Ano 1 | nº 78 | 23 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Doce de leite com cumaru da Amazônia vira carro-chefe de empreendedora de Curitiba
Nita Cozinha de Família faz sucesso com a produção de leite condensado artesanal. O que começou na cozinha de casa se transformou em um negócio que hoje movimenta cerca de 400 litros de leite por mês.
A chef Letícia Nogueira, formada em Gastronomia pela PUCPR, encontrou no doce de leite com cumaru, especiaria amazônica, o carro-chefe da marca que ganhou espaço no mercado ao unir técnica, memória afetiva e estratégia empreendedora. Filha de uma família que trocou a cidade pela vida no campo quando ela tinha apenas 2 anos, Letícia cresceu em uma chácara, na região de Curitiba, acompanhando a mãe na cozinha. Aos 20 anos, já formada, Letícia começou a trabalhar em restaurantes. Depois de algumas experiências, foi chamada para integrar a equipe de um estabelecimento maior exatamente no dia em que foi decretado o lockdown da pandemia. A contratação não se concretizou. Pouco tempo depois, conseguiu vaga em um restaurante que atuava com delivery. Mesmo com o movimento intenso, havia momentos livres. Foi ali que a ideia do negócio da Nita Cozinha de Família começou a ganhar forma. No início, a marca reunia diferentes produtos que faziam parte da trajetória pessoal da chef. Geleias, arroz doce da mãe, receitas temáticas de festa junina e, desde o primeiro dia, o doce de leite. As vendas começaram pelo Instagram. Com o tempo, ficou claro que o doce de leite era o produto que conquistava mais clientes. Hoje, cerca de 80% da produção é dedicada ao doce. Ela explica que um dos diferenciais do doce de leite está na receita com cumaru, semente de uma árvore amazônica conhecida pelo aroma intenso e sabor marcante. Extremamente aromático e levemente amadeirado, o cumaru confere profundidade ao doce de leite e cria uma identidade própria para o produto. “A combinação equilibra tradição e originalidade, transformando um clássico da confeitaria brasileira em uma experiência sensorial única”, diz. Com o crescimento da produção, que hoje utiliza em média 400 litros de leite por mês, Letícia buscou apoio no ecossistema de inovação da cidade. Foi por meio de pesquisas que conheceu as iniciativas do Vale do Pinhão e passou a se aproximar da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, onde já participou de diversos cursos. Desde o início, Letícia decidiu conduzir a marca com postura profissional. Investiu em identidade visual, rótulos completos, informações claras e apresentação cuidadosa, mesmo produzindo em casa.
PREFEITURA DE CURITIBA
LEITE/DERAL
O ano começou com uma relação de troca de 25,75 litros de leite por saca de milho na média estadual, valor mais alto que a média de 2025 (24,73 litros/saca).
A relação de troca litros de leite/saca de milho é um dos principais indicadores de custos de produção na pecuária leiteira. Ainda que as médias não indiquem um custo desproporcional, as realidades locais podem ser diferentes. Atualmente, algumas regiões do Estado apontam preço médio recebido abaixo de R$ 2,00 por litro posto na indústria, o que impacta significativamente na relação de troca.
DERAL/SEAB-PR
NACIONAL
RS: temperaturas elevadas e falta de chuva impactam volume e qualidade do leite
Dias quentes e escassez de chuva já reduzem a produção para cerca de 25 litros por vaca, abaixo dos 30 litros registrados em períodos sem estiagem. Pastagens fibrosas, menor consumo e estresse térmico explicam a queda no volume produzido.
A sequência de dias quentes e a baixa ocorrência de chuvas já provocam perdas de até 17% na produção leiteira no norte do Rio Grande do Sul. Em muitas propriedades, o volume caiu para cerca de 25 litros por animal, abaixo dos 30 litros observados em períodos sem estiagem. O impacto é resultado de dois fatores principais: o estresse térmico e a dificuldade de rebrote das pastagens. Com menos chuva, o capim perde qualidade, torna-se mais fibroso e reduz o consumo pelos animais. A menor ingestão de alimento reflete diretamente na produção de leite. Em uma propriedade no interior de Marau, a família De Marchi precisou ajustar o manejo, reforçando a dieta com ração e silagem. Ainda assim, a produção segue abaixo do esperado. “Diminuiu bastante a produção por causa do sol, não por falta de oferta de pasto. O pasto tem, mas elas acabam não comendo porque ele está fibroso, por falta de chuva. Hoje está fechando nos cerca de 25 litros devido ao calor e ao estresse das vacas; elas não comem pasto suficiente”, afirma a produtora Nádia De Marchi. A silagem, técnica de conservação de forragem úmida, é uma alternativa comum em períodos de seca. No entanto, aumenta os custos, seja pela produção própria ou pela compra, além de alterar a rotina alimentar dos animais. No município de Água Santa, onde a atividade leiteira é uma das principais fontes de renda rural, 114 propriedades têm no leite o carro-chefe da renda familiar, segundo a Emater/Ascar-RS. O pecuarista Márcio Rodigheri investiu, há nove anos, em um sistema de irrigação para as áreas de pastagem. A estratégia permite manter a hidratação do capim e preservar a qualidade da alimentação mesmo em períodos de estiagem. “Ter irrigação numa propriedade em um momento como esse é o que está salvando muitos produtores. Nós vamos ampliar a área irrigada da propriedade, para ver se conseguimos passar mais tranquilamente por esses anos ruins”, diz o produtor. Com duas horas de funcionamento, o sistema aplica cerca de 20 milímetros de água na área irrigada. Apesar disso, Rodigheri relata que o retorno financeiro não tem correspondido às expectativas devido ao valor pago pelo litro de leite. “Esse mês já eu recebi R$ 1,95 ao litro, mas já teve meses piores, né? Eu cheguei a receber R$ 1,87 ao litro de leite. Nos últimos dois meses subiu um pouco, só que ainda não é viável”, acrescenta.
GaúchaZH
EVENTOS
Prova de Leite a Pasto vai selecionar as melhores novilhas zebuínas leiteiras
Proprietários de novilhas das raças Gir Leiteiro, Guzerá e Sindi e cruzamentos têm nova oportunidade de atestarem o potencial genético de seus animais para a produção de leite a pasto com a chancela da Embrapa e da Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP).
Realizada no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Embrapa Cerrados, em Brasília (DF), a Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto chega à 12ª edição e busca promover o melhoramento genético das raças participantes, contribuindo para o incremento da produtividade e a sustentabilidade da pecuária leiteira no Brasil Central. Coordenador da Prova pela Embrapa Cerrados, o pesquisador Carlos Frederico Martins explica que serão identificadas, dentro de um grupo de animais contemporâneos de cada raça, as novilhas que, em 305 dias de lactação em pasto rotacionado, se destacarem na produção de leite, na reprodução (intervalo entre o parto e a concepção), na idade ao parto (precocidade), na qualidade do leite, na persistência de lactação e na avaliação morfológica. As características têm diferentes pesos e compõem o Índice Fenotípico de Seleção, pelo qual os animais serão classificados ao final das avaliações. São oferecidas 20 vagas para novilhas da raça Gir Leiteiro, 20 para novilhas da raça Guzerá, 20 para novilhas Sindi e 20 para cruzamentos. Cada criador proprietário poderá inscrever até três animais de cada raça. Para participar da Prova, as novilhas devem estar registradas na Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) nas categorias de Puro de Origem (PO) ou Puro por Avaliação (PA); também devem estar obrigatoriamente gestantes de sete meses, sendo o parto efetivado dentro do período de adaptação no CTZL. A Prova terá a duração de 12 meses, sendo dois meses de adaptação e 10 meses de avaliação. As novilhas deverão parir no período de 02/12/2026 a 15/02/2027, de acordo com os períodos limites de parição estabelecidos pela ABCZ. Assim, deverão ser inseminadas ou cobertas entre os dias 02/03/2026 e 10/04/2026. Os animais deverão dar entrada no CTZL (DF 180, Km 64 s/n, em Brasília) a partir do dia 03/11/2026 e permanecer até janeiro de 2028. Os resultados da 12ª prova serão divulgados a partir de abril de 2028. As inscrições dos animais poderão ser realizadas até o dia 30/10/2026 na ACZP, pelo e-mail aczp.df@uol.com.br. Para uma novilha inscrita, será cobrado o valor de R$ 3 mil, divididos em cinco vezes mensais; para duas novilhas inscritas, R$ 2,4 mil por novilha, divididos em cinco vezes mensais; e para três novilhas inscritas, R$ 2 mil por novilha, divididos em cinco vezes mensais.
EMBRAPA CERRADOS
INTERNACIONAL
Cooperativas do Paraguai investem em genética Girolando
Cooperativas paraguaias buscam na genética Girolando maior adaptação climática e salto produtivo no Chaco. Técnicos visitam o Brasil para conhecer de perto o programa de melhoramento da raça.
Para ampliar a produção de leite em propriedades da região do Chaco, no Paraguai, cooperativas locais decidiram investir na raça Girolando, desenvolvida no Brasil e atualmente líder em vendas de sêmen e embriões no segmento leiteiro. Na última semana, médicos-veterinários dos departamentos de leite das cooperativas Chortitzer, Fernheim e Neuland estiveram no Brasil para conhecer projetos de melhoramento genético e critérios de seleção da raça. O objetivo é importar embriões Girolando nas composições 1/2, 3/4 e 5/8, com foco em aumentar a eficiência dos rebanhos do Chaco Paraguaio, região caracterizada por baixos índices pluviométricos e altas temperaturas. Atualmente, a média produtiva gira em torno de 3.200 kg de leite por lactação. Com a incorporação da genética brasileira, a expectativa é alcançar cerca de 6.000 kg de leite por lactação. Essa será a primeira importação de embriões Girolando realizada pelas três cooperativas. No Brasil, a raça lidera a produção nacional de embriões, com quase 100 mil unidades registradas apenas no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Index Asbia Embriões 2025. De acordo com Celso Menezes, superintendente executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, o Girolando se consolidou no país por apresentar boa produtividade em diferentes sistemas de manejo, do pasto ao confinamento, além de elevada adaptação a regiões tropicais e a condições climáticas semelhantes às do Chaco. Menezes e o coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), Edivaldo Ferreira Júnior, receberam a comitiva na sede da entidade, em Uberaba (MG), na última quinta-feira (12/02). Durante a visita, os técnicos conheceram as tecnologias de seleção adotadas pelo programa, as características produtivas e reprodutivas dos animais e os principais sistemas de produção utilizados no Brasil.
MilkPoint
ECONOMIA
Dólar cai para R$5,1766 após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump
O dólar fechou a sexta-feira em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%. Às 17h06, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840. O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais. O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das “questões principais”. Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso. Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$5,1739 (-1,04%) no mercado brasileiro às 15h47, quando Trump concedia entrevista nos Estados Unidos prometendo novas medidas. O norte-americano afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais. “Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano”, disse André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito. “Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece.”
REUTERS
Ibovespa fecha acima de 190 mil pela 1ª vez após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump
O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, renovando máximas históricas, com os papéis da Vale e de bancos entre os principais suportes, em pregão marcado por vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
A tendência positiva no pregão ganhou fôlego à tarde, após decisão da Suprema Corte norte-americana, que declarou ilegais parte das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,05%, a 190.517,89 pontos, tendo marcado 190.726,78 na máxima, após 186.700,34 na mínima do dia. Na semana, encurtada pelo Carnaval, avançou 2,17%. O volume financeiro nesta sexta-feira somava R$31 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Agroindústria fechou 2025 perto da estagnação
Índice PIMAgro, elaborado pela FGV Agro, encerrou o ano com uma leve retração, de 0,1%. A produção das indústrias de alimentos de origem animal aumentou 3%, puxada pela expansão da produção de carnes bovina, suína e de aves
A produção da agroindústria brasileira encerrou 2025 praticamente no zero a zero. No cabo de guerra entre juros altos de um lado e, do outro, o mercado interno aquecido, o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), terminou o ano com uma leve retração, de 0,1%. Esse desempenho geral “morno” escamoteia, porém, comportamentos muitos distintos entre os vários segmentos agroindustriais. No agrupamento das indústrias de alimentos e bebidas, o segmento de bebidas foi consistentemente ruim durante o ano todo. A produção de bebidas caiu 2,6% em 2025. O fraco desempenho refletiu especialmente o declínio da fabricação de bebidas alcoólicas, que, com a queda expressiva do consumo do produto, teve uma contração de 4,7%. A produção de bebidas não alcoólicas, por sua vez, fechou o ano passado em queda de 0,3%. Já as indústrias de alimentos tiveram um desempenho geral positivo, encerrando o ano com expansão de 1,5%. Mas, mesmo dentro desse ramo, houve desempenhos distintos. A produção das indústrias de alimentos de origem animal aumentou 3%, puxada pela expansão da produção de carnes bovina, suína e de aves. Os segmentos de laticínios e de pescados também cresceram. Apesar do tarifaço que o governo dos Estados Unidos impôs a uma série de produtos brasileiros, que afetou os embarques da indústria de carnes entre agosto e setembro, as exportações do segmento bateram recorde em 2025. No caso da indústria de lácteos, a produção de leite atingiu recorde no país, a despeito do aumento das importações, que pressionaram os integrantes dessa cadeia. As indústrias de alimentos de origem vegetal, em contrapartida, não tiveram um desempenho tão consistente. A produção das empresas do segmento abriu o ano em queda e começou a se recuperar no segundo semestre, mas fechou 2025 com retração de 0,9%. Pesaram sobre o resultado desse segmento o declínio da produção das indústrias de arroz, café e refino de açúcar, segundo o FGV Agro. A produção de açúcar e o consequente refino sofreram ao longo do ano com a diminuição do volume e da qualidade da cana-de-açúcar, quadro que as usinas compensaram direcionando mais cana para a produção da commodity, ao invés do etanol. Ainda assim, a atividade de refino contraiu-se em 2025. No caso do arroz, o beneficiamento diminuiu como consequência do declínio da colheita, que, com a redução da área de plantio, caiu 14% na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). No segmento de alimentos de origem vegetal, cresceu a produção das indústrias de conservas e sucos, de óleos e gorduras e de trigo. As agroindústrias de produtos não alimentícios encerraram o ano com retração geral de 1,3%, mas o desempenho dos diferentes ramos desse agrupamento não foi uniforme. A contração do segmento foi consequência direta da queda acentuada da produção de biocombustíveis; as demais indústrias tiveram um desempenho melhor. No ramo de biocombustíveis, a produção caiu 18,6%, pressionada pelo declínio da fabricação de etanol. Apesar de a produção de biodiesel de etanol a partir do milho ter crescido no Brasil, a produção de etanol de cana ainda é predominante. Com isso, alterações nessa indústria afetam o desempenho geral do segmento.
VALOR ECONÔMICO
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