Ano 1 | nº 71 | 10 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Frísia monitora 23,5 mil bovinos de leite com inteligência artificial
Projeto Monitore acompanha saúde, reprodução e bem-estar dos animais em 109 propriedades do Paraná, garantindo mais eficiência e bem-estar no leite.
A Frísia Cooperativa Agroindustrial monitora atualmente 23,5 mil vacas leiteiras com o uso de inteligência artificial (IA). Os animais estão distribuídos em 109 propriedades do Paraná e fazem parte do Projeto Monitore, iniciativa voltada ao acompanhamento contínuo de saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico do rebanho. As propriedades participantes do Monitore representam mais de 50% dos produtores de leite da Frísia e aproximadamente 68% do volume diário entregue à indústria. O sistema utiliza colares eletrônicos instalados em vacas das raças Holandesa e Jersey em lactação, no período seco (sem produção leiteira) e em novilhas com 30 dias pré-parto, categorias consideradas mais sensíveis do ponto de vista sanitário e reprodutivo. O projeto integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo Eduardo Ichikawa, gerente executivo de Pecuária da Frísia, a decisão de implantar o sistema da Cowmed foi construída com os próprios cooperados, pelo Comitê Pecuário. “O foco é termos, junto com os cooperados, mais saúde e mais produção das vacas. O monitoramento permite agir antes que o problema se agrave”, afirma. Ele destaca que não há distinção por tamanho de propriedade. “Independentemente de quanto produz, o importante é estar no projeto”, conta. Para a implementação do projeto Monitore, a Frísia subsidiou parte do investimento em infraestrutura, como o custo de instalação das antenas nas propriedades. O cooperado, então, paga uma mensalidade por animal monitorado, equivalente a cerca de um terço do valor praticado no mercado. Os colares funcionam como um dispositivo de monitoramento contínuo do comportamento das vacas. Eles registram dados de movimentação, ruminação, frequência e tempo de consumo, tempo de descanso, padrões de ofegação, entre outras medições. As informações são enviadas para antenas instaladas nas propriedades e processadas em plataforma digital, acessível, inclusive, por celular pelo cooperado e equipe técnica da Frísia. De acordo com Anderson Radavelli, supervisor de Zootecnia da cooperativa, os primeiros resultados percebidos pelos produtores foram na reprodução e na saúde dos animais. “A detecção de cio foi um dos principais ganhos iniciais, porque antes dependia muito da observação visual. Agora, o produtor recebe o alerta no momento adequado para a inseminação”, explica. O sistema também identifica alterações sutis no comportamento que podem indicar início de doenças. “Muitas vezes, o alerta vem antes dos sinais clínicos visíveis. Isso permite medidas preventivas, tratamento mais cedo e redução no uso de medicamentos”, diz Radavelli. Na reprodução, os dados também têm refletido em desempenho. Há propriedades cooperadas registrando taxas de prenhez acima de 35%, patamar considerado elevado. Em geral, os índices médios de taxa de prenhez no Brasil costumam variar entre 18% e 24%. Outro ponto monitorado é o estresse por calor. Os colares registram o tempo de ofegação e o período em que a vaca permanece em pé comportamentos que aumentam quando o animal tem dificuldade de dissipar calor. “Com essas informações, o produtor pode ajustar ventilação, sombra e manejo para reduzir o impacto do calor. Isso preserva o bem-estar e evita perdas de produção”, afirma o supervisor de Zootecnia. Os dados de ruminação e tempo de cocho também funcionam como indicadores diretos de consumo alimentar. “Conseguimos acompanhar desde a ruminação até quanto tempo a vaca passa no cocho. Se o animal reduzir a ingestão, o sistema sinaliza rapidamente. Isso permite corrigir dieta e manejo”, explica Radavelli.
A tecnologia é desenvolvida pela empresa brasileira Cowmed. Segundo o vice-presidente e cofundador, Leonardo Guedes da Luz Martins, o sistema opera como um “smartwatch da vaca”. “A coleira acompanha o animal 24 horas por dia, registrando comportamento em alta frequência. É como se o produtor tivesse alguém observando cada vaca o tempo todo”, afirma.
Cada dispositivo realiza 25 amostragens por segundo do comportamento do animal. Os algoritmos analisam os dados e geram alertas automáticos de saúde e cio, além de alterações nutricionais ou de bem-estar. “Nas análises que fazemos, a precisão dos alertas de saúde pode chegar acima de 95%”, diz Martins. Para ele, o projeto também estabelece uma comunicação direta com o mercado. “Quando a cooperativa investe em monitoramento, está mostrando ao consumidor que há interesse em desenvolvimento, eficiência e bem-estar animal. É uma forma de dar transparência ao sistema de produção”, destaca o cofundador da Cowmed.
Assessoria Cooperativa Frísia
NACIONAL
Agroecologia na prática: o modelo sustentável de uma queijaria na Serra da Canastra
Preservação ambiental, sistema silvipastoril e decisões de manejo moldam um modelo produtivo que vai além do queijo e olha para o futuro.
A Serra da Canastra, conhecida pelo tradicional queijo mineiro, guarda histórias que vão além do sabor. No município de Piumhi (MG), a Queijaria Faz o Bem mostra que a produção de queijo artesanal pode caminhar junto com a preservação ambiental. Criada em 2021 por Vinícius Soares, a queijaria adota um modelo de produção que combina práticas agroecológicas e manejo cuidadoso do rebanho. A experiência foi retratada em reportagem do Sebrae e revela como decisões tomadas dentro da porteira impactam diretamente o ambiente e o produto. A fazenda da Queijaria Faz o Bem tem 25 hectares, localizada próxima ao Ribeirão Araras. Desse total, 44% da área é mantida com vegetação nativa preservada. No restante, o produtor adota técnicas voltadas à recuperação e conservação do solo. Não são utilizados defensivos químicos nas pastagens nem medicamentos em excesso nos animais. O manejo exige planejamento constante, mas resulta em um rebanho mais saudável e em um ambiente equilibrado. Um exemplo desse funcionamento integrado está no aproveitamento do soro de queijo, subproduto da fabricação. Em vez de ser descartado, o soro é utilizado na alimentação de porcos da raça Piau, criados soltos em uma área de quase dois hectares. “O soro deixa de ser lixo e vira parte do sistema da fazenda”, explica Vinícius. Outro pilar do modelo adotado é o sistema silvipastoril que integra árvores, pastagens e gado em uma mesma área. Na fazenda, 3,4 hectares de pasto, divididos em piquetes, já receberam o plantio de cerca de 800 árvores. Além de fornecer sombra aos animais, as árvores ajudam a reduzir a perda de água do solo e favorecem a diversidade vegetal. A expectativa é que, nos próximos anos, o ambiente se transforme ainda mais. “Daqui a cinco ou dez anos, vamos produzir queijo embaixo de uma floresta”, projeta o produtor. Os queijos são produzidos com leite cru e fermento natural. Durante o período de maturação, a lactose é quebrada naturalmente, característica do processo artesanal. A queijaria possui o Selo Queijo Artesanal, que permite a comercialização dos produtos em todo o território nacional. O reconhecimento também veio por meio de premiações. Em 2022, com apenas um ano de atividade, a Faz o Bem conquistou medalhas de Prata e Bronze no Mundial do Queijo do Brasil. Já em setembro de 2025, alcançou o segundo lugar no Concurso de Queijos Artesanais de Minas Gerais. Produzir de forma sustentável envolve escolhas técnicas e econômicas. Com apoio do Sebrae, a queijaria estruturou sua marca e passou a integrar as Rotas da Canastra, iniciativa que conecta produtores de queijo, café e atrativos naturais da região. Entre 2023 e 2025, a Faz o Bem foi a primeira da região a obter a certificação orgânica para o queijo Canastra. A manutenção do selo, no entanto, trouxe desafios. As regras da produção orgânica impediam o uso de milho e soja transgênicos na ração, o que impactou a produtividade do rebanho. Nesse período, a produção caiu para 8,5 a 9 litros de leite por vaca ao dia. Diante desse cenário, Vinícius optou por renunciar à certificação para preservar a viabilidade produtiva da fazenda. Sem o selo, a produção voltou a crescer, alcançando cerca de 14 litros por vaca ao dia. Mesmo assim, o produtor afirma que as práticas de cuidado com a terra e com os animais foram mantidas. Para ele, o objetivo não é produzir mais, mas servir de referência para outros produtores. A experiência da Queijaria Faz o Bem mostra que é possível produzir queijo de qualidade com respeito ao meio ambiente. O modelo adotado parte da ideia de que a fazenda funciona como um sistema integrado, no qual cada atividade se conecta e os resíduos de um processo se transformam em recursos para outro.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
INTERNACIONAL
Indonésia importa mais de 1.300 vacas leiteiras para impulsionar produção nacional
Com um ambicioso programa social no centro da estratégia, a Indonésia prevê importar um milhão de vacas leiteiras em cinco anos.
A Indonésia importou mais 1.383 vacas leiteiras da Austrália, segundo autoridades do setor agrícola. A operação faz parte de um plano estimado em US$ 3 bilhões, que busca ampliar a participação de pequenos produtores e quadruplicar a produção de leite no país. Com restrições orçamentárias, o governo de Jacarta tem pressionado empresas privadas a financiar a compra dos animais. A estratégia, considerada pouco convencional, vem gerando preocupação entre empresários da maior economia do Sudeste Asiático. “Esses animais não representam apenas um aumento no rebanho”, afirmou em comunicado Agung Suganda, diretor-geral de Pecuária e Saúde Animal do ministério. “Eles são um investimento estratégico para fortalecer a base da produção nacional de leite a partir de propriedades de pequenos produtores.” O plano está diretamente ligado a um programa de refeições gratuitas que atende 83 milhões de crianças e gestantes. Para sustentar a iniciativa, o governo prevê a importação de 1 milhão de vacas leiteiras ao longo de cinco anos, elevando o plantel atual, de cerca de 220 mil animais. De acordo com o ministério, as importações envolvem remessas conjuntas e programas de reprodução, com participação de cooperativas e produtores desde o ano passado. O leite produzido deverá abastecer a indústria de processamento, com o objetivo de garantir segurança no fornecimento de matéria-prima. O lote mais recente chegou no domingo à cidade de Cilacap, na província de Java Central, e será submetido a quarentena e exames sanitários, informou Hendra Wibawa, autoridade de saúde animal do ministério. O protocolo inclui um período de 14 dias de quarentena, seguido da coleta de amostras para a detecção de doenças como dermatose nodular contagiosa e febre aftosa. Do total importado, a empresa Lunar Chemplast adquiriu 1.094 animais, enquanto a Mazaraat Lokanatura Indonesia ficou responsável pelo restante, segundo Wibawa. Em 2025, a Indonésia importou 33.955 bovinos, sendo 13.544 destinados à produção de leite e os demais à pecuária de corte, informou o ministério.
MSN/MILK POINT
EUA: os gargalos que limitam o potencial do beef-on-dairy
O beef-on-dairy já é padrão nos EUA, mas ainda enfrenta gargalos importantes. Do manejo de colostro à comunicação entre os elos da cadeia, ajustes simples podem definir o sucesso do sistema.
À medida que o beef-on-dairy deixou de ser uma novidade e passou a se consolidar como um modelo de produção padrão nos Estados Unidos, produtores de leite, fazendas de bezerros e confinamentos passaram a atuar de forma mais integrada do que nunca. Essas parcerias fortaleceram a comunicação ao longo da cadeia, mas ainda persistem importantes desconexões. Na MILK Business Conference de 2025, produtores de leite e gerentes de confinamentos se reuniram para discutir alguns desses pontos críticos. O diálogo evidenciou avanços relevantes, mas também deixou claro onde ainda há necessidade de maior alinhamento. Produtores de leite costumam enviar os bezerros beef-on-dairy para fora da fazenda rapidamente. No entanto, gerentes de confinamento destacam que as primeiras horas de vida do animal, ainda na fazenda leiteira, exercem impacto maior sobre a saúde e o desempenho a longo prazo do que qualquer manejo realizado posteriormente. A forma como o bezerro inicia a vida define se ele entrará no sistema de engorda com uma base imunológica sólida ou já em desvantagem. “Uma das desconexões que eu vejo na indústria é o que acontece com aquele bezerro de um dia de vida”, afirma Eric Behlke, gerente geral da Blackshirt Feeders, em Nebraska. Segundo ele, quando o bezerro não recebe colostro de alta qualidade, as consequências acompanham o animal até o final do ciclo produtivo — um problema difícil de ser revertido, especialmente para confinamentos que pagam valores elevados por esses bezerros. “O principal indicador da saúde de um bezerro é a transferência passiva”, explica Behlke. “Esse animal recebeu colostro? Quando há falha na transferência passiva ou ausência de colostro, isso compromete diretamente a saúde.” O que mais frustra os compradores é que a solução é simples. Tratar os bezerros beef-on-dairy com o mesmo nível de cuidado destinado às bezerras de reposição — garantindo colostro no momento adequado, protocolos consistentes e ambientes limpos — é a forma mais rápida de reduzir a lacuna de desempenho. Ainda assim, muitos bezerros continuam chegando aos confinamentos sem a imunidade básica necessária para prosperar. Outra desconexão está na forma como cada setor se comunica. Embora produtores de leite e confinamentos falem sobre o mesmo animal, a terminologia utilizada pode ser diferente o suficiente para dificultar o entendimento inicial. Daniel Vander Dussen, produtor de leite no Novo México, relembra suas primeiras experiências na comercialização de bezerros beef-on-dairy. “Quando comecei a vender beef-on-dairy, negociava alguns bezerros por vídeo e estávamos tentando fechar um contrato”, conta. “Eles falavam comigo sobre ajuste de peso em uma direção, em duas direções, peso base… e eu não fazia ideia do que aquilo significava. Eu precisava que explicassem de um jeito que eu entendesse.” “Sempre que eu tinha a chance de perguntar ‘por quê?’ ou ‘o que isso significa?’, eu perguntava”, diz Vander Dussen. “Era uma oportunidade de aprender.” Os confinamentos também buscaram esclarecer a ideia de que todo bezerro beef-on-dairy precisa ser gerado a partir de genética Angus. Embora essa raça continue sendo uma escolha confiável, Tony Bryant, diretor de nutrição, pesquisa e análise da Five Rivers Cattle Feeding, reforça que o melhor touro é aquele que atende tanto às necessidades da fazenda leiteira quanto às exigências do comprador final. “A cor é um dos fatores menos importantes na nossa grade”, afirma. “Existe o equívoco de que todos precisam ser pretos, mas isso não é verdade. Há vantagens importantes em outras raças.” No centro dessas discussões está a expectativa e o nível de investimento envolvido. Os confinamentos vêm investindo valores recordes em bezerros beef-on-dairy, o que eleva significativamente o risco e torna a colaboração entre os elos da cadeia ainda mais essencial. “Alguns meses atrás, esses bezerros custavam US$ 1.650. É um investimento enorme”, afirma Tony Lopes, produtor de leite da Califórnia. “Se eles vão gastar tudo isso, precisamos sentar à mesa com a mente aberta.”
DAIRY HERD MANAGEMENT/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,20 em sessão de fluxo de investimentos para emergentes
O recuo firme da moeda norte-americana no exterior conduziu a queda do dólar ante o real na segunda-feira, para abaixo dos R$5,20, em mais uma sessão de forte fluxo de investimentos para países emergentes como o Brasil.
Em meio ao avanço de mais de 1% do Ibovespa, o dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$5,1886 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,61% na B3, aos R$5,2105.
No exterior, o dólar sustentou baixas firmes ante o iene, após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Além disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores à espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos. O dia também foi de queda firme para o dólar ante moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendência. “O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Além disso, o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.” Em paralelo, o Tesouro anunciou pela manhã a emissão de títulos em dólares no mercado internacional, com um novo benchmark de dez anos, para 2036. Além disso, foi realizada captação por meio de títulos de 30 anos Global 2056. Conforme o serviço de informações financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhões, com US$3,5 bilhões pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhão com o título para 2056. Como ocorre tradicionalmente, a expectativa é de que essa nova emissão do Tesouro abra a janela para captações internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E contra o fluxo não há argumentos”, disse Rugik, que não descarta a possibilidade de um dólar ainda mais fraco no curto prazo, mais próximo dos R$5,00. Pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante evento em São Paulo que a palavra-chave deste momento do ciclo de política monetária é “calibragem”, classificando o termo como “essencial”. Ao mesmo tempo, defendeu que a previsão de corte de juros não representa uma “volta da vitória”. “A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros) … Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou.
REUTERS
Ibovespa fecha acima dos 186 mil pela 1ª vez puxado por blue chips e com aval de NY
O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, terminando o dia acima dos 186 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado pelas blue chips Itaú Unibanco, Vale e Petrobras, e endossado por Wall Street.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,89%, a 186.407,8 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 186.460,08 pontos na máxima e 182.950,20 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Focus: Mercado reduz projeção para alta do IPCA este ano pela 5ª semana seguida, a 3,97%
A projeção para a inflação em 2026 caiu pela quinta semana seguida na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou na segunda-feira, com apenas pequenos ajustes em outras estimativas.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 3,97%, contra 3,99% na semana anterior. Para 2027, a conta segue em 3,80% por 14 semanas seguidas. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A pesquisa semanal com uma centena de economistas não mostrou alterações na perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027. As contas para a Selic também não sofreram alterações, e a taxa básica de juros continua sendo estimada em 12,25% ao final deste ano e em 10,50% no próximo. Com a Selic atualmente em 15%, a perspectiva para o primeiro corte segue sendo março, de 0,5 ponto percentual.
REUTERS
Mercado de Trabalho/Cepea: Agronegócio brasileiro atinge 28,58 mi de trabalhadores no 3º tri de 2025
Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Quanto às de base pecuária, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindústrias de abate de animais e de laticínios.
O agronegócio brasileiro empregou 28,58 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2025, aumento de 2,0% (ou de quase 569 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2024, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Este é o maior contingente registrado para um trimestre, considerando-se toda a série histórica do Cepea/CNA, iniciada em 2012. No mercado de trabalho brasileiro, a mesma comparação mostra avanço de 1,3%, equivalente a aproximadamente 1,37 milhão de trabalhadores. Diante disso, a participação do setor no total de ocupações do Brasil atingiu 26,35% no terceiro trimestre de 2025, acima dos 26,15% registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Com exceção das indústrias de rações, todas as atividades do segmento registraram crescimento no período, com destaque para as indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. O aumento no número de trabalhadores dessas indústrias ao longo do tempo reflete o fortalecimento econômico das atividades agropecuárias, cujo desenvolvimento gradual nos últimos anos tem ampliado a demanda por insumos do agronegócio. Para as atividades dentro da porteira, o contingente aumentou 0,7%, desempenho que se deve ao crescimento tanto na agricultura quanto na pecuária. Na agroindústria, a comparação entre anos mostra o crescimento de 1%. De acordo com pesquisadores do Cepea/CNA, entre as agroindústrias de base agrícola, contribuíram para o incremento no segmento as de vestuário e acessórios, de bebidas, de móveis de madeira, indústria do etanol. Quanto às de base pecuária, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindústrias de abate de animais e de laticínios. Quanto aos agrosserviços, a avanço entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024 foi de 4,5%. Esse resultado expressa tanto o cenário econômico nacional quanto o aumento da relevância dos agrosserviços para a economia do Brasil. De forma geral, o crescimento das ocupações nesse segmento está fortemente associado à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a fabricação de insumos – reflexo, em última instância, das transformações econômicas vivenciadas pelo agronegócio. Além disso, o bom desempenho da agropecuária, impulsionado por expectativas de safras recordes e pela manutenção de elevados níveis de abate, tem ampliado a necessidade de mão de obra nos agrosserviços que sustentam essas atividades, contribuindo para aquecer o mercado de trabalho.
CEPEA
Índice global de alimentos cai pelo quinto mês seguido em janeiro, pressionado por lácteos, carnes e açúcar
O Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou nova queda em janeiro de 2026, marcando o quinto recuo mensal consecutivo. O indicador fechou em 123,9 pontos, uma redução de 0,4% em relação a dezembro, refletindo principalmente a queda nas cotações internacionais de lácteos, carnes e açúcar.
Na comparação anual, o índice ficou 0,6% abaixo do registrado em janeiro de 2025 e permanece 22,7% inferior ao pico histórico alcançado em março de 2022, quando a guerra na Ucrânia e as restrições comerciais impulsionaram fortemente os preços globais. As quedas nos preços de lácteos, carnes e açúcar superaram as altas observadas nos cereais e nos óleos vegetais, garantindo o movimento de baixa no índice geral. Carnes: recuo mensal, mas ainda acima do ano passado. O Índice de Preços da Carne da FAO ficou em 123,8 pontos em janeiro, queda de 0,4% frente a dezembro. Apesar disso, o indicador segue 6,1% acima do nível observado no mesmo mês de 2025. A retração mensal foi puxada principalmente pela queda nos preços internacionais da carne suína. As cotações recuaram sobretudo na União Europeia, onde a demanda externa esteve mais fraca e a oferta permaneceu elevada, incluindo a liberação de estoques acumulados durante o período de fechamento temporário de frigoríficos nas festas de fim de ano. No caso da carne ovina, os preços permaneceram relativamente estáveis, mesmo com oferta apertada. A demanda sazonal perdeu força após compras intensas no final de 2025, o que limitou novas altas. A carne bovina também apresentou estabilidade nos preços internacionais. Um dos fatores determinantes foi a mudança no fluxo das exportações brasileiras após o esgotamento rápido da cota tarifária dos Estados Unidos. Com o fim da cota livre de tarifa, passou a valer a tarifa de 26,4% para volumes adicionais exportados ao mercado norte-americano. Diante desse cenário, parte das exportações brasileiras foi redirecionada para outros destinos, especialmente a China. Importadores chineses anteciparam compras para garantir volumes antes da implementação da cota de salvaguarda para carne bovina anunciada pelo país asiático. Esse movimento ajudou a sustentar os preços e evitou uma pressão maior de baixa sobre o produto brasileiro. Na contramão das demais proteínas, os preços da carne de frango subiram no mercado internacional. A valorização foi impulsionada principalmente pelo Brasil, sustentada por forte demanda externa. O recuo do índice geral reforça o cenário de acomodação gradual dos preços internacionais de alimentos após o período de forte volatilidade iniciado em 2022. Ainda assim, o mercado segue sensível a fatores como políticas comerciais, restrições tarifárias e movimentos estratégicos de grandes importadores. Para o setor de carnes, especialmente o brasileiro, o cenário continua marcado por ajustes nos fluxos comerciais e pela necessidade de adaptação rápida às mudanças nas regras de acesso aos principais mercados.
FAO
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 99697 8868 (WhatsApp)