir em 3 e 4 de novembro para deliberar sobre os juros, e a expectativa de economistas e analistas de mercado é que promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 13,75%. Antes da decisão do BC, em 25 de outubro, ocorrerá o segundo turno das eleições, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputando a Presidência.

REUTERS

FMI prevê crescimento de 2,2% do PIB do Brasil em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou o crescimento da economia brasileira em 2,2% em 2026, no documento Perspectivas da Economia Mundial, divulgado na noite de segunda-feira (12/10). Na versão anterior do estudo, publicada em julho, a estimativa era de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) em 2,4%. Para 2027, a previsão de avanço passou de 2,2% para 1,9%.

Apesar da redução para 2026, a projeção do FMI se mantém acima do esperado pelo próprio governo brasileiro. O Boletim Macrofiscal da Secretaria da Política Econômica do Ministério da Fazenda, divulgado em setembro, baixou a estimativa de crescimento do PIB de 2,3% para 2,0%. Já o Focus, sondagem do Banco Central (BC) brasileiro com instituições do mercado financeiro, prevê avanço de 1,85% em 2026 e 1,40% em 2027. O FMI é uma instituição multilateral vinculada às Nações Unidas e tem entre as missões manter a estabilidade do sistema financeiro global. A previsão do comportamento do PIB brasileiro é uma das perspectivas tratadas no relatório global, que aponta ainda diminuição de crescimento na América Latina e aumento da estimativa de crescimento mundial. Ao comentar os dados do Brasil, maior economia da América Latina, os técnicos do FMI apontam como motivo para desaceleração as condições monetárias ainda restritivas, ou seja, os juros altos, além da retirada de estímulos fiscais e as incertezas internacionais. Os juros altos citados pelo FMI se referem à taxa Selic, principal instrumento do BC para conter a inflação. Quanto maior a Selic, mais caro o crédito, fazendo com que haja desestímulo para o consumo e investimentos produtivos, de forma a esfriar a economia. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, o que representa uma trajetória descendente iniciada em março de 2026, quando estava em 15% ao ano. O relatório do FMI traz projeções para a inflação. Os técnicos acreditam que o Brasil terminará 2026 com taxa de 4,4% e, em 2027, 4,1%. Ambas as estimativas estão dentro da meta do governo brasileiro, que tolera até 4,5% (3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos). O estudo comenta que diversos países enfrentam riscos de novas pressões inflacionárias provocadas pelo encarecimento internacional da energia e dos alimentos. De acordo com o Ministério da Fazenda, a inflação no país deve atingir 4,9% em 2026 e 3,8% em 2027. Já o Focus estima 5,22% este ano e 4,30% no ano que vem. O boletim do FMI faz duas citações ao Brasil quando analisa o cenário de commodities (matérias-primas negociadas com preços internacionais). Em relação ao petróleo, o FMI frisa que os preços estão com grande oscilação, por causa do conflito no Golfo Pérsico, onde fica o Estreito de Ormuz, que antes da guerra iniciada no primeiro trimestre, era caminho para 20% da produção global de petróleo e derivados. O FMI aponta que o mercado fez o ajuste de aumentar a produção em países fora da região, notadamente no Brasil, Cazaquistão, Estados Unidos e Venezuela. O documento cita ainda que os preços agrícolas subiram devido ao aumento nos preços de cereais e bebidas. No caso do café, aponta aumento de 8% de março para agosto, depois de fortes chuvas no estado de Minas Gerais, que atrasaram a colheita e aumentaram as preocupações com a qualidade da safra. Para o mercado de trabalho, o FMI aponta que 2026 deve terminar com taxa de desemprego em 6,2%. Para 2027, a projeção é 6,8%. O dado interno mais recente, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta 5,3%.

AGÊNCIA BRASIL

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