Ano 1 | nº 74 | 13 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
IBGE: ano recorde na captação redefine expectativas para 2026
A captação formal de leite alcançou o maior volume da série histórica em 2025, com crescimento de 8% sobre 2024. No entanto, os dados do último trimestre mostram perda gradual de ritmo, em meio à compressão das margens e ao descompasso entre oferta e demanda.
A divulgação dos dados parciais da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, confirmou o movimento que já vinha sendo sinalizado ao longo do ano: 2025 se consolidou como o ano de maior captação da série histórica. O volume formal registrado ficou 8% acima de 2024, enquanto o quarto trimestre avançou 8,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, reforçando o ritmo consistente de expansão da oferta visto em 2025. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, outubro apresentou o maior crescimento do trimestre (12,5%). Já em novembro, o avanço foi mais modesto (7,9%), finalizando dezembro com uma desaceleração ainda maior (4,5%). Apesar do crescimento expressivo no acumulado do ano (8,01%), esses dados parciais do último trimestre já indicam uma redução no ritmo de captação. Após um longo período de expansão da oferta, criou-se um descompasso entre produção e demanda, que pressionou gradualmente os preços ao produtor ao longo de 2025 e influiu diretamente nessa desaceleração observada. rentabilidade foi sendo comprimida ao longo do segundo semestre. Esse movimento fica evidente na trajetória do indicador RMCA (Receita menos custo da alimentação). No primeiro semestre, o indicador ainda refletia os preços mais elevados do final de 2024, garantindo margens mais confortáveis e incentivando a produção. Entretanto, ao longo do segundo semestre, o recuo do RMCA reduziu gradualmente o estímulo econômico à expansão da atividade, influenciando as decisões produtivas e corroborando para que o ano se encerrasse em patamares inferiores de rentabilidade e com menor ritmo de captação. Para o início de 2026, é provável que ainda observemos um primeiro momento de captação sustentada, reflexo direto do ano altamente produtivo que se encerrou. Contudo, considerando o patamar atual de rentabilidade, o crescimento deve ocorrer em ritmo mais moderado do que o registrado em 2025, à medida que o setor busca um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda.
IBGE/MILKPOINT
Anvisa suspende lotes de fórmula infantil da Nestlé; marca diz que foi erro técnico
Órgão regulador apontou presença de selênio e iodo acima do permitido pela legislação. Empresa afirma que unidades de medida estavam erradas e que já contatou a entidade
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento e suspendeu dez lotes da fórmula infantil Alfamino, da Nestlé. O motivo foi a presença de selênio e iodo em quantidades acima dos limites da legislação, de acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União. O máximo permitido para o selênio é de 9 μg/100 kcal, e o laudo apontava para 31,1 μg/100 kcal. Já o limite para o iodo é de 60 μg/100 kcal, e foram constatados 175,7 μg/100kcal. O consumo dessas substâncias em excesso pode causar problemas gástricos e na tireoide. Em nota, porém, a Nestlé afirma que o problema foi apenas a conversão de unidades no laudo de avaliação enviado à Anvisa. A informação correta seria 3,11 μg/100 kcal e 17,57 mcg/100kcal, valores bem inferiores ao máximo exigido. “A Nestlé reitera que seus produtos atendem estritamente a todos os parâmetros normativos estabelecidos e, portanto, são seguros para o consumo”, afirma a nota. A marca ainda diz que se surpreendeu com a resolução publicada e que está em contato com a Anvisa para esclarecimentos. Segundo a empresa, os laudos de avaliação foram entregues após recentes solicitações da Anvisa em relação a suas fórmulas infantis. No mês passado, a Nestlé fez um recall de diversos produtos por possível pre4sença da toxina cereulide. Segundo Gabriel Britto Silva, diretor jurídico do Ibraci (Instituto Brasileiro de Cidadania), o consumidor tem o direito de preservar o risco à sua saúde e segurança e pedir a restituição do valor pago, sem prejuízos. “Porém, caso seja comprovado que o produto está de acordo com os padrões exigidos, não há que se falar em dever de indenizar por parte da Nestlé”, afirma.
FOLHA DE SÃO PAULO
MEIO AMBIENTE
Leite produzido no Brasil tem pegada de carbono menor que a média mundial, diz estudo
Pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa, com apoio da Cargill. Fazendas analisadas em pesquisa apresentaram produtividade alta, diluindo emissões por volume de leite
A pecuária leiteira do Brasil emite, para cada litro de leite produzido, uma quantidade de gases de efeito estufa que é menos da metade do volume emitido em média pela pecuária leiteira mundial, segundo um estudo de pesquisadores da USP e da Embrapa Gado de Leite com apoio da Cargill. A pegada de emissão na atividade no Brasil foi calculada em 1,19 quilo de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) para cada quilo de leite produzido, enquanto a média global é estimada em 2,5 quilos de CO2eq por quilo de leite. O estudo analisou 28 fazendas em sete Estados, totalizando 24,3 mil animais que produzem anualmente 162,1 milhões de litros de leite (0,45% da produção nacional). O cálculo considerou o leite corrigido para os teores de gordura e proteína, método adotado internacionalmente para permitir a comparação entre diferentes sistemas de produção. Segundo os pesquisadores, o que faz a pecuária leiteira do Brasil emitir menos gases por volume de leite produzido é a maior produtividade das vacas. Como a produtividade é maior do que a média global, a quantidade de gases emitida por produção acaba caindo. Fazendas com produção diária superior a 25 litros por vaca, por exemplo, apresentaram pegada média de 900 gramas de carbono equivalente por quilo de leite, 25% abaixo da média nacional. “A gente atinge sustentabilidade de uma maneira muito intensa à medida que se torna mais produtivo”, afirma Marcelo Dalmagro, diretor de Marketing Estratégico e Tecnologia da Cargill Nutrição e Saúde Animal. “O consumidor vai receber um litro de leite. Fazendas mais eficientes estão emitindo menos para entregar aquele litro de leite. Isso é importante porque mostra ao produtor que ele tem que focar bastante em eficiência. Fazendas pouco eficientes acabam ocupando muitos recursos naturais e emitindo mais por litro de leite produzido”, explica Pietro Baruselli, professor de Reprodução Animal na USP. Ele ressalta que a melhoria dos indicadores produtivos na pecuária de corte e de leite exige uma abordagem integrada, que envolve diferentes áreas do conhecimento, como nutrição, sanidade, ambiência e reprodução animal. Também há diferenças em relação ao bioma onde a atividade é exercida. A produção de leite no Pampa tem a menor pegada de carbono do país, com uma média de 0,99 quilo de carbono equivalente por quilo de leite produzido, seguido pelo Cerrado (1,12 quilo de carbono por quilo de leite produzido), Mata Atlântica (1,19 quilo de carbono por quilo de leite), e Caatinga (1,5 quilo de carbono por quilo de leite). O estudo levou em conta as emissões em todo o ciclo de vida da produção do leite, desde a produção dos grãos para ração em outras fazendas até o descarte do produto — método conhecido como Análise de Ciclo de Vida (ACV). De acordo com os cálculos da pesquisa, 47% de todas as emissões associadas à pecuária leiteira provêm da fermentação entérica (o “arroto” da vaca). Na sequência vêm as emissões decorrentes da produção de alimentos para ração das vacas que é feita fora da propriedade, e representam 36,8% das emissões da atividade, e o manejo de dejetos dos animais, com 8,1% das emissões totais. “A mensuração precisa das emissões de gases de efeito estufa permite que produtores busquem práticas e tecnologias baseadas em ciência, para aumento da eficiência e redução da pegada de carbono do leite, melhorar a competitividade do setor e alinhar-se a compromissos de mitigação das emissões”, afirma Vanessa de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite. Segundo Dalmagro, da Cargill, o setor já conta com ferramentas avançadas de modelagem nutricional que permitem formular dietas específicas para reduzir a produção de metano entérico. “A nutrição também está intimamente ligada à saúde, onde através de estratégias de micro nutrição melhoramos o status sanitário dos animais, resultando em animais mais produtivos, saudáveis e com bem-estar, o que contribui de maneira direta à redução das emissões.”
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
PREÇOS DO SORO DE LEITE DISPARARAM
Enquanto os preços do açúcar vêm caindo, partes do mercado de laticínios estão se movendo na direção oposta.
Os preços do soro de leite dispararam, já que os medicamentos GLP-1 e tendências mais amplas de saúde impulsionam a demanda por produtos ricos em proteínas. A demanda “aumentou dramaticamente”, disse John Lancaster, chefe de consultoria em laticínios e alimentos para Europa, Oriente Médio e África na corretora StoneX. Os preços de produtos de soro de leite com alto teor proteico, usados em pó e barras de proteína, ” subiram massivamente no último ano e meio. Estamos praticamente em preços recordes na Europa e nos EUA”. Médicos alertam que, sem ajustes na dieta e mudanças no estilo de vida, uma parcela significativa do peso perdido com os GLP-1s pode ser de músculo em vez de gordura. Essa preocupação levou médicos e nutricionistas a recomendar maior ingestão de proteínas, alimentando a demanda por concentrados e isolados de soro de leite que foram desenvolvidos para nutrição esportiva. Consumidores britânicos, por exemplo, têm corrido para alimentos ricos em proteínas, com as vendas de queijo cottage subindo 50% em relação ao ano anterior em janeiro, segundo dados da Worldpanel by Numerator. João Paulo Frossard, analista de alimentos de consumo do Rabobank, disse que as empresas de alimentos estão se adaptando à mudança reformulando produtos e focando na densidade nutricional em vez do crescimento de volume. “Isso não é uma moda passageira. É algo que a indústria agora precisa considerar em seu planejamento”, disse. “Cada mordida conta se você está comendo menos.”
FINANCIAL TIMES/FOLHA DE SP
Empresa peruana Gloria Foods compra a Saputo Argentina
Transação avaliada em cerca de US$ 500 milhões envolve 80% da Molfino Hermanos, conhecida como Saputo Argentina. A operação ainda depende de aprovação regulatória.
A Gloria Foods SA anunciou a assinatura de um acordo para adquirir 80% das ações da Molfino Hermanos SA, conhecida como Saputo Argentina, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 500 milhões. A operação envolve a compra da participação atualmente detida pela canadense Saputo Inc. e inclui também o escritório de vendas da empresa no Brasil. Os 20% restantes permanecerão com a Saputo Inc., mantendo uma relação societária e comercial entre as companhias. A conclusão do negócio está condicionada à aprovação das autoridades reguladoras competentes, conforme os procedimentos usuais para esse tipo de transação. A Saputo Argentina é uma das principais empresas do setor lácteo no país, com atuação consolidada na produção e comercialização de queijos e outros derivados. Conta com estrutura industrial relevante, rede de distribuição nacional e marcas reconhecidas, como La Paulina, Ricrem e Molfino. A empresa também possui presença no mercado de exportação e relacionamento com produtores locais. Para a Gloria Foods, plataforma regional de alimentos do Grupo Gloria, a aquisição integra a estratégia de expansão na América Latina e reforça sua atuação no setor lácteo regional.
Gestión/RPP/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar vira para o positivo puxado pelo exterior e fecha perto dos R$5,20
Uma piora do desempenho dos ativos de risco no exterior no início da tarde foi determinante para o avanço do dólar ante o real na quinta-feira, com a moeda fechando pouco abaixo dos R$5,20.
Após se aproximar dos R$5,15 mais cedo, o dólar à vista fechou a sessão com alta de 0,23%, aos R$5,1993. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,35% na B3, aos R$5,2165. O dólar registrou perdas ante o real durante a manhã, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior. No início da tarde, às 12h16, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1546 (-0,63%), mas logo depois o cenário mudou. Os principais índices de ações em Wall Street migraram para o território negativo, com o S&P 500 em baixa superior a 1%, e a moeda norte-americana ganhou força ante as demais divisas. No Brasil, esse movimento de aversão a ativos de risco abriu espaço para o Ibovespa chegar a cair mais de 1% e a moeda norte-americana virar para o território positivo. Às 15h37, o dólar à vista marcou a cotação máxima da sessão de R$5,2110 (+0,45%). Operador ouvido pela Reuters pontuou que o fortalecimento do dólar no Brasil durante a tarde ocorreu totalmente a reboque do exterior, acrescentando que na sexta-feira a demanda pela moeda tende a se intensificar em função do Carnaval. Como o mercado de câmbio no Brasil vai reabrir apenas na quarta-feira, dia 18, é de se esperar que parte dos agentes busque dólares para se proteger até lá, enquanto no exterior a negociação cambial será normal.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com realização de lucros; BB e Ambev sobem
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, pressionado por realização de lucros nas ações de Petrobras e Itaú Unibanco, enquanto os papéis de Assaí, Ambev e Banco do Brasil mostraram desempenho robusto com repercussão de resultados do último trimestre do ano passado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1%, a 187.808,59 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 189.989,97 na máxima e 186.959,07 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$36,3 bilhões antes dos ajustes finais. Na véspera, o Ibovespa registrou o 11º recorde nominal em 2026, chegando a superar os 190 mil pontos pela primeira vez no melhor momento do pregão. No ano, até a véspera, acumula uma valorização de 13,6%, em movimento sustentado principalmente pelo forte fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras.
REUTERS
Serviços do Brasil têm queda inesperada em dezembro, mas crescem no ano pela 5ª vez seguida
Os serviços no Brasil registraram queda inesperada no volume em dezembro, marcando uma perda de dinamismo, embora tenha crescido pelo quinto ano seguido.
Em dezembro, o volume de serviços recuou 0,4% na comparação com novembro na série com ajuste sazonal, depois de nove resultados mensais positivos e um de estabilidade, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, terminou 2025 com alta acumulada de 2,8%, quinto ano seguido com resultado positivo, mas mostrando desaceleração frente à taxa de 3,1% vista em 2024. Entre 2021 e 2025, o setor registrou ganho acumulado de 31,0%, depois de retração de 7,8% em 2020 devido à pandemia, de acordo com os dados do IBGE. Apesar de chegar ao fim do ano com desempenho mensal negativo, ao longo de 2025 o setor mostrou resiliência, com o desemprego baixo e aumento da renda compensando os efeitos da taxa de juros elevada e contribuindo para o crescimento da economia. Isso trouxe preocupações para o Banco Central principalmente devido à inflação do setor. No mês passado, o BC manteve a taxa básica Selic em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março. Em relação a dezembro do ano anterior, o volume de serviços apresentou alta de 3,4%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de ganhos de 0,1% na base mensal e de 3,5% na comparação anual. Em dezembro, três das cinco atividades tiveram retração no volume de serviços frente ao mês anterior, com destaque para a queda de 3,1% de transportes. Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, destacou que houve “taxas negativas em todos os modais (de transportes) investigados: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio (-4,9%).” Além disso, houve recuos de 3,9% no transporte de passageiros e de 1,6% no transporte de cargas em dezembro na comparação com novembro. Já em 2025 o destaque foi a alta de 5,5% do ramo de informação e comunicação, impulsionado, em grande parte, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet; desenvolvimento e licenciamento de softwares e outros. O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 0,2% em dezembro frente ao mês anterior, acumulando em 2025 ganho de 4,6%.
REUTERS
Safra de 2026 deve atingir 342,7 milhões de toneladas, queda de 1%, diz IBGE
Para a soja, a estimativa de produção é de 172,5 milhões de toneladas. Estimativa foi ajustada para cima em relação ao último levantamento
A safra brasileira de grãos, leguminosas e oleaginosas deve atingir 342,7 milhões em 2026, queda de 1% ante 2025. É o que informou na quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao divulgar a Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de janeiro. Ainda segundo o instituto, na comparação com a LSPA de dezembro de 2025, no entanto, a previsão que consta na LSPA de janeiro veiculada na quinta-feira (12), foi 0,8% superior, um acréscimo de 2,8 milhões de toneladas. O IBGE informou ainda que a área a ser colhida para a safra de 2026 ficou em 82,7 milhões de hectares, na projeção de janeiro. Isso significa aumento de 1,4% frente à área colhida em 2025; (crescimento de 1,1 milhão de hectares ante ano anterior); e praticamente estabilidade (decréscimo de 27.452 hectares) ante projeção de dezembro. O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos deste grupo, representam 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,5% da área a ser colhida, na safra desse ano. Para a soja, a estimativa de produção, para a safra de 2026, foi de 172,5 milhões de toneladas. Esse patamar será recorde, caso alcançado, detalhou o instituto, e representa alta de 1,3% ante estimativa anterior, do IBGE; com acréscimo de 3,9% ante safra anterior. Quanto ao milho, a estimativa foi de 133,8 milhões de toneladas (28,6 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 105,2 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A projeção é 0,4% maior ante projeção anterior, feita pelo IBGE, mas 7,9% inferior ao resultado total do milho na safra passada. O instituto detalhou ainda que, na safra 2026 ante safra 2025, estão previstos acréscimos, na área a ser colhida, de 0,5% na da soja, de 2,2% na do milho (altas de 9,3% no milho 1ª safra e crescimento de 0,5% no milho 2ª safra); e de 0,9% na do trigo.
GLOBO RURAL
Conab revisa soja para cima e mantém perspectiva de safra recorde de grãos
Órgão aponta para uma colheita de 178 milhões de toneladas da oleaginosa, principal produto agrícola do país. Caso a projeção se confirme, produção de grãos será 0,3% maior do que a da temporada 2024/25
O Brasil deverá produzir 353,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, o que mantém a perspectiva de recorde na série histórica, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal divulgou na quinta-feira (12/2) seu quinto relatório de acompanhamento da safra atual. Caso a projeção se confirme, a produção nacional será 0,3% maior do que a da temporada 2024/25. No ciclo passado, o país colheu 352,1 milhões de toneladas. A nova estimativa é 0,3 milhão de toneladas maior do que a que a Conab apresentou em janeiro de 2026. No relatório anterior, a empresa estimou produção total de 353,1 milhões de toneladas. O levantamento foi divulgado quando se iniciam os trabalhos de colheita das culturas de primeira safra. A área plantada deve chegar a 83,3 milhões de hectares, elevação de 1,9% em relação ao ciclo passado. A Conab aponta para uma safra de 178 milhões de toneladas de soja, aumento de 6,5 milhões de toneladas em comparação ao ciclo passado e um novo recorde para a cultura. No documento de janeiro, a companhia havia estimado a produção em 176,1 milhões de toneladas. Segundo a Conab, 17,4% da safra já está colhida. “A gente teve um atraso na implantação da cultura, principalmente em outubro, por conta da irregularidade das precipitações, mas o desenvolvimento das lavouras foi considerado satisfatório na maioria dos Estados”, analisa o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos. Para o milho, a previsão é de uma safra total de 138,4 milhões de toneladas, representando recuo de 1,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar disso, o cultivo da primeira safra do cereal, já colhida, apresenta crescimento de 7,2% na área, estimada em 4 milhões de hectares, e a produção em 26,7 milhões de toneladas, aumento de 7,1% sobre a safra anterior. Para a segunda safra de milho devem ser destinados 17,9 milhões de hectares, com o plantio já iniciado, alcançando na primeira semana de fevereiro 21,6% da área estimada, e com uma produção projetada em 109,3 milhões de toneladas.
GLOBO RURAL
Agro brasileiro exporta US$ 10,8 bilhões em janeiro e registra superávit de US$ 9,2 bilhões no primeiro mês do ano
Proteínas animais apresentam recordes de exportação e China segue como principal destino dos produtos. As exportações brasileiras do agro em janeiro de 2026 somaram US$ 10,8 bilhões, decréscimo de 2,2% em relação ao primeiro mês do ano anterior.
Apesar do aumento do volume exportado em 7,0%, que demonstra acesso cada vez maior dos produtos brasileiros no exterior, houve queda do preço médio em 8,6%. Entre os fatores associados ao recuo nos preços médios, está a redução dos preços internacionais para algumas das principais commodities, conforme atesta o Índice de Preços de Alimentos da FAO que recuou em janeiro deste ano na comparação com dezembro do ano anterior. O resultado foi o terceiro maior da série histórica para meses de janeiro e respondeu por 42,8% do valor total exportado pelo país no período. Por sua vez, as importações de produtos do agronegócio somaram US$ 1,7 bilhão, um decréscimo de 11,2%, resultando em superávit de US$ 9,2 bilhões (-0,4%). Entre os destaques do mês, vale ressaltar as exportações do agronegócio brasileiro para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indicando avanço em um bloco que reúne mercados relevantes do Sudeste Asiático e formado pelos seguintes países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã. O ranking dos três principais compradores de produtos agropecuários brasileiros segue inalterado, com a China mantendo a liderança (US$ 2,1 bilhões, 20% das exportações totais), seguida pela União Europeia (US$ 1,7 bilhão, 11% das exportações totais) e pelos Estados Unidos (US$ 705 milhões, 6,6% das exportações totais). Entre os mercados que ampliaram suas compras no período, destacam-se Emirados Árabes Unidos (aumento de US$ 127,3 milhões, 58,5%), Turquia (aumento de US$ 72,2 milhões, 72,18%), Filipinas (aumento de US$ 67,2 milhões, 90%), Irã (aumento de US$ 66,4 milhões, 21,5%), Iêmen (aumento de US$ 51,6 milhões, 336,9%), Iraque (aumento de US$ 43,2 milhões, 38,2%), Chile (aumento de US$ 43,2 milhões, 29,1%), Arábia Saudita (aumento de US$ 42,6 milhões, 21,6%), Japão (aumento de US$ 42,3 milhões;19,8%) e Marrocos (aumento de US$ 41,5 milhões, 56,3%). Por sua vez, os seis principais setores exportadores pelo agro brasileiro no mês foram carnes (US$ 2,58 bilhões, 24,0% do total das exportações e incremento de 24,0% em relação a janeiro de 2025), complexo soja (US$ 1,66 bilhão, 15,4% do total das exportações e incremento de 49,4% em relação a janeiro de 2025), produtos florestais (US$ 1,38 bilhão, 12,8% do total das exportações e decréscimo de 8,8% em relação a janeiro de 2025), cereais, farinhas e preparações (US$ 1,12 bilhão,10,4% do total das exportações e incremento de 11,3% em relação a janeiro de 2025), café (US$ 1,10 bilhão, 10,2% do total das exportações e decréscimo de 24,7% em relação a janeiro de 2025) e complexo sucroalcooleiro (US$ 0,75 bilhão, 7,0% do total das exportações e decréscimo de 31,8 em relação a janeiro de 2025). Destaque para a carne bovina in natura, item de maior valor exportado no período, com US$ 1,3 bilhão e 231,8 mil toneladas, com embarques destinados a 116 países. Em janeiro, as compras dos Estados Unidos do produto cresceram 93%. Segundo o ministro Carlos Fávaro, as ações de sanidade e de negociação comercial conduzidas pelo governo federal no último ano tem sido fundamentais para o desempenho positivo das exportações brasileiras. Conforme menciona o Secretário Luis Rua, desde 2023, foram abertos 535 novos mercados para produtos do agronegócio, destes 10 apenas em janeiro de 2026. Iniciativas como AgroInsight, webinars e a Caravana do Agroexportador têm aproximado produtores e exportadores de oportunidades em novos mercados, levando informação qualificada que estimula e apoia a entrada de pequenos e médios exportadores no mercado internacional.
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