Ano 1 | nº 77 | 20 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Nutrição lidera custo na pecuária leiteira no Paraná
Troca leite/milho influencia rentabilidade no estado
O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), informou no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (19) que a relação de troca entre litros de leite e saca de milho segue como um dos principais indicadores de custo na pecuária leiteira. Segundo o órgão, “a nutrição do rebanho é responsável por mais da metade do custo total”, ainda que variações em outros preços também possam afetar a receita do produtor. De acordo com o boletim, 2026 teve início com relação média estadual de 25,75 litros de leite por saca de milho, patamar superior à média registrada em 2025, de 24,73 litros por saca. O documento destaca, no entanto, que o índice permanece abaixo do observado em 2022, quando atingiu 30,91 para 1, e próximo aos resultados de 2024 e 2023, de 19,93 para 1 e 21,34 para 1, respectivamente. Apesar de as médias não indicarem custo desproporcional, o Deral ressalta que as condições variam conforme a região. “Algumas regiões do estado apontam preço médio recebido abaixo de R$ 2,00 por litro posto na indústria”, informa o boletim, o que impacta diretamente a relação de troca e a rentabilidade da atividade.
AGROLINK
Leite Entra em 2026 sob Pressão de Oferta e Produção Recorde de 38 Bilhões de Litros
Avanço de 7,2% na produção e importações elevadas ampliam sobreoferta e comprimem preços ao produtor
O mercado brasileiro de leite inicia 2026 pressionado por um desequilíbrio evidente entre oferta e demanda. Em 2025, a produção avançou 7,2% sobre o ano anterior e atingiu um patamar histórico com 38,3 bilhões de litros. Pela avaliação do Centro de Inteligência do Leite (Cileite), da Embrapa, o Brasil produziu mais leite do que o mercado doméstico consegue absorver sem um forte ajuste de preço, mas ainda não é competitivo o suficiente para exportar o excedente de forma consistente. Em 2025, as importações permaneceram elevadas, ainda que 4,2% inferiores às de 2024, e a balança comercial registrou déficit próximo de 2 bilhões de litros equivalentes, com predominância do leite em pó. A combinação de produção recorde e entrada relevante de produto externo ampliou a disponibilidade interna e derrubou os preços ao produtor ao longo do ano passado. Em dezembro de 2025, o valor médio pago na porteira caiu para R$ 1,99 por litro, retração de 22,6% em 12 meses, segundo o Cileite. No varejo, a cesta de lácteos recuou 3,62%, indicando que parte da pressão foi absorvida pela cadeia. No Brasil, o pano de fundo macroeconômico adiciona cautela. A projeção de crescimento do PIB para 2026 gira em torno de 1,8%, abaixo do ritmo estimado para 2025, em um ambiente de juros elevados e incerteza fiscal. A demanda doméstica, que cresceu menos de 2% no ano passado, mostra dificuldade para acompanhar o salto da produção. Ainda assim, o quadro não foi homogêneo ao longo de 2025. O primeiro semestre sustentou resultados mais favoráveis, enquanto o último trimestre concentrou maior compressão de margens. O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa) subiu 3,0% até dezembro, abaixo da inflação oficial de 4,3%, o que ajudou a amortecer parte da queda de preços. Com milho e soja estáveis em função de boas safras, as margens ficaram estreitas, mas não generalizadamente negativas para sistemas mais eficientes. No cenário internacional, as referências seguem contidas. A oferta global permanece elevada após expansão relevante em países do Mercosul, enquanto as margens apertadas e as incertezas geopolíticas limitam um crescimento mais vigoroso em 2026. Para Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite, os movimentos pontuais de alta observados nos leilões da Global Dairy Trade não configuram reversão estrutural de tendência. Heterogeneidade produtiva A heterogeneidade produtiva continua sendo o principal desafio estrutural. O país reúne cerca de 513 mil produtores, segundo o Cileite, distribuídos em realidades tecnológicas distintas. Há polos de alta produtividade, como a região de Castro (PR), mas grande parte da produção ainda opera com baixa escala e menor capacidade de diluição de custos. Para 2026, o setor entra em compasso de ajuste. A aproximação da entressafra pode trazer algum suporte às cotações, mas a recuperação dependerá da disciplina na oferta, do comportamento das importações e da evolução da renda interna. Em um mercado cada vez mais sensível a excedentes, eficiência produtiva e gestão de custos deixam de ser diferenciais e passam a ser condição de permanência.
FORBES BRASIL
NACIONAL
Conseleite/MT divulga valor de referência do leite pago em fevereiro/26
O Conseleite do Mato Grosso divulgou um aumento de 0,6% nos valores de referência do leite pago em fevereiro de 2026.
A diretoria do Conseleite – Mato Grosso, atendendo aos dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de dezembro de 2025 a ser pago em janeiro de 2026 e para o leite entregue no janeiro de 2026 a ser pago em fevereiro de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo. OBS: (1) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural.
Conseleite/MT
RS: Fundesa atualiza tabela de indenizações para brucelose e tuberculose
Reajuste de 8% atualiza valores pagos a produtores que realizarem abate sanitário. Nova tabela amplia indenizações e reforça estímulo ao controle de brucelose e tuberculose.
Em reunião híbrida realizada na Casa do Fundesa-RS na sexta-feira (13), o Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL) aprovou a atualização da tabela de indenizações destinada a produtores que precisarem sacrificar ou realizar abate sanitário de animais diagnosticados com brucelose ou tuberculose. Os valores serão reajustados em 8% sobre a tabela atual. Com a atualização, o menor valor de indenização para animais sem registro de 0 a 12 meses passa a ser de R$ 1.636,00. Já o maior valor, para animais com registro puro de origem entre 25 e 36 meses, será de R$ 4.548,00. Após a consolidação da nova tabela, os valores ainda serão submetidos à apreciação do Conselho Deliberativo do fundo, cuja reunião está prevista para o dia 10 de março. Desde o início do programa de indenizações, o Fundesa já destinou mais de R$ 53 milhões a produtores, segundo o presidente do Fundesa, Rogério Kerber. A atualização busca manter a capacidade de atendimento do fundo e dar maior previsibilidade financeira aos produtores que precisam eliminar animais positivos, além de incentivar a realização de testes e o controle das doenças no rebanho. O trabalho do Fundesa segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que estabelece protocolos obrigatórios para controle sanitário e segurança dos alimentos.
FUNDESA/RS/MILKPOINT
Vacas de alta produção leiteira exigem manejo específico para enfrentar o verão
Índice de Temperatura e Umidade acima de 68 já compromete produção, fertilidade e saúde de vacas de alta performance.
O verão impõe um limite claro à pecuária leiteira: quando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) ultrapassa 68, vacas de alta produção entram em estresse térmico. O impacto vai além da queda no volume de leite e afeta fertilidade, saúde e longevidade do rebanho. Em regiões de clima quente e úmido, o desafio se intensifica. Animais de elevada produtividade, como os da raça Holandesa, geram mais calor metabólico e enfrentam maior dificuldade para dissipá-lo quando as temperaturas aumentam. Segundo a superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Maíza Scheleski da Rosa, o conforto térmico desses animais ocorre em condições semelhantes às de dias amenos, entre 8 °C e 18 °C. Quanto maior a produção de leite, maior o calor gerado pelo metabolismo, o que torna a vaca mais sensível às altas temperaturas e à umidade elevada. O ITU é o principal parâmetro para avaliar o risco de estresse térmico, pois reúne temperatura e umidade em um único indicador. Quando a marca ultrapassa 68, o animal já começa a sofrer com o calor, reduzindo o consumo de matéria seca e, consequentemente, a produção de leite. Além da produtividade, a fertilidade e o estado sanitário do rebanho também são afetados. Problemas metabólicos tendem a aumentar, enquanto o sistema imunológico fica mais vulnerável, elevando a suscetibilidade a doenças. Os sinais físicos aparecem no manejo diário. Respiração acelerada, salivação intensa e maior permanência em pé, com menos tempo ruminando, indicam comprometimento do bem-estar e esforço do animal para dissipar calor. Para reduzir os impactos, o manejo e a infraestrutura são determinantes. Em sistemas confinados, ventilação adequada, uso de ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento por aspersão de água ajudam a manter o conforto térmico. Telhados com isolamento e áreas sombreadas também contribuem para amenizar o efeito das altas temperaturas. Nos sistemas a pasto, a oferta de sombra natural ou artificial e o acesso constante a água limpa e fresca são essenciais. Ajustar a alimentação para horários mais amenos do dia e organizar as atividades para o início da manhã e o fim da tarde ajudam a reduzir o estresse térmico e melhorar o desempenho do rebanho.
Feed&Food
ECONOMIA
Dólar fecha com leve baixa em meio a fluxo de investimentos para o Brasil
O dólar fechou a quinta-feira perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante as demais divisas, com alguns agentes citando o efeito do fluxo de entrada de recursos no país sobre as cotações.
O dólar à vista fechou a sessão com leve baixa de 0,04%, aos R$5,2282. No ano, a divisa agora acumula baixa de 4,75%. Às 17h15, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,19% na B3, aos R$5,2390. O volume era elevado, com mais de 314 mil contratos de dólar para março negociados. A acomodação do dólar no Brasil contrastou com o exterior, onde a moeda sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, com os investidores atentos aos dados econômicos divulgados nos EUA e à mobilização de tropas norte-americanas ao redor do Irã. O dólar exibiu ganhos em relação a divisas fortes como o euro, a libra e o iene, além de avançar ante moedas pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. Favorecido pelo fluxo, o Ibovespa sustentou ganho superior a 1% durante boa parte da sessão. Um operador ouvido pela Reuters também citou o fluxo de entrada de recursos no país para justificar o desempenho mais fraco do dólar ante o real nesta quinta-feira. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$1,488 bilhão em fevereiro até dia 13. Somente na semana passada entraram líquidos no país US$1,783 bilhão, em meio aos relatos de investimentos estrangeiros para a bolsa. Mais cedo na quinta-feira, os agentes digeriram os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Considerado uma espécie de prévia para o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br cedeu 0,2% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. A retração foi inferior à baixa de 0,5% projetada por economistas em pesquisa da Reuters. “O IBC-Br mais resiliente reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic, preservando o diferencial de juros ainda elevado e favorecendo estratégias de carry trade”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, mas o mercado espera que o Banco Central inicie o ciclo de cortes em março — resta saber se com redução de 25 ou de 50 pontos-base.
REUTERS
Ibovespa avança mais de 1% com Axia e Petrobras em destaque
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, acima dos 188 mil pontos, com as ações da Axia entre os principais suportes diante da perspectiva de migração para o Novo Mercado, assim como os papéis da Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,35%, a 188.534,42 pontos, tendo chegado a 188.687,12 na máxima e marcado 185.927,99 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$28,9 bilhões. “Minha leitura é de que foi mais um dia de ingresso de estrangeiro”, disse o gestor de renda variável Naio Ino, da Western Asset, citando o interesse desses investidores principalmente em “large caps” e ações com liquidez. Na visão de Ino, enquanto o fluxo continuar, é difícil enxergar uma realização (mais relevante) de curto prazo. Fevereiro registra um saldo positivo de capital externo de R$8,76 bilhões até o dia 13 para as ações brasileiras, segundo os dados mais recentes disponíveis pela B3. Em janeiro, houve uma entrada líquida de R$26,3 bilhões. Tal fluxo, reflexo de um movimento de rotação de ativos globais, com a perspectiva de queda da Selic no Brasil neste ano como pano de fundo, voltou a ajudar a bolsa paulista a descolar de Wall Street, onde o S&P 500 cedeu 0,28%. De acordo com estrategistas da XP, após reuniões com investidores nos EUA na semana passada, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo, embora exista um certo desconforto com os níveis de valuation após a alta recente. Eles citaram que os fortes fluxos estrangeiros para o Brasil em 2026 são vistos como impulsionados principalmente por fundos Macro e passivos (ETFs), e não por fundos ativos. “Como resultado, vários investidores mencionaram o descasamento entre os grandes nomes do índice – como Vale, Petrobras, Itaú, que se beneficiaram fortemente dos fluxos, enquanto o restante do mercado ficou para trás”, citaram. “Assim, um ‘trade’ de convergência pode começar a funcionar em breve, mas somente quando os fortes fluxos passivos para o Brasil diminuírem”, acrescentaram em relatório a clientes.
REUTERS
Índice do BC aponta crescimento econômico de 2,5% em 2025 com retomada da força no 4º tri
A atividade econômica do Brasil terminou 2025 com crescimento de 2,5% ao mostrar novo ímpeto no quarto trimestre com impulso da agropecuária e do setor de serviços, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira.
O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve em dezembro queda de 0,2% na comparação com o mês anterior, em dado dessazonalizado que foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,5%. O índice fechou assim o quarto trimestre com avanço de 0,4% ante os três meses anteriores, em dado dessazonalizado, mostrando retomada do ritmo após queda de 0,83% entre julho e setembro. Esse resultado mostra ainda aceleração da economia se comparado com dados do IBGE, que apontam crescimento de 0,1% no terceiro trimestre. O IBGE divulgará os dados do PIB do quarto trimestre e de 2025 em 3 de março. Na comparação com dezembro do ano anterior, o IBC-Br teve ganho de 3,1%, segundo números não dessazonalizados. Analistas indicavam uma desaceleração da economia brasileira em 2025 — após o PIB ter crescido 3,4% em 2024 — em meio à política monetária restritiva, mas com o mercado de trabalho forte dando algum impulso. “Projetamos crescimento do PIB de 0,2% (no quarto trimestre), ligeiramente acima do trimestre anterior, mas ainda compatível com trajetória de desaceleração gradual da atividade”, disse Leonardo Costa, economista do ASA. A abertura dos dados do BC mostra que, em dezembro, houve alta de 2,3% na agropecuária e de 0,3% na indústria, mas os serviços retraíram 0,3%. Números do IBGE mostraram que, no último mês do ano, houve fraqueza entre as atividades. A produção industrial recuou 1,2% em dezembro sobre novembro, queda mais forte em quase um ano e meio. As vendas varejistas recuaram 0,4% no mês, maior queda do ano, enquanto o volume de serviços teve contração inesperada de 0,4% em dezembro ante novembro. Já no quarto trimestre a agropecuária registrou expansão de 2,8% e os serviços cresceram 0,5%, enquanto a indústria caiu 0,2%. A agropecuária também foi destaque em 2025 ao crescer 13,1%, segundo os dados do BC, com os serviços expandindo 2,1% e a indústria, 1,5%. Descartada a agropecuária, o IBC-Br ainda aponta avanço de 1,8% da economia no ano passado. “No caso do agro, a forte expansão da produção de grãos da safra 2024/25 foi favorecida pelas condições climáticas e pelo aumento das exportações”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research. “Já o setor de serviços exibiu crescimento robusto, puxado sobretudo por serviços empresariais, transportes e comércio. Esse desempenho refletiu o avanço da renda das famílias … e a maior digitalização da economia.”
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