Informativo Sindileite 76 19.02.2026

Ano 1 | nº 76 | 19 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS

Produtores de lácteos avaliam impactos do acordo Mercosul-UE

Redução gradual de tarifas preocupa produtores de leite e outros segmentos do agro brasileiro. Entidades defendem mecanismos de proteção semelhantes aos adotados pela União Europeia.

O acordo entre Mercosul e União Europeia que deve ser votado nos próximos dias pelo Congresso brasileiro, tem mobilizado diferentes segmentos do agronegócio nacional. Entre os setores que acompanham o tema com maior atenção estão os produtores de lácteos, que defendem a criação de salvaguardas para equilibrar as condições de concorrência. A Associação Brasileira de Leite (AbraLeite) classificou o acordo como uma “ameaça” ao setor leiteiro nacional, que já convive com a concorrência de países do próprio Mercosul, especialmente em razão da entrada de produtos com preços mais baixos no mercado brasileiro. O acordo prevê a redução gradual das tarifas de importação até que cheguem a zero em um período de oito a dez anos. No caso dos queijos europeus, está prevista uma cota de 30 mil toneladas. Para os produtores brasileiros, o cenário pode ampliar a concorrência no mercado interno. Representantes do setor avaliam que a estrutura da produção de leite no Brasil apresenta desafios que podem ampliar a exposição à concorrência externa. Entre os pontos mencionados estão a fragmentação da atividade, a baixa produtividade média, os custos de produção elevados e o uso limitado de tecnologia em parte das propriedades. Em comparação com parceiros como Uruguai e Argentina, já existe diferença significativa de preços. Com a possível entrada de produtos europeus beneficiados pelo Programa de Agricultura Comum (PAC) — política que incentiva a produção agrícola na União Europeia — o setor brasileiro avalia que o ambiente competitivo pode se tornar ainda mais dinâmico. Diante desse cenário, produtores defendem a adoção de mecanismos semelhantes aos previstos pelos europeus. Uma das propostas é o espelhamento das salvaguardas que permitem a interrupção dos benefícios caso as importações aumentem mais de 5% em média durante três anos. Outra sugestão envolve um gatilho relacionado aos preços: quando o produto importado for comercializado a um preço 5% menor que o produto nacional, seria possível acionar instrumentos de proteção previstos no acordo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária defendem a adoção de instrumentos de proteção semelhantes aos europeus. Embora já existam mecanismos como a lei de reciprocidade e a cláusula de reequilíbrio prevista no próprio acordo, representantes do setor avaliam que será fundamental assegurar capacidade técnica e política para acionar esses dispositivos, caso necessário.

CNN BRASIL

Mercado de leite no Brasil deve passar por ano de ajuste e reequilíbrio em 2026

Após forte expansão na produção em 2025, setor entra em fase de transição, com margens pressionadas, recuperação gradual de preços e atenção redobrada ao cenário externo.

O mercado brasileiro de leite e lácteos inicia 2026 em um cenário de transição, marcado por ajuste ao longo da cadeia produtiva. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, o forte avanço da captação registrado em 2025, impulsionado por um ciclo favorável ao produtor, com boa rentabilidade e custos relativamente controlados, resultou em um desequilíbrio relevante entre oferta e demanda, pressionando preços e margens ao longo do último ano. Juliana Torres, analista de inteligência de mercado, explica que o excesso de leite disponível no mercado ao longo de 2025 levou a uma queda generalizada dos preços e encerrou o ano com margens significativamente mais apertadas, especialmente no campo. Para 2026, segundo ela, a expectativa é de manutenção dos volumes de captação, mas sem novos avanços expressivos. “A compressão das margens observada no fim do ano passado tende a moderar a produção, sobretudo a partir do segundo trimestre, favorecendo um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda”, disse. Nesse contexto, os preços ao produtor iniciam o ano em patamares mais baixos, o que contribui para estimular o consumo, mas também impõe o desafio de recomposição de margens tanto para produtores quanto para a indústria. Sinais iniciais desse ajuste já começaram a aparecer no mercado de derivados e no mercado de leite spot, que, de acordo com a analista, registrou alta em janeiro, após um segundo semestre de 2025 marcado por quedas consecutivas. O movimento indica um ambiente de oferta e demanda mais firme entre as indústrias. Do ponto de vista dos preços, a tendência para 2026 é de uma recuperação gradual e progressiva, em trajetória semelhante à observada no início de 2024. Esse movimento, sob a análise de Juliana, estará condicionado à capacidade do mercado de absorver a oferta disponível. Ela explica que a margem do produtor, que foi estimulante ao longo de 2024 e no primeiro semestre de 2025, entrou em forte compressão na segunda metade do ano passado, em razão da queda acentuada do preço do leite, mesmo com custos de alimentação ainda relativamente comportados. “O setor começa 2026, portanto, com margens apertadas, mas a combinação de custos mais estáveis e recuperação gradual dos preços pode trazer algum alívio ao longo do primeiro semestre, desde que o equilíbrio entre oferta e demanda se consolide de forma sustentável”, apontou. No varejo, os preços ao consumidor refletiram a pressão de oferta ao longo de 2025, com deflação acumulada dos lácteos no IPCA, movimento que se estendeu ao início de 2026. A queda dos preços, no entanto, não esteve associada a um enfraquecimento da demanda, mas sim à abundância de leite no mercado, tornando os produtos mais acessíveis ao consumidor final e contribuindo para a sustentação, ou até estímulo, do consumo. Juliana detalha que, como o recuo foi mais intenso no produtor e no atacado do que no varejo, há espaço para algum avanço no repasse ao consumidor ao longo de 2026. Esse repasse, porém, tende a ser parcial e condicionado ao comportamento da renda das famílias, à resposta da demanda e às estratégias de precificação e promoção adotadas pelo varejo, o que pode concentrar parte da recomposição de margens nesse elo da cadeia. No comércio exterior, as importações de lácteos encerraram 2025 em níveis elevados, ainda que abaixo dos registrados em anos anteriores. De acordo com Juliana, em janeiro de 2026, houve aumento mensal, mas os volumes permanecem inferiores aos observados em 2024 e 2025, sinalizando menor apetite importador no início do ano. “Apesar disso, os embarques externos seguem relevantes para a oferta doméstica, embora o principal fator de disponibilidade continue sendo o forte crescimento da produção interna registrado no último ano”, afirmou. No horizonte mais estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia, apesar de ainda aguardar oficialização no Parlamento europeu, surge como um elemento adicional de atenção para o mercado lácteo a partir de 2026. A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para produtos como leite em pó, manteiga e queijos não configuram livre comércio pleno, mas representam uma abertura controlada ao longo de até dez anos. Para a analista, esse movimento tende a intensificar a concorrência, ampliando o potencial de entrada de produtos europeus, tradicionalmente mais estruturados e de maior valor agregado, em um mercado já desafiado por custos, produtividade e volatilidade. “Enquanto as exportações do Mercosul para a União Europeia permanecem residuais, as importações oriundas do bloco europeu já são relevantes, e as novas cotas ampliam esse espaço acima dos padrões históricos. O cenário reforça a necessidade de ajustes, ganhos de eficiência e estratégias mais competitivas por parte da cadeia láctea regional ao longo dos próximos anos”, pontuou a analista.

StoneX

Perspectivas para o mercado de leite em 2026

Oferta alta e preços em baixa desafiam o setor leiteiro, exigindo mais tecnologia

Em 2025, a produção do leite alcançou um patamar histórico, com crescimento estimado em 7,2% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, as importações seguiram em um volume elevado. Apesar de ter ocorrido uma queda de 4,2%, se comparado a 2024, a balança comercial ainda registrou um déficit de cerca de 2 bilhões de litros equivalentes. O leite em pó continua sendo o principal produto importado. Esses fatores combinados geraram uma sobreoferta de produtos lácteos no mercado brasileiro, o que resultou em quedas constantes no preço médio do leite pago ao produtor, especialmente a partir de abril. Dados do Centro de Inteligência do Leite (Cileite/Embrapa) indicam que em dezembro de 2025 o preço chegou a R$1,99 por litro de leite, o que representou uma queda de 22,6% em relação aos 12 meses anteriores. Por outro lado, o preço pago pelo consumidor na cesta de lácteos (composta por leite longa vida, queijo, iogurte, leite condensado, leite em pó e manteiga) caiu 3,62%. As perspectivas para 2026 já se desenham. O mercado global de lácteos inicia o ano com oferta elevada, impulsionada por aumentos observados nos principais produtores mundiais, como, por exemplo, os de 7% a 8% na Argentina e no Uruguai no ano de 2025, respectivamente. Contudo, a expectativa é de um crescimento produtivo global mais modesto, reflexo de margens apertadas na cadeia e incertezas geopolíticas na Venezuela, Irã e Leste Europeu. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite Samuel Oliveira afirma que neste início de ano os preços de lácteos no mercado internacional continuam baixos. “Movimentos de alta percebidos no último leilão GDT devem ser percebidos como correções pontuais de preços”, diz.  GDT refere-se a Global Dairy Trade, uma das principais plataformas de comercialização de produtos lácteos do mundo. No Brasil, o ambiente macroeconômico aponta para uma desaceleração do crescimento econômico, com projeção de crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1,8% para 2026, abaixo dos 2,3% estimados para o ano anterior. O ano eleitoral introduz componentes de incerteza, como volatilidade cambial e expectativa de aumento nos gastos públicos, em um cenário onde os juros permanecem elevados para conter a inflação. Para o produtor nacional, o curto prazo segue desafiador. A alta oferta reduziu o valor pago ao produtor para US$ 0,36/kg. Entretanto, há sinais de ajuste: o mercado spot — no qual as transações comerciais são realizadas com pagamento à vista — começou a reagir, ilustrando um movimento de recuperação no mercado brasileiro. No entanto, a valorização recente do real frente ao dólar pode deixar o produto importado mais competitivo, o que precisa ser acompanhado nos próximos meses. Além disso, a recuperação dos preços de bezerras e da arroba do boi surge como ponto positivo, gerando renda extra para os produtores na venda de novilhos e descarte de vacas. Outro fator é a aproximação da entressafra, que começa a influenciar a precificação do leite, com viés de recuperação. Em relação ao mercado europeu, o novo acordo entre blocos não parece trazer mudanças drásticas no curto prazo. Para 2026, a recomendação de Oliveira é de cautela e planejamento estratégico. O pesquisador alerta que “as transformações no setor são rápidas e quem não as acompanhar ficará para trás. É preciso buscar o aumento de produtividade e a redução de custos ou a agregação de valor, aproveitando o espaço que o Brasil ainda tem para evoluir em competitividade tecnológica”. O bom desempenho do setor em 2024 permitiu que os produtores respondessem rapidamente, resultando em maiores investimentos na atividade no início do ano passado. O clima favorável, a profissionalização e a maior tecnificação no campo também contribuíram para o aumento da produção no ano passado. “Observamos uma mudança estrutural na produção leiteira no Brasil, com maior concentração nas grandes fazendas. Essas fazendas estruturadas respondem à questão da rentabilidade de maneira mais forte”, afirma Glauco Carvalho, pesquisador da Embrapa Gado de Leite. Apesar desse cenário de queda de preços ao longo de 2025, o produtor conseguiu obter rentabilidade quando se analisa a média do ano em geral. Isso porque o primeiro semestre foi favorável, comenta Carvalho. Em relação ao custo acumulado até dezembro de 2025, o Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa) subiu 3,0%. Já a inflação oficial brasileira fechou o ano passado em 4,3%. Ou seja, o aumento dos custos foi menor do que o crescimento da inflação no País. “Essa estabilidade no custo de produção criou um certo amortecimento do efeito negativo da queda do preço, pois os termos de troca não foram tão prejudicados”, explica Samuel Oliveira. Em 2025, enquanto a produção cresceu 7,2%, o consumo interno registrou desempenho mais fraco, com uma expansão que não deve ter superado 2%. Carvalho explica que tal dependência do mercado interno cria um ciclo constante de alternância entre crescimento e estagnação. “Se o mercado interno não cresce, a produção também não pode crescer, pois gera excesso de oferta e o preço piora. Então para sairmos desse ciclo, precisamos melhorar a competitividade, reduzir custos e começar a exportar”. Medidas de represamento da produção ou da importação, apesar de trazerem certo resultado imediato ao produtor, podem prejudicar o consumidor, que pagará mais caro pelo produto lácteo, conta Oliveira. Por outro lado, o pesquisador afirma que o Brasil já mostra sinais de novas possibilidades para o setor: “Existem hoje condições de o País ser competitivo. Há regiões e sistemas de produção que estão mostrando isso. Por exemplo, na região de Castro, no Paraná, a produção é de quase 3 milhões de litros de leite por dia e a produtividade das fazendas é igual ou superior à observada na Argentina, por exemplo”.  A produção de leite no Brasil é muito heterogênea, com cerca de 513 mil produtores espalhados pelo País, segundo estimativa do Cileite. O maior desafio é reduzir a assimetria tecnológica e de gestão existente para elevar a competitividade brasileira na exportação do excedente.

EMBRAPA

NACIONAL

Governo de Goiás lança novo edital do PAA Leite 2026

O Governo de Goiás publicou o novo edital de chamamento público do Programa de Aquisição de Alimentos do Estado de Goiás, o PAA Leite 2026. A iniciativa é executada por meio da Emater Goiás, Goiás Social e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e contará com investimento de R$ 5 milhões.

O programa prevê a aquisição de leite produzido por agricultores familiares, destinado a unidades recebedoras e a famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional, contribuindo simultaneamente para a geração de renda no campo e para a segurança alimentar. Podem participar organizações associativas e cooperativas da agricultura familiar produtoras de leite, com abrangência nos 246 municípios goianos. As propostas de fornecimento deverão ser apresentadas até 26 de março, conforme orientações disponíveis no site da Emater Goiás, onde também estão publicados o edital e a documentação necessária para inscrição. As datas poderão sofrer alterações por necessidade administrativa, com comunicação prévia. O presidente da Emater Goiás, Rafael Gouveia, destaca que o programa integra um conjunto de ações do Governo de Goiás voltadas ao fortalecimento da cadeia leiteira, desde o apoio direto à produção até a garantia de comercialização da produção familiar. “O PAA Leite garante mercado e renda para o agricultor familiar, enquanto o Semear Social fortalece a base produtiva. Por meio do programa, entregamos kits para recuperação de pastagens, permitindo melhorar a alimentação do rebanho e aumentar a produção de leite. Assim, o produtor tem melhores condições de produzir e comercializar sua produção”, destaca Rafael Gouveia. Na edição executada em 2025, foram investidos R$ 5,9 milhões em recursos do Goiás Social, com participação de sete organizações fornecedoras e cerca de 394 agricultores familiares. A ação resultou na distribuição de 1,142 milhão de litros de leite a entidades socioassistenciais, beneficiando aproximadamente 10 mil famílias em situação de vulnerabilidade. A Emater Goiás será responsável pela organização do calendário de entregas às entidades indicadas pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). As organizações classificadas somente poderão iniciar o fornecimento após o recebimento formal da Ordem de Fornecimento, a ser emitida pela Seapa.

Emater Goiás

Refrigerante à base de soro do leite entra em fase de testes

Produto à base de soro do leite passa por testes de estabilidade, segurança e vida de prateleira. Iniciativa aposta em fermentação ou acidificação para desenvolver nova bebida láctea.

O chamado “Refrigerante do Bem”, uma bebida láctea produzida a partir do soro do leite, entrou na fase de validação. A proposta é desenvolver uma bebida carbonatada, que pode ser acidificada ou fermentada, com possibilidade de enriquecimento com proteínas, vitaminas e minerais. Além de agregar valor nutricional, a formulação surge como alternativa para o aproveitamento do soro, subproduto da fabricação de queijos. A ideia foi desenvolvida a partir de pesquisas do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). Segundo o coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da EPAMIG, Junio de Paula, o nome traduz o propósito da iniciativa: “Chamamos de ‘Refrigerante do Bem’ porque contribui com o meio ambiente ao utilizar um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos.” Nesta fase, os pesquisadores realizam ensaios preliminares para caracterizar o soro do leite, avaliando composição, qualidade e parâmetros básicos. Paralelamente, são definidos os ingredientes e o método de fabricação mais adequado. A etapa seguinte prevê a produção em escala industrial, na fábrica-escola da EPAMIG ILCT, com dois tipos de tratamento — fermentação ou acidificação — realizados em quatro repetições. Após o envase, o produto será armazenado e refrigerado para análise de estabilidade. “Ao longo da estocagem, iremos realizar análises físicas, químicas e microbiológicas com o intuito de acompanhar a estabilidade, segurança e vida de prateleira do produto. Os testes são essenciais para comprovar a viabilidade tecnológica do uso do soro na bebida carbonatada, garantindo que o produto seja seguro, estável e, quando aplicável, atenda aos critérios para ser considerado probiótico”, explica Junio. Concluídas as análises, os resultados devem ser apresentados em eventos técnicos e científicos, além de publicados em artigos e relatórios. A proposta é viabilizar a transferência da tecnologia para laticínios interessados. “Como o projeto tem natureza de avanço tecnológico e prevê uma tecnologia de simples implantação em escala industrial, a expectativa é que, após a conclusão, prevista para início de 2027, a bebida possa ser transferida e implementada por laticínios interessados, desde que sejam cumpridas as etapas regulatórias e industriais de rotina, como adequações de linha, registro do produto e rotulagem”, afirma o coordenador. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), executado pela EPAMIG ILCT, com gestão da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).

EPAMIG/MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar futuro sobe em sintonia com exterior e recuo do Ibovespa

O dólar futuro negociado na B3 — o mais líquido no mercado brasileiro — ganhou força durante a tarde da quarta-feira pós-Carnaval, em sintonia com o recuo do Ibovespa e o avanço firme da moeda norte-americana também no exterior.

Em uma sessão com duração reduzida, iniciada às 13h, o contrato de dólar futuro para março subia 0,36% às 17h52 na B3, aos R$5,2500. Na terça-feira, com o mercado brasileiro fechado, o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais moedas no exterior, em meio às incertezas em torno das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã. Na quarta-feira, a notícia de que a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, planeja deixar o cargo antes do fim do mandato, em outubro de 2027, penalizou o euro em relação ao dólar. Além disso, a moeda norte-americana ganhou força ante outras divisas na esteira de dados econômicos melhores do que o esperado nos Estados Unidos. O Departamento de Comércio norte-americano informou que os pedidos de bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves — um indicador importante dos gastos empresariais –, aumentaram 0,6%, acima da previsão de 0,4% dos economistas consultados pela Reuters. Já o Federal Reserve informou que a produção industrial aumentou 0,6% no mês passado, o maior ganho desde fevereiro de 2025, após permanecer estável em dezembro, superando a estimativa de 0,4%. Às 17h51, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,62%, a 97,726. Neste cenário, o dólar se firmou em alta no Brasil durante a tarde, em paralelo ao recuo do Ibovespa em meio aos ajustes na volta do Carnaval. Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado brasileiro passou nesta quarta-feira por um processo de correção de preços, com a saída de investidores da bolsa impactando o câmbio. “Você vê este movimento (de investidores) saindo, e o dólar acaba acompanhando”, pontuou. Internamente, os agentes estiveram atentos ainda às notícias sobre a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição controlada por Augusto Lima, ex-sócio do Master, por comprometimento de sua situação econômico-financeira e descumprimento de normas. Em outra frente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente lei que estabelece reajuste de salários para servidores da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU). Lula bloqueou trechos que previam escalonamento dos reajustes até 2029 e pagamentos que poderiam levar a remunerações superiores ao teto do funcionalismo público, informou o Planalto. Agora, o Congresso decidirá se mantém ou derruba os vetos.

Reuters

Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale na volta do Carnaval

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, na volta do fim de semana prolongado pelo Carnaval, pressionado pelas ações da Vale, enquanto os papéis da Petrobras avançaram com a alta dos preços do petróleo no mercado externo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,35%, a 185.819,21 pontos, após subir a 187.656,93 pontos na máxima e marcar 185.000,96 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$20,95 bilhões antes dos ajustes finais, em pregão marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e de contrato futuro do índice.

Reuters

Mercado reduz projeção para alta do IPCA este ano a 3,95% no Focus

A projeção para a inflação neste ano voltou a cair na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central, mesmo após aceleração da taxa em 12 meses do IPCA de janeiro.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou a sexta redução seguida na conta para o IPCA, estimado agora a 3,95% este ano, de 3,97% na semana anterior. Para 2027 a estimativa segue em 3,80%. Na semana passada, o IBGE informou que o IPCA subiu 0,33% em janeiro, acumulando em 12 meses alta de 4,44%, de 4,26% em dezembro de 2025. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, não sofreram alterações, com crescimento esperado de 1,80% tanto em 2026 quanto em 2027. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda manutenção do cenário para a taxa básica de juros. A expectativa é de que a Selic, atualmente em 15%, seja reduzida em 0,5 ponto percentual na reunião de março, fechando este ano em 12,25%. Para 2027 ela é calculada em 10,50%.

Reuters

Valor Bruto da Produção agropecuária recua 3,6% em 2026, diz Mapa

Queda para R$ 1,371 trilhão é puxada por preços menores e menor avanço da produtividade nas lavouras

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária neste ano deve atingir R$ 1,371 trilhão, prevê o Ministério da Agricultura. O número é inferior ao R$ 1,392 trilhão estimados pela pasta no mês passado. Em relação ao ano anterior, há queda de 3,6%. Para 2025, o ministério também revisou sua projeção de R$ 1,419 trilhão para R$ 1,422 trilhão. A perspectiva de queda pode ser explicada pelo menor preço esperado para as commodities agrícolas neste ano e pela desaceleração da produtividade das lavouras. As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério. Os dados foram compilados pela reportagem. O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o País. Do total previsto para 2026, R$ 895,311 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 65% do total e recuo estimado de 4% ante 2025. Outros R$ 475,329 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 35% do total e queda de 3% em comparação com o ano passado. Para 2025, o ministério prevê alta de 10,6% no valor bruto da produção da agricultura, para R$ 932,342 bilhões, e alta de 14,3% no faturamento da pecuária, para R$ 488,801 bilhões. Na agricultura, é esperado crescimento neste ano apenas para o VBP das lavouras de banana, café, feijão, mandioca e soja. Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 3,7% maior, para R$ 342,093 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 154,626 bilhões, recuo anual de 7,1%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 8,615 bilhões, queda anual de 17,3%. Para as lavouras de café, a projeção é de VBP de R$ 116,274 bilhões, alta de 1,3% frente a 2025. O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 11,2%, estima o ministério, para R$ 103,895 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve ceder 36,1%, para R$ 15,567 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 30,343 bilhões, baixa anual de 14,8%. As previsões apontam ainda para recuo de 33,7% do VBP do cacau, para R$ 7,681 bilhões. Já o VBP das lavouras de arroz e feijão deve diminuir, respectivamente, 30,5% e 8,4%. O faturamento bruto da produção de arroz deste ano é estimado em R$ 14,472 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 12,745 bilhões. Na pecuária, o maior crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 3,2%, para um VBP projetado em R$ 218,700 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária. O valor bruto da cadeia de suínos deve recuar 4,4%, para R$ 60,349 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 7,4% abaixo do ano anterior, para R$ 104,304 bilhões. A receita bruta obtida com a produção de leite deve cair 4%, para R$ 69,854 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 24,4% menor, para R$ 22,121 bilhões. O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 17 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.

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