Informativo Sindileite 221 17.09.2026

Ano 1 | nº 221 | 17 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Mercado do leite se recupera em 2026, mas custos e importações seguem no radar

Captação ainda abaixo dos patamares do início do ano mantém preços sustentados, mas viés de baixa ganha força. Segundo levantamento da Scot Consultoria, para o pagamento de setembro, referente à produção entregue em agosto, 71,1% dos laticínios consultados apontam estabilidade, enquanto 20,1% esperam queda e 8,9% acreditam em continuidade do movimento de alta.

Após um 2025 marcado por aumento da produção, pressão sobre as margens e queda na remuneração ao produtor, o mercado em 2026 mudou de rumo. A menor disponibilidade de leite no campo, reflexo da redução dos investimentos ao longo do último ano, ajudou na recuperação das cotações ao produtor. Segundo o levantamento da Scot Consultoria, considerando a média nacional ponderada dos 18 estados pesquisados, o litro de leite ficou cotado em R$2,527 no pagamento realizado em agosto, referente à produção entregue em julho, com alta de 2,2% em relação ao pagamento anterior, equivalente a R$0,06/litro. Desde o início do ano, a cotação subiu 22,3%. A recuperação ocorre em um ambiente de oferta ajustada. No primeiro semestre de 2026, a oferta esteve acima dos níveis observados em 2025 (IBGE), mas em ritmo mais moderado. A captação formal no primeiro trimestre foi de 6,78 bilhões de litros, aumento de 2,6% na comparação feita ano a ano, o maior volume registrado para o período. No segundo trimestre, a captação foi de 6,61 bilhões de litros, crescimento de 1,0% frente ao mesmo período de 2025, também configurando o maior volume da série histórica para um segundo trimestre. Apesar disso, houve redução de 2,5% em relação ao primeiro trimestre, desempenho associado à sazonalidade da produção e ao início da entressafra em algumas regiões. Esse comportamento indica uma desaceleração da expansão da oferta ao longo do ano, o que contribui para manter os estoques ajustados e limita a disponibilidade de matéria-prima para a indústria. Do outro lado, houve redução nos preços negociados no spot (leite comercializado entre as indústrias), o que reforça a possibilidade de pressão sobre a matéria-prima nos próximos pagamentos ao produtor, especialmente diante de uma demanda doméstica ainda limitada. Em agosto, os preços no mercado spot caíram. Considerando a média dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, o leite comercializado entre indústrias na segunda quinzena do mês caiu 4,5%, ou R$0,14 por litro, frente a igual período do mês anterior, com a referência em R$3,06/litro. Outro ponto de atenção são as importações. No caso do leite em pó, foram importadas 120,1 mil toneladas nos sete primeiros meses de 2026, volume 15,2% maior que no mesmo período de 2025. No curto prazo, a expectativa é de manutenção das importações em níveis relevantes, limitando uma recuperação das cotações domésticas. Do lado dos custos, o cenário exige cautela. O Índice Scot Consultoria de Custos de Produção da Pecuária Leiteira subiu 2,0% em agosto, com a alimentação permanecendo como o principal fator de pressão. A cotação do milho, principal fonte energética da dieta, subiu no período, e fertilizantes também contribuíram para o aumento dos custos. Na comparação feita ano a ano, o índice de custo de produção está 7,4% maior. Embora a recuperação da remuneração ao produtor tenha superado o aumento dos custos no último pagamento, melhorando a margem em 0,2 ponto percentual na comparação mensal, a margem ainda está 4,5 pontos percentuais abaixo da observada no mesmo período do ano anterior. Entre os insumos, o comportamento da cotação dos grãos será determinante nos próximos meses. A produção brasileira de milho foi revisada para cima pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com expectativa de 143,0 milhões de toneladas na safra 2025/26, além de estoques finais estimados em 15,6 milhões de toneladas, os maiores dos últimos cinco anos. Além dos fatores de mercado, o clima também preocupa para a atividade leiteira em 2026. A consolidação do El Niño aumenta o risco de alterações no padrão de chuvas durante o segundo semestre e início de 2027, podendo afetar a disponibilidade e a qualidade das pastagens em determinadas regiões. Para os próximos meses, a combinação entre a recuperação sazonal da oferta, as importações ainda elevadas, os custos de produção com potencial de alta e uma demanda doméstica limitada tende a reduzir o espaço para valorizações.

Scot Consultoria

Do GLP-1 à terceira idade: inovação com proteína do leite dispara e Brasil é destaque mundial

A demanda por proteínas lácteas deixou de ser um nicho apenas da nutrição esportiva e, hoje, tornou-se um dos principais vetores de inovação da indústria alimentícia. A demanda por proteínas lácteas deixou de ser um nicho apenas da nutrição esportiva e, hoje, ela atravessa categorias, faixas etárias e motivações de consumo, tornando-se um dos principais vetores de inovação da indústria alimentícia.  

Os dados confirmam esse movimento e a liderança do Brasil nessa inovação. Segundo a Innova Market Insights, em 2025 os lançamentos globais de produtos com proteína do leite (MPC/MPI) registraram alta superior a 8%, atingindo um recorde histórico. No Brasil, o avanço foi ainda mais expressivo: 119 lançamentos adicionais em relação a 2024, colocando nosso país na segunda posição mundial em crescimento absoluto, atrás apenas dos Estados Unidos. No Brasil, além da segunda posição global em crescimento de lançamentos de produtos com proteína do leite, o país ocupa a 10ª colocação mundial no ranking, com crescimento de quase 16% nessa categoria em 2025. A oferta norte-americana complementa a produção local com ingredientes de alta concentração proteica (concentrados e isolados de proteína do soro de leite e de leite – WPC/WPI, por exemplo) como ferramentas de inovação para fabricantes que buscam desenvolver produtos de maior valor agregado. Para fabricantes de alimentos e bebidas, entender o que direciona esse crescimento é uma vantagem competitiva. Afinal, a combinação de tendências, avanços científicos e dinâmicas de mercado está redefinindo o papel das proteínas lácteas na indústria global. Para Keith Meyer, Diretor de Marketing Global de Ingredientes do USDEC (U.S. Dairy Export Council), a expansão vai além dos números: “As proteínas lácteas já não estão limitadas aos produtos voltados para atletas de alto rendimento. Com o avanço da inovação, os fabricantes têm encontrado novas formas de incorporar ingredientes lácteos a uma ampla variedade de alimentos e bebidas, como produtos de panificação, snacks, sobremesas congeladas, iogurtes, confeitos e refeições prontas para o consumo. Essa versatilidade cada vez maior permite levar os benefícios nutricionais das proteínas lácteas a consumidores que estão além do universo da nutrição esportiva, atendendo também às necessidades de bem-estar presentes no dia a dia.”  Além disso, Meyer relaciona como as proteínas lácteas se conectam diretamente às 10 principais tendências de alimentos e bebidas para 2026 mapeadas pela Innova Market Insights. Entre elas, quatro se destacam pela relação direta com o mercado de proteínas lácteas: 1. Priorizar as proteínas. O consumidor passou da preocupação com quantidade para a exigência de qualidade. A pergunta deixou de ser quantas gramas de proteína o produto tem e passou a ser o que essa proteína faz por ele. Benefícios como suporte imunológico, saúde cerebral e síntese muscular ganham centralidade nas decisões de compra. 2. Camadas de prazer. Ser saudável é apenas uma parte da equação. O produto precisa ser bom. Texturas como crocância e maciez, sabores indulgentes e experiências sensoriais diferenciadas são determinantes para a fidelização do consumidor. 3. Bebidas com propósito. As bebidas são percebidas como inerentemente saudáveis. A combinação de proteína com redução de açúcar representa uma das maiores oportunidades de reformulação e inovação dentro dessa categoria. 4. Feito para os momentos. As configurações familiares mudaram. O mercado exige tanto porções individuais para consumidores que vivem sozinhos quanto embalagens pensadas para o consumo compartilhado. A adaptação ao contexto de consumo, e não apenas ao perfil nutricional, é um diferencial competitivo crescente. A virada da quantidade para qualidade: funcionalidades, DIAAS, leucina e os novos drivers. Os ingredientes lácteos oferecem vantagens únicas, pois além da flexibilidade de formulação para aprimorar textura e sabor, por exemplo, contribuem com um alto valor nutricional. “Nem todas as proteínas são iguais”, destacou Eduardo Reis, nutricionista esportivo, membro da ABNE e consultor da IFBB Academy Brasil e da CBF Academy, durante o evento. “As proteínas lácteas estão entre as proteínas de mais alta qualidade e servem como referência de comparação nas principais publicações científicas. Isso se deve à sua composição, que inclui uma maior concentração de aminoácidos essenciais como a leucina, além de sua elevada digestibilidade e biodisponibilidade.”  “A qualidade das proteínas lácteas vem acompanhada de propriedades funcionais que têm impacto positivo na saúde em diferentes fases da vida, ajudando a atender às necessidades de ingestão.” Essa digestibilidade e a biodisponibilidade mencionadas por Eduardo Reis podem ser medidas pelo escore DIAAS (Digestible Indispensable Amino Acid Score), um dos indicadores responsáveis por consolidar as vantagens das proteínas lácteas. Seus índices de digestibilidade superam os do ovo e das proteínas vegetais, como soja e ervilha, garantindo uma absorção mais eficiente dos aminoácidos essenciais e um maior retorno nutricional por grama consumida. A leucina, aminoácido presente em alta concentração no leite e no soro, apoia especificamente na síntese proteica muscular. Para adultos acima de 65 anos, que sofrem de resistência anabólica, por exemplo, a necessidade de leucina por refeição pode ser até duas vezes maior do que a de adultos jovens. Isso posiciona as proteínas lácteas como ingrediente estratégico para o mercado de envelhecimento saudável e prevenção da sarcopenia, muito além da nutrição esportiva. 

BHBFOOD/MILKPOINT

EMPRESAS

Com crescimento de 7,3% no faturamento, Frísia avança no ranking das maiores empresas do país

A Frísia Cooperativa Agroindustrial subiu cinco posições no ranking Valor 1.000, que reúne as maiores companhias do Brasil. A cooperativa passou da 234ª para a 229ª colocação, após registrar faturamento de R$ 5,99 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior. A Frísia reúne 1.090 cooperados e 1.373 colaboradores, distribuídos em 12 unidades no Paraná e duas no Tocantins.

O levantamento é realizado pelo jornal Valor Econômico e considera os resultados financeiros das empresas no ano anterior. A edição de 2026 tem como base os números de 2025. A Serasa Experian participa da coleta de dados, análise dos balanços e elaboração do ranking, enquanto a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV) contribui para o desenvolvimento dos critérios de avaliação de desempenho empresarial. Em 2025, a Frísia recebeu 1 milhão de toneladas de grãos em seus armazéns, além de registrar produção de 369,3 milhões de litros de leite, 29,7 mil toneladas de suínos e 136 mil toneladas de madeira. Com o avanço no Valor 1.000, a cooperativa atesta seu fortalecimento e presença entre as maiores empresas do país e mantém a trajetória de crescimento. Com 100 anos de história, a Frísia Cooperativa Agroindustrial é a mais antiga cooperativa de produção do Paraná e segunda do Brasil, e tem como valores Fidelidade, Responsabilidade, Intercooperação, Sustentabilidade, Integridade e Atitude (FRISIA). Sua trajetória se confunde com a do cooperativismo brasileiro, em que a união, o trabalho e a organização promovem resultados sustentáveis para cooperados, colaboradores, parceiros e sociedade, sempre aplicando os sete princípios cooperativistas. A Frísia nasceu em Carambeí (PR), em 1925, como Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios, onde está localizada a matriz. Atualmente, está presente em 12 municípios dos Campos Gerais paranaense e possui unidades em três cidades do Tocantins, estado onde começou as atividades em 2016. São mais de mil cooperados e mais de 1,2 mil colaboradores que fazem da Frísia uma das maiores cooperativas do Brasil, com atividades nos segmentos de grãos, lácteos, florestas, rações, sementes e proteína animal.

Assessoria de Imprensa Frísia

INTERNACIONAL

Mercado global de leite se fortalece enquanto demanda encontra incertezas na oferta

Os mercados globais de lácteos mantiveram um tom mais firme em setembro, com a demanda por proteínas do leite continuando a dar sustentação.

Os mercados globais de lácteos mantiveram um tom mais firme em setembro, com a demanda por proteínas do leite continuando a dar sustentação. Embora a produção de leite da Nova Zelândia esteja começando a temporada com força, as preocupações com o calor e a seca no Hemisfério Norte e o possível impacto do El Niño sobre a produção neozelandesa estão se tornando cada vez mais importantes para as perspectivas do mercado. A captação de leite da Nova Zelândia em julho atingiu o recorde de 30,35 milhões de kg de sólidos do leite (kgMS), equivalente a aproximadamente 337,2 milhões de kg de leite, alta de 7,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a produção de sólidos do leite acumulada na temporada está 6,8% maior. A tonelagem de leite também aumentou 5,8%. O indicador de produção da NZX prevê que o crescimento desacelere para 1,4% em agosto, 2,0% em setembro e 3,6% em outubro. Para os produtores, a principal questão é se esse início forte poderá ser mantido à medida que a temporada avança, especialmente se o El Niño trouxer condições mais secas no final da primavera e no verão. A oferta global já apresenta uma divergência maior. A produção de leite em julho aumentou 3,2% na Argentina, 11,4% no Uruguai e 2,2% nos Estados Unidos, enquanto a produção da União Europeia foi 2,0% maior em junho. A China permaneceu mais fraca, com a produção de julho caindo 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.  Enquanto isso, ondas de calor e condições secas em partes do Hemisfério Norte estão aumentando as preocupações com a disponibilidade de leite e com a capacidade das vacas de manter a produção durante a parte final da temporada. Os riscos para a oferta relacionados ao clima estão se tornando um fator cada vez mais importante para o mercado. O comércio continua dando sustentação. Os volumes das exportações de lácteos da Nova Zelândia aumentaram 6,7% em julho, na comparação anual, para 290.624 toneladas, enquanto o valor das exportações cresceu 1,7%, para US$ 1,34 bilhão. As exportações de WMP aumentaram 4%, apesar de os embarques para a China terem caído 13%, com uma demanda mais forte de outros mercados asiáticos e da América Central ajudando a compensar a redução das compras chinesas. A China continua sendo a principal incerteza do lado da demanda. Suas importações de lácteos caíram 30,2% em julho, na comparação anual, enquanto a produção doméstica de leite também permaneceu sob pressão. A magnitude da queda nas importações significa que o mercado chinês ainda não pode ser considerado uma fonte forte de demanda adicional. De modo geral, o mercado passou para uma posição mais firme, mas as perspectivas não são uniformemente otimistas. A forte demanda por proteínas está dando sustentação, enquanto as condições climáticas no Hemisfério Norte estão criando possíveis restrições à oferta. Para os produtores da Nova Zelândia, a combinação de um início forte da temporada e a possibilidade de El Niño significa que as perspectivas para a produção podem se tornar cada vez mais dependentes do clima. Se a oferta global de leite se restringir enquanto a demanda por proteínas permanecer robusta, os preços dos lácteos poderão encontrar sustentação adicional nos próximos meses.

FARMERS WEEKLY/MILKPOINT

ECONOMIA

BC corta a Selic para 13,75%ao ano, em última reunião pré-eleições

Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (16), cortar a taxa básica de juros para 13,75% ao ano no seu último encontro pré-eleições. Foi a quinta reunião seguida em que o colegiado do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%. Decisão foi unânime. O Comitê disse, em comunicado, que “seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a Selic nas metas de convergência da inflação à meta”. “O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz o comunicado do Copom. Segundo o Copom, a decisão de hoje é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, disse o comunicado. O Comitê informou ainda que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes, em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse. O corte de 0,25 ponto percentual era esperado por ampla maioria do mercado financeiro. Levantamento do Valor com 120 instituições financeiras e consultorias mostra que 118 projetam uma diminuição de 14% para 13,75% ao ano. Duas casas apostaram em manutenção do juro base no patamar atual. O colegiado reafirmou que “segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. Para o Copom, os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. “O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação”, reafirma. O colegiado também reforçou que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. O colegiado informou que o conjunto de indicadores divulgados mostra uma moderação gradual da economia, embora ainda em patamar resiliente. “Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”, diz o comunicado. Segundo o colegiado, nas divulgações mais recentes, “a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”. O Copom não fez alterações no balanço de riscos para a inflação, que permanece com quatro itens que podem provocar alta e três, baixa. O balanço de riscos está classificado como assimétrico e altista. Entre os itens que podem provocar a alta da inflação, o colegiado citou a “desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia”. Outro risco no radar do Banco Central é uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo. Também cita uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham “impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Por fim, colocou entre os riscos altistas os estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como “resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial”. Segundo o BC, esses incentivos enfraquecem parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

VALOR ECONÔMICO

Dólar fecha estável no Brasil após Fed elevar juros e antes do Copom

O mercado de câmbio no Brasil teve mais uma sessão de volatilidade limitada na quarta-feira, com o dólar encerrando o dia muito próximo da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana ganhou força após o Federal Reserve subir juros e sinalizar a possibilidade de novos aumentos.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,05%, a R$5,1519. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,14%. Às 17h02, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,08% na B3, aos R$5,1675. No início do dia o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,2% em julho ante junho, conforme a série com ajuste sazonal. O resultado, pior que a retração 0,1% projetada por economistas consultados pela Reuters, juntou-se a uma série de números mais recentes que sugerem perda de força da atividade econômica — o que favorece novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%. À tarde, o Federal Reserve anunciou alta de 25 pontos-base de sua taxa de juros, para a faixa de 3,75% a 4,00%, sinalizando novos aumentos nos próximos meses para conter a inflação no país. Em suas projeções, os membros do Fed indicaram pelo menos mais uma alta de 25 pontos-base em 2026. Em entrevista coletiva após a decisão, o chair do Fed, Kevin Warsh, ponderou que a inflação norte-americana está “alta demais” e está assim por “tempo demais”. Em reação ao Fed, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo o real. A moeda norte-americana, porém, oscilou em margens estreitas e encerrou o dia próxima da estabilidade, com o noticiário eleitoral no Brasil permeando os negócios. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou na terça-feira a decisão final sobre juntar ou não, para análise do plenário, dois casos envolvendo ministros: o de possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o de abuso de poder e improbidade por parte do ministro André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e paralisou o julgamento.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda após Fed elevar juro e sinalizar mais aperto

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, renovando mínima da sessão à tarde, após o banco central dos Estados Unidos elevar a taxa básica de juros na maior economia do mundo e sinalizar mais uma alta neste ano. 

Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa recuou 0,59%, a 185.394,66 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 186.738,25 na máxima e 184.753,98 na mínima do dia. O volume financeiro somava R$26,5 bilhões antes dos ajustes finais, em pregão também marcado por vencimento de opções sobre o Ibovespa. A bolsa paulista fechou com investidores na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com as apostas indicando redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano.

REUTERS

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