I(nformativo Sindileite 219 15.09.2026

Ano 1 | nº 219 | 15 de setembro 2026

NOTÍCIAS

SEM ADITIVOS: A NOVA CORRIDA DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS FUNCIONAIS

O consumidor virou o pacote e mudou as regras do jogo para o setor. O que a indústria está fazendo? Praticidade já não basta: o rótulo agora decide se o produto continua no carrinho

A pressa mudou o hábito de compra, mas não baixou a régua. O consumidor quer alimentos fáceis de transportar, em porções individuais, prontos para consumir — e ao mesmo tempo virou a embalagem para ler a lista de ingredientes antes de decidir. Se aparecem nomes químicos desconhecidos, a promessa de “suporte à imunidade” ou “energia natural” perde força na hora. Esse comportamento colocou o setor de alimentos funcionais diante de um problema concreto: como entregar compostos ativos — fibras probióticas para a saúde intestinal, proteínas para saciedade, antioxidantes e extratos botânicos para suporte cognitivo e imunológico — em formatos práticos como bebidas prontas, barras ou refeições rápidas, sem que o produto seja lido como ultraprocessado.  ponto de tensão está no processamento. Manter esses compostos estáveis e ativos até chegar ao consumidor final sempre exigiu recursos como estabilizantes, conservantes e aromas, usados tanto para proteger os ativos na prateleira quanto para mascarar sabores amargos. É exatamente esse tipo de ingrediente que hoje afasta o comprador que busca comida de verdade. A resposta da indústria passou pelo processamento físico. O Processamento por Alta Pressão (HPP), já usado em sucos, bebidas funcionais e sopas prontas, submete o produto envasado a uma pressão de água extrema que inativa microrganismos deteriorantes sem recorrer a calor excessivo — o que preserva vitaminas sensíveis e o sabor original do alimento. Na mesma linha, a liofilização e o ultracongelamento removem água por sublimação ou congelam o produto de forma ultrarrápida, mantendo a estrutura das fibras e a integridade dos compostos bioativos. É essa tecnologia que viabiliza pós solúveis e refeições funcionais sem aditivos de conservação.  naturais com dupla função. Extratos como o de alecrim ou a acerola em pó passaram a substituir antioxidantes sintéticos na proteção de gorduras e ativos sensíveis à oxidação. Fibras solúveis, como a inulina de chicória ou a pectina de frutas, cumprem papel duplo: funcionam como ingrediente funcional prebiótico e, ao mesmo tempo, como agente de corpo e textura, dispensando espessantes sintéticos. A embalagem entra como peça final dessa equação, com duas funções que operam ao mesmo tempo. De um lado, materiais com alta barreira contraluz e oxigênio garantem a estabilidade de vitaminas e compostos bioativos até o fim da validade. De outro, o design minimalista, o uso de transparências e a clareza nas alegações de saúde no painel externo reforçam a percepção de um produto simples e direto, sem exageros institucionais. O resultado é um setor em amadurecimento: a integração de processos físicos de conservação, a escolha de ingredientes funcionais com apelo limpo e a transparência na comunicação mostram que conveniência não precisa significar baixa qualidade nutricional. As marcas que conseguem equilibrar benefício real à saúde, praticidade no dia a dia e uma lista de ingredientes simples e compreensível são as que constroem posição sólida na preferência do consumidor.

ADITIVOS & INGREDIENTES

TECNOLOGIA

MICROCHIP IDENTIFICA DOENÇAS BOVINAS E RESÍDUOS DE ANTIBIÓTICOS

Uma tecnologia desenvolvida no Rio de Janeiro aposta em uma mudança simples, mas que pode encurtar uma etapa decisiva da rotina no campo. Ralph Santos-Oliveira: segundo o pesquisador, o material já está disponível para empresas interessadas na comercialização.

O diagnóstico de bovinos pode ganhar uma ferramenta capaz de reduzir drasticamente o tempo entre a coleta de uma amostra e a identificação de uma doença. Desenvolvido por cientistas do Laboratório de Nanorradiofarmácia do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro, um microchip diagnóstico apresenta o resultado em cerca de cinco minutos a partir de algumas gotas de saliva ou urina do animal. A proposta ganha relevância em um setor no qual problemas sanitários representam perdas estimadas em R$ 6 bilhões por ano para os pecuaristas brasileiros, segundo informações publicadas pela Embrapa. Entre os impactos estão a redução da produção de leite, o descarte de produto com resíduos de antibióticos, os custos de tratamento e o abate prematuro de animais. O funcionamento do dispositivo é baseado em testes colorimétricos. Produzido em impressora 3D e em material transparente, o microchip recebe reagentes específicos de acordo com a doença que será investigada. Depois, algumas gotas da amostra são colocadas no dispositivo e a reação indica resultado positivo ou negativo. Para o rebanho leiteiro, há ainda uma segunda aplicação: o leite pode ser utilizado para verificar a presença de resíduos de antibióticos. Quando detectado, o produto precisa ser retirado imediatamente de circulação. Hoje, a manutenção da sanidade do rebanho exige, entre outras medidas, acompanhamento de médicos veterinários e exames. Segundo o material, em geral são realizados exames de sangue para detectar doenças, com o envio das amostras para laboratórios de análise. A resposta pode levar alguns dias. É justamente nesse intervalo que a nova tecnologia pretende atuar. “A grande vantagem dos microdispositivos para teste colorimétrico é que eles não dependem de profissional com especialização para utilizá-los e fornecem o resultado em tempo real, cerca de cinco minutos”, afirma o pesquisador Ralph Santos-Oliveira, coordenador do estudo. O projeto integra o Programa Redes de Pesquisa em Nanotecnologia, criado pela FAPERJ em 2019. O pesquisador também submeteu a iniciativa ao Programa Agro do Futuro, da Fundação. Entre as doenças mencionadas no projeto estão mastite, brucelose, tuberculose, diarreia e tristeza parasitária. A mastite aparece como um dos principais problemas do gado leiteiro e responde por cerca de 70% das perdas, principalmente pela redução da produção de leite. O impacto não se limita ao volume produzido. Quando uma vaca recebe tratamento com antibióticos, o leite não pode ser comercializado, o que representa desperdício e queda de receita. A possibilidade de verificar rapidamente a presença de resíduos acrescenta, portanto, uma segunda frente de utilização ao dispositivo. Para o produtor, a principal mudança proposta pelo microchip está no intervalo entre identificar um problema e decidir o que fazer. Segundo Santos-Oliveira, o resultado rápido pode permitir uma decisão de tratamento mais ágil, além de reduzir tempo e custo do diagnóstico. O dispositivo foi desenvolvido para funcionar de maneira semelhante a um kit de teste de gravidez: a amostra é colocada no microchip e a reação indica o resultado para a condição investigada. O próximo passo previsto pelo pesquisador é o registro da patente. O material, entretanto, já está disponível para empresas interessadas em sua comercialização. O laboratório do IEN também pretende desenvolver uma versão do microchip voltada à detecção de doenças em equinos. Segundo Santos-Oliveira, empresas interessadas poderão trabalhar com a solução para atender ao mercado e solicitar a aprovação na Anvisa. A tecnologia, assim, ainda está diante das etapas necessárias para avançar em sua comercialização, mas já coloca uma questão prática para a produção leiteira: quanto mais próximo do animal estiver o diagnóstico, menor pode ser o intervalo entre o surgimento de um problema sanitário e a tomada de decisão.

FAPERJ

INTERNACIONAL

EUA: QUEIJO PREMIUM AVANÇA ENQUANTO CONSUMO PER CAPITA RECUA

O mercado atravessa um momento curioso: alguns números recuam enquanto novas oportunidades aparecem em diferentes ocasiões de consumo. O consumo caiu, mas os movimentos dentro da categoria apontam para uma transformação que vai muito além do volume vendido.

Em 2024, nos Estados Unidos, o consumo per capita de queijo natural ficou em 39,9 libras, abaixo das 40,2 libras registradas em 2023 e no menor nível desde 2021, quando chegou a 39,6 libras. Ainda assim, o volume consumido por pessoa permanece mais de 10 libras acima do registrado em 2000, quando era de 29,8 libras. O dado mais interessante, portanto, está no que acontece dentro da categoria. Uma das explicações para a queda recente é a redução das refeições fora de casa em um cenário de inflação. Pizza, hambúrguer e nachos são exemplos de alimentos que tradicionalmente concentram grandes quantidades de queijo. Ao mesmo tempo, ganha força outro movimento: consumidores que, ao comprar queijo no varejo, podem estar escolhendo produtos de maior qualidade ou diferentes tipos de queijo. Essa troca altera a lógica da categoria. O queijo natural tende a custar mais por libra do que o queijo processado, enquanto os importados premium apresentam preços superiores aos dos queijos domésticos básicos, como cheddar e mozzarella. Para Nycole Rezutek, gerente de marketing da Saputo USA, o queijo premium continua apresentando bom desempenho tanto no foodservice quanto no varejo. Um dos motores desse movimento é o interesse crescente por cozinhas internacionais. À medida que sabores globais se tornam mais presentes no consumo cotidiano, cresce também a procura por produtos considerados autênticos. Nesse cenário, Rezutek aponta especialmente para queijos italianos e mexicanos. Outra frente de crescimento é impulsionada pelo interesse pela culinária mediterrânea, que vem avançando rapidamente no foodservice. A mudança também está na maneira de utilizar esses produtos. Em muitas preparações com queijos étnicos mais autênticos, a proposta é usar menos quantidade e deixar o produto ter maior presença no prato. É uma lógica diferente daquela associada ao uso tradicional de cheddar sobre nachos ou de mozzarella recheando e cobrindo pizzas. Outra possibilidade apontada por Rezutek está na expansão de opções sem lactose para um número maior de tipos de queijo, ampliando o acesso da categoria a consumidores com restrições alimentares. Ao mesmo tempo, o queijo continua encontrando espaço em ocasiões mais simples e cotidianas. Os snacks de queijo ganham popularidade, enquanto as tábuas de charcutaria permanecem presentes em ocasiões de entretenimento doméstico. É justamente nesse território que proteína e conveniência passam a ter um papel maior. Erin Price, gerente-geral de produtos de consumo da Sargento, observa uma mudança na percepção do queijo natural. O produto, antes frequentemente associado a indulgência e gordura, passa a ser apresentado como uma opção de proteína de qualidade e ingrediente de rótulo simples. A combinação entre qualidade e praticidade aparece como um dos principais eixos da inovação. A Sargento, por exemplo, identificou duas prioridades claras: sabores mais marcantes e formatos adequados ao consumo fora de casa. Sua linha Hot & Spicy Sliced Cheeses aposta em diferentes níveis de picância, enquanto os Balanced Breaks Cheese+Crunch Mixes combinam queijo natural com sabores associados a mixes de snacks. A empresa também lançou os Mighty Bites, kits para lanche que combinam carne natural e queijo com produtos da Mondelez. três sabores: Mango Habanero Jack, Smoky Hot Colby-Jack e Carolina Reaper Jack. Os lançamentos ajudam a desenhar um mesmo movimento: a categoria está procurando agregar valor a diferentes momentos de consumo, seja pelo sabor, pela proteína, pela conveniência, pela origem ou pela experiência. Isso ajuda a explicar por que a retração do consumo per capita não conta sozinha a história do mercado. O consumidor americano pode estar comprando menos queijo em volume do que no pico de 2023, mas as empresas estão disputando espaço em segmentos nos quais o produto pode assumir maior valor: snacks, produtos premium, sabores diferenciados, culinárias internacionais, opções com proteína e formatos convenientes. A próxima fronteira, portanto, não parece ser apenas vender mais queijo. É encontrar novas razões para o consumidor escolher qual queijo comprar, quando consumir e quanto está disposto a pagar por ele.

DAIRY PROCESSING

ECONOMIA

Dólar sobe para perto dos R$5,15 influenciado por exterior e cenário político

O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, influenciado tanto pelo avanço da moeda norte-americana no exterior quanto pelo cenário político conturbado no Brasil, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a novas pesquisas eleitorais. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%. Às 17h02, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,38% na B3, aos R$5,1680. A segunda-feira começou com o dólar em alta ante boa parte das demais divisas no exterior, novamente impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que alimentava a busca por ativos mais seguros. Preocupações em torno de possíveis riscos da IA também traziam cautela para os negócios. No Brasil, a busca pelo dólar era reforçada pelo cenário político, após as pesquisas eleitorais mais recentes mostrarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto. Na sexta-feira, pesquisa do Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno. O resultado representa empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. Na manhã desta segunda-feira, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto, contra 46% de Flávio, também em empate técnico em função da margem de 2 pontos percentuais. Neste caso, porém, Lula voltou a ter a vantagem numérica, que no levantamento anterior era de Flávio. “O dólar foi para acima de R$5,18 na máxima de mais cedo, espelhando a cautela externa com o petróleo subindo mais de 3%”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, acrescentando que a disputa política também deu suporte às cotações. A crise no STF também trazia cautela para os negócios. No fim de semana o presidente da corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário do STF na terça-feira. Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master para o dia 23. Durante a tarde o dólar apagou parte dos ganhos ante o real, mas ainda assim se manteve no território positivo. Às 13h55 a moeda à vista marcou a mínima de R$5,1414 (+0,32%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,15. No exterior, às 17h05 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,41%, a 99,508.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale e com Brasília no radar

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, pressionado particularmente pelo declínio da blue chip Vale, em meio ao recuo dos futuros do minério de ferro na China. Novas pesquisas eleitorais também ocuparam as atenções na bolsa paulista, enquanto investidores seguem atentos a potenciais reflexos da crise no STF e das investigações sobre o Banco Master na corrida presidencial. 

A primeira sessão da semana ainda teve como pano de fundo alertas sobre os riscos envolvendo IA e novo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,91%, a 185.500,88 pontos, após marcar 183.813,36 pontos na mínima e 187.320,96 pontos na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$24,4 bilhões. Pesquisa BTG/Nexus divulgada antes da abertura na segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior. O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto. Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico. O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro. Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano. Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse” e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso. Na terça-feira, as atenções estarão voltadas para a análise pelo STF do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, com o Master. O julgamento da petição sobre Moraes refere-se a relatório da PF que implica Moraes e outras autoridades em uma série de condutas com o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele. Em Nova York, o S&P 500 fechou com declínio de 0,48%. Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent encerrou com elevação de 1,02%, a US$105,68, após novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. A cotação chegou a avançar quase 5%, mas arrefeceu depois que Trump afirmou que o Irã desejava chegar a um acordo com Washington.

REUTERS

Mercado reduz projeção de alta do IPCA de 2026 para 4,90%, mostra Focus

Expectativa para inflação em 2027 sobe pela quinta semana seguida. O relatório do Banco Central apresenta as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos do Brasil

A expectativa dos economistas para a inflação em 2026 caiu pela terceira semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 subiu pela quinta semana seguida. Já a previsão para 2028 foi mantida pela sétima semana consecutiva, apontou o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14). A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu de 5% para 4,90%. É importante lembrar que a meta perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com limite tolerável de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o topo da meta é de 4,5% e a expectativa aponta para uma inflação maior que esse teto. Já a expectativa para a inflação em 2027 subiu de 4,29% para 4,30%, enquanto a estimativa para o IPCA em 2028 seguiu em 3,80%. Na última sexta-feira (11), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA recuou 0,32% em agosto. Assim, o dado desacelerou em relação à subida de 0,07% em julho e apontou uma deflação, isso é, uma redução dos preços e um o movimento inverso ao da inflação. O indicador ficou abaixo do esperado, mas no intervalo das previsões. O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas do mercado para os principais indicadores da economia e é acompanhado pelos investidores de perto, especialmente as expectativas de inflação, que ajudam a calibrar as previsões para a Selic, a taxa referência para os juros da economia. A previsão para os juros no fim de 2026 continuou em 13,75% pela sexta semana consecutiva. Para 2027, a expectativa ficou em 12%, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2028, a projeção seguiu também em 10,50%, como nas semanas anteriores. A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 recuou de 1,93% para 1,89%, após aumentar na semana passada. Para 2027, a estimativa recuou de 1,50% para 1,45%, após continuar estabilizada por três semanas seguidas. Para 2028, a previsão caiu pela segunda semana consecutiva, de 1,96% para 1,87%. A expectativa para o dólar em 2026 continuou R$ 5,20, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2027, a estimativa recuou R$ 5,30 para R$ 5,28, após continuar estabilizada por duas semanas consecutivas. Para 2028, a previsão seguiu em R$ 5,30, como nas últimas semanas.

VALOR ECONÔMICO

Confiança da indústria recua e mantém 21 meses de pessimismo

A confiança dos empresários industriais voltou a recuar em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado na segunda-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos.

O resultado mantém o indicador abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de pessimismo. Com isso, a indústria completa 21 meses consecutivos sem confiança, no período mais prolongado já registrado pela série desde 2015 e 2016. Segundo a CNI, a queda foi disseminada entre os componentes do índice, atingindo tanto a avaliação das condições atuais quanto as expectativas para os próximos meses. “Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou em nota Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. A percepção dos empresários sobre a situação econômica do país foi um dos principais fatores para o recuo do indicador. A avaliação das condições atuais da economia brasileira caiu 3,6 pontos, de 36,6 para 33 pontos. O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção dos empresários sobre o momento presente, caiu 2,5 pontos, de 42,7 para 40,2 pontos. Os principais resultados foram: Condições atuais: 40,2 pontos, queda de 2,5 pontos; Economia brasileira: 33 pontos, recuo de 3,6 pontos; Condições das empresas: 43,8 pontos, queda de 1,9 ponto. O pessimismo também avançou nas perspectivas para os próximos meses. O Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, passando de 48,1 para 47,2 pontos. A percepção sobre o futuro da economia brasileira caiu de 39,7 para 39,1 pontos. Já as expectativas em relação às próprias empresas tiveram queda de 1 ponto, de 52,3 para 51,3 pontos. Índice de Expectativas: 47,2 pontos, queda de 0,9 ponto; Futuro da economia: 39,1 pontos, recuo de 0,6 ponto; expectativas para as empresas: 51,3 pontos, queda de 1 ponto. Para a CNI, as oscilações positivas registradas ao longo de 2026 não foram suficientes para alterar o cenário de desconfiança entre os empresários industriais. Segundo a entidade, eventuais melhorias desses índices em alguns meses deste ano foram pontuais e não mudaram muito o quadro. A falta de confiança continua disseminada entre os empresários industriais. A edição de setembro do Icei ouviu 1.186 empresas industriais de 1º a 8 de setembro de 2026. Desse total, 475 pequenas empresas, 441 médias empresas e 270 grandes empresas.

CNI

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